A Caçada dos Milionários: Nua e Perseguida na Floresta - Cap. 01

Um conto erótico de bandida
Categoria: Heterossexual
Contém 5263 palavras
Data: 24/01/2026 22:31:24

Vitória Mendonça tentou se acalmar enquanto esperava o tiro de partida soar. Respirou fundo várias vezes, sacudiu os braços e as pernas, e então se acomodou numa posição relaxada e agachada. Esta era sua quinta Grande Caçada, e ela sabia que havia uma possibilidade genuína de que pudesse ser a última. Não que fosse sentir falta—a Caçada era uma provação brutal de seis horas sob condições extremas. Pelo menos o terreno do interior de Minas Gerais era mais macio e a temperatura estava quinze graus mais fresca do que ela havia enfrentado no ano anterior. Aquela Caçada—hospedada pelo Capítulo Paulista do Clube dos Jovens Capetas numa área florestada do interior de São Paulo—mandou três mulheres pro hospital. Duas sofreram desidratação severa; a terceira caiu de uma saliência e quebrou o braço.

Nem precisa dizer que a Caçada era ainda mais fodida pras presas.

Vitória checou o relógio antes de dar mais uma olhada na direção do juiz de partida. Respirou fundo uma última vez enquanto esperava o estouro da pistola. Exalou devagar, verificou os cadarços do seu tênis azul bebê novinho, e então fixou o olhar no seu alvo.

*Pá!*

Ao som do tiro, quarenta mulheres nuas saíram em disparada da linha de partida e correram pelo campo aberto na direção das árvores. Usando apenas tênis e um capacete de ciclista com viseira escura, as mulheres logo formaram grupos soltos organizados por tamanho corporal. As mulheres mais magras e fisicamente em forma na dianteira do bando cruzaram os duzentos metros em questão de segundos antes de desaparecerem na mata. Os grupos menos atléticos que ficaram pra trás alcançaram a linha das árvores alguns momentos depois, enquanto as mulheres mais peitudas balançavam pelo campo um minuto completo atrás de suas irmãs menos dotadas.

Vitória foi a primeira a alcançar a floresta. Ela se arrebentou através de alguns galhos baixos, desviou de um tronco de árvore enquanto se ajustava à luz diminuída sob o dossel arbóreo, e então acelerou morro acima enquanto se orientava. Ela havia treinado pesado pra essa Caçada. No ano passado, ela sobreviveu até a hora final da Caçada. Este ano, estava determinada a reivindicar o prêmio elusivo como A Que Não Foi Pega.

Ela correu a toda velocidade até o topo do morro, e então conseguiu parar seu ímpeto antes de explodir numa clareira do outro lado da elevação. Aquilo teria sido um erro sério, equivalente a soltar um sinalizador marcando sua posição. Em vez disso, ela trotou pra esquerda, contornando o perímetro do campo. Ainda correndo a plena velocidade, ela moveu os olhos de um lado pro outro em busca de um caminho.

Ela encontrou uma trilha de veado que circundava a clareira por várias dúzias de metros antes de virar sobre o morro. Assim que seus tênis tocaram o caminho batido, ela acelerou até o topo da crista. Quando alcançou o pico, viu que a trilha continuava por mais uns cem metros ou mais, antes de desaparecer em volta de um bosque de árvores pequenas. Correr morro abaixo era sua melhor oportunidade de colocar alguma distância entre ela e os perseguidores, que estariam seguindo quinze minutos atrás das presas.

Vitória alcançou o matagal de bétulas e pausou pra recuperar o fôlego. Deu um gole na sua única garrafa d'água—as presas eram permitidas quantas conseguissem carregar, mas ela aprendeu na sua primeira Caçada que estar sobrecarregada com suprimentos era o caminho mais certo pra uma captura precoce. Por essa razão ela não trouxe comida e carregava uma única garrafa plástica. A experiência lhe ensinou que sempre havia fontes de água na selva. Ela só tinha que ser engenhosa o suficiente pra encontrá-las.

Exatamente quando Vitória pisou de volta na trilha, um corpo bateu nela, derrubando-a no chão. Ela caiu de cara, atingindo a terra e a grama com um baque surdo. Seus joelhos e cotovelos ficaram arranhados de amortecer a queda, mas a dor no meio das suas costas era a mais problemática.

