A saga do Jom | 18º capitulo (Comandante Yai)

Um conto erótico de Sarawat
Categoria: Gay
Contém 3108 palavras
Data: 23/01/2026 13:13:05

Meu queixo caiu; eu estava totalmente sem palavras. Não conseguia articular uma frase sequer, muito menos explicar como sabia o nome dele. Khun-Yai não parecia satisfeito com o meu silêncio e, vendo minha hesitação, ele pressionou a lâmina com mais força contra a minha pele.

— Se você não falar, morrerá agora mesmo — declarou ele, com uma frieza cortante.

Meus olhos se arregalaram e meu coração saltou contra o peito. Eu estava prestes a sucumbir ao pânico quando uma voz interrompeu aquele momento aterrorizante:

— Espere, Comandante Yai!

O dono da voz era um homem de meia-idade, vestido inteiramente de branco. Ele se afastou do grupo de homens que estavam no chão e aproximou-se com uma atitude prudente e respeitosa, contrastando com a aura agressiva dos guerreiros que o cercavam.

— Esqueceu-se de onde estávamos antes deste aguaceiro? — perguntou o homem.

Khun-Yai, no entanto, não cedeu. Manteve a ponta da espada em minha garganta e respondeu sem desviar o olhar de mim:

— As antigas muralhas e as ruínas da cidade não têm conexão alguma com este homem. A cidade de Taw caiu há muito tempo. Receio que ele seja um ladrão nos espionando, pronto para trazer seus capangas e nos roubar mais tarde.

— Embora seja uma cidade caída, não devemos desrespeitá-la — continuou o homem de branco. — E como você explica a aparência dele? Como um bandido poderia se esconder debaixo d’água por tanto tempo sem se afogar?

Mesmo intrigado com a situação, não fiquei insensível às acusações. Um bandido? Aquilo era loucura!

— Eu não sou um bandido! — protestei com a voz trêmula. Não permitiria que me matassem por um equívoco tão absurdo.

Khun-Yai voltou seus olhos penetrantes para mim, faíscando desconfiança.

— Diga, criatura: quem é você e de onde veio?

— Meu nome é Jom. Eu venho de... — Fiz uma pausa dramática.

Eu simplesmente não sabia a resposta. Não fazia ideia de onde aquele lugar ficava no mapa ou no tempo. Não podia arriscar uma resposta impensada; se eles considerassem minha explicação errada, minha vida terminaria ali mesmo.

Observei os homens ao redor. Estavam vestidos como se tivessem saído de um épico histórico que eu costumava ver na TV. Alguns estavam com o torso nu, vestindo apenas panos amarrados como tangas curtas, enquanto outros usavam camisas. Ohm vestia uma camisa de mangas curtas com um tecido de cor distinta. Definitivamente, nenhum deles pertencia ao lugar ou à época que eu acabara de deixar.

Para onde o buraco de minhoca me levara? Seria o mesmo universo ou um multiverso? Minha hesitação apenas aprofundou a suspeita de Khun-Yai. Ele me fixava com o olhar quando o homem de branco interveio novamente.

— Comandante Yai, imploro que me ouça. Nossa caravana viajou por florestas e montanhas sem perigo, protegida pelas divindades. Como pode esquecer isso? Embora você se recuse a compartilhar o que houve no passado, ambos testemunhamos este homem aparecer na água, da mesma forma que ocorreu no vilarejo de Taw anos atrás.

— A que evento você se refere, Médico Real? — perguntou Khun-Yai.

— Ao evento ocorrido durante o Juramento de Fidelidade, quando o Rei Taw estabeleceu a cidade.

Khun-Yai ficou atônito por um breve momento. Recuperando a postura, ordenou severamente:

— Tirem-no daqui!

Cinco homens fortes e armados me arrastaram para fora da água. Khun-Yai afastou-se para falar em particular com o Médico Real, mas continuava a lançar olhares desconfiados em minha direção. Ohm permaneceu onde estava, vigiando.

Ajoelhei-me no chão, encharcado e trêmulo. Ordenaram que eu mantivesse a cabeça baixa, mas tentei observar o ambiente o máximo possível. Ao sair da piscina, notei uma barraca atrás de Ohm e dos outros homens poderosos. Eles pareciam proteger algo valioso ali dentro; algo tão importante que justificava matar qualquer estranho que surgisse do nada.

