O Canto da Sereia 7 = As Águas do Tempo: Reencontro de Amor.

Um conto erótico de Giselle
Categoria: Trans
Contém 1694 palavras
Data: 04/01/2026 02:20:47

Pois é, eu era uma mulher, o meu pacto me trouxe até aqui, preciso contar isso dessa forma, porque eu tive que reaprender muita coisa, aprender muita coisa, mas vamos aos fatos, porque os fatos são a parte mais importante nesse momento.

Ninguém nunca achou um corpo, quando aquela criatura, pois não era um animal, me levou, Isabela os chama de os outros, seres que fazem pactos como o meu com pessoas, depois as levam para um mundo de sonhos eternos, não mais vivos, jamais mortos, mas alguns, como eu, conseguem escapar.

A nós é dado o nome de encantados, não sou mais humana, acho que ficou óbvio no último conto, eu sou uma sereia, Iara seria o nome mais indicado certo? Pois é, meu corpo foi modificado, alterado, sou outra coisa agora, em compensação, eu posso usar magia, nada espetacular, mas ainda assim, é incrível… Vamos a parte ruim…

Eu sou uma fugitiva, em dias de tempestades os outros sempre estão atrás de mim, eu preciso evitar a água, ou posso ser levada de volta, caso caia em um rio ou no mar…

Cólicas, puta que pariu as cólicas, a dor que começa na base das costas, se espalha pelas laterais do quadril, às vezes irradia na frente, no meu útero, a primeira vez eu queria gritar, mas como não podia eu gritei com qualquer um que me deixou frustrada.

Isso sem falar em ficar hiper sensível, eu fico meio chorona até hoje… Agora… uns dez dias antes eu sinto muita vontade de transar, absurda é até difícil me conter… Principalmente… Vamos ao próximo.

Eu sou uma sereia, o meu corpo pede por romance, pede pela presença masculina, como pedia quando eu estava no mar, quando eu atraia homens para morrerem no mar, pois é não foi pesadelo, eu realmente fiz aquilo, minha consciência pesa, nas faces dos mortos no mar do Farol, mas eu não estava sozinha, o outro estava lá.

Por fim a última e mais importante coisa e talvez a que mais me destruiu por dentro… Se passaram 30 anos… Pois é… Não foi ontem, foi há anos atrás, o mundo mudou, completamente, a vida é diferente, completamente, Isabela realmente é uma senhora idosa, que me deu todo o suporte para saber o que fazer agora, eu sou uma jovem mulher, sem passado, porque o passado que eu posso citar, é de 30 anos atrás.

O que me partiu o coração foi descobrir que eu não só perdi minha vida eu perdi minha vida com Fábio, eu… Fábio faleceu um pouco depois da minha própria ‘morte’, ele fugiu, ele foi para a capital, ele viveu bem lá por um tempo, mas ficou doente, faleceu de pneumonia por volta de 1995, eu, perdi meu amor…

Isabela me deu um nome, me ensinou a usar celular, computador e etc, ao mesmo tempo eu fiz provas de equivalência, completei meu ensino médio com uma única nota, já que eu já tinha estudado tudo isso e estava pronta para a faculdade, pronta para uma vida nova, uma vida diferente, uma vida triste, com horrores e magia.

………

Algumas coisas nunca mudam, o calor que faz nessa cidade não mudou… kkkkk… Isabela têm me bancado, segundo ela, para ela eu sou como uma filha, porque o totem dela nos uniu, algo sobre energias equivalentes e etc, é como se naquele dia que eu desmaiei no seu quarto a gente tivesse se conectado e ela sabia que teria que cuidar de mim.

Ao menos é o que ela me diz…

Eu chego na faculdade, com a minissaia shortinho jeans, quando as pessoas olham chegando é uma saia estúpidamente curta, mas atrás é um shortinho ok, logo da um visual interessante, uma blusinha de alcinha soltinha nos meus ombros, botinhas de salto, maquiada, os cabelos negros, os traços de índia, agora, com meros 1,63, caminhando.

Uma indiazinha de corpo magro, o corpo de uma nadadora, pernas fortes, quadril marcado, seios pequenos, braços fortes e uma barriga reta, eu nado o tempo todo, mergulho todos os dias, não só para me manter em forma, mas meu corpo pede, se fico um dia sem nadar, eu começo a me sentir dolorida, ardida, ressecada.

Estava caminhando entrando na faculdade, uma faculdade particular, um prédio lindo e bonito, quando sinto meu coração acelerar, muito rápido, eu olho em volta, eu sei do que se trata, meu corpo localizou um homem para mim, é uma sensação física, eu sinto minha cabeça girando, eu não achei que ia ser tão logo.

Eu vejo ele com os amigos, um grupo grande meninos e meninas, parece ser uma pessoa bem popular, eu fico olhando sem saber o que fazer, mas existe algo em mim, não posso deixar ele ouvir minha voz, pretendo segurar isso em mim, porque no fundo eu não quero outro romance, ainda estou de luto pelo Fábio.

Aí ele se vira para mim e olha para mim… Eu perco todo o ar dos pulmões… Fábio me encara, com olhos alegres e um interesse mal disfarçado, como da primeira vez, não sei se vocês acreditam em segunda chance, mas ali estava a minha, não sei como, não sei porquê, só sei que saí correndo, fugi, sem olhar para trás.

