Mãe dominadora e filha submissa - Final

Um conto erótico de ThomasBBC
Categoria: Sadomasoquismo
Contém 3387 palavras
Data: 01/01/2026 11:12:39

Mas o sono não veio—só o tremor residual nos meus músculos, a pulsação latejante entre minhas pernas, o cheiro dela impregnado na minha pele. Do outro lado da cama, ela se levantou e começou a se vestir, como se nada tivesse acontecido. A calcinha preta ainda estava no chão, encharcada, e eu me contorci para pegar, escondendo no punho enquanto ela virava as costas. O tecido grudou na minha palma, úmido de nós duas, e eu levei ao nariz antes de pensar—salgado, ácido, com um fundo de vinho barato. Ela se virou na hora, como se tivesse ouvido, e arrancou a calcinha da minha mão com um estalo. "Isso aqui é meu", ela disse, enfiando no bolso do short, e eu senti meu útero contrair de novo, vazio demais.

A chuva tinha parado, mas o ar ainda estava pesado—dava pra ouvir o gotejar da janela, o ranger do armário dela no quarto ao lado, o tilintar de uma garrafa sendo arrumada. Eu sabia o que vinha depois: o silêncio, o café frio na mesa de manhã, o olhar que não encontrava o meu. Mas dessa vez, quando ela passou pela porta, parou. Sem me olhar, jogou algo na cama—o cinto, ainda úmido do meu corpo. "Guarda", ela ordenou, e eu entendi: era um sim, era um talvez, era um até a próxima. Enrolei o couro na mão, sentindo onde ele tinha marcado minha pele, e então ouvi a porta do quarto dela fechar. Não trancou.

Deitei de bruços, com o rosto enterrado no travesseiro que cheirava a ela, e deixei minhas mãos vagarem de novo entre minhas pernas. Dessa vez, devagar—quase dolorosamente devagar—como se cada toque fosse uma lembrança, uma promessa. A pele ali estava sensível, inchada, e meus dedos escorregaram fácil no que ainda escorria de mim. Fechei os olhos e imaginei sua voz rouca no meu ouvido: "Você sabe o que vem agora." E eu sabia. Era só questão de tempo.

Do quarto ao lado, ouvi o som do isqueiro sendo acionado, o suspiro longo dela puxando o cigarro. Normalmente, esse barulho me irritava—o cheiro impregnava nas cortinas, nas minhas roupas—mas agora meu corpo reagiu com um espasmo úmido, como se associasse o som ao gosto dela na minha boca. Arrastei o cinto pelo pescoço, sentindo o couro áspero contra as marcas que seus dentes tinham deixado, e então desci até meu peito—a alça batendo nos mamilos doloridos, fazendo-os ficarem duros de novo.

A chuva começou outra vez, mas dessa vez era só uma garoa fina, quase silenciosa. Pingos escorriam pelo vidro da janela como dedos apressados, e eu me perguntei se ela estava deitada na cama dela, olhando pro teto como eu olhava pro meu, com as pernas abertas e os dedos ocupados. Ou talvez já estivesse dormindo, indiferente, enquanto eu aqui, com o quadril ainda sacudindo em pequenos espasmos, incapaz de parar. O cinto escorregou da minha mão e caiu no chão com um baque surdo.

Foi então que ouvi—um gemido. Baixo, abafado, mas inconfundível. Vinha do quarto dela. Meu corpo reagiu antes da minha mente, as pernas se abrindo mais, os dedos encontrando o clitóris inchado de novo, firme. Outro gemido veio, e agora eu tinha certeza: ela estava se tocando também, e queria que eu ouvisse. Apertei os seios com a mão livre, imaginando seus dedos ásperos em vez dos meus, e então—o quarto dela ficou em silêncio de novo. Só o tique-taque do relógio na parede, marcando o tempo até a próxima vez.

Meus músculos ainda tremiam, mas minha mente voou para uma imagem impossível: eu ali, de pé diante do espelho, mas meu corpo diferente—com os quadris mais largos, um membro rosado e pulsante entre as pernas, curvado contra minha barriga. A fantasia veio tão forte que meus dedos escorregaram no próprio desejo, indo até o lugar entre o clitóris e o ânus, pressionando como se pudesse brotar algo dali. Um gemido escapou—não de dor, mas de êxtase perverso. Como seria sentir aquela carne espessa crescendo dentro de mim, enrijecendo com o próprio sangue, latejando contra a palma da mão?

