A saga do Jom | 15º capítulo

Um conto erótico de Sarawat
Categoria: Gay
Contém 2872 palavras
Data: 19/01/2026 11:05:25

Não tenho ideia de quanto tempo estou aqui parado, estupefato, enquanto meu cérebro é inundado com tantas informações chocantes que não consigo processar tudo de uma vez.

Não é verdade, é? Eu ouvi você errado?

A expressão de nojo de Khun-Yai, suas palavras e seu olhar irritado são repetidos em minha cabeça, a qual preciso de tempo para digerir tantas coisas, mas uma coisa é certa: ele está com raiva a ponto de perder a compostura. Eu nunca vi ele tão zangado, sendo a minha pessoa o motivo de sua raiva.

Com isso, eu corro escada acima, então paro no meio do caminho, tentando fazer as pazes com ele, a questão é como? O que devo dizer a Khun-Yai?

“...Você não sabe o que eu sinto por você, Poh-Jom? Devo escrever um poema para você...?”

Meu sangue bombeia, fazendo meu rosto e pescoço queimarem. Eu pressiono meu braço contra minha bochecha e fecho meus olhos como se isso fosse ajudar. Meu coração está batendo agressivamente no meu peito, como se estivesse lutando para fazer alguma coisa. E quando me faço a pergunta que Khun-Yai me fez, a resposta simplesmente sai, honesta e

surpreendentemente clara.

... Por que eu não saberia? Desde o primeiro dia em que ele pegou minha mão para recuperar o relógio de bolso, dificilmente um dia se passou em que eu não sentisse os sentimentos que ele transmitia quando nos olhávamos.

Suas palavras doces, sua preocupação, como ele lidava com as coisas, o flerte em suas ações, tudo indicava seus sentimentos sem palavras. Ele escondeu o melhor que pôde, e hoje revelou tudo o que as pessoas apaixonadas sem saída poderiam fazer.

Ele estava certo. Eu sabia disso o tempo todo, mas nunca admiti. Toda vez que minha mente divagava sobre o assunto, eu não me permitia acreditar.

...Khun-Yai tem sentimentos por mim.

O pensamento faz meus joelhos dobrarem e ficam tão fracos que eu caio no degrau como se estivesse prestes a desmaiar. A minha visão fica turva e a minha sombra parece mais pálida do que o normal. Apesar da descrença, o formigamento no meu peito parece tão vívido, que me faz abaixo o meu queixo, escondendo meu coração nervoso e meu rosto queimando em “brasas”.

Eu tenho que me reconciliar com ele, essa é a única maneira!

Ainda assim, preciso de algum tempo para estabilizar meu coração, não quero vê-lo com o rosto corado, mostrando meus sentimentos e nos deixando desconfortáveis. Eu sou mais velho que ele, então tenho que controlar minhas emoções e a situação. Se ele é fogo, eu preciso ser água. Eu forço minha mente a parar de pensar sobre o que quer que esteja, me fazendo vacilar e tentando caminhar firmemente pelo corredor em direção ao quarto de Khun-Yai.

Eu bato na porta e chamo, — Khun-Yai.

Recebendo o silêncio como resposta, bato novamente na porta.

— Khun-Yai, me desculpe.

Minha voz não é forte ou excessivamente suplicante, eu quero que ele sinta a sinceridade do meu pedido de desculpas e saiba que me importo com ele. Porém, acabo ficando sem resposta, eu sei que Khun-Yai está ouvindo.

Eu inspiro e continuo,

— Eu nunca vou fazer isso de novo. Eu prometo ter cuidado e não deixar ninguém me tocar casualmente.

Depois de um momento, a porta se abre, Khun-Yai está parado com as mãos atrás das costas, ainda parecendo zangado. Ele não olha diretamente para mim, mas acho que sua raiva se acalmou até certo ponto. Ele não agiria dessa forma, caso contrário, não teria feito um “buraco” em meu corpo com seu olhar.

— Khun-Yai, por favor, não fique com raiva.— Atrevo-me a enfrentar o tigre, um jovem tigre de tamanho considerável. — Fico preocupado quando você fica com raiva.

Khun-Yai vira a cabeça em minha direção, os lábios levemente franzidos e os olhos cristalinos com um toque de vergonha, então ele diz.

— Não é sua culpa. Fui eu quem perdi o controle, se eu mantivesse você em casa, ninguém ousaria olhar ou tocar em você.

Isso é tudo o que preciso para destruir o que lutei para manter sob controle. Eu o encaro sem pensar, e desvio os olhos segundos depois, as minhas palavras saem da minha boca em desordem.