"Ô! Desculpa, mana. Não te vi." Uma jovem morena linda com tênis rosa e um capacete rosa combinando estendeu a mão pra ajudar Vitória a se levantar. "Eu virei a curva e você tava ali na minha frente. Desculpa mesmo. Tá de boa?"

"Vou ficar de boa," Vitória respondeu enquanto agarrava a mão oferecida da outra mulher. De pé, cara a cara, Vitória julgou que a mulher mais jovem tinha a mesma altura que ela—um metro e sessenta e oito—e estava a uns dois quilos do seu peso de cinquenta e seis quilos. O cabelo loiro de Vitória estava cortado logo acima dos ombros, enquanto o cabelo preto longo da morena estava puxado pra trás num rabo de cavalo apertado que saía de baixo do capacete. Nenhuma das duas era muito dotada na área do peito, embora Vitória reconhecesse instantaneamente que seus seios tamanho B eram só um pouquinho mais cheios que os da outra mulher, embora não tão durinhos. *E minha bunda não é gorda que nem a dela—é ali que esses dois quilos a mais tão localizados. Cê precisa maneirar no arroz, irmã. Carboidrato não é teu amigo.*

"Só uns arranhões nos joelhos e cotovelos. Sofri pior que isso me arrebentando pelos galhos das árvores logo depois da clareira. Sou a Vitória, aliás."

"Eu sou a Bianca."

"Bianca. Nome bonito."

"Valeu. Minha mãe que escolheu."

"Bom, Bianca, eu adoraria ficar aqui batendo papo, mas preciso vazar. Cê pode correr comigo, se quiser."

"Valeu, acho que vou sim. Você parece que manja do que tá fazendo aqui fora. Algumas daquelas outras minas lá atrás vão ser derrubadas assim que a perseguição começar."

"É por isso que a primeira coisa que fiz foi procurar uma trilha. Você cobre mais território e coloca mais espaço entre você e os perseguidores quando tá correndo em terreno liso. É importante fazer a vantagem de quinze minutos significar alguma coisa. Assim que o segundo tiro soar, vou sair da trilha e ir pelo mato."

"Sacou. Partiu então."

Vitória pegou sua garrafa d'água, tirou a terra e os galhos dos braços e pernas, e saiu descendo a trilha. Seus corpos nus reluzindo de suor, as duas mulheres dispararam pra dentro da mata num ritmo acelerado logo abaixo de uma corrida total. Apesar de dar uns cinco anos de vantagem, Vitória acompanhou a jovem Bianca passada por passada. Suas pernas longas e magras revolvendo o solo enquanto seus braços bombeavam em uníssono, as duas mulheres deixaram as outras trinta e oito comendo poeira.

*Pá! Pá!*

"Esse é o sinal pra perseguição começar," Vitória disse. "Me segue."

"Pode crer," Bianca respondeu.

Vitória saiu da trilha e se dirigiu pra uma mata mais densa. Bianca seguiu, apenas alguns passos atrás dela. Nenhuma das duas estava respirando com dificuldade. Vitória havia treinado por meses, e sabia que sua resistência a carregaria pela Caçada inteira. Ela não sabia nada sobre Bianca, mas estava começando a suspeitar que o nível de condicionamento físico da mulher mais jovem era igual ao seu próprio.

"Vamos ver o que tem do outro lado daquela subida," Vitória disse. "Se a gente conseguir colocar um morro entre nós e a perseguição, isso vai abafar nossos passos. Se eles não conseguirem ouvir a gente, ganhamos uma vantagem enorme."

"Dá pra ver que essa não é tua primeira Caçada," Bianca respondeu.

"Não, não é. É minha quinta, na real."

"Cinco vezes. Caralho. Vou ficar feliz se sobreviver a essa."

"Chega de papo. A gente precisa dar o pique."

Bianca acelerou passando por Vitória, ganhando dela até o topo do morro. Vitória sentiu uma queimação nas coxas conforme o gradiente aumentou. Ainda assim, ela acompanhou o ritmo da mulher mais jovem e se recusou a permitir que ela colocasse qualquer distância entre as duas.

O terreno se nivelou, e então cem metros adiante começou a descer. Vitória avistou uma árvore caída—provavelmente um pinheiro—lá na distância.

