A corrupção 19 - O poder de Eduarda

Um conto erótico de J.M.Calvino
Categoria: Grupal
Contém 6255 palavras
Data: 21/01/2026 13:24:03

O inferno, descobriu Eduarda, não era uma sala subterrânea cheia de velas e fluidos, nem uma igreja às avessas. Inferno era acordar cedo e ter que fingir que ainda existia mundo fora daquele portal escancarado. Após mais uma semana fora, vendendo suas bimbos para o mercado internacional. Eduarda voltou às aulas na segunda-feira, a mochila ainda manchada pelo cheiro de cigarro e vinho barato, o uniforme apertado nos quadris de um modo que certamente teria desagradado o pastor da paróquia. O corredor da faculdade cheirava a mistura de desinfetante e menstruação, com pitadas de hormônio e suor de nervosismo. Nada ali parecia diferente do que era antes— exceto ela mesma.

O rosto de Eduarda, agora mais magro e com olheiras azuis, circulava os olhos dos outros como se caçasse. Os colegas a cumprimentavam sem perceber que ela, por dentro, só pensava em como todos ali eram gado: as meninas penteadas, as professoras de voz aguda, os meninos fazendo questão de não olhar para as calcinhas alheias quando se abaixavam. Era tudo tão previsível que ela quase riu alto ao ver o quadro-negro com o clichê da data e o tema do dia: Revoluções do Século XX.

Mariane estava encostada no corrimão do pátio, fingindo fumar um cigarro de filtro amarelo. O cabelo platinado jogado para trás, o uniforme customizado ao limite do decoro: saia cortada, camisa ajustada nos peitos de silicone. Um piercing falso no septo, só para provocar. Quando Eduarda se aproximou, ela largou o cigarro (na verdade, um palito de pirulito) e arregalou o sorriso de quem já planejava o pecado das próximas horas.

— E aí, cadela, ressuscitou do cativeiro? — perguntou Mariane, jogando a mochila no chão.

— Tive que passar no batismo de fogo, né — respondeu Eduarda, sentindo a vontade de agarrar a amiga pelos cabelos e beijá-la ali mesmo, na frente dos nerds do grêmio. — Meu pai surtou, achou minhas tatuagens novas. Quase me internou.

Mariane arqueou a sobrancelha, os olhos brilhando de admiração e ciúme. — Quero ver — decretou, puxando Eduarda para trás do bloco de laboratórios, onde as câmeras não pegavam.

Ali, entre o cheiro de cola e urina do beco, Eduarda arregaçou a manga do casaco, mostrando o dragão azul que subia até o ombro e as flores negras ao redor do pulso. Mariane passou o dedo na pele, quase hipnotizada, depois mordeu o lábio e sussurrou:

— Caralho, ficou muito puta essa arte. Queria ser corajosa assim.

— Vai lá no Blade, ele tatua de graça se você deixar ele comer seu cu — rebateu Eduarda, testando o efeito das palavras. Mariane arregalou os olhos, surpresa, depois gargalhou com gosto:

— Porra, Du, tá mais hardcore que eu! Que que aconteceu nesse seu castigo, hein? Ficou maluca?

Eduarda só sorriu, mas o sorriso não era mais de menina. Era de alguém que sabia o que era dor, desejo, dominação. De quem tinha sido aberta, fodida, invadida por monstros — literalmente.

— Vai me contar ou vai ficar só se achando? — insistiu Mariane, puxando um cigarro de verdade da meia.

— Tem coisa que nem você ia acreditar — respondeu Eduarda. E era verdade.

Mariane acendeu o cigarro, tragou fundo, e então passou para Eduarda, que aceitou mesmo sem ter costume. O primeiro trago queimou a garganta, mas trouxe um calor gostoso, um peso de corpo que lembrava os braços do demônio. Por um instante, sentiu vontade de relatar tudo: a noite no altar, o sangue, a surra de pau, o gozo lambendo a espinha. Mas algo dentro dela — um resquício de orgulho ou pura possessividade —m andou calar.

Elas ficaram encostadas no muro, fingindo que só estavam matando aula, mas Eduarda sentiu a eletricidade da mão de Mariane roçando na sua. O toque era mais direto agora, sem hesitação, como se ambas soubessem que, dali pra frente, tudo era permitido.

— Meu ex me mandou mensagem ontem, acredita? — comentou Mariane, fazendo beicinho de desdém. — Quer transar de novo, mas só se eu prometer que não vou filmar.

— Pff, ridículo. Tem que filmar mesmo, mandar pra mãe dele — rebateu Eduarda, sorrindo torto. — Se duvidar, chama ele e mais dois. Faz aquela fila básica, sabe como é.

Mariane abriu a boca, surpresa, depois riu baixo.

— Tá falando sério? — perguntou, o tom carregado de tentação.

— Sério. Se tu quiser, a gente marca. Mas eu quero escolher pelo menos um deles. Só pra garantir que não é tudo mico.

Mariane pensou, tragou mais uma vez, depois jogou a bituca no chão e pisou forte. — Tu ficou diferente. Não que seja ruim, só… mais dark, sei lá. Gostei.

— Tô só sendo eu mesma — respondeu Eduarda, sentindo a mentira arder na língua. Sabia que não era mais ela mesma, e talvez nunca mais fosse.

A sirene tocou. As duas se levantaram, ajustando as roupas. No caminho para a sala, Mariane segurou a mão de Eduarda, como quem pede segredo eterno.

