TODO ES AMOR CAPÍTULO VI – IRMÃOS CIRURGIA – TEMPOS VIEJOS – JULIO SOSA

Um conto erótico de EL ARGENTINO
Categoria: Homossexual
Contém 2323 palavras
Data: 16/01/2026 14:34:17
Assuntos: Gay, Homossexual

E ai galera, tudo bem?

Depois de muitos anos eu volto aqui a escrever para vocês.

O livro, meus queridos e queridas, é um livro imersivo, a sugestão é que para que a experiência seja completa, vocês leiam enquanto escutam as músicas citadas no início do capítulo e no decorrer do mesmo!!!!!

Mais um romance que em breve será publicado em forma de livro. Sâo capítulos e capítulos.

A Irmandade Secreta do Sexo eBook Kindle

A sugestão de leitura do autor é que à medida que leiam ouçam as músicas citadas no capítulo!!

Um abraço e segue o conto!!!

_____________________________________________________________________________________________________________________CAPÍTULO VI – IRMÃOS CIRURGIA – TEMPOS VIEJOS – JULIO SOSA

Aquela noite de festejos e vinhos era alegre, depois das ovações recebidas a trupe de amigos seguiu do Teatro Argentino de La Plata para a Avenida 4 a pé mesmo, aproveitando o bom movimento que fazia na cidade, enquanto conversavam e riam bastante.

À frente iam os dois irmãos cirurgia, como eram conhecidos. Lucas e Fernanda, dois médicos brasileiros, que se formaram ali, na Universidad Nacional de La Plata, em medicina e na cidade mesmo exerciam suas formações como cirurgiões.

Eram um casal de gêmeos. Sempre tido como muito sérios no trabalho, mas aprontavam muita algazarra e farra quando o assunto se tratava de dar boas festas, com muita bebida, diversão, risadas, jogos e mais bebida. Por isso sua boa fama.

Haviam conhecido Paulo e João através do vôlei dos dias de domingo. Ali, na quadra do Tercer Tiempo, os irmãos cirurgia aprontavam zoações, eram falantes, risonhos, brincalhões, espalhafatosos, gritavam, zoavam e divertiam muito a todos aqueles que estavam ali ao redor deles.

Porém, quando se tratava de trabalho, Fernanda e Lucas tinham a fama de serem o completo oposto do que eram em quadra. Eram sérios, comprometidos, compenetrados e muito qualificados para exercerem o trabalho que, com muito esforço e dedicação, haviam estudado tanto em suas vidas.

Fernanda era uma moça de cabelos loiros, que havia puxado da mãe, a também cirurgiã obstetra Felícia Genoveva, magra, esguia, não muito alta, sempre andava com os cabelos a solta, exalando a perfume importado e arrancando olhares de homens e mulheres por onde quer que passasse, devido a sua estonteante beleza, charme e porte de mulher.

Tinha um olhar sempre intenso, “de uma escorpiana clássica”, como costumava ela mesma dizer, seus olhos eram atravessadores e ela, com toda a certeza, não fazia nenhuma questão de esconder sua personalidade forte e extrovertida.

No hospital que trabalhava, tinha uma ótima fama, sempre cortês com seus colegas de trabalho, prezando sempre pelo bom ambiente para o exercício da profissão, quando na sala de cirurgia ele era compenetrada, séria, poucas palavras e muito famosa por ser gentil e amorosa com suas pacientes, que a buscavam de várias partes da Argentina para o Hospital Rodolfo Rossi. Sempre estava junta de seu fiel escudeiro e inseparável irmão, Lucas.

Lucas, por sua vez, era um jovem bastante branco, assim como a irmã, porém de pretos cabelos, rosto arredondado e barba sempre bem aparada, também proporcionava viradas de pescoço por onde passava. Olhos verdes profundos como o da irmã, era revelador do oculto das pessoas que conversava. Havia puxado a aparência de seu pai, Maximiliano Souza, famoso médico cardiologista.

Tinha uma personalidade carregada de humor ácido para com os amigos, sempre muito piadista, adorava caçoar e brincar com aqueles que tinha intimidade. Unia na sua vida suas grandes duas paixões, o vôlei, exercido junto aos amigos e a medicina, exercida no Hospital San Juan De Dios.

Em seu trabalho, era sincero, aberto a ouvir as pessoas, guardador dos segredos mais profundo das pessoas, temido pela sua austeridade profissional, não gostava de brincadeiras bobas. Enquanto cirurgião de aparelho digestivo, era um profissional muito requisitado para cirurgias complexas sobre tudo o que se tratava de estômago, fígado, intestino e o pâncreas, seu órgão favorito. Dizia ele que “somente o pâncreas é mais austero que eu.”

Os irmãos cirurgia, Fernanda e Lucas, haviam nascido na cidade de São Paulo no Brasil, filhos de um médico cardiologista e uma obstetra, eles resolveram estudar medicina na Universidad Nacional de La Plata quando completaram 18 anos. No ínterim de sua formação, fizeram notoriedade nas aulas, principalmente de anatomia.

