Os jogos de cartas naquele galpão eram rotina entre os homens da cidade. Tudo era controlado de perto por Toni, um dos mafiosos mais barra-pesada do estado.
Ali, o que se apostava tinha que ser pago — sem exceção. Todos sabiam disso.
Álvaro, pequeno comerciante do bairro, aparecia religiosamente toda sexta-feira. Jogador compulsivo, nunca pensava no amanhã, só na próxima virada. Naquela noite, escolheu a mesa errada: a de Toni.
Os dois travaram uma disputa particular, mesmo com outros na roda. Toni conhecia a fraqueza de Álvaro e tinha um plano simples: arrancar tudo o que o comerciante ainda possuía.
Como predador experiente, Toni deixou a presa confortável. Nas primeiras rodadas, permitiu que Álvaro ganhasse bastante — notas grossas se acumulando, sorriso crescendo no rosto dele. Toni observava em silêncio, fumando devagar, esperando o momento certo para o bote.
E o momento chegou.
Depois de horas, Álvaro perdeu tudo o que ganhara e muito mais. A pilha derreteu. Toni dobrou as apostas sem piedade. Em pouco tempo, levou o caixa do comércio, a reserva da família, o carro, a casa — tudo transferido para o lado dele da mesa.
Restando apenas um punhado de notas amassadas, Toni se inclinou, cigarro nos lábios, e falou baixo, quase amigável:
— Última chance, Álvaro. Ou para agora… ou coloca algo que ainda valha a pena.
Álvaro tremia. Olhou as mãos vazias, o abismo se abrindo dentro dele. Pensou nas dívidas antigas, nas contas atrasadas, nas filhas precisando de escola, na mulher que ainda acreditava nele. Num impulso de desespero e loucura, murmurou:
— Minha esposa. Lindsay. Eu aposto ela.
Silêncio pesado caiu sobre a mesa. Os outros se entreolharam, sem ousar respirar alto. Toni ergueu uma sobrancelha, divertido.
— Sua mulher? — repetiu devagar. — Descreve ela direito. Quero saber no que estou apostando.
Álvaro engoliu em seco, voz rouca:
— Lindsay… 42 anos. Bonita, muito bonita. Alta, corpo bem feito, seios fartos, quadril largo… chama atenção mesmo vestida simples. Cabelo castanho longo, sempre preso num coque certinho. Pele clara, olhos verdes. Recatada. Muito recatada. Nunca usou decote, nunca saiu sozinha à noite. Só ficou comigo a vida inteira. Virgem quando casamos. Mãe de duas filhas — 19 e 16 anos. Cuida da casa, da igreja, das meninas… nunca olhou para outro homem.
Toni deu um sorriso lento, cruel. Apagou o cigarro e se recostou.
— Uma senhora gostosa, fiel, mãezona dedicada… e que nunca conheceu outro pau na vida. — Fez pausa, saboreando. — Tá bom. Aceito. Se ganhar essa mão, leva tudo de volta… mais um extra meu. Se eu ganhar… Lindsay passa uma noite comigo. Só uma. E você entrega ela pessoalmente na minha casa. Sem choro, sem polícia, sem drama. Combinado?
Álvaro sentiu o estômago revirar. Mas não havia volta. Assentiu, sem força.
— Combinado.
Toni estendeu a mão. Álvaro apertou, sentindo o aperto firme e frio.
As cartas foram distribuídas.
Álvaro percebeu, naquele instante, que jogara fora muito mais do que dinheiro.
As cartas viraram.
Full house contra straight flush. Toni recolheu as fichas devagar, ergueu os olhos.
— Parece que a sorte não tá do seu lado hoje.
Álvaro ficou parado, olhando a mesa vazia. O pânico veio de uma vez. Levantou-se de supetão, cadeira caindo.
— Não… Toni, por favor… eu faço qualquer coisa. Trabalho pra você, pago aos poucos, vendo um rim… mas não a Lindsay. Ela não merece. Eu sou o idiota.
Toni acendeu outro cigarro, soltou fumaça para o teto.
— Aposta é aposta. Você colocou ela na mesa.
— Eu tava louco! Desesperado! — Álvaro chorou abertamente, rosto vermelho. — Por favor… de joelhos se precisar. Deixa ela em paz.
Toni se levantou, alto, largo, camisa preta esticada nos ombros. Passou por Álvaro como se ele fosse ar e parou na porta.
— Nove da noite. Na minha casa. Você traz ela. — Pausa curta. — E se quiser assistir… a porta fica aberta. Sem custo extra.
Álvaro caiu de joelhos no chão sujo, soluçando, enquanto os outros saíam em silêncio.
A noite chegou fria e úmida.
Álvaro dirigia o velho Fiat Marea com mãos trêmulas. Lindsay, ao lado, ereta, vestido azul-marinho simples e comprido, coque impecável, mãos no colo. Não gritara ao saber. Ficara em silêncio longo, depois perguntou baixo:
— É verdade, Álvaro? Você apostou… eu?
Ele só chorou.
Estacionaram em frente ao sobrado antigo de Toni — grades altas, luzes amareladas. Lindsay desceu devagar. Olhos marejados, pálpebras vermelhas. Mas quando Toni abriu a porta, algo mudou.