De repente, um calvário de calafrios percorreu meu corpo. Teria eu sido arrastado para uma terra bárbara? Que tipo de peça o destino estava pregando em mim? Enquanto via Khun-Yai discutindo meu destino do outro lado da caverna, a confusão em minha mente era total. Uma parte de mim ansiava por correr até ele, tocá-lo e verificar se aquele era mesmo o "meu" Khun-Yai. Mas a outra parte estava paralisada de medo. Ele parecia feroz, letal, o oposto do homem gentil que conheci. E o que mais me doía era perceber que ele olhava para mim com absoluto desprezo.

Eles conversaram por um longo tempo antes que Khun-Yai retornasse, acompanhado pelo homem de branco. Khun-Yai não perdeu tempo e perguntou sem rodeios:

— Vou lhe fazer mais uma pergunta: com que propósito você apareceu? Tem más intenções contra Seehasingkorn?

Fiquei perplexo. O nome era completamente estranho para mim.

— Seehasingkorn... Nunca ouvi falar desta cidade.

Khun-Yai e o Médico Real trocaram olhares rápidos. O comandante balançou a cabeça lentamente, a expressão carregada de ceticismo.

— Ele fala de maneira estranha. Como pode me pedir para confiar nele, Médico Real?

Meu coração parou por um instante. Voltei-me para o médico, que parecia ser minha única esperança de clemência.

— Como ainda não descobrimos suas intenções, poupe-lhe a vida — suplicou o homem de branco. — Não sabemos se as divindades da floresta o enviaram aqui, nem com que propósito. Se o matarmos, temo que estaríamos desrespeitando um desígnio maior.

— Já que você insiste por medo de presságios sinistros, pouparei a vida dele — cedeu Khun-Yai. — Vamos levá-lo conosco, mas não lhe concederei a liberdade da qual os outros desfrutam.

O Médico Real curvou-se ligeiramente, em sinal de respeito.

— Como achar apropriado, Comandante.

Olhei em volta em pânico, sem entender o que fariam comigo. A resposta veio minutos depois, de forma cruel: eles me imobilizaram enquanto acorrentavam meus braços e pernas. Meus tornozelos foram presos a algemas conectadas por uma corrente longa o suficiente apenas para caminhar; se eu tentasse correr, certamente tropeçaria e cairia. Olhei para os grilhões, incrédulo. Meu status agora não era diferente do de um criminoso comum ou de um prisioneiro de guerra.

Virei-me para Khun-Yai, que me observava a uma curta distância com um misto de ansiedade e irritação. Por que ele estava fazendo aquilo comigo? No entanto, seu olhar gélido me fez perceber meu novo lugar naquela realidade: entre todos aqueles estranhos, era ele quem mais parecia querer se livrar de mim. Assim que terminei de ser acorrentado, Khun-Yai segurou meu braço e me puxou bruscamente, sem se importar com a minha dificuldade em caminhar.

A pessoa ao meu lado tinha a mesma fisionomia do Khun-Yai que eu conhecia, mas a aura era outra. Embora o rosto e a estatura fossem idênticos, este homem parecia muito mais maduro — não era o rapaz de dezoito anos, mas alguém que aparentava ter a minha idade ou ser um pouco mais velho. Seu físico era robusto, o corpo de um verdadeiro guerreiro, e sua postura era ousada, sem a graça delicada de um filho da nobreza. Sua pele era mais escura, marcada pelo sol das atividades ao ar livre. Notei que ele usava um anel no dedo indicador direito: uma cabeça de leão entalhada, com pedras preciosas de um branco acinzentado entre as presas.

— Khun-Yai... — murmurei, sentindo meu peito pesado.

Eu não sabia o que dizer, mas sentia uma necessidade desesperada de chamá-lo pelo nome. Ele virou a cabeça para mim. Meu coração se encheu de uma agonia profunda; seria ele o mesmo que me viu desaparecer na névoa da estrada de seringueiras? Meus lábios tremeram, mas as palavras não saíram.

— Você é uma criatura estranha — disse ele, franzindo a testa com olhos curiosos, porém distantes. — É fraco como uma mulher, e ainda assim, não confio em você.

