O Campeonato de Boquete - Em Quem Vai A Sua Torcida? - Pt. 01

Um conto erótico de oleitor
Categoria: Heterossexual
Contém 1993 palavras
Data: 22/01/2026 02:46:55

São Paulo, Brasil

Subsolo da fábrica condenada

***

Meu nome é Sofia. Tenho vinte e cinco anos, e estou descendo os dezenove degraus de concreto rachado que separam o mundo normal do submundo onde escolhi estar pela segunda vez.

A porta de metal range quando a empurro. Lá em cima, São Paulo ferve mesmo à meia-noite: buzinas, risadas de bêbados, bass pulsando de algum carro. Cheiro de asfalto quente, fumaça de ônibus, gordura de pastel frito. Aqui, a cada degrau que desço, tudo isso some. O ar esfria, fica denso, grudento nos pulmões. O cheiro muda para mofo, desinfetante industrial barato que arde nas narinas, e embaixo de tudo, algo mais visceral — sexo antigo impregnado nas paredes.

Meus tênis fazem barulho úmido no último degrau. O corredor de cimento manchado se estende até a porta do vestiário. Uma lâmpada fluorescente pisca no teto baixo. Vozes abafadas vazam pela porta entreaberta. Uma risada nervosa. O som de alguém cuspindo no chão.

Paro. Respiro fundo. O cheiro de cloro queima minha garganta.

Empurro a porta.

***

### O Vestiário

O Torneio Internacional de Fellatio Competitivo existe há sete anos, mas só nos últimos três virou essa máquina obscena que movimenta dinheiro sujo e voyeurs dispostos a pagar trezentos reais por ingresso. Duzentas pessoas vão se espremer nas arquibancadas de madeira podre hoje. Câmeras em ângulos estratégicos vão transmitir tudo ao vivo para plataformas criptografadas onde milhares assistem pagando bitcoin.

As regras são simples e cruéis.

Oito competidores divididos por gênero. Quatro mulheres, quatro homens. As mulheres competem fazendo boquete em homens sorteados de uma lista de receptores voluntários. Os homens competem fazendo sexo oral em mulheres sorteadas de uma lista de receptoras. Cada categoria tem suas próprias rodadas, eliminatórias, semifinais, e final. Dois campeões no fim da noite: uma mulher, um homem.

O objetivo? Fazer o receptor ejacular ou ter orgasmo no menor tempo possível. Simples assim.

Mas tem as regras de controle.

Cada receptor usa sensores discretos que detectam tentativas de segurar voluntariamente o orgasmo — contrair músculos pélvicos, prender respiração, desviar foco mental. A cada tentativa detectada, um apito. Três apitos e quem está fazendo o oral perde automaticamente, porque significa que o receptor está resistindo de propósito.

Proibido machucar com intenção. Proibido usar objetos estranhos. De resto? Vale tudo. Criatividade é recompensada. Brutalidade elegante é celebrada. Humilhação pública é parte do show.

Eu ganhei ano passado. Campeã na categoria feminina. Fiz Rafael, ex-lutador de MMA com pau de 21 centímetros, ejacular em 6 minutos e 39 segundos. Ele cobriu meu rosto, meu pescoço, meus seios. A plateia urrou meu nome enquanto sêmen escorria pelo meu queixo.

Agora estou de volta.

E vou vencer de novo.

***

### As Competidoras

Me sento no banco de metal frio próximo à parede dos fundos. O vestiário é dividido por uma cortina rasgada de plástico verde — mulheres de um lado, homens do outro. Consigo ouvir vozes masculinas do outro lado, mas não vejo nada. Meu lado tem três bancos de metal formando um U, paredes de concreto descascado com manchas de umidade, cinco lâmpadas fluorescentes piscando irregularmente.

Cruzo as pernas. O frio do metal atravessa minha meia-calça fina e morde minha pele. Estou usando joelheiras discretas por baixo, sutiã esportivo preto achatando meus seios pequenos, calcinha simples de algodão. Cabelo castanho liso preso em rabo de cavalo apertado. Sem maquiagem. Sem perfume. Vim trabalhar, não desfilar.

Três outras mulheres já estão aqui.

***

**Marcela** está sentada no banco da esquerda, pernas abertas, olhando o celular. Trinta e dois anos. Corpo que celebra cada curva sem pedir desculpas: quadris largos que transbordam do banco, coxas roliças que roçam uma na outra quando se move, barriga macia projetando-se sobre o elástico do body vermelho de lycra colado na pele. Seios grandes e pesados caem levemente para os lados, mamilos escuros e largos como moedas pressionando o tecido fino até formar duas saliências pontudas. Pele negra reluzindo sob as luzes piscantes, suor já acumulando no pescoço grosso, na curva dos ombros arredondados. Cabelo crespo preso em tranças grossas que batem na metade das costas, miçangas coloridas nas pontas tilintando quando vira a cabeça.

