APENAS UM CONTO. (4ª PARTE)

Um conto erótico de RICARDO
Categoria: Heterossexual
Contém 2119 palavras
Data: 24/01/2026 10:33:49
Última revisão: 24/01/2026 11:22:51

Se não estivesse sentado acho que teria caída de costas.

- Como assim, temos que terminar, o que esta acontecendo.

Nesse momento ela mudou, não era mais a mesma mulher que conhecia.

- Me desculpa, mas não dá mais, eu... eu... preciso terminar, porque você não é a pessoa certa para mim.

Cada vez menos eu entendia.

- Você pode ser mais clara, como não sou a pessoa certa, o que acabamos de ter, isso não conta.

- Rick, isso vai doer muito, mas não é só isso, não é apenas sexo bom que quero e que tive com você.

Nesse momento eu já estava de pé, minha pulsação estava acelerada, mas ainda assim eu tentava me controlar.

- Rick, eu tentei, pensei que você seria o homem que me daria tudo, mas você... você...é um fracasso, você nem consegue arrumar um emprego, como vai dar as coisas que preciso, as coisas que quero.

Ângela começava a me mostrar a mulher que realmente era e que eu nunca conheci.

- Eu quero uma pessoa que me trate como uma princesa, que me dê tudo, dinheiro, roupas, status, é isso que quero, e que pensei que você pudesse me dar. Você perdeu um emprego, que provavelmente não te daria lá grande coisa, mas seria, acredito, um início, mas você nem serviu para chegar no horário e ainda perdeu a chance de passar pela entrevista. Quando te conheci, você lembra, eu cheguei naquela casa com um cachorrinho nos braços, lembra?

- Sim lembro, mas o que ele tem a ver?

Onde aquela conversa ia chegar, não estava fazendo sentido algum.

- Então, com ele foi onde descobri o poder que uma mulher tem. O poder de conseguir tudo o que quiser, o poder de ter o homem aos seus pés lhe dando tudo. Eu só aceitei mudar com meus pais depois que meu pai entendeu que só iriamos mudar se ele fizesse o que eu queria. O cachorro, ele me deu porque eu o chantageei, ou ele me dava ou eu não viria para esse lugar, eu fugiria.

Essa não era a Ângela que sempre julguei conhecer.

- Até você começou a me dar coisas, pequenas coisas, é verdade, mas seria apenas o princípio, a ideia seria te pedir cada vez mais, mas para isso você teria que ter um emprego, dinheiro, e querer me ver feliz, mas então depois que você me contou como perdeu uma simples entrevista de emprego, eu pensei e cheguei à conclusão que não posso ficar com um homem que não vai poder me dar e me tratar como quero.

Nessa hora ouvindo tudo e da forma como ele colocava, me sentia um nada, desisti de tentar argumentar, me vesti e pedi que ela também se vestisse. Pouco depois a deixei em sua casa, e durante o todo o percurso fiquei em silencio, nem sabia o que dizer, não naquele momento, precisava processar tudo, todas as palavras. Antes de descer ela ainda tentou dizer algo, mas levantei a minha mão em sinal de que não era mais preciso dizer nada.

Entrando em casam passei pela sala, onde meus pais estavam, fui direto para meu quarto e me jogando na cama feito um peso morto.

Passei a noite rolando na cama, cada vez que fechava os olhos eu via Ângela pronunciando tudo aquilo, afinal que mulher era aquela, primeiro demonstrou ciúmes por mim, e depois me descartou como uma roupa velha, e o que era pior, ela queria alguém para sustenta-la, em tudo, tudo que desejasse.

Antes de levantar no dia seguinte entendi que ela tinha feito a melhor coisa que poderia ter feito. Claro que eu a amava, mas ela não sentia o mesmo, então, por pior que fosse, era melhor sofrer por amar alguém, do que sofrer por não ser amado e ainda estar sempre dando coisas e que nunca estaria a altura de dar o que ela quisesse.

Levante, tomei meu banho e fui tomar meu café, era cedo, minha mãe até estranhou eu levantar aquele horário, mas não fez nenhum comentário. Só quando disse que iria acompanhar meu pai até o comercio e ajuda-lo ela não se conteve.

- Você esta bem Ricardo, você nunca vai cedo ajudar seu pai.

- Preciso mudar algumas coisas em mim mesmo mãe, e essa será apenas a primeira.