Seu aperto em meu braço aumentou enquanto ele me arrastava para a entrada da caverna. Havia muitos homens ali, todos em volta de uma fogueira, secando roupas sobre as pedras. Olhei para o exterior; a escuridão da floresta era profunda, quebrada apenas pelo coaxar dos sapos após a chuva. Khun-Yai me empurrou na direção de um dos homens.

— Capitão Mun, e todos vocês: revezem-se para vigiá-lo — ordenou.

Observei as costas de Khun-Yai enquanto ele saía da caverna sem me lançar um segundo olhar. O homem que respondeu ao comando caminhou em minha direção e, ao olhá-lo, meu queixo caiu novamente. Era... Ming!

Pisquei várias vezes, mas a visão não mudou. Era Ming, o criado do Sr. Robert que havia me ensinado a remar. Ele me percorreu com um olhar de desconfiança antes de apontar para um recanto estreito entre as rochas. Era um ponto cego, cuja única saída passava pelo grupo de homens armados.

— Fique aí. Não tente escapar ou fazer gracinhas, ou eu mesmo cortarei suas pernas.

Céus... que ferocidade. Aquelas pessoas eram tão agressivas quanto uma matilha de cães selvagens. Assenti em silêncio e sentei-me no chão frio. Ming jogou um pano em minha direção — um cobertor grosso e áspero.

— Durma no chão e nas pedras, se preferir — resmungou ele, virando as costas.

— É um fantasma? — exclamou outro homem, visivelmente assustado. — Um fantasma de um homem de Taw morto em batalha contra Lanna?

Ouvi um choro baixo. Meus ouvidos se aguçaram e meus olhos se arregalaram.

— Ai-Jun, cale a maldita boca antes que eu te chute! — Esta voz pertencia ao Capitão Mun, ou melhor, ao "meu" Ming. — Como um fantasma estaria acorrentado? A esta altura, ele já teria quebrado as algemas ou o seu pescoço.

Meu coração disparou ao ouvir aquele nome: Lanna. Era a peça que faltava para meu cérebro processar tudo instantaneamente. Respirei fundo, tentando organizar as peças desse quebra-cabeça: o Reino de Lanna, o Juramento de Fidelidade, a fundação de cidades... tentei alinhar tudo em uma cronologia que explicasse minha situação.

"Om, om, divindades que vagam pela terra desde o início dos tempos..."

O canto que ouvi enquanto derivava naquela maré peculiar ecoava em minha mente. Eram versos arcaicos, parte de um ritual de fidelidade ao rei, compostos por louvores ao sagrado, bênçãos aos leais e, o mais terrível, maldições aos traidores. Lembrei-me agora: não era familiar por eu estar lá, mas porque eu li sobre isso em um livro de literatura antiga que despertara meu interesse.

"Queime em chamas e seque até a morte. Todos os canais serão envenenados, você será perseguido no leito. A grama serão espadas cortando a vida para fora de você..."

Cada linha daquela maldição era excruciante. Sugeria que os traidores seriam caçados por animais, esmagados pelo céu, decapitados pela água ou estripados. O registro histórico indicava que a Tailândia realizava esse ritual desde o início do período Ayutthaya, passando por Thonburi, até meados do período Rattanakosin.

...Merda.

Não fora uma divindade que apareceu quando os homens de Taw fizeram o juramento; fora eu. E agora eu sabia: não estava em um universo alienígena, mas no mesmo mundo de antes, apenas... muito mais longe no passado.

Incapaz de fingir que dormia, sentei-me e encarei o grupo ao redor do fogo. Eles recuaram, sobressaltados.

— Capitão Mun... — limpei a garganta suavemente. — Estou com sede. Posso tomar um pouco de água?

Ming hesitou, mas aproximou-se e ofereceu-me um tubo de bambu. Bebi a água, ponderando cada palavra. Eu precisava saber exatamente em que período estava. O Reino Lanna durou séculos; eu precisava de coordenadas.

— Obrigado — devolvi o tubo com um pequeno sorriso amigável. Ele acenou, querendo encerrar o assunto, mas eu não podia deixar a chance escapar. — Capitão, quando falou sobre a queda do vilarejo Taw na batalha contra Lanna... contra qual cidade e qual rei vocês lutaram?

Ming estremeceu, os olhos transbordando exasperação.

