Descartaveis

Um conto erótico de Ryu
Categoria: Heterossexual
Contém 10268 palavras
Data: 20/01/2026 14:16:51
Última revisão: 20/01/2026 14:48:04

Nota: Este conto foi escrito especialmente para o desafio musical e é inspirado na música de mesmo nome da banda brasileira Dead Fish. Costumo escrever contos a partir de fatos reais, misturando com elementos de ficção. Neste caso, usei um acontecimento que já apareceu em um conto de um desafio anterior; quem já leu pode acabar reconhecendo essa semelhança.

A “Descartáveis S.A” parecia sempre mais fria pela manhã. O prédio, de concreto pálido e janelas espelhadas, tinha o silêncio estéril de um corredor hospitalar — apropriado, talvez, para uma empresa especializada em lidar com aquilo que ninguém queria tocar: resíduos hospitalares, materiais tóxicos, restos que o mundo preferia esquecer.

Na recepção, um painel iluminado exibia o slogan corporativo com entusiasmo quase irônico diante do ambiente asséptico:

“Tudo tem valor… até não ter mais.”

Caio atravessava a porta giratória com a pressa de quem já estava atrasado mesmo estando adiantado. O segurança da portaria levantou a mão num cumprimento educado:

— Bom dia, seu Caio.

Caio sequer virou o rosto. Passou direto, os passos duros ecoando no hall amplo.

A poucos metros dali uma funcionária da limpeza empurrava um carrinho de produtos. Ela se apressou para abrir espaço no corredor estreito, mas Caio não agradeceu, não diminuiu o passo, não demonstrou notar sua presença. Passou por ela como passaria por uma lixeira ou uma porta automática: sem atribuir humanidade, sem registrar existência.

A funcionária seguiu seu trabalho em silêncio, acostumada. No fundo, ninguém esperava que Caio cumprimentasse. Ele era eficiente, pontual, produtivo — e, para a empresa, às vezes isso bastava para considerá-lo valioso.

Caio finalmente chegou em sua sala, isolado de pessoas com quem ele não queria contato

Pegou um copo descartável, foi até o bebedouro, encheu até a metade e bebeu.

— Bom dia, Caio — disse uma voz suave vinda da porta da sala que estava entreaberta.

Era Nádia, do jurídico. Discreta, roupa simples, cabelo preso de um jeito apressado.

Ela sorriu, tímida, esperando um retorno.

— Bom dia — respondeu ele, sem emoção, já virando para jogar o copo, como se o ato tivesse mais importância que ela.

O som seco do copo caindo no fundo do cesto fez Nádia desviar o olhar por um instante. Talvez fosse impressão, mas às vezes ela se via naquele gesto.

— Como está seu dia? Que tal almoçarmos juntos hoje?

— Se der, a gente vai — ele murmurou, sentando-se na cadeira e olhando para o laptop.

Nádia engoliu em seco, mas não desistiu. Aproximou-se por trás da cadeira dele, as mãos repousando suavemente sobre os ombros tensos de Caio. Ela começou a massagear os nós musculares que sentia sob o tecido da camisa dele.

Ela sentiu o corpo dele relaxar sob o toque dela, como um animal que aceita o conforto sem reconhecer quem o provê.

Ela inclinou o corpo, encostando levemente o rosto perto do dele, sentindo o calor da pele. — Você está muito tenso. Devia descansar um pouco mais à noite...

Caio fez sinal, batendo com a palma da mão levemente na sua coxa.

— Vem aqui, safada!

Nadia atendeu o comando e se sentou no colo dele.

Caio a abraçou e com uma das mãos desceu pelo pescoço, escorregando para o interior do decote, sob o sutiã, até envolver o seio inteiro em sua palma.

Na verdade, ele achava o corpo de Nadia meio sem graça, os seios meio murchos, mas servia para satisfazê-lo, e aliviar seu desejo sexual

Pressionou o bico do seio com os dedos, fazendo Nadia gemer.

— Agora não Caio ... aqui é muito perigoso – Disse ela se contorcendo

— Eu quero agora. Vai tirando essa a roupa! – Disse autoritário

— Ta bom, vou deixar você brincar comigo hoje, mas tem de ser rapidinho – Respondeu desabotoando a blusa.

Ainda sentada no colo de Caio, ela girou levemente o corpo em sua direção, tirou o sutiã e colocou os seios à disposição.

Caio não perdeu tempo e começou a sugar os mamilos, ao mesmo tempo que levantava a saia de Nadia, revelando sua calcinha bege.

— Porra Nadia! Calcinha bege é foda! Você sabe que eu prefiro aquela vermelha.

— Eu não sabia que você ia me usar hoje!

— Você é minha putinha, tem que estar sempre preparada, do jeito que eu gosto! - Falou Caio, fincando os dedos na boceta.

Nadia gemia alto, começou a rebolar nos dedos de Caio, enquanto ele sussurrava obscenidades em seu ouvido.

Nadia começou a se contorcer, até desabar, apoiando-se com as mãos na mesa.

— Nossa! Que dedos gostosos! Foi demais!

— Vai ficar ainda melhor – disse Caio, pegando-a pelos cabelos e jogando firmemente em cima da mesa.

Um tapa explodiu na bunda de Nadia:

— De quatro vagabunda!

Nadia olhou pra ele, mordendo os lábios:

— Me usa, Caio — sussurrou, quase que implorando por mais — Do jeito que você quiser.

— Boa garota! Assim que eu gosto, bem obediente!

Caio não achava Nadia tão bonita, mas a visão dela de quatro em cima da mesa, à sua disposição, o deixou excitado, de pau duríssimo.

Ele subiu em cima da mesa e a despiu por completo, a saia e a calcinha escorregaram fácil pelas pernas. Ela olhou por cima do ombro, com chama nos olhos:

— Eu quero tomar no cu, bem gostoso! — Implorou, com um sorriso sujo, os dedos abrindo o cu para receber a piroca.

Caio desabotoou o cinto, deixando cair as calças. Sem hesitar, entrou com tudo na boceta. Ela soltou um grito que ecoou pela sala.

Caio a segurou pelos cabelos, arqueando sua cabeça para trás, e socou com todas as forças.

- Aí Caio, ta gostoso, mas eu quero ser enrabada! — sussurrava, ofegante, com a voz falhando entre gemidos.

Caio enfiou dois dedos no cu, para abrir caminho. Ela gemeu alto, o som ecoando pelas paredes.

- Aqui que você quer? Então pede por favor!

- Eu quero, quero muito! Por favor, põe o pau todinho no meu rabinho.

Caio a pegou pelos quadris e a penetrou de uma vez só — fundo, forte, bruto.

Ela gritou. Um grito de quem estava sendo possuída.

O som dos quadris se batendo preenchia o espaço, num ritmo crescente, quase animal.

A cada estocada no cu, Caio a puxava para trás, pelos cabelos.

— Isso... porra, Caio, mais forte... — ela implorava, sem pudor.

Caio empurrava com mais força, mais velocidade, sentindo cada contração do cu apertando seu pau.

Não resistiu por muito tempo, enterrou fundo uma última vez, e jorrou dentro dela. O corpo inteiro em espasmos, a respiração falha, o suor escorrendo.

Caio desceu da mesa e sentou-se novamente em sua cadeira, observando Nadia que ainda estava deitada sobre a mesa à frente, atravessada, tentando se recuperar da enrabada.

A mão dele se estendeu, fechando-se no cabelo de Nadia com força, enrolando os fios nos dedos. O puxão veio de baixo para cima e para frente, inesperado e bruto. Sentado, ele a arrastou em sua direção, fazendo com que o corpo dela escorregasse pela superfície lisa da mesa.

Nadia perdeu o apoio quase imediatamente. O tronco desceu primeiro, os quadris raspando na borda, as pernas buscando o chão às cegas. Por um instante, ela ficou suspensa de forma desajeitada diante dele, próxima demais, o equilíbrio por um fio, antes de conseguir se firmar para não cair. O movimento foi descuidado, quase cruel, e a mesa rangeu sob o peso deslocado.

Caio não se levantou, posicionou Nadia de joelhos na sua frente e permaneceu ali, sentado, mantendo o controle da situação, deixando claro quem comandava aquele momento.

Conduziu a boca de Nadia até seu pau, antes de finalmente soltá-la.

Nadia já sabia bem o que fazer, começou a mamar no pau de Caio.

— Chupa com mais vontade! Olhando pra mim, piranha! — Ordenou Caio enquanto dava uma tapinha em seu rosto.

Nadia aumentou o ritmo do boquete, procurando agradar o amante. Mais Caio ainda não satisfeito deu um outro tapinha em seu rosto:

— Desaprendeu a ser puta? Você sabe que eu gosto que trabalhe com a boquinha e com as mãos ao mesmo tempo!