Meu pai que chegava na cozinha, também para tomar seu café fez uma cara de interrogação olhando para minha mãe que apenar respondeu levantando os ombros.

Saímos juntos e fomos para a mercearia, por incrível que pareça o dia foi tão corrido que nem tive tempo de pensar em Ângela, quero dizer no que ela tinha significado para mim.

Foram tantas coisas sendo colocadas em ordem, coisas que a muito meu pai me pedia para fazer, e que eu sempre arrumava um jeito de postergar. Ele não acreditava que seu estava fazendo e por diversas vezes me perguntou que bicho tinha me mordido, ou que iria procurar esse bicho para me morder mais vezes.

Os dias seguintes foram assim, saindo cedo e chegando quando a loja tinha fechado.

Sobre o que tinha acontecido meus pais não faziam ideia, somente no sábado de noite é que resolvi contar para eles, e ver em seus olhares a surpresa das palavras de Ângela. Minha mãe de boca aberta estava incrédula, meu pai apenas ouviu sem nada dizer, apenas um tempo depois, fazendo uma comentário cheio de sarcasmo.

- Ela devia ter feio isso antes, assim eu teria sua ajuda muito tempo atrás.

Minha mãe deu um beliscão nele que o fez pular no sofá, e ainda olhou feio para ela, que o encarou e franziu os olhos, sem nem precisar falar nada.

Na segunda, lá estava eu cedo na mercearia ajudando meu pai abrir a loja, o dia estava nublado e fresco, nuvens carregadas se faziam presentes, mas felizmente era apenas o clima que estava assim, eu até que me sentia bem, claro com saudades de Ângela, mas o estranho é que não fiquei tão triste como esperava ficar, algo em meu interior aceitou até que bem aquele rompimento.

Eram uma nove horas da manhã quando percebo meu celular vibrando, até pensei que seria Anjo me mandando alguma mensagem sobre eu pegar alguma coisa em sua casa ou dela pegar algo na minha, mas não era. Tinha recebido uma mensagem de um numero desconhecido, abri a mensagem e fiquei surpreso, era da empresa onde havia perdido a chance de entrevista. Era uma mensagem bem sucinta, estavam agendando para a quarta feira as nove horas uma nova entrevista, inclusive me dando uma pequena tolerância de cinco minutos.

Fiquei pensando nos porquês do novo agendamento, mas não cheguei a conclusão alguma, comentei com meu pai, e para minha surpresa ela até vibrou, ficando muito contente.

A noite em casa, assim que cheguei mostrei para minha mãe, que apenas disse, na vida tudo tem um motivo, vai ver que agora é momento certo, aquele ainda não era.

Na terça do dia passou rápido, eu tentava me manter tranquilo, mas a medida que as horas passavam eu ficava mais tenso, tanto que meu pai me dispensou mais cedo para ir para casa descansar para o dia seguinte.

Chegando em casa, antes de entrar, notei um carro em frente à casa de Ângela, era uma BMW amarela que nunca antes esteve ali, mas eu conhecia uma que sempre estava estacionada no estacionamento da faculdade, mas não sabia a placa, então deixei para lá, entrei e fui tomar meu banho e descansar.

Na manhã seguinte, me levantei cedo depois de mais uma noite mal dormida, mas dessa vez por conta da entrevista. Tomei meu café, e sai, com meus pais me desejando sorte.

Felizmente dessa vez tudo correu bem, na condução nada de atrasos por conta do transito, e no caminho do calçadão nenhuma donzela com o salto preso em algum buraco causado pela má conservação.

Cheguei uns trinta minutos antes, melhor assim, pois não queria perder essa chance. Vinte minutos depois a recepcionista me encaminhou até a sala da pessoa que iria me entrevista. Estranho pois não era no mesmo local, era no decimo andar, um local onde não se via ninguém, apenas salas com as portas fechadas e nelas os nomes das pessoas, quer dizer diretores.

A moça bateu em uma delas, abriu, pediu licença entrando e me pedindo para entrar também.

Sentada meio que de costas para nós, digitando em um note uma outra mulher, que parecia ser a secretária.

A Recepcionista disse:

- Este é o candidato que ela esta aguardando.

Moça agradeceu, sem parar o que fazia e agradeceu.

