Ruivinha capitulo 13

Da série Ruivinha
Um conto erótico de henrique casado
Categoria: Heterossexual
Contém 970 palavras
Data: 16/01/2026 12:33:49

O jantar foi em um restaurante íntimo, à luz de velas. Aline estava nervosa. O segredo de "Violeta" pesava, não como culpa, mas como uma barreira entre eles. Ela queria compartilhar o poder que sentira, não escondê-lo.

— Henrique… a viagem a São Paulo, com o Luciano… não foi só a negócios — ela começou, os dedos apertando o cabo da faca.

Ele parou de comer, os olhos fixos nela. Não com raiva. Com atenção total.

— Eu imaginei. Conte.

Ela contou. Tudo. A preparação, o personagem "Violeta", o cliente dinamarquês, a transação, o sexo pragmático, o orgasmo triunfante, o dinheiro. Desta vez, não havia lágrimas ou tremor. Sua voz era clara, quase analítica, mas seus olhos brilhavam com o fogo da lembrança.

Henrique ouviu sem interromper. Quando ela terminou, ele ficou em silêncio por um longo momento, bebendo um gole de vinho.

— Você estava com medo? — foi sua primeira pergunta.

— Não. Estava… no controle. Era um jogo. Eu era a personagem principal.

— E gostou?

— Amor. Foi… libertador. Foi como se eu pudesse ser qualquer um.

Ele então sorriu, um sorriso lento e profundo de admiração absoluta.

— Minha princesa se tornou uma mulher de mundo. Uma atriz. Uma empresária. — Ele levantou sua taça. — Por você. Por nós. Por todas as Alines que você pode ser.

O alívio e a felicidade que invadiram Aline foram avassaladores. Ele a entendia. Realmente a entendia.

Eles não terminaram a sobremesa. Pagaram a conta e foram direto para o motel mais discreto da cidade. Não foi sexo de fantasia, de voyeurismo ou de ritual. Foi sexo de reencontro. Um amor carnal, profundo, que celebrava não a perversão, mas a verdade absoluta que agora existia entre eles. Ele a beijou como se quisesse provar todas as suas versões. Ela o recebeu como o único porto seguro em meio ao oceano de identidades que agora habitava. Foi puro, intenso, e os deixou exaustos e renovados.

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Cena 2: A Mudança & A Calmaria Criativa

A proposta de transferência para Curitiba veio como um presente do destino. Um recomeço. Deixaram Pouso Alegre, os PMs, as memórias densas, Camila e Luciano (que ficaram como contatos distantes, um capítulo encerrado).

Em Curitiba, encontraram uma calmaria que era ativa, não passiva. A cidade fria e organizada espelhava um novo pacto. Pela primeira vez em anos, o mundo era só os dois. Trabalharam, reformaram o apartamento, fizeram trilhas na serra, redescobriram o prazer da conversa boba no sofá. O sexo era frequente, doce, por vezes apaixonado, livre do peso de qualquer performance. Foram mais de um ano de uma conexão tão profunda que quase apagou o passado. Eles estavam bem. Inteiros. Um casal.

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Cena 3: O Novo Catalisador (Caio)

A ruptura da paz veio de onde menos se esperava: da academia. Aline adotara a rotina de treinos para lidar com o inverno curitibano. Caio era inimaginável de ignorar. Alto, com ombros que pareciam esculpidos em madeira, cabelo curto militar e uma pele cor de âmbar que brilhava de suor. Movia-se com a eficiência explosiva de um boxeador e a calma de um predador.

O primeiro contato foi casual, um "bom dia" na porta dos vestiários. Mas seus olhos — de um castanho tão claro que pareciam dourados — percorreram-na de cima a baixo, não com desejo vulgar, mas com o interesse focando de um colecionador. Ele era professor de boxe e dava aulas no horário seguinte ao dela.

Nos dias que se seguiram, ele sempre achava um motivo: ajustar sua postura na esteira ("Tá curvando muito a coluna, ruivinha"), oferecer uma garrafa d'água ("Tá se hidratando pouco"), puxar assunto sobre a cidade ("Mineira, né? Dá pra ver no sotaque doce"). A investida era persistente, confiante e respeitosa na superfície, mas o subtexto era claro como cristal: "Eu te quero, e vou te ter."

Aline, por umas duas semanas, resistiu. Ignorou, foi educada mas fria. Mas uma semente estava plantada. Ela sentia aquele frio na espinha familiar, seguido do calor úmido na barriga. Era a mesma sensação do estádio, da blitz, da preparação para ser Violeta. O desejo pelo perigo, pela conquista, pelo homem dominante.

Numa noite, deitada no peito de Henrique após fazerem amor, ela soltou, como quem confessa um pecado mínimo:

— Tem um professor de boxe na academia… o Caio. Ele tá dando em cima de mim. Toda hora puxa assunto, me chama pra sair.

Ela sentiu o coração de Henrique bater um pouco mais rápido sob sua orelha. Não era de ansiedade. Era de excitação.

— É… como ele é? — a voz de Henrique saiu rouca.

— Alto. Forte. Muito. Tem um jeito de… militar. Uns olhos claros que parecem que veem tudo.

— E você… o que sente?

— Fico… nervosa. E com tesão. É a mesma sensação de antes. — Ela ergueu a cabeça para olhá-lo. — O que a gente faz?

Henrique a virou de lado e a encarou, seus olhos eram dois poços escuros de cumplicidade reacesa.

— O que a gente sempre faz, princesa. — Ele beijou sua testa. — Você dá bola. Você deixa ele se aproximar. E a gente vê no que dá. — Ele fez uma pausa, e o sorriso que surgiu em seus lábios era o do corno manso no seu estado mais puro e seguro. — Me conta tudo. Cada detalhe. Cada olhar. E quando for a hora… a gente decide o próximo passo, juntos.

Aline sorriu, sentindo a antiga e deliciosa tensão voltar ao seu corpo, mas agora com uma base de amor e confiança inabaláveis. O mundo não era mais só os dois. Mas tudo o que acontecesse nele, ainda seria. Caio era apenas o novo capítulo de um livro que eles escreviam a quatro mãos.

Ela se aninhou novamente no peito dele, já imaginando o olhar dourado de Caio no dia seguinte, e sabendo que, desta vez, cada passo seria observado, analisado e desejado pelo homem que a amava de todas as formas possíveis.

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