A boca de Heitor percorreu a curva da minha orelha, depois a nuca descoberta, onde meus pelos se eriçaram. O beijo veio como uma falha na estrutura. Não foi romântico. Foi necessário. Curto. Profundo. Cheio de tudo que não foi resolvido.
Ele ergueu a mão e segurou a minha nuca com força, os dedos afundando nos meus cabelos castanhos e curtos, me puxando para si com um movimento brusco. Nossos lábios se chocaram antes que eu pudesse reagir, um beijo violento, desesperado, como se Heitor quisesse sugar a minha alma pela boca. Eu gemi contra os lábios dele, as mãos subindo instintivamente para agarrar seus ombros altos, minhas unhas cravando na pele úmida dele.
Era como se algo dentro de mim tivesse se rompido, de novo. Todo o controle, toda a distância cuidadosamente construídos nos últimos dias, desmoronou em segundos. Heitor não estava mais pedindo permissão, estava tomando. E eu não queria resistir.
As mãos de Heitor deslizaram, primeiro apenas pressionando os meus ombros contra a parede. Depois, como se vencesse algum freio interno, desceram com firmeza pelo meu peito, arrancando a minha camisa e a jogando no chão. Minha pele bronzeada contrastava com a palidez de Heitor, e os dedos dele encontraram o meu mamilo esquerdo, o apertando até eu arfar de dor e prazer.
Sem demora, Heitor me agarrou, prendendo os meus braços junto ao corpo. A trapaça simples me deixou imobilizado, as costas coladas à parede fria. Heitor voltou à minha nuca, lambendo uma linha molhada até o ponto onde o osso da vértebra saltava. A língua quente, intercalada por mordidas leves, me fazia estremecer, os gemidos agora mais altos.
– Pode gemer – sussurrou Heitor entre mordiscadas – Ninguém vai te ouvir. A casa tá vazia.
A certeza da privacidade acendeu algo mais sombrio no olhar dele. As mãos de Heitor desceram pelas minhas costas, apertando as minhas nádegas com uma força que doía de tão boa, me puxando contra si até que eu pudesse sentir a dureza do seu pau pressionando contra a minha barriga. Um gemido escapou da minha garganta, abafado pela boca de Heitor, que não parava de me devorar, os dentes mordiscando o meu lábio inferior com uma crueldade deliciosa.
— Você é um filho da puta — Heitor rosnou entre beijos, a voz grossa de desejo — Não fala nada, some, e agora aparece aqui como se nada tivesse acontecido.
— Eu não aguentava mais — confessei, ofegante, enquanto as mãos de Heitor deslizavam para baixo, agarrando minhas coxas, me levantando com uma facilidade que me deixou tonto.
Em segundos, eu estava sentado sob o balcão da área de serviço, as pernas abertas, Heitor posicionado entre elas, as mãos explorando cada centímetro do meu corpo como se fosse a primeira vez.
Heitor afundou o rosto no meu pescoço, mordendo a pele sensível logo abaixo da orelha, descendo pela clavícula, a língua quente deixando um rastro úmido. Eu arqueei as costas, os dedos enfiados nos cabelos de Heitor, puxando com força suficiente para fazer ele gemer.
Os lábios de Heitor encontraram um mamilo, a boca quente e úmida sugando a teta intumescida, a língua circulando o bico até que ele endurecesse de prazer. Eu ofegava, meus quadris se movendo sem controle, buscando atrito, precisando de mais.
— Você é meu — Heitor murmurou contra a minha pele, as palavras vibrando em meu peito — Não é do Rafael. Não é de ninguém. É meu.
Eu não tive tempo de responder. Eu desci do balcão e ele se afastou um palmo, o suficiente para eu ver o volume enorme sob o medonho short marrom. Heitor desceu, se agachando na minha frente, passando as palmas das mãos pelas minhas coxas, da articulação do joelho até o limite da minha bermuda. A minha pele trincou com a textura macia das mãos dele.
Gemi mais forte quando Heitor massageou, com as duas mãos, a parte traseira das minhas coxas, pressionando os músculos apertados. Os dedos subiam, se enfiando de leve por baixo do tecido da minha bermuda, apenas para voltar e espalmar a minha carne. A sensação prometia mais, construindo uma pulsação constante no meu ventre.
Heitor se ergueu, beijando o canto da minha boca, depois me tomou os lábios de forma avassaladora, introduzindo logo a língua. O beijo era quente, úmido, com um sabor amargo. Respondi com igual fúria, dando tudo de mim, mas logo Heitor me dominou outra vez, empurrando a minha cabeça de lado para sugar o meu pescoço. Um chupão formou-se rápido, vivo, sob o qual eu suspirei, entregue.
Heitor me empurrou contra a parede fria, a mão grande e quente deslizando pela minha barriga, descendo até abrir a minha bermuda, puxando para baixo o zíper, com um movimento brusco. O som metálico quase sumiu sob o hálito ofegante de nós dois.
