DA SÉRIE: ANJOS OU DEMÔNIOS!
Isaura acabara de ser derrotada antes mesmo da briga começar.
– O que aconteceu com sua mãe? – Perguntou Otávio para Viviane ao ver o estado de Isaura e sua filha percebeu que ele estava realmente preocupado. Então falou para ele.
– Não sei. Por que você não pergunta com ela. Acho que no momento ela está precisando de você.
Sem pensar duas vezes, Otávio foi se sentar ao lado da ex esposa e, colocando a mão em seu ombro, perguntou:
– O que foi Isaura? Eu sei que você está com raiva de mim. Só que não precisa ficar assim, vamos conversar a respeito.
Para surpresa dele, Isaura o abraçou, afundou a cabeça em seu peito e começou a falar entre soluços:
– O que foi que fizemos da nossa vida? Otávio. O que vai ser de nós?
Otávio fez um gesto com o ombro olhando para Viviane, como quem perguntava o que estava acontecendo e a garota respondeu em voz alta:
– Não sei, papai. A única coisa que estou vendo é que a mamãe está precisando muito de você. Cuide dela, por favor. Depois a gente conversa. – Dizendo isso, se dirigiu à porta enquanto avisava. – Nós três vamos conversar. Se precisarem de mim estarei na casa da Taís. É só me ligar.
Quando acabou de falar já tinha ultrapassado a porta que foi fechada às suas costas. Deixando seus pais sentados no sofá com Isaura com o rosto afundado no peito de Otávio enquanto seu corpo era sacudido por soluços e ele, sem saber o que fazer, a abraçava com uma das mãos enquanto usava a outra para lhe fazer carinhos na cabeça.
Quase meia hora se passou sem que nenhuma palavra fosse dita e Isaura conseguisse controlar seu pranto. Quando finalmente ela se sentiu em condições de manter uma conversa, endireitou o corpo e olhando para Otávio começou a falar, mas aconteceu de ele falar ao mesmo tempo:
– Eu tenho que contar... – Disse Isaura.
– Eu sei que sou culpado... – Falou Otávio.
Os dois se calaram e ficaram se encarando até que Isaura voltou a falar:
– Antes de mais nada, preciso saber a verdade. Você transou com a Viviane?
Otávio assentiu com um movimento de cabeça e se preparou para a tempestade que sabia que viria, ficando surpreso quando ouviu Isaura falar calmamente:
– Vamos começar pelo final. Durante essas últimas horas fiquei pensando no que aconteceu comigo e nas coincidências de acontecer o mesmo contigo. Tudo no mesmo dia, como se fosse programado. Isso me deixou desconfiada e essa desconfiança se transformou em certeza no exato momento em que a Viviane falou comigo quando desceu do carro.
– Do que você está falando? – Perguntou um Otávio confuso.
– Estou falando que você foi vítima de uma armação. E eu fui levada a participar disso. Tudo o que aconteceu estava programado e foi executado com perfeição. Aliás, perfeição demais para se acreditar que isso saiu da cabeça da Viviane. Aquela pestinha está agindo há mais de seis meses e eu fui uma tonta em não perceber.
– De quem você está falando?
– Estou falando da Taís, Otávio. Isso tudo saiu da cabeça dela. Meu Deus! Como é que eu, uma mulher adulta, me deixei levar por uma pirralha daquelas? E você? Todo certinho e caiu que nem um pateta na armadilha que ela armou para você.
– A Taís não armou nada para mim. Aliás, desde que saí de casa, o mais perto que cheguei dela foi ontem cedo quando vim buscar a Taís.
– E precisa? Não Otávio. Aquele demônio em forma de gente fez a cabeça de Viviane direitinho. Foi ela que instruiu nossa filha a te seduzir e não foi de hoje. Elas já estão planejando isso há meses.
– Pra mim você está falando em grego. Dá para você explicar?
– Tá bom. Vou explicar direitinho. Mas antes vou fazer um café novo que acho que vamos precisar. Vem comigo.
Não houve um antes. Enquanto fazia o café, Isaura começou a relatar tudo o que tinha passado nos últimos meses.
– Tudo começou quinze dias depois que você se mudou para o apart-hotel. Foi em uma quarta-feira à tarde que Taís apareceu aqui em casa procurando pela Viviane. Na hora eu não estranhei o quanto aquela visita estava fora de lugar, pois a Taís sabia que era o dia que nossa filha estava no colégio treinando vôlei. Ela chegou e, depois que eu informei que a Viviane não estava, ela apenas sorriu e, dizendo que tinha se esquecido disso, se sentou na banqueta aí no balcão e ficou me olhando.
