Entre o amor, a dor e o fundo do poço 3 de 4

Um conto erótico de Lucas
Categoria: Heterossexual
Contém 4113 palavras
Data: 30/08/2025 11:37:02

ATENÇÃO: Esta parte contém passagens que podem gerar gatilhos emocionais. Caso você não esteja bem, não prossiga com a leitura e procure ajuda. Leia a nota no final.

Comecei a fazer campanhas na internet contando a minha história. Não era possível que ninguém me ajudaria diante dessa covardia. Tati acompanhava minha saga como uma boa amiga.

Paralelo a isso, tive depressão: não tomava banho, não saía de casa e tinha constantes crises de choro. Deixei meus cabelos crescerem, a barba grande e os olhos fundos das noites mal dormidas. Não conseguia mais trabalhar e minhas economias estavam acabando. Carla me visitava às vezes; Tati vinha, fazia comida e ia embora — se não fosse isso, nem isso eu faria.

A depressão é cruel, você vai morrendo aos poucos e as vezes nem dá sinais, eu estava definhando sem vontade de viver, sem alegria e sem forças.

Então, decidi pôr um fim na minha vida. Não seria difícil misturar remédios com bebida, cortar os pulsos e esperar a morte.

Separei na mesa os remédios e o uísque; ao lado, um bisturi cirúrgico. Coloquei a nossa música para tocar e a banheira para encher.

Comecei a escrever minha carta de despedida para meus filhos. Já finalizando a carta, ouvi a porta bater. Não ia atender, ia esperar a pessoa desistir, mas Carla tinha as chaves que Isabelly havia dado — suspeito que todas as irmãs têm uma cópia.

Ela entrou na casa fedendo, com lixo espalhado por todos os lados. Olhou para a mesa e engoliu o choro para me dar uma notícia:

— Lu, a Bela entrou em contato. Ela quer fazer uma videochamada.

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu quis me arrumar minimamente.

— Não dá tempo, tem que ser agora. Se não, ela não vai conseguir.

Ela já foi ligando e apontando o celular para a minha cara. Quando minha filha me viu, começou a chorar.

— Pai, o que aconteceu? Pai!

— Tá tudo bem, filha.

— Não tá, pai, eu tô vendo que não tá.

— O pai tá bem.

Parecia que ela sabia o que ia acontecer naquela noite. E as palavras dela me salvaram.

— Não desiste de mim, pai. Não desiste da gente. Você prometeu me deixar morar contigo.

— O pai não vai desistir. Eu vou lutar todos os dias.

— Eu preciso desligar. Passei para a tia onde estou e vou tentar falar mais com vocês. Eu estou em um internato na Bulgária e as freiras já vão aparecer.

— Eu te amo, pai.

— Também te amo. Avisa seu irmão que eu o amo.

O que se viu depois disso foram meus gritos de um choro intenso. Não sei por quanto tempo fiquei no chão daquela cozinha chorando. Não vi quando ela chegou, mas, ao abrir os olhos, percebi Tati e Carla limpando a casa. Elas jogavam fora os remédios e as bebidas. Levantei devagar e subi para o banheiro. Fiz a barba, tomei banho, desci em silêncio e vi que elas estavam aflitas.

— Minha filha salvou minha vida.

As duas correram para me abraçar.

— E vocês duas também. Peço que não me deixem sozinho, eu preciso de companhia.

— Sim, já decidimos antes de você descer. A Tati vai morar aqui, ela vai trazer as coisas dela.

— Virei cuidadora de idoso. Meus pais devem estar muito felizes.

Sorri. Nem sei quando foi a última vez que eu tinha sorrido. Demorou uma semana para limpar e ajeitar a casa. Eu me comunicava com Bela por vídeos gravados e fui atrás de um novo emprego — não seria difícil, tendo em vista que eu era bem conhecido entre os médicos.

A convivência com a Tati era ótima, acho que nunca tive uma amiga assim e a Carla nos visitava constantemente, uma noite eu escrevia carta para meus filhos, eu e Isabelly sempre escrevemos para eles, era uma coisa nossa e quase sempre nunca entregamos as cartas, e ouvi gemidos do quarto da Tati.

