Minha Sobrinha Rabuda tem OnlyFans - Parte 7

Um conto erótico de AuroraMaris
Categoria: Heterossexual
Contém 5015 palavras
Data: 16/01/2026 14:40:00

Nas semanas que se seguiram, uma nova e doentia normalidade se instalou no apartamento. As luzes de LED ficaram guardadas. A câmera, empoeirada. Agora, éramos só nós.

Júlia sentava no meu colo para ver filmes à noite, seu corpo quente e macio um peso perfeito e familiar. Saíamos para "encontros" como namorados, andando de mãos dadas na orla deserta sob a lua, nossos beijos roubados e profundos, saboreando o gosto proibido do sal e da pele um do outro. Dormíamos juntos todas as noites, seu corpo nu enroscado no meu.

E transávamos. Transávamos como coelhos. Ela passava uma hora ou mais chupando meu pau antes de foder, como uma verdadeira puta. Me deixava enterrar a rola na buceta e às vezes no cuzinho. Eu não conseguia ficar longe. No trabalho, que havia se tornado um ambiente infernal, eu contava os minutos para estar de volta ao apartamento, para enterrar minha pica naquela mulher que havia se tornado meu único propósito.

E ela... ela florescia. Se soltava igual as mulheres dos pornôs mais ousados. Seus gemidos eram mais altos, livres do cálculo de performance. Ela era mais puta, mais safada, mais dona do próprio prazer. Uma cachorra no cio, mas um cio que só eu podia saciar. Era como se, aceitando plenamente o tabu, todo um lado reprimido e voraz dela tivesse sido libertado. Ela gozava, às vezes gritando meu nome, mas na maioria das vezes me chamando de tio, principalmente quando seus olhinhos verdes se reviravam de tesão. Era a confusão perfeita, a entrega total: ao homem que eu era, e ao título que tornava tudo tão terrivelmente errado e eletrizante.

Eu estava intoxicado. Perdido nela. Mas no meio daquela felicidade obscena, uma sombra minúscula e insistente permanecia: ela nunca tinha dito "eu te amo". Não daquele jeito cru, desesperado, confessional que eu falei pra ela. Ela se entregava com o corpo, com os gemidos, com a companhia. Mas as palavras... essas ficavam guardadas. E essa ausência, por menor que fosse, era uma fissura no meu paraíso pecador.

Num sábado de manhã, o sol entrava forte pela varanda, iluminando a poeira dançando no ar. Eu estava deitado no tapete enquanto Júlia me chupava. Ela me olhava com aqueles olhinhos verdes que de inocente agora não tinham nada. Ela se engasgava na minha rola, colocando tudo dentro da garganta e babando.

- Isso, Ju... Chupa a pica do tio bem gostoso... - eu gemia enquanto ela me mamava com vontade.

Depois disso, veio por cima de mim, com aquela bunda gigante virada na minha direção, me dando uma vista privilegiada da cavalgada deliciosa, a bunda abrindo e fechando conforme ela balançava o quadril. Ela me olhava com carinha de puta por cima do ombro, seus olhos fechados, um murmúrio contínuo de prazer saindo de sua boca. Eu a observava, hipnotizado, minha mão apertando a carne suculenta daquele rabo grande.

Foi quando ouvimos.

Toc-toc-toc.

Batidas firmes na porta de entrada.

O sangue pareceu parar em nossas veias. Nossos movimentos congelaram no meio do ato. Nossos olhos se encontraram, dilatados pelo mesmo pânico instantâneo e primitivo. As visitas interfonam antes, na porta do edifício. Os vizinhos normalmente mandam mensagens no grupo do condomínio.

Toc-toc-toc-toc.

- Ju? Ricardo? Estão aí? - a voz do outro lado da porta, nítida e comum, foi um choque elétrico que nos arrancou do transe.

Cíntia.

Era a minha irmã. A mãe dela.

Ela tinha a chave da porta da frente do edifício, uma cópia que eu havia dado há muitos anos, mas não tinha a chave do meu apartamento.

