Meu Pai… Acho Que Ele Quer Me Fuder - Pt. 02

Um conto erótico de mandinha
Categoria: Heterossexual
Contém 3252 palavras
Data: 19/01/2026 20:57:46

Os primeiros cinco dias estabeleceram uma rotina perigosa. Marina acordava por volta das nove, descia de pijama para encontrar Roberto já no escritório - ele acordava cedo por hábito, mesmo sem precisar. Ela preparava café fresco, levava uma xícara pra ele, e invariavelmente acabava puxando uma cadeira ao lado da mesa dele, curiosa sobre planilhas e relatórios que nunca ligara antes. Roberto explicava com paciência - fluxo de caixa, análise de indicadores, gestão de equipe - e Marina absorvia tudo, fazendo perguntas inteligentes que o surpreendiam.

"Você devia ter feito Administração," ele comentou na manhã do sexto dia, enquanto ela apontava uma inconsistência num relatório trimestral. "Tem olho pra isso."

Marina deu de ombros, mexendo o café que esfriara na caneca entre suas mãos. Ela usava uma camisola de alças finas, branca, que deixava os ombros e a parte superior dos seios à mostra. Nada obsceno - era calor de março, afinal - mas Roberto precisou se forçar a não olhar para a curva suave da carne pálida, para a sombra do decote.

"Talvez eu mude de curso mesmo," ela disse pensativa. "Publicidade era mais sonho da Júlia que meu. Acho que eu só fui junto porque... porque ela ia."

A menção da ex-melhor amiga trouxe uma sombra ao rosto dela. Roberto estendeu a mão instintivamente e cobriu a dela sobre a mesa - um gesto de conforto, paternal, inocente.

Exceto que não pareceu inocente quando os dedos dele envolveram os dela. Não pareceu inocente quando o polegar dele começou a traçar círculos lentos no dorso da mão dela. Não pareceu inocente quando Marina olhou pra baixo, para aquelas mãos unidas, e não as separou.

Ficaram assim por tempo demais - dez segundos, vinte, meio minuto. O escritório silencioso exceto pelo zumbido do ar condicionado e o som distante de carros na rua. Roberto podia sentir o pulso dela sob seus dedos, acelerado.

Foi Marina quem finalmente puxou a mão, levantando-se rápido demais, a cadeira raspando no chão de madeira. "Vou... vou tomar banho."

Roberto apenas assentiu, sem confiar na própria voz. Observou ela sair do escritório, observou o balanço inconsciente dos quadris, a forma como a camisola terminava no meio das coxas, deixando as pernas longas completamente expostas.

Quando ela desapareceu escada acima, ele soltou um suspiro longo e tenso. Olhou para a própria mão - a que havia segurado a dela - como se fosse algo alienígena, algo que agira por conta própria.

"Para com isso," murmurou para si mesmo. Mas não tinha certeza se estava falando com a mão ou com outra parte da anatomia que insistia em reagir toda vez que Marina estava por perto.

Naquela tarde, Roberto foi para a academia como sempre fazia às terças e quintas. Treinou pesado - leg press até as coxas queimarem, supino até os braços tremerem, esteira até o suor ensopá-lo completamente. Tentou queimar a tensão acumulada através de esforço físico. Funcionou parcialmente.

Quando voltou, eram quase sete da noite. A casa estava com cheiro de comida - algo com alho e tomate. Roberto entrou pela cozinha e encontrou Marina em frente ao fogão, mexendo algo numa panela. Ela havia trocado a camisola por um vestido leve, amarelo, tipo midi que ia até os joelhos. O cabelo estava preso num coque bagunçado, algumas mechas caindo ao redor do rosto corado pelo calor do fogão.

"Fiz macarronada," ela anunciou sem virar, como se soubesse que era ele mesmo sem olhar. "Nada muito elaborado, mas..."

"Cheira ótimo." Roberto deixou a mochila da academia no chão, aproximando-se. "Você não precisava."

"Eu quis." Marina finalmente olhou pra ele por cima do ombro, e seus olhos percorreram o corpo dele rapidamente - a regata grudada de suor, os braços bombeados do treino, as pernas definidas aparecendo no short. Ela desviou o olhar rápido, voltando atenção pra panela. "Vai tomar banho. Tá fedendo."

Ela disse com tom de brincadeira, mas Roberto notou o leve rubor nas bochechas dela, a forma como ela mordeu o lábio logo depois de falar.