— Somos de Seehasingkorn. Por que nos meteríamos nos negócios de outras cidades? Fique longe de mim e não faça mais nenhuma pergunta.

Voltei para o meu canto imediatamente; não queria arriscar um chute do Capitão Mun. Pela incerteza em seu olhar, ele não sabia se eu era humano ou um bruxo. Deitei-me em silêncio enquanto o tempo passava carregado de angústia. Eu desejava acordar na cama de Khun-Yai, na casinha de madeira, ouvindo-o dizer que tudo não passara de um pesadelo enquanto me abraçava até o amanhecer.

Meu coração doía. Lágrimas quentes brotaram e transbordaram, molhando meu peito enquanto eu me encolhia. Como estaria o "meu" Khun-Yai agora? Quão ferido ele ficará ao me ver desaparecer? Ele esperaria por mim? E se eu nunca conseguisse voltar?

Adormeci por exaustão pouco antes do amanhecer, apenas para ser sacudido pelo Capitão Mun. Segui-o até a entrada da caverna, atordoado. O sol surgia por entre as árvores e o ar estava frio. O que vi lá fora superou qualquer expectativa.

Havia um elefante macho imponente ao lado de uma árvore gigantesca, carregando um howdah de madeira esculpida, protegido por um guarda-chuva de cabo longo. Pessoas agitavam-se entre carrinhos de bagagem e cavalos de guerra enormes. O cheiro de arroz recém-cozido flutuava no ar. Todos vestiam trajes que expunham o peito ou coletes abertos, com tecidos franzidos acima dos joelhos — a imagem exata de guerreiros antigos.

O pânico tomou conta de mim. Eu caíra no meio de uma guerra?

— Capitão, espere! — agarrei o braço de Ming, tentando controlar o tremor na voz. — Vocês são um exército marchando para a batalha?

Ming virou-se, soltando o braço com um misto de diversão e irritação.

— Olhe ao seu redor. Como poderíamos ser um exército com menos de cem homens? Quinze de nós são mulheres. Por que tentaríamos um ataque para sermos ridicularizados? Fazemos parte da procissão real de Sua Alteza, a Princesa Amphan Niwat, rumo a Seehasingkorn, sob a guarda do Comandante Yai e do Comandante In.

— Princesa Amphan... — murmurei, tentando recordar se aquele nome já cruzara meus livros de história.

— Sua Alteza Real é irmã do Príncipe Seeharaj, o atual governante de Seehasingkorn — explicou o Capitão Mun.

Assenti, sentindo as peças se encaixarem. A barraca que vi na noite anterior certamente pertencia a ela. Com minha aparição repentina e misteriosa, era natural que me vissem como uma ameaça digna de uma espada no pescoço.

O Capitão Mun levou-me até a margem de um riacho estreito que brotava das rochas da caverna. Ali, buscamos água para lavar o rosto e o corpo, misturando-nos aos outros soldados. Eles conversavam entre si, lançando-me olhares carregados de estranheza. Não os culpava; eu sabia o quanto parecia deslocado, e minha história devia ter sido deturpada e espalhada por todo o acampamento desde a noite anterior.

Pouco depois, retornamos à frente da caverna. Mulheres lindamente trajadas com sihns tecidos e camisas de gola redonda levavam bandejas de comida para o interior. Seus xales caíam com elegância sobre o peito e seus cabelos, presos em coques, eram adornados com grampos de flores de ouro. Eram as atendentes reais servindo o desjejum da princesa.

— Continue olhando e elas mandarão cortar sua cabeça — disse Ming, divertido, ao me flagrar observando a procissão feminina.

Forcei um sorriso tímido e não discuti. Não valia a pena explicar que meu coração não batia nem um pouco mais forte por aquelas belas assistentes.

Mais tarde, recebi minha refeição: arroz e peixe grelhado. Olhei para a comida em silêncio. O peixe estava bem preparado, mas minhas mãos estavam algemadas por uma corrente de apenas trinta centímetros — o comprimento de uma palma.

— Capitão, como espera que eu coma assim? — perguntei.

— Se for muito difícil, morra de fome! — gritou ele do círculo de soldados, provocando gargalhadas em seus camaradas, que acharam a situação hilária.

No fim, comecei a comer com dificuldade. Era uma luta a cada bocado, mas não havia alternativa.