— Khun-Yai... Ah, você trocou de roupa. Você vai para a casa grande, não é? Certo, não preparei sua roupa a tempo. Eu nem trouxe seus sanduíches. Você teria agora ou... o que eu faço?

Khun-Yai me vê em pânico. Seu olhar intenso se suaviza e um sorriso retorna aos seus lábios.

— Já passou da hora do lanche, Poh-Jom. Avisarei ao meu pai sobre a minha missão e estarei de volta à noite. Espere por mim.

— Sim. — eu respondi com muita força, ainda desviando meus olhos, incapaz de encontrar seu olhar por muito tempo.

Porra... Existe uma pessoa neste mundo que cora quando a outra pessoa diz que vai cumprir as ordens de trabalho do pai...? Que ridículo.

Depois disso, sou eu mostrando meu desempenho ruim no trabalho. Se eu fosse meu empregador, despediria a mim sem hesitar. Eu quero a capacidade de me concentrar, mas não consigo de forma alguma, espere um minuto, suspiro sem parar de estresse, mas depois de um minuto, não consigo conter meu sorriso brilhante.

Eu pareço louco, e estou assim da tarde até a noite.

Felizmente, ninguém vem a casinha durante esse período, então não preciso me preocupar com as pessoas espalhando o boato de que posso estou possuído. Conforme o céu escurece, vejo Khun-Yai voltando, eu me levanto e o cumprimento como de costume, mas desta vez ele está muito nervoso.

Espero até que Khun-Yai tome banho e troque de roupa antes de entrar em seu quarto. Khun-Yai senta na cadeira vestindo uma camisa de algodão e calça de cetim para dormir. Em cima de seu colo, possui um livro aberto.

Vou até a janela para fechar a cortina, preocupado com seu próximo movimento. Mesmo que pessoas como eu exista desde dos primórdios, ainda sofremos com rótulos pejorativos como “sapatão” e “bicha”, ja na minha era o assunto é bem disfarçado com outros nomes. Mas nesta era onde estou, se você for exposto, será o assunto da cidade e pode haver sérias consequências.

Khun-Yai perdeu a paciência ao meio-dia, ele pode estar se arrependendo de ter declarado sua paixão por mim. Meu coração de repente se esvazia e só consigo fechar a cortina silenciosamente. Antes de pensar mais, Khun-Yai fecha o livro, caminha até sua cama e fala.

— Poh-Jom, venha e sente-se aqui.

Eu me viro para ele e decido sentar no chão ao lado de sua cama e Khun- Yai franze ligeiramente a testa, insatisfeito, e ordena mais uma vez.

— Quero dizer, ao meu lado. Na minha cama.

— Ah...— Abro minha boca para protestar, mas quando vejo seu olhar penetrante, sei que não posso dizer não.

Eu me levanto e sento ao lado dele como ele me disse, mantendo uma distância adequada. Khun-Yai se vira para pegar algo em um lenço embrulhado ao lado de seu travesseiro e coloca na minha mão, é um pequeno galho de quatro Lantoms.

— Eu trouxe para você, sei adora colocá-los ao lado de seu travesseiro.— Sua voz é agradavelmente ressonante.

Eu olho para as flores de marfim na minha mão, o aroma é perfumado e refrescante. Ele não apenas passou pela árvore e colheu algumas, como cortou especialmente para mim, considerando o corte oblíquo perfeito na ponta do galho. Eu olho para ele e sorrio.

— Obrigado— agradeço com sinceridade.

Khun-Yai sorri de volta para mim e meu coração para. Eu gostaria de poder trocar tudo o que tenho pelo sorriso dele para sempre, se ao menos as coisas fossem assim tão simples.

— Eu estou incomodando? — Khun-Yai pergunta.

— O que quer dizer?

— Sobre meus sentimentos românticos por você.

Meu coração dispara incontrolavelmente, eu fiixo os olhos no galho lantom em minha mão, segurando-o com força como se fosse minha âncora. E agora? Como respondo?

Digo a ele honestamente que meu coração está batendo forte e derretendo, ou dou a ele uma resposta vaga de que não me importo com coisas assim e nunca pensei que ele teria sentimentos por mim?

— Se eu for rejeitado, não vou te obrigar ou forçá-lo.

Suas palavras fazem minha cabeça levantar.

— Não é assim. Eu só…

Naquele momento eu sei que estraguei tudo. Pois é Grande momento. Quando olho em seus olhos, tudo em mim se liquefaz como cera queimando. Como ele pode...transmitir seus sentimentos tão intensamente através de seu olhar? Estamos a centímetros um do outro, mas minha pele fica quente quando ele me toca aqui e ali onde seus olhos afiados descansam. O calor sobe pelo meu corpo até as minhas bochechas, e ele provavelmente vê.