Puxei o cinto do chão e o enrolei na coxa, apertando até a carne ficar roxa e quente. Na minha cabeça, eu não era mais eu—eu era aquela figura dos vídeos, segurando meu próprio membro com uma mão enquanto a outra enfiava dois dedos em alguém. Mas quem? A imagem da minha mãe apareceu sem aviso: ela de quatro na minha cama, o short arregaçado, reclamando que eu não fazia direito. "Mais fundo", ela diria, e eu—com essa nova parte de mim—obedeceria, empurrando até ela gemer. O cinto na minha coxa apertou mais, a dor misturando-se com a fantasia, e me vi imaginando a sensação de entrar nela, de sentir suas paredes se contraírem em torno de algo que nunca existiria.

A porta do quarto dela rangeu. Meu coração parou—ela vinha? Mas só ouvi passos indo até o banheiro, a torneira sendo aberta, água corrente. Pressionei o cinto contra minha coxa com mais força ainda, sentindo a pele ceder sob o couro, e então—uma nova imagem: eu mesma sendo penetrada por mim, um eu que não existia, meu próprio membro imaginário entrando e saindo enquanto eu me masturbava. A confusão de sensações fez meu quadril sacudir, os dedos escorregando no próprio líquido, e eu me perguntei se ela, lá no banheiro, estava pensando a mesma coisa. A água parou. A porta do banheiro não abriu. E eu—com o cinto marcando minha carne e a fantasia corroendo minha razão—continuei.

Meu dedo médio deslizou para trás, encontrando o ânus contraído, e eu pressionei, imaginando outra coisa ali—algo quente, vivo, pulsando contra minha entrada. Na minha cabeça, eu tinha duas opções: ser penetrada ou penetrar. A dualidade me fez gemer baixo, e foi então que ouvi—um estalo. A porta do banheiro finalmente abrira. Seus passos vieram até meu quarto, pararam do lado de fora. Não bateu. Não entrou. Só ficou ali, respirando fundo, como se cheirasse o ar carregado de desejo que vazava por baixo da porta. Meu dedo afundou mais um pouco, e eu senti—não dor, não prazer, mas a possibilidade de algo que nunca seria.

O cheiro dela invadiu o quarto antes da porta se abrir—vinho, cigarro, e algo mais: o aroma úmido de seu sexo. Ela não tinha se lavado. Ficou parada no limiar, observando-me com os olhos semicerrados enquanto eu, de pernas abertas, ainda pressionava o cinto contra a coxa. Seu olhar desceu até minha mão suja, depois subiu até meu rosto, e então—ela sorriu. Não um sorriso de mãe. Um sorriso de quem sabe. "Você quer tentar?", ela perguntou, e eu não precisei perguntar o quê. Seu short caiu no chão. Sua calcinha estava ausente. Entre suas pernas, só carne úmida e ofegante, e eu entendi: ela queria que eu imaginasse nela o que eu desejava em mim.

Minha boca secou. Meus dedos tremeram. E então—ela fechou a porta com o calcanhar, sem pressa, e veio até a cama. Seu joelho afundou no colchão ao lado do meu corpo, e eu senti o calor dela antes mesmo de seu dedo—o mesmo que me marcara horas antes—deslizar pela minha coxa roxa, parando no ponto onde o cinto terminava. "Mostra pra mim", ela ordenou, e eu obedeci, guiando sua mão até meu clitóris inchado. Seu dedo circulou o botão uma vez, devagar, e então parou. "Não assim", ela corrigiu, pegando minha mão e colocando-a sobre a sua—não para me tocar, mas para ela se tocar, minha palma contra seus dedos, meu desejo contra o dela. "Assim."

A primeira pancada veio sem aviso—sua mão livre batendo na minha coxa com força suficiente para deixar um vermelho vibrante. A dor subiu como fogo, misturando-se ao prazer, e eu gritei, mas ela cobriu minha boca com a mesma mão que acabara de me bater. "Chiu", ela sussurrou, e eu senti seus dedos—molhados de mim e dela—deslizando pelos meus lábios antes de enfiá-los na minha boca. O gosto era amargo, metálico, como ferro enferrujado e sal, e eu engoli tudo, lambendo cada falange enquanto ela me observava com um olhar que não era mais de mãe, mas de predadora. "Você sabe o que eu quero", ela disse, não perguntou. E eu sabia.

