Paixão (Kledir / Kleiton Ramil)
Uma viagem a negócios, em Berlim, na Alemanha. Fui negociar a coprodução de um filme. Era ainda uma época de muita tensão, espionagem e guerra -fria. Cheguei na quarta-feira à noite, e teria a reunião na sexta-feira. Estaria livre no sábado e domingo, para visitar a cidade ocidental, cercada pela Berlim oriental. Ainda não haviam derrubado o famoso e aprisionante muro.
Acordei cedo na quinta-feira, na energia vital dos meus 32 anos, e aproveitei para ir fazer umas compras em uma galeria de lojas, que ficava próxima, conforme me explicou a recepcionista do hotel. Eu teria pouco tempo na cidade e queria aproveitar ao máximo.
Caminhei alguns quarteirões, ao sol de um setembro reluzente. Quando eu ia adentrar a porta automática da galeria de lojas, uma moça novinha, de cabelos pretos e olhos muito azuis, passou apressada na minha frente. Eu parei bruscamente e dei passagem, e, num ato automático, sem pensar, disse:
— Opa! Me desculpe.
Na mesma hora ela parou, virou-se e me olhou atenta. Depois com um sorriso, perguntou em um sonoro e delicioso português do Brasil:
— Brasileiro?
A voz era suave, ligeiramente grave, macia como veludo.
— Sim, sou, você também? – Respondi.
Os lindos olhos azuis me observavam, atentos. O sorriso dela era muito simpático.
— Não, eu sou alemã, mas fui criada no Brasil até no ano passado. Estou aqui este ano, fazendo faculdade.
Entramos juntos na enorme Galeria de lojas, e ela perguntou se eu estava fazendo turismo. Eu disse que não, estava a trabalho, teria uma reunião no dia seguinte.
— Já conhece Berlim? - Ela perguntou.
— Não, é a primeira vez. Cheguei ontem à noite. Tenho reunião com uns produtores para produzir um filme. – Expliquei.
— Você é cineasta? – Ela perguntou mais curiosa.
— Sim, sou. – Respondi rápido, notando que ela ficou interessada. Ela voltou a perguntar:
— Você é carioca? Parece, pelo sotaque.
— Sou “paulishta, mash fish” minha carreira no Rio de Janeiro. Vivi lá muito tempo. – Respondi, carregando no sotaque carioquês, e sorrindo.
— Meu namorado, em São Paulo, também estuda cinema. – Ela adiantou.
Estávamos parados no meio do enorme corredor de entrada da imensa galeria de lojas, que ocupava meio quarteirão, e tinha três andares. Eu me apresentei e estendi a mão:
— Leon... Leon Medrado.
Ela aceitou, apertou a minha mão com satisfação, e disse:
— Sou a Mavie. Eu morro de saudade do Brasil.
A garota era linda, simpática, muito jovenzinha, se já tivesse 18 anos, não aparentava, tinha 1,65m, corpo de modelo, pele muito clara, olhos azuis intensos, cabelos pretos com corte estilo Chanel abaixo dos ombros. Hoje, ao me lembrar dela, vejo que tinha semelhanças com a atriz Ana de Armas, que apesar de ter um sorriso alegre, tem uma certa tristeza saudosista no olhar. Ela era desse jeito, e falava a minha língua. Resolvi conhecer melhor aquela garota, e perguntei:
— Você aceita tomar um café? Não conheço nada aqui.
Ele aceitou e indicou a direção. Fomos nos acomodar numa mesinha de bancos altos em um café ali perto, dentro da galeria. Eu perguntei onde ela vivia no Brasil e ela disse que viveu em São Paulo. O pai, separado da mãe, era funcionário de uma empresa alemã. A mãe havia voltado para Berlim. Atualmente ela estava morando com a mãe, para fazer sua faculdade. Estudava artes cênicas e fazia dança.
Em dez minutos de conversa, eu percebi que a saudade do Brasil, do namorado que deixou em São Paulo, o fato de poder matar a saudade de falar português, uma língua que ela falava como nativa, sem sotaque nenhum, e meu conhecimento de cinema, haviam feito com que ela se interessasse em me conhecer melhor. Eu, claro, estava achando ótimo já ter feito uma amizade que falava a minha língua e conhecedora da cidade. Falamos do Brasil, da atividade de cinema, do curso dela de artes cênicas, e do curso de dança. A voz dela era mesmo encantadora e seus lábios naquela boca perfeita de lábios convidativos, se movimentavam de um jeito sensual, quase me hipnotizando.