Depois de terminarem sua formação, decidiram ambos ficar na Argentina, já que haviam se apaixonado infinitamente pelo país e haviam também se apaixonado, cada um deles, por seus respectivos amores da época. Lucas a um jovem que lhe despertara um interesse genuíno. Haviam se conhecido num clube noturno, famoso por ser frequentado por homens e mulheres gays. Nessa noite, ele e este moço se encontraram uma única vez, nunca mais soube do rapaz, bastante mais jovem que ele, no entanto a lembrança ficara e mesmo depois de muito tempo, ele ainda pegava-se pensando naquele rapaz e naquela noite que nunca pode esquecer. Nunca mais conseguira entregar seu coração a outra pessoa e desejava sempre que o destino o pudesse fazer encontrar novamente aquele rapaz, que numa noite lancinante ambos se entregaram um ao outro.

Fernanda, por sua vez, se apaixonara por Arthur. Eles estudaram juntos em uma das aulas da faculdade de medicina, ficando juntos por um tempo. Mas Arthur não suportou a pressão do peso que era estudar a faculdade de medicina ali em La Plata e desistiu do curso, voltando ao Brasil, deixando Fernanda para trás, com uma promessa de voltar para buscá-la, quando terminasse seus estudos, para que os dois vivessem juntos. Mas, passou-se o tempo, Arthur nunca mais voltou, não mais ligou, não mais apareceu e Fernanda seguiu seu caminho. Gostava de sair com os amigos, podia escolher o homem que quisesse, quem bem entendesse, porém seu coração estava ainda amarrado a Arthur, seu primeiro amor.

Ainda apaixonados por seus respectivos amores, os irmãos não deixavam de curtir a vida, de beber e se divertir, de permitirem-se o sexo e as bocas alheias, que muitas vezes faziam companhia nas noites de inverno, porém, não mais se apaixonariam, visto que quando o amor lhes ocorrera, causara também tamanha dor, desaparecendo sem não mais buscar a nenhum deles.

Os dois gêmeos de 35 anos, viviam na Avenida 4 de La Plata, região de Plaza Itália, sempre armavam muitas festas de final de semana no apartamento espaçoso em que viviam. Adoravam receber os amigos em sua casa, sempre haviam boas garrafas de vinho, de ferné e vodka em sua adega, pronta para fazer de uma noite não somente uma noite, mas sim uma experiência divertida, cheia de risadas e regada a muito álcool e diversão.

Aquela noite fria de inverno platense não seria em nenhum sentido diferente das demais noites que envolviam os dois irmãos e seu espaçoso e belo apartamento, pensavam todos. Mal sabiam o que estava, naquela noite, por acontecer.

Os transeuntes festejantes partiam caminhando pelas ruas de La Plata, sem antes passarem pela região da Plaza Dardo Rocha e comprarem uma dezena de sabores múltiplos e variados na famosíssima pizzaria Cretinos, prato esse que acompanharia a boa conversa, as diversas e variadas piadas de vários temas, muita risada e, mesmo que inesperadamente, muita paquera.

Ao adentrarem no prédio localizado na Avenida 4, região de Plaza Itália, já podiam sentir um pouco mais de calor quando estavam no saguão do prédio. O edifício era bem localizado e bem iluminado, seus detalhes em madeira em tons médios, bem desenhada, que se adornavam com as cores frias do mobiliário do saguão. Do alto pé direito da primeira antessala do saguão, um belo lustre dourado iluminava o ambiente, com suas luzes amarelas e detalhes em forma de gotas de cristal. Não se podia duvidar que o prédio era estiloso, fino e de alto padrão, ambiente que combinava com o garbo e estirpe dos dois irmãos.

O elevador, pequeno, podia levar duas pessoas somente por vez, dada a avançada idade da edificação e os padrões dos elevadores argentinos na época, sempre antigos, dos modelos que se fechava uma porta principal e uma porta secundária que mais pareciam grades dobradiças.

Na primeira leva de pessoas Paulo e Lucas seguiram para que fossem ligadas as luzes dos corredores do décimo quinto e último andar do elegante prédio enquanto faziam piadas um com o outro e riam interessante e escandalosamente

Logo em seguida seguiu João e Fernanda, conversando um assunto que aparentemente concernia aos dois e tão somente aos dois, tamanha era a tentativa de manter em total sigilo o que falavam.

Depois de subirem João e Fernanda, o casal Guitierrez, discutindo um próximo evento no La Caipo, falando em convidar aquele pessoal todo que ali estava para curtirem uma noite especial, conversavam entre si animadamente ao adentrarem no elevador e subirem ao décimo quinto piso.

Na volta do elevador, abre a porta Lucas, saindo do ascensor rapidamente e puxando Malena para subir consigo, conversando com bela moça alguma coisa cujo planejamento parecia ter sido combinado previamente a tudo aquilo. A moça entrou sorridente e subiu com o rapaz o elevador.