"Vai pra aquela árvore caída," Vitória disse. "A gente pode parar e recuperar o fôlego."

As duas mulheres correram pra árvore. Alcançando-a, se esgueiraram em volta do tronco grosso pra encontrar abrigo na vala deixada pela base desenraizada. Agachadas na terra, elas abriram suas garrafas d'água em uníssono e deram longos goles refrescantes.

"Posso te perguntar uma coisa?" Bianca indagou.

"Pode," Vitória deu de ombros. "O que é?"

"Como você faz isso? Como você vem aqui fora e se permite ser perseguida e provavelmente pega? Especialmente quando sabe que seu marido tá correndo atrás de outras minas lá em Santa Catarina?"

"A gente combinou de não falar sobre isso. Ele faz o que precisa fazer, e eu faço o que sou obrigada a fazer. Eu não faço perguntas pra ele, e ele não faz nenhuma pra mim. Ele sabe que não é minha escolha, e eu sei que ele também não tem muita escolha. Nós aceitamos esse acordo quando ele foi convidado a entrar pro Clube dos Jovens Capetas."

"Vale mesmo a pena? Ser dos Jovens Capetas é tudo isso?"

"Com certeza. Foi provavelmente a coisa mais esperta que já fizemos. O lema deles, 'Onde milionários viram bilionários' não é só papo furado. Nosso patrimônio líquido triplicou nos cinco anos desde que entramos. Ano passado economizamos mais de R$só em juros através de descontos preferenciais pra membros. Reinvestimos essa grana em fundos mútuos gerenciados por membros e ganhamos R$adicionais. As opções de ações que exercemos em 2009 renderam mais de R$este ano quando as ações se dividiram. E não posso te contar quanto negócio novo o Clube direciona pra empresa do meu marido. Se tivéssemos que fazer a escolha de novo, faríamos num piscar de olhos—sem questionar."

"Não tenho tanta certeza. Essa Caçada é tudo que eu e meu marido temos conversado por semanas. Ele fica tão tenso e nem consegue me olhar. Ele fica olhando pela janela com olhos vazios, tipo imaginando o que vai ser feito comigo aqui fora. Os olhos dele enchem d'água, ele se serve de mais uma dose, e acaba dormindo no sofá. A gente não transa há mais de um mês. O pensamento do que pode acontecer comigo deixa ele maluco. É por isso que treinei tão pesado nos últimos quatro meses. Tenho que chegar até o final."

"Se incomoda ele tanto assim, por que ele entrou?"

"Pela mesma razão que todo mundo—ele quer ser rico. Ele ouviu histórias tipo a sua de como ser membro do Clube dos Jovens Capetas é o jeito mais rápido de ficar super rico. Eu digo pra ele que a gente tem grana suficiente, mas ele nunca tá satisfeito. Fica preocupado que vamos perder tudo igual os pais dele perderam em 2008."

"E como você se sente sobre isso?"

"Minha opinião, evidentemente, não é importante. Assim que ele recebeu o convite pra entrar, aceitou sem discutir comigo. A primeira vez que fiquei sabendo foi na noite da cerimônia de indução. Me mandaram ir comprar um vestido chique e sexy e estar pronta pro carro buscar às oito da noite."

"Isso deve ter sido um choque e tanto. O Baile de Indução é o segundo maior evento do ano—logo depois do Baile do Caçador. Quando você ficou sabendo da Caçada?"

"Uma semana depois da indução. Claro que levou um mês inteiro pra ele me contar todos os detalhes sórdidos. Provavelmente ainda tem algumas coisas que não vou descobrir até hoje à noite."

"Se eu fosse você, me preocuparia menos com o Baile e mais com a Caçada. Os homens demonstram melhores modos no Baile. Aqui fora na mata, é praticamente vale tudo."

"Você não tá me fazendo sentir melhor."

"Não tô tentando. É sobrevivência dos mais aptos aqui fora. Felizmente, você parece bem em forma."

"Valeu. Eu faço cross-fit quatro vezes por semana."

"Então deve ficar bem no seu vestido. Espero que seja sexy o suficiente. Já vi homens rasgarem vestidos—com as mulheres ainda neles—quando eram recatados demais. Pra esse evento, quanto mais puta melhor."

"Isso não vai ser problema," Bianca corou.