Sabendo que eu não conhecia Berlim, ela se ofereceu:
— Você quer que eu lhe mostre a cidade? No sábado e domingo não tenho nada para fazer, e se você colocar combustível, eu pego o carro da minha mãe para fazer um tour pela cidade.
Achei ótimo, agradecendo a todos os meus santos e espíritos protetores, a sorte por colocar aquela garota especial no meu caminho no primeiro momento que pisei as ruas daquela cidade icônica. Eu realmente me senti um “iluminado” pela sorte.
Ela disse que tinha que ir a uma loja, trocar uma roupa que havia comprado, e eu a acompanhei até lá. Acabei dando palpite na roupa que ela experimentou para trocar. Era uma blusa de malha delicada, cor de abóbora, com decote em V, e mangas ¾. Usada sem sutiã, como ela fazia, realçava suas formas sensuais, a beleza de seus lindos seios médios, firmes como uma pera, e cujos mamilos sobressaiam sob a malha. Ela provou uns dois modelos e cores, até se decidir. Isso quebrou ainda mais as barreiras. Parecíamos amigos de longa data.
Depois, fomos até a uma papelaria, onde eu queria adquirir umas lapiseiras de desenho, crayons, e blocos de papel. Falei que era desenhista também e gostava de fazer desenhos de lugares que eu visitava enquanto passava o tempo. Naquela época os computadores pessoais ainda estavam começando a ser feitos.
Mavie ficou curiosa sobre minha habilidade de desenhar, então peguei um dos blocos de desenho que já ia comprar, um crayon, e risquei poucos traços de seu belo rosto, esboçando um desenho dela, ainda tosco, mas suficiente para ela ficar impressionada. Não deixei de destacar o modelo da blusa e a presença dos seios com os mamilos salientes. Era um esboço que demandava ser finalizado mas ela adorou. Eu prometi que ia finalizar e lhe daria de presente.
Também comprei filmes para minha Nikon, e no trajeto, ela contou que a mãe estava passando o final de semana fora, numa estação de esqui, e por isso ela estava sozinha.
Quando saímos da loja, era perto das 12h, ela sugeriu se eu queria conhecer uma casa de comidas turcas muito saborosas. Lá fomos nós almoçar, e de fato, comemos um Kebab delicioso, numa lanchonete que devia ser um ponto turístico, pois era muito movimentada. Conforme a conversa fluía, ficávamos mais à vontade.
Depois do almoço, trocamos nossos endereços e telefones. Anotei no verso do meu cartão, o telefone do hotel e o número do meu quarto, dei a ela, e nos despedimos. Ela teria faculdade na parte da tarde e a seguir aula de dança ao final do dia.
Perambulei pela cidade, tirando algumas fotografias, e depois, retornei ao hotel perto das 18h. Ficava numa zona central da cidade. Estava pensando em procurar algum local próximo para jantar, quando tocou o telefone no quarto. Era a Mavie, que perguntou:
— Você gosta de danceteria? Tem uma danceteria, que funciona num antigo castelo medieval, e hoje tem show de uma banda bem conhecida aqui. Tem interesse?
Aceitei na mesma hora, e ela me disse que passaria de carro no hotel, perto das 21h.
Era tempo suficiente para eu tomar um belo banho e me aprontar.
Ela chegou pontualmente e eu já estava à espera. No trajeto de ida, ela contou que ao chegar na faculdade, soube que haveria o show dessa banda, e achou que eu gostaria de conhecer.
— Você é um anjo! – Eu disse. — E eu, um iluminado, de ter a sorte de a ter conhecido logo que cheguei. – completei.
Mavie sorriu e respondeu:
— É muito bom matar a saudade de falar português, e conversar com você. Você tem assuntos interessantes, bem diferentes dos jovens com quem eu convivo. Estou adorando.
O lugar era incrível, realmente uma edificação antiga, de pedra, tipo de um castelo, toda cercada por uma muralha externa também de pedras, no alto de uma colina. Havia três ambientes distintos, dos três andares daquele local. Em baixo, havia música ao vivo, com bandas de punk rock que se apresentavam, umas a seguir às outras. No andar de cima, uma discoteca perfeitamente adequada aos anos 80, inclusive com músicas de Prince, Michel Jackson, e George Michel. E no andar mais alto, uma praça de alimentação, com lanchonetes e bar para drinques.
Para passar de um andar para o outro, subíamos em grandes rampas laterais, que contornavam por dentro a edificação, o que permitia que a maioria dos presentes, de deslocasse sobre patins com rodas. A iluminação era estroboscópica e feérica nas pistas de dança. No andar da praça de alimentação era mais iluminada. Tinha um grande balcão de vidro com vários tipos de comida, sanduíches e salgados, e mesas de tampo de pedra como numa taberna medieval.