— Filha da puta trouxe homem para cá — Falei baixinho

Nem sei a última vez que tinha transado, a depressão tira toda a sua libido, respeitei fundo tentando não pensar nisso, fui até a cozinha preparar uns biscoitos para o café quando o dia amanhecesse, estou abaixado olhando o forno quando levanto dou de cara com a Carla de calcinha e uma camisa.

Ela tomou um susto e deixou a água cair, Tati desce também de calcinha e camisa.

— O que houve?

Ficamos os três nos olhando em silêncio e começamos a rir alto. Peguei um vinho e servi os três

— Então vocês duas? A quanto tempo?

— Desde que você se trancou aqui

— E porque nunca me disse que é lésbica?

—Você nunca perguntou

— E você Carla?

— Eu descobri agora, ela tirou minha virgindade de bi, e você?

— Eu não sou virgem

— Não palhaço, quando vai, sabe? Comer alguém?

— Não tenho pensado nisso e não vou procurar.

— Eu tenho umas amigas e...

— Pode parar cupido, não tenho cabeça para isso, podem parar de falar da minha vida amorosa por aí hein e voltem para o quarto.

Durante a semana surpreendi elas e também por mim, eu coloquei as coisas dela na minha suíte, não fazia bem eu ficar naquele quarto, as lembranças eram ruins. E suíte era para casais e o som delas transando me incomodava um pouco.

Eu construí um quarto com escritório para mim na parte debaixo da casa, uma cama de solteiro me bastava.

Elas chegaram e subiram para o quarto e estava vazio, desceram sem entender nada.

— Cadê nossas coisas?

— Tirei daquele quarto

— Porque fez isso? Está expulsando a gente?

— Não, estou pedindo para não saírem mais, venham comigo

Levei eles até a porta da suíte, e elas sem entender.

— Abram, é de vocês

Elas abriram e tinham além das coisas delas, fotos que eu revelei e espalhei para elas, era de verdade um quarto de casal.

Elas gritaram histéricas olhando tudo e pularam em mim para me beijar no rosto.

— Obrigada, obrigada, obrigada

— Mas pera, e você? Não tá indo embora né?

— Não, meu quarto agora é lá em baixo, não aguentava mais ouvir vocês gemendo e tomei a liberdade de colocar um frigobar para vocês, não quero tomar sustos com vocês andando de calcinha por aí

— Te demos uma visão inesquecível e agora vai perder

— Uma visão e um quase infarto

— Mas você colocou tudo aqui? Tudo?

— Se está querendo saber daquele monte de piru de plástico e vibradores, estão na gaveta e usei luvas para colocar eles lá, e as suas calcinhas eu só joguei dentro da gaveta, estão desarrumadas, assim como as suas roupas, desculpa, mas mal sei arrumar as minhas.

Elas abriram as portas do armário e começaram a rir, todas as roupas estavam em sacolas pretas de lixo dentro do guarda roupa.

— A gente arruma

— Naquele canto ali, tem umas roupas da sua irmã, pode fazer o que quiser, não me importa. As fotos e álbuns estão naquela caixa, me faria muito bem se levasse, suas irmãs podem querer alguma.

Ela só acenou, o clima ficou pesado e Tati, sempre ela tomou as rédeas.

— Eu faço o almoço para gente para ele sair daqui antes que mude de ideia, eu estava doida para transar na banheira e não vou abrir mão.

— Você tocou muita punheta lá não né? Melhor a gente limpar.

— Eu limpei nojenta, e não, eu não gozo faz tanto tempo que minhas bolas estão maiores

Rimos da situação e descemos para o almoço, Tati então dedicou a vida a me arrumar alguém, pelo menos uma vez por semana tinha uma amiga dela jantando com a gente, sem sucesso, ninguém me interessava.

Até que entrou uma cirurgiã genial no hospital, Beth, abreviação de Elizabeth, uma mulher negra, cabelos cacheados e olhos negros, linda e super inteligente, mas pouco amigável, pensei até que ela pudesse ter algum grau de autismo, monossilábica sempre.