Um caos silencioso e absoluto se instalou. Nos separamos num movimento desengonçado, quase caindo. Júlia saiu de cima de mim com um salto, os olhos esbugalhados de terror puro. Corremos, tropeçando em nossas próprias pernas, para pegar as roupas espalhadas pelo chão. Calcinha, cueca, camiseta, short. Nos vestimos às cegas, com movimentos trêmulos e atrapalhados, os ouvidos esticados para o silêncio do lado de fora da porta.

- Ricardo, eu vi o carro na vaga, sei que você está aí! - a voz de Cíntia soou.

Não. Não. Não.

Finalmente, mais ou menos vestidos, ficamos parados no meio da sala, ofegantes. Júlia estava pálida como um fantasma, a mão tapando a boca. Meu coração batia tão forte que eu temia que ela ouvisse do corredor. E então, veio a percepção tardia, o golpe final: o cheiro.

O ar na sala estava pesado, doce, salgado, inconfundível. O cheiro do sexo. Do nosso sexo. Impregnado no sofá, no tapete, na cortina, em nós. Era como uma nuvem de evidência pairando sobre nós. Nenhuma quantidade de ar fresco daria conta de camuflar aquilo.

Nossos olhos se encontraram de novo.

- Espera, não abre ainda! - Júlia sussurrou, chegando perto de mim. - Eu tenho uma ideia.

Com a agilidade de um gato, disparou na direção do quarto. Eu fiquei ali, congelado, ouvindo as batidas insistente da minha irmã misturadas à minha própria respiração ofegante.

- Ju? Ricardo, pelo amor de Deus, abre essa porta! Tá tudo bem aí? - a voz de Cíntia estava ficando preocupada.

- Já vai, Cíntia! Um segundo! - gritei, a voz saindo anormalmente grossa e rouca.

De dentro do quarto, Júlia reapareceu, segurando um incenso longo, daqueles de palito, e um isqueiro. Com movimentos calmos, mas rápidos, ela o acendeu na cozinha e correu pela sala, fazendo círculos no ar com a ponta acesa. A fumaça densa e adocicada de sândalo começou a subir, formando espirais no ar ainda pesado. Em segundos, o aroma forte e marcante do incenso começou a dominar o ambiente, combatendo, mascarando, se misturando ao cheiro do sexo que impregnava tudo. Não era perfeito, mas era uma camuflagem plausível.

Com um último olhar para mim, Júlia correu de volta para o quarto e fechou a porta suavemente.

Respirei fundo, tentando ajeitar a camiseta que havia vestido ao contrário. Passei as mãos pelo rosto, como se pudesse apagar a expressão de culpa. E então, com o coração martelando contra as costelas, abri a porta.

Cíntia estava do outro lado, com uma bolsa de viagem no ombro e um sorriso amplo que, ao me ver, se transformou em uma careta.

- Nossa, Ricardo! Você tá acabado. E que cheiro é esse? Tá parecendo templo budista aqui - ela disse, entrando sem cerimônia.

- Cíntia... Que surpresa. Não avisou - consegui dizer, tentando desviar o olhar. Meus olhos pareciam incapazes de se fixar nos dela. Pousavam no chão, na parede, em qualquer coisa que não fosse o rosto da minha irmã. “Se ela descobrir...”, o pensamento martelava no meu crânio, acompanhando as batidas do meu coração.

- Aí é que está a graça da surpresa, ué! - ela riu, largando a bolsa no hall. - Saudade da minha filha. E de você também, claro. E você? Tá bem? Parece que tá com uma ressaca das brabas.

- É que... trabalhei até tarde ontem. Acordei agora há pouco, estava no banheiro - menti, a voz ainda rouca de tudo que havia acontecido minutos antes. Me apoiei na parede, tentando parecer apenas cansado, não um fugitivo prestes a desmoronar. Se ela soubesse que o que me deixou assim foi a filha dela...

- A Júlia está dormindo? - perguntou Cíntia, olhando em direção ao corredor.

Quase disse que sim, mas a porta do quarto se abriu naquele momento. Júlia surgiu, esfregando os olhos como uma criança, vestindo um shorts e uma camiseta larga. O cabelo estava levemente despenteado, numa performance perfeita de quem acabou de acordar.