Circulamos pelos ambientes, depois fizemos um lanche no terceiro andar, e dançamos um bocado, na discoteca, antes que começasse o tal show com a banda famosa. Depois de dançar por quase uma hora, descemos para a assistir ao show.
O clima daquela época na cidade ainda era bem agradável. A noite estava com temperatura por volta dos 20 graus. Mavie estava vestida com uma minissaia xadrez bem curta, em tons de verde escuro, uma blusa de malha delicada cor de salmão, com gola de corte canoa, e calçava sandálias de salto alto pretas. Dava para notar que não usava sutiã, e seus lindos seios firmes, marcavam o biquinho saliente sob a malha. Estava uma gracinha e tiramos algumas fotos na minha Nikon, usando o dispositivo automático.
Eu, de calça Jeans azul clara, camisa de manga comprida azul marinho, e dobrada até o meio do braço, e sapatos mocassins pretos, como gostei sempre de usar.
Assistimos ao show e depois, já madrugada, resolvemos ir embora. Eu estava encantado com a simpatia e simplicidade daquela garota, e nossas conversas fluíam muito fácil, falando de música, dança cinema, livros, história, e até de nossas vidas.
Mavie contou que estava separada do namorado desde o início do ano, quando veio para Berlim, estudar. Ela teve a oportunidade de fazer o curso superior numa excelente universidade, e decidiu encarar. Mas morria de saudade do namorado e dos amigos do Brasil. Na cidade, ela ainda não tinha feito novas amizades. Talvez, por isso, ela tenha se interessado em me fazer companhia, uma forma de matar a saudade e falar em português. Soube também que ela nunca se deu muito bem com a mãe, que era, segundo ela, uma grã-fina snobe, de família nobre e rica, e ela, criada no Brasil, com o pai, era mais simples e não gostava muito da alta sociedade local.
Foi uma noite muito agradável e quando ela me deixou no hotel, já na madrugada de sexta-feira, combinou que no sábado pela manhã passaria para me buscar.
Minha reunião, às 10h da sexta-feira, decorreu normalmente dentro de uma seriedade e de um comprometimento germânico que eu, latino-americano, cheguei a estranhar. Os produtores ouviram minha apresentação, leram os planos, argumentaram pouca coisa, e logo chegamos a um acordo. Em duas horas eu tinha a confirmação de que eles iriam participar do projeto. E receberia o contrato para ser assinado, no final daquele dia, traduzido em dois idiomas, para ser registrado e ter valor legal. Um estafeta da empresa iria levar o contrato ao meu hotel. Tudo eficiente, claro, e sem enrolação. Gostei de negociar com eles.
Ao sair da reunião, um dos diretores da produtora, me levou para almoçar, num restaurante muito simpático, onde pude comer carne de alce, acompanhada de rodelas de beringela fritas e empanadas. Uma delícia.
Depois, regressei ao hotel, por volta de 15h e no caminho passei numa loja com laboratório de fotografia e deixei dois rolinhos de filme de 36 poses, para revelar e ampliar. Ficariam prontas no final do dia. No hotel, tirei uma bela soneca. Até que tocou o telefone no quarto e era a Mavie.
— Oi, Leon, como foi seu dia? Boa a reunião? - Ela perguntou, com aquela voz encantadora.
Contei que foi tudo bem, e disse:
— Você é o meu anjo da sorte. Tudo dando certo.
Ela riu, e perguntou se eu queria dar uma volta de carro pela Berlim à noite.
Claro que eu queria, e em meia hora ela estava me pegando na frente do hotel. Mavie veio de shortinho curto branco, sandálias delicadas, e blusa de seda, cor de tomate, com três botões desabotoados, deixando ver parte dos seios. Eu sentia que ela, bem descontraída e desinibida, me provocava, achei que estava me testando, ou testando seu poder de sedução, mas eu mantinha uma elegância sedutora, sem negar e sem avançar.
Rodamos duas horas, passeando pelas avenidas iluminadas, pelas praças, ela me explicando o que eram aqueles lugares turísticos. Já perto das zero horas, passamos numa pizzaria e dividimos uma pizza média de pepperoni. Tomamos um copo de vinho cada um, e ao entrarmos novamente no carro, ela foi muito sincera, ao dizer:
— Nossa, estou adorando a sua companhia. Quando deixei você no hotel, ontem, já fiquei com saudade.