Ele obedeceu, subindo para o banheiro. Tomou banho frio deliberadamente, deixando a água gelada castigar a pele superaquecida do exercício e de outra coisa que não queria nomear. Quando saiu, vestiu bermuda de moletom e uma camiseta simples - roupas largas, confortáveis, nada que chamasse atenção.

Jantaram na cozinha de novo. A macarronada estava deliciosa - molho caseiro que Marina aprendera com Cristina anos atrás. Roberto comeu duas porções generosas, elogiando genuinamente.

"Sua mãe ficaria orgulhosa," ele disse sem pensar.

Marina sorriu, mas era um sorriso triste. "Ela fazia melhor."

"Ela teve vinte anos de prática. Você ainda tem tempo."

"Vinte anos." Marina repetiu, mexendo o garfo no prato. "Vocês ficaram juntos vinte anos. Desde que você tinha vinte e cinco."

"Vinte e um, na verdade. Nos conhecemos quando eu tinha vinte e um e ela dezenove. Casamos dois anos depois."

"E você nunca... nunca se interessou por ninguém mais? Naquele tempo todo?"

Roberto franziu a testa. "Marina, eu era casado. Feliz. Por que eu me interessaria por outras pessoas?"

"Não sei. Acontece, né? As pessoas traem mesmo sendo felizes. O Thiago dizia que me amava e mesmo assim..."

"O Thiago é um filho da puta imaturo," Roberto cortou, mais ríspido que pretendia. "E não, não acontece com todo mundo. Quando você ama alguém de verdade, quando você se compromete de verdade, outras pessoas simplesmente... deixam de existir desse jeito."

Marina o observava com uma expressão estranha, intensa. "E agora? Depois que ela se foi? Outras pessoas voltaram a existir?"

A pergunta pairou no ar entre eles, carregada de significados que nenhum dos dois queria tocar.

"Não da forma que você tá pensando," Roberto finalmente respondeu, escolhendo as palavras com cuidado.

"E que forma eu tô pensando?"

"Marina..." Ele suspirou. "Onde você quer chegar com isso?"

Ela deu de ombros, levantando-se para recolher os pratos. "Em lugar nenhum. Só conversando."

Mas não era só conversa. Ambos sabiam disso.

Depois do jantar, Roberto foi assistir o jogo do Palmeiras na sala. Marina disse que ia pro quarto ler, mas quinze minutos depois apareceu na sala com um livro na mão, sentando-se no sofá ao lado dele - mais perto que da última vez, a coxa dela quase encostando na dele.

Roberto tentou focar no jogo. Tentou ignorar o calor irradiando do corpo dela. Tentou não reparar no cheiro - algo floral e doce, perfume leve que ela usava.

No final do primeiro tempo, Palmeiras perdendo de um a zero, Marina se mexeu no sofá. "Meu pescoço tá travado. Acho que dormi mal."

Roberto olhou pra ela. Marina estava com a cabeça inclinada pro lado, massageando o próprio ombro com uma careta de desconforto.

"Vem aqui," ele disse antes de pensar melhor. Virou-se no sofá, abrindo as pernas levemente. "Senta aqui na frente. Eu dou uma massageada."

Marina hesitou por apenas um segundo antes de obedecer. Sentou-se no chão entre as pernas dele, de costas, o corpo pequeno encaixando-se naquele espaço como se fosse feito pra isso.

Roberto colocou as mãos nos ombros dela - ombros pequenos, delicados, tensos como pedra sob a pele macia. Começou a massagear devagar, procurando os nós musculares, aplicando pressão com os polegares.

"Porra, você tá dura como concreto," ele murmurou.

Marina soltou um gemido baixo quando ele pressionou um ponto particularmente tenso. "Isso... aí mesmo. Porra, que bom..."

Roberto continuou, mãos trabalhando os ombros, depois subindo para a base do pescoço, depois descendo pelas omoplatas. Marina foi relaxando gradualmente, a cabeça pendendo pra frente, expondo a nuca delicada.

Ele não conseguiu evitar reparar - algumas mechas de cabelo escapando do coque, a pele ali tão pálida, tão suave. Seria tão fácil se inclinar e beijar aquela nuca. Tão fácil deixar os lábios traçarem o caminho da base do crânio até o ombro. Tão fácil...

"Melhor?" Sua voz saiu mais rouca que pretendia.