- Mãe? - ela disse, com uma voz sonolenta e genuinamente surpresa. Em seguida, seu rosto se iluminou num sorriso que parecia lavar toda a culpa do lugar. - Mãe!

Ela correu e envolveu Cíntia num abraço apertado, enterrando o rosto no pescoço dela.

Eu observei, boquiaberto. Ela era infinitamente melhor nisso do que eu. Não havia tremor, hesitação. Era natural, afetiva. A filha que sentia saudades da mãe. Enquanto isso, eu parecia um robô com defeito, incapaz de formar um pensamento coerente que não fosse o eco da minha própria condenação.

- Vim te ver, minha filha! E dar uma descansada da cidade. Tudo bem se eu ficar uma semaninha aqui? - perguntou Cíntia, se afastando do abraço para olhar para mim.

- É óbvio que sim, Cíntia. Fica à vontade - respondi rapidamente, forçando um sorriso que devia parecer um espasmo doloroso. - O sofá-cama da sala é ótimo.

A semana que se seguiu foi uma tortura refinada. O apartamento, que havia se tornado nosso covil, nosso santuário de pecados, agora era um campo minado sob a vigilância da única pessoa no mundo que não podia saber de nada. Cíntia ocupou o sofá da sala, e cada noite eu me trancava no meu quarto, ouvindo os risos baixos delas da sala, a conversa normal de mãe e filha, e morria de saudade. Saudade do peso de Júlia no meu colo, do seu cheiro no meu travesseiro, do sabor proibido da sua boca.

Júlia, por sua vez, mergulhou no papel de estudante dedicada com uma convicção que me assustou. Estava sempre com um livro na mão, um caderno de anotações aberto na mesa da sala. Ia pontualmente ao cursinho de tarde e voltava falando de fórmulas e teorias. Era a filha perfeita, a sobrinha aplicada.

Mais para o meio da semana, um distanciamento começou a pairar sobre ela. Havia uma névoa em seus olhos. Ela ficava mais tempo trancada no quarto, dizendo que estava com sono. Nas poucas vezes em que nossos olhares se cruzavam, fugazes e cuidadosos no espaço comum, eu não via mais a cumplicidade ardente, nem o desafio da modelo. Via um cansaço profundo, uma sonolência que parecia ir além do físico.

- Ricardo, você não tá achando a Júlia meio estranha? - Cíntia comentou comigo na cozinha, numa quinta-feira à noite, enquanto Júlia estudava no quarto. - Ela tá tão... apagada. Quase não conversa e vive com sono. Será que está doente?

Meu coração deu um salto. Eu tinha percebido o mesmo. Algo estava errado. Mas o instinto de proteger nosso segredo, de manter a fachada a qualquer custo, falou mais alto.

- Acho que é o cursinho, Cíntia - eu disse, lavando uma xícara com uma concentração absurda. - É puxado, ela tá se dedicando muito. Ela vai se acostumar.

Convenci a ela. Mas não consegui convencer a mim mesmo. Uma inquietação começou a brotar no meio do meu próprio inferno particular de abstinência e culpa. Será que era saudades, assim como eu sentia? Será que já tinha enjoado de mim, da nossa dinâmica perversa, do nosso tabu? Ou, pior, será que estava gostando de alguém do cursinho, aquele moleque talvez?

No sábado seguinte, exatamente uma semana após a chegada de Cíntia, decidi dar uma saída. Precisava de ar, de distância daquela tensão constante.

- Vou no mercado, preciso de umas coisas - avisei, pegando as chaves.

- Aproveita que o dia tá lindo, Ju. Vai dar uma volta, vai pra praia - sugeriu Cíntia, preocupada com o ar cabisbaixo da filha.

Júlia apenas assentiu, sem muito entusiasmo. Quando eu saí, ela ainda se arrumava pra ir à praia.

O ar livre não trouxe alívio. Tudo me lembrava dela. O caminho até o mercado, as prateleiras, as pessoas na rua. Voltei mais cedo do que pretendia, com uma sacola quase vazia, movido por uma ansiedade que não conseguia nomear.

Ao abrir a porta do apartamento, um silêncio anormal me recebeu.

- Cíntia? - chamei.

Nenhuma resposta. Andei até meu quarto. E então, meu coração parou.