Para um bom entendedor, era tudo que me dava sinal verde. Estendi a mão, coloquei delicadamente em sua nuca e a puxei para um beijo. O meu coração batia acelerado, e eu podia sentir o dela na mesma intensidade.
Eu já havia contado, numa de nossas conversas, que eu tinha sido casado, me divorciara, depois namorei uma garota que acabou vivendo comigo por dois anos. Mas, recentemente, ela havia me deixado, e eu estava sozinho novamente. Ficamos no carro trocando beijos, por muito tempo, desfrutando daquela sensação deliciosa de calor e desejo controlado. Mas eu não avancei o sinal. Apenas consolidamos aquela atração que aumentava gradualmente. Até que resolvemos deixar a continuidade para o dia seguinte, e ela foi me deixar no hotel. Antes de partir, me disse que pretendia me levar para conhecer muitos lugares no dia seguinte.
Naquela noite, demorei para dormir. Excitadíssimo, encantado com aquela jovem liberada, arrojava, desprovida de timidez, e que me provocava acintosamente. Mas, acabei adormecendo de cansaço.
Na manhã do sábado, acordei bem cedo, tomei o café no hotel e fui rapidamente na loja de fotografia buscar as minhas revelações e ampliações. Ao regressar, recebi a ligação de Mavie dizendo que já viria me apanhar.
Mavie chegou ainda mais maravilhosa. Usava um macaquinho de crochê feito com lã fina cor de areia, que se moldava ao corpo dela como uma segunda pele. Calçava sandálias delicadas de couro natural, e tinha seus lindos cabelos loiros presos por uma tiara larga de resina cor de âmbar. Mavie não usava maquiagem, mas não precisava de nada. Sua beleza natural chegava a incomodar aos que notavam sua presença.
Berlim cercada pelo muro tinha muitos pontos importantes a serem visitados e foi um dia muito agradável, de passeio, comemos salsichões com mostarda em barraquinhas em um parque, depois fomos a uma rotisserie tomar café com tortas de maçã deliciosas, e fizemos dezenas de fotografias. Depois de um certo tempo, já andávamos de mãos dadas, como se fôssemos dois namorados. Ela parecia estar muito feliz.
No meio da tarde, ela me convidou se aceitava conhecer a casa de sua mãe. Compramos pães e roscas para o lanche, e fomos. Era uma bela mansão, à beira de um lago muito famoso, o Wannsee.
Wannsee é um bairro ao sudoeste de Berlim, conhecido por suas belezas naturais, situado numa ilha rodeada por 3 lagos. No verão é um lugar ideal para os berlinenses e turistas que podem tomar banho nas águas do lago. Está ligado por cinco pontes e uma delas conecta o lago à cidade palaciana de Potsdam. O Wannsee é a maior praia interior da Europa, onde é possível a prática de esportes aquáticos, além disso há um clube de Iates e muitos veleiros. Região de moradias nobres, cheia de gente fazendo iatismo.
Nos acomodamos na imensa sala de visitas, de onde se tinha uma vista maravilhosa do lago, logo a uma centena de metros à frente. Mavie levara do Brasil, vários discos de MPB, e nos acomodamos no tapete macio ouvindo músicas e tomando chá.
Não demorou, embalados pelo clima e pelo desejo, estávamos nos beijando sem restrições. Foi quando ela me disse, numa voz doce e suave:
— Preciso lhe confessar uma coisa. E pedir um favor.
Aguardei, dando outro beijo, que ela falasse.
— Eu ainda sou virgem. – Ela falou, corando como um tomate.
Interpretando mal a sua fala, eu respondi:
— Se esse é o seu desejo, de continuar virgem, será respeitada. Não é obrigada a nada...
— Não, não, é o contrário. Eu não quero mais continuar virgem. Deixa-me explicar. – Ela cortou.
Fiquei calado, sem entender. Ela começou a contar:
— Eu havia programado de perder a virgindade com meu namorado, assim que fizesse 18 anos. Acontece que meus papéis foram aprovados na universidade, aqui, e eu tive que viajar às pressas, para garantir a vaga, antes do meu aniversário. Com isso, combinei com meu namorado, que cada um ia perder a virgindade com outro parceiro, de forma impessoal. Não dava para esperar a gente se reencontrar.
Ela parou por instantes, para ver a minha reação. Eu ouvia, admirado. Ela disse:
— Foi uma combinação nossa. Ele falou que ia fazer com outra, e eu fiquei de encontrar um outro parceiro, sem vínculo afetivo. Apenas para nos livrarmos da condição.