Vitória se levantou, esticou os braços acima da cabeça e olhou fixamente pra mata. *Porra, lógico. Jovem, linda, gostosa e atleticamente fodástica. Ela vai ser minha maior competição.*

"Levanta, novata, hora do recreio acabou. Você foi esperta de trazer só uma garrafa d'água, mas isso significa que precisamos encontrar uma fonte d'água antes que os caçadores encontrem. A última coisa que você quer é desmaiar de desidratação. Partiu."

"Tô logo atrás de você, tiazinha. Vai na frente."

*Tiazinha? Vai tomar no cu, vadia. Essa tiazinha vai dar uma surra na tua bundinha parda antes desse dia acabar. Só uma de nós pode ganhar o título de A Que Não Foi Pega.*

Vitória disparou através de uma clareira, ziguezagueando em volta de troncos de árvores e arbustos enquanto colocava o máximo de espaço possível entre ela e os perseguidores. Ela viu o que parecia uma depressão a uns trezentos metros de distância, e foi naquela direção. Ela sabia que água flui morro abaixo, então a melhor aposta delas era ir na direção que a gravidade obrigava.

Seus instintos estavam corretos. Havia uma poça de água parada e transparente no fundo da depressão. Bianca se agachou na beira e abriu sua garrafa d'água, mas Vitória agarrou seu braço antes que ela pudesse mergulhá-la na poça.

"Eu pensei que você tinha dito..."

"Eu disse, mas essa água parece estagnada. Tá vendo aqueles mosquitinhos voando em volta da superfície? A gente precisa encontrar água corrente. Água parada pode te deixar doente."

"Tô quase vazia. Um litro não dura muito quando você tá correndo nesse ritmo."

"Eu sei, mas uma infecção bacteriana seria quase tão ruim quanto desidratação. De qualquer jeito, você vai pro hospital passar a noite."

"Você tem razão, eu acho. Bora."

Antes que qualquer uma delas pudesse se mover, ouviram o grito assustado de uma mulher, seguido um segundo depois por um grito ainda mais agudo. Era impossível julgar a distância com qualquer certeza, mas Vitória estimou que originaram de um ponto a pelo menos trezentos metros de distância.

"Era...?" Bianca perguntou.

"Exatamente. Duas caíram, pelo menos. Não tem como saber quantas outras foram pegas antes delas que a gente não ouviu. Os caçadores tão mais perto do que eu pensava. Temos que dar o pique."

"Pra que lado?"

Vitória olhou pra esquerda e depois pra direita. Nenhuma direção parecia que levaria a uma fonte d'água viável, então ela apontou na direção da cobertura mais densa.

"Ali."

Bianca disparou na frente de Vitória, que ficou dois passos atrás. Apesar de ter uma figura mais curvilínea, Bianca corria com a facilidade e fluidez de uma atleta nata. Havia uma economia no seu movimento que não podia ser ensinada nem aprendida; uma pessoa simplesmente tinha ou não tinha, e era óbvio quase desde o nascimento. Vitória estava na melhor forma da sua vida, e tinha trabalhado duro pra alcançar aquele nível de condicionamento. Mas mesmo no seu melhor absoluto, ela sabia que a mulher mais jovem podia correr mais rápido e durar mais que ela, mesmo que ainda não tivesse alcançado seu potencial total.

*Ela pode conseguir correr mais rápido que eu, mas nunca vai me superar na esperteza.*

Vitória se acomodou dois passos atrás de Bianca, e quando alcançaram uma parte da mata que estava cheia de galhos podres, ela caiu mais dois passos pra trás. *Melhor deixar ela encontrar o terreno irregular primeiro e arriscar torcer o tornozelo.*

O som de outra mulher gritando de dor perfurou a quietude da floresta. Vitória puxou ao lado de Bianca e cutucou ela com o cotovelo pra chamar sua atenção.

"Ouviu aquilo?" Vitória perguntou.

Bianca acenou com a cabeça.

"Tem um riacho mais na frente," Vitória disse entre respirações. "Vamos parar só o tempo suficiente pra encher nossas garrafas, depois damos o pique pelo barranco do outro lado. Quando a gente passar da próxima subida podemos procurar um lugar pra descansar."

"Tem certeza? Vai ser seguro?"

"Acho que tamo nos afastando de todo mundo. Aquele último grito pareceu mais distante que o anterior."

