29. Os domingos
Quando fiz vinte anos, João pediu para que alugássemos o quitinete que demos um grau para ele e Samuel, eu disse sim, mas só depois de insistir muito se ele ainda estava aborrecido com aquele momento em que fui rude com ele, por mais que ele insistisse que era para poder estudar, o silêncio e um monte de pataquada, para mim era tudo mentira, ainda acho que ele guarda rancor. Mas disse sim.
Depois falei com os outros cinco e eles concordaram e ainda fizeram uns ajustes nos meus planos. Colocamos uma cama na sala daqui de casa e deixamos a casa que havia sido de tio Nelson e agora era nossa para Bosco, Tião e minhas afilhadas; depois deixamos o apartamento de tio Caio para Lygia (para ela, não para o casal), ela estava sem quase um real, passando aperto com o salário do marido e as despesas de dois, o condomínio era quase o aluguel do quarto-cozinha onde ela dormia, Murilo perguntou quando ela ia pedir ajuda, ela não ia pedir nunca, “Mas eu sou seu irmão, você sabe, né?”
Mas isso não significava que estavam livres de nós: aos domingos deveriam comparecer à obra, e todos concordaram. Como o restaurante estava se aproveitando da fragilidade de meu senhorio e ficou inadimplente foi fácil colocá-los na rua, mais fácil ainda porque o contrato de locação proibia sublocação e era exatamente isso o que acontecia na sobreloja, então foi despesa com arquiteta e usar financiamento para a obra, na casa que foi de tio Renato quem ia morar éramos nós. A mesma arquiteta foi conversar conosco, entender nossos gostos e necessidades, viu os móveis que tínhamos apego, as cores e as coisas que gostamos e as que não gostamos, foi ver a casa que iríamos morar e depois entregar o projeto. Tio Renato dizia que se ficasse ruim ia matar cada um de nós, mas se ficasse bom voltaria só para nos expulsar e viver aqui. Tio Galvão ficou irado com a “fuga” de João e Samuel, disse que do coreano nunca gostou, que ele olha as pessoas de cima, como se ele fosse mais inteligente que os outros, e mesmo que fosse, o que isso representa? Pegou logo um apreço por Rafa como se esse afastamento entre os amigos tivesse sido um trauma, “Sorte a sua, a pessoa mais altruísta e generosa que eu conheço é esse professor de química, ele é… Você se deu bem e nem desconfia.”
Rafael foi uma sorte imensa, um cavalo, um pitbull agressivo com estranhos, e o mais fofo de nós, em questão de dias eu já estava completamente apaixonado por ele, acho que Hélio e Joel fizeram o mesmo, deslocando todo o sentimento bom que tinham por João para Rafa, Daniel era uma espécie de irmão mais velho dele e mesmo tendo a mesma idade um protegia o outro, acho que todos nós éramos assim uns com os outros.
Laura veio me visitar no trabalho, levou meu presente de aniversário com quase um mês de antecedência, disse que o namorado falava em casar e queria que ela tirasse o implante de anticoncepcional, conheceu a sogra, uma mulher maravilhosa de boca suja. Mas finalmente disse a que veio, “Rodrigo disse que tem certeza que você e ele são filhos do mesmo pai, foi ele quem escolheu essa mochila para o irmão dele, Sérgio disse que ele tá maluco, mas… ele quer fazer um DNA contigo, se você topar, claro, desculpa, Mateus, mas todo mundo tem um defeito e o dele é essa fixação, você faz, ele perde tempo e dinheiro, se frustra e esquece o assunto.”, claro que topei, eu já chamava Tiago de irmão, mais um menos um… Fiz o teste e o assunto morreu.
Fiz vinte anos, chegou a reforma da casa, o projeto estava lindo, moderno com coisas vintage, antiguidades e coisas afetivas, um grande tudo rodeado por cinco suítes, closet e banheiro, tudo simples, elegante e confortável, e com negra solar para termos ar condicionado sem despesa, quem diria, mas por enquanto era minha semana no rodízio de dormir na sala, de estar sendo comido por meu marido e ver Daniel indo ao banheiro e dizendo, “Isso, Joel, mete firme, arrebenta omrabo desse veado”, Joel tapando minha boca e sendo mordido por meus dentes e minha revolta, Daniel gosta de me provocar, depois se abraça comigo e me chama de pivete, sou mais alto que ele, ele é o mais baixo de nós, ele passa quando meu marido já tem gozado, segura meu pau duro e diz que é uma pena um pau tão lindo quanto o meu num pivete mal-humorado como eu, abocanha a cabeça do mu pau e engole a porra que despejo, depois divide minha gala num beijo em meu marido, “Sortudos, eu amo os dois.”
