O fim de semana preguiçoso se instalara na casa como uma névoa densa de cerveja e conversas soltas. Meu marido, Otávio, e Juninho estavam estirados no sofá, cada um com uma garrafa gelada na mão, o cheiro de comida da cozinha misturando-se ao éter masculino que pairava no ar. Eu, da cozinha, ouvia tudo enquanto preparava o almoço.
— Sabe, Juninho — começou Otávio, depois de um gole longo e satisfeito —, hoje, vendo você por ali, no pé da cama... me lembrei de uma vez que sua mãe e eu fomos para Búzios, bem no começo do nosso casamento.
O Juninho, que estava absorto no celular, largou o aparelho no ato. Seu interesse era imediato e palpável.
— Búzios? Conta essa, pai!
Otávio riu, um riso rouco de quem se delicia com as próprias lembranças.
— Ah, Búzios... Alugamos uma casa minúscula, quase na areia. Uma noite, depois de uns drinks na Rua das Pedras, a gente voltou para casa com os demônios soltos. Era uma daquelas noites que sua mãe não se importava com vizinhos, com janelas abertas...
Eu sorri na cozinha, imaginando a cena. Sim, eu me lembrava daquela noite.
— A gente começou no sofá da sala — continuou Otávio, a voz baixando para um sussurro cúmplice, mas alto o suficiente para que eu escutasse cada palavra. — Ela estava com um vestido de linho branco, molhado da água do mar. Eu rasguei aquele vestido, Juninho. Rasguei no meio do furor, sem me importar com nada. E ela adorou. Ela arfou, me arranhou, pediu mais e mais... Foi uma foda selvagem, daquelas que a gente pensa que o mundo vai acabar.
O Juninho ouvia, os olhos arregalados, a cerveja esquecida na mão. Era como se ele estivesse vendo a cena, não apenas ouvindo.
— Caramba, pai... a mãe assim? E o vestido?
— O vestido virou retalho — Otávio riu. — E a gente continuou. Fomos para a cozinha, depois para o banheiro, debaixo do chuveiro. Ela se contorcia, gritava meu nome como uma louca. Nunca tinha visto sua mãe tão entregue, tão desinibida. Eu juro que, naquela noite, Búzios tremeu.
Eu não pude mais me conter. Entrei na sala, o rosto corado, mas com um sorriso que desarmava qualquer pudor.
— Mas que exagero, Otávio! Búzios não tremeu nada. E o vestido não foi rasgado, foi desabotoado com um pouco mais de força, isso sim.
Pai e filho viraram-se para mim, os olhos faiscando. O Otávio com aquele ar de quem foi pego em flagrante, mas feliz da vida. O Juninho, com uma curiosidade insaciável.
— Ah, é, mãe? Então conta a sua versão! — ele pediu, com a voz embargada pela expectativa.
Eu cruzei os braços, apoiando-me no batente da porta, sentindo o calor do olhar dos dois sobre mim.
— A versão é que seu pai se achava o Tarzan naquela noite. E eu, bem... eu era a Jane selvagem, cansada de tanta civilidade. E sim, Otávio, eu adorava que você me tomasse sem cerimônia, de um jeito que nunca mais tomou... até agora.
Dei um sorriso significativo para o meu marido, que entendeu o recado. O Juninho nos olhava, os olhos passando de um para o outro, absorvendo cada nuance daquela cumplicidade erótica.
— Então, essa noite vai ser tipo Búzios? — perguntou o Juninho, a voz baixa, quase um convite.
Otávio e eu trocamos um olhar. Um olhar que dizia: "Por que não?". E o almoço, de repente, parecia menos importante do que os planos para a "próxima apresentação".
Eu me aproximei do sofá com uma lentidão calculada. O clima na sala já não era de um almoço em família, mas de um vestiário de luxo, onde as memórias serviam de combustível para o que viria a seguir.
— Já que o seu pai está com a memória tão fresca para os tempos de Búzios — comecei, sentando-me no braço da poltrona, bem de frente para o Juninho —, por que ele não conta aquela tarde em Petrópolis? Sabe, Otávio... aquela na casa da sua tia, quando todos saíram para a missa?
O Otávio quase engasgou com a cerveja. Uma chama de malícia imediata acendeu em seus olhos. Ele olhou para o filho, que estava pendurado em cada palavra minha.
— Petrópolis... — murmurou o Otávio, passando a mão pelo queixo. — Essa foi pesada, Juninho. Sua mãe estava com um humor... digamos, perigoso.
— Conta, pai. Sem cortes — pediu o rapaz, ajeitando-se no sofá, a respiração já visivelmente mais pesada.
— A casa era enorme, cheia de tapetes e móveis antigos — começou o Otávio, a voz baixando para aquele tom confidencial que ele usava antes de entrar em mim. — A família toda tinha saído. Estávamos sozinhos na biblioteca. Sua mãe estava sentada naquelas escadas de madeira, aquelas de alcançar os livros no alto. Ela usava uma saia rodada e, por algum motivo, decidiu que não queria usar calcinha naquele dia.
