Ficamos nos olhando, os olhos grudados um no outro, sentindo a respiração quente se misturar no ar abafado da barraca. O tecido fino deixava passar um sopro leve de vento lá fora, mas ali dentro o calor era denso. O cheiro de sexo já impregnava o espaço fechado, misturado ao perfume suave do edredom amarrotado debaixo dos nossos corpos. A lona rangia discretamente quando nos mexíamos, e as sombras frágeis da luz da lua filtrada desenhavam contornos no teto da barraca.
Ela ainda estava ofegante quando comecei a pincelar a cabeça do meu pau na entrada da buceta dela. A pele continuava arrepiada, e o corpo tremia em pequenos espasmos por causa do orgasmo de minutos atrás. A buceta estava molhada, mistura do gozo dela com a minha saliva, escorrendo quente e úmida. Encostei firme na entrada e não precisei de esforço algum — meu pau foi deslizando devagar, até estar todo enterrado dentro.
Parei com o pau todo dentro dela só para sentir seu corpo tremer sob meu toque. Nossas bocas se encontraram num beijo urgente, quase desesperado. Minhas mãos seguravam seu rosto, nossas línguas se enrolavam e se sugavam, mordendo lábios com intensidade, como se quiséssemos arrancar o ar um do outro. Ainda a beijando, comecei o vai-e-vem lento, sentindo sua buceta quente e apertada envolver meu pau a cada estocada, enquanto uma onda elétrica subia pela minha pele, me arrepiando inteiro.
Travei de novo, enterrado até o fundo. Ela arqueava a cintura contra mim, pedindo mais, querendo tudo. Parei o beijo e fiquei olhando dentro dos olhos dela. Comecei a meter mais rápido, e logo a respiração dela virou suspiros e gemidos mais altos. Tapei a boca dela com a mão, enquanto acelerava ainda mais. A pele dela estava em brasa, e os dedos dela agarravam o edredom com força.
— Isso, não para! — ela murmurava contra minha mão.
— Tá gostando, sua safada?
— Sim... não para!
Parei de repente. Olhei com um sorriso safado, no controle. O olhar dela voltou em mim com desejo e desespero, ânsia pura.
— Quer que eu continue? Então implora... — falei num tom baixo, provocando.
Ela mordeu os lábios e respondeu com raiva e tesão:
— Continua, porra! Não vou implorar nem fodendo!
— É? Então não vou continuar.
Tentei segurar o corpo dela. Ela jogava a cintura contra mim, se remexendo debaixo, mas prendi firme, usando meu peso para dominá-la. Olhei dentro dos olhos dela e vi o brilho da rendição chegando.
— Tá... tá... me come, caralho! Me come, por favor! — ela implorou, quebrada de desejo.
— Viu? Não doeu, né? — soltei com um sorriso satisfeito.
Voltei a meter fundo na buceta dela. Primeiro devagar, saboreando, depois mais rápido, mais forte. Ela tirou as mãos do edredom e agarrou minha cintura, puxando meu corpo contra o dela, como se quisesse mandar no ritmo. A cada investida, as unhas dela cravavam nas minhas nádegas, me arrancando arrepios.
A buceta dela começou a pulsar em volta do meu pau, apertando, sugando, e eu sentia cada contração como se fosse um choque quente percorrendo meu corpo. Ela mordia a minha mão tentando abafar os gemidos, mas mesmo assim alguns escapavam, roucos, desesperados.
Acelerei ainda mais, sentindo o som molhado das nossas peles batendo, o ar abafado da barraca ficando pesado, carregado de gemidos e respirações curtas. O corpo dela arqueava embaixo do meu, as pernas me envolvendo com força, prendendo meu quadril, como se quisesse me manter ali, fundo, sem deixar eu sair.
— Vai... vai... assim... não para... — ela murmurava entre dentes, com a voz embargada de tesão.
Segurei seus pulsos acima da cabeça, prendendo-a contra o edredom , enquanto metia fundo, cada vez mais rápido. O olhar dela me queimava, perdido entre prazer e desespero. Então senti de novo: a buceta dela latejando forte, cada contração mais intensa que a outra.
Ela tentou gritar, mas minha mão abafou, e o som virou um gemido sufocado, vibrando contra a palma da minha mão. O corpo inteiro dela tremeu, uma onda atravessando da barriga até as pernas. Ela se contorceu, arranhando minhas costas com a ponta das unhas, e o orgasmo explodiu de dentro dela, longo, profundo, fazendo meu pau ser engolido por espasmos quentes.