— Khun-Yai...— Eu forço as palavras, — Você gosta de homens?

Khun-Yai faz uma pausa antes de dizer:

— Se você fosse uma mulher, iria me opor. Mas como você é um homem, minha resposta provavelmente é sim.

— Como isso depende de mim?

— De quem mais eu dependeria quando nunca gostei de nenhum homem até conhecer você, Poh-Jom?

Ah... Meu coração está derretendo.

— Se você permanecer em silêncio, vou considerar que você aceitou meus sentimentos.

Estou sem palavras, quero argumentar com alguns comentários contundentes em vingança por sua iniqüidade, mas tudo que faço é protestar com uma voz fraca e sem medo.

— Isso é injusto.

— Injusto? — Khun-Yai desliza para perto de mim. — Se você não sente nada por mim, olhe para mim e diga.

Ele agarra meus braços, forçando-me a encará-lo. Eu abaixo meus olhos, me recusando a olhar para ele.

— Olhe para mim.

Como se eu fosse fazer isso. Isso é definitivamente uma armadilha, se eu olhar em seus olhos agora, nossas posições sentadas mudarão para deitados com certeza.

Mas eu subestimo isso, como não levanto a cabeça, Khun-Yai se inclina. Arrepios percorrem todo o meu corpo quando seu rosto se aproxima e quase toca minha bochecha. Ele desliza as mãos para baixo de forma carinhosa e precisa. Me pergunto, onde ele aprendeu isso? Ele já é tão habilidoso na conquista aos dezoito anos. Não quero imaginar como ele será quando crescer.

— Você está... se forçando no meu coração.

Eu me oponho gentilmente, com força. Meu coração estremece quando seus lábios roçam minha bochecha, se eu inclinar um pouco a cabeça, nossos lábios vão se tocar e eu posso provar seus lábios para descobrir se eles são tão doces quanto o mel das suas palavras.

Uma sensação cresce sob meu estômago, queimando e se espalhando. Eu quero beijá-lo como um louco! Estou prestes a perder para ele. Deus ajuda-me! Se eu realizar meu desejo com sucesso, praticarei o vegetarianismo por sete dias.

— Eu não tirei vantagem de você. Como posso me forçar a estar em seu coração? Eu fui paciente todo esse tempo e nunca coloquei um dedo em você contra a sua vontade.

— Então me dê tempo para pensar sobre isso. A questão do amor leva tempo.

Khun-Yai fica em silêncio, então fala em um tom relutante.

— Se você diz, como posso me opor?

Respiro aliviado.

— Posso dormir no meu quarto enquanto isso?

— Não confia em mim?

Não confio em nenhum de nós, mas não vou dizer isso.

— Se eu ficar perto de você, como posso me concentrar em descobrir meus sentimentos?

Submetendo-se à minha razão, ele relutantemente me permite partir.

Levanto-me e abro as cortinas da cabeceira da cama, Khun-Yai olha para mim com os braços cruzados em silêncio, sem dizer mais nada. Feito isso, peço desculpas. Mas antes de sair pela porta, meus braços são segurados por Khun-Yai, que me abraça por trás, eu fico rígido e depois fico fraco. Sou abraçado por seus braços fortes e sinto sua protuberância abaixo pressionando a minha bunda.

— Deixe-me garantir que Poh-Jom nunca pense em mais ninguém nesse meio tempo, exceto em mim.

Meu coração formiga como se estivesse prestes a flutuar quando ele pressiona seus lábios na minha bochecha, em vez de se afastar imediatamente, ele permanece seus lábios e nariz, fazendo-me enfraquecer mais ainda e quase cair de joelhos.

Eu faço o meu melhor para que as minhas emoções não fiquem fora de controle. Eu resisto ao seu abraço e gaguejo,

— Sim... sim, vou manter isso em mente.

E então, me desvencilho de seus braços e vou embora sem olhar para trás. Quando estou no meu quarto, aperto meu peito, pois meu coração dispara ao seu toque. O beijo ainda parece quente em minha bochecha, sem mencionar a proximidade de seu abraço, sem contar que Khun-Yai é... enorme.

Eu deixei meus pensamentos irem à loucura, quero tentar dormir. Desligo a lanterna e deito no colchão, mas então penso na noite em que aliviei minhas emoções com Khun-Yại em mente, desta vez, é diferente porque descobri que o homem em minha mente também me ama, e o pensamento queima a minha pele, como uma febre.

Há batidas suaves do outro lado da parede que divide meu quarto, como som de pele sendo esfregada, é o de Khun-Yai. Eu posso ouvi-lo claramente, já que meu colchão está a uma curta distância.

— Poh-jom... você está dormindo?— Khun-Yai pergunta do outro lado.