Rosto redondo, bochechas cheias, nariz largo, lábios carnudos e escuros que ela lambe enquanto rola o Instagram. Tem uma tatuagem no pulso direito em letra cursiva: *"Eu engolo"*.

Ela cruza e descruza as pernas. Quando abre, vejo a mancha úmida no tecido vermelho entre as coxas. O cheiro dela me atinge mesmo de longe: doce e almiscarado, mel misturado com perfume vagabundo de coco. Ela está molhada. Não tenta esconder.

Quando percebe que estou olhando, sorri — dentes brancos, espaço entre os da frente — e faz um movimento obsceno com a língua, lambendo o lábio superior devagar.

— Primeira vez? — ela pergunta, voz rouca, sotaque do interior de São Paulo.

— Segunda — respondo sem emoção.

Ela ri, um som gutural.

— Ah, você é a *campeã*. — Diz a palavra com desprezo carinhoso. — Prazer, querida. Vou te tirar do trono hoje.

Ela volta para o celular, mas agora a perna dela treme. Nervosismo ou excitação, não sei. Talvez os dois.

**Marcela é competidora nata. Ex-garota de programa que largou o trabalho porque descobriu que adorava competir mais do que cobrar. Tem fama de engolir tudo, sempre, e ainda cuspir na cara do receptor depois. A plateia ama ela porque é espetáculo puro: voz alta, rebolado, provocação. Se ganhar, vai ser pela confiança bruta que desarma qualquer homem.**

***

**Bianca** está no canto oposto, fazendo alongamento. Vinte e seis anos. Corpo de ginasta: pequena, compacta, músculos definidos mas femininos. Não passa de um metro e cinquenta e cinco, mas o corpo é pura eficiência. Ombros arredondados, braços finos mas tonificados, cintura estreita, quadris justos, bunda pequena e empinada que estica o tecido do short de lycra preto. Seios pequenos, quase planos, mamilos rosados duros contra o top esportivo branco. Pele clara com sardas espalhadas pelos ombros e colo. Cabelo ruivo natural, cacheado, preso em um coque bagunçado no topo da cabeça, mechas soltas emoldurando o rosto delicado.

Rosto em forma de coração, olhos verdes enormes com cílios loiros quase invisíveis, nariz pequeno e arrebitado, lábios finos rosados, queixo pontudo. Parece inocente. Parece frágil.

Mas eu vi os vídeos dela.

Bianca tem uma mandíbula que abre em ângulo impossível. Ela consegue engolir homens enormes sem engasgar. E tem um truque que ninguém replicou: ela canta enquanto chupa. Literalmente. Músicas baixinho, a vibração da voz viajando direto para o pau. Homens dizem que é a sensação mais perturbadora que já sentiram — prazer misturado com estranheza, como se o pau estivesse sendo massageado por dentro.

Ela termina o alongamento e se senta ereta, mãos nos joelhos, respirando fundo. Cheiro dela é hortelã e sabonete neutro. Olha para mim, sorri levemente — um sorriso tímido, quase infantil.

— Boa sorte — ela diz, voz suave, quase um sussurro.

Eu acenar com a cabeça.

**Bianca é a azarona. Ninguém espera que ela vença porque parece tão... delicada. Mas quem subestima ela se fode. Literalmente. Se ganhar, vai ser pela técnica absurda que ela aperfeiçoou. A plateia torce por ela porque adora a reviravolta da menina frágil destruindo marmanjos.**

***

A porta range. Entra a quarta.

**Dinorah**.

Quarenta e três anos. A veterana. Corpo que conta histórias: barriga mole com estrias prateadas descendo de uma cicatriz de cesárea antiga, seios grandes e caídos balançando livres sob a regata branca transparente de suor — ela não usa sutiã. Mamilos escuros, largos, apontando para baixo, auréolas do tamanho de pires. Pele morena clara manchada de sol nos ombros largos, sardas no colo. Cabelo preto oleoso com fios grisalhos, sem corte, caindo até os ombros.

Rosto anguloso, maçãs do rosto salientes, nariz grande, lábios finos com rugas profundas ao redor — décadas de cigarro. Olhos castanhos quase pretos, pálpebras pesadas que dão ar de tédio eterno.

Ela usa saia curta de couro sintético, blusa justa, sandália de salto quebrado. Se move devagar, confiança de quem já viu tudo. Se senta no banco, cruza as pernas, acende um cigarro mesmo sendo proibido.

— Cadê os meninos? — ela pergunta para ninguém específico, voz grave, rouca de nicotina.

— Do outro lado — Marcela responde.

Dinorah solta fumaça, sorri — dentes amarelados.

— Que delícia.

Ela me olha. Me avalia de cima a baixo. Cospe no chão.