Mantive o ritmo forte até sentir o último tremor sacudir o corpo dela, até as pernas cederem, molinhas, ainda me apertando. Só então aliviei a força, mas continuei dentro, olhando para ela, sentindo cada resquício do prazer dela vibrar contra mim.
Com o corpo ainda tremendo e ofegante, ela voltou a envolver meus quadris com as pernas, tirou meu pau de dentro dela e, num ato rápido e impulsivo, me virou, ficando por cima e assumindo o controle da situação. Ela chegou bem perto de mim; senti sua respiração quente, o hálito tocando meu rosto, a ponta do nariz encostando na minha.
— Agora é eu que mando — disse, os olhos faiscando uma mistura de vingança e tesão, brilhando como se quisessem me desafiar e me consumir ao mesmo tempo. Um arrepio percorreu minha espinha só de sentir a intensidade daquele olhar.
— Faz o que você quiser de mim, sua cachorra. — respondi, segurando firme o olhar dela, notando a mesma chama de tesão e desafio, provocando um calor que subia da minha barriga até o peito.
— É? Ah, é… você vai se arrepender disso. — o olhar dela carregava vingança e tesão, e havia algo ali, quase palpável, que dizia: “agora você vai pagar”. Meu corpo respondeu com um tremor involuntário.
— Faça o seu melhor. — falei, olhando firme e desafiador, sentindo cada fio de cabelo da nuca se arrepiar, como se o próprio olhar dela provocasse eletricidade em mim.
— Não faz isso, tonto, você não vai aguentar. — falou, com fome e malícia nos olhos, e eu senti meu corpo reagir instintivamente, já antecipando o que viria.
Não falei nada; apenas olhei para ela, rendido, os olhos pesados de entrega, implorando por mais, cada centímetro do meu corpo vibrando com a tensão que ela provocava.
Ela começou a me beijar, urgente, quase bruta, mordendo meus lábios e língua, aumentando gradualmente a intensidade. Com uma das mãos, segurou meu pau, colocou na entrada da sua buceta e jogou o corpo contra o meu, entrando de uma vez. Uma onda elétrica percorreu meu corpo, cada pelo arrepiando, a mistura de dor e prazer me deixando quase alucinado. Ela mordeu meu lábio mais forte, e senti um leve gosto de sangue que só aumentou meu tesão, disparando mais arrepios.
Ela se levantou e começou a cavalgar, acelerando devagar, depois mais rápido, revezando cavalgadas e reboladas. Cada movimento despertava gemidos involuntários, mas abafados, tentávamos controlar o som dentro da barraca; meu corpo respondia com tremores, como se pequenas descargas elétricas passassem por cada músculo, cada contração me deixando mais sensível.
Tentei deslizar a mão pela cintura dela, querendo sentir mais da pele quente, mas fui surpreendido por um tapa estalado no rosto. A palma dela ardeu na minha pele, espalhando um calor que se misturou ao tesão. O choque me fez arfar, e por um segundo fiquei entre o prazer e a provocação, sentindo o sangue pulsar no rosto enquanto o olhar dela me queimava ainda mais do que o tapa.
— Tira a mão… eu que comando. — A voz dela saiu baixa, firme, carregada de prazer e autoridade. O olhar fixo tinha um brilho faminto, como se devorasse cada movimento meu; os lábios se curvaram num quase sorriso que não era de carinho, mas de desafio. A maneira como ela me fitava não deixava dúvida: estava no controle, e queria me fazer sentir isso na pele.
O prazer me atravessava inteiro, avassalador, queimando em cada nervo. Me entreguei sem resistência, o olhar perdido nela, suplicante, como se não houvesse mais escolha além de me deixar levar. O corpo pedia mais, mesmo no limite do silêncio. Os músculos estavam tensos, cada fibra vibrava como se prestes a explodir, e a sensação de perder o controle só aumentava o tesão. Tudo isso enquanto tentávamos conter gemidos e respirações ofegantes, abafando o som para que ninguém nas barracas ao lado desconfiasse do que acontecia.
Ela percebeu minha entrega e me fitou com um sorriso que queimava de controle e provocação, os olhos brilhando enquanto saboreava cada momento em que me fazia ceder.
— Posso pegar um pouco mais pesado? — perguntou, o olhar queimando de intensidade, os olhos fixos em mim como se quisessem me devorar, cada centímetro da expressão dela eletrizando meus sentidos.
— Faça o que quiser de mim — murmurei, o olhar rendido, quase implorando por cada toque, o corpo tremendo, cada respiração acelerando e
cada contração se intensificando silenciosamente.