Nadia obedeceu, e começou a massagear o saco de Caio ao mesmo tempo que chupava.

Caio relaxou o corpo, jogou o pescoço para trás e fechou os olhos, aproveitando a mamada de Nadia.

O interfone soou repentinamente:

— Senhor Caio — disse a secretária — o doutor Osvaldo está vindo ao setor. Ele quer falar com o senhor e apresentar uma nova funcionária.

Caio desligou sem responder. Olhou para Nádia como se ela fosse, de repente, um problema.

— Acabou a putaria, rápido! — disse, tirando o pau da boca de Nádia. — O cretino do Osvaldo não pode pegar a gente assim.

Nádia se levantou, vestiu a roupa, ajustou a saia, alisou a blusa amassada, foi até o espelho pequeno atrás da porta. Passou a mão no cabelo, enxugou o suor da testa com um lenço de papel. Caio colocou a calça, fechou os botões da camisa, respirou fundo.

Enquanto se recompunham, Caio a observou por um segundo a mais do que o necessário. O corpo dela parecia diferente. Mais cheio. Ele franziu levemente o cenho, incomodado com um pensamento que não fez questão de esconder.

Nádia percebeu o olhar.

— A gente pode almoçar junto hoje? — perguntou, tentando soar casual.

Caio hesitou só um instante.

— Pode ser — respondeu. — Mas melhor naquele restaurante vegetariano perto daqui. Você… — fez um gesto vago com a mão — já tá precisando dar uma cuidada na alimentação.

O sorriso de Nádia vacilou.

— É… eu tava pensando em voltar pra academia — disse, retraindo um pouco os ombros. — Ou até contratar um personal.

Caio deu de ombros, como se fosse óbvio.

— É melhor, Gosto da minha putinha sempre bem gostosa pra mim.

Ela assentiu em silêncio. Pegou a bolsa, respirou fundo, agora já pronta para sair. Aproximou-se dele e tentou um selinho rápido, quase automático.

— Agora não — disse Caio, desviando o rosto — Não dá tempo. Vai.

Nádia saiu sem discutir.

Segundos depois, a porta se abriu novamente. Osvaldo entrou primeiro, sério, acompanhado de uma mulher mais jovem, postura atenta, olhar curioso.

— Caio, essa é a Erika — anunciou o diretor — Nossa nova funcionária.

Erika.

A presença dela tirou Caio do eixo. Sentiu o olhar escapar antes mesmo de perceber, e precisou de um esforço quase físico para trazê-lo de volta.

Ela sorriu, breve, profissional.

— Prazer.

— O prazer é meu — respondeu Caio, rápido demais, traído pelo próprio entusiasmo.

“Bonita. Jovem. E olha o corpo… muito superior à Nádia. Não tem nem comparação.” - Pensou

O doutor Osvaldo pigarreou, impaciente, e começou a falar.

Enumerava expectativas, responsabilidades, prazos. Caio ouvia, mas parte de si ainda estava presa à presença de Erika, à forma como ela ocupava o espaço sem dizer nada. Precisou se obrigar a escutar.

— Osvaldo, eu estava organizando ...

— Doutor Osvaldo — interrompeu-o, seco — Aqui mantemos a formalidade.

A correção caiu como um tapa discreto. Caio assentiu, sentindo o peso da hierarquia se restabelecer.

O diretor cruzou os braços.

— Já que estamos aqui, vamos falar das metas. Você sabe como funciona: sem metas, sem bonificação.

O silêncio de Caio foi resposta suficiente.

— E o relatório — continuou Osvaldo, agora com um leve prazer na voz. — Espero há tempos. Até agora, nada.

— Tenho estado sobrecarregado — disse Caio, escolhendo as palavras como quem pisa em vidro — Para entregar no prazo, vou precisar trabalhar além do expediente. E… minha mãe está doente. Eu cuido dela.

O doutor Osvaldo inclinou levemente a cabeça, como quem avalia algo insignificante.

— A doença da sua mãe não diz respeito à empresa — Deu um passo à frente — Há muitas pessoas que querem o seu cargo. Pessoas que sonham em estar aqui.

Caio sentiu o estômago se fechar.

— Você é substituível — concluiu o diretor, sem elevar a voz — Se não cumprir o que foi ordenado, será dispensado.

— Sim Senhor – respondeu Caio retraído.

— Aqui está a ficha da Erika! Agora vai lá e mostra o serviço para ela!

— Claro — disse, com um sorriso malicioso.

Para Caio, era como se uma nova categoria de “melhor opção” tivesse acabado de surgir

diante dele.

Nádia, com seu jeito retraído e suas roupas sem destaque, nunca chamava atenção. Passava despercebida nos corredores. Ao contrário de Érika, que entrou e imediatamente virou o centro gravitacional do setor.

E naquele momento, Nádia — mesmo sem saber — começava a perder valor

rapidamente.

A perfeição sempre vinha com um, porém.

— “Ah… casada” — pensou Caio, enquanto lia a ficha de Erika

Com o passar das semanas, o setor financeiro se acostumou à presença de Érika — ou, pelo menos, fingiu que sim. A verdade é que havia sempre um movimento sutil dos olhos masculinos quando ela passava, um desvio discreto de atenção, uma tentativa de parecer natural enquanto a acompanhavam até o café, até a impressora, até a porta de saída.

Era casada — e Caio tinha esse limite. Não por moralidade verdadeira, mas por cálculo. Envolver-se com mulher comprometida, envolvia riscos que ele não queria assumir.

Ainda assim, o desejo ficava ali, latejando, quase incômodo

Ricardo, o marido aparecia ocasionalmente na empresa, e Caio o viu o suficiente para detestá-lo. Jovem, bem-vestido, sorriso confiante, Ricardo entrava, cumprimentava a todos com educação — incluindo Caio — e saía com Érika pelo braço, como se ela pertencesse a um mundo superior, um mundo onde Caio nunca pisara.

A inveja vinha quente, quase ácida.

Não era só por Érika.

Era por tudo que Ricardo representava: poder, recursos, prestígio… uma vida em que as coisas boas vinham com facilidade.

Por que ele?

Por que não eu?

Era a pergunta que Caio nunca dizia em voz alta, mas que escorria pelas frestas da sua mente toda vez que Érika se iluminava ao ver o marido chegar.

E enquanto esse desejo corrosivo crescia por dentro, Caio seguia com Nádia. Não por afeto. Não por compromisso. Mas por falta de opção melhor.

Ela continuava companheira, presente, disponível — quase dócil. Ainda se encolhia um pouco quando falava com ele, ainda buscava sinais de aprovação, ainda tentava ser suficiente para um homem que jamais se esforçou minimamente por ela.

E Caio, confortável, não via problema.

Na visão dele, era simples: Se nada melhor aparecer, Nádia serve. Uma escolha de conveniência. Provisória. Descartável.

Enquanto Érika continuasse casada, inacessível, brilhando num nível que Nádia nunca alcançaria aos olhos dele, Caio se contentava com o que tinha.

Mas o desejo continuava ali. A inveja também.

E cada vez que via Érika sorrir para Ricardo, Caio sentia mais claramente:

não era só que não tinha o que queria — era que outro homem tinha o que ele desejava.

E isso, para Caio, era difícil de engolir.

Os dias no financeiro seguiram a rotina habitual, mas algo em Érika parecia… desalinhado. Não era evidente para todos — ela ainda sorria, ainda cumprimentava, ainda mantinha a postura impecável. Mas, para Caio, que a observava com uma atenção imprópria, a mudança era clara.

Ela andava um pouco mais devagar. Falava com menos brilho.

E, principalmente, evitava atender ligações na frente dos outros.

Uma tarde, ao voltar da copa, Caio cruzou com ela parada perto da mesa de Débora, colega do administrativo. As duas conversavam em voz baixa, como quem tenta esconder palavras que não querem ser vistas.

Caio não ouviu o começo — mas ouviu o suficiente.

— …eu não esperava por isso, Débora… — dizia Érika, a voz embargada, quase num sussurro.

— Tem certeza? — perguntou Débora, preocupada.

— Vi com meus próprios olhos… não dá pra explicar de outra forma…

Caio parou discretamente atrás do bebedouro, fingindo preencher um copo vazio.

E então Érika respirou fundo, tentando conter algo que ameaçava escapar.

Não chorou — Érika não era do tipo que chorava em público — mas o ar ao redor dela parecia mais denso, pesado.

Ricardo. Só pode ser sobre ele. Embora não tivesse certeza absoluta do assunto, embora só tivesse captado três ou quatro frases soltas, algo dentro dele já comemorava.

Um casamento perfeito se desfazendo. Um homem que ele invejava sendo diminuído.

Uma brecha — por menor que fosse — de que a vida de Érika talvez tivesse espaço para alguém como ele. E Caio vibrou por dentro, uma vibração pequena, feia, escondida.