"Muito melhor." Marina virou a cabeça levemente, olhando pra ele por cima do ombro. Seus rostos estavam a centímetros de distância - ele inclinado pra frente, ela virada pra trás.

O jogo continuava na TV, o narrador gritando algo sobre escanteio, mas nenhum dos dois estava prestando atenção. O mundo havia se reduzido àquele espaço minúsculo entre seus rostos, àquela respiração compartilhada, àquele momento suspenso.

Roberto viu os olhos dela caírem para sua boca. Viu a língua dela umedecer os próprios lábios. Viu quando ela começou a se inclinar imperceptivelmente na direção dele...

E recuou.

Soltou os ombros dela como se queimassem e se levantou brusco do sofá. "Vou... pegar uma cerveja. Você quer alguma coisa?"

Marina piscou, confusa pela mudança súbita, ainda sentada no chão. "Não. Tô... tô bem."

Roberto praticamente fugiu pra cozinha. Abriu a geladeira e ficou ali parado, deixando o ar frio bater no rosto, tentando resfriar o sangue fervendo nas veias. Pegou uma cerveja sem nem olhar a marca, abriu e tomou metade da garrafa num gole longo.

"Que porra você tá fazendo?" sussurrou para si mesmo. "Ela é sua filha. Sua. Filha."

Mas mesmo repetindo isso como um mantra, mesmo reconhecendo a monstruosidade do que quase acontecera, uma parte dele - primitiva e egoísta - estava frustrada por ter parado.

Quando voltou pra sala dez minutos depois, Marina não estava mais lá. A TV ainda ligada no jogo, mas o sofá vazio. Ele ouviu água correndo no andar de cima - chuveiro. Ela fora tomar banho.

Roberto desligou a TV. Não dava mais pra fingir que se importava com futebol. Subiu as escadas, passou pelo banheiro dela - a porta fechada, som de água caindo, vapor escapando por baixo da porta. Continuou até o próprio quarto, fechou a porta e ficou ali encostado nela, olhos fechados.

Ele podia ouvir o chuveiro através das paredes finas. Podia imaginar - não, não devia imaginar. Mas imaginou mesmo assim. Marina sob a água, nua, mãos ensaboando o corpo, descendo pela barriga, entre as pernas...

"Porra," xingou baixinho. Estava duro. Completamente duro só de pensar, só de imaginar.

Poderia se masturbar. Seria a coisa sensata a fazer - aliviar a tensão, clarear a cabeça. Mas parecia errado. Parecia uma violação fazer isso enquanto pensava nela.

Exceto que já era uma violação pensar nela daquele jeito em primeiro lugar.

O chuveiro desligou. Roberto ouviu a porta do banheiro abrir, passos descalços no corredor, a porta do quarto dela fechando.

Ele esperou mais quinze minutos antes de tomar coragem e atravessar o corredor até o banheiro. Tomou outro banho frio, mais longo dessa vez, até os dedos enrugarem e os dentes baterem.

Quando finalmente foi se deitar, eram quase onze da noite. Deitou olhando pro teto escuro, sabendo que não dormiria tão cedo.

E não dormiu. Ficou acordado por horas, ouvindo os sons noturnos da casa - tábuas estalando, geladeira zumbindo, algum cachorro latindo na distância.

E então, por volta da uma da manhã, ouviu outro som. Baixo, abafado, vindo do quarto ao lado. Um gemido. Suave mas inconfundível.

Roberto congelou na cama, todos os músculos tensos, ouvido aguçado.

Outro gemido. Um pouco mais alto. Definitivamente vindo do quarto de Marina.

Ele deveria ignorar. Deveria colocar fones de ouvido, ligar música, qualquer coisa. Deveria respeitar a privacidade dela.

Mas não fez nada disso. Apenas ficou deitado, escutando, enquanto o pau ficava dolorosamente duro dentro da cueca.

Os gemidos continuaram - pequenos, entrecortados, acompanhados por sons rítmicos que Roberto reconhecia muito bem. Ela estava se tocando. Sua filha, do outro lado dessa parede fina, estava se masturbando.

E ele estava ali, duro como pedra, escutando cada som.

O gemido dela ficou mais alto, mais urgente. Roberto podia imaginar - a mão entre as pernas, dedos trabalhando o clitóris, entrando na boceta molhada. Podia imaginar as costas arqueando, os seios subindo e descendo com a respiração pesada.