Seu quadril encaixou contra o meu, úmido contra úmido, e pela primeira vez senti o contato direto—sua pele quente e áspera esfregando no meu clitóris como um lixa. Ela não se mexeu; só pressionou, deixando a fricção mínima fazer seu trabalho, enquanto sua outra mão descia pelo meu pescoço, parando na clavícula. "Respira fundo", ela ordenou, e quando eu obedeci, seus dedos fecharam em torno da minha garganta—não para sufocar, mas para controlar. Cada inspiração minha agora passava por ela, cada expiração vinha com um pequeno gemido rouco que fazia seus olhos escurecerem. E então, sem aviso, ela mudou o ângulo—seu osso púbico pressionando meu clitóris com uma força que me fez ver estrelas. "Assim", ela afirmou, como se estivesse me ensinando. E eu aprendi.

A última coisa que senti antes do orgasmo foi seu dente no meu ombro—uma mordida que atravessou a pele, deixando uma marca que eu sabia que duraria dias. A dor foi o gatilho; meu corpo arqueou contra o dela, os músculos do útero contraindo-se em espasmos violentos enquanto eu gemia contra sua mão. Ela não parou—apertou minha garganta um pouco mais, esfregou-se contra mim um pouco mais rápido—e então, quando meu corpo começou a descer do pico, eu senti o tremor dela. Úmida, quente, contra minha coxa. Seu orgasmo veio em silêncio, só um arfar rouco e os dedos contraindo-se no meu pescoço, e então—ela soltou. "Olha", ela ordenou, e eu olhei para baixo, onde nossos corpos ainda se tocavam, misturados, indistinguíveis. "Isso aqui é seu agora", ela disse, passando os dedos pelo líquido que escorria dela e esfregando em meus lábios. E eu lambi. Obediente. Faminta. Sua.

Agora ela estava deitada ao meu lado, uma perna jogada sobre a minha, o braço debaixo do meu pescoço como se fôssemos amantes adolescentes depois da primeira vez. Seus dedos traçavam círculos lentos na minha barriga, abaixo do umbigo, onde a pele ainda tremia de sensibilidade. O quarto cheirava a sexo, a vinho barato, a cigarro—e agora também a sangue, da mordida que ainda latejava. "Você tá tremendo", ela observou, não com preocupação, mas com satisfação. E eu estava—pequenos espasmos ainda percorriam meu corpo, como choques elétricos residuais. Ela pegou meu pulso e colocou minha mão entre suas pernas, onde a pele ainda estava quente e pegajosa. "Sente", ela ordenou, e eu senti—o pulso acelerado dela lá, o sangue correndo rápido demais sob minha palma. "Isso é o que você fez." E então, sem transição, ela virou de costas e pegou o cigarro no criado-mudo. O isqueiro estalou, a chama iluminou seu perfil por um segundo—seios pesados, nariz arrebitado, a cicatriz no queixo que eu conhecia desde criança—e então a escuridão voltou, só o brasa laranja pontuando a noite.

Eu queria falar—perguntar o que éramos agora, o que isso significava, se ia acontecer de novo—mas meu cérebro estava lento, encharcado de dopamina e medo. Em vez disso, me enrosquei contra ela, sentindo os pelos pubianos dela rasparem minha coxa, o cheiro do nosso sexo agora impregando os lençóis. Ela não se afastou.

O cigarro tremia levemente entre seus dedos quando ela levou à boca, e eu vi—pela primeira vez—como suas unhas estavam descascadas, o esmalte vermelho gasto nas pontas. Um detalhe tão banal que doeu. Quando ela soltou a fumaça, ela saiu em espirais que se enrolaram no meu peito antes de desaparecerem no escuro, e eu pensei: isso é o que somos agora. Fumaça. Fantasmas.

