O asfalto da capital nordestina ainda pulsava com o calor do fim de tarde. Dentro do carro, o ar-condicionado lutava contra o mormaço que entrava pelas frestas sempre que a porta se abria. Sr. C mantinha as mãos firmes no volante, guiando o veículo por avenidas ladeadas de palmeiras, enquanto sua esposa, Sra. P, jazia exausta no banco de trás. Ela ainda estava calçada; os tênis de couro pesavam, e o fato de estar sem meias fazia com que ela sentisse a umidade da própria pele contra o material do calçado.
Eles pararam para buscar o amigo, um homem que trazia no olhar uma curiosidade felina e focada. Ele entrou no carro e acomodou-se ao lado dela, o cheiro de maresia e asfalto entrando com ele.
— "O passeio foi intenso, não foi? Você parece exausta, P. Deixe-me ajudar com isso," — ele disse, com uma voz aveludada que fez o Sr. C ajustar o retrovisor, embora não conseguisse ver os detalhes do que acontecia abaixo da linha do banco.
O amigo inclinou-se. Sr. C ouviu o som característico dos cadarços sendo desatados e o ruído abafado do couro sendo desencaixado. Um por um, o convidado retirou os tênis da Sra. P. Como ela estava sem meias, o calor e a umidade acumulados foram liberados de uma vez.
— "Ah, não... eles estão suados, devem estar com cheiro..." — ela protestou fracamente, a voz carregada de uma timidez excitada.
O amigo não recuou. Pelo contrário, Sr. C ouviu o som das palmas das mãos dele encontrando a pele nua e úmida.
— "É o melhor tipo de cansaço," — o amigo sussurrou. — "Sinta como estão quentes. Estar sem meias deixa a pele mais... viva. Mais sensível."
Ele sentia a umidade nas mãos e o aroma honesto da pele dela após o esforço. O Sr. C, na frente, sentiu o sangue pulsar mais forte nas têmporas. Ele ouvia o silêncio preenchido apenas pelo som rítmico das mãos do amigo massageando as solas úmidas da Sra. P. Mas logo, o ritmo mudou. O tickler assumiu o controle.
As pontas dos dedos dele começaram a perambular de forma errática pelo arco do pé e, principalmente, pelos vãos dos dedos, onde o suor era mais presente. A reação dela foi imediata e elétrica.
— "Ai! Espera... hehe... hihihi!" — a primeira risada escapou, aguda e cristalina.
— "Relaxe, P. Deixe a pele sentir," — ele disse, enquanto suas unhas faziam um movimento de "caminhada" rápida e leve pelas solas hipersensíveis.
— "Hahahaha! Não! Hihihihi... para... hiahiahia!" — Sra. P começou a se contorcer no banco de trás.
O som das solas dela batendo no estofado — thump, thump — misturava-se a um riso incontrolável. Sr. C, ao volante, apertava o couro do volante com força. Ele não via, mas ouvia a rendição absoluta da esposa através daquela sinfonia de cócegas:
— "Hiiiiihihi! Hahaha! Tá fazendo... hiahiahia... muita cócega! Hihihi! Para, por favor!"
O amigo era implacável, explorando cada milímetro da pele nua. Ele atacava os calcanhares e depois subia para a base dos dedos com um toque de pluma que a fazia arfar e rir ao mesmo tempo. Sr. C sentia a excitação crescendo a cada "Hahaha!" e a cada "Hihihi!" que preenchia o interior do carro. Ele era o condutor de um ritual invisível, onde o suor, a nudez dos pés e o riso transformavam aquela tarde em um segredo compartilhado.
O trânsito da capital fluía lento, como se o tempo estivesse esticando para permitir que o ritual no banco de trás atingisse o seu ponto de não retorno. O Sr. C sentia o suor frio na nuca, o corpo tenso contra o banco do motorista. Ele já não conseguia apenas ouvir. Seus olhos buscavam o espelho retrovisor com uma fome desesperada.
No banco de trás, a sinfonia de risos havia subido de oitava. O convidado, com os olhos fixos na pele úmida da Sra. P, parecia ter encontrado um novo território. Ele posicionou os dedos de forma arqueada, como se tocasse uma harpa invisível, exatamente no arco, logo acima do calcanhar — uma região que Sra. P guardava como seu ponto mais vulnerável.
— "Achei..." — o convidado sussurrou com um sorriso predatório.
Ele começou a dedilhar a região com uma velocidade frenética.
— "Hiahiahia! Não! Ali não! Hiiiiihihihihi!" — Sra. P arqueou as costas, os pés balançando no ar, a pele brilhando sob a luz alaranjada do crepúsculo que entrava pelos vidros.