— Você é a menininha do ano passado. — Não é pergunta. — Bonitinha. Magrinha. Homem deve achar você adorável.

Não respondo. Ela ri, um som seco.

— Relaxa, filha. Não vim te julgar. Vim chupar pau melhor que você.

**Dinorah é a lenda. Compete há cinco anos, nunca ganhou, mas sempre chega longe. Tem fama de ser suja: cospe, arranha, morde de leve, xinga. Transforma boquete em briga. A plateia ama porque ela não tem filtro. Se ganhar, vai ser pela experiência bruta e pela capacidade de humilhar o receptor psicologicamente enquanto o destrói fisicamente.**

***

Agora somos quatro. O ar no vestiário fica mais denso. Cheiro de cloro, suor, perfume barato, excitação.

Olho para cada uma.

Marcela, confiança vulcânica.

Bianca, técnica perturbadora.

Dinorah, experiência brutal.

E eu, Sofia. Vinte e cinco anos. Corpo magro, quase sem curvas: seios pequenos, barriga lisa, quadris estreitos, coxas finas. Cabelo castanho sem graça, rosto sem maquiagem, olhos fundos. Nada sexy. Nada performático.

Mas ano passado eu ganhei.

Porque enquanto elas fazem espetáculo, eu faço ciência. Eu observo. Eu calculo. Eu ajusto pressão, ângulo, ritmo, respiração. Eu transformo boquete em equação e resolvo até o resultado inevitável: ejaculação máxima em tempo mínimo.

**Se eu ganhar de novo, vai ser porque sou a mais eficiente. A plateia não me ama como ama as outras. Mas me respeita. E alguns torcem por mim porque admiram a frieza clínica com que destruo homens.**

***

### Os Competidores

Ouço vozes masculinas do outro lado da cortina. Mais altas agora. Risadas nervosas.

Marcela grita:

— E aí, gostosos! Quem vai receber primeiro?

Risadas. Uma voz responde:

— Você que vai chupar primeiro, sua puta gostosa!

Marcela ri, abre as pernas, esfrega a boceta por cima do body.

— Vem me fazer então, amor!

Dinorah cospe no chão de novo.

— Caralho, menina. Guarda energia.

A porta range. Entra uma mulher de jaleco branco — a árbitra. Cinquenta e poucos anos, cabelo grisalho preso em coque, clipboard na mão, óculos de leitura pendurados no pescoço.

— Boa noite, competidoras. — Voz profissional, monótona. — Revisão rápida das regras. Oito competidores, quatro de cada gênero. Categoria feminina compete fazendo sexo oral em receptores masculinos sorteados. Categoria masculina compete fazendo sexo oral em receptoras femininas sorteadas. Objetivo: orgasmo do receptor no menor tempo. Sensores detectam resistência voluntária. Três apitos, eliminação automática. Proibido violência intencional. De resto, vale tudo. Dúvidas?

Silêncio.

— Ótimo. Sorteio em cinco minutos. Receptores já estão sendo preparados na sala ao lado.

Ela sai.

Meu coração acelera. Pela primeira vez na noite, sinto algo além de frieza.

Ansiedade.

Marcela está batendo o pé no chão, a energia dela preenchendo o espaço.

Bianca respira fundo, olhos fechados, meditando ou rezando.

Dinorah apaga o cigarro no chão, esmaga com o salto quebrado.

E eu, Sofia, fecho os olhos.

Visualizo.

A textura da pele. O gosto do pré-gozo. A pulsação das veias sob minha língua. O momento exato em que a resistência desmorona.

Abro os olhos.

Estou pronta.

***

A árbitra volta, agora acompanhada de um homem careca com megafone.

— Sorteio! — ele grita, voz distorcida.

Marcela levanta, rebolando até o centro.

Bianca se aproxima em silêncio.

Dinorah caminha devagar, olhos entediados.

Eu sigo por último.

Ele segura uma caixa de papelão. Quatro papéis dobrados dentro.

— Cada uma pega um. Nome do receptor e número da ordem.

Marcela enfia a mão, puxa um papel, abre.

— **CAIO**. Número três. — Ela sorri. — Gostoso.

Bianca pega o dela.

— **DANTE**. Número um.

Dinorah pega.

— **RICARDO**. Número quatro.

Sobra um papel. Pego.

Abro.

**THIAGO. Número dois.**

Meu coração acelera.

Conheço esse nome. Vi ele nos vídeos de seleção. Thiago, vinte e nove anos, magro, tatuado, pau médio mas grosso. Ejaculação rápida. Perfeito.

O homem do megafone grita:

— Cinco minutos! Preparem-se! Primeira rodada: categoria feminina! Depois, masculina!

A plateia do outro lado da parede urra.

O show vai começar.

E eu, Sofia, campeã defensora, vou provar que frieza vence espetáculo.

Sempre.

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