Minha bermuda caiu, me deixando apenas de cueca, o tecido de algodão esticado sobre a minha ereção. Heitor afastou a minha cueca com um gesto seco, envolvendo meu membro com os dedos. Eu arfava, minhas têmporas latejando.
– Vira – ordenou Heitor a meia voz, mas firme.
A voz autoritária me estremeceu todo. Obedeci, me virando com dificuldade porque meus pés ainda encontravam a bermuda amontoada no chão. Apoiei as mãos na tampa da máquina de lavar, sentindo o metal vibrar ainda da centrifugação anterior. A posição me expôs, me deixando vulnerável, as nádegas arredondadas sob o tecido fino da cueca.
— Heitor— sussurrei, mais um pedido do que um protesto, enquanto sentia os dedos dele explorando a curva de minhas nádegas, um deles deslizando entre as minhas pernas, encontrando meu cuzinho já piscando de tanta excitação.
— Cala a boca — Heitor ordenou, a voz um rosnado no meu ouvido — Você veio aqui pra isso. Não finja que não queria.
Eu não tinha como negar. Eu queria. Queria há dias, desde a última vez que Heitor tinha me tocado, desde a última vez que eu tinha sentido aquele pau comprimido me esticando por dentro, me fazendo esquecer de tudo, até do meu próprio nome.
Heitor se ajoelhou atrás de mim, beijando primeiro a minha coxa direita, depois a esquerda, sempre subindo. As mãos abriram as minhas nádegas, e o hálito quente percorreu a minha fenda. Soltei um rosnado surpreso quando a língua dele passou sobre o tecido da minha cueca, pressionando o meu anelzinho. O tesão era quase insuportável, me fazendo curvar as costas.
Ouvi o som do short de Heitor sendo despido, os pés se movendo para chutar o tecido para longe. Meu coração disparou ainda mais, ânsia e desejo se cruzaram na mesma batida.
Heitor não perdeu tempo. Puxou a minha cueca para baixo, só até as coxas, o suficiente para libertar as minhas nádegas. Uma das mãos desceu, massageando meu cuzinho com a ponta do dedo molhado de saliva, os dedos trabalhando no meu buraquinho apertado, até que eu relaxasse o suficiente para aceitar a invasão.
Eu me contraí, mas logo relaxei, o corpo já pedindo mais. O dedo de Heitor entrou até o segundo nó, depois outro, me preparando com movimentos circulares que faziam o meu ventre se agitar. Eu mordia os lábios, as unhas cravando na parede, enquanto Heitor me preparava, os dedos entrando e saindo com uma lentidão torturante, me esticando, me abrindo.
— Porra, Heitor — gemi, a cabeça batendo contra a parede — Para de me torturar.
Heitor riu baixo, um som gutural que fez o meu pau latejar.
— Você gosta — provocou, enquanto adicionava um segundo dedo, o fazendo girar dentro de mim, até encontrar aquele ponto que me fazia ver estrelas — Você adora quando eu te deixo louco.
Eu não tive forças para responder. Um gemido longo e quebrado escapou de meus lábios quando Heitor finalmente retirou os dedos, me deixando vazio, tremendo de necessidade. Ouvi o som da cueca de Heitor sendo abaixada, o tecido caindo no chão, e então, finalmente, a pressão firme, quente e grossa do pau de Heitor contra a minha entrada.
Um empurrão lento, firme, me rasgou um gemido rouco. A máquina de lavar tremeu sob o peso de nós dois quando Heitor avançou até o fim, me derrubando contra o tambor.
A primeira estocada foi profunda, seguida por outra, em um ritmo logo acelerado. Heitor agarrou meus quadris com força, nos alinhando, controlando o movimento, cada embate ecoando contra a parede de azulejos. O prazer era uma corrente elétrica que viajava da pelve até as pontas dos meus dedos, fazendo eu me curvar mais, me oferecer mais, empurrando o meu bumbum para trás, tentando forçar a entrada.
– Tá gostoso? – perguntou Heitor entre dentes, o suor já lhe escorrendo pelo peito.
– Sim... continua... – foi só o que eu consegui responder, a voz quebrada de tesão.
Heitor não precisou de mais incentivo. Com um movimento firme e constante, ele empurrou para dentro, a cabeça grossa do pau forçando a passagem, me esticando de uma maneira que fazia minhas pregas arderem. Eu segurava para não gritar, o corpo tremendo enquanto Heitor me penetrava centímetro por centímetro, sem pressa, como se quisesse saborear cada segundo daquilo.
— Porra — ofeguei, as lágrimas escorrendo pelo canto dos olhos não por dor, mas pela intensidade daquilo, pela sensação de estar sendo preenchido tão completamente que parecia que nunca mais iria me sentir inteiro sem aquilo.