Pelo retrovisor, o Sr. C viu o momento exato em que o convidado se inclinou e deu uma mordiscada rápida e precisa no calcanhar dela, seguida por uma lambida lenta e profunda que percorreu todo o arco da sola suada.
— "Hahahaha! Ai! Hiiihihi! É... hiahia... muito bom! Hahaha!" — O riso dela mudou; ainda era incontrolável, mas carregava agora uma nota de relaxamento profundo, uma entrega total ao prazer daquelas cócegas proibidas.
Ao ver a língua do amigo brilhar contra a pele nua e rosada da sola de sua esposa, o Sr. C sentiu o mundo girar. Ele viu, pelo reflexo, o convidado ser implacável, alternando as mordidas leves com o dedilhar incessante no arco. As onomatopeias de Sra. P preenchiam o carro como música:
— "Hiiihihi! Hahaha! Hihihihi... mais... hiahiahia... para... hihi!"
As risadas eram tão intensas, tão vibrantes, que o Sr. C sentia cada uma delas como um toque físico. A visão daquelas mãos enluvadas pelo suor dela, o som da respiração ofegante do amigo e o contorcer frenético dos pés da Sra. P criaram o curto-circuito final.
Enquanto mantinha uma das mãos no volante e os olhos fixos naquela cena pelo espelho, o Sr. C atingiu o seu limite. Com o som das gargalhadas da esposa ecoando — "Hahahaha! Hiiiiihi!" — ele gozou forte, um espasmo silencioso e violento que o fez prender o fôlego por longos segundos. O prazer dele foi alimentado puramente pela alegria física dela e pela audácia do amigo.
O carro continuou rodando, envolto no cheiro do suor, do couro e daquela catarse compartilhada. Sra. P, exausta de tanto rir, deixou os pés caírem pesados no colo do convidado, que continuava a acariciá-los suavemente. O silêncio que se seguiu era carregado, sagrado.
Após a gostosa brincadeira, os três foram a um barzinho à beira-mar que estava envolto pelo som rítmico das ondas e pelo cheiro de maresia que se misturava ao aroma de fritura e cerveja gelada. Eles ocupavam uma mesa mais afastada, onde a penumbra da iluminação baixa lhes garantia uma privacidade tácita.
Sr. C sentia o corpo leve, mas a mente ainda estava presa às imagens do retrovisor. O latejar de sua excitação, embora agora contido sob a calça, permanecia vivo. Ele olhava para a esposa e para o amigo com uma gratidão silenciosa, sentindo-se o guardião de um ritual que o asfalto da cidade tinha acabado de batizar.
Sra. P era a imagem da entrega. Suas bochechas ainda estavam coradas das gargalhadas intensas, e ela mal tinha forças para segurar o copo. Sob a mesa, o convidado não havia interrompido o contato. Ele mantinha um dos pés da Sra. P em seu colo, sob a proteção do pano da mesa.
Não havia mais cócegas, apenas uma massagem lenta, profunda e possessiva. O amigo deslizava os polegares pelas solas dela, que ainda guardavam o calor do carro. Ele pressionava os pontos que antes a faziam rir, mas agora o toque era um bálsamo que a fazia suspirar de olhos fechados. Sra. P entregava o peso da perna completamente, deixando que ele explorasse o arco e o calcanhar com uma familiaridade que só o suor compartilhado permite.
— "Um brinde," — disse o amigo, levantando o copo, enquanto sua outra mão descrevia círculos lentos na planta do pé da Sra. P. — "Às surpresas que o caminho nos traz."
Sr. C tocou o copo do amigo, trocando um olhar de cumplicidade absoluta. Ele sabia que a massagem sob a mesa era a continuação do que ele vira no carro. Ele via o prazer silencioso no rosto da esposa — uma calma que só vem após uma grande catarse.
Quando a conta foi paga e o vento da noite soprou mais frio, o momento da despedida chegou. O amigo soltou o pé da Sra. P, que escorregou para o chão, sentindo o contato com o calçado pela primeira vez em horas.
Eles se abraçaram. O convidado apertou a mão do Sr. C com um sorriso que dizia: “Nós sabemos”. Para a Sra. P, ele deu um beijo no rosto e um último aperto firme no tornozelo, um lembrete do poder que ele tinha sobre o riso dela.
— "Até a próxima," — ele disse, sumindo na iluminação da orla.
Sr. C e Sra. P caminharam de volta para o carro. O silêncio entre eles não era vazio; era carregado. Ele abriu a porta para ela, e antes de entrar, Sra. P olhou para os próprios pés, agora escondidos, mas ainda vibrando com a memória das lambidas e mordiscas.
— "Foi uma tarde especial," — ela sussurrou.
Sr. C apenas sorriu, ligou o motor e dirigiu pela noite nordestina, levando consigo o eco das risadas e o cheiro latente de um prazer que começou em um par de tênis e terminou na alma.