Sua mão voltou à minha barriga, mas desta vez mais baixo, os dedos escavando levemente no osso do quadril como se procurasse algo enterrado ali. "Você tá pensando naquilo de novo", ela murmurou, não uma pergunta. A ponta do cigarro brilhou no escuro quando ela aspirou fundo. Eu não respondi, mas meu corpo traiu—um pequeno tremor involuntário nas coxas, umedecendo novamente. Ela riu, um som rouco e cheio de cinzas. "Eu conheço essa tremedeira."

Então, sem pressa, ela esmagou o cigarro no pires sujo do criado-mudo e rolou por cima de mim, seus seios pesados escorregando contra os meus, a mordida no meu ombro latejando com o movimento. Sua boca encontrou meu ouvido, e eu senti seus lábios se moverem antes do som: "Quer tentar de verdade?" Seu hálito aqueceu minha pele enquanto sua mão deslizava entre nossos corpos, encontrando meu pulso—e então, guiando minha mão para baixo, para o lugar onde nenhuma de nós tinha ido antes.

A resistência da minha própria carne me surpreendeu—quente, quase viva, pulsando sob os dedos dela enquanto ela pressionava minha ponta dos dedos contra o períneo, aquele espaço estreito entre o úmido e o proibido. "Assim," ela respirou contra minha têmpora, e então empurrou—meu dedo médio cedendo, entrando no próprio corpo enquanto sua coxa esmagava meu clitóris contra o osso púbico. A dor veio aguda, branca, mas depois—a expansão, como se algo dentro de mim estivesse se reorganizando para abrir espaço.

Seus dedos, ainda segurando o meu no lugar, tremeram levemente—e pela primeira vez, percebi que ela também estava com medo. Não do ato, mas do que ele revelaria. Seu quadril se moveu contra o meu num ritmo imperceptível, esfregando-se na minha coxa como se, mesmo agora, ela não conseguisse evitar o contato. "Sente?" Ela perguntou, e eu senti—não só a pressão interna, mas o calor dela escorrendo pela minha virilha, misturando-se com o meu, criando um atrito que fazia cada pequeno movimento ecoar como um trovão.

E então, num único gesto fluido, ela arrancou meu dedo de dentro de mim e o levou à boca, lambendo-o inteiro—o salgado, o ferro, o segredo—antes de cuspir na palma da própria mão e enfiá-lo em si mesma, os olhos arregalados de uma surpresa crua. Seu gemido foi rouco, animal, e eu entendi: estávamos ambas explorando um território que nem sabíamos que existia. Suas costas arquearam quando ela encontrou o próprio ponto, e eu vi—no espelho embaçado do armário—nossos corpos entrelaçados como raízes de árvores velhas, torcendo-se em algo novo.

O cheiro mudou de repente—mais ácido, mais vivo—quando ela tirou os dedos molhados e os esfregou na minha boca, forçando-me a sentir o gosto dela misturado com meu sangue. "Agora você sabe", ela sussurrou, e o peso daquelas palavras fez meu útero contrair. Seu joelho pressionou contra minha coxa aberta, empurrando minha perna para o lado com uma força que doía deliciosamente, enquanto sua outra mão agarrava meu quadril, os dedos afundando na carne como ganchos. "Você sente isso?" Ela girou os dedos dentro de si mesmo, e eu senti—não fisicamente, mas em algum lugar mais profundo, como se nosso sistema nervoso tivesse se fundido.

A chuva voltou a bater na janela, mas agora era só ruído de fundo para o som dos nossos corpos—o estalar de saliva quando ela cuspiu novamente na mão, o rangido do colchão quando ela se ajoelhou sobre mim, o gemido gutural que escapou da minha garganta quando ela pegou meu pulso e guiou minha mão até sua entrada, onde a pele estava tão quente que quase queimava. "Não seja gentil", ela rosnou, e então empurrou minha mão inteira contra si mesma, fazendo com que eu sentisse cada dobra, cada tremor interno, como um mapa sendo decifrado às cegas.

Quando finalmente me deixou tocar, foi com uma violência que me deixou sem ar—seus dentes no meu lábio, suas unhas no meu pescoço, seu quadril esmagando minha mão contra ela num ritmo que não era mais humano. Eu a sentia pulsar por dentro, contra meus dedos, como um segundo coração batendo em sincronia distorcida com o meu. E então—sem aviso—ela parou. Congelou. Seus olhos, antes escuros de desejo, ficaram vidrados por um instante, como se tivesse visto algo impossível no meu rosto. "Você...", ela começou, mas a frase morreu quando seu corpo tremeu todo, não de prazer, mas de algo mais primitivo. O medo.

