Capítulo 6: Sombras no Jornal
A segunda-feira amanheceu em Ribeirão Preto com o mesmo calor pegajoso, o sol escaldante tingindo as ruas do Ribeirão Verde de um dourado intenso. Julia acordou às 5:45, o despertador do celular cortando o silêncio do quarto. O sobrado na Rua das Acácias estava quieto, o ventilador zumbindo inutilmente contra o ar quente que entrava pela janela entreaberta. Ela rolou na cama, o corpo ainda pesado da dança de sábado, a memória de Paulo — o peso dele, o sangue, o jato quente da urina — pulsando em suas veias como um eco doce. Levantou-se, nua, os cabelos loiros platinados desgrenhados, e tomou um banho rápido, a água morna lavando o suor da noite.Vestiu-se para o trabalho: uma blusa azul-escura justa, que marcava os seios fartos, uma saia lápis preta até os joelhos, tênis pretos gastos. Nada de maquiagem, exceto um batom nude. O café preto forte e uma fatia de pão com margarina foram engolidos em silêncio na cozinha minúscula, o cheiro da bebida misturando-se ao aroma de asfalto e óleo diesel que vinha do quintal. Às 6:20, ela estava no ponto de ônibus, a bolsa de couro marrom no ombro, o vento quente bagunçando os cabelos. O ônibus da linha 901 norte/sul chegou pontualmente atrasado, lotado de trabalhadores de olhos cansados, e Julia ficou em pé, segurando o corrimão, o corpo balançando com as curvas do trajeto.
A mente vagando entre a monotonia do dia e o orgulho da noite de sábado, quando apagou Paulo na Mata da Lua. Na “Moda Jovem”, no Calçadão da Rua General Osório, o dia começou como sempre: Julia no caixa, passando códigos de barras, dobrando camisetas, o sorriso falso de “Volte sempre” para clientes apressados. Mas hoje, o ar na loja estava diferente.
As colegas, Ana e Fernanda, cochichavam na copa durante o intervalo das 12:30, os olhos arregalados enquanto viam o jornal local na TV. “Você viu isso, Ju?”, perguntou Ana, a voz carregada de excitação mórbida. “Encontraram um cara morto perto do Rio Pardo, um caminhoneiro. Tava todo cortado, tipo um filme de terror.” Fernanda, mexendo no celular, completou: “E tem mais! A investigadora da polícia deu uma entrevista na TV. Disse que pode ser uma assassina em série. Tem um caso igualzinho em Bauru, decara mutilado, com a garganta cortada. Eles acham que é a mesma pessoa.”
Julia levantou os olhos da marmita de arroz, feijão e ovo frito e legumes cozidos, o rosto impassível, quase entediado. “Nossa, que loucura”, murmurou, a voz suave, enquanto mexia o garfo no pote. “Coisa de doido, né?” Ana assentiu, empolgada. “A investigadora, uma tal de Doutora Carla, disse que é uma mulher. Tipo uma viúva-negra, seduz os caras e mata. Tô morrendo de medo de sair à noite agora!” Julia deu um meio-sorriso, os olhos castanhos escuros fixos na marmita. “É, melhor tomar cuidado”, disse, antes de voltar a comer, a máscara de desinteresse perfeita.
Mas a menção a Bauru acendeu algo dentro dela. Não era medo — era um calor familiar, uma pulsação entre as pernas, uma memória que subiu como uma onda. Bauru, 2022. Ela tinha 28 anos, morava num sobrado pequeno na Vila Falcão, um bairro operário onde as casas se espremiam umas contra as outras. Ao lado, vivia Carlos, um eletricista de 40 anos, 1,87 m de músculos forjados por anos de trabalho pesado. Ele era grande, com ombros largos esticando as camisetas surradas, mãos calejadas e uma barba rala que escondia um queixo quadrado. Julia o observava da janela, vendo-o gritar com a esposa, uma mulher miúda que saía de casa com hematomas mal escondidos. Cada berro dele, cada tapa que ela imaginava, fazia o ventre de Julia aquecer, o clitóris pulsando com a promessa de transformá-lo em presa.
Uma noite de julho, Julia o chamou com uma desculpa esfarrapada: “Minha tomada tá com defeito, você pode dar uma olhada?” Carlos entrou na casa dela, o cheiro de suor e graxa envolvendo-a, os olhos pretos brilhando com uma fome que ela conhecia bem. Ela usava um short jeans curto, a regata branca colada aos seios, os cabelos loiros platinados soltos. “Tá sozinha, loirinha?”, perguntou ele, o sorriso torto revelando dentes amarelados. “Por enquanto”, respondeu ela, lambendo os lábios, o corpo inclinado contra a parede da sala.