Mas logo ajeitou a expressão, voltou ao seu lugar e abriu a planilha como se nada tivesse acontecido. Seu rosto continuava impassível, profissional, quase indiferente.

Por dentro, porém, algo se acendera.

Como se, finalmente, algo estivesse sendo… reciclado no destino de Érika.

E Caio, do jeito mais mesquinho possível, adorava imaginar esse lixo emocional sendo descartado — para que ele pudesse, quem sabe, recolher o que sobrasse.

O relógio marcou meio-dia e Caio saiu do prédio da empresa com as mãos nos bolsos, pronto para escolher algum restaurante.

No caminho viu que dois homens reviravam um contêiner de lixo, disputando restos de comida. Mais à frente, uma senhora com roupas gastas estendia a mão para quem passava, praticamente invisível para a maioria.

Caio sentiu um arrepio de repulsa. Aqueles cenários o incomodavam profundamente. Sempre a mesma gente fedida ocupando a calçada…, pensou. Mas, ao mesmo tempo, uma pequena satisfação se acendeu dentro dele, uma chama íntima de superioridade.

Pelo menos minha vida não está nesse nível. Eu tô longe disso aí.

Continuou andando desviando dos pedintes, pensando em qual restaurante escolheria. Foi então que ouviu:

— Caio?

A voz era conhecida. Ele virou a cabeça e viu Erika, sentada sozinha numa das mesas externas de um restaurante. Estava linda, mesmo com o rosto abatido, e parecia que o sorriso dela tinha lutado muito para existir naquela manhã.

— Oi… — ele disse, surpreso. — Você está bem?

Ela não respondeu de imediato. Só tocou na cadeira à sua frente, quase implorando:

— Por favor, senta comigo. Eu preciso conversar com alguém.

Ele se aproximou sem hesitar. Sentou-se, tentando entender o que acontecia.

Erika respirou fundo, com os olhos marejados.

— Caio… eu descobri que o Ricardo estava me traindo.

Ele sentiu um choque interno de alegria — quente, imediato, quase perigoso. Teve que controlar a expressão. Respirou fundo, fingindo sentir apenas indignação e compaixão.

— Eu sinto muito — murmurou, encenando tristeza — Isso é horrível.

Erika continuou, a voz trêmula.

— Eu tinha suspeitas há meses… Mas semana passada, eu voltei da faculdade mais cedo. Abri a porta do quarto e… — ela engoliu seco. — Ele estava lá… com outra mulher. Na nossa cama.

Caio inclinou-se para a frente, tentando parecer o tipo de pessoa que realmente se importa.

— Ninguém merece passar por isso. Você confiou nele. Ele quebrou essa confiança. É culpa dele, não sua.

Ela respirou fundo, limpando uma lágrima.

— Obrigada por me ouvir. Eu precisava de alguém hoje.

Caio sorriu de forma controlada, calculada.

— Sempre que você precisar… eu estou aqui.

Terminaram o almoço em silêncio ocasional, Erika visivelmente aliviada por ter desabafado — e Caio cada vez mais animado por dentro, imaginando oportunidades.

Quando voltaram juntos à empresa, caminhando lado a lado pela mesma rua onde ele antes desviara dos pedintes, Caio viu novamente a pobre senhora de mãos estendidas. Dessa vez, porém, ele fez questão de parar.

— Espere um instante, Erika — disse, teatral.

Abriu a carteira e entregou uma nota generosa à mulher, com um sorriso que só parecia gentil — porque o verdadeiro propósito era claro como o sol: mostrar a Erika que ele era “um homem bom”.

A senhora agradeceu emocionada. Caio assentiu com importância, esperando — até sentindo o olhar de Erika sobre ele.

— Você é muito solidário… — ela murmurou, ainda fragilizada.

— A gente tem que ajudar, né? — respondeu, quase se orgulhando da própria atuação.

Já perto do prédio, Erika suspirou.

— Caio… eu decidi que vou sair de férias. Não tenho cabeça pra trabalhar depois de tudo isso. Preciso ficar longe por uns dias, colocar minha mente no lugar.

Uma fisgada de irritação percorreu Caio.

Droga. Justo agora. Se ela sumir, aquele idiota do Ricardo pode reconquistar ela. E eu fico sem chance nenhuma.

Mas controlou o rosto, moldando novamente a expressão ideal.

— Você está fazendo a coisa certa — disse, com voz calma. — É importante cuidar da sua cabeça. Se você precisar de um ombro amigo… eu tô aqui.

Erika sorriu, um sorriso pequeno, cansado, mas sincero.

— Obrigada, Caio. De verdade.

Ele acenou, com o rosto de bom samaritano, mas por dentro pensou:

“Estou oferecendo o ombro… mas o que eu queria era oferecer a meu pau, para socar neste teu rabo gostoso!”

E riu internamente, satisfeito com seu próprio segredo.

Os dias passaram e Erika saiu de férias, quase no final de um expediente Caio estava concentrado nos relatórios, empilhando papéis com cuidado mecânico, quando Nadia se aproximou com aquele sorriso que sempre parecia esperar aprovação.

— Então… pensei em jantar com você amanhã à noite, dia 15 — disse ela, inclinando-se sobre a mesa, o perfume suave flutuando perto dele. — Que tal?

Caio abriu a boca para responder, mas o celular vibrou com insistência sobre a mesa. Ele o pegou e, ao ver quem ligava, quase se engasgou: Erika.

— É um cliente importante — disse rapidamente a Nadia, mantendo a voz neutra — Preciso atender em particular.

Nadia franziu o cenho, mas recuou:

— Tudo bem.

Assim que a porta se fechou, Caio atendeu, e a voz de Erika, doce e carregada de uma sensualidade tranquila, invadiu a sala.

— Caio… — ela murmurou, como quem brinca com cada sílaba — Você vai estar disponível amanhã à noite, dia 15?

O peito de Caio apertou, e um calor inesperado subiu-lhe pelo corpo. Sem pensar, respondeu:

— Sim… estarei.

— Ótimo… — continuou Erika, a voz deslizando suave, sedutora — Meu aniversário é só no dia 16, mas amanhã à noite vou fazer uma pequena festinha em casa… quero que você venha.

Um arrepio percorreu a espinha dele. Ele podia quase imaginar o sorriso dela, a maneira como inclinava a cabeça, deixando o cabelo cair sobre os ombros.

— Com certeza, estarei lá — disse, a animação escapando na voz antes que ele pudesse controlá-la.

— Perfeito… — Erika suspirou, baixinho, o tom quase um sussurro íntimo —. Estarei esperando ansiosamente por você, Caio… na minha casa.

O clique do desligar trouxe de volta a realidade, mas Caio permaneceu parado por alguns segundos, segurando o celular, sentindo o calor da excitação percorrer-lhe o peito. Ele fez um gesto sutil e Nadia entrou novamente.

— Então, sobre o jantar de amanhã… — ela começou ainda sorrindo, sem perceber o efeito que aquela ligação tinha causado nele.

Caio sorriu, mantendo a voz controlada, mas com um brilho nos olhos que Nadia não podia perceber:

— Amanhã vai ser difícil, Nadia, tenho que cuidar da minha mãe doente — disse, escolhendo cuidadosamente suas palavras — Que tal na semana que vem? Quero muito jantar com você, mas amanhã não vai dar.

Nadia franziu levemente o cenho, mas assentiu, desconfiada, mas sem insistir:

— Tá… tudo bem, então. Semana que vem.

Caio assentiu, e assim que a porta se fechou atrás dela, deixou escapar um sorriso mais largo, o coração ainda acelerado. Amanhã à noite seria dele… e de Erika, com aquela voz doce, sedutora e cheia de promessas.

Depois que Nadia saiu da sala, Caio abriu um sorriso que não conseguia conter. A voz de Erika ainda ecoava em sua mente, suave, quente, quase um convite velado. Ele já imaginava a noite do dia 15, imaginava o perfume dela, o sorriso, a maneira como ela o chamaria pelo nome…

E então um pensamento surgiu, impaciente e urgente: Ele precisava levar um presente. E não qualquer presente. Algo à altura dela.

Caio abriu o aplicativo do banco. O saldo o encarou de volta como uma piada cruel. Limite estourado. Conta zerada. Tudo por causa das últimas semanas — tinha ido duas vezes no puteiro, madrugadas gastas em jogos online, pequenas compras que pareciam baratas na hora, mas somadas agora eram um abismo.

— Merda… — murmurou baixo.

Mas então uma ideia surgiu, simples, óbvia… e conveniente.

Nadia.

Ela sempre ajudava. Sempre confiava. Sempre acreditava em tudo o que ele dizia.

Caio saiu da sala e a encontrou organizando documentos no setor administrativo. Ele colocou a expressão certa no rosto — não a verdadeira, mas uma versão ensaiada de preocupação sincera.