Cíntia estava sentada na minha escrivaninha. Meu notebook pessoal estava aberto e a tela iluminava seu rosto, onde duas linhas de lágrimas escorriam em silêncio. Seus olhos, vermelhos e inchados, estavam fixos na tela. Ela não me via. Estava totalmente absorta no que quer que estivesse vendo.

O chão pareceu se abrir sob os meus pés. O sangue gelou nas minhas veias. A sacola de plástico escorregou dos meus dedos entorpecidos e caiu no chão com um ruído abafado.

Meu coração, que já estava no fundo da garganta, subiu até a boca e quase parou. Ela estava no meu quarto. Na minha privacidade violada. No epicentro de todas as provas.

- Cíntia! - a voz que saiu de mim foi um rugido abafado, carregado de pânico e de uma fúria súbita, defensiva. - O que você está fazendo? Por que está fuçando nas minhas coisas?

Ela ergueu os olhos lentamente da tela. As lágrimas não paravam, mas agora seu rosto estava contraído por uma raiva tão profunda e dolorosa que eu nunca tinha visto nela.

- Seu filho da puta! - ela gritou, a voz trêmula de indignação. - Eu só precisava usar seu notebook pra mandar um e-mail urgente para o meu chefe, e adivinha o que eu encontro? Uma pasta chamada "Júlia"! Achei que fosse sobre o freelance que ela estava fazendo pro seu escritório, estava curiosa para saber o que era.

Cíntia cuspia as palavras.

- Que porra é essa, Ricardo? São... São fotos da minha filha. Nua! Em poses... de puta! - o choro interrompeu a fala dela por um segundo, um soluço rouco de dor. - E então eu pensei: não, não é possível. Deve ser montagem. Aí eu abri um vídeo.

Ela fechou os olhos, como se a memória fosse física demais para suportar.

- E vi você. Vi você, seu nojento, comendo a minha filha! A sua sobrinha!

O mundo desabou. Ela tinha visto a gravação que eu descartei para postar, mas guardei como um tesouro. Não havia mais camuflagem, não havia mais mentira possível. A verdade estava ali, nua e crua, no rosto devastado da minha irmã. Mas em vez do desespero, uma fúria cega e possessiva tomou conta de mim. Era a fúria do caçador descoberto, do dono que tem seu tesouro ameaçado.

- Você não tinha o direito de fuçar! - gritei de volta, avançando e arrancando o notebook das mãos dela, fechando a tela com um baque seco. - Isso é invasão de privacidade! É minha casa, minhas coisas!

- Suas coisas? Suas coisas?! A minha filha é uma das suas coisas agora, Ricardo?! - ela se levantou da cadeira como um furacão, os olhos injetados.

Ela me seguiu até a sala, uma fúria em forma de mãe. Antes que eu pudesse me virar completamente, seus tapas começaram a chover sobre mim. Não eram golpes de briga, eram golpes de desespero, de nojo, de uma traição familiar que ia além de qualquer compreensão.

- Seu nojento! Seu lixo! Seu merda! Como você pôde?!

Eu apenas ergui os braços, tentando segurar seus pulsos, que batiam com uma força surpreendente.

- Cíntia, para! Para com isso!

- O que você fez com a minha filha, seu monstro? Você a destruiu! Você acabou com a nossa família! - ela berrava enquanto tentava me estapear.

Nesse momento, a porta da frente se abriu. Júlia entrou, com a bolsa de praia no ombro, o rosto ainda marcado por aquela sonolência estranha. O sorriso sumiu instantaneamente quando ela viu a cena.

- O que... o que aconteceu? Mãe? Tio?

Cíntia, ao ouvir a voz da filha, se desvencilhou do meu aperto com um arranco. Seus olhos, antes voltados para mim com ódio, se fixaram em Júlia com uma expressão de dor tão aguda que parecia vai matá-la.

- Você... - a palavra saiu como um sibilo. - Sua vagabunda! Piranha!

Ela se lançou sobre Júlia. Os tapas que haviam sido para mim eram nada comparados à fúria que ela despejou sobre a própria filha. As mãos dela batiam, puxavam o cabelo, tentavam atingir qualquer parte do corpo de Júlia, enquanto uma torrente de xingamentos baixos e cortantes jorrava de sua boca.