"Acho que reconheci aquela voz—Jéssica Oliveira. Ela sentou do meu lado no avião. A gente foi junto pegar a bagagem, e ela entrou numa briga com outro passageiro que pegou uma das malas dela. Achei que ela ia ser presa."

"Ainda bem que não foi. Perder a Caçada por qualquer motivo faria o marido dela ser expulso dos Jovens Capetas. Eles fecharam essa brecha há muito tempo."

As duas mulheres alcançaram o fundo da descida e pausaram na beira do riacho. A água transparente e fresca estava se movendo num ritmo acelerado. O leito do riacho era arenoso e pontilhado com pedras pretas lisas.

"Deve ter uma nascente por perto," Vitória disse. "Essa água parece segura."

Ambas abriram suas garrafas e as mergulharam no riacho. Trinta segundos depois recolocaram as tampas e escanearam os arredores.

"Que caminho?" Bianca perguntou.

"Morro acima. Quanto mais distância a gente conseguir colocar entre nós e os perseguidores, mais seguras estaremos. Eles vão ficar sem carne fácil na próxima hora, e então a caçada de verdade vai começar. A gente quer estar o mais longe daqui possível quando chegar essa hora."

"Mas se a gente seguir esse riacho, não vamos precisar procurar água de novo. Talvez não encontremos outra fonte d'água segura."

"Bianca, usa a cabeça. Onde os predadores sempre caçam? Em volta do bebedouro. Assim que eles alcançarem esse riacho, vão se espalhar nas duas direções. A gente tem que continuar e esperar que chegue na próxima fonte d'água antes que eles nos achem."

"Entendi. Bora."

Vitória pulou sobre o riacho, então disparou morro acima. Bianca ficou pra trás até o topo do morro estar à vista. Conforme se aproximaram do cume, Bianca acelerou passando Vitória e ganhou dela até o topo.

"Vamo, tiazinha, você consegue," Bianca provocou. "Só mais alguns passos."

*Continua assim, querida, continua assim. Vamos ver quem vai tá chorando pela mamãe quando o tiro final soar.*

Vitória alcançou o topo e olhou em volta. As árvores estavam mais finas, e não havia abrigo aparente em nenhuma direção.

"Pra onde agora?" Bianca perguntou.

"Temos um problema."

"Ué?"

"Não tem abrigo à vista." Vitória escaneou de leste a oeste. "Tamo num terreno mais alto, mas a vegetação é mais fina e não vejo nenhum lugar onde possamos parar sem ficar expostas. Vamos ter que continuar correndo."

"Eu sabia que devíamos ter ficado perto do riacho." A morena olhou por cima do ombro.

"Você sempre pode voltar, se acha que é uma escolha melhor."

Bianca olhou pro relógio.

"É tarde demais pra isso. Voltar não é uma opção viável."

Vitória deu um gole rápido de água antes de recolocar a tampa.

"Então bora. Tamo perdendo tempo."

"Tô logo atrás."

*Até eles chegarem perto de nós, e então tenho certeza que você vai tentar me deixar no chinelo.*

Vitória apontou na direção de um aglomerado de arbustos a uns trezentos metros de distância e começou a correr. Bianca seguiu, dois passos atrás. As mulheres dispararam passando pelas árvores menores e ziguezaguearam em volta das maiores, fazendo o melhor pra permanecer nas sombras e evitar pisar na vegetação seca. *Devemos estar longe o suficiente pra que eles não consigam ouvir nossos passos, mas por que arriscar?*

As mulheres contornaram os arbustos, só pra encontrar outra clareira. Vitória fez um movimento amplo com o braço, e então apontou pra floresta mais densa a quase oitocentos metros de distância. Elas pararam só o tempo suficiente pra dar goles longos nas suas garrafas d'água quando ouviram um grito vindo da direção de onde haviam fugido.

"Não! Não! Por favor! Não!" a voz de uma mulher gritou. "Por favor! Não!"

"Parece que tá vindo do riacho," Bianca disse, olhando na direção de onde tinham acabado de vir. "Ela provavelmente foi pega enquanto enchia a garrafa."

"Acho que é um pouco mais acima do morro. A gente deixou todo mundo tão pra trás que ninguém podia estar tão perto. Os gritos dela devem ter atravessado aquele vale bem fácil, fazendo parecer mais perto do que realmente são."

