I. Pau, Suor e Rivotril
O Brega do Tonhão fedia como um cu mal lavado misturado com desinfetante de segunda — daqueles que o cheiro gruda na roupa e te faz tossir enquanto o pau endurece por pura teimosia. As paredes, manchadas de infiltração e gala seca, tremiam com o som rachado de uma caixa de som vagabunda, cuspindo “Você Não Soube Me Amar” em loop enquanto uma lâmpada vermelha presa numa gambiarra piscava no teto. No fundo da cozinha, entre panelas de alumínio enegrecidas e uma geladeira que não gelava mais, um casal transava em pé: ele, um caminhoneiro com a calça no tornozelo, metendo com força em um orifício anal; ela, uma morena de cabelo descolorido, gemendo como se doesse, mas com um sorriso safado que dizia que não tava sentindo porra nenhuma naquele rabo arombado de puta decana.
Tonhão, o dono, era o rei daquele puteiro-boteco à beira do abismo. Ex-mecânico, 52 anos, barba rala e bafo de conhaque Dreher, ele mancava por causa de um testículo necrosado — lembrança de uma gonorréia filha da puta que ele tentou curar com cachaça e reza. O olho esquerdo, meio vesgo, parecia sempre mirar o passado, talvez o tempo em que consertava carburadores e não almas quebradas por chifres. Ele gritava ordens com a voz rouca, “Traz mais pinga, Nenzinho, caralho!”, enquanto coçava o saco por cima da bermuda tactel, o único uniforme que usava.
No palco improvisado — um tablado de compensado com um poste torto no meio —, Sueli dançava. Veterana, 40 e poucos anos, os peitos caídos balançavam livres sob uma blusa transparente rasgada na costura. Ela tragava um Derby vermelho, o gosto salgado de esperma ainda na boca depois de atender um cliente no banheiro. “Me dá um Rivotril, Tonhão, que hoje eu não aguento esses porcos imundos sem tomar nada”, ela resmungava, esfregando a coxa cheia de varizes enquanto o público — meia dúzia de tarados bêbados e pervertidos — jogava moedas e escarrava no chão.
Fumaça, o DJ, comandava o som pelado atrás de uma mesa bamba. Magro, tatuagens mal feitas no peito, ele não falava — só gemia. Um “hmmm” para aumentar o grave, um “ahhh” agudo pra trocar de faixa. O pau mole balançava enquanto ele mexia nos botões, e ninguém sabia se era performance ou só era por falta de uma calça mesmo. Nenzinho, o garçom, corria entre as mesas com uma bandeja de alumínio, oferecendo pinga caseira e um “boquetinho de cortesia” para quem pedisse. Aos 19 anos, ele tinha cara de menino e um talento pra chupar rola que fazia até os héteros repensarem a vida.
A noite começou a esquentar de verdade quando o banheiro virou palco de uma foda suada. Um estivador de ombros largos enfiava com raiva numa ruiva que gemia desafinada, os dentes cariados mordendo o próprio lábio enquanto a parede de azulejos rachados tremia. No camarim, Sueli se jogava num boquete desleixado, o cliente gemendo “Isso, sua vaca” enquanto segurava o cabelo dela com força. No palco, um cara de meia-idade fodia uma mulata de buceta raspada com gilete enferrujada, o sangue pingando no compensado enquanto ela ria, bêbada de catuaba. Era um circo de tesão e nojo, e o público batia palma como se fosse arte.
Foi aí que ela chegou. Sheila. O salto quebrado estalava no chão imundo, a bolsa de couro falso pendurada no ombro, os olhos pretos cortando o ar como faca. Todo mundo parou pra olhar. “É a mina do vídeo”, alguém sussurrou. Sim, era ela: a ex-miss da Zona Norte, famosa por um vídeo viral onde quatro policiais a comeram numa blitz fajuta — dois na buceta, dois no cu, enquanto ela gritava “Me arrombem, seus milicos de merda!”. Agora, ali, destruída, com o batom borrado e o vestido rasgado na coxa, ela ainda tinha um fogo no olhar que prometia botar tudo abaixo.