Sem paletó, camisa preta aberta nos primeiros botões, mangas dobradas nos antebraços tatuados e grossos. Peito largo, postura de quem manda. Tudo o que Álvaro nunca foi.
Lindsay parou no caminho de cascalho. Seus olhos verdes subiram pelo corpo dele — do peito ao rosto marcado por cicatriz fina na sobrancelha —, depois desceram, involuntariamente. Lágrimas brilhavam, mas havia outro brilho: fascínio misturado a medo e desejo reprimido.
Toni percebeu. Sorriu lento, satisfeito, desceu os degraus.
— Lindsay… mais bonita do que ele descreveu.
Ela respirou fundo, peito subindo sob o vestido modesto. Álvaro atrás parecia minúsculo, franzino, patético.
Toni tocou o queixo dela, erguendo o rosto.
— Entra.
Lindsay olhou para trás — Álvaro imóvel, olhos baixos. Virou-se para Toni e deu o primeiro passo para dentro.
A porta fechou com clique suave.
Toni guiou-a pelo hall, mão leve nas costas dela — possessivo, mas controlado. Álvaro seguia atrás, passos hesitantes, mudo. Na sala de estar — sofás de couro escuro, lareira baixa, quadros caros —, Toni indicou o sofá maior. Sentou-se perto dela. Álvaro afundou numa poltrona distante, rosto pálido.
— Drinque? — perguntou Toni, olhos percorrendo-a devagar.
Ela assentiu. Ele serviu uísque, dedos roçando os dela. Arrepio subiu pela espinha dela. Toni sentou mais perto, braço no encosto atrás dela.
Ele falava baixo, histórias leves, mas cada olhar era um gancho. Lindsay desviava os olhos, mas voltava, atraída. Toni era perigoso, confiante, preenchia o espaço. Álvaro, sempre gentil, previsível, inofensivo.
Ela sentiu o corpo trair: formigamento nos seios, calor descendo, umidade entre as pernas. Cruzou as coxas, mordendo o lábio. Toni notou, sorriu de lado.
— Tensa? — murmurou, polegar traçando círculo no braço dela. — Seu marido apostou. Eu ganhei. É só uma noite. Quem sabe você não aproveita.
Álvaro engoliu em seco, punhos cerrados, mas imóvel. Submissão total.
Lindsay corou, corpo respondendo. Umidade aumentava, calcinha encharcada. Toni aproximou-se, hálito quente no pescoço.
— Olha pra mim.
Ela obedeceu. Medo e desejo cru. Ele beijou o pescoço dela — leve, mas elétrico. Ela ofegou, coxas apertando.
— Me diz o que quer, Lindsay. Ele tá assistindo. Não vai interferir.
Ela olhou Álvaro — imóvel, olhos baixos. A fraqueza dele a quebrou. Desejo reprimido por décadas transbordou.
— Eu quero você. Agora. — Voz rouca. — Me come na frente desse filho da puta.
Toni sorriu vitorioso, puxou-a para si.
Ergueu-a com facilidade, levou ao tapete diante da lareira. Desabotoou o vestido, deixou cair. Lingerie branca simples, quase virginal. Sorriu como se fosse presente.
Deitou-a de costas, abriu as pernas com as coxas musculosas. Quando tirou a calça, revelou o pau grosso, longo, veias saltadas. Lindsay arregalou os olhos.
Álvaro olhava fixo, rosto vermelho, ereção evidente na calça, mas não se mexia.
Toni esfregou a cabeça na entrada molhada dela. Lindsay gemeu alto, costas arqueando. Ele empurrou devagar, abrindo-a centímetro a centímetro. Quando entrou todo, ela gritou abafado.
— Isso… é diferente… — murmurou, olhos vidrados.
Toni meteu ritmado, profundo. Lindsay se entregou: pernas abertas, quadris subindo ao encontro. Gozou rápido — orgasmo violento, tremendo, apertando-o com força, jorro escorrendo pelas coxas.
Ele não parou. Acelerou. Segundo orgasmo veio em ondas, sobrepondo-se. Ela cravou unhas no tapete, choramingou o nome dele sem querer, corpo convulsionando.
Álvaro apertava o pau por cima da calça, tesão doentio consumindo-o. Vergonha e desejo misturados. Gozou sem tocar, pequeno borrão úmido na virilha — patético.
Toni acelerou, suor escorrendo. Saiu de dentro, segurou o pau e gozou em jatos grossos, longos. Cobriu Lindsay: seios, barriga, pescoço, queixo, lábios, testa. Escorreu pelo cabelo solto, braços, coxas, pés. Quantidade absurda, viscosa, marcando-a.
Lindsay, ofegante, olhou o corpo coberto de branco espesso. Olhou Álvaro — calça molhada, quase nada. Pena momentânea, depois gratidão perversa.
Toni deitou ao lado, mão possessiva na coxa melada. Lindsay virou o rosto para ele, olhos verdes brilhando novo.
Pensou claramente: Aquela aposta idiota do Álvaro… foi a única que ele fez na vida que realmente valeu a pena.
Galera se vocês curtem os meus textos, curtam e me sigam para acompanhar meu repertório, até mais!!