Na sala de aula, ninguém percebeu a troca de olhares. Só a professora de história, que torceu o nariz ao ver as duas entrando de mãos dadas.

O resto do dia se arrastou. Eduarda desenhou pentagramas no caderno, rabiscou frases obscenas na borda da carteira. Tudo ao redor parecia sonho—menos o desejo. Esse era real, insuportavelmente presente.

No intervalo, as duas foram ao banheiro. Mariane sentou na pia, abriu as pernas em “v”, mostrando a calcinha fio dental preta.

— Olha, comprei só pra você — disse, rindo. — Vai encarar, santinha?

Eduarda se ajoelhou, puxou a calcinha de lado e passou a língua na buceta da amiga, sentindo o gosto familiar de sexo e cigarro. Mariane segurou a cabeça dela com força, gemendo baixo:

— Ai, que delícia, Du. Se tu chupar assim no rolê hoje à noite, te pago uma tattoo nova.

— Não precisa pagar, só me chama — respondeu Eduarda, levantando a cabeça com a boca suja de gozo.

Elas se beijaram, rindo, como se nada pudesse abalar aquela rotina depravada.

No espelho do banheiro, Eduarda viu o próprio reflexo — olhos fundos, sorriso de puta, a marca do dragão no braço. E atrás dela, por uma fração de segundo, a sombra do demônio, olhando e aprovando. Quase sentiu o cheiro de enxofre e sangue de novo.

Deu risada, balançando a cabeça. Mariane perguntou o que era, mas ela só respondeu:

— Nada. Tô só pensando em tatuar meu nome na tua bunda.

As duas riram, mas dentro de Eduarda a voz do demônio murmurava promessas de uma noite ainda mais insana.

A aula terminou, e elas saíram abraçadas, indo em direção ao próximo pecado. Ninguém no mundo sabia o que elas já tinham vivido. E, se dependesse de Eduarda, ninguém jamais saberia.

Mas o segredo dela era só dela — e do demônio, que nunca deixava de assistir.

***

A nova carta veio sem selo nem remetente: um envelope de papel negro, escrito a mão com letra inclinada e cheia de floreios. Dentro, apenas duas frases: “Nova Lua. Venha pronta. Traga apenas sua fome.” E um endereço, no alto das colinas, onde os portões de ferro escondiam mansões de gente que não gostava de ser vista.

Eduarda ficou um minuto encarando o papel, sentindo o peso de cada letra. Não tinha dúvida de que era obra do culto—ou de Malphas. O nome dela não aparecia, mas nem precisava.

Na noite marcada, ela inventou para os pais que ia dormir na casa de Mariane, combinando um código para mensagens de emergência. Arrumou-se com uma calma elétrica, como se cada peça de roupa fosse parte de um ritual secreto. O vestido era transparente como fumaça, comprado na seção de fetiches de uma sex shop do centro. Não usou calcinha. Os peitos, decorados com os piercings recém-cicatrizados, estavam cobertos apenas por um desenho de rendas. Por cima, um sobretudo masculino que pertencia ao avô e cheirava a tabaco velho.

A máscara era de renda preta, tipo veneziana, mas só cobria os olhos e parte das maçãs do rosto. O efeito era mais provocativo do que disfarce: o azul dos olhos parecia brilhar ainda mais, e o cabelo dourado, solto e rebelde, dava a ela uma aparência de bruxa ou ninfeta de filme europeu.

Pegou um carro de aplicativo e chegou na mansão do endereço pouco antes da meia-noite. O motorista olhou para ela pelo retrovisor e tentou um comentário, mas engoliu ao ver os olhos dela.

A mansão era um prédio antigo, restaurado no estilo gótico, com esculturas de gárgulas, vitrais coloridos e uma fonte central que cuspia vinho tinto no lugar da água. O portão estava entreaberto, mas ninguém à vista. O jardim exalava cheiro de lavanda e terra molhada, misturado ao zumbido abafado de música eletrônica vindo do interior.

Uma mulher de vestido prata aguardava na porta, usando máscara dourada que cobria metade do rosto. Não disse nada, só fez um gesto para que Eduarda entrasse.

O saguão estava decorado como se fosse Halloween para adultos: veludos, plumas, tapeçarias antigas e castiçais com velas roxas. As paredes eram forradas com quadros de corpos nus e cenas de bacanal. Havia pessoas por todo canto—homens e mulheres mascarados, alguns em trajes de gala, outros só de cueca ou lingerie. O cheiro de perfume caro, álcool e algum tipo de incenso picante flutuava no ar.

Eduarda percebeu de cara: ali, ninguém era “normal”. Os olhares de soslaio a seguiram, medindo o comprimento das pernas, a ousadia do vestido, as tatuagens que subiam do tornozelo à virilha. Não sentiu medo; sentiu orgulho.

Na sala principal, um grupo de pessoas em torno de uma mesa jogava pôquer usando fichas de cristal. Um casal se beijava num sofá de couro branco, as mãos enfiadas por dentro das roupas um do outro. No alto da escada, um homem de manto bordado discursava para meia dúzia de ouvintes atentos. Todos pararam quando Eduarda entrou.

Ela tirou o sobretudo devagar, como quem faz strip-tease para um tribunal. O vestido transparente reluzia à luz das velas, cada linha do corpo desenhada com precisão. Os piercings nos mamilos brilhavam como jóias. O dragão tatuado parecia se mexer quando ela respirava. Saltos plataforma negros com altissimos salto agulha torneavam suas coxas cheias de tatuagens.