Ficaram ali, esperando para entrar apenas Nikolai e Martin, que durante o caminho haviam trocado algumas palavras apenas, dado o nervosismo que pareceu surgir entre os dois desde o primeiro momento em que suas mãos se encontraram naquele irrequieto aperto de mão a pouco mais de uma hora atrás acontecera.

O tempo naquele momento parecera sumir, ambos não sabiam como se comportar. Martin então, com gestos modestos e tímidos, abriu a porta do elevador que já voltara para que os dois entrassem nele e subissem para o apartamento.

Niko, como era chamado pelos amigos, agradeceu prontamente, visivelmente afoito. Seu coração palpitava forte dentro do peito, sua boca de repente secara, não sabia dizer por qual razão se sentia dessa maneira, o que poderia haver de diferente naquela situação que o deixara assim? Não é como se nunca tivesse entrado em um elevador com um outro homem? O que haveria de tão diferente?

Mas havia sim, havia Martin, o belo jovem, que muitíssimo bem vestido de vermelho e negro denotando ainda mais a pele alva e seus olhos de piscina lhe havia chamado a atenção já a algum tempo, quando o vira pela primeira vez na sala de concertos da orquestra, quando apresentado.

A atração de Niko por Martin era tão palpável que se tornava quase parte de seu próprio corpo que denotava evidentemente através do suor de suas mãos e de sua respiração entrecortada que aquele rapaz o havia atraído de uma maneira completamente diferente da maneira com que qualquer outro homem lhe havia interessado.

Pelo lado de Martin, ele parecia impávido e posturado, como bailarino que era, como lhe pedia exatamente a profissão. No entanto, uma coisa que era absolutamente indubitável era que suas pernas estavam por fazer-lhe cair ao chão tamanho era a aflição interna que sentia desde quando pôs os olhos no maestro pela primeira vez.

Não deixava transparecer, pois a postura de seu trabalho o ensinara a manter-se em pleno controle da situação mesmo com o maior afã de nervosismo, porém naquele momento estava à beira de um colapso, trancafiado por 15 andares, dentro daquele elevador vagaroso, com o homem mais bonito que já vira em toda sua vida.

O passar lento do elevador pelos andares não podia ser mais lento do que aquilo. Tudo estava suspenso e palpável. Ambos tinham agora vontade de estar nos braços um do outro, mas lhes faltava coragem para que isso acontecesse, afinal, como ambos pensavam ao mesmo tempo, nem ao menos se conheciam.

O quinto andar chegou devagar, o silêncio sepulcral do elevador revelada e desvelava a tensão avassaladora e podia-se quase escutar secas deglutidas disrítmicas envolvidas de batidas de paixões descompassadas e escandalosas.

A chegada oitavo chegou com a quebra do silêncio da parte de Martin, perguntando nervosamente se o maestro já havia se habituado ao país e se estava gostando de sua estadia ali, fazendo que os dois se olhassem por um breve segundo, sem que antes evitassem olhar nos olhos um do outro, uma tentativa fajuta e refutável do que realmente sucedera naquele momento, o tão avassalador encontro dos verdes de Nikolai com os azuis de Martin.

A resposta veio tão somente no décimo andar, pois ambos se encontravam absortos no olhar de um do outro, somente se olhavam, parados ali, naquele cubículo de elevador, perto o suficiente para ouvirem o palpitar de ambos os corações.

Agora no décimo terceiro andar, o silêncio havia voltado a reinar, porém o que também reinava na mente dos dois era o desentendimento do que se passava ali e dentro de cada um. Não se entendiam consigo mesmos, as bocas secas como nunca e o furor de sufocamento, tamanha era o que lhes parecia surgir no peito, sem que se explicasse muito.

Agora no décimo quinto andar, num pequeno passo à frente, ambos levaram a mão à maçaneta para abrir a porta do elevador, fazendo-se assim tocarem-se por um breve momento, o que elevou a tensão, que ainda se mantinha, a proporções geométricas.

Em meio a pedidos de desculpas cheios de vergonha, timidez e comedimento, Nikolai dessa vez avançou e abriu a porta, permitindo então que Martin o seguisse, devolvendo o cavalheirismo que lhe fizera mais cedo, e ao passar por Nikolai, Martin não pode deixar de notar as firmes notas de aroma que exalava do maestro, que usava o inconfundível Fleur de Rocaille,

Ele não pode deixar de suspirar para sentir o perfume que mais gostava exalando um aroma inebriante misturado às notas suaves da delicada pele de Nikolai. Haviam mais elementos de atração naquele homem do que ele mesmo gostaria de admitir e riu silente, estava apaixonado por Nikolai.

Ao abrir a porta e Martin passar pelo maestro, Nikolai teve a sutil impressão de que o jovem sorrira para ele, enquanto o olhava nos olhos e isso fez com que um raio passasse pela sua espinha dorsal. Sim, estava inebriado pelos olhos de Martin, tão inebriado quanto podia imaginar e então fez-se afirmar por dentro que sim, havia se apaixonado à primeira vista por Martin.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 0 estrelas.
Incentive Maestro a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários