Lívia piscava para o cursor na tela, como se ele fosse um voyeur silencioso, testemunhando sua própria desconstrução. Seu apartamento era um santuário de assepsia emocional: paredes imaculadas, móveis de design escandinavo que pareciam sussurrar "nada aqui pode te ferir". Aos 35 anos, ela era a rainha do ghostwriting de crises – alquimista de reputações, transformando escândalos em sinfonias de redenção com arrependimento dosado como veneno homeopático. Até Arthur Valença invadir sua caixa de entrada como um vírus elegante.
Ele era o epítome do intelectual predador: professor de retórica, palestrante sobre a ética da persuasão, autor de best-sellers que dissecavam a linguagem como um cirurgião disseca um coração. Agora, afogado em acusações de ex-alunas – manipulação emocional, jogos mentais que as levavam a se renderem e se entregarem a ele, duvidando de sua própria sanidade. O dossiê que ele enviou não era o caos fragmentado dos clientes comuns; era uma obra-prima de autodefesa, precisa e autoconsciente. "Não busco absolvição", escreveu ele. "Busco a narrativa perfeita da culpa." Lívia sentiu um formigamento intelectual – e algo mais primal, que ela rotulou como "curiosidade profissional".
As reuniões por vídeo começaram como um duelo velado. Arthur surgia na tela com um sorriso que parecia calibrado em laboratório, olhos que a escaneavam como um scanner de vulnerabilidades. "Lívia, sua habilidade em reescrever almas é... invejável. Você transforma monstros em mitos."
Ela rebateu com frieza polida: "É apenas técnica, Arthur. Vamos ao esboço do pedido de desculpas. Precisa de humanidade, não de sofismas."
"Ah, mas a humanidade é o maior sofisma de todos." Ele pausou, inclinando a cabeça com precisão dramática. "Diga-me, qual é o equilíbrio exato entre confissão e sedução? Porque suas palavras, Lívia, seduzem até os céticos."
As ligações noturnas se estendiam como preliminares intermináveis. Ele espelhava suas frases, transformando-as em armadilhas eróticas. "Você mencionou 'vulnerabilidade estratégica'. Fascinante. É assim que você se defende no amor? Estratégica, calculada, nunca se entregando de verdade?"
Lívia sentia o pulso acelerar, mas respondia com sarcasmo afiado: "Foco no texto, professor. Ou quer que eu te reescreva como um charlatão de pau mole disfarçado de filósofo?"
Ele ria, um som grave e sarcástico que ecoava em sua mente. "Pau mole? Que imaginação vívida. Mas e você, Lívia? Onde é que sua armadura racha? Onde dói de verdade?"
Os encontros presenciais em cafés viravam arenas de xadrez sensual. Arthur se sentava perto demais, cheirando a colônia refinada e intelecto afiado. "Reveja essa linha: 'Eu abusei do poder das palavras.' Soa genuíno?"
"Genuíno como sua tentativa de me analisar", rebateu ela, sarcástica. "Admita: você me escolheu porque eu sou a única que vê suas manipulações como arte, não crime."
Seus olhos brilharam com diversão maliciosa. "Arte? Que elogio polido para um predador. Mas veja bem: eu poderia te fazer confessar desejos que você desconhece." Sem tocá-la, ele a penetrava – com pausas calculadas, validações seletivas que a faziam questionar sua própria frieza. À noite, sozinha, Lívia se masturbava imaginando os comandos de voz dele: "Toque no grelinho, Lívia. Onde dói gostoso."
A erosão interna era sutil, como veneno em doses homeopáticas. Seu vocabulário se contaminava: mensagens para amigos viravam manifestos retóricos. Seus sentimentos vinham com rodapés analíticos: "Isso é atração autêntica ou mera construção narrativa?" E então, numa "reunião de privacidade" em seu apartamento, as máscaras caíram como roupas descartadas.
Arthur chegou com vinho tinto, sentando-se no sofá com elegância predatória. "Vamos discutir jogos de poder. Você me reescreve profissionalmente, mas e se eu te reescrevesse... intimamente?"
"Você não tem colhões para isso", desafiou ela, mas sua voz traía o tesão acumulado.
Ele se aproximou, sussurrando com polidez suja: "Colhões? Que termo cru para uma mulher tão refinada. Mas olhe para você: vagina molhada só de debater semântica." Seus dedos traçaram seu braço, subindo para o pescoço, e Lívia cedeu como uma narrativa mal estruturada. Ele a beijou com precisão cirúrgica, língua invadindo sua boca como uma metáfora viva, explorando cada canto enquanto murmurava: "Sabor de rendição, Lívia. Delicioso."
Ela o empurrou contra o sofá, montando no pau dele com fúria safada. "Cala essa boca intelectualóide e me fode como o manipulador que você é." Suas mãos rasgaram a camisa dele, unhas cravando na pele enquanto ela rebolava no colo, sentindo o pau duro pulsar contra sua calcinha ensopada. "Vai, professor: me ensine a lição do dia. Enfia esse pau grosso na minha xoxotinha melada e me faça esquecer as minhas próprias regras."
Arthur riu sarcástico, virando-a de costas com mãos firmes nos quadris. "Tão ansiosa, como uma aluna cabaço desesperada pra passar de ano. Mas eu ditarei o ritmo." Ele baixou sua saia, dedilhando sua buceta exposta, dedos circulando o clitóris com maestria polida. "Sinta isso: eu te controlo sem esforço. Você é minha narrativa agora, uma putinha implorando pelo clímax."
Lívia gemeu alto, empinando a bunda como uma vadia no cio, expondo cu e buceta. "Me fode, caralho! Me arregaça com esse pau. Me faça gozar gritando seu nome, implorando por pica, seu filho da puta empoladinho." Ele penetrou devagar, centímetro por centímetro, mergulhando lentamente a piroca pelo muco visguento, estocadas ritmadas que a faziam arquear. "Mais fundo! Me enche toda com a sua rola, me usa como sua boneca sexual." Cada estocada era pontuada por diálogos sarcásticos: "Admita, Lívia: você é uma sem vergonha disfarçada de profissional. Diga: 'Eu sou sua putinha safada."
"Eu... sou sua putinha bem vagabunda, Arthur! Me fode mais bruto, me humilha enquanto me arromba." Ele acelerou, batendo na bunda dela com força, mãos apertando seus peitos, beliscando mamilos até doer gostoso. "Que buceta apertada, perfeita para um predador pauzudo como eu. Goza olhando pra mim, sua vadia." Lívia explodiu em orgasmo, esguichando no pau dele, gritando e rebolando, corpo tremendo enquanto ele esguichava jatos de porra no fundo da xoxota, enchendo-a com gala grossa e quente.
Mas Arthur via além: "Você tem um namoradinho, não é? O Marcos, aquele zero à esquerda. Traga ele da próxima. Vamos ver se ele aguenta assistir você se transformar em uma prostituta de verdade."
Lívia, ainda ofegante, sorriu safada: "Por que não? Ele é patético mesmo. Vai ser hilário humilhá-lo enquanto você me fode."
No hotel discreto, Marcos chegou confuso, um programador medíocre com pau mediano, mantido por conveniência. Arthur sorriu sarcástico: "Bem-vindo ao espetáculo, Marquinhos. Sente-se aí e seja um corninho comportado. Sua namorada precisa de um caralho a altura, não de um consolo humano."
Marcos piscou: "Lívia? Isso é brincadeira?"
"Brincadeira? Não, amorzinho", zombou Lívia, já excitada, puxando Arthur para um beijo na frente dele. "É pura realidade. Arthur me fode como você nunca sonhou. Olha só: meu clitóris lateja só de pensar no pau dele, enquanto o seu piu piu... coitadinho, mal dá pra alcançar meu esfíncter." Ela riu sarcástica, mãos subindo a saia, abrindo a buceta com dois dedos e mostrando o grelo inchado para Marcos. "Sente aí e bata punheta, cuck. Assista sua namorada virar puta na sua frente pra um homem de verdade."
Arthur a despia devagar, mamando seus peitos enquanto Marcos via, olhos vidrados e humilhados. "Gostando do show, corninho? Sua mulher chupa pau melhor do que você respira." Lívia ajoelhou, engolindo o pau de Arthur inteiro, garganta profunda com engasgos sujos. "Delícia, esse pau grosso arrombando minha traquéia. Marcos, o seu é fininho como um lápis. Patético pra caralho." Marcos se tocava, gemendo baixo, gozando precoce nas calças.
Arthur a jogou na cama, abrindo a buceta dela e dando um banho de língua, sugando o clitóris até ela gritar, sorvendo o mel que saía pela vulva, mordiscando os pequenos lábios carnudos da xoxota: "Chupa mais, Arthur! Faz eu gozar na sua cara enquanto meu cuck chora." Ela gozou forte, um jorro farto molhando os lençóis. Então ele a penetrou, estocadas brutas. "Diga pro seu namoradinho o quanto ele é inútil, Lívia."
Ela virou safada total: "Marcos, você é um merda na cama! Pau mole, ejaculador precoce. Arthur me arromba e me faz gozar de verdade. Você? Só serve pra limpar a porra dele da minha buceta depois." Marcos choramingava, excitado e destruído. Arthur gozou dentro, e Lívia, ainda tremendo do orgasmo que Arthur havia arrancado dela com estocadas brutas e precisas, virou o rosto suado e corado para Marcos. Seus olhos brilhavam com uma mistura de tesão vingativo e desprezo puro. Ela abriu as pernas ainda mais na cama, exibindo a buceta inchada, vermelha, arrombada, brilhando de fluidos vaginais e da porra grossa que escorria devagar pelos lábios inchados.
"Olha só pra isso, Marcos", ela disse com voz rouca, sarcástica, quase cantada. "Olha o estrago que um pau de verdade faz numa xoxota. Tá vendo como minha buceta tá toda arregaçada pela surra de pica que levei, vermelhinha e latejando? Isso é o que acontece quando um macho me fode de verdade, não quando um fracassadinho como você enfia aquela bosta fina e mole que você chama de rola e goza em cinco segundos."
Marcos estava sentado na cadeira ao lado da cama, calças arriadas nos tornozelos, o pauzinho meio murcho ainda pingando a gala rala dele nas coxas. Ele tentava não olhar, mas os olhos voltavam compulsivamente para a cena: a namorada dele, a mulher que sempre fora fria e controlada, agora uma puta sem vergonha, com as pernas abertas e a buceta escorrendo sêmen alheio.
Lívia riu, um riso baixo e cruel. "Que carinha de cachorro abandonado, hein? Você tá com tesão vendo outro homem encharcar minha buceta de porra, né, seu corno safado? Aposto que seu pauzinho ridículo tá latejando de novo só de imaginar o gosto da porra do Arthur misturada com o melzinho da minha xana."
Arthur, ainda deitado ao lado dela, passou a mão preguiçosamente pela barriga dela, descendo até abrir os lábios da buceta com dois dedos, expondo o interior rosado e o sêmen branco que começava a vazar mais. "Olha isso, Marquinhos. Olha como ela tá ensopada. Eu gozei fundo, bem na entrada do útero. Se eu não fosse vasectomizado seria coisa de macho pra engravidar uma fêmea, caralho. Tem bastante coisa aqui pra você limpar, corninho."
Lívia gemeu baixinho só de sentir os dedos dele abrindo-a, e empurrou os quadris para frente, como se quisesse mostrar mais. "Vem cá, Marcos. Anda logo. Rasteja até aqui e enfia essa linguinha patética na minha buceta toda suja. Prova o que um macho de verdade deixou dentro da sua namorada."
Marcos hesitou, o rosto vermelho de vergonha, mas o pau dele já estava endurecendo de novo, traindo-o completamente.