Tonhão a encarou, o pau meia-bomba dando sinal de vida na bermuda. “Que porra tu quer aqui, princesinha?”, ele grunhiu, limpando o suor da testa com a mão suja de graxa. Sheila não respondeu. Jogou a bolsa num canto, subiu no palco com o salto estrilando e arrancou o vestido num giro. A calcinha encharcada — de suor, de porra, de corrimento, de sei lá o quê — ficou colada na pele enquanto ela dançava. O som de “Brega e Breja” trovejava na caixa, e ela rebolava como se quisesse foder o ar. O público explodiu: aplausos, gritos, cusparadas. Um coroa jogou uma latinha amassada, outro gritou “Mostra as pregas, sua puta!”.
Sueli, com o cigarro quase caindo da boca, olhou torto. “Essa vadia acha que é quem?”, murmurou, mas ninguém ouviu. Fumaça gemeu um “ooohhh” prolongado e aumentou o volume. Nenzinho, esperto, já corria pra oferecer um boquete pro caminhoneiro que babava na primeira fila. Sheila, no centro do palco, meteu a mão na bolsa e tirou um vibrador roxo, daqueles baratos de contrabando. Ligou o bicho, que zumbia como um cortador de grama, e começou a esfregar na coxa, os olhos fixos na plateia. Um gemido rouco saiu da garganta dela, e o lugar virou um inferno de tesão e caos.
Tonhão riu, o dente podre brilhando na luz fraca. “Essa filha da puta vai salvar meu brega ou afundar ele de vez”, ele pensou, coçando o saco necrosado enquanto o pau pulsava. No banheiro, o estivador gozou com um urro, a ruiva caiu de joelhos rindo com a gala escorrendo cu afora. No camarim, Sueli terminou o boquete e cuspiu a porra no chão, o cliente tremendo com as pernas moles uma nota de 50 reais na mão. No palco, Sheila jogou o vibrador pro público — um bêbado pegou e lambeu como se fosse um picolé. A noite estava só começando, e o Brega do Tonhão, aquele buraco fedido na Zona Norte, parecia vivo pela primeira vez em anos.
II. Cabaço Não Paga Couvert
Sheila virou o jogo no Brega do Tonhão em menos de uma semana. A ex-miss, com seu salto quebrado e olhar de quem já viu o inferno, subia no palco toda noite, seminua, a calcinha encharcada de fluidos visguentos virando uniforme. Cobrava R$ 20 pra dançar esfregando os peitos na cara dos clientes e mais R$ 50 pra masturbar um ou outro com a mão calejada de quem já segurou muita desgraça. O público cresceu: os mesmos bêbados fedidos agora vinham com amigos, carteiras estufadas de notas amassadas e o pau duro de expectativa. O cheiro de mijo e Pinho Sol ficou mais forte, mas ninguém ligava — o tesão abafava tudo.
Tonhão sentiu o calor subir pro saco necrosado numa noite em que Sheila o encarou nos olhos. “Tu é uma cadela ambulante, sabia?”, ele rosnou, o bafo de conhaque quente batendo na cara dela. Sheila riu, um riso de quem não tem mais nada a perder, e mordeu o mamilo dele com força, arrancando um grito misturado com gemido. Num canto do camarim, ela o jogou contra a parede, arrancou o cinto de couro da calça de um cliente que assistia e amarrou as mãos de Tonhão. O sexo foi violento: ela montou no pau dele, xingando “Seu porco imundo, enfia essa rola murcha direito!”, enquanto enfiava com violência dois dedos no próprio cu. Ele metia com raiva, o suor pingando na cara dela, até que mijou no chão no final, rindo como um louco. Sheila limpou a boca com as costas da mão e disse: “Da próxima, eu é que vou mijar em você, seu puto.”
O poder começou a trocar de mãos. Sheila queria mais: mais grana, o palco só pra ela, o som escolhido por ela — “Chega de brega de merda, quero arrocha pra fazer esses otários gozarem mais rápido”. Tonhão bufava, mas cedia, o pau traindo a cabeça. Sueli, a veterana, viu o trono balançar. Num dia de fúria, pegou a vaselina que Sheila usava pra foder clientes no palco e misturou vidro moído com um sorriso torto. Sheila nem notou. Naquela noite, um estivador saiu do brega com o pau sangrando, gritando “Que porra é essa?”, mas voltou três dias depois, pedindo “mais daquela emoção”. Sueli riu até tossir catarro, mas o plano falhou — Sheila só ficou mais famosa.
