O calor no interior de Minas não perdoa. É um mormaço que gruda na pele e faz a gente sentir o peso do próprio corpo. Meu nome é Igor. Sou novinho, um par de óculos que vive escorregando pelo nariz e uma pele tão branca que o sol da tarde me deixa permanentemente rosado. Eu sempre fui o "menino do canto", aquele que ninguém nota, a não ser para pedir cola de matemática.
Eu me sentia um rascunho. Pequeno, meio sem forma... exceto por um detalhe. Eu tenho uma consciência aguda da minha bunda. Ela é firme, empinada, parece não pertencer ao resto do meu corpo franzino. Eu uso camisetas três vezes maiores que eu, tentando apagar essa curva, tentando ser invisível.
Mas o Rodrigo sempre teve olhos bons.
Rodrigo é meu primo, dezenove anos, braços queimados de sol e aquele jeito de quem manda na rua. Naquela terça-feira, a gente estava no quarto dele. O ventilador de teto fazia um barulho alto, tentando em vão espantar o bafo quente que vinha da janela. Estávamos jogando videogame, mas o clima estava estranho. Lento.
— Você tá muito calado hoje, Igor — ele disse, encostando o ombro no meu enquanto controlava o personagem na tela.
— É o calor, uai. Tira a vontade de falar — respondi, tentando focar no jogo.
— Não é só o calor, não. Você tá crescendo... tá ficando com um jeito diferente. — Ele soltou o controle e se virou para mim, apoiando o peso em uma das mãos. — As meninas da escola não ficam atrás de você, não? Um guri bonitinho desse, todo branquinho, certinho...
Senti meu rosto ferver.
— Que menina, Rodrigo? Eu sou o nerd da sala. Ninguém olha pra mim.
— Pois deviam olhar. — Ele deu um sorriso de lado, um brilho novo nos olhos. — Você tem um mel que nem sabe que tem. É delicado, sabe? Dá vontade de cuidar. De ver do que você é feito por baixo desses trapos largos que você usa.
Meu coração começou a martelar contra as costelas. Ele nunca tinha falado assim. O tom era macio, quase como um segredo. Ele esticou a mão e, devagar, tocou o meu joelho. Começou como um movimento de amizade, mas os dedos dele não pararam lá. Ele começou a subir, fazendo um carinho lento na minha coxa, sentindo a textura da minha pele sob o short de tactel.
— Você é muito macio, Igor. Parece que nunca pegou um trabalho pesado na vida.
— Eu... eu não... — minha voz falhou.
Ele se aproximou mais. O cheiro dele — sabonete e suor recente — invadiu meu espaço. Com um movimento calmo, ele tirou meus óculos e os colocou no chão. O mundo ficou embaçado, as luzes da TV viraram borrões coloridos. Eu me senti vulnerável, desarmado.
— Não precisa ter medo de mim — ele sussurrou, a mão subindo até o limite do meu short. — Eu sempre quis saber se você era tão fofinho quanto parece.
Foi aí que ele deslizou a mão por baixo de mim. Os dedos dele encontraram a curva da minha bunda, apertando com uma firmeza que me fez soltar um suspiro curto, involuntário. O toque dele era quente, experiente. Ele não só estava passando a mão; ele estava explorando, sentindo o peso e o formato que eu passei anos tentando esconder.
— Nossa, Igor... — ele falou, colado no meu ouvido. — Você é bem mais "equipado" do que eu imaginava. Esconde esse tesouro por quê?
Ele começou a puxar meu corpo para mais perto do dele, a mão ainda lá embaixo, me levantando um pouco para ter mais acesso. Eu senti uma onda de choque percorrer minha espinha. Era uma mistura de pavor e uma excitação tão profunda que minhas pernas ficaram bambas.
— Rodrigo, a gente é primo... — eu tentei dizer, mas minha mão, em vez de empurrá-lo, acabou agarrando o braço dele, puxando-o para mais perto.
— Primo é pra essas coisas, Zé. Pra ensinar o que os outros não ensinam. — Ele mordeu levemente a minha orelha e eu senti meu corpo todo arquear em direção ao toque dele. — Relaxa. Ninguém vai entrar. Deixa eu ver o que mais você tem escondido aí.
A mão dele subiu para o elástico do meu short, e eu percebi que não havia mais volta. O quarto, o videogame, o interior... tudo tinha sumido. Só existia aquele toque e a descoberta elétrica de que, pela primeira vez, alguém estava vendo exatamente quem eu era.