Ela me deu outro tapa, seco e potente, estalando contra minha pele com força que me atravessou inteiro. Um arrepio quente percorreu cada nervo, arrancando de mim um gemido abafado, quase impossível de conter. O impacto reverberava pelo meu peito, pelos braços, até a ponta dos dedos, cada fibra do meu corpo vibrando sob o comando dela.
O olhar dela era predatório, devorador, queimando minha mente e meu corpo ao mesmo tempo, cada gesto seu transmitindo controle absoluto. Tremia involuntariamente, respirações curtas e ofegantes escapando sem que eu pudesse segurar, cada músculo tenso, cada sensação de dor misturada a prazer me consumindo. Eu me entregava totalmente, eletrizado, incapaz de resistir à intensidade que ela ditava.
Ela pegou minha mão e a levou aos seios dela, encaixando meus dedos nos contornos quentes e sensíveis. Seus olhos me queimavam, cheios de fome e provocação, e ela disse:
— Conforme eu for apertando em você, você vai apertando em mim na mesma força, entendeu?
Comecei a pressionar, e o choque da intensidade me atravessou. Cada centímetro do toque dela reverberava pelo meu peito, subindo pelos músculos, percorrendo nervos, fazendo minha pele formigar e os pelos se arrepiarem. A respiração ficou curta, o coração disparado, e eu sentia cada fibra do meu corpo vibrando com a força dela, cada aperto transmitindo uma mistura de fome e comando que me queimava por dentro.
Ela apertava com fome, firme, e eu obedecia, espelhando a força nos seios dela, sentindo cada impacto reverberar pelo meu corpo como eletricidade pura. A cada arqueada dela, cada tremor contido, meu corpo reagia automaticamente: músculos se contraíam, a respiração se entrecortava, e um arrepio intenso subia do peito até a nuca, deixando a pele sensível e pulsante.
Eu percebia cada detalhe dela: o peito subindo e descendo acelerado, os gemidos abafados escapando entre os lábios, a testa franzida pelo prazer intenso, a pele brilhando de suor, cada arqueada sutil do corpo dela me incendiando ainda mais. Era como se cada reação dela fosse um comando silencioso, me guiando, ditando o ritmo do meu prazer.
Ela apertava mais forte, e eu tentei responder na mesma intensidade, mas a dor queimarava em cada fibra do meu peito, cada aperto quase me paralisando. Meu corpo vibrava com prazer, mas cada pressão dela parecia atravessar os músculos, provocando uma mistura brutal de dor e excitação que me deixava tonto, respirando de forma curta e irregular.
Por um instante, vacilei, sentindo meu aperto falhar, a força quase me abandonando. Mas o olhar dela — penetrante, feroz, exigente — me fez reagir de imediato. Percebi cada arqueada do corpo dela, cada gemido contido, os olhos semicerrados de prazer intenso, e meu próprio corpo respondeu sozinho, pulsando, tremendo, tentando se adaptar à intensidade do toque dela.
Cada microação me consumia: o tremor involuntário das mãos, os músculos contraindo e relaxando de forma compulsiva, a respiração entrecortada saindo em suspiros curtos, cada arrepio correndo da palma da mão até a nuca. O calor queimava por dentro, cada toque dela reverberava pelo meu peito, cada gesto seu amplificando minha excitação, e ao mesmo tempo a dor me fazia estremecer, quase me deixando sem controle.
Ela percebeu minha pequena hesitação e arqueou o corpo, apertando ainda mais, com fome e comando. Meu peito doía demais, mas o prazer era tão intenso que cada impacto me consumia por inteiro. Eu apertava de volta, tentando espelhar sua força, mesmo sentindo cada fibra do meu corpo pulsar com a mistura de dor e prazer, ondas subindo do peito até a cabeça, eletricidade e calor queimando em cada nervo.
— Mais forte — ordenou, os olhos ardendo de intensidade, e eu obedecia, sentindo descargas violentas percorrerem meu corpo a cada aperto, músculos tensos, respiração ofegante, coração batendo como se fosse explodir, cada toque me levando mais perto do limite do prazer.
— Mais forte, caralho! — gritou baixinho, e meu corpo respondeu instantaneamente, ondas de prazer subindo do peito até a cabeça, cada arrepio intenso, cada contração involuntária me consumindo, enquanto tentava abafar os sons mordendo o lábio. O calor, a tensão, a eletricidade entre nós eram quase insuportáveis, e cada reação dela — o corpo arqueando, gemidos contidos, olhos semicerrados — só fazia meu desejo explodir mais forte, cada toque, cada aperto, cada microação nos levando a um êxtase brutal, irresistível.