Quando ele me disse isso eu me emocionei, ele sabia a importância do que dizia, foi quando recebeu uma ligação de seu único irmão e acabaram discutindo, “Não me importo se você está decepcionado comigo e não consegue me perdoar, já lhe perdoei, estou longe de você, não me telefone, conheço Mateus a nove meses, ele vai fazer aniversário amanhã, tem a sua idade, e eu o amo, tanto, tanto, eu já tenho um substituto pra você, ocupe esse meu lugar com outra pessoa, desapareça.”
Antes do Carnaval houve a festa de aniversário de Rodrigo, fomos todos, numa cidadezinha de uns oito mil habitantes, foi onde eu nasci, mas eu não tenho lembranças disso, conheci a mãe dele, ela contou como foi seu casamento, marido infiel, beberrão, irresponsável, dois filhos, um casal, a filha havia morrido há uns quatro anos, agora era só ela e o filho, contou que há mais de vinte anos o marido se transformou, conheceu uma mulher que se prostituiu fugindo do marido violento, ela virou a cabeça do marido dela e ele saiu de casa, os filhos já eram crescidos, foi um alívio uma humilhação, além de largada por outra, ele mudou, se transformou em um novo homem, responsável com os meninos da outra, pai como nunca havia sido, uma humilhação, engravidou a mulher, viu o filho, escolheu o nome de Antônio, mas foi atropelado a caminho do cartório, a mulher foi paga pelo ex e desapareceu. Muito feliz, Rodrigo me mostra um envelope aberto e eu nem abro, eu me pareço muito com meu irmão, ele tem um bigode, Joel disse para eu não copiar, minha barba estava crescidinha como a de Murilo, quando tirei ainda durante a festa deixei o bigode, tiramos fotos juntos, eu nem sei como falei com a mãe de Rodrigo, foi um tornado de emoções, uma tempestade. Soube que Sérgio além de ser afilhado dessa senhora era criado por ela desde os dez anos quando perdeu a mãe, seu filho com outra mulher, como ela diz. Rodrigo tem dois meio irmãos. Eu ainda tenho Tiago como meu irmão, então tá tudo em casa.
“Laurinha disse que você e se fresco desse teu esposo minaram na cara dela, puta que pariu, eu vou quebrar a cara dos dois quando eu estiver sóbrio. Vou não, ela mandou eu fazer isso e tô fazendo, estamos fazendo troca de casais aos domingos.” Ele revela os podres quando a noite só estávamos a minha turma e a turma dele, seis casais, eu respondo, “Aos domingos, os três se reúnem para comer um de nós ao mesmo tempo, eles comem eu, Murilo e Rafa, cada um em um horário, de manhã, de tarde e a noite, não necessariamente nessa ordem. Tu não faz ideia do que é três machos revezando no teu cu, porra, é foda”, “Mas tu curte, meu irmão? Rafa, Murilo e tu?”, eu balanço tanto a cabeça dizendo que sim, que eu caio por cima dele, as meninas não estavam bêbadas, por isso filmaram nove homens chorando que se amavam e elogiando uns aos outros, ‘você é foda, não, você é foda mesmo’, um vexame madrugada adentro naquele quintal cimentado.
A reforma no prédio andava devagar, estrutura precisando de atenção, as atividades acontecendo em um escritório de três salas, Joel irritado, mas fazer o quê imprevistos… Nossa casa pronta quase uma semana depois do Carnaval, até a piscina estava tratada, linda, tudo lindo, o quarto verde de Hélio, o azul de Murilo, meu quarto pintado de marrom, da cor de café solúvel, da cor dos olhos de Joel, ele não gostou de minha escolha, não fez caso, mas deixou claro que não gostou, mas quando eu disse o motivo da escolha e que agora eu podia dizer que vivia nos olhos dele, ele me empurrou na cama e ia me devorar na frente da arquiteta, morri de vergonha, ela também, mas achou divertido. Os outros quartos são um em um tom médio de cinza e outro ocre, para não fugir da proposta, parecer com o resto da casa e não desagradar nossos hóspedes. Um mês depois todo mundo preso em uma pandemia.