Heitor finalmente encostou os quadris nas minhas nádegas, o pau todo dentro, pulsando. Ficou parado por um momento, respirando pesado, a testa apoiada entre as minhas omoplatas, como se estivesse se recompondo. Então, lentamente, começou a se mover.
Os primeiros empurrões foram devagar, quase gentis, como se Heitor estivesse testando meus limites, dando tempo para que eu me acostumasse com o tamanho do seu cacete. Mas eu não queria gentileza. Eu queria ser punido.
— Mais forte — exigi, a voz quebrada — Me fode como se fosse a última vez.
Com um rosnado, ele puxou quase todo o comprimento do pau para fora antes de empurrar de volta com força, o impacto me fazendo gritar, as mãos escorregando na parede úmida. As mãos de Heitor subiram, segurando meus ombros, dando ainda mais força ao impacto.
Heitor não parou. Estabeleceu um ritmo implacável, cada estocada mais profunda, mais brutal do que a anterior, o som da carne batendo contra carne ecoando pela área de serviço, misturando-se ao barulho da água que ainda pingava da torneira. O clímax subia, subia, irresistível.
— É isso — Heitor grunhiu, os dedos cravando nos meus quadris com força suficiente para deixar marcas — Você é meu. Só meu.
Eu não conseguia formar palavras. Podia apenas gemer, o corpo sacudindo a cada investida, meu pau latejando entre as pernas, precisando de toque, de alívio. Uma das mãos de Heitor abandonou meu quadril, deslizando pela minha barriga até encontrar meu pau inchado, apertando com força enquanto continuava a me foder sem piedade.
— Vai gozar pra mim — Heitor ordenou, a voz um comando que eu não podia, nem queria, desobedecer.
Foi o suficiente. Com um grito abafado, senti meu corpo se contrair por inteiro; a ejaculação me tomou de surpresa, meu esperma jorrando quente sobre a mão de Heitor, esguichando sobre a lateral fria da máquina.
Minhas pernas tremendo, meus músculos internos se fecharam em espasmos ao redor de Heitor, lhe arrancando um rugido abafado, meu cuzinho se contraindo em torno do seu pau, que ainda me penetrava sem parar.
Heitor não diminuiu o ritmo. Pelo contrário, suas estocadas ficaram ainda mais selvagens seu pau inchando ainda mais dentro de mim antes que ele também chegasse ao clímax, com um gemido gutural.
Heitor se enterrou fundo até o fim, parado, o corpo inteiro rígido. Eu senti o pulsar do próprio orgasmo dele jorrando dentro de mim, me enchendo até transbordar. Ele permaneceu apoiado em mim, a testa dele contra a minha nuca, ofegante.
Por um longo momento, nós ficamos assim, Heitor ainda dentro de mim, nós dois ofegantes, o suor escorrendo pelas costas, se misturando ao cheiro de sabão e sexo. O silêncio caiu pesado, apenas as respirações descompassadas preenchendo a área de serviço. Aos poucos, Heitor recuou, se retirando com cuidado. Eu me endireitei, as pernas bambas, sentindo o esperma quente escorrendo por minhas coxas, uma sensação suja e perfeita ao mesmo tempo.
Heitor me virou, me pressionando contra a parede novamente, desta vez frente a frente, nossos corpos colados, os corações batendo no mesmo ritmo acelerado. Não houve palavras. Não eram necessárias. O que vi nos olhos dele era algo misto, saciamento, mas também uma centelha determinada que não permitia mais fugas.
Heitor me beijou novamente, desta vez devagar, como se estivesse selando uma promessa, e eu correspondi, os braços enrolados em torno do pescoço dele, como se nunca mais fosse soltar.
Quando nos afastamos, ambos estávamos ofegantes. Heitor limpou o seu cacete numa camisa suja, jogando no cesto de roupas sem tirar os olhos de mim. A água ainda pingava. O sol ainda queimava lá fora.
Mas, naquele momento, nada disso importava. Havia apenas nós, o cheiro de sexo no ar, e a certeza de que, não importava o que acontecesse, eu não conseguia ficar longe de Heitor por muito tempo. Nós estávamos ali, próximos demais para sermos apenas amigos, distantes demais para nos sentirmos seguros.
— Isso não resolve nada — eu disse.
– Eu sei – ele disse, limpando o suor da testa – Mas agora, a gente conversa de verdade. Quero entender esse teu medo. E quero que entenda que não vou dividir você de novo.
Eu assenti, ainda tentando controlar minha respiração ofegante. A roupa espalhada no chão, o corpo latejando, eu soube que ali, encostado àquela máquina de lavar, algo maior que simples desejo havia renascido. E, desta vez, não havia mais ninguém capaz de interromper.
E Gabriela, na outra rua, jamais saberia que seu nome havia sido apenas um teste, e que, entre Heitor e eu, nada nunca era simples o bastante para caber em um convite comum.