Até que apareceu uma cirurgia cardíaca de uma criança, em média devia durar de 8 horas, em casos complexos mais de 12 horas, essa durou em torno de 18 horas, ela lutava para não perder a criança, se negava a acreditar no fim dela. Mas apesar de todos os esforços, a criança morreu.

— Horário do óbito, 20 horas e 37 minutos.

— Qual nome dela? Perguntou a doutora Beth

— QUAL NOME DELA PORRA! ELA NÃO É UM ÓBITO, É ALGUÉM E EU QUERO SABER O NOME

Uma das enfermeiras pegando o prontuário respondeu

— Isabela Fernandes

— Horário do óbito da Isabela Fernandes, 20 horas e 37 minutos e 51 segundos.

Me sentei no corredor do hospital e vi ela anunciando a família a morte da menina que tinha o mesmo nome da minha filha. Foi inevitável, levei as mãos ao rosto e chorei. Existe um código não revelado entre os médicos de não chorar, mas ali estava eu, destruído.

Ela sentou ao meu lado quieta

— Me desculpe eu não devia

— Devia — disse ela me cortando

— Essa porra é uma merda, e essa ideia idiota de não chorar só faz a gente piorar, então chora.

— A garota, tem o mesmo nome da minha filha, e faz dois anos que não a vejo, a mãe tirou ela de mim.

— Eu não tenho filhos, nunca namorei, não sei o que te dizer

— não precisa dizer nada, e acho que é a primeira vez que vejo você falar tanto.

— Eu não costumo falar mesmo

— O que você vai fazer agora?

— Vou para casa descansar

— Quer ir na minha casa jantar? As minhas lésbicas prepararam um jantar por cinta do tempo que estou aqui.

— Ah não, eu preciso dormir

— Dorme lá, sei que é estranho, mas depois de tudo isso, ficar sozinho é uma merda.

— Está, porque não? Vamos lá

Liguei para as meninas avisando que ia levar alguém e consegui ouvir no fundo a Carla expulsando alguém de casa, com certeza era alguma mulher que elas me arrumaram.

Chegamos em casa depois de uma ducha no hospital.

— Meninas essa é a Beth, uma amiga do hospital, Beth essas são ...

— As lésbicas

Me cortou novamente a Beth, parece um hábito dela.

— Então é assim que ele se refere a gente? — disseram elas gargalhando

— Vamos entre, gosta de lasanha?

— Adoro, obrigada

Jantamos e conversamos sobretudo, as meninas separaram o quarto de hóspedes, que era delas antes e Beth foi dormir lá, eu tentei dormir, mas não consegui, ficava rolando pra lá e pra cá, então ela apareceu.

— Imaginei que não estivesse conseguindo dormir

— É uma merda, por isso tantos médicos usam drogas ou se viciam em calmantes.

— Me mostra ela, a Isabela

Peguei as fotos que tenho e passei a noite falando sobre minha filha, sem perceber nós dormimos encostados um no outro.

Pela manhã o café estava pronto, e as meninas fora de casa e uma mensagem no meu celular.

"Até que enfim comeu alguém"

Apaguei a mensagem, essas garotas não prestam, e eu não tinha comido ninguém.

Ela acordou e não sei como, estava tão linda quanto ontem.

— Elas deixaram o café

— Será que eu consigo um casal de lésbicas para mim?

— Não tenta me roubar elas não

Tomamos café e voltamos a dormir, cansaço era enorme, recebemos um bip do hospital e saímos correndo para um novo atendimento, viramos bons amigos, até que um dia algo estranho aconteceu.

Eu entrei na sela dela e tranquei a porta, naturalmente, ela se assustou e começou a gritar para eu abrir a porta, eu abri e ela saiu

— Isso não vai dar certo

— O que não vai dar

— Nada

Ela me bloqueou de tudo e parou de falar comigo, me afastou no hospital e até trocou os horários dela para não bater com o meu, eu não entendi nada.

Contei as meninas e elas me disseram o óbvio.

— Vai na casa dela.

Bati na porta e ela atendeu e fechou na minha cara.

— Por favor Beth, por favor, eu estou perdido, não sei o que eu fiz, me explica por favor.