“Quando eu perguntei para ela se podia ajudar em alguma coisa, ela sorriu para mim e, em vez de responder à minha pergunta, fez outra, querendo saber o que eu estava fazendo. Esse é o dia que eu aproveito para dar uma arrumada na cozinha e estava usando um vestido velho que eu tenho. É aquele branco com flores amarelas e marrons que você me deu há anos. Como eu estava sozinha, não estava usando sutiã. Disse a ela o que estava fazendo e, quando olhei para ela que estava atrás de mim, ela estava com os olhos fixos no meu bumbum. Você sabe como aquele vestido é curto e, como eu estava curvada para limpar a prateleira do balcão da pia, ele tinha subido e minha bunda estava quase aparecendo”.
“Na hora aquilo não me chamou a atenção, mas quando fui limpar o balcão e me inclinei, o decote de meu vestido permitiu a ela ter uma visão de meus seios e quando levantei a vista vi que ela estava prendendo o lábio inferior com os dentes e olhava fixamente para eles. Fiquei muito puta da vida, não por ela estar olhando, mas por ter sentindo meu corpo arrepiar quando vi a expressão de puro desejo que ela exibia.”
“A partir desse dia, ela passou a me assediar sem nenhum pudor e eu não me dei conta de como se tornou comum a Viviane inventar alguma coisa para deixar Taís e eu sozinhas em algum cômodo da casa. Ela se aproveitava disso para se aproximar de mim e aos olhares gulosos que ela me dirigia, logo foram acrescentados toques. Eram toques sutis, sempre acompanhados de algum elogio do tipo: “quando chegar à sua idade quero ter um corpo assim” ou “o tio Otávio é um idiota em deixar uma mulher bonita como a senhora. Não demora e aparecem outros... ou outras.”
“Esse outras me deixou com a pulga atrás da orelha e, quando olhei para ela e comecei a reclamar de que ela estava pensando que eu era lésbica, ela deu uma sonora gargalhada que me desconcertou. O riso dela ecoou pela casa e me atingiu em cheio. Ver aquele pedaço de gente agindo como uma mulher sedutora era algo muito estranho para mim e o que eu não saiba é que, nesses momentos, não estava enxergando uma garota que eu conheço desde sempre, mas uma mulher sedutora que abertamente demonstrava estar interessada em mim.”
“Eu sei que você vai dizer que eu devia parar com isso. Eu até concordo que devia mesmo. Entretanto, eu estava debilitada por causa de nossa separação e meu corpo reclamava pela falta de sexo. Isso tudo fazia com que o fato de eu ser desejada mexesse comigo.”
“Há dois meses ela mudou de tática. Quer dizer, não foi propriamente uma mudança. O que aconteceu é que ela acrescentou alguns truques novos em sua tentativa de me seduzir. Do nada, ela começou a se mostrar para mim. Você não imagina o martírio que é para uma mulher que está sentido a falta de sexo receber toques sutis e ainda ter a visão do corpo de uma mulher que claramente está se exibindo para ela. Foi assim comigo. Taís elogiava uma roupa que eu estava usando e usava isso como pretexto para se aproximar de mim e tocar meu corpo. Com a desculpa de sentir a textura do tecido, ela tocava meu corpo e sua mão sempre se dirigia aos meus seios que ela, com muita sutileza, apalpava depois de deslizar sua mão em um carinho que me levava às alturas.”
“Há cerca de vinte dias a Taís intensificou seus ataques. Ela chegou aqui em casa com a desculpa de pegar um livro que tinha emprestado para a Viviane, já sabendo que nossa filha não estava em casa. Era quarta-feira e ela estava treinando. Quando ela chegou, veio me dar um beijo no rosto e me pegou desprevenida, pois o beijo que era para ser no meu rosto foi perto da minha boca. Eu diria que foi perto demais, pois senti o contato de parte dos lábios dela em contato com o meus. Recuei e olhei para ela com uma expressão de quem estava zangada e ela só sorriu para mim. Aliás, fez pior. Sorriu e depois mordeu o lábio inferior fazendo aquela carinha que era um misto de menina sapeca e mulher sedutora. Ela estava usando um top que mal cobria seus seios e só por isso dá para imaginar, pois os seios dela são pequenos, o que quer dizer que era apenas uma tira de pano. Isso sem falar que os bicos de seus seios estavam durinhos e marcavam o tecido.”