Alguém bateu palmas. Outras pessoas riram, ou assobiaram baixinho. Eduarda sentiu o sangue correr para o rosto, mas não recuou.

Uma voz conhecida soou atrás dela, quente como brasa.

— Sempre soube que você era feita para isso.

Ela virou e encontrou Malphas, vestido de smoking azul noite, máscara preta de olhos de gato. Ele a pegou pelo cotovelo, firme e gentil ao mesmo tempo.

— Hoje é noite de celebração — disse, baixinho, enquanto a guiava até o centro da sala. — Nosso anfitrião faz questão de te conhecer.

O anfitrião era um homem velho, pele cor de cera e cabelos brancos escorrendo até o ombro. Ele usava um robe chinês e uma bengala de marfim. O sorriso era de quem já viu e fez todo tipo de perversão.

— Malphas me falou muito de você, menina — disse, sem tirar os olhos do corpo dela. — Gosta de provocar?

— Gosto de ser provocada — respondeu Eduarda, sem gaguejar.

O velho riu, um riso grave e elegante.

— Aqui, todos provocamos. Todos somos provocados. E todos somos testados.

Ele pegou uma máscara dourada da mesa e entregou a Eduarda.

— Hoje, você será a estrela do nosso baile. Esta máscara é sua coroa.

Ela colocou, o cetim apertando levemente atrás da cabeça. O olhar de Malphas era de aprovação.

— Siga os instintos — sussurrou ele, rente ao ouvido dela. — Hoje, ninguém manda em você. Nem mesmo eu.

As portas do salão se abriram, e todos os convidados foram entrando, formando uma espiral ao redor do centro. O DJ aumentou o volume da música, e as luzes coloridas começaram a piscar ritmadas, como batidas de coração.

Eduarda sentiu a energia subir, um formigamento que começava nos pés e explodia entre as pernas. No meio daquela multidão de desconhecidos, era a criatura mais desejada, a mais exposta, a mais pronta para ser corrompida.

Deixou o sobretudo cair no chão, e entrou no salão, os olhos azuis brilhando por trás da máscara dourada. De algum lugar, o demônio riu—mas não era uma ameaça. Era só a confirmação de que, dali pra frente, ela podia tudo.

O salão já estava fervendo quando Eduarda entrou de verdade, os olhos recebendo flashes de corpos, luz estroboscópica e bandejas circulando cheias de taças e frascos sem rótulo. Malphas guiou-a pelo cotovelo, levando direto para o altar da perdição: uma mesa de mármore decorada com fatias de frutas, docinhos de chocolate preto, garrafas de vidro azul e alguns potes translúcidos com pó branco e cristais que ninguém se dava ao trabalho de esconder.

— Vinho? Vodka? — perguntou Malphas, mas ele mesmo já servia o cálice dela, derramando o líquido vermelho quase até a borda. — Ou prefere começar com algo mais… intenso?

Eduarda sorriu, pegou o cálice e deu um gole, o álcool queimando gostoso. — Surpreende, por favor — respondeu, largando o casaco no encosto de uma cadeira e deixando o vestido transparente brilhar sob as luzes. Ao redor, grupos de homens e mulheres — todos mascarados, todos lascivos — cochichavam, olhavam, apontavam. Ela sentiu o calor crescer no ventre.

Uma mulher negra, muito alta e de cabelos raspados, se aproximou com uma bandeja de cupcakes. Os seios, à mostra, reluziam de suor. — Isso aqui tem MD — murmurou no ouvido de Eduarda, oferecendo um doce coberto de granulado dourado. — Melhora o gosto do vinho. Pode confiar.

Ela aceitou, mordeu metade de uma vez e sentiu a doçura se dissolver na boca, espalhando um calor quase instantâneo pela pele. Malphas riu baixinho, um riso animalesco. — Agora sim você vai ver tudo o que merece.

O anfitrião da noite, o velho industrial, aguardava na escadaria. O nome dele era Oliver — Oliver Fritz, o rei do concreto e do escândalo financeiro — mas ali todos o chamavam de “Sir”. Ele vestia um robe chinês com dragões bordados e, por baixo, pijama de seda vinho. O cabelo era branco, penteado para trás como um vilão de desenho animado. O rosto, enrugado mas limpo, tinha um sorriso permanente de gato que comeu o canário.

— Bem-vinda ao nosso clube secreto — disse ele, segurando a mão de Eduarda e beijando-a de leve. O hálito de uísque e hortelã era tão forte que pareceu perfume. — Malphas me falou de sua… disposição.

— E ele exagerou ou subestimou? — provocou Eduarda, sem soltar a mão do velho.

Oliver Fritz a encarou de cima a baixo, olhos cinzentos brilhando atrás da máscara prateada. — Já vi muita debutante. Mas nunca uma tão… dona de si. — E puxou-a, com suavidade, para o fundo do salão.

Ali, atrás de cortinas pesadas, havia um segundo ambiente: menos luzes, mais sofás, e uma mesa baixa cheia de objetos de couro, vidros, algemas e dildos de tamanhos obscenos. O cheiro era mais forte aqui — almíscar, perfume barato, suor de festa velha.

Malphas sentou-se numa poltrona, as pernas abertas e o pau já duro sob o tecido. Oliver não perdeu tempo: levantou o vestido de Eduarda, agarrou-a pela cintura e a sentou de lado no próprio colo, como quem exibe um troféu novo. As mãos dele eram frias, mas firmes — e souberam imediatamente onde apertar.

