Pecando com Johnny (Capítulo 12)

Um conto erótico de ♡♡♡
Categoria: Homossexual
Contém 753 palavras
Data: 22/01/2026 07:19:48
Assuntos: Gay, Homossexual

“Culpa”

Domingo, 11 de março de 2012. O sol brilhava forte em Curitiba, um dia perfeito de verão tardio, céu azul sem nuvens, temperatura agradando nos 24°C. Tiago acordou cedo, tomou banho e caprichou na aparência: camisa social azul-clara bem passada, calça jeans escura justa nas pernas, sapato casual marrom, cabelo preto liso penteado de lado com gel, deixando um topete discreto e estiloso. Ele se olhou no espelho e sorriu — estava bonito, mas por dentro o peito ainda doía da sexta-feira e do sábado no parque.

Os pais já estavam prontos. O pai de camisa polo e calça social, a mãe com vestido amarelo leve. Decidiram almoçar em um restaurante badalado no centro, daqueles que enchem aos domingos após o culto da manhã.

Chegaram por volta das 13h. O lugar estava lotado: famílias, casais, música ambiente suave. Sentaram em uma mesa perto da janela. Tiago tirou fotos com o celular: selfie com os pais sorrindo, foto da mesa com os pratos chegando (salada, filé mignon ao molho madeira, risoto de parmesão). Posou com o pai de braço dado, depois com a mãe beijando a bochecha dele. Postou tudo no Facebook com legenda simples: “Almoço em família. Deus é bom!”. Recebeu likes e comentários rápidos: “Que maravilha de almoço!”, “Família abençoada!”, “Lindos!”.

Enquanto rolava o feed, o sorriso morreu. Uma postagem de Johnny apareceu no topo: foto dele e da esposa em um jantar romântico no mesmo local que o garoto estava agora. Ele com terno, ela com vestido vermelho, os dois se beijando na boca, sorrindo para a câmera. Legenda: “Amor da minha vida!”. A data era de ontem.

Tiago sentiu o estômago revirar. O garfo parou no ar. O ciúme veio como uma onda quente e ácida.

“Ele disse que me ama. Me fodeu gostoso. Gozou dentro de mim. E agora posta isso?”

Lágrimas pinicaram os olhos. Ele murmurou um “já volto” e se levantou rápido, indo para o banheiro masculino.

Trancou-se em uma cabine. Sentou na tampa do vaso, as mãos tremendo. Chorou baixo, raiva misturada com dor.

“Por que ele faz isso? Por que não termina logo com aquela idiota?”

Limpou o rosto com papel higiênico, respirou fundo várias vezes.

“Controle-se. Não pode estragar o almoço. Eles não podem perceber.”

Lavou o rosto na pia, ajeitou o cabelo, forçou um sorriso no espelho. Voltou para a mesa como se nada tivesse acontecido.

— Tudo bem, filho? — perguntou a mãe.

— Sim, mãe. Só um pouquinho de azia — mentiu.

Terminou o almoço conversando sobre trivialidades, rindo nas horas certas, mas o peito estava apertado.

À noite, o culto na igreja evangélica do bairro. A família chegou cedo. Tiago pegou o violão, sentou com o grupo de louvor. Cantaram “Rendido Estou” e “Teu Amor Não Falha”, a voz dele grave e emocionada ecoando no microfone. Os pais cantavam ao lado, orgulhosos. Ele tocava com os olhos fechados, tentando se entregar à música, mas a imagem da foto de Johnny não saía da cabeça.

Na hora da pregação, a convidada — uma pastora de Florianópolis, voz firme e olhar penetrante — falou sobre “pecados encobertos”. “O Senhor vê tudo, irmãos. O pecado que a gente esconde no escuro, Ele ilumina com Sua luz. Não adianta fingir. Deus sabe. E Ele nos chama ao arrependimento antes que seja tarde.”

Tiago sentiu cada palavra como uma facada. Baixou a cabeça, as mãos suadas na Bíblia.

“Ele sabe. Deus sabe o que eu fiz. O que eu faço com Johnny toda semana.”

O peito apertou tanto que mal respirava.

Na oração final, as famílias foram à frente. Tiago foi com os pais. Enquanto oravam, a preletora passou por ele, colocou a mão na cabeça dele e sussurrou bem perto do ouvido:

— Vigia, meu filho. Deus sabe muito bem o que você está fazendo. Ele te ama, mas o pecado te afasta de Sua presença. Arrependa-se enquanto há tempo.

Tiago engoliu seco, o corpo gelado. Não conseguiu responder. Só assentiu, os olhos marejados.

Chegaram em casa às 23h. Tiago subiu direto para o quarto, trancou a porta. Sentou na cama, o peso na consciência insuportável. Pegou o celular, abriu o WhatsApp. Gravou um áudio curto, voz tremendo:

— Johnny… eu não aguento mais. Isso tá me matando. Eu te amo, mas não dá. Me perdoa. Não me procura mais.

Enviou. Depois bloqueou o número. Jogou o celular na cama e desabou em lágrimas. Chorou sem parar, o corpo sacudindo, o rosto enterrado no travesseiro. Dor, culpa, saudade, raiva — tudo misturado. O quarto escuro, só o som dos soluços abafados.

Continua…

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Não adianta se desesperar. Primeiro que você ainda é muito novo e depois vida de amantes é assim, momentos roubados que tem que ser muito bem aproveitados e sem cobranças. Amanhã é segunda, arrependa-se da mensagem e corrija com uma boa foda e vida que segue.

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