“Eu entendi aquilo como sendo tesão da parte dela. Aquilo não podia ser fingimento, pois não dá para deixar os mamilos daquele jeito sem existir um estímulo. Com a voz rouca de tesão e forçando para não me entregar, disse onde o livro poderia estar e ela se virou e saiu andando. Fiquei olhando para aquele corpinho perfeito se afastando de mim, principalmente para a sua bundinha que o short deixava mais da metade exposto. A maluca tinha pegado um short estreito e puxou o máximo para cima. Se normalmente aquele short deixaria suas popinhas expostas, ela deu um jeito de piorar isso e mostrar mais de seu bumbum durinho.”
“Distraída em olhar aquela bundinha rebolante se afastar de mim, fui flagrada por ela que, ao chegar na escada, olhou para trás e viu o que eu estava olhando. Seu sorriso foi algo que me levou ao desespero, pois imediatamente senti minha calcinha ficar enxarcada com o fluído que escorreu da minha buceta. E ela fez uma carinha de tesão tão linda que eu cheguei a gemer, o que fez com que seu sorriso ficasse ainda mais radiante e seus olhos pareciam lançar faíscas em minha direção.”
“Com a segurança adquirida na minha reação, ela voltou e veio até mim para se despedir. Chegando perto, ela não se limitou a beijar meu rosto. Em vez disso, deixou o livro sobre o balcão e segurou com as duas mãos em minha cintura me puxando e fazendo com que nossos corpos ficassem colados. Então, ficando na ponta dos pés, ela levantou seu rosto e deu um selinho em minha boca. Desesperada, tive a única reação que poderia ter, a empurrando e brigando com ela.”
“Na verdade, não briguei. Em vez disso, pedi com a voz alterada pelo tesão que senti para que ela parasse com isso e ela, depois de sorrir, segurou meu rosto com as duas mãos e com os olhos prendendo os meus, falou que não adiantava eu me afastar dela, pois nossos corpos se atraíam e estavam condenados a ficarem juntos, bem coladinhos. Antes que eu tivesse tempo de retrucar, ela segurou minha nuca e beijou a minha boca. O problema é que minha reação foi demorada. Em não a empurrei imediatamente como devia e só fiz isso quando senti a língua dela forçando a passagem entre os meus. Para piorar, devo ter emitido um gemido.”
“Com uma expressão de vitória, ela me largou e foi saltitando em direção à porta e de lá, olhou para mim e falou para mim que eu queria e ela sabia disso e que eu tinha consciência que ela sabia. Fiquei mais de quinze minutos plantada no chão da sala tentando encontrar uma forma de acabar com essa situação e a única coisa que consegui, melhor dizendo, não consegui, foi evitar que o tesão me dominasse. Então fiz uma coisa que jamais imaginei ser possível. Corri para o banheiro e, embora minha intenção fosse tomar um banho frio para me acalmar, não resisti e acabei tocando minha xoxota até gozar. E me senti uma merda de gente depois, pois gozei com a imagem de ter o corpinho de Taís nos meus, beijando todo ele enquanto recebia o mesmo tratamento da parte dela.”
“E agora vem a informação mais preocupante. Um dia depois desse acontecimento, surgiu essa vontade da Viviane de ir passar um final de semana na praia com você. Dá para acreditar?”
– Não entendi o que uma coisa trem a ver com a outra. – Falou Otávio pela primeira vez.
– Isso porque você é realmente muito inocente. Preste atenção Otávio. Pense bem. Eu fui enganada e confesso que senti até um alívio com isso. Com a Viviane longe daqui a Taís não teria motivos para vir aqui e eu ficaria livre a tentação, pois para mim já era uma tentação. Além disso, ela parou de me atentar depois desse dia e eu achava que aquelas intermináveis conversas aos cochichos que elas passaram a ter era por causa de algum namoradinho delas. Cheguei até a suspeitar que vocês encontrariam algum rapaz na praia que se aproximaria da Viviane numa feliz coincidência, e que na verdade não tinha nada disso. Seria uma armação das duas.
– Pois é. Mas você estava realmente enganada. – Falou Isaura.
– E você era parte do plano delas e caiu como um patinho. Isso faz com que não tenha nenhum direito de ficar me criticando.
– Mas eu não estou te criticando, querida. – Ao falar isso, de forma involuntária, Otávio levou as mãos e fez um carinho no rosto de Isaura que não recuou. Em vez disso, ela segurou a mão dele, deu um beijinho na palma e a colocou sobre sua perna, colocando a dela por cima.
O casal permaneceu em silêncio se olhando até que Otávio perguntou:
– E depois. A Taís parou de te provocar, mas o que aconteceu depois?