- Eu criei uma puta, Júlia?! Uma vadia que dá pro próprio tio?! Foi pra isso que te criei, pra você me dar esse desgosto?! Eu devia ter te abortado!

Júlia, pega de surpresa, não reagiu. Ela apenas se encolheu, acuada, se prensando contra a parede, os braços protegendo a cabeça, e começou a chorar.

- Cíntia, para com isso, vamos conversar! - gritei, tentando me interpor, tentando agarrá-la de novo.

Mas quando cheguei perto, ela se virou para mim com um rosto transformado pela fúria e pela dor, e me empurrou com as duas mãos no peito. Uma força descomunal, alimentada pela adrenalina de uma mãe traída, me arremessou para trás. Eu tropecei no tapete da sala e caí de costas no chão, o ar saindo dos meus pulmões.

Enquanto eu me debatia para me levantar, tonto, ouvi Júlia gritar, a voz abafada pelos próprios soluços e pelos golpes:

- Para, mãe! Para, por favor!

Cíntia não parou. Seus xingamentos eram uma cacofonia de ódio agora.

E então, no ápice daquela violência, no momento em que eu finalmente conseguia me levantar, Júlia gritou:

- Para... Por favor, mãe! Eu estou grávida!

O silêncio que caiu foi instantâneo e absoluto. Cíntia congelou no meio do movimento, a mão erguida no ar, pronta para outro golpe que nunca chegou. Seu rosto, antes congestionado pela raiva, agora estava pálido. Ela ficou parada, olhando para a filha encolhida no chão, como se não entendesse o idioma que ela havia falado.

Eu também congelei, de pé, a meio caminho dela. As palavras ecoaram no meu cérebro, mas não faziam sentido. Grávida. Ela estava grávida. Minha Júlia estava grávida.

O ar da sala, que já estava pesado com ódio e lágrimas, pareceu ficar completamente irrespirável. O mundo, que já havia desabado antes, agora se esfacelava em pedaços tão pequenos que eu duvidava que pudessem ser remontados. E no centro do desastre, as três peças quebradas daquela família olhavam umas para as outras, sem saber o que diabos fazer a seguir.

Cíntia desviou lentamente o olhar da filha aterrorizada no chão e o fixou em mim. Ela levou as duas mãos à boca, um gesto de choque que deu lugar fúria explosiva de antes. Quando ela falou, a voz não era um grito. Era um sussurro carregado de um nojo tão profundo que pareceu baixar a temperatura da sala.

- Você... engravidou minha filha, Ricardo?

A pergunta não era um berro. Era uma faca de gelo. E ela me atravessou, limpando um pouco da névoa de choque. Minha mente, que tentava processar a palavra "grávida", deu um tranco.

- E-eu... Cíntia, eu não... eu não sabia - gaguejei, as palavras saindo em pedaços quebrados. Era a verdade, mas soava como a mentira mais fraca do universo. Meu cérebro buscava desesperadamente algo, qualquer coisa, que pudesse amenizar o horror no rosto dela. E o que saiu, num jorro de confissão desesperada, foi a única outra verdade que eu tinha.

- Mas eu... eu a amo, Cíntia. Eu amo a Júlia. Não como sobrinha, eu... eu estou apaixonado por ela. Eu vou fazer tudo certo, eu juro. Vamos criar essa criança, eu vou dar tudo, eu...

Fui interrompido pelo olhar dela. A raiva voltou, mas desta vez mesclada com um desprezo tão absoluto que me fez calar.

- Criar? Você? - ela cuspiu, a voz ainda baixa, mas tremendo de ódio contido. Sem me dar mais nenhuma palavra, ela se virou e agarrou Júlia pelo braço, puxando-a para cima com uma força bruta.

- Você vem comigo. Agora. Vamos embora daqui. Você nunca mais põe os pés nesse apartamento, e ele - um dedo acusador apontado para mim, sem nem olhar - nunca mais vai te ver. E essa... essa coisa dentro de você vai sumir. Vou dar um jeito nisso.