Sentei na porta dela e ela sentou do outro lado.

— Acho que dessa forma eu consigo falar. Me faltou coragem, me desculpa.

— Eu sou a porta, não vou responder, pode falar.

Ouvi ela rir

— Quando eu era residente, um médico que era para ser meu professor, alguém que eu admirava e confiava, abusou de mim, ele trancou a porta como você fez, foi se aproximando e eu pedia para ele parar, sem sucesso ele me segurou me virando e me estuprou, eu sentia uma dor profunda, vergonha, nojo e fiquei ali parada sem reação. Ele disse que eu merecia aquilo porque eu seduzi ele.

Eu denunciei ele ao hospital, mas eu era uma residente preta, e ele um médico branco formado, me ignoraram e tentaram me calar dizendo ora focar na minha carreira, só me afastaram dele e isso me deu gatilho. Não era sobre você, mas sobre mim.

— Abre a porta, eu prometo nunca mãos fecha— lá

Ela abriu e eu abracei ela em prantos.

— Eu tô gostando de você e o último médico branco que aconteceu isso fez o que fez.

— Eu não sou ele, e eu também estou gostando de você.

Ela me beijou e foi tirando a minha camisa, e eu levando ela para o sofá. Ela acariciava meu pau e eu por cima da calça.

— Me come, quero sentir seu pau todo dentro de mim.

Puxei a calcinha de lado, e enfiei o meu pau e cada centímetro a buceta dela apertava mais, não demorei três minutos e gozei, gozei muito.

— Me desculpa, faz quase três anos que eu não transo.

— Está tudo bem, a gente pode tomar banho

— Tomar banho? Eu tô pronto pra outra, são três anos de atraso, eu vou te comer o dia inteiro

Ela deu uma mordida lateral no lábio, e montou em mim, quicando enquanto eu me dedicava aos seus peitos.

Botei ela de quatro e comecei a bombar.

— Me bate

Dei um tapa

— Mais forte

Dei um tapa bem mais forte

— Não para de me bater

Plaft! Eu batia e comia ela

Ela fez gesto de soco na costela

Eu dei o murro

— Aí que gostoso, me bate mais

— Gosta de apanhar piranha

— Adoro um macho que me bate com força

Puxei os cabelos dela e dava soco nas costelas, e tapas na bunda, virei ela olhando nos olhos e metendo.

— Bate na minha cara, bate

— Safada, Plaft, gosta de tapa na cara

— Amo, bate nessa safada.

Apertei o pescoço ela e mete até gozar pela segunda vez.

Ficamos deitados e rindo.

— Caralho que loucura, nunca transei assim.

— Me desculpa eu perco o controle

— Porra foi ótimo, e meu pau está dando vida de novo

— Ah não, chega, não aguento mais.

— Eu me alívio

Ela pegou nele e levou até a boca, punhetava e mamava até eu gozer pela terceira vez.

— Estou ficando desidratado

— Vem, vamos tomar banho

Tomamos banho e ficamos conversando.

— Quem era o médico, que fez isso?

— Podemos falar sobre outra coisa?

— Podemos, mas acho que está na hora de dar o troco nele, eu o conheço?

— É o Dr. Fábio

— Da FamarDez?

— Ele mesmo

— Posso armar uma coisa para ele? Não vou te citar.

— Não sei se quero reviver isso

— Dessa vez você tem quem acredite em você

— Está, pode, mas não quero me envolver.

— Sem problemas. Eu sei o que fazer

Olhei o celular e tinham várias ligações das lésbicas, retornei na hora.

— Caralho Lu, some e não avisa nada.

— Eu estou com a Beth

— Ah eeeeee! Transou muito?

— Não vem ao caso, preciso de vocês, é algo imoral, vão entrar nessa?

— A gente esconderia um corpo por você.

— Certo, em casa a gente conversa.

Virei para Beth que me encarava.

— Eu vou foder com aquele filho de uma puta

O plano era simples, elas o seduziriam ele, dopariam e tiraríamos umas fotos para imprensa e assim acabaria o casamento e a carreira dele, e por fim a gente denunciaria ele por abuso, colocar elas na rota dele foi fácil, um predador sexual escolhe suas vítimas por jovialidade, e duas jovens moças logo chamarão atenção dele.