"Fico pensando o que ele tá fazendo com ela." Bianca tinha uma expressão preocupada no rosto. "Não acho que esses são gritos de prazer."

"Não são. Muito provavelmente, ele tá comendo ela no cu, e não tá sendo muito gentil. É a coisa favorita deles fazer aqui fora."

"Isso já aconteceu com você antes?"

"Sim—mais de uma vez. Por isso que esguichei um pouco de vaselina no meu cu antes de sair do hotel. Você não pode contar que eles vão trazer lubrificante, mesmo se tiverem planejando aproveitar um sexo anal na mata. A única pessoa cuidando de você é você mesma. Nunca esqueça disso."

Bianca olhou pra baixo e balançou a cabeça.

"Não tinha pensado nisso. Meu marido..."

"Esquece seu marido. Ele não tá aqui pra te proteger. E não importa o que ele possa ter te dito, eles são todos selvagens assim que entram na mata. É por isso que eu e o Leonardo não conversamos sobre o que acontece. Não quero saber o que ele tá fazendo, e ele realmente não quer saber o que tão fazendo comigo. Contanto que ele faça uma captura pra que a associação dele não seja revogada, não me importo. Quer dizer, eu me importo—mas não quero saber."

Vitória levantou a mão embaixo da viseira e enxugou os olhos.

"Não quero saber," ela sussurrou.

"Não! Para! Você tá me machucando!"

As duas mulheres se entreolharam.

"Isso tá ficando mais perto," Bianca disse com os dentes tremendo.

"Bora. Agora."

Vitória disparou contornando a beira da clareira, com Bianca colada nos seus calcanhares. Elas não estavam mais correndo pra longe dos gritos, mas sim num arco mais amplo que as levou paralelas ao riacho antes de se curvarem pra longe dele. Elas ficaram nas sombras o tempo todo, mesmo quando significava correr através de um aglomerado de vinhas espinhosas.

"Ai! Porra!" Bianca gritou. "Caralho! Não vi essa merda. Tô toda arranhada."

"Só continua correndo. Vou olhar quando tivermos colocado mais distância entre nós e os caçadores."

"A não ser que você tenha um kit de primeiros socorros enfiado no cu, não vai fazer diferença. Nem pensa em parar."

As duas mulheres continuaram correndo pelos próximos trinta minutos. Elas circunavegaram a clareira até alcançarem o ponto mais distante do riacho, então viraram pra dentro e partiram fundo na mata. Quando Vitória sentiu que tinham colocado distância suficiente entre elas e os caçadores, ela levantou a mão e reduziu pra uma caminhada acelerada.

"O que você tá fazendo?" Bianca implorou. "Temos que continuar correndo!"

"Não podemos continuar nesse ritmo. Tamo quase sem água, e não vejo sinal de outro bebedouro à vista. Vamos caminhar por dez minutos e então correr por dez minutos até encontrarmos mais água."

"E depois?"

"Não sei. Tô improvisando."

"Esse é seu plano?" Bianca encarou Vitória, seus olhos ardendo de raiva.

"Você tem um melhor?"

"Tenho. A gente corre. E corre. E nunca para de correr. Eles tão carregando os rifles, munição, garrafas d'água, lanche, e quaisquer suprimentos adicionais que conseguiram enfiar nas mochilas. Eles não podem nos pegar se a gente só continuar correndo. Não tem como nenhum deles estar em melhor condição que nós. A gente devia tá dando um baile neles."

"O que você acabou de falar?"

"Que a gente continua correndo."

"Não. Sobre dar um baile?"

"Eu disse que a gente devia tá dando um baile neles."

"É isso! Vamos dar a volta—ficar atrás deles."

"Por quê? Parece arriscado. A gente devia só correr mais que eles. Sei que podemos fazer isso."

"Me escuta, Bianca. Eles não vão esperar isso. Precisamos de água. Não vamos sobreviver mais três horas aqui fora sem ela. A gente conduz eles mais uns oitocentos metros naquela direção, e então damos a volta pro riacho. Eles vão passar o resto da tarde indo naquela direção procurando por nós, e a gente pode só se esconder numa daquelas árvores grandes lá atrás. Eles nunca vão nos encontrar. É perfeito."