Sem pensar conscientemente, sua própria mão desceu e envolveu o pau por cima da cueca. Apenas segurou, sem se masturbar de fato, apenas aplicando pressão.

Marina gemeu mais alto - "Aaah... porra... sim..." - e Roberto precisou morder o próprio punho pra não gemer também.

Ele sabia que estava errado. Sabia que era uma invasão horrível ficar ali escutando, ficar ali excitado com isso. Mas não conseguia parar. Não conseguia fazer nada além de ficar deitado na escuridão, pau pulsando na mão, enquanto ouvia a filha buscar alívio.

O clímax dela chegou com uma série de gemidos curtos e agudos, seguidos por um "oh fuck" sussurrado. Depois silêncio. Respiração pesada diminuindo gradualmente.

Roberto finalmente soltou o próprio pau, a cueca molhada de pré-gozo. Virou de lado, encarando a parede que os separava.

Do outro lado, Marina estava deitada em posição similar, encarando a mesma parede, mão ainda úmida entre as pernas.

Nenhum dos dois dormiu por muito tempo depois disso.

A manhã seguinte foi desconfortável. Roberto estava na cozinha quando Marina desceu, e ambos evitaram olhar diretamente um pro outro. Trocaram bom-dias educados, ele ofereceu café, ela aceitou, e ficaram em silêncio tenso enquanto bebiam.

"Pai..." Marina finalmente começou.

"Não." Roberto cortou, mais ríspido que pretendia. "Seja lá o que você vai dizer, não diga."

Marina fechou a boca, mordendo o lábio. Ficou em silêncio por um momento antes de tentar de novo. "A gente precisa conver..."

"Não." Ele se levantou, colocando a xícara na pia com mais força que o necessário. "Não tem nada pra conversar, Marina. Nada aconteceu. Nada vai acontecer. Acabou."

"Acabou o quê, exatamente?" A voz dela saiu baixa mas firme. "Acabou fingir que não tem nada acontecendo entre a gente?"

Roberto virou pra encará-la, e pela primeira vez em dias olhou diretamente nos olhos dela. "Não tem nada acontecendo entre a gente. Você é minha filha. Eu sou seu pai. Isso é tudo que existe e tudo que vai existir. Qualquer outra coisa que você acha que tá sentindo é só... é só confusão por causa do término, carência, sei lá. Mas não é real."

Marina se levantou também, e pela primeira vez desde que voltara pra casa, Roberto viu raiva genuína no rosto dela.

"Não me trata como criança. Não me diz o que eu tô sentindo." Ela cruzou os braços. "Eu sei exatamente o que tô sentindo. E você também sabe o que você tá sentindo, só não tem coragem de admitir."

"Marina, isso é loucura..."

"É? Então por que você quase me beijou ontem? Por que suas mãos ficaram tremendo quando você tava me massageando? Por que você saiu correndo da sala como se eu fosse queimar você?"

"Porque eu percebi que estava sendo inadequado!" A voz dele subiu. "Porque eu sou adulto o suficiente pra reconhecer quando tô cruzando uma linha que não pode ser cruzada!"

"E essa linha, ela existe só porque alguém decidiu arbitrariamente que existe, ou porque você genuinamente não sente nada por mim?"

A pergunta foi como um soco no estômago. Roberto ficou mudo, boca abrindo e fechando, sem resposta.

Marina deu um passo na direção dele. Depois outro. Parou a poucos centímetros, olhando pra cima para encontrar os olhos dele.

"Você sente," ela sussurrou. "Eu sei que sente. Vi no jeito que você me olha. No jeito que sua respiração muda quando eu tô perto. No jeito que você..."

"Para." A voz dele saiu quebrada. "Por favor, para com isso."

"Por quê? Porque é errado?" Marina deu uma risada sem humor. "Eu terminei um relacionamento de dois anos porque fui traída pelo namorado com minha melhor amiga. Voltei pra casa destruída, achando que ia ser o fim do mundo. Mas sabe o que descobri? Que eu não tô tão destruída assim. Que eu não tô pensando nele de jeito nenhum. Porque a única coisa que tá ocupando minha cabeça é você."

"Marina..." Roberto tentou recuar mas já estava encostado na pia.

"Diz que você não sente nada," ela desafiou. "Olha nos meus olhos e diz que não pensa em mim do jeito que eu penso em você. Diz e eu paro. Diz e eu faço as malas e volto pra capital hoje mesmo. Mas tem que ser verdade, pai. Não pode ser mentira só pra me afastar."