O Juninho soltou um arfar baixo, seus olhos fixos nos meus, tentando imaginar a cena através da minha postura atual.
— Eu estava lá embaixo — continuou o Otávio —, e ela começou a subir. Degrau por degrau. E eu, lá de baixo, tive a visão mais gloriosa da minha vida. O sol entrava pelo vitral e iluminava exatamente o que eu queria ver. Eu não aguentei. Subi atrás dela, prensando-a contra as prateleiras de enciclopédias.
— Eu me lembro do cheiro de papel velho e couro — interrompi, sentindo um calor úmido se espalhar. — E do toque das suas mãos, Otávio... você me levantou e me sentou num daqueles degraus estreitos.
— Levantei — confirmou ele, olhando para o filho como se desse uma aula magna. — E ali mesmo, no meio da poeira e do silêncio da casa, eu a possuí. Foi uma foda de urgência, Juninho. Sem preliminares, sem delicadeza. O barulho da madeira rangendo era a nossa única música. Ela agarrava os livros, derrubando metade da literatura francesa no chão enquanto eu a estocava com toda a força que eu tinha.
O Juninho fechou os olhos por um segundo, a mão apertando a garrafa de cerveja com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos.
— Ela gozou gritando o meu nome, com as pernas trançadas no meu pescoço — finalizou o Otávio, triunfante. — Quando a tia dele voltou da missa, a gente estava na sala, tomando chá como se fôssemos santos. Mas o brilho nos olhos da sua mãe... ah, esse entregava tudo.
O silêncio que se seguiu na sala era quase sólido. O Juninho nos olhava, alternando entre o pai e eu, o desejo transbordando por todos os seus poros. O Otávio deu o último gole na cerveja e largou a garrafa na mesa de centro com um estalo seco. O rosto estava levemente avermelhado, não apenas pelo álcool, mas pela volúpia de reviver o passado diante do herdeiro. Ele olhou para o Juninho, que parecia hipnotizado pela figura da mãe, e resolveu apertar o passo na provocação.
— Mas não se engane, Juninho — disse o Otávio, com um sorriso de mestre para discípulo. — A estética é bonita, a biblioteca, o linho branco... mas o segredo da sua mãe não está no cenário. Está no talento.
Eu, que já estava quase voltando para o fogão, parei no caminho. Adoro quando o Otávio resolve ser o meu maior entusiasta.
— Talento, pai? — o Juninho perguntou, a voz saindo quase num sussurro, os olhos fixos em mim como se tentasse ler os meus pensamentos por baixo do robe.
— Talento técnico, meu filho. Coisa de profissional — continuou o Otávio, gesticulando com as mãos. — A sua mãe tem uma habilidade com a boca e com as mãos que... bom, basta dizer que ela sabe exatamente onde estão os pontos de pressão. Ela faz uma sucção que parece que vai arrancar a alma do sujeito pelo meio das pernas. E o quadril? Ela tem um encaixe, Juninho, que parece que foi desenhado sob medida para o meu. Quando ela resolve tomar as rédeas, não tem homem que aguente cinco minutos sem pedir clemência.
Eu soltei uma risada alta, jogando a cabeça para trás.
— Mas que propaganda, Otávio! — disse eu, aproximando-me do sofá e passando a mão pelos cabelos do meu marido, antes de descer o olhar para o meu filho. — Mas é verdade, Juninho. Seu pai não está mentindo. Eu sempre gostei de estudar o assunto. Gosto de saber exatamente como fazer um homem perder o juízo. E o seu pai, coitado, é a minha cobaia favorita há anos.
O Juninho engoliu em seco. A mão dele, por cima do jeans, não conseguia mais disfarçar o volume que a conversa provocara. Ele olhava para mim com uma mistura de adoração e desespero.
— Ela é insaciável, rapaz — completou o Otávio, dando uma piscadela para o filho. — Se você acha que o que vê no pé da cama é tudo, não imagina o que ela faz quando a gente apaga a luz e ela decide que a noite só acaba quando eu não tiver mais uma gota de energia.
— Eu imagino, pai... — balbuciou o Juninho, a respiração curta. — Quer dizer, eu tento imaginar.
Dei um tapinha leve no rosto do Otávio e um olhar profundo, quase uma promessa, para o Juninho.
— Bom, os cavalheiros que me perdoem — anunciei, recompondo a postura de dona de casa —, mas se eu não for terminar aquele almoço, o máximo que vocês vão ter hoje à noite é fome. O frango não vai se assar sozinho enquanto vocês discutem a minha performance.
Virei as costas e caminhei em direção à cozinha, caprichando no balanço do quadril. Ouvi o suspiro pesado do Juninho e o riso abafado do Otávio atrás de mim.
— Viu só, meu filho? — ouvi a voz do Otávio sumindo enquanto eu entrava na cozinha. — Além de tudo, ainda cozinha como ninguém. É ou não é uma mulher completa?