Murilo comprou equipamento de informática. No dia seguinte, Joel comprou dezenas de quadros brancos, quase cem pincéis para quadro, laptop e câmeras para todos os professores, mais dívidas, eu não disse nada, Hélio brigou com ele, mas aí com uma semana veio a quarentena e ele estava certo.
Daniel resolve fechar a empresa de eventos, demitir quase todos, Laura pede para que ela se demita para não gerar custos, ele nega, era melhor ela devolver a multa, mas ficar com o seguro, ele paga tudo direitinho a outros dois funcionários que iam usar o dinheiro para entregar iFood, comprar uma moto; Rafa diz que não queria receber salário, mas ia ficar na empresa até quando desse, para não atrapalhar na aposentadoria e para caso fosse possível reativar a empresa, dois funcionários eram arrimo de família e eles iam ficar sendo mantidos até quando desse, já Samuel fez um circo, queria multa indenizatória, eu intervim, falei de umas colônias que tinha e eu faria questão de pagar a ele, era o dinheiro do meu senhorio, mas emergência é emergência. João o apoiou, não discutimos, Rafael depois de uma semana ligou para ele, conversaram sobre quando se conheceram, o que passaram juntos, Rafael chorou um bocado e disse que seguiria o amando muito, mas daquele dia pela frente iam por caminhos que não se cruzam mais, ele fez isso sem a gente saber, sem falar conosco, mas estava feito, Bosco ligou afobado demais, Joel explicou que foi uma ação precipitada de Rafa, ele estava muito decepcionado com Samuel, mas com o tempo tudo se organizar ia, Bosco diz que ele também estava decepcionado tanto com Samuel quanto com João. Aos poucos parece que João e Samuel foram se isolando aos poucos de minha turma, da turma de Rodrigo, e com Bosco falavam tanto quanto possível para manter contato com as sobrinhas, mas Sebastião sempre estava na oficina ou com dor de cabeça quando eles iam a sua casa.
Naquele período houve muita ruptura por questões políticas, ideológicas, ou porque o confinamento enlouquece. Meus tios estavam vivendo em dois quartos de hotel, “Se a gente sobreviver a isso, nem uma bomba atômica vai ferir a gente.”
Em julho a obra termina para nossa agonia, em julho a empresa de eventos fecha o registro, em julho os pais de Hélio se internam, em julho Daniel acaba ficando no hospital por sentir sintomas durante o plantão, ele acaba tendo de ficar internado também.
O pai de Hélio morre em uma semana, Daniel é liberado em três semanas e a mãe de Hélio morre em um mês. Nenhum de nós sofreu como ele, nunca, todas as dores ao mesmo tempo, sem poder sepultar os pais… mas ele deixou ser abraçado, a raiva dele mas sem encontrar um escape, um destino, ele encontrou esse destino alguém disse que ‘quem tem que morrer vai morrer’, o bondoso Hélio aprendeu a odiar e quando Samuel disse a mesma coisa em uma videochamada que João fez pra mim… Hélio desejou que ele sentisse o que ele sentiu todo o medo e impotência. Seu ódio agora tinha direção.
O tempo também trouxe outros hábitos, a leitura, o cuidado com esse novo lar, eu aprendi o básico do básico da cozinha, e aos poucos voltamos ao trabalho presencial, Daniel sempre esteve nele, mas depois do internamento passou três meses em casa, o trabalho de representação comercial de Murilo podia ser feito presencial, mas ele resolveu fazer isso online para não se expor e não nos contaminar. Hélio meu marido resolveram um esquema de três pessoas no prédio por dia, quase sem ‘esparrar’ uma pessoa com outra lá, Rafa era o único que não estava empregado, mantinha contato com todos os prestadores de serviço, ex funcionários (a essa época todos haviam sido demitidos) e com os clientes, mas recusava todas as ofertas de trabalho para promover encontros clandestinos.