— Nadia… — chamou, aproximando-se dela. — Você pode me ajudar com uma coisa?

Ela levantou os olhos, já com aquele olhar de quem está pronta para fazer o que for preciso por ele.

— O que foi, Caio?

Ele suspirou, calculando cada palavra.

— Tive um imprevisto… preciso comprar um remédio muito caro pra minha mãe doente. Estou precisando de quinhentos reais. Só até a semana que vem. Juro que devolvo.

Nadia arregalou os olhos, surpresa.

— Quinhentos? Caio… eu não sei… mês passado eu te emprestei quatrocentos e você não me pagou.

Caio forçou um sorriso compreensivo, como se entendesse — embora por dentro estivesse irritado. Tinha esquecido dos 400 reais que pegou com Nadia para pagar uma prostituta com quem saiu.

— Mês que vem sai a bonificação e eu te pago tudo, 900 reais, é que minha mãe ta precisando mesmo.

Nadia respirou fundo, desconfortável, e mexeu no celular.

— Eu… eu consigo te emprestar trezentos. Mais que isso não dá mesmo.

Trezentos. Não era o que ele queria, mas era o suficiente. Caio sabia. Com trezentos dava para comprar algo bonito, elegante… algo que impressionaria Erika.

— Tudo bem, Nadia. Trezentos já ajudam muito — disse ele, com um sorriso que fez os olhos dela brilharem brevemente.

Em poucos segundos, o pix chegou. O celular de Caio vibrou, mostrando a notificação. Ele sentiu uma onda de alívio — e logo em seguida, uma de animação pura.

— Obrigado, de verdade — disse, abraçando-a de leve, só para reforçar a sensação de proximidade que ela tanto valorizava.

Nadia sorriu, tímida.

— Só não esquece de me devolver, tá? Melhoras para sua mãezinha.

— Claro — respondeu Caio, já longe daquele assunto mentalmente.

Enquanto guardava o celular no bolso, um único pensamento pulsava em sua mente:

“Com trezentos ainda dá pra comprar algo bom.”

Algo bom…Para Erika. E isso era tudo o que importava.

No dia 15, Caio mal conseguiu se concentrar no trabalho. Cada hora parecia dobrar de tamanho. Assim que o expediente terminou, ele conferiu o presente — o perfume cuidadosamente embalado, comprado com o dinheiro emprestado por Nadia e saiu apressado.

No caminho até a casa de Erika, suas mãos suavam no volante. O coração batia rápido. A cabeça imaginava mil possibilidades.

Quando chegou ao endereço, ficou alguns segundos parado, olhando tudo.

A casa de Erika era imponente, com um aspecto quase cinematográfico.

Caio estacionou na frente e tocou o interfone. E então ela apareceu.

Erika.

A calça justa destacava cada linha de suas pernas, do quadril, a silhueta totalmente marcada pelo tecido. A blusa curta mostrava um pedaço da barriga, o umbigo à mostra, e o sorriso que ela deu ao vê-lo fez o corpo de Caio esquentar.

— Caio… — disse ela, com aquela voz suave — Coloca o carro aqui dentro, por favor. Essa rua tem muito furto. Pode entrar pelo portão lateral, vou abrir pra você.

— Claro, sem problema — ele respondeu, tentando soar natural, mesmo com o coração acelerado.

O portão se abriu lentamente, e Caio dirigiu para dentro. Erika ficou à porta, esperando por ele. Quando ele desceu do carro, ela virou de costas para guiá-lo até a entrada — e o modo como caminhava, os quadris marcados pelo tecido justo, tinha algo deliberadamente lento.

Ao entrar na casa, algo chamou sua atenção imediatamente.

Não havia música alta, nem movimento de muitas pessoas chegando. Não havia copos já prontos, nem balões, nem qualquer sinal de uma festa grande.

A casa estava iluminada por lâmpadas quentes e algumas velas discretas, criando um clima intimista, quase privado demais para o que Erika havia chamado de “festinha”.

Caio olhou em volta, confuso e encantado ao mesmo tempo.

— Ué… — ele tentou brincar, ajeitando o presente nas mãos — cadê todo mundo?

Erika fechou a porta atrás dele, com um sorriso enigmático. Ela se aproximou um pouco, não o suficiente para parecer óbvio, mas perto o bastante para que Caio sentisse o perfume dela.

— Ah… eles chegam depois — respondeu, olhando nos olhos dele, a voz baixa, como se estivesse revelando um segredo. — Mas é bom que você tenha chegado cedo… assim eu posso te receber do jeitinho que eu queria.

Caio sentiu o estômago afundar, não de medo, mas de pura antecipação.

A noite mal tinha começado — e já não parecia, nem de longe, uma festa comum.

Caio deixou o presente sobre a mesa ao lado da sala e olhou ao redor mais uma vez. O ambiente era acolhedor, íntimo, iluminado por luzes suaves que deixavam a pele de Erika ainda mais destacada.

Ela parou perto dele, cruzando os braços de leve — gesto que realçava a cintura, a barriga exposta, a postura segura. Seus olhos tinham um brilho diferente, quase desafiador.

— Caio… — ela começou, com um sorriso que parecia guardar uma provocação — você sempre me olhou diferente lá no trabalho.

Ele sentiu o rosto esquentar. Tentou sorrir, mas o nervosismo o alcançou.

— Eu… — Caio respirou fundo — eu sempre admirei sua beleza, sim. Seria impossível não admirar.

Erika ergueu uma sobrancelha, divertida, como se já soubesse a resposta.

— Mas sempre respeitei — Continuou ele, a voz um pouco mais firme. — Você era casada. E eu nunca quis passar desse limite.

Erika deu um passo para mais perto. Agora, Caio podia sentir o perfume dela, suave, quente. O tipo de perfume que não se espalhava — se aproximava.

— Era — ela disse, enfatizando a palavra com intenção. — Eu era casada.

Caio a encarou, surpreso.

— O quê?

— Eu o coloquei pra fora de casa — respondeu ela, com naturalidade, como quem comenta o clima —Não sou mulher de aceitar desrespeito.

Ela deu outro passo, ainda mais lento, ainda mais calculado. Seu olhar não desviava, mantendo Caio preso como se cada segundo fosse parte de um jogo silencioso.

— Então agora… — ela disse, a voz abaixando, ficando mais íntima — Não tem marido. Não tem ninguém pra você “respeitar” além de mim mesma.

Caio sentiu um arrepio subir pelas costas.

— Erika… — ele disse, olhando ao redor — você falou que teriam convidados…

Ela sorriu — um sorriso cheio de intenção, quase feroz de tão seguro.

— Não têm.

Ela se inclinou ligeiramente, aproximando o rosto do dele, o suficiente para que sentisse a respiração dela.

— Não convidei ninguém. Só você.

Caio ficou imóvel, o coração batendo forte.

— Então… — ele murmurou — a festa…

— É pra você — Completou Erika, passando a ponta dos dedos no peito dele, um gesto lento, quase distraído, mas que tinha clara intenção — Só pra você.

Ela deu um giro suave, como quem mostra a casa — ou a si mesma.

Depois o olhou direto nos olhos, firme, segura, sedutora.

— Você vem? Ou vai embora?

— Eu não vou a lugar nenhum — respondeu ele, a voz um pouco mais grave do que o normal.

Ela se virou, sem pressa, e começou a caminhar pela casa. Não precisou dizer nada. O simples gesto era um convite — ou uma ordem suave. Caio a seguiu.

O olhar de Erika escureceu — não de raiva, mas de satisfação controlada.

Ela o pegou pela gravata, segurou a extremidade entre os dedos e deu um leve puxão, não para forçar, mas para guiar.

— Vem.

Caio foi.

Não como um homem sendo arrastado —

mas como alguém que escolhe se submeter.

Ela subiu as escadas conduzindo Caio pela gravata até o quarto do casal. Abriu a porta.

Erika entrou primeiro. Parou no centro do quarto. Só então puxou a gravata um pouco mais, fazendo Caio se aproximar até sentir o calor do corpo dela.

Soltou a gravata e com um andar firme e decidido, se dirigiu à cama. Cada passo marcado pela graça. Ao alcançar a cama, ela se sentou na ponta, a postura relaxada, mas com um ar de poder que não podia ser ignorado.

Com um olhar intenso, ela fixa os olhos em Caio, que está abaixado, admirando a cena. Erika levanta a mão e faz um gesto convidativo, chamando-o para se aproximar. Caio, tomado pela ansiedade e pela alegria, se levantou rapidamente, movendo-se em direção a ela como um cachorro feliz que corre ao encontro do dono. O coração dele bate acelerado, ansioso para estar mais perto dela.

Ele se ajoelhou aos seus pés e começa a beijar e acariciar suas pernas, por cima da calça.

Erika parecia se divertir com a cena e fez um gesto para que Caio tirasse os sapatos dela. Ele, um pouco nervoso, obedeceu rapidamente e começou a beijar os pés de Erika, de uma forma faminta, quase desesperada.