De uma certa distância em um bar próximo ao hospital onde ele trabalhava eu fiquei vendo o flerte, e já tinha orientado elas como dopar ele em pequenas doses, para não ser perceptível em um futuro exame.

Segui eles até o hotel do médico, e fiquei esperando a ligação, não demorou 20 minutos e recebo uma mensagem.

"LU DEU MERDA, SOBE AQUI, QUARTO 43"

Corri até o quarto andar e bati na porta.

— Entra, esse filho da puta não quer acordar, será que morreu?

Examinei ele e estava só apagado.

— Quanto de remédios vocês deram a ele ?

— Pouca coisa como você mandou

— Ele deve tomar mais algum e o efeito foi forte, mas só está dormindo.

Tati gritou

— Gente olha isso aqui

No Notebook dele tinha vários vídeos de pornografia sem consentimento com várias estagiárias e residentes, incluindo da Beth, que eu apaguei na hora.

Ligamos para a polícia e ficamos esperando, as câmeras do hotel não mentiria, iriam ver que estávamos ali, a história que contamos é que elas saíram com ele, ele desmaiou e me ligaram porque sou médico. Então viram no notebook dele os vídeos. Notebook estava ligado porque o plano era ele gravar elas pelo aparelho.

A polícia chegou e recolheu todo material e ouviu todo mundo, o escândalo saiu em todos os jornais.

"Médico fundador de uma das maiores redes de farmácias do Brasil é preso"

Dezenas de vítimas do médico apareceram para denuncia-lo, descobriram uma rede de crimes em volta dele e que a esposa já estava dando informações a policia secretamente, ele iria cair logo, a gente só adiantou o processo. A história do médico fica para uma outro momento.

A prisão dele me rendeu boas fodas com Beth, naquela semana, mas na minha vida nem tudo são flores, Beth iria viajar para África pelo médicos sem fronteiras e mais uma vez eu ficaria sozinho, fizemos aquela transa de despedida, e ela partiu como um sonho bom que eu não queria acordar. Descobri depois que ela já iria embora, e eu não pediria para ficar por minha causa.

A semana era a mais triste para mim, era a semana do aniversário da Bela, a depressão voltava e eu mal dormia, as meninas tentavam de tudo para me animar mas sem sucesso, no dia do aniversário dela eu fiquei olhando pro celular na esperança de uma ligação, uma mensagem e nada, a tortura parecia eterna.

A campainha toca e já dá meia noite.

"Quem pode ser essa hora?"

Quando abro a porta fico atônito, ela voltou.

— Oi Pai!

Fiquei paralisado olhando agora aquela mulher feita, 18 anos, loira, magrinha, linda igual a mãe.

— Não me reconhece?

Corri para abraçar ela e chorava nos seus ombros, eu não queria mais solta— lá, não queria que ela saísse dos meus braços, não sei quanto tempo fiquei ali.

— Pode me soltar pai

— Desculpa filha, é que ... Nossa, como?

— Vamos entrar, estou cansada, a tia não me respondeu, deve tá dormindo.

— Carla! Tati! Acordem! Venham aqui!

Eu gritava de alegria pela casa e elas levantaram assustadas, de calcinha e camisa.

— Sério! Vocês precisam aprender a se vestir

— Não tem nada aqui que você não viu

Nesse momentos Carla e Bela começam a gritar, e se abraçar, pular. Carla apresentou ela para Tati, e saiu para arrumar um dos quartos para ela.

— Então filha, como conseguiu? Sua mãe liberou?

— Não, eu fugi, ela ainda vai descobrir isso, mas agora ela não manda mais em mim, 18 anos e posso fazer o que quiser.

— Você devia avisar ela que está bem, ela vai ficar preocupada

— Eu vou avisar, mas agora só quero matar a saudade do meu pai.

— Eu tenho tantas perguntas, onde vocês estão, se o amante da sua mãe trata vocês bem...