Os clientes novos eram um show à parte. Teve o entregador de gás, um magrelo de boné torto, que gozava só de ouvir o “pi-pi-pi” do micro-ondas velho que Tonhão usava pra esquentar cachaça. Ele ficava lá, de calça arriada, gemendo com o barulho enquanto Sheila dançava com o vibrador enfiado até o talo no cu. Outro era um advogado de terno amassado, que pagava R$ 100 pra ser xingado de “corno filho da puta” enquanto enfiava notas de R$ 2 no próprio reto, uma por uma, até o rabo virar caixa eletrônico. O brega virou ponto de peregrinação pros tarados da Zona Norte, e o caixa de Tonhão, antes vazio, começou a tilintar.
Numa noite mais calma, Sheila se abriu, coisa rara. Sentada num banco quebrado, fumando um cigarro do Paraguai, ela deixou escapar pedaços do passado: uma cidadezinha de interior, concursos de beleza com faixa e sorriso falso, um político gordo que prometeu o mundo e entregou chantagem. O vídeo com os policiais foi o fim — perdeu a casa, a família, o nome. “Agora eu transformo dor em gozo, Tonhão. E em dinheiro, se tu deixar”, ela disse, cuspindo no chão. Ele não respondeu, só coçou o saco e virou um copo de pinga.
O clímax da noite veio no quartinho desativado, um cubículo fedendo a mofo e leite condensado vencido. Sheila chamou sete clientes — três estivadores, duas putas de rua, um motoqueiro e o advogado do cu-caxia-eletrônico. Cada um pagou R$ 30 pra entrar na orgia. Catuaba escorria pelos corpos, um vibrador zumbia no canto, e o leite condensado virava lubrificante improvisado. O motoqueiro metia numa das putas enquanto ela chupava um estivador, que enfiava a mão inteira no cu do advogado. Sheila regia tudo, pelada, gritando “Mais forte, seus merdas!”. No fundo, Fumaça gemia “hmmmm” e tocava “Fogo no Rabo” na caixa rachada. Nenzinho assistia da porta, o pau na mão, oferecendo “cortesia” pra quem saísse primeiro.
Tonhão entrou no meio, bêbado, e puxou Sheila pra ele. “Tu é louca, sua puta”, ele disse, antes de meter a língua na boca dela. Ela riu, esfregou o peito suado no dele e gozou gritando, o som abafado pelos gemidos dos outros. O quartinho virou um caldeirão de porra, suor e risadas, e quando acabou, o chão estava grudento de tanta sujeira. Os sete saíram cambaleando, o advogado com uma nota de R$ 2 ainda pendurada nas pregas, e Sheila contando o dinheiro com um sorriso torto. “Só tesão não paga couvert, Tonhão. Mas esses aqui pagam até pra respirar o cheiro do meu cu cagado”, ela disse, guardando as notas na bolsa.
Sueli, do canto, apagou o cigarro no chão e cuspiu. “Essa vadia vai acabar com a gente”, murmurou, mas ninguém ouviu — o brega tava lotado, e o som estridente da caixa engolia tudo.
III. A Racha Vai Comer
O Brega do Tonhão tava no auge — ou no fundo do poço, dependendo de quem olhava. O palco torto rangia sob o peso de Sheila, que dançava pelada com um fio de catuaba selvagem escorrendo entre os peitos, o público gritando como hienas famintas. Mas o vento virou quando o vereador Beto Capeta apareceu. Um gordo de terno barato, cabelo penteado com gel de R$ 2, ele entrou com dois capangas e um sorriso suspeito. “Quero esse terreno, Tonhão. Vai virar estacionamento pra minha frota de carros roubados”, disse, jogando um envelope de dinheiro na mesa e apontando pra uma garota de 18 anos, maquiagem borrada, tremendo ao lado dele. “Aceita ou eu te apago.”