— Vamos testar a fama da estrela — anunciou ele, alto o suficiente para todos ouvirem.

A primeira rodada foi simples: Malphas pegou uma tira de couro, enrolou-a no pescoço de Eduarda e puxou de leve, inclinando a cabeça dela para trás. Oliver lambeu o pescoço exposto, depois abocanhou o mamilo direito, apertando o piercing com os dentes até fazer arder. Eduarda gemeu alto, sentindo a dor se transformar em calor, o MD circulando nas veias como gasolina.

Alguém — talvez a mulher dos cupcakes — apareceu com uma taça de absinto, despejando o líquido verde na boca de Eduarda e deixando escorrer pelo queixo, até manchar o peito. Oliver lambeu tudo, lento, esfregando o pau duro contra a bunda dela por cima do pijama. Malphas, atrás, puxava o couro do pescoço cada vez mais forte, até Eduarda sentir o mundo girar.

A segunda rodada começou quando Oliver abriu o pijama e puxou o pau para fora, uma rola monstruosa, veias azuladas por baixo da pele branca. Com a outra mão, empurrou a cabeça de Eduarda até que ela encostasse o rosto na glande, lambendo devagar, como se estivesse saboreando um sorvete. O gosto era forte, um misto de urina, álcool e perfume importado.

Malphas, por trás, abriu o zíper da própria calça e encostou o pau no cu de Eduarda, girando devagar, testando o limite. A cabeça latejava com vontade, e ela soube que, naquele estado, aguentaria qualquer coisa. Sentiu a glande forçando a entrada, depois mais, até invadir e alargar tudo de uma vez. A dor foi choque elétrico, mas no mesmo instante veio um prazer selvagem, um gozo antecipado que se espalhou dos mamilos ao útero.

— Que puta linda — rosnou Malphas, metendo devagar, cada vez mais fundo.

Oliver puxou a cabeça dela para baixo, encaixando o pau inteiro na boca. O velho era metódico: mexia a cintura em círculos, como se dançasse, enquanto empurrava e recuava, batendo a ponta no fundo da garganta. Eduarda tentou engasgar, mas a droga não deixava. Os dois gemiam alto, sem medo de quem estava ouvindo.

— De quatro, agora — ordenou Oliver, levantando Eduarda como se não pesasse nada. Ela se apoiou no sofá, o vestido transparente subindo até as costas, o cu arreganhado e vermelho do pau de Malphas.

Oliver entrou por baixo, encaixando a rola na buceta já ensopada. Os dois meteram juntos: Malphas no cu, Oliver na buceta. O ritmo era coordenado, quase técnico — e cada estocada deixava Eduarda mais molhada, mais entregue.

Outras pessoas se aproximaram para assistir: algumas riam, outras se masturbavam abertamente. Alguém trouxe um celular e começou a filmar, sem disfarçar. Eduarda adorou o fato de ser filmada, exposta, reduzida a objeto.

Depois de alguns minutos, Malphas saiu de dentro, segurou Eduarda pelo cabelo e virou o rosto dela em direção ao pau de Oliver, agora brilhando de leite grosso e viscoso. Ele a forçou a chupar tudo, lambendo até a última gota. O velho gemeu alto, batendo o pau no rosto dela, sujando a boca, a bochecha, os olhos.

— Minha vez — disse Malphas, enfiando a rola direto na boca ainda suja de sêmen. Ele gozou quase de imediato, disparando um jato tão forte que subiu até o nariz. Eduarda engoliu o máximo que pôde, o resto escorreu pelo queixo e pingou no tapete.

— Arrota pra mim — pediu Oliver, e ela arrotou, o cheiro de esperma misturado com absinto invadindo o ar.

O velho riu, bateu palmas. Malphas a puxou para um beijo, misturando o gozo dos dois na boca dela. Em seguida, jogou Eduarda de lado no sofá, como quem joga um brinquedo usado.

***

A próxima parte foi bizarra até para os padrões dali: alguém trouxe um jovem, deveria ter acabado de fazer 18 anos, olhos verdes e cabelo cacheado, a máscara mal escondendo o terror no rosto.

— É o neto do Oliver — sussurrou Malphas no ouvido dela. — Trazido para aprender com a melhor.

— Virgem? — perguntou Eduarda, limpando o sêmen do nariz com as costas da mão.

— Virgem de tudo — confirmou Malphas, sorrindo.

O garoto tremia. Eduarda o encarou, sentiu um tesão imediato: queria abrir, marcar, transformar aquele rapaz em lixo como ela.

Sentou o ele na ponta do sofá, tirou a máscara dele e passou os dedos nos cabelos. O jovem fungou, com medo, mas o pau estava duro como pedra. Eduarda lambeu o pau dele de baixo a cima, devagar, olhando nos olhos. Ele gemeu alto, quase chorando. Ela montou nele, a buceta engolindo cada centímetro, e o rapaz quase desmaiou.

Malphas segurava as pernas do jovem, Oliver filmava com o celular, os outros batiam punheta olhando. Eduarda rebolou com força, gemendo alto, xingando o menino de puto, de otário, de filho da puta. Ele gozou rápido, menos de um minuto, o leite subindo e saindo em jatos dentro dela.

— Fraquinho — provocou, batendo no rosto do garoto, que agora ria e chorava ao mesmo tempo.