— Que amante? o Igor? Eles não se falam mais

— O juiz que tirou vocês daqui

— Não tem juiz, bom, se tem eu não sei

Resolvi deixar para lá e Conversamos sobre o Antônio, a vida dela na exterior, e o que ela iria fazer, as horas passaram e nem vimos, essa noite ela dormiu comigo como quando era só uma garotinha.

Os dias passaram e eu ouvia ela discutir com a mãe, e passei a conversar com o Antônio por intermédio dela. Ela também se matriculou na universidade, medicina veterinária.

As coisas andavam bem, mas sabe como é né? Pai de menina é foda, fui palestrar na faculdade dela para outra turma, Carla foi comigo, e depois da palestra resolvi procurar ela pelo Campus. De longe vi ela com um rapaz.

— Carla, quem é aquele filho da puta ?

— Que filho da puta ?

— Aquele com a mão na bunda minha filha

Ela começou a rir

— Ela é uma mulher Lu, você sabe né?

— Não sei, pode parar de falar

— Filha! Aqui

Ela me viu e veio correndo me abraçar

— Vamos almoçar juntos ?

— Claro pai, deixa só eu me despedir do Artur

Lá foi ela e deu um beijo nele e veio até mim.

— Vai querer me falar sobre esse cara ?

— Na hora certa pai

— Tá bom, vamos comer então.

Eu não podia demonstrar ciúmes, por medo de perder minha filha de novo então guardei pra mim.

De noite ela deitou do meu lado

— Pai, eu vou ser sempre sua filha, não precisa ficar com ciúmes, e não se preocupa, eu sei me cuidar.

— Você é minha filha, e tá linda, eu vou ter ciúmes é claro, mas não vou te privar de nada e vou sempre estar do seu lado, eu só quero que me conte tudo e conte comigo, sem segredos.

— Então tá, hoje eu vou numa festa com o Artur, não precisa me esperar.

— Sem problemas

Falei por fora, mas por dentro eu queria matar ele, engoli e ciúmes e fui dormir.

Meu telefone me acorda de madrugada. Era Bela

— Pai você pode vir me buscar

— Claro filha, me passa o endereço

Ela mandou a localização, ela estava no meio da rua encolhida e chorosa, entrou no carro meio triste.

— Quer me contar o que aconteceu?

— Pai, como você sabe quando é a pessoa certa?

— Você não sabe filha, você sente, um dia essa pessoa vai aparecer e você vai saber que é ela.

— Você e a mamãe, eram a pessoa certa?

— Éramos, eu sabia que era, não atoa vocês estão aí, frutos do nosso amor, mas só o amor não sustenta um casamento, eu sempre vou amar sua mãe, mas não quero ver ela nunca mais.

— Você odeia ela?

— Ela não, odeio ela ter me tirado vocês, eu perdi muito tempo.

Seguimos em silêncio para casa e fui deitar, logo ela aparece.

— Posso dormir aqui ?

— Pode filha, vem

No outro dia o tal Artur apareceu, e ouvi os dois discutindo ela mandando ele embora, não sei o que ele fez, ela nunca me disse.

Mas encontrei ele no ponto esperando ônibus e ofereci uma carona.

— Olha senhor, eu não fiz nada com ela, eu juro.

— Fez sim, e vou deixar passar essa, mas na próxima vez que ela chorar por sua causa, eu te mato, de formas que você nem imagina serem possíveis, eu sei cortar todos os seus músculos sem que você desmaie de dor, eu te farei sangrar e pedir para morrer. Se afaste dela, me ouviu ?

— Sim senhor.

Deixei ele na faculdade e a minha filha disse que o Artur tinha medo dela e perguntou se fiz alguma coisa.

— Não, vai ver ele se deu conta que não deve mexer contigo.

Um ano se passou que Bela mora comigo e com as lésbicas, era um dia de paz e tranquilidade de almoço de domingo. Alguém bate na porta.

Quando abro para minha surpresa estava de pé com malas na mão Isabelly.

— Oi!

⚠️ Atenção!

O suicídio é uma realidade séria e silenciosa. Muitas vezes, quem sofre não consegue pedir ajuda — por isso, esteja atento aos sinais: isolamento, falas de desesperança, mudanças bruscas de comportamento ou desistência de atividades que antes eram importantes.