— Você está deslumbrante — Ele murmurou, enquanto continuava a beijá-la com veneração.

Erika sorriu, um brilho de satisfação dançando em seu olhar.

— Você realmente acha? Sabe que isso me deixa ainda mais interessada. – Falou Erika tirando as calças, por baixo apenas uma calcinha vermelha e delicada.

Com um impulso incontrolável, Caio se lançou a ela, suas mãos começando a subir. Ele estava ansioso, quase tremendo, enquanto puxava delicadamente a alça da blusinha, expondo a pele macia de seus ombros.

— Com certeza— Respondeu, a voz carregada de desejo.

Erika se deixou levar, mas com um ar de domínio.

— Você está tão ansioso, Caio. Adoro isso — Disse, rindo suavemente enquanto observava cada movimento dele.

Ele, então, começou a beijar o ombro dela, sua boca quente e ansiosa.

— Você é perfeita — Ele sussurrou, reverenciando cada centímetro exposto de seu corpo. Suas mãos deslizavam pela cintura dela, enquanto a massageava com devoção, como se estivesse adorando uma deusa.

— Diga-me, Caio, o que você mais ama em mim? — Erika perguntou, sua voz suave, mas cheia de poder.

— Seu corpo é uma obra-prima — Ele respondeu, seus olhos brilhando com admiração. — Eu sempre sonhei em tocar você assim.

Ela sorriu, gostando da entrega dele.: — E você vai me adorar como eu mereço, não é? — Disse tirando de vez a blusinha e expondo os seios.

— Sim, eu vou — Ele afirmou, a urgência em sua voz evidente. Ele continuou a explorar seu corpo, subindo da cintura até os seios, cada toque reverente, como se estivesse em um templo sagrado.

Erika se deliciava com a cena, a forma como Caio estava completamente dominado por ela.

— Você está tão envolvido, Caio. É exatamente assim que eu gosto — ela disse, rindo levemente, enquanto ele se perdia em sua beleza.

— Agora eu vou querer o meu presente de aniversário, Caio – Disse ela tirando a calcinha – Você vai chupar a minha boceta, beeeeem gostoso, e me fazer gozar.

Ele começou a lamber, com tanta intensidade que parecia estar em uma corrida contra o tempo. Os movimentos de sua língua eram rápidos e determinados.

Quando sentiu que Erika finalmente gozou em sua boca, a expressão de seu rosto revelou uma mistura de satisfação e gula.

Foi um momento de pura indulgência, onde ele se perdeu no sabor do gozo. Deslizou a língua fundo dentro da boceta, capturando cada gota de gozo. A textura e o cheiro pareciam hipnotizá-lo. enquanto ele tentava engolir tudo.

Quando Caio pensou que já sorvido tudo, Erika passou os dois dedos na boceta e sorriu, revelando que ainda havia mais. O líquido brilhante se acumulou entre seus dedos, e ela fez um movimento de pinça, puxando um fio delicado de gozo. Caio, com os olhos fixos nessa cena, não conseguiu resistir. Ele abriu a boca, estendeu a língua para fora, enquanto Erika, com um olhar provocante, levou os dedos até sua boca. Ele começa a sugar com vontade, saboreando os últimos vestígios, a sensação de cada gota se misturando à suavidade dos dedos de Erika. Foi mais um momento de diversão para Erika.

Erika se curvou levemente, olhando carinhosamente para Caio, que estava todo animado. Com um sorriso no rosto, ela começou a dar tapinhas leves e carinhosos na cabeça dele, enquanto dizia: "Bom menino, assim mesmo que eu gosto!" Caio, visivelmente feliz, contorceu-se de alegria, exibindo uma expressão de pura satisfação. Sua língua estava para fora, e ele colocou as duas mãos abaixo do queixo, como se fosse um cachorro, pedindo por mais carinho.

— Se levanta do chão Caio. Quero avaliar o material — Ordenou Erika

Erika permaneceu sentada na cama, com uma postura confiante, emanando uma aura de poder e controle. Caio, mais uma vez obedeceu, se levantou, tirou a roupa e desfilou nu pelo quarto.

Enquanto isso Erika ostentava um olhar é firme e avaliador, sua expressão facial refletia um leve desdém, como se estivesse pronta para criticar. Caio, por outro lado, continuava desfilando na frente dela, tentando agradá-la, mas seu entusiasmo diminui ao perceber a expressão de Erika.

Quando ela finalmente falou, sua voz estava tranquila, mas carregada de superioridade: "Não é tudo isso, mas ..." As palavras saem com um tom de zombaria.

Erika pega um pacote de camisinha, joga em direção a Caio:

— Mas eu vou ser boazinha, coloque essa camisinha, e pode subir na cama para me comer — Falou Erika, para logo em seguida se colocar de quatro em cima da cama.

Naquela posição ficava ainda mais evidente a beleza de seu corpo.

Caio ficou simplesmente hipnotizado por ver Erika naquela posição de entrega, colocou a camisinha com pressa e começou a socar com força!

- Ahh Erika, que boceta gostosa! Toda molhadinha para mim!

- Ahhh, mete gostoso! Você consegue mais Caio! – Pediu em meio a gemidos

Caio tentou socar mais forte. Aumentou a velocidade. O corpo respondeu por um instante — depois começou a falhar. Quanto mais ele acelerava, mais Erika exigia. Não havia pausa. Não havia concessão. Os braços pesaram, o ar sumiu dos pulmões, o suor ardeu nos olhos. O limite chegou sem aviso.

Ele desabou ao lado dela, o corpo jogado no chão, o peito rasgando o silêncio em golfadas curtas de ar.

Erika não se moveu.

— É um molenga mesmo… — diz, o olhar duro, sem qualquer traço de piedade.

Com Caio deitado, Erika resolve se ajeitar em cima dele, cada pé de um lado do corpo. Posicionou a bucetinha para encaixar o pau dele.

Com as duas mãos apoiadas no peito, Erika jogou o corpo para trás e começou a movimentar os quadris, esfregando bem devagar o seu corpo no dele, rebolando no pau!

A visão era excitante para Caio, especialmente os peitões apetitosos balançando próximo ao rosto, ficaram na posição ideal para uma massagem,

Ele estendeu uma das mãos tentando alcançá-los, mas Erika bloqueou, com um sorriso sarcástico ela segurou o braço dele com uma mão, enquanto com a outra movimentava o dedo em um sinal de "não", falando com uma vozinha de criança: "Nãozinho!" . Ainda sorrindo, guiou a mão de Caio até a extremidade da cama, perto da cabeceira e prendeu com uma algema. Repetiu o mesmo movimento com a outra mão de Caio, prendendo-a com outra algema na outra extremidade da cabeceira.

O movimento dos lindos seios de Erika balançando provocavam Caio, que permanecia com as mãos presas. Ele ficou imaginando como seria segurá-los e massageá-los.

Ela por sua vez se divertia com a situação. A expressão de anseio dele a fazia sentir-se poderosa, no controle da situação. Ela inclinou o corpo para que os seios chegassem perto de seu rosto, gesto que só intensificou o desejo dele. O jogo de sedução se tornava eletrizante, um misto de diversão e tensão. Os biquinhos dos seios indo direto pra boca dele, sendo sugados com devoção.

Erika gozou satisfeita, saiu de cima de Caio e deitou-se ao seu lado.

Erika sorriu, os olhos brilhando com um misto de satisfação e provocação. “Que tal um banho para refrescarmos?” Ela fez um gesto com a mão, como se estivesse dando uma ordem. “Mas você vai me carregar até o banheiro.”

Caio assentiu, ela o soltou e ele se levantou, envolvendo os braços em torno da cintura dela e a levantou com delicadeza. Ela se aninhou contra ele, rindo suavemente, enquanto ele a levava até o banheiro.

Assim que entraram no box, Caio colocou Erika suavemente no chão. “Agora, venha aqui e lave meu corpo.”

Ele se aproximou, ligando o chuveiro e ajustando a temperatura. A água morna começou a escorrer sobre eles, e Caio começou a lavar os pés de Erika, suas mãos delicadamente deslizando sobre a pele dela. “Você tem pés lindos”, ele disse, admirando a suavidade enquanto a água escorria.

“E o que mais você acha bonito em mim?” Erika perguntou, um sorriso travesso nos lábios.

“Seu corpo é perfeito, cada curva é irresistível”, ele respondeu, subindo lentamente pelas pernas dela, a água misturando-se ao desejo que pulsava entre eles.

Ela se inclinou para trás, permitindo que ele a lavasse, e Caio continuou sua jornada, passando as mãos pela coxa, pela cintura, sempre com reverência. “Você é uma deusa”, ele a elogiou, cada palavra saindo com devoção.