Ela ficou ali mais um tempo, sentada no colo dele, sentindo a gozada escorrendo pelas coxas, ouvindo os aplausos da sala. Malphas veio por trás, encaixando o pau de novo no cu dela, e os dois treparam assim, usando o neto de Oliver como pivô, até Eduarda gozar em espasmos violentos, o corpo inteiro tremendo.

A última cena foi ela ajoelhada, com o rosto dos três — Malphas, Oliver, e o neto — se alternando em sua boca, cada um batendo o pau na cara dela, gozando, sujando, rindo. Ela engolia tudo, lambia os beiços, pedia mais.

Quando acabou, Eduarda levantou e andou nua pelo salão, pingando gozo e sangue, os olhos brilhando como safira molhada.

— Parabéns — disse Oliver, servindo mais vinho. — Agora você é só nossa.

— Não, Sir — respondeu Eduarda, limpando a boca com as costas da mão. — Agora eu sou de ninguém.

E riu, alto, até fazer eco nas paredes da mansão.

***

O tempo dentro daquela mansão era feito de repetições: carne, suor, pele, gozo, mais carne, mais suor. O cheiro do sexo estava entranhado nos estofados, nas cortinas, nas máscaras. Eduarda não sentia mais o próprio corpo—sentia o ambiente inteiro pulsando como um segundo coração.

Alguém puxou-a pelo pulso: era a menina de cabelos verdes, sardas e um olhar vidrado. Devia ter uns vinte anos, nem isso, e se apresentou como Fê. Na cola dela, veio um cara de terno slim azul royal, cabelo raspado, óculos de armação grossa.

— Meu pai — disse Fê, apontando com orgulho. — E aí, quer brincar com a gente?

Eduarda nem hesitou. Seguiu os dois até um quarto menor, onde as paredes eram cobertas de quadros pop-art: Marilyn Monroe lambendo sorvete, essas coisas. No centro, uma cama de casal forrada com lençol de cetim preto.

— Querem começar ou posso ir na frente? — perguntou Eduarda, já tirando a máscara.

O pai riu, sentou-se na beirada da cama. Fê pulou no colo dele, beijando-o na boca, língua, mordida, tudo sem nenhum pudor. O cara retribuiu, mão deslizando pelas coxas da filha até enfiar os dedos por baixo da saia xadrez. Eduarda só assistiu, admirando a química doentia: ali não havia fingimento.

— Você não gosta disso, né? — provocou Fê, olhando para Eduarda com olhos de gata.

— Eu gosto de tudo — respondeu Eduarda, sentindo o tesão subir só de assistir.

Fê saiu do colo do pai, caminhou até Eduarda e a beijou de surpresa. A boca era doce, o beijo agressivo, e logo a mão da menina estava dentro do vestido transparente, puxando os mamilos de Eduarda com violência. O pai levantou, tirou o blazer e ficou só de camisa social aberta, o peito peludo reluzindo de suor.

O cara chegou por trás, segurou as duas pelos ombros e empurrou para a cama. Deitaram juntas, Fê por cima, esfregando buceta na coxa de Eduarda enquanto mordia o pescoço dela. O pai abriu a calça, tirou o pau e começou a bater olhando para as duas.

— Gozar junto ou separado? — perguntou, voz de publicitário.

— Junto — respondeu Fê, com uma risada aguda. — Sempre junto.

O cara deitou do outro lado da cama, forçou a cabeça de Eduarda em direção ao pau dele. Ela sentiu o cheiro de perfume caro e suor, depois o gosto forte na boca. Fê enfiou dois dedos na buceta de Eduarda, depois puxou a mão e enfiou na própria boca, lambendo os fluidos.

A cena era insana: o pai metendo na boca de Eduarda, a filha chupando e mordendo o pescoço dela, depois alternando para engolir o pau do próprio pai, enquanto Eduarda chupava os mamilos de Fê e a mão dela ia e voltava de uma buceta para outra. O quarto virou uma máquina de som: gemido, tapa, risada, choro de tesão.

Quando o cara ia gozar, Fê tirou o pau da boca e esfregou a glande na língua de Eduarda, fazendo o esperma escorrer até o queixo e cair nos peitos dela. Ele gozou alto, batendo o pau no rosto de ambas, e Fê limpou o resto com a mão, lambendo e cuspindo para dentro da boca de Eduarda, que retribuiu o gesto, engolindo e puxando Fê para mais um beijo.

O trio caiu esparramado na cama, arfando como cachorros depois da chuva.

— Que foda — sussurrou Fê, abraçando Eduarda por trás. — Melhor do que MD.

O pai só acenou com a cabeça, olhos semi-abertos, sorriso de quem acabou de ganhar na loteria.

****

Eduarda vestiu o vestido de novo e saiu do quarto ainda sentindo o gosto do sêmen na garganta. Nem teve tempo de respirar: uma mulher mais velha, cerca de cinquenta, pele muito bronzeada, vestido vermelho-tomate colado no corpo cirurgicamente moldado, encostou Eduarda na parede do corredor.

— Já te conheço — disse a mulher, os olhos puxados de botox. — Sou fã do seu trabalho.

— Que trabalho? — perguntou Eduarda, sem conseguir evitar a risada.

— Isso aí que você faz. Toma aqui meu cartão — disse a mulher, entregando um cartão dourado, com letras pretas: “Marina Marques, assessora parlamentar”.