"Que foi? Tá com nojinho agora?", zombou Lívia, voz carregada de deboche. "Você que sempre quis me comer sem camisinha, né? Falava que queria gozar dentro... mas nunca deixei. Agora olha: o Arthur gozou tanto que tá escorrendo pelas minhas coxas, meu cu tá todo melado de esperma. E você? Vai lamber tudinho, vai engolir cada gota da gala dele, porque é só pra isso que você serve, seu corno inútil."
Arthur riu baixo, sarcástico. "Vai, Marquinhos. Seja útil pela primeira vez na vida. Lambe a buceta da sua namorada. Mostra que pelo menos serve pra beber a porra alheia, seu merdinha."
Marcos se arrastou de joelhos até a beira da cama, o rosto a centímetros da buceta aberta de Lívia. O cheiro forte de sexo, porra e excitação feminina o atingiu como um tapa. Ele fechou os olhos por um segundo, mas Lívia agarrou os cabelos dele com força.
"Olha pra mim enquanto me lambe, seu merda. Quero ver seus olhos de cachorro humilhado enquanto você engole a porra do outro homem direto da minha xoxotinha. Anda, enfia a porra língua!"
Marcos obedeceu, língua tímida tocando os lábios inchados. O gosto salgado, viscoso, invadiu sua boca. Lívia gemeu alto, empurrando a cabeça dele mais fundo.
"Isso, assim... chupa bem, corninho. Lambe tudinho, quero ficar limpinha. Sinta o gosto do pau do Arthur que me fez gozar três vezes seguidas enquanto você só ficava olhando? Isso é macho, Marcos. Isso é o que você nunca vai ser."
Ela rebolava devagar contra o rosto dele, esfregando a buceta melíflua na boca e no nariz dele, sujando-o inteiro. "Mais fundo, vai. Enfia a língua lá dentro e tira a porra todinha que ele deixou aí. Engole seu porco. Engole o sêmen do homem que me fodeu melhor do que você em toda a sua vida miserável."
Arthur assistia tudo, pau semi-duro de novo, acariciando-o preguiçosamente. "Olha que cena linda. A ghostwriter fria virando a rainha da humilhação. E o namoradinho virando vassoura de xoxota. Perfeito."
Lívia riu entre gemidos, apertando mais a cabeça de Marcos contra si. "Tá gostando do sabor, amorzinho? Tá sentindo o cheiro do macho alfa marcando território dentro da sua mulher? Porque a partir de hoje, toda vez que eu quiser gozar de verdade, vou chamar o Arthur... ou qualquer outro pau que preste. E você? Vai ficar esperando na porta, de joelhos, pronto pra limpar a bagunça. É o seu lugar natural, corninho. Aceita."
Marcos gemia abafado contra a buceta dela, lambendo vorazmente agora, humilhado mas excitado ao extremo. O pau dele latejava sem ser tocado, pingando no chão como carro velho. Lívia percebeu e riu ainda mais cruel.
"Olha só, Arthur... o corno tá quase gozando só de lamber sua gala. Que patético. Goza aí no chão, Marcos. Goza sem encostar no peruzinho, como o inútil que você é, enquanto lambe o resto do sêmen do meu macho."
E Marcos gozou mesmo, jatos fracos e patéticos no carpete do hotel, corpo tremendo de vergonha e prazer misturados, enquanto continuava lambendo obedientemente a buceta suja da mulher que nunca mais o veria como homem.
Lívia suspirou de satisfação, empurrando a cabeça dele para longe quando achou que estava limpa o suficiente. "Pronto. Limpinho. Agora senta aí quietinho e assiste o Arthur me foder de novo. Porque eu ainda não cansei de pau de verdade."
Ela virou de quatro, empinando a bunda para Arthur, olhando para Marcos com um sorriso sádico. "E você, corninho... fica de olho aberto. Vai ter muito mais porra pra limpar hoje."
Mas Arthur elevou a putaria: "Chame reforços. Seus amigos – intelectuais safados como eu, pra um gangbang contigo." Lívia, no auge do tesão, ligou: três homens chegaram em menos de uma hora, olhares predadores, paus já duros.