Depois se virando para mim a recepcionista disse:

- A Mirela vai te atender agora, boa sorte Sr. Ricardo.

Apenas assenti com a cabeça e agradeci.

A secretaria parou de digitar me olhou e pediu para que eu sentasse, e aguardasse, nesse meio tempo me perguntou se estava tudo bem, se eu queria uma água, café ou um chá, enquanto isso pegou o telefone e discou um número, alguém do outro lado deve ter atendido de imediato, pois ouvi ela dizer que eu já estava com ela. Em seguida ela desligou e disse que em mais um minutinho seria atendido.

Ela me olhou, como se estivesse tirando minhas medidas, sem nem mesmo precisar de uma fita métrica.

Segundos depois uma porta se abriu e quem sai de dentro dela é nada mais nada menos que Lívia me cumprimentando.

- Olá meu salvador, como você esta? Mirela esse foi o homem que literalmente me salvou de quebrar o salto de meu sapato.

- Sempre soube que a senhora é uma mulher de sorte, ela respondeu.

Me levantei para cumprimenta-la.

- Olá, bom te ver também, e melhor que não esteja com o salto preso em um buraco, respondi.

Ela sorriu, um sorriso lindo, e me convidou para entrar em sua sala.

Depois que entrei ela deu a volta em sua mesa e antes de sentar me indicou a cadeira a frente de sua mesa para que eu também sentasse.

Também me ofereceu algo para beber, depois de se sentar, mas eu agradeci recusando.

Então ela se dispôs a falar.

- Bem Ricardo, depois daquele dia, eu fiquei chateada por ter feito você perder a entrevista, então pedi ao RH para que me encaminhasse seu curriculum para dar uma olhada e para ser franca gostei do que vi, apesar de você ter pouca experiência, gostei da parte acadêmica e também prefiro uma pessoa assim, onde possamos moldar a pessoa de acordo com a empresa, sem que ela traga vícios de outros locais.

- Mas você esta me contratando assim sem amais nem menos, pela mensagem que recebi, hoje seria uma entrevista apenas.

- Sim é verdade, mas pela sua atitude comigo, já sei tudo o que preciso saber sobre você. Você é uma pessoa que ajuda outras, mesmo que para isso perca uma chance de emprego, não é egoísta. Poderia ter passado direto e me deixado lá tentando tirar meu sapato daquele buraco mas você escolheu me ajudar, e isso diz muito sobre você, muito mais do que pensa.

Enquanto conversávamos comecei a prestar mais atenção a ela, já estava mais tranquilo, então a ansiedade foi diminuindo e acabei relaxando. Ela me dizia que era diretora da empresa que queria retribuir a minha ajuda, então foi me perguntando sobre meus estudos, minha formação, até achei estranho pois isso constava em meu curriculum, mas já que ela me perguntava eu simplesmente ia respondendo.

Depois de um tempo ela começou a me falar sobre a empresa, a área que ela cuidava, enfim muita coisa. E então depois de um tempo me dei conta que ela usava uma aliança na mão direita, ela era noiva, até fiquei surpreso, mas enfim finalizamos nossa conversa e ela mesma fez questão de me levar para conhecer as dependências da empresa, parecia que ela gostava da minha companhia. Bom eu também estava gostando. Me levou até a área de TI onde eu iria trabalhar, me apresentou o meu futuro chefe e dali me conduziu até o RH, onde me deixou e seguiu para sua sala, me desejando sorte, para as formalidades de contratação, onde foi me passado tudo inclusive o salário inicial que era algo melhor do que eu imaginava e que depois da experiência teria um substancial aumento.

Meus pais ficaram muito contentes, quer dizer meu pai não tão contente quanto minha mãe, pois ele queria a minha presença na loja, pois tinha o ajudado muito naqueles dias anteriores.

Continua......

ESSE TEXTO SE TRATA DE UMA FICÇÃO, QUALQUER SEMELHANÇA COM NOMES, SITUAÇÕES OU LOCAIS É ESSE TEXTO SE TRATA DE UMA FICÇÃO, QUALQUER SEMELHANÇA COM NOMES, SITUAÇÕES OU LOCAIS É MERAMENTE COINCIDIDENCIA.

FICA PROIBIDA A REPRODUÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESSE TEXTO, EM QUALQUER MEIO SEM A PREVIA AUTORIZAÇÃO DO AUTOR.

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