Eu respondo:

— Estou quase.

O silêncio cai sobre nós. Um momento depois, puxo meu cobertor fino para baixo, fecho os olhos e toco meu pênis suavemente que logo endurece. Mesmo que estejamos a apenas uma parede de distância um do outro e eu posso facilmente invadir seu quarto para ficar com ele e sentir sua protuberância em meus lábios e dentro de mim; tenho que me conter porque não quero me arrepender mais tarde. Além disso, por favor, não quero me machucar.

No entanto, a chama do desejo não é fácil de apagar. O calor fumegante em meu peito queima implacavelmente, sensual e atormentador, tornando esta noite uma das noites mais longas da minha vida, mesmo após me aliviar.

A partir daí, sinto que meu mundo é diferente de alguns dias atrás. Eu acordo revigorado pela manhã, porque tudo parece vivo como se nunca tivesse experimentado a dor.

O alto canto dos pássaros pela manhã, que costumava ser irritante às vezes, agora soa melodioso como se fosse composto pelo céu. As flores florescem em todos os lugares, jasmim laranja, jasmim noturno, Lantoms e lótus nas bacias. É como se tivessem combinado a espalhar suas pétalas e expelir seus aromas por cada centímetro do jardim. O pântano lamacento à beira do rio, recusando-se a ser ofuscado, exibe os jacintos de água em plena floração.

...tô passando da curva né?

Meu querido Khun-Yai também não recua, ele costuma flertar comigo durante o dia a noite, agindo como um tolo o tempo todo. Agora que seus sentimentos foram revelados, cada ação sua me faz corar. Antes, quando nossas mãos ou braços se tocavam, não era grande coisa porque me dizia que não significava nada, mas agora a história é diferente desta vez. Mesmo o toque mais leve, causa um choque elétrico, quase me derrubando apenas com o roçar de seus dedos. Se ele intensificar seu jogo, duvido que eu seja capaz de resistir.

Hoje, seu pai saiu para trabalhar em outro distrito de manhã cedo, então Khun-Yai toma café da manhã na casa de campo: comendo mingau de camarão e uma sobremesa de Ma-hor com pedacinhos de abacaxi cobertos com sal e recheio doce, e após terminar com café, eu deslizo para ele um pequeno pote de cerâmica com açúcar.

— Você quer que eu adicione um pouco de açúcar?

— Não. É doce o suficiente.

Ele me prende com seu olhar amoroso e bebe seu café. Eu gostaria de poder gritar, “Ah”, por toda a eternidade. Isso é café preto, como pode se torna tão doce? Como ele pode flertar mesmo durante uma refeição?

Depois disso, Khun-Yai volta para seu quarto para se trocar e estudar inglês com um professor estrangeira no casarão. Eu desço as escadas, cantarolando alegremente, e então, eu paro e fico rígido no degrau.

Tudo ao meu redor está claro com a luz do sol do fim da tarde. As folhas balançam ao vento e os galhos projetam suas sombras na grama. Fecho os olhos e os abro novamente para olhar com atenção de novo, então eu estendo a mão para puxar o ramo de jasmim laranja em minha direção, mas a visão diante de mim não muda.

A minha sombra é mais pálida do que tudo ao meu redor.

Eu estou lá, congelado, em perplexidade. Um pensamento surge na minha cabeça e me deixa atordoado.

Esta é a primeira vez que me ocorreu que eu nunca poderia ter viajado através de um buraco de minhoca até esta era. O espaço-tempo pode não ter torcido e formado uma passagem como eu especulei, e agora acabei de perceber outra possibilidade, aquela que a ciência não explica. Pois talvez não seja uma viagem no tempo.

Talvez eu seja um espírito passando para outra vida, um fantasma sem sombras. Já ouvi o termo em alguns livros e filmes de terror.

Minha sombra está lá, mas é pálida, não tão viva quanto tudo neste mundo, um fenômeno incompreensível.

Talvez... Estou morto desde que meu carro afundou no Rio Ping, e esse corpo aqui é do espírito da pessoa que morreu no acidente inesperado. Eu congelo no lugar, ouvindo a voz de Khun-Yai da sacada.

— Poh-Jom, por que você está parado aí? Tem alguma coisa errada?

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Foto de perfil genéricaSarawat Contos: 15Seguidores: 4Seguindo: 18Mensagem Olá, eu sou o Sarawat. Sou entusiasta do gênero romance e fascinado pelo universo asiático, especialmente pelas culturas tailandesa, chinesa e coreana, com as quais possuo um forte vínculo ancestral. Dedico-me a escrever histórias que unem personagens de personalidade forte a uma rica ambientação cultural.

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