"Senhores, eis-me aqui: ghostwriter de dia, puta de vários à noite." Eles riram sarcásticos. "Ironia poética: a mestra das narrativas, agora roteirista de orgia."
Marcos foi amarrado na cadeira: "Assista com atenção, cuck. Sua vadia vai ser reescrita por quatro caralhos grossos."
Lívia se jogou no meio, safada e voraz: "Venham, seus filhos da puta! Quero dar pra todos. Quero paus na boca, na buceta, no cu – me encham de porra enquanto meu corninho baba." Um enfiou na boca dela, grosso e venoso, forçando garganta profunda: "Engole tudo, sua safada cheia de pose. Gosta de esperma como gosta de metáforas?"
Outro mamava seus peitos, mordendo os mamilos: "Que tetas perfeitas pra chupar enquanto te arrombamos." Arthur a fodia por trás, estocadas profundas: "Sinta dois caralhos, Lívia. O terceiro vai no seu cu apertado." O terceiro entrou reto adentro, dor virando prazer insano. "Caralho, que cu guloso! Me sugou inteiro enquanto você gemia como vagabunda."
Diálogos sarcásticos voavam: "Ei, cuck, sua namorada devora mais paus que livros. Tá com inveja?" "Lívia, analise: é humilhação ou êxtase? Ou os dois, sua vadia?" Eles revezavam: um gozando na boca, forçando-a a engolir – "Bebe, puta! Sabor de vitória"; outro no rosto, sêmen escorrendo como lágrimas – "Maquiagem de safada é porra na cara"; o terceiro no cu, enchendo-a; Arthur por último na buceta, enquanto ela implorava: "Mais! Me quebrem, me humilhem, me façam gozar gritando alto, porra!"
Lívia gozava múltiplas vezes, esguichando, corpo convulsionando, toda dolorida, os buracos abertos de tanta pica: "Fodam mais forte! Sou a puta de vocês agora." Marcos gozava estimulando a cabecinha do peru, humilhado ao máximo: "Olha pra ele, rapazes: o cuck perfeito, chorando humilhado."
Exausta, coberta de sêmen pegajoso, Lívia olhou Arthur: "Você me destruiu... e eu amei cada palavra suja, cada pirocada dentro de mim."
Ele sorriu sarcástico: "Ou talvez você me tenha reescrito como vilão. Quem nomeia quem primeiro?"
Marcos fugiu do hotel como um rato envergonhado, tropeçando na calça ainda arriada nos tornozelos, o rosto vermelho de lágrimas e sêmen seco grudado no queixo. Ele nem olhou para trás. Não disse uma palavra. Apenas saiu correndo pelo corredor, deixando para trás o cheiro de coito coletivo e o som abafado dos gemidos de Lívia ecoando ainda nos ouvidos. O relacionamento deles morreu ali, em cinzas úmidas e pegajosas no carpete do quarto 407. Naquela mesma noite, Marcos bloqueou o número dela no WhatsApp, deletou as fotos, mas não conseguiu apagar a imagem que ficaria queimada na retina para sempre: a namorada que ele achava ser fria e distante, de joelhos, chupando três paus olhando na cara dele.
Enquanto isso, a opinião pública virava a favor de Arthur com uma velocidade quase poética. Os textos que Lívia escreveu — aqueles pedidos de desculpas calibrados, cheios de vulnerabilidade estratégica e arrependimento dosado — viralizaram como nunca. As entrevistas roteirizadas por ela geravam lágrimas nos comentários do Instagram. Artigos de opinião começavam a falar da “complexidade humana” dele, da “coragem de admitir falhas”. Ele voltou aos palcos, aos podcasts, aos livros. A queda fora só um degrau para um retorno mais alto, mais brilhante. E Lívia? Ela recebia e-mails de parabéns de clientes antigos, elogios por “ter salvo mais uma carreira”. Ninguém sabia que o preço fora sua própria dignidade, entregue de bandeja em um gangbang.