Chegando em casa chorando, fui falar com Isabela, ela me explicou coisas sobre reencarnação, mas também sobre os truques dos outros, se eu me entregar ao Fábio, mesmo que seja o MEU Fábio, eu possivelmente vou passar por grandes problemas para ter um final feliz, porque os Outros vão tentar usar isso.

No dia seguinte, eu tento ir de novo, dessa vez preparada para ver ele.

Dessa vez o encontro já dentro do campos universitário, caminhando pelos corredores, nossos olhos se cruzam de novo, ele me olha como se visse uma deusa, uma santa, suas pupilas dilatam e eu me sinto até ficar com as pernas bambas, lembrando de todas as vezes que eu tive ele para mim, lembrando da nossa última vez no sítio.

Mas é em um intervalo entre as aulas que as coisas acontecem rápido de mais para minha mente conseguir lidar, veja, eu estou atraindo atenção, eu sei que sou linda não vou negar isso, nesse dia, eu estava de calça legging, uma camiseta comprida, um idiota se aproxima de mim.

Sinto meu corpo se arrepiar, não como uma gata brava, mas não é ele que eu quero, meu corpo já escolheu, não é só uma escolha mental, é física também, eu tento ser educada e dizer que ok e sair andando, mas o cara fica um tempo me olhando à distância, como se algo tivesse acontecido.

Só quando ele me segura pelo pulso e me vira para ele eu percebo algo errado. “Garota, eu não consigo ficar sem você, eu sei que… Porra, desculpa, mas não dá.”, eu vejo nos olhos dele algo que eu sei do que se trata, minha voz o seduziu, por não ir atrás do Fábio, estou perdendo o controle dos meus poderes…

Eu olho em pânico, tentando me soltar, não quero machucar o cara, eu poderia reagir, arranhar, mas isso me faria se sentir mais culpada… “ME LARGA.”, eu acabo gritando e nessa hora, Fábio empurra o cara para longe de mim, “Está louco velho…”, ele começa a pedir desculpas e vejo nos olhos dele, que o encanto passou.

“Os Outros…”, sussurro baixo, tentando entender, o quanto foi minha falta de controle e o quanto foi armadilha, mas eu caí nela, não há mais escapatória, quando Fábio se vira para mim e fala comigo, com aquele sorriso que parece iluminar meu mundo, “Você está bem indiazinha?”, trinta anos de tempo, foram insuficientes para apagar algumas coisas.

Fábio sempre esteve lá para me proteger, Fábio sempre teve esse sorriso lindo, esse olhar intenso, Fábio sempre foi meu amor… Após trinta anos, nossas vidas se reencontram e novamente, estamos em rota para uma nova tragédia, que eu tenho o poder de evitar, se for esperta, se souber lutar pela minha vida e por nós dois.

“Estou bem, desculpa…”, eu percebi que tinha ficado quase um minuto sem responder, ele parecia realmente preocupado, começamos a conversar, cigarro, café, eu estava sei lá, não há como descrever, é uma pessoa que eu achei que nunca mais ia ver, mesmo se ele não tivesse morrido, não dava só para bater na porta dele.

Ele teria quase 50 e eu só uma menina de 19 anos, “Giselle que nome lindo.”, eu sorrio toda sem jeito, “Obrigada.”, as coisas estavam acontecendo, nossa conversa fluía fácil como se fôssemos velhos conhecidos, eu estava sorrindo toda sem jeito, mas ainda teria que ir para casa no final da noite, ele se ofereceu para me levar.

Minha carta ainda estava para sair, Isabela iria me dar um carro, mas no momento, eu estava sem, então, tentei argumentar, mas já sem convicção, não porque eu estava com preguiça, mas porque uma carona, era mais tempo para ficar com ele.

O carro me levou até o sítio, estávamos na porta do sítio quando, após uma conversa no caminho inteiro, os olhos se cruzando, as vezes ele olhando para as minhas pernas, as vezes eu olhando para seus braços, suas mãos, nós estávamos envolvidos de verdade, o beijo foi a coroa daquele momento, nos beijamos de forma intensa.

Eu apoiei minhas mãos no peito dele, ele colocou as dele nas minhas costas, nos beijamos intensamente, eu não sei o que ele sentiu, mas para mim foi matar 30 anos de fome, 30 fucking anos de over and over and over, buscando essa boca, essa sensação, esses lábios, onde todos os amantes me lembravam ele sem ser.

Quando eu desci do carro, atordoada, aceitando, já estava tudo feito, eu estava apaixonada, ele também… Agora só restava lutar.

======== ……FIM…… ========

Pois é povo agora acabou... OU quase, se vocês quiserem eu escrevo a segunda temporada, com a sereia tentando se libertar da sua maldição, mas... Vamos lá, a realidade é que aqui acaba a transformação de Dani em Giselle, que é o que a maioria queria ver, além disso, o mundo roda e dá um jeitinho dela reencontrar seu grande amor, de uma forma triste, mas ao mesmo tempo mágica.

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Foto de perfil de Dani Pimentinha CDDani Pimentinha CDContos: 28Seguidores: 90Seguindo: 21Mensagem Sou cd sou trans, sou queer, não consigo mais me definir por rótulos, sou ela, dela para ela, por escolha e preferência, não sou operada, não sei se faria, mas sou feminina, delicada, ousada, dane-se o mundo, dane-se o que pensam de mim, sou Dani.

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