A mulher beijou Eduarda na boca, invadindo com a língua, os dedos puxando o cabelo dela como se domassem um cavalo. Depois, girou-a contra a parede e enfiou a mão entre as pernas, direto, sem cerimônia.

— Você tá toda suja de porra — comentou, lambendo a bochecha de Eduarda. — Adoro. Assim que é mulher de verdade.

Marina puxou Eduarda para dentro do lavabo, uma cabine minúscula com espelho grande. Empurrou Eduarda contra a pia, ergueu o vestido transparente e começou a lamber o cu dela, primeiro devagar, depois enfiando dois dedos junto. O prazer veio rápido, meio anestesiado, meio brutal. Eduarda segurou a pia, olhou o reflexo: ela, de boca aberta, a maquiagem borrada, a mulher mais velha lambendo com fome.

— Fala que você é minha — pediu Marina, a voz rouca.

— Eu sou tua puta, Marina — respondeu Eduarda, já explodindo em gozo, o corpo sacudindo de prazer.

Marina penetrou a buceta de Eduarda com os três dedos, socando cada vez mais rápido, depois enfiou a mão inteira, punho fechado, e Eduarda gritou tão alto que deve ter sido ouvida no salão inteiro. O espelho embaçou, a pia quase rachou. Quando acabou, Marina lambeu o gozo da mão e esfregou o resto nos lábios.

— Se quiser virar assessora, me procura — disse a mulher, ajeitando o vestido e saindo sem olhar para trás.

Eduarda ficou mais alguns segundos encarando o reflexo, tentando reconhecer quem era aquela versão de si mesma. Sorriu, limpou o rosto com uma camisa cara que estava jogada no chão e voltou para o salão.

Desta vez, foi puxada para o centro da pista de dança, onde o DJ agora tocava techno alemão e as luzes giravam em padrões hipnóticos. No meio da pista, um cara de sunga azul e suspensório levantava mulheres como se fossem bonecas. Ele era grande, pele dourada de academia e óleo de coco, tatuagem tribal no braço inteiro. O nome dele, diziam, era André: personal trainer das estrelas, mais famoso no Instagram do que muito político.

— Bora treinar, princesa? — perguntou ele, segurando Eduarda no colo com uma mão só.

— Quero ver se tu aguenta — desafiou ela, mordendo o ombro dele.

André levou-a até um dos sofás, deitou Eduarda de bruços e enfiou a cabeça dela no meio das almofadas. Sem tirar a sunga, baixou só o suficiente para liberar o pau, grosso e bronzeado como o resto do corpo. Enfiou de uma vez na buceta, sem aviso, o peso do corpo dele esmagando Eduarda contra o sofá.

Ela gritou, mas o som foi abafado pelas almofadas. André socava com ritmo de relógio, cada estocada entrando mais fundo. Ele puxava o cabelo dela, batia na bunda, e de vez em quando mordia a coxa ou as costas, deixando marcas vermelhas que queimavam depois.

— Tá gostoso? — perguntou ele, com voz de comercial de suplemento.

— Goza logo, porra — respondeu Eduarda, sentindo o pau dele crescer ainda mais.

Ele gozou gritando, como se comemorasse um recorde mundial. Depois virou Eduarda de barriga pra cima e bateu punheta até gozar de novo, jorrando leite na boca e no queixo dela.

— Tu é forte — elogiou, dando tapinha no rosto dela.

— E você é burro — respondeu Eduarda, cuspindo o resto de sêmen na camisa de André.

As pessoas ao redor riam, tiravam fotos, gritavam incentivos. A festa tinha virado uma feira livre de pornografia. Não havia mais vergonha, só a necessidade de ir além.

Eduarda levantou, sentiu as pernas bambas, mas continuou andando, procurando o próximo desafio. Alguém colocou um copo de catuaba na mão dela, outro ofereceu pó branco em uma tampa de caneta.

— Vai, aproveita — disse uma voz familiar.

Era Malphas, encostado na pilastra, assistindo tudo como se fosse espetáculo particular. Ele acenou, chamando Eduarda para o fundo do corredor.

Lá, no espelho, o demônio olhava de volta, os olhos brilhando. Eduarda sorriu para o reflexo, passou a mão no cabelo desgrenhado e mandou um beijo para a própria imagem.

Do outro lado, o demônio piscou.

Eduarda entendeu: não tinha volta mesmo.

****

Eduarda já tinha perdido as contas de quantos corpos tinha sentido, mas foi impossível não reconhecer o cheiro familiar de Mariane: mistura de shampoo de menta, cigarro mentolado e vontade de bagunçar tudo ao redor. Quando cruzou o salão, ainda meio tonta, Eduarda deu de cara com a amiga sentada no colo de uma mulher trans, as duas rindo e fumando um cigarro eletrônico com gosto de uva.

— Olha quem resolveu sair do armário — provocou Mariane, piscando para Eduarda por cima da fumaça roxa.

Eduarda sentiu o sangue gelar por um segundo. Mariane vestia só uma camisola de renda preta, o mamilo perfurado brilhando como um farol. As coxas estavam marcadas de mordida e arranhão. O olhar de Mariane, porém, era ainda mais afiado que a língua.

— Nem me fala, achei que ia te encontrar só de manhã — respondeu Eduarda, sentando ao lado, os joelhos encostando de propósito nos da amiga.

Mariane sorriu, jogou o cigarro no copo de cerveja. — Pra certas festas, eu faço plantão.

— Você tá diferente — comentou Mariane, a voz menos debochada, quase respeitosa. — Tipo… possuída, sei lá.