“Eu soube que você está comendo a Nadia, do jurídico”, Erika respondeu, seu tom provocante. “Você me acha mais gostosa que ela?”

Ele subiu até os seios, a água caindo sobre eles, enquanto seus dedos exploravam com cuidado. “Nem se compara. Você é 10 vezes mais gostosa que ela”

Ao final do banho, Caio desligou a água e pegou uma toalha, começando a secar o corpo dela. Ele começou por cima, passando a toalha suavemente pelos ombros e descendo lentamente. “Você é perfeita”, ele repetiu, enquanto secava cada parte dela com adoração.

Erika se deliciava com a atenção, observando-o com um sorriso satisfeito. “E agora, Caio, seque meus pés”, ela ordenou, e ele se ajoelhou, completando o ritual de devoção.

Depois de terminar, Caio a pegou no colo, a levou até a cama e disse que precisava ir embora, que já estava tarde. Erika o impediu, segurando seu braço e pedindo que ficasse. Depois de um momento de hesitação, Caio concordou.

Deitou-se ao lado dela. O quarto ficou quieto, iluminado apenas pela luz fraca do abajur. Pouco a pouco, o cansaço falou mais alto, e os dois adormeceram juntos.

Caio acordou no dia 16 com o sol entrando fraco pela janela do quarto — Sorriu, lembrando da noite anterior — intensa, inesperada. Mas o sorriso apagou no mesmo instante em que um som áspero, pesado, subiu as escadas.

Vozes. Discussão.

Uma masculina — firme, irritada.

Outra feminina — tentando conter algo.

Caio se sentou na cama, o coração acelerando. Reconheceu que as vozes eram de Erika e Ricardo, e que vinham do andar de baixo da casa.

— Erika, eu vi um carro no jardim — a voz grave de Ricardo ecoou pela casa. — De quem é aquele carro?

Caio gelou.

Erika respondeu rápido, a voz mais alta do que de costume, provavelmente tentando parecer natural:

— Não interessa, você não é mais nada meu!

— Eu vou subir para ver quem é — disse Ricardo, a voz carregada de raiva.

Caio sentiu o sangue sumir do rosto.

— Não! — Erika respondeu rapidamente, quase gritando. — Você não pode subir assim!

O silêncio que seguiu foi curto, tenso, perigoso.

— Eu vou subir — Ricardo insistiu. — Eu quero ver quem é.

O coração de Caio batia tão forte que parecia sacudir o chão. Ele olhou ao redor desesperado, procurando qualquer coisa — um pedaço de madeira, um objeto pesado, o que fosse

Ele encostou a mão na parede, tentando controlar a respiração.

Se Ricardo subisse… se abrisse a porta…

Se o visse ali…

O som de passos começou a subir um único degrau.

Caio quase recuou para o banheiro, como um animal acuado.

— Ricardo, chega! — Erika gritou. — Chega! Você não mora mais aqui! Você não manda mais em mim! Eu já falei pra você ir embora!

Os passos pararam.

Ricardo disse algo em voz baixa demais para Caio ouvir. Algo tenso… algo que fez Erika responder com a mesma intensidade.

Depois, silêncio. Silêncio pesado, arrastado.

E então: Porta batendo. Passos duros.

Caio respirou fundo, finalmente, como se tivesse prendido o ar por minutos.

Erika subiu alguns segundos depois, a respiração ainda acelerada, o rosto vermelho entre raiva e nervosismo.

Quando abriu a porta, encontrou Caio parado no meio do quarto, pálido, ainda tremendo de tensão.

— Ele foi embora — ela disse, num sussurro exausto. — Não se preocupe… não vai voltar agora.

Caio soltou o ar, sentando-se na beirada da cama com as mãos no cabelo.

— Eu quase… — ele não conseguiu completar a frase.

Erika aproximou-se devagar, tocando seu ombro.

— Eu sei.

Caio estava inquieto, com o corpo inteiro trêmulo de adrenalina. Ele respirou fundo, levantou-se e começou a vestir a roupa que havia usado no dia anterior.

— Você já vai? — Erika perguntou, encostando-se no batente da porta, a voz curiosamente calma.

— Acho melhor — respondeu Caio sem olhar diretamente para ela. — Só… só por precaução.

Ela apenas assentiu, como se entendesse. Mas havia um certo distanciamento nos olhos dela que Caio não percebeu naquele momento — algo frio, calculado, quase como se a noite anterior fosse parte de uma peça já ensaiada.

Ficou alguns minutos no andar de cima, ouvindo se algum carro se aproximava, se algum portão se abria. Nada.

Erika apenas ficou observando, sem demonstrar muita emoção.

Depois de alguns minutos, Caio desceu devagar, olhou pela janela, confirmou que a rua estava vazia. Notou que o perfume que havia dado de presente estava jogado em um canto, sem que Erika desse qualquer importância.

— Me avisa quando estiver bem - Disse ele, tentando soar gentil.

Erika sorriu de forma breve, distante.

— Pode deixar.

E Caio foi embora.

Nos dias seguintes, ele tentou falar com ela.

Mandou mensagens:

“Oi, Erika, tudo bem?”

“Podemos conversar um pouco?”

Nenhuma resposta. Ligou duas vezes. Chamou. Tocou. Caiu na caixa postal.

Faltavam alguns dias até que acabassem as férias dela. Caio começou a sentir o peso do silêncio. Um silêncio que não era casual. Era absoluto. Deliberado.

Foi então que, sozinho em casa, deitado na cama, ele começou a pensar.

Rever. Juntar peças. Ricardo apareceu exatamente na manhã do dia 16… o aniversário dela.

Exatamente o dia em que ele, como ex-marido, tentaria reaproximar-se, levar um presente,

pedir desculpas, conversar.

Era previsível. E Erika sabia disso. Ela sabia que ele iria.

Ela sabia que ele bateria na porta.

Ela sabia que ele veria o carro no jardim.

E Caio, agora, entendia o resto.

A “festa sem convidados”. O convite feito com voz sedutora. A casa preparada só para os dois.

O comportamento seguro demais, como se já esperasse que algo acontecesse.

Erika precisava que Ricardo visse. Ela precisava de ciúmes. Precisava que ele sofresse.

Precisava sentir a sensação de vingança — de fazê-lo provar da mesma dor que havia causado.

A conclusão caiu sobre ele como uma pedra:

“Ela me usou.” Não por carinho. Não por interesse romântico. Não por desejo verdadeiro.

Mas como ferramenta para ferir outra pessoa.

E quanto mais Caio pensava, mais claro ficava: Tinha sido apenas um efeito colateral no jogo de vingança entre Erika e Ricardo. Um instrumento.

Erika voltou ao trabalho três dias depois. Entrou na empresa como se nada tivesse acontecido: cabelos arrumados, maquiagem impecável, postura firme. Cumprimentou algumas pessoas, sorriu para outras. Para Caio… apenas um aceno rápido, quase indiferente.

Caio sentiu o estômago embrulhar.

Ele esperou o momento oportuno. Quando a maioria dos colegas saiu para o intervalo, encontrou Erika sozinha na sala de materiais.

Fechou a porta atrás de si.

Erika levantou os olhos devagar.

— O que foi, Caio?

Ele respirou fundo. A voz saiu firme, mas marcada por mágoa:

— Você me usou. Não foi?

Erika não pareceu surpresa. Não desviou o olhar. Nem tentou negar.

— Usei — respondeu, com uma sinceridade fria que cortou o ar. — Usei sim.

Caio ficou imóvel. Mesmo esperando a resposta, ouvir aquilo em voz alta o atingiu como um soco.

— Então era isso? A noite inteira? O convite, a festa falsa, o jeito que você falou comigo… — ele passou a mão no cabelo, tentando controlar o tremor. — Era só um plano?

— Era — disse Erika, voltando a mexer nas etiquetas como se estivesse falando do clima. — Ricardo me machucou muito. Eu precisava que ele sentisse o mesmo. Eu precisava ver a cara dele quando visse um carro ali. Eu precisava que doesse nele.

Ponto.

Caio apertou a mandíbula.

— Mas… você voltou com ele.

Erika ergueu um ombro, indiferente.

— Voltei. Ele me pediu desculpas. Disse que ia mudar. E ele é meu marido, Caio. A gente tem história. Você foi… circunstância.

Caio deu um passo para trás, sentindo o peito apertar.

Mas então, quase num impulso infantil, num gesto desesperado para recuperar algum orgulho, ele soltou:

— Mas… pelo menos alguma atração você sentia. Se não, não teria me escolhido. Dentre tantos, você escolheu a mim. Não dá pra negar isso.

Erika parou. Olhou para ele com um meio sorriso… não gentil, não carinhoso. Um sorriso ferido, cruel, afiado como navalha.

— Na verdade eu olhei ao redor e pensei: quem cairia fácil?