Eu ouvi aquilo e dei um sorriso, tentando respeitar a situação:
— Só quem nunca fez, faria uma combinação dessas. Uma relação sexual acaba sempre tendo um envolvimento. Mesmo no sexo pago, acontece uma química, movida pelo desejo, ou não funciona.
— É verdade. Eu não tive motivação com ninguém, até gora. Mesmo com muita vontade. Não achei ninguém que me motivasse, até que você apareceu. – Ela explicou.
Fiquei meio desconcertado com aquela declaração. Ainda pensando no namorado e como ele se sentiria, perguntei
— E o seu namorado aceitou isso facilmente?
Ela fez que sim, concordando. Depois completou:
— O único pedido dele, foi que eu conte a ele, depois, exatamente, como foi, como me senti, com todos os detalhes, para ele poder se sentir participante, mesmo de forma indireta.
Naquela época, eu já havia conhecido casais liberais e tinha experiência suficiente para saber que ele, diante da situação inevitável, queria pelo menos assegurar-se de que ia ficar sabendo de tudo. Desconfiando que ele poderia já alimentar algum tipo de fantasia Cuckold, perguntei:
— Acredita que ele vai gostar de saber de tudo?
Notei que a Mavie estava excitada ao falar sobre aquele assunto, porque ela estava sentada sobre o tapete e recostada contra a base do sofá, ao meu lado, e o macaquinho de crochê mostrava o bico de seus seios bem pontiagudos. Aquilo me excitou muito. Ela assentiu:
— Sei que sim. Nós combinamos de falar, uma vez a cada mês, pois ligação internacional é bem cara. E nas nossas conversas, eu digo o que sinto vontade de fazer, e ele se excita demais, ao saber que ando cheia de desejo, e já gozou comigo contando minhas fantasias.
Resolvi fazer a pergunta que faltava:
— Você está com desejo agora?
Ela me olhou com aqueles dois lindos olhos azuis, que transmitiam alegria, desejo e saudade ao mesmo tempo, e apenas fez: “Hum-Hum”. Nunca vou esquecer aquilo.
Era o sinal que faltava, eu me virei para o lado dela, e fiz uma carícia suave sobre o seio esquerdo, apalpei o mamilo que estava intumescido. Depois, me aproximei e beijei aquela boca carnuda e perfeita.
Mavie retribuía com prazer, e em poucos segundos nós dois estávamos nos acariciando, nos despindo, ali no tapete branco felpudo da linda sala de visitas da mansão.
Fui muito cuidadoso, naquela primeira relação sexual daquela garota, tive muita paciência, provoquei-a por muito tempo, beijando, acariciando, dedilhando, chupando, ensinando-a chupar, por mais de uma hora, consegui que ela tivesse dois orgasmos com minhas chupadas, deixei-a bem lubrificada, até que ela não suportando mais a vontade de ser deflorada, pegou um pacote de camisinhas que trazia na bolsa, e me entregou, pedindo que a fizesse mulher.
Eu sabia que teria que ir com calma, muito cuidado, lentamente, para que ela tivesse o mínimo de desconforto e o máximo de prazer. Mas ela estava ávida e se oferecia.
Foi uma iniciação digna de ser cadastrada e catalogada no livro dos recordes, como uma das deflorações mais prazerosas, satisfatórias e bem realizadas que eu me recordo.
Naquela tarde, depois, eu pude desenhá-la nua, recostada no sofá de sua sala, com as chamas da lareira acesa ao fundo. Sim, três décadas antes do James Cameron fazer o Leonardo de Caprio desenhar a Kate Winslet nua no Titanic, eu já havia feito isso. Depois do desenho feito, tomamos banho juntos, lanchamos, e dormimos. Antes do domingo amanhecer, tivemos outra rodada de sexo maravilhoso, e completo, para que ela pudesse desfrutar melhor do ato sexual e de todo o prazer que o sexo bem-feito, em várias posições, pode proporcionar.
Depois do café da manhã, no domingo, conversamos harmoniosamente, quando eu lhe disse que havia ficado encantado de paixão. E ela me confessou que jamais me esqueceria, era o seu primeiro homem num ato sexual. Nos arrumamos para que ela me levasse de volta ao meu hotel, onde eu deveria preparar as malas para partir. Nos beijamos apaixonadamente, na despedida. Trocamos endereços.
Um mês depois, já em minha casa, recebi um envelope amarelo, contendo um bloco grande de anotações, onde ela havia transcrito, o texto que relatou para o namorado, narrando como foi que perdeu a virgindade comigo, e contou detalhadamente o que ele havia sentido e comentado.