— Acho que é o vinho — respondeu Eduarda, mas ambas sabiam que não era só isso.

Ficaram em silêncio por alguns segundos, só olhando as pessoas transando, bebendo, se drogando pelo salão. O silêncio pesou, até que Mariane falou:

— Sabe quem é aquele cara? O Malphas?

— Sei — respondeu Eduarda, olhando para o fundo da sala, onde o velho mestre comandava uma roda de risos e gemidos.

— Ele é meu avô. — Mariane soltou a frase e ficou esperando a reação de Eduarda.

Por um instante, tudo parou. Eduarda encarou a amiga, tentando decifrar se era piada. Não era. Mariane nunca brincava com essas coisas.

— Sério? — perguntou Eduarda, quase rindo.

— Sério. Quer piorar? — Mariane se inclinou, sussurrando: — Ele comeu minha mãe. E, tipo, eu também. Não ao mesmo tempo, mas, né… assim eu surgi, o corninho do meu pai nem desconfia — ela fez um gesto de quem aceita qualquer loucura.

Eduarda soltou o riso que estava preso na garganta.

— Isso é tão bizarro que faz sentido — disse, passando a mão nas coxas da amiga, por baixo da camisola.

— Vê se aprende: aqui ninguém é normal. E, se for, não presta.

Elas se beijaram, primeiro devagar, depois com pressa. O gosto de uva, cerveja e perfume doce misturou-se com o suor das duas. Mariane apertou a bunda de Eduarda, puxou-a para cima, sentando-a no colo com as pernas abertas.

— Eu vi o que tu fez com o personal — sussurrou Mariane, mordendo o lóbulo da orelha de Eduarda. — Vai querer me arrombar também, vadia?

— Eu quero é te lamber inteira — respondeu Eduarda, deslizando a mão para dentro da calcinha da amiga.

A camisola subiu até a cintura, e Eduarda afundou o rosto na buceta de Mariane, lambendo e sugando como se fosse única fonte de água num deserto de pecado. Mariane gemia, segurando o cabelo da amiga, puxando com força, rebolando contra a língua de Eduarda. O salão ao redor virou plateia, mas ninguém pareceu se importar — ali, ninguém precisava pedir desculpa por nada.

— Isso, chupa minha buceta na frente de todo mundo — incentivou Mariane, rindo alto.

Quando a gozada veio, Mariane quase gritou, empurrando a cabeça de Eduarda ainda mais fundo, as coxas tremendo. Eduarda lambeu cada gota, depois levantou o rosto e beijou a amiga de novo, compartilhando o gosto.

Ficaram abraçadas um tempo, suadas, ofegantes. Malphas passou por elas, fez um brinde silencioso com a taça, e seguiu. Mariane sorriu para ele, meio filha, meio amante, meio fã.

— Você é foda — disse Mariane, olhando Eduarda nos olhos. — Literalmente.

— Tu também — respondeu Eduarda, abraçando mais forte.

Ali, entre o cheiro de sexo, cigarro e risadas, Eduarda percebeu: nunca mais seria da igreja, nunca mais seria do pai, nem da mãe, nem de ninguém. Agora, era de Mariane, do demônio, e — acima de tudo — de si mesma.

— Amanhã a gente faz tudo de novo — prometeu Mariane.

— Não, amanhã eu quero é superar — respondeu Eduarda, com um sorriso de ameaça.

As duas caíram na risada, já sabendo que, naquele mundo, não existia limite que não pudesse ser ultrapassado.

***

A festa tinha virado uma ressaca coletiva, mas Eduarda, Mariane e Malphas ainda pareciam mais acordados do que nunca. Recolheram-se a um cômodo privado, no andar de cima: cortinas grossas, sofá-cama king size e prateleiras cheias de livros antigos e bugigangas fetichistas. Luz baixa, cheiro de couro e de velas queimando no canto.

Mariane se jogou no sofá, abriu as pernas e deixou a camisola de renda escorregar até os tornozelos. Malphas tirou o blazer e ficou só com a camisa social, os olhos fixos em Eduarda. Ela hesitou por um segundo, sentindo a expectativa dos dois, e então foi para o centro do cômodo, nua, os braços abertos em gesto de desafio.

— E aí, gostaram do show? — perguntou, a voz já rouca.

Malphas se aproximou primeiro, pegou Eduarda pelo queixo e a beijou, língua quente, mãos firmes nas costas dela. Mariane, atrás, mordeu de leve o ombro de Eduarda, depois o pescoço, descendo devagar até a bunda. Os dois a apertaram, como se quisessem fundi-la entre os corpos.

— Tu é diferente mesmo — disse Malphas, ofegante. — Não é só tesão. É, sei lá, fogo de verdade.

— Eu falei — rebateu Mariane, empurrando Malphas de lado e encostando Eduarda contra a estante. — Ela é de outro planeta.

— Não — corrigiu Eduarda, olhando para ambos. — Eu sou do inferno.

Os dois riram, mas a risada logo virou gemido: Mariane agachou, enfiou a cabeça entre as pernas de Eduarda, lambendo a buceta com pressa. Malphas segurou Eduarda de cima, beijando e mordendo os mamilos enquanto a outra a chupava por baixo.

— Sabe, eu… — Eduarda tentou falar, mas perdeu o ar.

— Pode falar, chupa, lambuza, goza, mas fala — incentivou Mariane, já enfiando dois dedos na amiga.

