“Melancolia”
A manhã de sábado em Curitiba amanheceu nublada, céu cinzento baixo, ar úmido e morno de verão que ainda resistia. Não chovia, mas o tempo parecia segurar a respiração.
Tiago acordou cedo, por volta das 8h. A casa estava silenciosa. Desceu de pijama, descalço, e foi direto para a cozinha. Pegou duas bananas maduras, leite, aveia e um punhado de morangos da geladeira. Colocou tudo no liquidificador com gelo e bateu uma vitamina grossa, cremosa, cor de rosa claro.
Depois que terminou a vitamina, despejou o conteúdo numa jarra e começou a preparar panquecas: farinha, ovo, leite, uma pitada de canela. Fritou devagar, empilhando no prato com mel e mais morangos frescos por cima.
Os pais desceram logo depois. O pai, já de camisa polo para o dia de reuniões na igreja, sentou à mesa. A mãe, com um vestido leve e florido, sentou-se ao lado dele.
— Bom dia, filho. Que cheiro bom — disse ela, servindo-se de uma panqueca.
Tiago sorriu, colocando a vitamina na mesa.
— Bom dia, mãe. Fiz pra gente. Tá com fome, pai?
O pai assentiu, pegando uma panqueca.
— Sempre. E amanhã tem culto à noite, né? O pastor pediu pra gente chegar cedo pra ajudar com o louvor.
Tiago assentiu, tomando um gole da vitamina.
— Sim, pai. Eu vou. Vou levar o violão se precisar.
A mãe olhou para ele com carinho.
— Você tá tão animado esses dias, meu amor. Tá tudo bem na escola? Alguma novidade?
Tiago engoliu o pedaço de panqueca, o doce do mel misturado com o gosto de culpa que subia na garganta.
— Tudo normal, mãe. As provas foram boas. Tô feliz com o último ano.
O pai limpou a boca com o guardanapo.
— Que bom. Lembre-se de orar antes de dormir, filho. O inimigo gosta de atacar quando a gente menos espera.
Tiago baixou os olhos para o prato, o coração apertando.
— Eu oro todo dia, pai.
Eles continuaram conversando sobre o culto: qual hino iam cantar, quem ia particar da peça de teatro, se o grupo de jovens ia se reunir antes. Tiago respondia com sorrisos, mas por dentro a mente gritava.
“Pecado. Eu pequei ontem. Gozei com o pau dele dentro de mim. E amei cada segundo.”
Ele sentia o corpo ainda marcado — a bunda sensível, os mamilos doloridos de tanto serem apertados. E, mesmo assim, não havia arrependimento de verdade. Só desejo. Só vontade de repetir.
Depois do café, ajudou a lavar a louça e subiu para trocar de roupa: camiseta larga, short de tactel, tênis. Pegou o fone de ouvido e saiu para o parque, como todo sábado.
Chegou lá por volta das 10h. O céu ainda nublado, mas sem chuva. Foi direto para a árvore favorita, sentou encostado no tronco, colocou os fones e deu play na playlist. A primeira música que veio foi “Just One Day” do BTS — uma das mais românticas, suave, cheia de melancolia e desejo.
“Só um dia, se nós pudéssemos ficar juntos…”
A voz do Jungkook entrava suave nos ouvidos, e Tiago fechou os olhos. A letra falava de querer passar um dia inteiro com alguém amado, sem preocupações, só os dois. Ele imaginou Johnny ali: os dois deitados na grama, Johnny com a cabeça no colo dele, os olhos azuis olhando para cima, rindo baixo. “Meu garoto”, ele diria, e puxaria Tiago para um beijo lento, as mãos grandes subindo pela regata, apertando as tetas macias enquanto a música tocava ao fundo.
Tiago abriu os olhos um segundo e viu um casal jovem ali perto: ela sentada no colo dele, os dois se abraçando forte, beijando devagar, sem se importar com quem via. O garoto passou a mão no cabelo dela, ela sorriu contra a boca dele. Pareciam tão livres.
Tiago sentiu uma pontada no peito.
“Queria isso. Queria poder abraçar Johnny assim, na rua, sem medo.”
Ele fechou os olhos de novo, deixando a música levar.
Na imaginação, o parque desapareceu. Era só ele e Johnny num quarto claro, luz do sol entrando pela janela. Johnny o deitava na cama, tirava a roupa dele devagar, beijava cada pedaço da pele clara. “Você é meu”, sussurrava, enquanto o penetrava devagar, como ontem. Mas dessa vez sem pressa, sem medo de serem pegos. Só os dois, gemendo juntos, os corpos colados, o suor misturado. Johnny gozando dentro dele de novo, mas dessa vez dizendo “te amo” olhando nos olhos, sem pressa de sair. E Tiago respondendo, apertando as próprias tetas enquanto gozava, chamando o nome dele alto, sem medo de ninguém ouvir.
A música terminou. “Just One Day” deu lugar a “Spring Day”, ainda mais melancólica. Tiago abriu os olhos, o casal ainda ali, agora de mãos dadas, andando devagar. Ele sorriu sozinho, triste e feliz ao mesmo tempo.
“Um dia… quem sabe.”
Ele guardou o celular, levantou e caminhou de volta para casa, o coração cheio de Johnny, o corpo ainda carregando o segredo doce do dia anterior.
Continua…