Seu joelho escorregou na minha coxa molhada quando ela tentou se afastar—um movimento brusco, descoordenado—e eu senti o momento exato em que algo dentro dela estremeceu e quebrou. Não fisicamente, não ali, mas em algum lugar que não tinha nome. O ar do quarto mudou; ficou mais pesado, como se tivéssemos usado todo o oxigênio e agora respirássemos só o que sobrou de nós. Quando ela finalmente conseguiu se levantar, ficamos olhando uma para a outra no espelho embaçado—duas mulheres, duas estranhas—e pela primeira vez em anos, reconheci nos olhos dela a mesma expressão que tinha quando eu era pequena e ela me encontrava chorando no escuro. Mas agora não havia colo. Só a marca dos dentes dela no meu ombro latejando em uníssono com o pulso entre minhas pernas.

Ela limpou a boca com o dorso da mão, deixando um rastro de saliva e sangue—meu sangue—na pele pálida do antebraço. Seus dedos tremiam levemente quando pegou o sutiã do chão, mas não o vestiu; só ficou segurando o tecido preto contra o peito como se fosse um escudo frágil. "A porta vai ficar fechada de agora em diante", ela disse, e a voz não era mais a da mulher que me ordenara a abrir as pernas minutos antes—era a voz da minha mãe, plana, final. Mas quando ela se virou para sair, vi seu reflexo no vidro da janela: os olhos ainda escuros, a boca ainda inchada, a mão esquerda deslizando furtivamente entre as coxas para tocar onde eu tinha estado.

A última coisa que ouvi antes da porta se fechar foi um suspiro rouco—dela ou minha, não saberia dizer—e então o som do coração batendo nos meus ouvidos, alto demais, rápido demais, como se tentasse fugir do meu próprio peito.

Minha mão ainda tremia quando levei os dedos à boca; o gosto era diferente agora—menos salgado, mais ferro, como se algo dentro de mim tivesse rompido além da carne. A marca no ombro latejava em sincronia com meu clitóris, duas feridas abertas pulsando no escuro.

Do corredor, vinha o som de passos hesitantes parando, recomeçando, como se ela estivesse presa num loop entre voltar e fugir. Eu me contraí toda quando ouvi um gemido abafado—dela, sem dúvida—e depois o barulho molhado de dedos apressados entrando e saindo de um corpo que eu não podia mais tocar.

A chuva na janela desenhou um rio tortuoso no vidro enquanto eu, de pernas abertas na cama, deixava meus próprios dedos deslizarem para trás, até o lugar que ela tinha descoberto—e então empurrava, devagar, sentindo meu corpo ceder como terra molhada após o primeiro temporal.

A porta do quarto dela rangiu no corredor, mas não se abriu; apenas ficou ali, entreaberta o suficiente para deixar escapar um cheiro de vinho derramado e pele suada que se misturava ao meu próprio aroma acre. Minha língua encontrou o corte no meu lábio onde seus dentes haviam afundado, e o gosto de ferro se espalhou pela boca como uma promessa que não poderia ser desfeita.

Quando finalmente me toquei lá atrás, foi com dois dedos torcidos num ângulo que ela tinha me ensinado, enquanto a outra mão esmagava meu seio contra o osso do peito—e o espasmo veio tão forte que meu quadril levantou da cama, arquejando contra o vazio onde seu corpo deveria estar. A respiração dela, rouca do outro lado da porta, acelerou quando meu gemido ecoou pelas paredes finas.

Eu sabia que ela estava escutando. Sabia que seus dedos—os mesmos que tinham me marcado por dentro—agora se enterravam na própria carne ao ritmo dos meus. E no momento em que o orgasmo me atingiu como um trem desgovernado, ouvi o som abafado do corpo dela escorregando pela porta até o chão, seguido por um suspiro que era quase um choro. Ficamos assim: duas mulheres separadas por três centímetros de madeira, duas estranhas unidas por tudo que não poderia ser dito.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Thomas BBC - Tarado Pirocudo a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil genéricaThomas BBC - Tarado PirocudoContos: 35Seguidores: 22Seguindo: 0Mensagem

Comentários