— Eu tenho um sonho recorrente — começou Eduarda, os olhos fechando de prazer. — NãoFoi… outra coisa. Eu vi um demônio.

Mariane parou, olhou para cima, os dedos ainda dentro de Eduarda.

— Como assim, demônio?

— Ele sai do espelho. No começo era tipo eu, só que todo vermelho, com pau e buceta juntos, me fodeu até eu quase apagar. Falava que eu era propriedade dele.

Malphas, em vez de rir, ficou sério. Os olhos dourados brilharam mais forte.

— E você gozou? — perguntou, com tom de quem faz exame médico.

— Eu nunca gozei tanto. Nem sabia que dava pra gozar chorando.

Mariane mordeu o lábio, os olhos arregalados de tesão. — Porra, eu sabia que tinha alguma coisa — disse, voltando a chupar a buceta de Eduarda, agora com ainda mais vontade. — Demônio ou não, o bagulho é bom demais.

Malphas virou Eduarda de costas, encaixando o pau entre as nádegas dela, esfregando devagar.

— Você quer mais? — perguntou ele.

— Eu quero ser dona disso tudo — respondeu Eduarda, encarando o próprio reflexo na janela.

Mariane subiu de volta, beijou Eduarda, língua cheia de gozo, e sussurrou:

— Tu já é.

O sexo recomeçou, dessa vez sem pressa: Malphas comendo o cu de Eduarda, Mariane revezando entre lamber a buceta dela e beijar o avô, as mãos das duas alternando entre puxar cabelo, apertar mamilos e segurar a cintura. A dinâmica era diferente — não só disputa, mas celebração. Quando Eduarda explodiu em orgasmo, sentiu que o demônio estava ali de novo, dentro da pele, batendo palmas.

— Eu sabia que você ia render — sussurrou Malphas, gozo escorrendo do pau ainda duro.

— Eu quero mais — pediu Eduarda, virando de frente e ajoelhando entre os dois. Segurou os paus de ambos, lambendo alternadamente, cuspindo, rindo, gemendo alto. Mariane batia palmas, incentivando, até Malphas gozar na boca de Eduarda e ela engolir tudo, lambendo o que restou dos dedos.

Mariane se deitou de lado, puxou Eduarda para si e mordeu o lábio dela até sair sangue. Os dois riram, depois se beijaram, e por alguns minutos ficaram ali, só ouvindo a respiração descompassada.

— Sabe que isso vai piorar, né? — disse Mariane, olhando Eduarda nos olhos.

— Que bom — respondeu Eduarda, já sentindo a fome crescer de novo.

Malphas vestiu a camisa, acendeu um cigarro, e ficou olhando para as duas, satisfeito.

— Sabe o que você tem? — perguntou ele.

Eduarda fez que não com a cabeça, sorrindo de orelha a orelha.

— Você tem o dom. O dom da putaria, da destruição, de corromper qualquer coisa, não precisa daquela droga que sei que Blackforge te deu. Se aprender a usar, pode dominar o mundo.

— Quero começar amanhã — rebateu Eduarda, pegando o cigarro da mão dele e dando uma tragada.

— Amanhã não — corrigiu Mariane, abraçando-a. — Hoje ainda tem muita noite pra gastar.

As três riram, depois fecharam os olhos, misturando gozo, suor e fumaça até não sobrar mais nada de sagrado naquele cômodo.

Ali, Eduarda era deusa e demônio ao mesmo tempo.

E não tinha plano de voltar pra terra tão cedo.

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Comentários

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Conforme disseram nessa orgia, a Eduarda parece de outro planeta (ou do inferno, ela respondeu). Malphas percebia que ela é muito diferente, que tem o dom de corromper tudo. Os parceiros que ela teve nessa noite enriqueceram bastante o teor erótico e literário desse capítulo. O garoto virgem. Um casal formado por pai e filha. A assessora parlamentar que fez um fisting com o punho fechado e vendo Eduarda circular por aquele lugar com o corpo todo lambuzado de pôrra, disse : "mulher de verdade é assim. " E eu concordo que uma mulher tão devassa está, em termos de sexualidade, acima de quase todas mulheres que existem no mundo. Ela falou sobre sua transa com um demônio em que ela teve um orgasmo chorando. E é intenso esse relacionamento que ela tem com a Mariane, a ponto de dizer que ela é do inferno e de Mariane. Eu acho fascinante que apesar de participar dessas orgias ela continua estudando no colégio e continua morando na casa do pai dela, um pastor bastante puritano. Eu conheço esse site desde 2020 e Eduarda é uma das duas melhores personagens que eu encontrei aqui, e essa série tem muito mais capítulos em relação a essa outra personagem extremamente devassa a qual eu me referi. Um autor igual você é alguém que, com sua obra, amplia a fronteira da devassidão humana e dos extremos até onde o prazer sexual poderia levar um personagem. E eu sei que você tem consciência do grande valor que essa história tem, tão acima de quase tudo que há nesse site.

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e, pra melhorar a experiência de ler essa obra tão magnífica e extremamente intensa, eu conheço uma mulher linda e muito sensual chamada Eduarda e eu fico imaginando a Eduarda que eu conheço agindo igual essa personagem, essa é uma viagem pessoal minha paralela a ler essa obra que possui um erotismo singularíssimo e raro que em seus detalhes magníficos e diferenciada, rara e extrema intensidade , cria seu próprio universo fictício tão pleno e majestoso.

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