Se você ou alguém próximo estiver em sofrimento, procure ajuda imediatamente. Ligue 188 (CVV), busque um serviço de saúde ou acione o SAMU (192) em caso de urgência.

💙 Falar pode salvar vidas.

NOTAS DO AUTOR: A história do médico é baseada em fatos reais, a intenção de colocar ela na história é um futuro conto baseado nessa história que vocês podem encontrar facilmente fazendo uma pesquisa breve sobre o médico e o monstro brasileiro. Lembrando que é baseado, não a história em si.

É proibida a cópia, reprodução e/ou exibição fora da "Casa dos Contos" sem a devida autorização dos autores, conforme previsto na lei.

Deixarei um e-mail para contato, caso queiram que eu escreva sobre a história de vocês, dar sugestão, mandar fotos e vídeos, trocar ideia e só mandar para: freitascontos@gmail.com

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 42 estrelas.
Incentive Espectador a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.
Foto de perfil genéricaEspectador Contos: 82Seguidores: 109Seguindo: 4Mensagem Tendo a fixar na realidade.

Comentários

Foto de perfil genérica

Ahhh bem que percebi ser de um autor top! Esse sim dá gosto de ler, que conto top! Isso sim vale a pena dar 3 Estelas e comentar com prazer e agradecer! Salva esse site de monte de corno frouxo humilhado capacho, ou que aceita a puta se esbaldar com outros macho, achando que isso é o caminho. Parabéns! As orientações são importantes. Top

0 0
Foto de perfil genérica

Muito boa a história e o que vc escreveu no fim!!!

É o tipo de história necessária,ainda mais num site em que se vangloria tanto traições e comportamentos que tendem a levar a destruição psicológica de pessoas...

Infelizmente não vai chamar a atenção da maioria do público, que gosta exatamente do que citei acima... parabéns mais uma vez pela coragem... finalmente uma história que está explorando muito bem o tema do desafio.

Parabéns e obrigado pela história.

Ps: tudo, todas nossas ações tem consequências para as pessoas ao redor. É incrível ver tanta história que simplesmente não se importa com isso. Ou minimiza, ou transforma o consentimento forçado em algo normal e legal... enfim...que siga de reflexão

1 0
Foto de perfil genérica

Cm pode ele dizer pra ela "ligar e avisar q tá bem"??? "Dizer q a mãe vai ficar preocupada"??? Mano cm pode ele dizer q ainda ama ela??? Essa porra dessa mulher é uma criminosa, uma sequestradora q devia tá presa.

1 0
Foto de perfil genérica

Ele ama a esposa , não quer dizer que aceita oque ela fez

0 0
Foto de perfil genérica

Mano, ela literalmente SEQUESTROU os filhos do cara depois de trair ele da pior forma possível, isso não é amor, é doença já.

0 0
Foto de perfil genérica

E pior, ela sequestrou eles por anos, tirou dele a chance de curtir a adolescência da filha, e ele literalmente quase se matou por causa disso, e o FDP ainda tem a pachorra de dizer q ama ela???? Aaaahaaa? Q tipo de doente mental sem amor próprio é esse cara?

0 0
Foto de perfil genérica

Pode acreditar , eu mesmo tenho um primo que pegou a esposa com o personal na própria cama , foi agredir o personal e tomou uma coça e ainda a esposa ajudou o amante .

O meu primo ficou 5 meses chorando igual um bebê, não comia , não dormia e deu uma depressão profunda , eu o aconselhava ele a seguir a vida , mas ele implorou pra esposa voltar e hoje vive igual um tapete sendo pisado e memso assim está com ela

0 0
Foto de perfil genérica

Exatamente meu ponto, temos q para de passar pano e normalizar esse tipo de doente sem amor próprio veio, se eu fosse esse cara e roubassem meus filhos no mínimo dava três tiros nessa fdp. Agora q ela apareceu se ele não quebrar a cara dela no mínimo e pq não tem mais salvação msm não.

0 0
Foto de perfil genérica

Fazendo isso o esposo vai preso e acaba o conto rs

0 0