Tonhão cuspiu no chão, o bafo de conhaque mais forte que o fedor do brega. “Vai se foder, Beto. Meu cu não tá à venda.” O vereador riu, prometendo voltar, e no dia seguinte a fiscalização sanitária caiu matando. Levaram a geladeira quebrada, as cadeiras de plástico, até a caixa de som velha — Fumaça ficou pelado, gemendo “hmmmm” de luto, segurando o pau mole como se fosse consolo. Sheila, vendo o barco afundar, sussurrou pra si mesma: “Talvez seja hora de pular fora dessa merda.”
No palco, a tensão explodiu. Sueli, com o cigarro pendurado na boca, subiu pra provocar Sheila. “Tu acha que é rainha, sua quenga?”, gritou, puxando o cabelo dela. Sheila revidou com um tapa na cara, o som ecoando no brega. O público gritava enquanto as duas se pegavam — Sueli enfiou o dedo na buceta de Sheila, que respondeu com um soco no cu da veterana. Rolaram no compensado, rasgando as roupas, até ficarem peladas, sangrando e se masturbando em desafio. Os tarados aplaudiram, jogando moedas e latas, enquanto Nenzinho corria oferecendo boquetes pra aproveitar a confusão e as ereções visíveis.
Depois da briga, Sheila e Tonhão se trancaram no camarim. Ele, bêbado, abriu o jogo: “Tenho medo de morrer com o pau mole, Sheila. Um homem é nada sem tesão.” Ela, nua, subiu no colo dele, o cheiro de suor e porra misturado no ar. “Quando tu morrer, vou tocar uma siririca em cima do seu cadáver, seu bosta”, prometeu, antes de meter a língua na boca dele. O sexo foi mais íntimo dessa vez — lento, quase triste. Ele chupou os peitos dela como se fosse ordenhar leite, ela cravou as unhas nas costas dele, e os dois gozaram juntos, gemendo baixo, como se soubessem que o fim tava perto.
Enquanto isso, Fumaça, o DJ pelado, tomou um viagra vencido que achou no lixo. O pau ficou duro por 12 horas, e ele tocou sem parar — “Brega Funk”, “Arrocha Pesado”, até um “Parabéns pra Você” fora de tom. O brega lotou, o povo dançando com o cu de fora, e Tonhão viu uma luz no fim do túnel. Sheila, sentindo o cheiro de grana, teve a ideia: uma suruba coletiva pra salvar o lugar. “Vaquinha carnal”, ela chamou. Cada cliente pagava R$ 40 pra entrar pelado e foder quem quisesse. Naquela noite, o salão virou um mar de corpos — 30, 40 pessoas, talvez mais, transando em pé, no chão, nas mesas. Um estivador metia numa puta enquanto ela chupava outro, o advogado do cu cheio de notas gritava “Me xinga, caralho!” pra todo mundo, e o entregador de gás gozava só de ouvir o ventilador zumbir.
Sheila regia a putaria, pelada, com um cinto na mão, batendo em quem pedia. Tonhão entrou na dança, fodendo uma mulata com a bunda cheia de estrias enquanto Sheila mijava no chão pra marcar território. Nenzinho corria entre os corpos, chupando quem não tivesse metendo a pica no buraco de alguém, e Sueli, do canto, se masturbava com o vibrador roxo, rindo sozinha. O caixa encheu — R$ 1.200 em notas sujas, o suficiente pra pagar a luz e subornar um fiscal. O povo saiu exausto, pingando suor e porra, e o brega respirou mais uma noite.
Mas o clima era de guerra. Beto Capeta não ia desistir, e Sheila sabia. “Se tu não lutar, Tonhão, ele vai comer teu cu”, ela avisou, acendendo um cigarro ao contrário. Ele riu, coçando o saco necrosado. “Que venha. Meu pau ainda tá vivo.” No fundo, Fumaça gemia “ooohhh”, o pau ainda duro, e a música brega ecoava nos escombros de um sonho que ninguém queria largar.
IV. Goza Quem Pode, Chora Quem Quer
O Brega do Tonhão agonizava, mas ninguém queria largar o osso. O vereador Beto Capeta voltou com a ordem de despejo numa mão e capangas armados na outra — dois brutamontes de camisa polo e pistola no cinto. “Acabou teu circo, Tonhão. Ou sai por bem, ou sai com o cu sangrando”, ele disse, o sorriso oleoso brilhando sob a luz da lâmpada vermelha. Tonhão cuspiu no chão, o dente podre à mostra. “Vai ter que me arrancar daqui, seu viado de terno.” O clima era de velório, mas o tesão ainda pulsava nas veias daquele antro.