Após a refeição, iniciaram-se os preparativos para retomar a jornada. O Capitão Mun ordenou estritamente que eu mantivesse a cabeça baixa e não olhasse para a Princesa Amphan quando ela saísse da caverna para subir no elefante.

A procissão era imponente: o elefante real era seguido pelas carruagens cobertas das atendentes, protegendo-as do sol e da chuva. Atrás delas, soldados marchavam em formação, seguidos pelos carrinhos de suprimentos na retaguarda. Oficiais de cavalaria patrulhavam toda a extensão da coluna.

Fui posicionado na frente dos carrinhos de bagagem, sob a vigilância direta do Capitão Mun. Suspirei quando Ohm — ou melhor, o Comandante In — passou montado em seu cavalo, verificando se tudo estava em ordem. Ele vestia um uniforme militar completo, com insígnias nos braços e brincos redondos de prata. Parecia digno, imponente e belo.

Abaixei o queixo quando ele se virou em minha direção, não querendo que percebesse meu olhar. Khun-Yai já desconfiava de mim; eu não precisava que Ohm fizesse o mesmo. Quando ele se afastou, perguntei ao Capitão:

— Quem é ele?

— Aquele é o Comandante In, o outro oficial responsável pela guarda de Sua Alteza Real.

Resmunguei uma confirmação e não perguntei mais nada. A marcha começou. Eu arrastava as correntes pelo caminho acidentado e tropecei após apenas alguns passos. Minha camisa branca, agora manchada de lama, só piorava minha aparência deplorável.

— Quão difícil pode ser? Basta dar passos rápidos e curtos — disse o Capitão Mun, ajudando-me a levantar.

Cerrei os dentes. Para ele era fácil dizer, já que podia andar livremente. Forcei-me a ter paciência e equilibrar meus passos, mantendo os olhos fixos nas poças da estrada.

Logo, ouvi o som de cascos se aproximando. Era o Comandante Yai. Ele cavalgava com a imponência de um verdadeiro senhor da guerra. Não estava mais com o torso nu como na noite da chuva; vestia uma camisa preta de mangas curtas com bordados dourados, semelhante à de Ohm. As insígnias e o padrão requintado do tecido azul-púrpura indicavam que a patente de ambos era superior à de qualquer outro ali.

Khun-Yai percorreu-me com o olhar, da cabeça aos pés, em um silêncio absoluto. Tomei coragem e ofereci-lhe um sorriso aberto, amigável e genuíno. Ele não retribuiu. Apenas franziu a testa e galopou para a frente da procissão, deixando-me sorrindo para o nada.

Ugh... ele tinha que ser tão seco? Franzi os lábios, furioso. Tive vontade de gritar algumas maldições, mas não ousei arriscar minha pele.

Lá na frente, vi o cavalo de Khun-Yai emparelhar com o de Ohm. Eles conversavam de forma animada. Khun-Yai, que me negara até um vislumbre de gentileza, sorria brilhantemente para o outro comandante. Ele chegou a passar o braço pelo pescoço de Ohm em um gesto de carinho, enquanto Ohm tocava sua cintura com familiaridade. Então, os dois galoparam lado a lado.

Senti um incômodo crescendo no peito. Com o rosto franzido de ciúmes e confusão, perguntei ao Capitão Mun:

— O Comandante Yai e o Comandante In parecem muito próximos. Eles lutaram muitas batalhas juntos?

O Capitão Mun soltou uma risada curta e respondeu à minha pergunta com uma simplicidade que me deixou paralisado por um longo tempo. Atônito seria pouco para descrever como me senti.

...Caramba.

Eu já achava lamentável ter sido jogado ainda mais fundo no passado. Mas agora, não tinha certeza se meu destino estava subindo ou despencando em direção ao abismo.

Neste período, meu ex-namorado e meu novo namorado eram irmãos.

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Foto de perfil genéricaSarawat Contos: 18Seguidores: 4Seguindo: 18Mensagem Olá, eu sou o Sarawat. Sou entusiasta do gênero romance e fascinado pelo universo asiático, especialmente pelas culturas tailandesa, chinesa e coreana, com as quais possuo um forte vínculo ancestral. Dedico-me a escrever histórias que unem personagens de personalidade forte a uma rica ambientação cultural.

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