Pronto, chegou a hora de lançarmos uma nova história, pois não será um conto erótico como os que estamos acostumados na CDC. Será uma história onde serão incluídas cenas eróticas que irão moldar o pano de fundo de uma das mais tristes e complexas situações, pelas quais, a humanidade já passou.
Os eventos nela descritos serão ficcionais baseados em acontecimentos históricos e linhas temporais reais, ou seja, nem por isso, evidencia que não poderiam ter realmente ocorrido.
Contudo, para que essa história seja completa, decidimos seguir alguns protocolos. E, o primeiro deles, é a história ter um Prefácio.
Então, que seja:
PREFÁCIO
Recebi com genuína alegria o convite da amiga Ida para escrever o prefácio desta história, desenvolvida em parceria com Nassau. A honra foi imediata; a decisão, refletida. Não por hesitação, mas por respeito — à obra, às trajetórias envolvidas e ao peso que um prefácio carrega quando não nasce apenas do protocolo, mas da admiração mútua.
A Ida e eu nos conhecemos no ambiente dos contos, esse território fértil onde leitores atentos têm papel tão decisivo quanto autores talentosos. Desde o início, ela se destacou não apenas pela assiduidade, mas pela postura. Ida é dessas leitoras raras: lê com entrega, mas também com rigor. Opina com firmeza, jamais com arrogância. Critica com clareza, sem recorrer à ofensa. Sustenta suas convicções sem concessões fáceis, mas também sem a necessidade do embate. Quando provocada, responde com elegância. Quando discordada, mantém a ética. Há uma coerência entre pensamento, palavra e atitude que salta do texto para a convivência.
Com o tempo, essa admiração se transformou em parceria. Ida não apenas lê contos — ela os disseca com precisão cirúrgica e sensibilidade rara. Tem uma habilidade singular para identificar incoerências narrativas, falhas de ritmo ou desalinhamentos históricos, sempre apontando caminhos possíveis, nunca impondo soluções. Mais do que revisar textos, ela potencializa autores. Ajuda-os a encontrar o melhor de si mesmos sem jamais apagar sua identidade. Essa contribuição esteve presente em histórias como Doce Vingança, Encontros e Desencontros e Pedi um casamento aberto e meu marido me surpreendeu, entre outras.
Por isso, no que se refere a ela, aceitei o convite com tranquilidade e afeto.
A cautela inicial vinha do fato de esta ser uma obra construída em parceria. Experiências passadas na Casa de Contos Eróticos já me ensinaram que nem sempre antigas rusgas recomendam dividir a mesma mesa — ou o mesmo projeto. Ainda assim, a transparência da Ida foi decisiva. Nassau estava plenamente ciente de que o convite para este prefácio havia sido feito a mim, e não apresentou qualquer objeção. Diante disso, optei pelo caminho mais maduro: deixar diferenças no passado e atender ao pedido de uma grande Amiga. E escrevo “Amiga” com letra maiúscula não por descuido tipográfico, mas por convicção. O respeito que a Ida inspira não é exigido; é oferecido primeiro. E talvez por isso seja tão natural devolvê-lo.
Há, neste prefácio, outra decisão que merece ser compartilhada com o leitor. Diferentemente do que costuma ocorrer, optei deliberadamente por não ter acesso aos capítulos já escritos. Não por falta de oportunidade, mas por escolha pessoal. Preferi preservar o fator surpresa e experimentar a história como qualquer leitor que acompanhará suas postagens. Tudo o que conheço desta obra vem da sinopse que me foi apresentada — e da confiança absoluta que deposito na parceria entre Ida e Nassau.
E essa confiança não é cega.
Nassau é um autor experiente, dono de uma trajetória sólida, reconhecida e consistente. Mas o que mais impressiona em sua escrita não é o currículo — é a inquietação criativa. Nassau nunca se acomoda. Nunca repete fórmulas. Nunca escreve no piloto automático. Mesmo após tantas histórias, segue buscando o novo, reinventando abordagens, desafiando a si mesmo. Há nele uma recusa consciente à escrita preguiçosa, aquela que se apoia apenas no que já funcionou antes. Cada novo conto carrega o frescor de quem ainda tem algo a dizer — e, mais importante, ainda se importa com a forma como diz.
Sua habilidade em construir personagens femininas é digna de nota. Com sensibilidade, respeito e profundidade, Nassau cria mulheres que não são caricaturas nem fantasias rasas, mas figuras complexas, cheias de desejos, contradições e humanidade. Personagens que respiram, erram, sentem e provocam.
Somada a isso, está a presença da Ida como parceira criativa. Sua atenção aos detalhes, à coerência histórica e à estrutura narrativa funciona como um contrapeso preciso: não engessa, não corrige por vaidade, não interfere para aparecer. Ela ajusta para fortalecer. Lapida para revelar. E essa combinação — a inquietação criativa de Nassau com o rigor sensível de Ida — é, por si só, uma promessa poderosa.
Se a sinopse já aponta para uma história ambientada em um dos períodos mais conturbados da humanidade, a Segunda Guerra Mundial, é impossível não antecipar uma narrativa carregada de tensão, dor, transformação e resistência. Uma história que atravessa o preconceito, a discriminação e a violência, mas que não se contenta em apenas retratá-los — busca compreender como a dor pode se tornar força, como a perda pode gerar movimento, como a luta individual pode se expandir para algo maior.
Não antecipo cenas. Não revelo caminhos. Prefiro, assim como o leitor, caminhar no escuro da primeira leitura. O que posso afirmar é que esta parceria reúne tudo o que grandes histórias exigem: emoção, intensidade, surpresas, reviravoltas e, sim, muito tesão — elemento que, quando bem trabalhado, não é excesso, mas linguagem.
Que outras parcerias como essa se repitam. Que encontros criativos assim continuem acontecendo. E que nós, leitores, sigamos sendo brindados com esse prazer quase íntimo que é acompanhar um conto escrito com dedicação, rigor e paixão pela narrativa.
Boa leitura a todos e um abraço do amigo e parceiro Lukinha.
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