No último encontro deles, semanas depois, um café discreto no centro da cidade, quase vazio àquela hora da tarde. Mesinha de canto, luz baixa, cheiro de espresso e croissants mornos. Eles se sentaram um de frente para o outro como dois profissionais encerrando um contrato. Arthur pediu um espresso duplo, Lívia um chá preto sem açúcar — neutro, como sempre fora seu gosto oficial.
“Trabalho concluído”, disse ele, voz calma, quase burocrática, estendendo a mão para um aperto formal.
Lívia apertou, os dedos frios. “Sim. Concluído.”
Silêncio. O garçom passou ao longe. Um casal ria em outra mesa. O mundo seguia banal.
Mas o subtexto pulsava entre eles como um fio desencapado. Os olhares se cruzavam e desviavam rápido demais. Ele lembrava dela de quatro, empinando a bunda, aquele cu piscando pedindo pica, gemendo “mais forte, seu filho da puta” enquanto ele a arrombava na frente de três outros homens e do namorado patético lambendo o chão. Ela lembrava da voz dele mandando Marcos “lamber tudinho, corninho”, e do gosto salgado da porra alheia na própria língua quando ela beijou Arthur logo depois, suja e triunfante.
Ninguém tocou no assunto. Ninguém precisava. O ar estava pesado de memórias que nenhum dos dois admitiria em voz alta.
Arthur quebrou o silêncio primeiro, com aquele sorriso sarcástico que ela aprendera a odiar e amar ao mesmo tempo.
“Você está diferente, Lívia. Mais... relaxada. Ou seria mais vazia?”
Ela riu baixo, um riso que não chegava aos olhos. “E você está mais famoso. Parabéns. A narrativa funcionou.”
Ele inclinou a cabeça. “Funcionou mesmo. Mas e a sua narrativa pessoal? Ainda se convence de que foi só trabalho?”
Lívia tomou um gole do chá, devagar, como se estivesse escolhendo as palavras com o mesmo cuidado que usava nos textos dele. “Foi trabalho. E foi... educativo.”
“Educativo”, repetiu ele, saboreando a palavra. “Interessante escolha. Eu diria que foi libertador. Para você, pelo menos. Admita: você nunca gozou tanto na vida quanto naquela noite. Nem com o…Marquinhos, nem com ninguém antes.”
Ela não respondeu de imediato. Apenas olhou para o copo, girando a colher devagar. “E você? Ganhou o que queria? A redenção pública... e a minha humilhação particular como bônus?”
Arthur se inclinou um pouco para frente, voz baixa, quase íntima. “Eu ganhei uma aluna exemplar. Você aprendeu rápido. Aprendeu a ser puta sem perder a pose de intelectual. Aprendeu a humilhar um homem até ele gozar no chão sem encostar no pau. Isso é talento raro.”
Lívia ergueu os olhos, finalmente. Havia algo cru ali, sem filtro. “E se eu te disser que ainda sinto o gosto da porra dos meus amigos na boca quando fecho os olhos à noite? Que ainda acordo molhada lembrando do Marcos choramingando enquanto lambia minha xana?”
Ele sorriu, devagar. “Então eu diria que o contrato não terminou de verdade. Que a narrativa continua... só que agora é particular. Só nossa.”
Ela não negou. Apenas deixou o silêncio cair de novo, mais pesado que antes.
Ninguém admitiu nada. Ninguém pediu perdão, nem declarou amor, nem prometeu reencontro. Não houve beijo de despedida, nem lágrimas dramáticas. Apenas um aceno breve quando ele se levantou para ir embora.
“Cuide-se, Lívia.”
“Você também, professor.”
Ele saiu primeiro. Ela ficou mais alguns minutos, olhando o copo vazio, sentindo o eco daquele desejo tóxico ainda latejando entre as pernas. Modificados para sempre. Marcados por dentro e por fora. Ninguém venceu. Ninguém perdeu de verdade.
Apenas o eco permaneceu: desejo e terror misturados, como porra ressecada no carpete, suor frio na nuca, lágrimas salgadas de um cornudo que nunca mais seria o mesmo, e a certeza cruel de que, no fundo, os dois sabiam exatamente onde doía no outro — e gostavam disso.