Quem toparia vir correndo se eu chamasse? Quem já me olhava como se fosse um cachorrinho apaixonado?

Ela deu um passo à frente, olhando diretamente nos olhos dele.

— Você. Você caiu como um pato. Aliás que nem um cachorrinho.

Exatamente como eu sabia que cairia.

Caio ficou mudo. Sentiu o rosto queimar de vergonha.

Erika se virou de volta para o armário, como se a conversa já tivesse acabado.

— Agora vai trabalhar, Caio. E tenta esquecer. Porque eu já esqueci.

Essas foram as últimas palavras dela antes de sair da sala — deixando Caio sozinho, devastado, encarando a porta fechada, tentando entender em que momento sua fantasia virou ridículo.

Caio passou o resto do dia funcionando no automático.

Depois da conversa com Érika, ele voltou para a mesa como quem retorna de um acidente invisível. Digitava, respondia e-mails, assentia quando alguém falava com ele — tudo mecanicamente. Por dentro, porém, algo havia sido empurrado para baixo com força. Não resolvido. Apenas enterrado.

Era assim que ele sempre fazia.

Quando algo doía demais para encarar, Caio transformava em ruído de fundo. Recalcava. Dizia a si mesmo que não importava, que era só orgulho ferido, que logo passaria. E, com o tempo, quase sempre passava mesmo — não porque cicatrizasse, mas porque ele aprendia a ignorar.

Naquela tarde, decidiu que precisava reafirmar alguma coisa.

Precisava de alguém que ainda estivesse ali.

Precisava de Nádia.

Ela sempre estivera disponível. Sempre pronta a ouvir. Sempre oferecendo uma presença que não exigia explicações nem justificativas. Pensar nela trazia uma sensação estranha de estabilidade — como uma cadeira esquecida no mesmo lugar de sempre.

No fim do expediente, Caio pegou o telefone e discou o ramal do jurídico de cabeça. Nunca precisara anotar.

Chamou uma vez.

Nada.

Chamou de novo.

— Jurídico, boa tarde — atendeu uma voz que não era a de Nádia.

— Boa tarde… a Nádia, por favor — disse ele, tentando soar casual.

Houve uma breve pausa do outro lado da linha.

— Ah… a Nádia não trabalha mais aqui.

A frase caiu simples demais para o peso que carregava.

— Como assim? — Caio franziu a testa. — Ela está de férias?

— Não. Ela pediu demissão.

Caio ficou em silêncio por um segundo longo demais.

— Demissão? — repetiu. — Do nada?

A funcionária hesitou, como quem avalia se deve ou não continuar.

— Bom… não exatamente do nada. Você não ficou sabendo?

— Sabendo do quê? — a voz dele saiu mais dura do que pretendia.

— Teve um bolão… da Mega. Um grupo daqui da empresa. Ela estava junto.

O coração de Caio deu um solavanco seco.

— E…?

— Eles ganharam — disse a funcionária, agora num tom quase conspiratório. — Uma bolada. Coisa de mudar a vida mesmo. A Nádia pediu demissão no mesmo dia. Disse que queria “recomeçar”.

Recomeçar.

A palavra ecoou na cabeça de Caio como uma afronta silenciosa.

— Entendi — disse ele, por fim. — Obrigado.

Desligou devagar, como se o gesto exigisse cuidado.

Ficou olhando para o telefone por alguns segundos, tentando reorganizar as informações.

Nádia ganhou dinheiro. Muito dinheiro. Pediu demissão.

Foi embora.

E não disse nada a ele.

Nenhuma mensagem. Nenhum comentário. Nenhum pedido de conselho. Nenhuma confidência.

Nada.

A constatação incomodava mais do que ele gostaria de admitir.

Não era inveja — ele se apressou em dizer a si mesmo. Era surpresa. Apenas isso. Afinal, Nádia sempre contava tudo. Sempre pedia opinião. Sempre incluía Caio, mesmo quando ele mal respondia.

E agora… silêncio.

Ela podia ter dito:

“Ganhei dinheiro.”

“Não preciso mais.”

“Vou sair daqui.”

Mas não disse.

Caio sentiu algo estranho, uma sensação de deslocamento. Como se uma peça fixa do cenário tivesse sido retirada sem aviso. Ele nunca imaginara Nádia fora daquele lugar.

Pela primeira vez, percebeu algo desconfortável: Nádia não só deixara de ser útil. Ela deixara de estar disponível.

Não avisara. Não esperara. Caio encostou-se na cadeira, cruzando os braços, tentando encontrar algum erro lógico naquilo tudo.

Ela devia ter contado.

Era o mínimo. Depois de tudo. Mas, quanto mais pensava, mais uma pergunta surgia — incômoda, insistente, impossível de calar:

Depois de tudo… o quê, exatamente?

Ele nunca prometera nada. Nunca escolhera nada. Nunca fizera questão de mantê-la.

E, ainda assim, algo nele se ressentia profundamente. Talvez porque, pela primeira vez, alguém tivesse ido embora sem ser descartado. Sem explicação. Sem drama. Sem olhar para trás.

No painel da recepção, a frase seguia intacta, brilhando como sempre:

“Tudo tem valor… até não ter mais.”

Caio engoliu seco.

E, pela primeira vez, não teve certeza de quem, afinal, havia perdido o valor — ou de quem tinha acabado de descobrir que nunca o teve.

Nos dias que se seguiram, Caio tentou se convencer de que a saída de Nádia não importava. Dizia a si mesmo que era apenas curiosidade quando digitava o nome dela nas redes sociais. Apenas um impulso automático. Nada além disso. Mentia.

O primeiro choque veio logo no perfil.

A foto de capa não combinava com a mulher que ele conhecera durante anos. O cabelo estava diferente — mais longo, mais vivo. A postura, outra. Ombros abertos, queixo erguido. Não havia mais aquele ar de quem pedia licença para existir.

E as postagens… eram muitas: Academia.

Treinos. Espelhos. Sorrisos.

Em várias imagens, um homem aparecia ao fundo — alto, forte, sorriso fácil. O nome na bio denunciava: personal trainer. Caio percorreu o perfil dele com atenção excessiva. Corpo definido, fotos profissionais, legendas motivacionais. Bonitão demais para alguém como… Nádia.

Ela aparecia ao lado dele com frequência crescente. Primeiro como “aluna”. Depois, como “parceria”. Em pouco tempo, o corpo dela já não era o mesmo. Coxas firmes, abdômen marcado, postura confiante. Não era só exercício — Caio sabia reconhecer sinais de dinheiro bem aplicado. As curvas estavam mais cheias, mais moldadas. Seios maiores. Quadris mais evidentes. Cirurgias feitas sem alarde, sem anúncio. Apenas resultados.

E as roupas.

Vestidos que marcavam o corpo. Biquínis em viagens. Tecidos que antes ela jamais teria coragem de usar. Nádia não parecia outra pessoa — parecia alguém que sempre esteve ali, escondida, esperando a oportunidade de aparecer.

Caio rolava a tela com uma mistura de incômodo e desprezo defensivo.

— Claro… — murmurou sozinho, olhando uma foto dela sorrindo numa praia, cercada por pessoas que ele não conhecia. — Com dinheiro fica fácil mudar.

Nenhuma sombra do escritório. Nenhum traço da mulher que aceitava migalhas. Algum tempo depois, a confirmação veio.

Uma foto simples, quase casual:

Nádia e o personal, lado a lado, mãos entrelaçadas.

Legenda curta. Nenhuma explicação.

Caio fechou o aplicativo com força.

— Ele só está com ela pelo dinheiro — pensou, amargo. — Isso é óbvio.

Era a única leitura que preservava algo do seu orgulho. Caio deu um sorriso e pensou consigo mesmo: “Ela não entrou em contato para mais nada, nem mesmo para cobrar os 700 reais que eu estava devendo”.

Depois que Nadia foi embora, Caio aprendeu a ocupar o vazio com planilhas. Chegava mais cedo, saía mais tarde, aceitava metas que antes questionaria. Cada exigência da empresa tornara-se uma promessa silenciosa de recompensa: a bonificação, a sensação de que o esforço ainda podia ser convertido em algo concreto, mensurável, menos instável do que pessoas.

Naquela tarde, ele revisava relatórios com precisão quase automática, os números alinhados como se a ordem pudesse compensar a perda, quando a porta foi escancarada sem aviso. Osvaldo entrou sem bater, sem pedir licença, trazendo consigo o cheiro de autoridade e pressa.

— A empresa está sendo negociada — disse, seco. — Venda para uma multinacional. A sede vai mudar de cidade. A maioria dos funcionários será descartada.

Caio sentiu o corpo enrijecer, mas permaneceu em silêncio.

— Consegui manter você — continuou Osvaldo. — Mas vai ter que se mudar. Novo endereço, novo escritório… salário menor.