Ela começou a arrastar Júlia, ainda chorando e resistindo, em direção à porta. O mundo desabou de novo, de uma forma nova. Eu dei um passo à frente.

Foi então que Júlia falou. Não um grito. Não um choro. Uma afirmação. Clara, trêmula, mas inegavelmente firme.

- Não, mãe.

Cíntia parou, mas não soltou o braço. Olhou para a filha como se não a reconhecesse.

Júlia engoliu o choro, limpou o rosto com a mão livre e respirou fundo. Seus olhos verdes, ainda cheios de lágrimas, encontraram os da mãe, e depois os meus, por uma fração de segundo, antes de voltarem para Cíntia.

- Eu não vou. Eu quero ficar aqui. Com o tio Ricardo.

- O quê?! - O espanto de Cíntia foi tão genuíno que parecia ter sido nocauteada por um segundo. A fúria deu lugar a uma perplexidade total.

Júlia pareceu crescer alguns centímetros ali, encolhida contra a parede. A voz dela saiu mais firme da segunda vez, carregada de uma convicção que veio do fundo da alma, uma alma que, eu percebi naquele momento, havia amadurecido e feito suas escolhas nas sombras do nosso pecado.

- Eu já sou maior de idade, posso decidir o que quero fazer. Eu amo ele, mãe. Como mulher. E eu quero ter nosso filho.

O apartamento inteiro pareceu conter a respiração. Duas verdades irreconciliáveis agora estavam em pé de guerra no meio da sala: o amor proibido e a maternidade desejada, contra o mundo, a moral e uma mãe devastada.

Cíntia soltou uma gargalhada louca, uma risada curta e aguda, completamente desprovida de qualquer humor. Soou como vidro quebrando no silêncio da sala.

- Ah, é claro! - ela disse, soltando o braço de Júlia como se queimasse. Seus olhos percorreram o rosto da filha com um misto de pena e nojo infinitos. - Você ama ele. Com dezenove anos, acha que sabe o que é amor. Acha que isso - ela gesticulou vagamente entre mim e Júlia, como se apontasse para um vazamento de esgoto - é amor. Minha filha, você não sabe nada. Nada da vida, nada do mundo, nada do que esse... esse homem fez com a sua cabeça!

A voz dela escalou, mas não para um berro. Era uma saraivada cortante de desdém.

- Isso é doença! É perversão! Ele te usou, Júlia! Ele é um tarado que se aproveitou de você dentro da própria casa, e você tá aí, com a cabecinha feita por pornografia e hormônio, achando que é romance? Você tá grávida, pelo amor de Deus! Grávida do seu tio! Você tem a vida inteira pela frente pra jogar no lixo por um nojento desses?! Ele tem idade pra ser seu pai, Júlia, pelo amor de Deus!

Cada palavra dela era um golpe, destinado a reduzir nosso amor à podridão que, para o mundo, ele realmente era. Mas no meio daquele furacão de vergonha e acusação, algo estranho e quente brotou dentro do meu peito, me protegendo da fúria dela.

Ela me ama.

Júlia tinha dito, em voz alta, para a mãe dela. Na pior hora possível, ela tinha plantado aquela bandeira impossível.

Não era um gemido no travesseiro, nem um suspiro no escuro. Era uma declaração de guerra ao mundo que nos queria separar. E por mais doente, errado e condenado que fosse, aquilo aqueceu um lugar dentro de mim que estava congelado de medo. Era a confirmação de que eu não estava sozinho no abismo. Ela estava lá comigo, escolhendo ficar.

Enquanto Cíntia despejava seu desprezo, eu olhei para Júlia. Ela não estava mais encolhida. Estava em pé, ereta, o rosto manchado de lágrimas, mas o queixo firme. Ela estava ouvindo a fúria da mãe, mas seus olhos não se desviavam.