"Prefiro continuar correndo."

"Você vai acabar no hospital com um soro no braço e a porra de algum caçador vazando do seu cu violado. É isso que você quer? Agora vem."

"Tá bom. Mas é melhor funcionar."

"Relaxa. Eles nunca vão esperar que a gente apareça atrás deles."

As duas mulheres correram por oitocentos metros, então viraram pro norte. Usando o sol como guia, Vitória as conduziu num arco longo e amplo que as levou primeiro pro norte e depois pro leste, até eventualmente alcançarem o riacho que tinham atravessado mais de uma hora antes. Em pelo menos três ocasiões ouviram os gritos de mulheres sendo derrubadas ou simplesmente sendo pegas, mas em cada caso os sons estavam vindo do oeste. E em cada caso, os gritos originavam cada vez mais longe da sua localização isolada.

Quando alcançaram o riacho, Vitória entrou na água na altura do joelho e ficou parada por vários segundos enquanto recuperava o fôlego. Ela mergulhou sua garrafa vazia na água fluindo suavemente e a encheu; Bianca fez o mesmo alguns metros rio abaixo. As duas mulheres beberam sedentas de suas garrafas, e então se abaixaram pra enchê-las de novo. Bianca se levantou, mas Vitória se agachou sobre a água e soltou um jato de mijo.

"Que porra você tá fazendo?" Bianca encarou Vitória com o queixo caído.

"Desculpa—tô segurando isso há duas horas."

"Você não podia ir atrás de uma árvore ou algo assim?"

"Qual é o problema? E além disso, isso vai lavar o cheiro embora."

"Tanto faz."

"Ei, se você precisa ir, agora é a hora."

"Não, obrigada. Vou esperar."

*Splat!*

Uma bola de tinta passou zunindo sobre a cabeça de Vitória e explodiu contra um tronco de árvore perto da margem do rio.

"Corre!" Bianca gritou.

As duas mulheres respingaram atravessando o riacho e se abaixaram atrás de uma fileira de árvores alinhadas ao rio.

*Splat! Splat! Splat!*

Três bolas de tinta a mais explodiram contra os troncos das árvores. Vitória olhou pra baixo pra examinar as manchas de tinta de cada lado do tronco. Laranja, laranja, e laranja—só um caçador, até agora. *Ainda pode ter uma saída daqui.*

"Eu sabia que foi um erro voltar aqui," Bianca sussurrou com os dentes cerrados. "Tamo fodidas."

"Talvez não," Vitória sussurrou. "Essas árvores se estendem pelo menos uns cem metros ao longo da margem do rio. Se a gente ficar baixa e se mover em silêncio, podemos conseguir sair dessa."

"Você vai primeiro," Bianca respondeu. Ela se abaixou pra checar os cadarços, então olhou pra Vitória. "Eu sigo."

Vitória olhou de volta pra Bianca, se agachou perto do chão, e então disparou ao longo da linha de árvores. Movendo-se silenciosamente sobre as agulhas de pinheiro cobrindo o chão, Vitória alcançou a primeira árvore e pausou. Ela olhou por cima do ombro pra ver Bianca alcançando, e então disparou em direção à próxima árvore. As duas mulheres repetiram seus movimentos de parar e arrancar até alcançarem a última árvore alinhada ao riacho.

Agachada atrás de um pinheiro, Vitória levantou o dedo pros lábios e então apontou pra uma árvore grande a vinte metros de distância. Bianca espiou na direção indicada pelo dedo de Vitória e balançou a cabeça de um lado pro outro.

"É longe demais," ela sussurrou. "Nunca vamos conseguir."

"É nossa única escolha," Vitória respondeu. "Se ficarmos aqui, tamo ferradas. Temos que continuar nos movendo."

"Não tem cobertura por vinte metros. Eles vão nos derrubar uma de cada vez."

"Somos mais difíceis de acertar quando tamos nos movendo. Somos alvos fáceis aqui."

"Eu sei. Merda. Vai. Vou tá logo atrás de você."

Vitória deu um gole rápido de água e então saiu numa corrida total. Bianca seguiu, cinco segundos atrás. Exatamente quando Bianca alcançou a cobertura da árvore, uma enxurrada de bolas de tinta explodiu contra o tronco.