Meia hora depois, estavam no quarto dela, o colchão rangendo sob o peso dele. Carlos a empurrou contra a parede, rasgando a regata com um puxão, o tecido cedendo como papel. “Tu é uma vadia safada,”, rosnou, agarrando os cabelos dela, puxando até o couro cabeludo arder. Julia gemeu, alto e teatral, jogando a cabeça para trás enquanto ele a jogava na cama. Ele abriu a calça, o jeans caindo até os joelhos, e o pênis saltou livre — uns 19 centímetros, grosso, com veias pulsantes e uma cabeça inchada brilhando. “Chupa”, ordenou, forçando a boca dela contra ele. Julia abriu os lábios, a língua deslizando pela ponta, o gosto salgado enchendo-a enquanto ele empurrava, o pênis batendo no fundo da garganta, fazendo-a engasgar. Ele bateu no rosto dela, um tapa forte que fez a bochecha arder, o som estalando no quarto. “Engole tudo, sua puta”, grunhiu, batendo novamente, a outra bochecha agora vermelha, as lágrimas escorrendo, o rímel borrando.
Julia gemeu, o prazer da humilhação pulsando entre as pernas, e deixou ele continuar, incentivando-o com gemidos abafados. Ele a puxou pelos cabelos, jogando-a de costas na cama, e subiu sobre ela, os joelhos afundando o colchão. Agarrou as coxas dela, abrindo-as com força, e alinhou o pênis contra a entrada úmida, empurrando tudo de uma vez. Julia gritou, o impacto enchendo-a, o corpo esticando-se para acomodá-lo. Carlos era bruto, os quadris batendo contra os dela com uma força que fazia a cama tremer, cada estocada arrancando gemidos altos, os seios dela quicando com o ritmo. “Tu gosta assim, né?”, rosnou, batendo no rosto dela de novo, o tapa mais forte, a bochecha ardendo enquanto ele a fodia, o pênis grosso forçando-a, o clitóris pulsando contra o impacto.
Ele a virou de bruços, levantando os quadris dela com uma mão enquanto batia na bunda dela, o som da palma contra a carne ecoando no quarto. “Pede mais, vadia”, ordenou, batendo novamente, a pele ardendo vermelha. “Mais forte”, gemeu Julia, a voz trêmula, e ele riu, o suor pingando do peito dele nas costas dela. Então, tirou o pênis melado de sua buceta encharcada, e forçou a entrada do seu cuzinho, sem aviso, o pênis grosso entrando com uma brutalidade que arrancou um grito dela. A dor era intensa, mas o prazer veio junto, o clitóris pulsando enquanto ele batia na bunda dela, os quadris movendo-se com uma selvageria que fazia o colchão ranger. “Toma, sua puta”, grunhiu, batendo no rosto dela mesmo estando de bruços, a mão alcançando a bochecha dela enquanto ele a fodia, o ritmo implacável.
Julia gozou, o corpo convulsionando, os gritos ecoando enquanto o orgasmo a atravessava, quente e avassalador, primeiro na buceta, depois no cu, o prazer misturando-se à dor dos tapas e da penetração anal. Carlos veio logo depois, o rugido dele enchendo o quarto enquanto se derramava no cu dela, o pau pulsando com jatos quentes que escorriam pelas coxas dela. Ele desabou ao lado, ofegante, rindo enquanto passava a mão pelo rosto inchado dela. “Tu é boa, loirinha”, murmurou, os olhos fechados.
Era o momento. Julia rolou para o lado, os dedos encontrando a faca curva escondida sob o travesseiro. “Você é incrível”, sussurrou, a voz doce, e subiu sobre ele, nua, o corpo brilhando de suor e fluidos. Antes que ele pudesse reagir, cravou a lâmina na garganta dele, um corte profundo que rasgou a carne, o sangue jorrando quente. Carlos gorgolejou, as mãos subindo em pânico, mas ela pressionou o corpo contra ele, os quadris esfregando-se contra os dele enquanto o sangue escorria, o calor do líquido levando-a a outro orgasmo. Ela jogou a cabeça para trás, os dedos entre as pernas esfregando o clitóris, o prazer explodindo enquanto ele morria. Levantou-se, posicionando-se sobre o cadáver, e deixou a urina jorrar, quente e dourada, marcando o peito dele, o ritual selando sua vitória.
De volta ao presente, na copa da “Moda Jovem”, Julia terminou a marmita, o coração batendo rápido, mas o rosto uma máscara de tédio. A investigadora, Doutora Carla, podia suspeitar de uma assassina em série, mas não tinha nada além de corpos e suposições. Julia dobrou camisetas, passou códigos de barras, sorriu para clientes até as 16:00. Pegou o ônibus de volta, o calor da tarde grudando a blusa nas costas. Chegou em casa às 16:45, trancou a porta, trocou a roupa de trabalho por um short curto e uma regata leve. O jantar foi arroz, feijão e um bife de frango frito comido em silêncio na cozinha enquanto o rádio tocava notícias locais que ela ignorava. Às 20:00, pegou uma cerveja gelada da geladeira, sentou-se na cama, o colchão rangendo, e abriu a garrafa, o líquido frio descendo pela garganta. O orgulho pulsava em suas veias — Márcio, Renato, Paulo, Carlos, todos ecos do padrasto, todos apagados. Ela sorriu, os lábios vermelhos curvando-se, e tomou outro gole, a dança ainda viva em sua alma.