A última noite foi um caos de despedida. O salão fedia a suor, esperma fresco e cachaça batizada, o palco rangendo enquanto Sheila dançava nua, o corpo marcado de roxos da briga com Sueli. Os clientes, sabendo do fim, transavam em todo canto — no banheiro, uma puta chupava dois ao mesmo tempo, gemendo com a boca cheia; na cozinha, o entregador de gás metia numa mulata enquanto o ventilador jogava porra nas paredes; no camarim, Nenzinho fazia um boquete triplo, os joelhos ralados no chão imundo. Fumaça, ainda pelado, tocava “Vou Festejar” com o pau meia-bomba, gemendo “hmmmm” como um mantra fúnebre.
Sheila subiu no palco para um strip final. Arrancou a calcinha ensopada de gala e corrimento e jogou pro público, que gritava “Rainha! Rainha!” entre cusparadas e latas voando. Com a voz rouca, ela berrou: “Aqui ninguém me disse o que fazer. Aqui eu gozei, chorei e vivi, seus filhos da puta. Isso é liberdade!” O povo aplaudiu, alguns chorando, outros batendo punheta. Tonhão assistia do canto, coçando o saco necrosado, o olho vesgo marejado — não de tristeza, mas de raiva.
Ele chamou Sheila pro palco. “Vamos foder uma última vez, sua cadela”, disse, puxando-a para ele. O sexo foi desesperado: ela montou nele, as unhas cravando no peito peludo, ele metendoa pica com força na xoxota dela enquanto xingava “Sua puta, me faça gozar!”. Ela mordeu o pescoço dele, o sangue pingando no compensado, e os dois gozaram juntos — um grito rouco, suado, doloroso. O público gritava “BIS! BIS!”, mas o som foi cortado pelo barulho dos capangas arrombando a porta.
Sheila viu os brutamontes vindo e pulou pela janela dos fundos, pelada, o cu sujo de porra e merda, a bolsa na mão. Tonhão ficou. Trancou o palco com uma corrente enferrujada e enfrentou os caras. “Vem, seus merdinhas!”, berrou, rindo como louco. O primeiro soco quebrou o nariz dele, o sangue escorrendo na barba rala. Um capanga pegou um cassetete e enfiou no cu de Tonhão, que riu mais alto, o corpo tremendo enquanto sangrava. “É disso que eu gosto, caralho!”, gritou, antes de apagar com um chute na cara.
O brega virou destroços. Os capangas quebraram tudo — mesas, cadeiras, o poste de pole dance no palco —, e o povo correu, alguns pelados, outros carregando garrafas de catuaba. Sueli ficou, dançando sozinha no meio da bagunça, segurando o vibrador roxo descascado. Os peitos caídos balançavam, o cigarro apagado na boca, enquanto “Você Não Soube Me Amar” tocava baixo na caixa de som, milagrosamente viva. Nenzinho sumiu na confusão, o pau ainda duro, e Fumaça caiu no canto, gemendo “ooohhh” com o pau mole na mão enquanto ejaculava um líquido ralo.
Então o fogo começou. Ninguém sabe como — talvez uma bituca de Sueli, talvez um curto na fiação velha. As chamas lamberam as paredes cheias de mofo, o cheiro de desinfetante virando fumaça preta. Sueli dançava no meio do inferno, rindo e tossindo, até sumir no fogo. Tonhão, jogado no palco com o cassetete ainda enfiado no cu, não se mexia, o sangue seco na cara e o saco necrosado em chamas. O brega virou cinzas em minutos, o som das labaredas abafando os gemidos que um dia encheram o lugar.
Sheila assistiu de longe, na calçada oposta, fumando um continental sem filtro. Pelada, o cu ainda sujo de gala e merda, ela viu as chamas engolirem o que restava. “O filho da puta aguentou até o fim”, murmurou, tragando fundo. Uma lágrima escorreu, mas ela limpou com raiva, jogou a bituca no chão e deu as costas. O vento levou o cheiro de mijo e tesão embora, e a Zona Norte ficou um pouco mais nostálgica naquela noite.
