Para um casal de meia-idade, casamento morno, amor gasto, seria o esperado. Mas não. Não era o caso deles.
De uns meses pra cá, Geraldo se transfigurara. Um apaixonado. Presentes. Flores. O salão de beleza pago com antecedência. Jantares. E, sobretudo, cama — muita cama. Antônia estava deslumbrada, sem entender. Gostava, claro que gostava. O conto de fadas, tardio, mas vivo, pulsava no corpo dela. Só que havia a culpa.
Numa noite abafada, os dois ainda suados, a pele grudando nos lençóis, ela virou para ele, os olhos acesos e aflitos:
— Amor... — era assim que ela o chamava. — Tenho um pecado. Uma vergonha.
Geraldo fumava deitado, o cigarro torto no canto da boca. Nem pestanejou:
— Fala.
Ela murmurou, engolindo seco:
— Fui adúltera. Te traí. Mas acabou. Me perdoa.
Um silêncio podre, grosso. Ela fechou os olhos, esperando o grito, o tapa, a porta batendo.
Geraldo tragou fundo, soprando a fumaça pro teto.
— Eu sei.
— Como é que sabe? — ela arquejou, sentando-se na cama.
— Já sabia há tempos.
— Mas... quando?
Ele riu de canto, um riso cansado:
— Naquela noite, não dormi. Mexi no teu telefone. Vi tudo. As mensagens, os encontros.
Antônia levou a mão à boca, os dedos tremendo.
— Meu Deus...
— Por que você acha que eu mudei? Hein? Você não percebeu? Eu me matei pra ser melhor. Melhor pra você. Não queria te perder.
Ela chorava, a cara afundada nas mãos.
— E não tá com raiva de mim?
Geraldo esmagou o cigarro no cinzeiro. Aproximou-se, a voz baixa, firme:
— Tô. Mas te amo. E vou passar o resto da vida contigo. Você é especial. Eu só quero merecer.
Ele esmagou o cigarro no cinzeiro, bebeu o uísque devagar, o gelo parado nos lábios. Depois se virou sobre ela, beijou a boca, o pescoço, os ombros. No ouvido, num sussurro:
— Qual o nome dele?
— N… não… — ela arfou, recuando um pouco.
— Fala. Não vou ficar brabo. Só fala.
Ela fechou os olhos, a respiração falhando:
— Ca… Ca… Camilo…
Na mesma hora, o membro de Geraldo endureceu, latejante, tocando as coxas dela como um arpão. Então ele gosta, pensou Antônia.
Geraldo desceu aos seios, demorou-se neles, a boca e as mãos sempre ocupadas. Ela gemia, arfando, adorando aquelas mãos que nunca paravam, nas costelas, nas coxas, nos bicos duros.
Entre uma chupada e outra, ele murmurou:
— Onde conheceu?
— Ah… ah… em… em casa… ele ia lá… amigo… do Hamilton… meu irmão…
— Teu primeiro namorado?
— F… foi…
— Primeiro homem?
— P… primeiro… s… só ele… antes de ti…
A luxúria tomou conta de Geraldo. Ele desceu mais, percorreu a barriga, a virilha, abriu as coxas dela, lambeu tudo. A umidade escorria. Aspirou o cheiro dos pelos secretos, esfregou o rosto no monte de Vênus, pediu rouco:
— Imagina que tá com ele. Onde foi a primeira vez?
— Na… na praia…
— Como foi? — ele não parava de tocá-la.
— A tia… dele… tinha uma casa… lá… nós fomos…
A voz dela morreu num gemido, quando ele beijou de leve o botão do prazer.
— E?
— À… noite… nas pedras…
— Ele te pegou lá?
— N… não… não queria… tinha medo… certinho demais… eu que… eu que me esfreguei nele…
— Ele te chupou assim? — e Geraldo mostrou com a boca.
Ela arqueou o corpo, arfando:
— S… sim… amor… s… sim… todinha… e eu… eu chupei ele todo… também…
Geraldo, tomado de febre, enfiou a língua fundo, sugando, sorvendo. Entre gemidos, Antônia repetia, quase soluçando:
— Ca… Camilo… Ca…milo…
Geraldo soube ali, de súbito, o que queria. O que precisava. O desejo era um soco no peito. Queria tudo. Cada detalhe. Cada vez. O amante não era um intruso — era parte do casal. Sem ele, não havia lascívia, não havia fulgor.
Geraldo ergueu o rosto da gruta úmida dela, os lábios brilhando, a respiração animalesca.
— Volta com ele. — disse, rouco. — Eu não ligo. Eu adoro isso.
Antônia estremeceu, as pernas abertas, o corpo suado.
— O… quê? — arfou, sem acreditar.
— Eu quero. — ele insistiu. — Quero que tu me conte… cada vez. Cada lugar. Quero você suja dele… e minha.
Ela soluçava, a voz cortada, entre gemidos:
— N… não… não posso… é loucura…
— Pode sim. — Geraldo cravou os olhos nela, ardendo. — Sem ele… tu não é completa. Sem ele… nós não existimos.
Antônia gemeu, levando as mãos ao rosto, o corpo entregue.
— Eu… eu volto… se tu quiser… eu volto…
Geraldo mordeu-lhe a coxa, feroz, e sorriu, uma alegria doentia, triunfal:
— Quero. Eu quero.
E o quarto, abafado, foi tomado pelo gemido dela, pelo riso dele, e pelo nome proibido sussurrado como uma oração.
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