— Menor? — Caio ergueu os olhos, incrédulo. — Eu cumpri todas as metas. Todas. Trabalho dobrado, horas extras. E ainda assim o salário já não é grande coisa. Sem contar que a mudança vai custar caro. Eu cuido da minha mãe. Ela está doente. Não pode sair daqui.

Osvaldo inclinou a cabeça, como quem escuta algo irrelevante, em seguida segurou Caio pela gravata:

— Não se exalte, fale baixo comigo, não aceito esse tom! O seu salário não é baixo, Caio. Seus gastos é que são altos. — Olhou o relógio. — Você é livre para escolher, mas pense bem, seja racional. Você tem até amanhã para decidir. Ou aceita a transferência, ou será descartado como o resto.

Largou a gravata de Caio e saiu.

Quando a porta se fechou, Caio encarou a tela à sua frente. A bonificação que ele perseguira com tanto afinco parecia agora uma miragem — mais uma coisa prometida, nunca entregue. E lembrou que a sua relação com a empresa era de completa submissão.

Caio ficou sozinho com o zumbido do computador e a sensação de que, apesar de todo esforço, ainda era tratável como um número qualquer — fácil de apagar, fácil de substituir.

Logo em seguida o telefone tocou:

— Senhor Caio? — perguntou uma voz profissional. — Aqui é da casa de repouso. Estou ligando para informar que sua mãe faleceu hoje pela manhã.

O silêncio se instalou por alguns segundos.

— Entendo… — respondeu Caio, após uma pausa calculada. — É… é uma pena. Ela já estava sofrendo há algum tempo.

A voz do outro lado ofereceu condolências, explicou procedimentos, documentos, horários. Caio ouviu tudo com atenção suficiente para parecer um filho consternado.

— Obrigado pelo aviso — disse, no fim. — Vou providenciar tudo.

Desligou.

Ficou alguns segundos olhando para a tela apagada do celular.

Então, lentamente, um sorriso se formou.

Não era alívio. Não era tristeza. Era cálculo.

A herança vinha inteira.

Dinheiro suficiente para mudar de patamar.

Caio levantou-se, foi até o espelho e ajeitou a camisa. Observou o próprio reflexo como quem avalia um produto que finalmente recebera investimento.

— Agora sim — murmurou.

Com dinheiro, tudo ficava mais simples.

Com status, mulheres bonitas não exigiam esforço.

No mundo em que Caio acreditava, valor nunca foi sobre caráter.

Era sobre poder de escolha.

O painel da recepção da Descartáveis S.A. continuava brilhando, como sempre:

“Tudo tem valor… até não ter mais.”

Caio sorriu.

Dessa vez, convencido de que, finalmente, era ele quem estava do lado certo da frase.

Passados alguns dias, o telefone vibrou novamente sobre a mesa de vidro. Caio observou a tela acender por alguns segundos antes de atender. Erika.

— Fala — disse, sem pressa.

Do outro lado, o silêncio durou o tempo exato de uma respiração medida.

— Estou grávida — ela disse, como quem informa a previsão do tempo.

Caio piscou uma vez. Apenas uma. Lembrou da pressa e da forma desajeitada com que pôs a camisinha.

— Isso é bom — respondeu. — A empresa está cortando gente. Grávida não pode ser demitida. Estatisticamente, é uma vantagem.

Erika não reagiu. Caio continuou já organizando possibilidades.

— Você pode dizer que é do Ricardo. Ele vai aceitar.

— Eu sei — ela disse. — Pensei nisso.

Houve um ruído leve, talvez o som de unhas batendo na mesa do outro lado da linha.

— Mas pesei os prós e os contras — continuou — E não compensa.

Caio inclinou a cabeça, curioso de forma distante.

— Gravidez altera o corpo. Hormônios, retenção, cicatrizes. Eu não treino todos os dias para perder definição por nove meses. Não vou deixar algo irreversível acontecer por um erro pontual.

Ele assentiu, mesmo sabendo que ela não podia vê-lo.

— Faz sentido.

Ela não perguntou o que ele achava. Não precisava.

— Vou abortar — concluiu, sem emoção. — Já decidi.

Caio caminhou até a janela. A cidade parecia organizada demais lá embaixo, pessoas pequenas demais para problemas grandes.

— Eu herdei dinheiro — disse. — Mais do que esperava. Conheço uma clínica. Discreta. Sem registros problemáticos. Posso pagar tudo.

Do outro lado, Erika respirou fundo. Não em alívio — em cálculo.

— Ótimo — respondeu. — Me manda o endereço.

— Mando.

Houve uma pausa curta, técnica. Nenhum deles tentou alongá-la.

— Caio — ela disse, antes de desligar.

— Hm?

— Isso nunca aconteceu.

Ele sorriu, quase imperceptível.

— Claro que não.

A ligação caiu.

Caio permaneceu olhando para a cidade por mais alguns segundos. Depois colocou o telefone virado para baixo, como quem encerra um assunto encerrado desde o início. Nada havia sido perdido. Nada seria lembrado.

Era apenas mais uma decisão eficiente.

EPÍLOGO

Alguns dias depois, o telefone de Caio tocou novamente. Ele reconheceu o número antes mesmo de atender.

— Caio falando.

A voz do outro lado parecia menos segura do que da última vez.

— É… Freitas. Da clínica.

Caio permaneceu em silêncio.

— Aquela guria que você encaminhou… deu um problema no procedimento dela.

— Que tipo de problema? — perguntou Caio, friamente.

Freitas hesitou, como se procurasse a palavra certa.

— Deu errado. Ela… e a criança não resistiram. Como é mesmo o nome? Aquela gostosinha, a Erika, né?

— Entendi — disse Caio — Acontece.

Do outro lado, um pigarro constrangido.

— Ainda ficou pendente uma parte do valor. Custos extras.

— Eu pago. Me manda os dados.

Freitas respirou aliviado.

— Ah, e Freitas — acrescentou Caio, antes de desligar — Essa ligação nunca aconteceu.

— Claro.

— Se o valor que vou transferir para você for questionado, vou dizer que foi uma despesa antiga. Da época em que minha mãe ainda estava viva.

Houve um breve silêncio.

— Entendido.

A ligação foi encerrada.

Caio estava sentado em um bar pequeno, luz baixa, música morna ao fundo. À sua frente, um copo quase cheio. Ao lado, uma mulher o observava com atenção distraída.

Ela passou a mão em seu pau, por cima da calça.

— Está tudo bem? — perguntou, inclinando a cabeça.

Caio guardou o telefone no bolso, sem pressa.

— Tudo ótimo — respondeu.

Ela sorriu.

Caio levou o copo à boca, enquanto pensava, de forma vaga e distante:

Que pena que a Erika morreu. Tinha uma bundinha tão gostosa!

A música continuou tocando.

— Vamos para o quarto? — Disse Caio

— Eu cobro 500 reais pelo programa — Respondeu a mulher — E tem mais 100 reais que a Casa cobra pelo aluguel do quarto.

— Sem problemas – disse Caio, pensando que a herança de sua mãe já estava sendo bem gasta — Qual seu nome mesmo?

— Andreia – respondeu a Garota de Programa — se aprontando para acompanhar Caio até o quarto.

— Posso te chamar de Nadia?

—Você ta pagando. Pode me chamar do que quiser!

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Comentários

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A palavra que mais me veio a cabeça lendo esse conto, foi brutal...

Todo mundo sem exceção só ferramentas de substituição de alguém, você têm valor até que deixa ter, utilizado em todos os níveis da história, todo mundo, foi de alguma forma usado por alguém.

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Giz, confesso que minha intenção era chocar, ou ao menos deixar um "gosto amargo" para o leitor. Espero ter conseguido.

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Bom... Objetivo alcançado com louvor e estrelinhas. ;)

Um ótimo conto que faz a gente pensar.

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ele usou a Nádia. A Erika usou-o. Depois ele usou a herança da mãe. E usou uma garota de programa pra substituir a Nádia. Tudo tem seu valor quando é usado por quem não tem valor. Uma crítica social certeira e aguda, deixando escancarado a hipocrisia e a falta de amor dos relacionamentos calculistas e utilitários, desumanizados , que são rotineiros no mundo. Uma história excelente, retratando de forma intensa e bastante realista a convivência entre a maioria das pessoas.

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Essa minha visão veio muita da época em que eu trabalhava em um banco. Era forte a impressão de que tanto os funcionários quanto os clientes eram vistos apenas como sendo um cifrão. Perdi boa parte da minha fé na humanidade qdo trabalhei no banco.

Grato pela leitura tenicu, e por seu comentário preciso.

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TODOS os funcionários bancários que eu conheço, o que incluindo família, são umas 5 pessoas, com você 6, já disseram isso em algum momento.

Que os funcionários e clientes, são simplesmente tratados como números. Não importa se é um gerente, ou um cliente vip, você ainda é um número.

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