– Durante esses vinte dias, nada. Eu fiquei aliviada com o fato de ela parar de me provocar e baixei a guarda. Então chegou o dia de ontem, a Viviane partiu para a praia e fiquei sozinha em casa, cuidando das minhas coisas e arrumando uma coisa aqui outra ali até que, quando estava perto de anoitecer, resolvei ir tomar um banho. Olha só que infeliz coincidência. Quando já ia entrar debaixo do chuveiro a campainha tocou daquele jeito que só a Taís faz. Você sabe como é, não sabe? Você vivia reclamando disso!
– Sei. Ela tem a mania de esquecer o dedo no botão e não tira até que alguém abra a porta.
– Pois é. Com isso eu já sabia que era ela. Cobri meu corpo com uma toalha e desci com a intenção de mandá-la embora. Só que não tive chance, mal destranquei a porta ela empurrou a mesma e entrou em casa como um furacão, perguntando pela Taís. Na hora até fiquei surpresa, pois ela sabia que a Viviane não estava. Só que, quando fui falar isso, já era tarde demais. Imagine eu ali, com uma toalha que mal cobria minha nudez e ela, na metade da escada me olhando como um gato olha para o rato depois de aprisiona-lo. Todos os meus temores, e pior que isso, meus tremores, voltaram imediatamente.
Nesse ponto da narrativa, a voz de Isaura ficou mais aguda, como se ela estivesse prestes a chorar e, sem conseguir falar mais nada, se calou, o que fez com que Otávio perguntasse:
– E aí você cedeu.
Com lágrimas escorrendo de seus olhos, Isaura assentiu com um movimento de cabeça e Otávio fez a pergunta que não devia:
– E vocês transaram?
Foi o que bastava para a mulher desabar. Sem conseguir resistir, ela se abraçou ao ex marido enquanto pedia perdão. Todas as lembranças da tórrida noite de amor com Taís povoavam sua mente e seu corpo fervia e, sem que ela pensasse nas consequências e sem dar tempo para Otávio evitar, ela o beijou na boca.
Otávio ficou estático e sem reação. Sentiu a língua de Isaura forçando passagem para dentro da sua e não facilitou, mas também não fez nada para evitar. Isaura sentiu a reação fria dele e se afastou enquanto pedia desculpas:
– Perdão. Não sei o que aconteceu comigo. Por favor, não conte isso para a Viviane.
Otávio não falou nada e apenas ficou encarando Isaura tentando entender aquela nova expressão que ela trazia no rosto, com um brilho diferente nos olhos. Coisa que ele nunca tinha percebido em dezoito anos de casamento. Isaura foi sendo dominada por aquele olhar intenso e, com um sorriso tímido nos lábios, perguntou:
– O que foi? Já pedi desculpas.
– Não é isso, é que você está diferente. – Falou Otávio sem desviar os olhos dela.
– Diferente como?
– Não sei. Você está me parecendo mais mulher. Desculpe, o que quero dizer é que você está mais fêmea e menos esposa. Menos mãe.
– E?
– E eu estou adorando isso.
Ao dizer isso, Otávio foi baixando seu rosto em direção ao de Isaura e suas bocas se encontraram. Não foi um beijo que começou calmo. Já no primeiro contato suas bocas se abriram e suas línguas começaram uma luta para dominarem o espaço na boca do outro. Suas mãos, como se tivessem adquirido vida própria, tentavam livrar o outro de suas roupas.
Tecidos foram rasgados. Botões arrancados e disparados para longe. Zíper arrebentado e em questão de segundos estavam ambos nus sem que as bocas se desgrudassem. Quando não restava mais nenhuma peça de roupa para ser retirada, as mãos não ficaram paradas. Em vez disso, buscavam por contatos nas partes íntimas um do outro. O pau de Otávio, que já estava duro desde que Isaura começou a contar as ações de Taís para seduzir à Isaura, foi seguro por ela que o apertou com a pressão correta. Ao mesmo tempo, os dedos dele procuravam pela abertura da xoxotinha da mulher e começou uma brusca invasão. Um gemido estranho e sonoro ecoou na sala porque os dois gemeram ao mesmo tempo.
Do lado de fora, por uma festa da janela, Taís e Viviane assistiam a cena que se desenvolvia na sala. Quando ouviram o gemido dos dois amantes, elas aprumaram o corpo e levantaram suas mãos e bateram com uma na outra, como os atletas normalmente fazem quando comemoram um ponto.
O plano delas para fazerem com que Otávio e Isaura reatassem o casamento podia não ser perfeito, mas não havia dúvida que ali havia o amor e isso contribuiu para o sucesso do plano das garotas. Em suas mentes de adolescentes, elas não conseguiram ter a exata dimensão do risco que correram ao colocarem aquela maluquice em andamento.