O flagra 2

Da série Novo mundo
Um conto erótico de Gu
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 609 palavras
Data: 24/01/2026 20:51:50

Entreguei a chave.

Ela parou, me olhou por alguns segundos e falou, com a voz firme e calma demais:

— Quero que fique mais um tempo trancado. Amanhã, antes de ir para o serviço, passe na minha casa às seis da manhã. Vou estar te esperando.

Ela morava na rua de cima da minha casa. Era perto demais. Fácil demais. Não haveria desculpas.

Não relutei. Decidi entrar no jogo, não por coragem, mas por medo. A partir daquele momento, eu já estava entregue em suas mãos.

Voltei para casa tentando agir normalmente. Cada passo parecia mais pesado. A porta se fechou atrás de mim, e o silêncio da casa me envolveu de um jeito diferente. Não era descanso. Era vigilância invisível. Mesmo sozinho, eu me sentia observado.

No banheiro, lavei o rosto e encarei meu reflexo no espelho. Por fora, tudo parecia igual. Por dentro, eu sabia que algo tinha mudado. Não era só o corpo trancado — era a consciência de que alguém agora decidia por mim.

Tentei me deitar cedo, mas o sono não vinha. O relógio avançava devagar, e cada minuto reforçava a espera. O celular, ao lado da cama, parecia mais pesado do que o normal, como se pudesse vibrar a qualquer instante com uma ordem curta, direta, impossível de ignorar.

Quando finalmente adormeci, acordei antes do despertador. Eram cinco da manhã. Um desconforto constante me lembrou imediatamente da minha condição. Não precisei pensar muito para entender onde eu estava e o que me aguardava.

Me preparei em silêncio e saí de casa ainda no escuro. Antes de chegar, mandei um WhatsApp. Ela visualizou na hora e respondeu:

— Entre. A porta está destrancada. Venha direto para o meu quarto.

Imaginei, por um momento, que aquilo seguiria um caminho previsível, quase óbvio. Criei uma cena pornô na minha cabeça, achando que iria ser usado, submetido aos limites e, no final, transar com ela. Me enganei completamente.

Ao entrar no quarto, ela me olhou de cima a baixo e deu uma ordem simples, sem elevar o tom:

— Tire toda a sua roupa e vista isto.

Sobre a cama estavam separados os itens: um plug anal, uma lingerie preta que se vestia como um maiô e meias longas que subiam até a barriga.

— Você só pode estar louca — falei, tentando sustentar alguma resistência. — Não vou vestir isso.

Ela se aproximou um pouco mais, inclinou a cabeça e respondeu, sem pressa:

— Você começou a brincar. Eu só estou organizando as regras. Ou veste… ou eu resolvo do meu jeito.

O silêncio que veio depois foi suficiente. Caí em mim. Não relutei mais.

Com dificuldade, obedeci. Cada peça colocada era mais um limite atravessado. Quando terminei, não era só o corpo que estava exposto — era a minha submissão.

— Pronto — falei, tentando recuperar algum controle. — Está satisfeita?

Eu estava morrendo de tesão.

Quase incontrolável. Acho que, se não estivesse com o cinto de castidade, já teria gozado umas cinco vezes.

Ela pegou o celular, tirou uma foto e respondeu:

— Agora sim.

Em seguida, completou, como quem dá uma instrução qualquer do dia a dia:

— Vista sua calça e a camisa por cima. Vá trabalhar assim. Não tire nada. Quando sair do serviço, volte aqui.

O chão pareceu ceder por um segundo. Aquilo estava indo longe demais.

Ela percebeu meu desespero e sorriu de canto.

— Para de frescura — disse. — Anda logo. O tempo está passando.

Saí dali com o coração acelerado, carregando comigo algo muito mais pesado do que vergonha: a certeza de que, a partir daquele dia, minha casa, meu tempo e meu corpo não eram mais apenas meus.

E o pior…

era saber que eu não tinha certeza se queria que fossem.

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