Suzane é minha amiga desde a infância. Dessas amizades que atravessam anos, fases e segredos. Desde muito nova ela sempre viveu de um jeito mais intenso que todo mundo. Enquanto eu era observadora, ela era protagonista.
Suzane sempre foi do job.
Eu, por outro lado, sempre fui curiosa. Talvez curiosa demais.
Quase todos os dias ela me contava alguma história nova. Sentávamos juntas, ela acendia um cigarro, puxava o trago com calma, segurava meu braço e soltava a fumaça devagar.
— Miga… eu sou louca.
Eu ria.
Louca era pouco para definir Suzane.
Ela enfrentava de tudo: casais, festas privadas, grupos de homens. Falava com naturalidade sobre gang bangs, sobre noites em que atendia cinco ou seis caras numa mesma festa. E contava tudo com detalhes — como quem narra uma aventura.
Suzane era linda. Corpo escultural, próteses nos seios que valorizavam ainda mais sua silhueta, cabelo sempre impecável, perfume marcante e tatuagens que subiam pelo braço esquerdo.
E tinha aquela confiança… aquela segurança de quem sabe exatamente o efeito que causa.
Eu sempre ouvia tudo com atenção. Mais atenção do que deveria.
Com o tempo comecei a perceber algo em mim mesma: aqueles relatos me excitavam.
Eu cobrava dela cada detalhe quando saía para trabalhar.
— E aí? Conta tudo.
Ela mandava áudios, mensagens, às vezes fotos. Algumas noites eu me pegava sozinha no quarto, ouvindo suas histórias e deixando minha imaginação ir longe demais.
Teve uma festa que nunca esqueci.
Suzane contou que havia sido contratada apenas para uma função específica: ficar em uma posição estratégica e atender os homens que quisessem ser chupados. Simples assim.
Outras mulheres estavam espalhadas pela casa, cada uma com um papel.
Ela era a “boqueteira”.
Segundo ela, eram seis homens naquela noite. Dois horas de festa, muito dinheiro no final… e o maxilar doendo.
Eu fingia escandalizar.
Mas por dentro… algo despertava.
Naquela época eu tinha vinte anos. Era solteira, magra, ruiva, pele clara, seios pequenos e quadris proporcionais. Nada exagerado, mas sempre ouvi elogios.
Enquanto os rapazes tentavam me levar para bares simples e encontros sem graça, Suzane parecia viver uma realidade completamente diferente.
Dinheiro fácil. Festas exclusivas. Gente bonita.
Eu dizia que jamais faria aquilo.
Mas também dizia outra coisa:
— Um dia eu vou só para assistir.
Suzane nunca desistiu da ideia.
— Você ia gostar — ela repetia.
E um dia eu aceitei.
A festa aconteceu cerca de três meses atrás.
Era em um motel, reservado apenas para aquela noite.
Suzane estava animada demais. Escolheu minha roupa, marcou minha depilação, decidiu tudo. Um vestido vermelho curto, salto dourado e uma única exigência:
— Sem calcinha.
No carro de aplicativo ela estava impossível. Abria as pernas só para provocar o motorista pelo retrovisor e ria da minha cara constrangida.
— Relaxa, miga. Hoje você vai entender.
Quando chegamos, fui apresentada às outras garotas.
— Putas! — Suzane anunciou rindo. — Essa é a Vanessa, minha melhor amiga. Está debutando hoje, então tratem bem dela.
Fui recebida com abraços, elogios e brincadeiras.
O ambiente era estranho… mas ao mesmo tempo eletrizante.
Música eletrônica tocava alta. Bebidas circulavam. Os homens conversavam entre si, relaxados.
Todos nus.
Eu era a única ainda vestida.
E, contra todas as minhas expectativas, eu estava excitada.
Observava tudo como se estivesse dentro de uma fantasia que por anos existiu apenas na minha imaginação.
Por volta das nove da noite aconteceu algo inesperado.
Suzane havia bebido demais.
Uma das meninas veio até mim e falou baixo:
— Sua amiga apagou na antessala.
Olhei para ela, surpresa.
— A gente está com uma vaga aberta agora. Quer assumir o lugar dela?
Meu coração disparou.
Era o momento em que a curiosidade encontrava a coragem.
Respirei fundo.
— Eu fico no oral.
A coordenadora da noite, Paula, explicou rapidamente as regras, as posições, o tempo de trabalho.
Mas, na verdade, eu já sabia quase tudo.
Suzane já havia me contado inúmeras vezes.
Antes de começar, fui ver minha amiga. Ela dormia profundamente no sofá da antessala.
Cobri seu corpo com um lençol.
Depois fui até o banheiro, retoquei a maquiagem, tirei o vestido… e voltei.
Quando entrei novamente no quarto principal, três homens vieram até mim quase imediatamente.
Mãos curiosas, olhares famintos.
Meu corpo reagiu antes mesmo que minha mente processasse tudo.
Paula apareceu ao meu lado.
— Está tudo bem?
Assenti.
Ela indicou meu lugar no tapete.
A música diminuiu de volume.
As garotas se posicionaram.
Eu me ajoelhei.
E a festa realmente começou.