Roberto a encarou. Aqueles olhos castanhos - os mesmos da mãe, mas ao mesmo tempo tão diferentes. O rosto dela levantado pro dele, vulnerável mas desafiador. Os lábios entreabertos, esperando.

Ele devia mentir. Devia dizer que não sentia nada, que ela estava maluca, que precisava procurar terapia. Devia ser o pai responsável e colocar um fim naquela insanidade antes que fosse longe demais.

Mas as palavras não saíram. Porque eram mentira. E Roberto Mendes tinha muitos defeitos, mas sempre fora brutalmente honesto - especialmente com as pessoas que amava.

"Eu não posso dizer isso," ele finalmente admitiu, voz rouca e baixa. "Não posso porque seria mentira. Mas isso não muda nada, Marina. Isso não torna certo. Isso não torna possível."

"Por que não?"

"Porque eu sou seu pai, porra!" A voz dele quebrou na última palavra. "Porque é meu trabalho te proteger, te cuidar, não... não isso. Porque se eu cruzar essa linha, eu me torno um monstro. Você entende? Um monstro."

"Você não é um monstro." Marina levantou a mão, hesitante, e colocou na bochecha dele. Roberto fechou os olhos com o toque, uma parte dele querendo se afastar e outra querendo pressionar o rosto contra aquela palma pequena e quente. "Você é um homem. Um homem sozinho e com fome de afeto e que tem alguém bem na frente dele oferecendo exatamente o que ele precisa."

"Você não sabe o que tá oferecendo."

"Eu sei." A mão dela desceu do rosto dele para o pescoço, dedos traçando a linha da jugular. "Sei exatamente."

Roberto abriu os olhos. Marina estava tão perto que ele podia contar cada cílio, cada pequena pinta no rosto dela. Podia sentir a respiração dela, quente e doce, misturando-se com a sua própria.

"Marina, se você não parar agora..." Ele não terminou a frase. Não precisava.

"E se eu não quiser parar?"

Foi Roberto quem fechou a distância. Não conseguiu mais lutar. Não conseguiu mais resistir. Apenas se inclinou e pressionou os lábios contra os dela.

O beijo foi tímido no início - lábios fechados, casto quase. Mas então Marina soltou um suspiro pequeno e abriu a boca, e Roberto perdeu todo o controle restante.

A língua dele invadiu a boca dela, desesperada e faminta. As mãos foram para a cintura dela, puxando o corpo pequeno contra o seu. Marina gemeu dentro do beijo e subiu nas pontas dos pés, braços envolvendo o pescoço dele, dedos enterrando no cabelo.

Era tudo errado. Cada segundo, cada toque, cada som era uma transgressão. Mas Roberto não conseguia parar. Não quando ela tinha gosto de café e menta. Não quando o corpo dela se encaixava perfeitamente contra o dele. Não quando ela gemia daquele jeito, desesperada e necessitada.

Suas mãos desceram para a bunda dela, apertando por cima do short de pijama. Marina arfou e pressionou os quadris contra os dele, sentindo a ereção dura pressionando contra o ventre.

Foi isso que finalmente quebrou o transe. O sentir dela contra ele, tão óbvio e inegável. Roberto se afastou bruscamente, soltando-a como se ela queimasse.

"Não," ele disse, respiração pesada. "Não, não, não. Isso... isso não pode..."

Marina estava igualmente sem fôlego, lábios inchados e vermelhos do beijo, olhos escuros de desejo. "Pai..."

"Não me chama assim." A voz dele saiu dura, quase cruel. "Não agora. Não depois disso."

Ele saiu da cozinha sem olhar pra trás. Subiu as escadas dois degraus de cada vez, entrou no quarto e bateu a porta. Encostou-se nela, coração batendo descontrolado, pau duro e doloroso na calça de moletom.

"Que porra você fez?" Sussurrou pra si mesmo. "Que porra você fez?"

Mas mesmo através do horror e da culpa, mesmo reconhecendo a enormidade do que acabara de acontecer, uma parte dele - pequena mas persistente - só conseguia pensar: quando posso fazer de novo?

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Comentários

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Muito legal a dinâmica do conto. Balanço entre erotismo e drama bem construído. Talvez a tensão sexual tenha surgido de forma súbita demais, mas quem garante que já não estava lá e só aflorou com o momento?

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