Eu voltei à minha sala, liguei meu aparelho de som, coloquei a mesma música que tocava naquela tarde mágica na mansão à beira do lago Wannssee, em Berlim. E fui ler. A música me embalando as lembranças. Paixão. Do Kleiton e Kledir Ramil.
“Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar
Ser feliz é tudo que se quer
Ah! Esse maldito fecho éclair
De repente a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo
Tudo que vier, vem bem
Quando bebo perco o juízo
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume
Faz que tenta se matar
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura em carne e osso
Deixa marcas no pescoço
Faz a gente levitar
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Do que o mais lindo dos mortais
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou”
Querido Leon. Já faz uma semana que você partiu, e eu já sinto uma saudade enorme. Quando esta carta chegar em suas mãos, fará mais tempo ainda. Não sei o quanto demora o correio para chegar até você. Conforme prometi, estou escrevendo para lhe contar como foi a minha conversa com o meu namorado. E para contar que morro de saudades suas. Bem que você disse que ia nascer uma paixão.
Eu nem esperei chegar a data combinada de ligar, estava ansiosa demais. Meu namorado atendeu e como me conhece, percebeu que havia algo novo. Ele logo perguntou:
— Tem novidades Mavie?
— Tem sim, amor. - Tratei de confirmar. E já fui contando:
— Durante todos os meses em que fiquei aqui na Alemanha, sem você, não encontrei um rapaz que eu pudesse sentir interesse ou confiança para perder com ele a virgindade. Nenhum me dava confiança ou desejo. Mas a vontade estava cada dia maior, e eu vivia louca, me masturbando diariamente. Até que a sorte e o acaso, me trouxeram um homem muito simpático, com mais de 30 anos, já separado da esposa, em viagem de negócios aqui em Berlim. Conheci por acaso. Logo, soube que ele é cineasta, e contei que você está estudando cinema. Ficamos conversando e foi muito agradável. Ele é claro, olhos azuis, tem um olhar malicioso discreto, me olhava com desejo, mas de forma respeitosa, e eu logo senti que poderia ser ele o meu primeiro macho. Precisava conhecê-lo mais. Então, sabendo que ele ficaria apenas um final de semana na cidade, me ofereci para levá-lo a conhecer Berlim. Assim, passaríamos mais tempo juntos e eu teria a chance de seduzi-lo. Mas, ele já havia me seduzido, pelo seu jeito discreto de me desejar mas não avançar o sinal, e de respeitar minha privacidade. Não usei sutiã nenhum dia, levei-o logo para dar palpite na troca de uma blusa de malha na galeria em que nos encontramos, e ele deu palpite, sugestões, e notou que eu me exibia para ele, mas manteve a compostura. Isso me excitou demais, e deu a certeza de que ele poderia ser a pessoa certa.
Quando eu contei isso, meu namorado me elogiou dizendo que fui muito esperta e sensata. E falou:
— Além do mais, sendo um brasileiro, de passagem, você fez a coisa mais casual, e evitou ter que conviver na mesma cidade com o homem que fizesse sexo consigo a primeira vez.
— Você está satisfeito querido? – Eu perguntei. Ele respondeu:
— Estou, por você, principalmente. Realizou o que desejava. Me conta, como foi? Gostou? Está satisfeita?
— Está curioso? – Questionei.
— Claro que estou. Muito. E excitado com isso.
Fui sincera:
— Gostei muito, amor. Nossa! Foi ótimo. Foi o melhor que podia ter feito, escolher um homem mais experiente. Incrível, o Leon. Acho que ele até já foi profissional do sexo. Me tratou de um jeito todo especial, tive tanto prazer que praticamente nem senti dor.
Meu namorado ofegava.
— Me conta como foi. – Ele pediu.
— Foi muito gostoso, com toda a preparação. Estávamos na sala da casa, sobre o tapete branco, a lareira ligada, tomando vinho. Nos despimos lentamente, trocando beijos. Parecia cena de filme. Ele me chupou os seios, me acariciava suavemente, e gozei várias vezes, ele me chupando, me dedilhando, me acariciando, fiquei louca de tesão.
— Nossa, amor! Fiquei excitado aqui, só de ouvir você. – O namorado falou com voz ofegante.
Percebi que ele estava com tesão, então me lembrei do que você falou naquele dia, que tem homens liberais, que sentem muito tesão de ouvir ou de saber de sua parceira com outros. Continuei a contar:
— Fomos nos provocando, ele me ensinou a lamber e chupar o pau dele. Nunca tinha feito, e foi muito bom. Sentir o pau dele ficar duro, grande, sentir aquele cheiro característico do sexo, as gotinhas meladas que saem da boquinha da cabeça.