- Tudo bem - Cíntia disse, a voz agora estranhamente controlada, embora cada palavra fosse cortante como um caco de vidro. - Você acha que ama. Vamos fingir, por um segundo, que esse sentimento de novela tem algum valor. Mas pense, Júlia. Pense com a cabeça de futura mãe, não com a de uma mulher ingênua e apaixonada - ela deu um passo à frente, seu olhar perfurante fixo na filha. - Você vai criar um filho assim? Imagina na escola, quando os amiguinhos descobrirem que o pai dessa criança é o próprio tio. O que você vai falar na reunião de pais? Você quer condenar uma criança a ser isso? A ser apontada, a ser chamada de... aberração? Isso não é amor, Júlia. É crueldade. Eu estou tentando te salvar de virar pária. De virar a piada doentia da família.

Júlia tremeu, mas não baixou os olhos. Vi o conflito passar por seu rosto, o instinto maternal sendo atacado antes mesmo de nascer.

Cíntia viu a brecha e atacou com precisão cirúrgica.

- E não pense que vai ser só com a criança. Vou contar para todo mundo. Para os seus avós, suas tias, seus primos. Para os seus amigos da escola que você nem vê mais. Vou espalhar para que todos saibam que tipo de pessoa você se tornou. Você acha que vão olhar para você, ou para essa criança, com um pingo de carinho? Vão ter nojo. Vão ter pena. E vão virar as costas. Eu não estou te ameaçando, filha. Estou te mostrando como vai ser sua vida se não me escutar.

Foi quando Júlia respondeu. Não com choro. Não com grito. Com uma frieza que me arrepiou. Era a voz da mulher que ela havia se tornado nas sombras do nosso segredo.

- Então espalha, mãe - disse com a voz dela clara, firme, cortando o ar pesado. - Você pode sair por essa porta hoje e me cortar da sua vida. Me riscar da família. Pode tentar me destruir com fofocas. Ou... você pode parar, respirar, e tentar um dia, quem sabe, entender. Mas saiba de uma coisa: você não vai me tirar daqui. E você não vai tocar no meu filho. Essa é a minha escolha final.

Era uma declaração de independência brutal, uma ruptura total. Cíntia ficou paralisada, o rosto pálido, os olhos saltando entre a determinação feroz da filha e a minha presença silenciosa ao fundo.

Foi então que o controle dela finalmente rachou, mas não em direção a Júlia. Ela se virou para mim, e todo o ódio contido jorrou em um jato de veneno puro.

- Você - ela cuspiu, o dedo indicador tremendo apontado para o meu rosto. - Você acha que sai ileso dessa fantasia nojenta? Ela tem dezenove anos, Ricardo. Dezenove! Você manipulou ela, isso é estupro de vulnerável. Eu vou direto à delegacia. Vou enterrar você. Você vai passar anos na cadeia, e essa criança que você tanto diz amar vai nascer com o pai sendo um presidiário. É esse o futuro que você oferece pra ela, seu monstro?

As palavras dela caíram como um balde de água gelada no calor que a declaração de Júlia tinha acendido em mim. Estupro de vulnerável. Cadeia. Não era apenas ódio familiar. Era a lei. A realidade mais dura e impessoal, despida de qualquer romantismo doentio. Um frio mortal percorreu minha espinha. Meus olhos, involuntariamente, buscaram os de Júlia. O amor deles ainda estava lá, mas agora ofuscado por um novo medo, primitivo e gelado: o medo de me perder.

Antes que o gelo dentro de mim se espalhasse completamente, Júlia se moveu. Não foi um passo hesitante. Foi uma colocação física definitiva. Ela se posicionou diretamente entre mim e Cíntia, como um escudo de carne e osso.

- Para, mãe. Para com isso agora - a voz dela não era mais a da filha que pedia. Era um comando baixo e estridente. - Você não vai na polícia. Você não vai fazer nada disso.

Cíntia, que já estava com a mão na maçaneta, parou e se virou, os olhos estreitos, desafiando a filha a continuar.

Júlia respirou fundo, o peito subindo e descendo rapidamente. Quando falou, cada palavra foi lançada como um tijolo, construindo uma nova e terrível parede de verdade.

- Foi tudo ideia minha, mãe. As fotos, os vídeos... Eu quis fazer. O tio Ricardo não queria no começo, eu insisti. Eu mostrei pra ele, eu pedi ajuda. Eu convenci ele - ela engoliu seco, mas não desviou o olhar. - E depois... depois eu que fui na cama dele. Eu que beijei ele primeiro. Eu que pedi pra ele me comer. Ele tentou me afastar, tentou ser o tio certinho, e eu... eu sou a piranha que seduziu o próprio tio! Então vai lá, me denuncia! Fala pra polícia que a sua filha de dezenove anos é uma vagabunda que obrigou o tio solitário a transar com ela! Vamos ver no que isso vai dar!