*Splat! Splat! Splat! Splat!*

"Porra!" Bianca rosnou. "E agora? Tamo encurraladas."

"Espera um segundo. Me dá um minuto pra descobrir alguma coisa."

Vitória ficou de pé ereta pra reduzir seu perfil e se tornar o menor alvo possível.

*Splat! Splat! Splat! Splat!*

Outra enxurrada de bolas de tinta espirrou no tronco da árvore. Bianca virou pra espiar em volta do tronco, enquanto imitava a postura ereta e vertical de Vitória.

*Splat! Splat! Splat! Splat!*

Bianca deu um passo pra trás, pressionando o torso contra o corpo de Vitória numa tentativa de minimizar sua exposição ao atirador. Vitória sugou ar entre os dentes quando sentiu as bochechas suadas e volumosas da bunda de Bianca pressionadas contra sua virilha. Ela sentiu seu corpo esquentar e seus mamilos enrijecerem. Ela sabia que era só uma questão de tempo antes que as duas fossem pegas, e de alguma forma aquele pensamento—combinado com a proximidade da carne jovem de Bianca pressionando contra sua pele—mandou um arrepio pela sua espinha.

Vitória estava consciente da sua respiração quente acariciando o pescoço de Bianca toda vez que exalava. Ela inalou o aroma quente e úmido da mulher mais jovem. Ela pressionou seu corpo contra a pele lisa e escorregadia de Bianca, maravilhando-se com suas curvas femininas e tônus muscular firme. *Ela é um belo espécime—curvilínea mas atlética, firme mas feminina.* Vitória levantou um braço e o envolveu em volta da cintura de Bianca. Ela achatou a palma, espalhou os dedos, e traçou um círculo sobre a barriga plana e apertada de Bianca. A mulher mais jovem engoliu uma golfada de ar quente e úmido e enrijeceu o corpo em resposta.

"Vitória," Bianca sussurrou, "o que você tá fazendo?"

"Shhhhhhhh," Vitória respondeu. "Tenho um plano."

Vitória deslizou a mão sobre a barriguinha de Bianca, traçando um círculo num arco cada vez mais amplo. Ela roçou a palma sobre o monte depilado da morena, pausando por uma fração de segundo enquanto seu dedo indicador se demorava sobre o clitóris dela. Vitória levantou o braço e segurou o seio de Bianca tempo suficiente pra provocar uma reação do seu mamilo cor de canela.

"Então qual é o seu plano?" Bianca sibilou. "Fazer um showzinho lésbico e distrair os caçadores pra eles largarem as armas? Não imaginei você como sapatão."

"Não posso te contar o plano ainda," Vitória roçou o nariz no pescoço de Bianca enquanto beliscava seu mamilo. "Mas tenho medo que você não vá gostar."

"Por que você diz isso? Tô gostando até agora." Bianca aliviou a postura e liberou a tensão dos músculos. Ela mudou o peso nas pontas dos pés, e então se recostou em Vitória.

"Bianca."

"Sim."

"Sinto muito mesmo."

Vitória empurrou Bianca com toda sua força. A mulher mais jovem emergiu da cobertura da árvore e tropeçou no chão. Ela foi imediatamente atingida por uma enxurrada de bolas de tinta respingando tinta laranja por todas as suas pernas, estômago e capacete.

"Ai! Ai! Ai!" Bianca gritou. "Sua vadia! Sua vadia do caralho!"

Vitória saiu correndo a toda velocidade.

"Desculpa! Sinto muito mesmo! Por favor me perdoa!" ela gritou de volta na direção de Bianca.

Bianca ficou deitada no chão em silêncio atônito enquanto Vitória desaparecia num matagal de árvores. Seu corpo perfeito estava coberto por um mosaico de vergões vermelhos brilhantes e tinta laranja fluorescente. Um momento depois, seu caçador chegou pra reivindicar seu prêmio. Bianca olhou pra cima pro seu captor. Era um homem grande vestido em fardas camufladas, com um boné combinando, uma mochila, e uma arma de paintball pendurada no ombro. Ele enfiou a mão na bolsa e puxou uma garrafa de água gelada que ofereceu pra Bianca. Uma inundação de lágrimas escorreu pelas bochechas dela.

***

[FIM DO CAPÍTULO 1]

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 9 estrelas.
Incentive oincestuoso a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Listas em que este conto está presente