— Caracaaaa, amor. Você chupou? O pau dele é grande? – Pela voz , meu namorado parecia até tremer de tão excitado.
— Chupei, querido, e adorei chupar. Sentir que deixava aquele homem cheio de tesão. É um pau muito bonito, perfeito, circuncidado, claro, cabeça bem rosa-arroxeada, parecendo uma ogiva. É grande, não é demais, mas é bem maior do que o seu. Se você tem 15cm, o dele deve ter uns 18 cm, eu acho. E bem mais grosso. Gostoso de pegar e mamar.
— Nossa! Imagino o seu tesão! – Ele exclamou ofegante. — Você mamou como?
— O Leon foi me ensinando, me estimulava, falava umas coisas provocantes, que me deixavam ainda mais tarada. Ele falava: “Vem, safadinha, aprender a mamar na rola de um macho. Mostra que você gosta de pica, e quer ser a minha putinha”.
— Ele falou assim amor? Não se ofendeu? – O namorado questionou com voz quase sumindo.
— Não, nada... me deu mais desejo, foi excitante. Ele já tinha conversado um pouco comigo, explicando que sexo quando bem-feito é algo viciante, e que eu ia me tornar uma safada devassa, e iria viciar em dar minha bocetinha. Ia virar uma verdadeira putinha.
— Caralho, amor! É... assim? Ele disse isso? Ficou mais tarada? – Meu namorado já não controlava a respiração.
Fui contando, gostando de provocar o tesão nele:
— Ele foi me fazendo lamber, chupar, mordiscar a cabeça do pinto, e engolir aquela rola até bater na minha garganta. Me senti mesmo uma puta. Nas primeiras vezes eu me engasguei, mas depois peguei o jeito e foi muito gostoso deixar que ele fodesse a minha boca e garganta. Ele retirava a pica de vez em quando, batia com ela na minha face, nos lábios, e falava: “Toma rola sua safadinha, está gostando de aprender a ser putinha?”
Meu namorado chegou a gemer e eu perguntei o que foi. Ele disse:
— Nossa, amor, quase gozei aqui só de imaginar você fazendo isso.
Eu então perguntei:
— Gosta? Ficou com tesão de saber que sua namorada virou uma putinha, chupando o pau do Leon?
— Fico louco, amor! – Ele exclamou. — Estou quase me masturbando.
Naquele momento, eu arrisquei e perguntei, tal como você tinha me falado:
— Você sente tesão de ser corno, amor? O Leon disse que você ia ficar com muito tesão ao saber que já é meu corno.
Ele não respondeu logo. Ficou calado alguns segundos, pensando, e depois disse:
— Mas, você não me traiu e nem me enganou. Não sou corno. Foi tudo consentido.
Nessa hora eu expliquei o que você disse, do prazer se ser Cuckold, e que Corno é o termo que denomina o parceiro que consente que a parceria faça sexo com outros, com permissão e conhecimento dele, e sente prazer com isso.
Ele respondeu:
— Se for assim, então está certo. Então eu sou corno. Estou sentindo muito tesão de saber.
— Então, amor, você agora é o meu corno. E o Leon disse que eu vou adorar dar muito para outros homens, e deixar você muito tarado com isso.
— Estou aqui louco para bater uma punheta... Com saudade de você, com tesão. Estou tarado amor. – Ele falou.
— Bate sim, querido, quero fazer você gozar comigo. Meu corno vai gozar com a sua namorada putinha. – Eu respondi, e continuei contando:
— Eu estava louca de desejo, gemia pedindo que o Leon me comesse. Até que chegou na hora de perder o cabacinho, eu dei a camisinha que eu tinha comprado, e ele disse que primeiro ia me ensinar a sensação de sentir a pica ao natural na boceta. Ele esfregou a cabeça da rola, e foi empurrando a pica na entrada. Nossa! Que tesão! Mas não enfiou. Foi muito gostoso sentir pela primeira vez uma pica roçando a entrada dos grandes e pequenos lábios da minha bocetinha. A cabeça da pica estava quente. Minha xoxota parecia uma boquinha, a mamar a cabeça, e vazava uma lubrificação intensa. Ele já me havia chupado e eu já tinha gozado duas vezes com as lambidas e chupadas dele. Então, não aguentei e forcei para que ele me fodesse. Foi quando ele vestiu a camisinha e em seguida, encaixou novamente a pica na minha bocetinha virgem. Pela primeira vez eu senti a penetração de uma rola. Forçou um pouco, eu só ouvi um estalido, e senti o pau duro deslizando dentro da minha vagina. Ahhh, amor, ele me fodeu...que gostoso que foi... Nem doeu. O Leon exclamou: “Pronto. Descabaçada! Está dentro!” — Eu fiquei deliciada e rebolava com um tesão muito grande, gemendo, e ele me estimulava, mandava eu rebolar e metia fundo, depois retirava. Fui tomada de um frenesi de prazer intenso, passei a ter orgasmos seguidos, incontroláveis, gemendo.