O silêncio que se seguiu foi de um abismo diferente. Cíntia ficou petrificada, o rosto uma máscara de incredulidade e horror renovado. Ela não estava mais lidando com uma vítima manipulada. Estava lidando com uma cúmplice que assumia a culpa com uma frieza assustadora.

Minha cabeça girava. Ela estava mentindo, é claro. Mas a coragem dela, a vontade de se jogar na fogueira para me proteger, para proteger o pai do seu filho... era de uma perversidade tão grandiosa que me deixou sem ar. Era o amor dela, na sua forma mais distorcida e poderosa: assumindo a podridão toda para que eu pudesse, talvez, escapar ileso.

Cíntia balançou a cabeça, lentamente, como se tentasse afastar um pesadelo.

- Você... você está mentindo. Você está dizendo isso pra proteger ele.

- Não estou mentindo - Júlia cortou, a voz agora carregada de um cansaço infinito. Pergunta pra ele se eu não cheguei com shortinho, se eu não pedi pra ele me fotografar. Ele foi só o... o fotógrafo. O resto veio depois, e veio porque eu quis. Sempre porque eu quis.

Ela olhou por cima do ombro, rapidamente, e nossos olhos se encontraram. Naquele olhar rápido, não havia dúvida ou arrependimento. Havia uma determinação feroz. Ela estava reescrevendo nossa história ali mesmo, transformando-se na vilã para que eu pudesse ser, na pior das hipóteses, um coadjuvante fraco.

A ameaça da polícia ainda pairava, mas agora manchada. Como Cíntia provaria o contrário? O poder dela de nos destruir com a lei tinha acabado de ficar muito, muito mais complicado.

Cíntia pareceu entender isso no mesmo instante. O desespero no olhar dela se aprofundou. Ela não tinha mais a filha vítima para salvar. Tinha uma filha estranha, perversa e grávida do irmão, que estava disposta a incendiar a própria reputação e a dela para proteger o homem que a "corrompeu".

Sem dizer mais uma palavra, Cíntia abriu a porta. Desta vez, não houve click suave. Ela a puxou com tanta força que o batente tremeu, e o baque ecoou pelo apartamento como um tiro de canhão.

E então, ficamos só nós dois. No silêncio ensurdecedor que veio depois, a única coisa que eu conseguia ouvir era o som do meu próprio coração batendo no ritmo de um pensamento aterrorizante e avassalador:

Ela me ama. E esse amor é mais assustador do que qualquer ódio do mundo.

(N.A.: Estamos chegando à reta final dessa história! Ainda terá mais 1 ou 2 capítulos, mas espero que estejam gostando. Se tiverem ideias para histórias futuras, podem sugerir, levo todos os comentários em consideração.)

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Comentários

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Que tal uma história de um pai viúvo, que perdeu a mulher para o câncer e teve que criar três filhas,sendo que a filha mais velha ajuda a criar as outras duas.

O pai se apega a ela e por estar a mais de cinco anos viúvo e sem mulher, começa a ter um caso com ela, passados uns dois anos,as outras descobrem e aos poucos começa se relacionar com o pai também.

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Nossa! WOW! Que capítulo denso e profundo. Esse amor doentio pode realmente florescer? Um relacionamento tio e sobrinha é pior do que primo e prima? Fiquei com essas perguntas, entre outras.

Será que sou uma pessoa ruim por torcer pelo casal?

Nota 10 pro conto e por me causar reflexões.

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Pior é pai e filha, mãe e filho.

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Esses aí são terríveis, mas perguntei do "primo e prima" porque conheço alguns casos e as pessoas ao meu redor meio que normalizaram. E sendo sincero, não lembro nem se chegou a causar espanto.

Agora tio e sobrinha, não conheço caso nenhum. Sei que tem, obviamente, mas não perto de mim e que eu tenha conhecimento.

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