As coisas foram melhorando pouco a pouco, fiz vinte e um, não houve Carnaval, o ano começou em fevereiro como todo ano. Com certeza, foi um ano bem melhor, o aniversário de Lygia caiu em um domingo e resolvemos usar a churrasqueira no sábado para comemorar (a comemoração dela era com as amigas), com receio todo mundo estava, as minhas sobrinhas não foram, mas Bosco passou e viu todo mundo, depois ele voltou e com seis metros de distância ele com uma e Tião com outra cumprimentaram todo mundo, depois foram embora, tocava pagode baixinho, Joel era puro romantismo, a todo instante me beijando, Laura estava grávida, Lygia agradeceu por essa recepção já que não pode haver formatura aberta e só o marido, Murilo e sua irmã mais nova a viram se formar, chorou emocionada, não ia trabalhar no mesmo hospital que Daniel, mas arrumou um posto de saúde e estava tentando uma vaga na residência de cardiologia. Foram embora no cair da tarde, eu colocava os pratos na máquina de lavar, meu marido disse que tinha uma surpresa esperando por mim no quarto, deixei a máquina trabalhando me lá fui eu tomar meu banho e receber minha pirocada de sábado.
Ao sair do banho vejo Rafa e Murilo se pegando na poltrona do meu quarto, meu marido entre os outros dois, todo mundo nu, eles também estavam se beijando, pegando no pau um dos outros, Hélio me pede: “Mateuzinho, eu queria que você mostrasse para Rafinha que uma dupla penetração no cuzinho não deixa ninguém arrombado permanentemente e que tu delira, e pra ajudar a ensinar Danzinho a comer em dupla sem machucar um veadinho delicado, por favor, Mateuzinho, pelos velhos tempos…”, “Amor, me beija e começa chupando nós três”, eu tinha força de lutar contra a minha vontade e resistir a Hélio, mas contra a vontade de meu marido… nunca.
Beijei, Hélio, depois Daniel, e por fim Joel, meu cu já piscava indecente, virei e fiz um meia nove para os três que disputavam com dedos língua um lugar dentro de meu rabinho, chupi Daniel e aquela coisa imensa de comprida, mas eu gosto mesmo é das picas irmãs o pau de Hélio e de Joel só diferem na cor e no sabor do esperma amargo, azedo, até nosso são deliciosos, mas naquele dia Daniel pediu para Murilo me orientar e eu consegui engolir até o final aquela coisa salgada, claro que com um mínimo de desconforto, mas engoli aquele pau escuro da cabeça roxa, chorei.
Na hora de sentar em meu marido ele diz que eu ia sentar em Helinho, “Vontadezinha de ser corno hoje”, Hélio e aquele corpo peludo, a barba de lenhador, aquele cabelo espetadinho de bom menino, sentei e cavalguei só um pouquinho naquela pica coberta de óleo (estava na fase do óleo e não do gel, veadagem que fica mudando), meu marido me comeu, puxando meu cabelo, Daniel ficou bombado rola na minha boca, os três m puxavam o cabelo, brincavam meu mamilo, davam nas minhas coxas, em minha bunda, na minha cara, de mãos no colchão e pernas arreganhadas Murilo era arrombado por Rafa, mas logo trocavam de lugar, um troca-troca interminável, ambos queriam me foder, me arrombar também Daniel “obrigava um deles a me beijar de vez em quando, mas mesmo Rafael e Murilo me cuspiam na boca antes de me beijar.
Meu marido vem substituir Daniel, e durante a troca Hélio me agarra e me beija, diz que nada mudou no amor que sentia por mim, eu sei, ele só tinha alguém a quem amamos ainda mais que a mim. Joel pega no pau de Dan e o conduzi para dentro de mim, delicadamente, ambos namorando, “Empurra devagar no rabo de meu marido veado”, ele queria me fazer gozar, queria que Daniel sentisse os espasmos que tenho no meu orgasmo gemidos, pode ser só uma coisa comum, mas aquele frenesi que sinto no cu quando beijá-lo, quando quero que ele entre inteiro e passe a viver dentro de meu cu, que ele entre de corpo e alma em mim, que me engravide… “Pau grande faz você gozar ligeiro, né, putinho!”, ele me beija, não sei o que aconteceu, como ele passou a alternar a comida de rabo entre Murilo e Rafael enquanto me via dando para dois, Joel fez a mim e a ele de corais aquela noite, eu estava molhado de suor, exausto, quanto tempo se passou?
Esperei que os meus dois comedores gozassem, gozei mais uma vez junto com Rafael e Hélio, depois foram os outros três. Naquela noite eu não consegui tomar meu banho. Dormi sujo e gozado sobre um Hélio carinhoso, que me acordou para montar em minhas costas e comer meu cuzinho novamente, e dormir sujo sobre lençois suados, passamos a alternar de machos no sábado, hábito adquirido naquela noite, mas assim que o dia amanheceu fui buscar meu marido entre as pernas de Murilo, tudo uma delícia, mas Joel é só meu.