Na hora que contei isso, ouvi o meu namorado gemer também, muito forte, e perguntei o que houve. Ele, bem ofegante, disse:
— Ahhh... Estou gozando amor... Não aguentei, gozei sabendo sua primeira vez...
Eu fiquei muito contente em constatar que ele havia gozado e estava satisfeito com o que eu contei. Eu disse:
— Amor, eu fico tão feliz, com isso! Gozou com o meu gozo! Você é mesmo um amor. Isso que é amor, cumplicidade e parceira.
— Continue. Não pare. Me conte mais, por favor. – Ele pediu.
— Então, vou contar... Depois de gozar muito, quase desmaiei de tanto prazer. O Leon esperou um pouco, uns trinta segundos, para que eu me recuperasse, e passou a me ensinar outras posições de foda.
— Mais ainda? – Meu namorado perguntou.
— Nossa! Aí foi que eu vi como o Leon sabe bastante, e foi maravilhoso aprender com ele. Me comeu de quatro sobre o sofá da sala, numa posição que ele chamou de dog style, socando por trás. Ele batia na minha bunda, e fazia barulho o choque do saco dele com a minha boceta. Eu adorei e logo estava cheia de prazer novamente. Ele parava de meter e ficava com o pau enterrado, mandando: “Vai, rebola na rola, cadelinha”. Eu rebolava e recuava a bunda para sentir a pica entrando bem fundo.
— Nossa! Assim, sem parar? Você sentia prazer? – Meu namorado perguntou.
— Você nem imagina, amor, como é gostoso, sentir o pau duro entrando e provocando sensações alucinantes. Sem falar que ele dava uns tapas, me beijava no pé da orelha, e me chamava de cadelinha no cio. Eu comecei a soltar líquidos pela boceta, como se estivesse ejaculando.
— Assim eu vou gozar de novo! – Meu namorado exclamou.
— Amor, ele me comeu de ladinho, depois me fez aprender a posição de frango assado, e depois me disse: “Vem cavalgar minha rola, putinha, que eu quero gozar com você rebolando na minha caceta”.
— Que loucura! Você gostava? Gozou muito? – O namorado quis saber.
— Perdi a conta amor. Gozei várias vezes, até que quase desmaiei de tanto que gozei.
Eu vi que o namorado ficava mesmo cheio de tesão ao ouvir o que eu fiz e fui contando, todas as gozadas, e as posições que fizemos naquela tarde e noite. Acabei contando que aprendi a dar o cuzinho também. Aí ele não aguentou segurar mais de tanto tesão. Quando meu namorado gozou pela terceira vez, batendo punheta, e me ouvindo, eu perguntei:
— Você gostou de saber? Está feliz?
Ele confirmou:
— Nossa! Nunca imaginei que seria assim, fiquei maluco!
Eu perguntei se poderia continuar aprendendo, e tentando encontrar outros parceiros para dar e foder, agora que eu já havia aprendido a ser putinha. Ele confirmou:
— Pode sim, mas tem sempre que me contar tudo, como fez agora.
Eu prometi que ia sempre contar, e resolvi que iria escrever e mandar também por escrito, para ele poder ler, e relembrar o tesão que sentiu. E disse que ia contar a você também, Leon. Ele mandou dizer que agradece também por ter me tratado tão bem.
E foi assim que ficamos. Estou lhe mandando este relato pelo correio, com umas fotos minhas, nua, para você ficar com saudade. Um beijo. Me escreva de volta.
Mavie.
Eu mantive essa carta da Mavie, por muito tempo, guardada. Eu havia me apaixonado por aquela garota, e precisava encontrar uma solução para não sofrer de desejo e saudade. Até que consegui uma segunda viagem para a Alemanha, no ano seguinte. Mas, isso será já uma outra história.
[Nota do Autor] - Esta história é uma ficção inspirada em acontecimentos que vivenciei no passado. Claro que tem muita coisa alterada e inventada, para compor o conto. Faz parte de um dos meus próximos romances a serem publicados. E atenção: Mavie - se você ler este conto, aonde estiver, me contate por e-mail, que eu tenho muita saudade.
e-mail: leonmedrado@gmail.com
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