O orgasmo começou a subir, explosivo e avassalador, cada contração marcada por tremores involuntários, pulsos e arrepios que percorriam todo meu corpo, me deixando tonto de prazer. Ela apertava meus mamilos com fome e intensidade, e eu respondia apertando os dela, sentindo cada toque reverberar pelo meu peito, cada músculo tenso vibrando em sintonia com o dela.
Meu gozo jorrou quente, intenso, pulsando do peito até o estômago, cada fibra do meu corpo reagindo como se fosse conduzida por ondas elétricas, e ao mesmo tempo eu observava cada reação dela: o peito subindo e descendo rápido, os olhos semicerrados, a respiração curta e ofegante, cada microcontração dela refletindo o êxtase que me consumia.
Ela veio junto, arqueando o corpo, cada músculo tenso, cada gemido contido escapando entre os lábios, e eu sentia seu orgasmo percorrer cada fibra do corpo dela, cada reação amplificando a minha própria explosão de prazer. Meus pulsos, tremores e respiração se misturavam aos dela, criando uma sinfonia silenciosa de prazer brutal e contido, cada toque, cada aperto, cada arqueada nos levando ao ápice de uma intensidade quase insuportável.
Ela permaneceu por cima de mim, ofegante, nossas respirações se misturando. Ficamos nos encarando em silêncio, nossos olhares presos um no outro, carregados de desejo e exaustão. Não demorou para seus olhos irem se fechando devagar, até que ela adormeceu ali mesmo, deitada no meu peito, com o meu pau ainda dentro dela. Tirei-o com cuidado, deslizando para o lado sem acordá-la. Virei meu corpo, puxei Karina para junto de mim e a deixei dormir colada, coberta pela manta que puxei até nossos ombros.
Fiquei observando seu rosto sereno, o jeito como seus lábios se entreabriam suavemente a cada respiração, até que também fui me entregando ao sono. O mundo ainda estava envolto em silêncio, e o ar fresco entrava pela barraca trazendo aquela sensação de calma e segredo.
Não sei quanto tempo passou, mas fui despertado pelo som do zíper da barraca se abrindo. Acordei assustado e, ao erguer os olhos, vi Letícia com um sorriso travesso no rosto. A luz suave da madrugada entrava pela abertura, e só então percebi que eram entre 4h e 5h da manhã. O céu começava a clarear aos poucos, em tons azul-escuro com nuances alaranjadas no horizonte, embora a luz do sol ainda não tivesse surgido.
— Oi, lindinhos. Bom dia… tá na hora de acordar. — disse Letícia, com a voz baixa, mas carregada de malícia.
Karina também despertou, e nós dois ficamos olhando para a cara de Letícia, que nos observava com um olhar safado, como se dissesse sem palavras: “Eu sei muito bem o que vocês estavam fazendo… e adorei ver isso.”
— Ah, Letícia… tô com sono. Deixa eu dormir mais um pouquinho — murmurou Karina, puxando a coberta.
— Nem pensar, amiga. Você sabe como o Caio é, ele já avisou: vamos sair daqui meia hora. Levantem logo.
— Você é muito chata, sabia? — resmungou Karina, rindo de canto.
— Chata não, meu bem. Se você tivesse só dormido, não estaria assim com sono pesado.
— Nós dormimos! — retrucou Karina.
Letícia arqueou a sobrancelha, rindo. — Dormiram, é? Tá bom… mas fizeram outras coisinhas antes, né?
— Claro que não, menina! Nós dormimos — insistiu Karina, tentando disfarçar.
— Amiga, não adianta mentir. A minha barraca é lá do outro lado e eu ouvi tudinho.
— Ouviu? — perguntei, arregalando os olhos, sentindo meu corpo inteiro esquentar de vergonha.
— Sim, colega. Se eu ouvi lá do outro lado, imagina as meninas que dormiram aqui, coladas na barraca de vocês.
Não havia mais o que dizer. Saí da barraca, ainda sentindo meu rosto queimando de vergonha, cada passo pesado pelo constrangimento que me consumia, e fomos recebidos pelo cheiro marcante de café recém-passado, forte, quente, com aquele aroma que se espalhava pelo ar úmido da manhã. Misturava-se com o frescor da mata, trazendo uma sensação reconfortante, quase irresistível, mas não suficiente para apagar o rubor que insistia em permanecer no meu peito.
Enquanto colocávamos as roupas, Letícia falou animada: — Coloca um tênis, colega. Nós vamos fazer uma trilha.
— O quê? Trilha? Nem fodendo… — falei, balançando a cabeça em negativa, já arrependido só de imaginar.
— Larga de ser chato, tonto — retrucou Karina, rindo.
— É, colega, vamos! Vai ser bom — completou Letícia, tentando me convencer.
— Vocês tão malucas… com esse meu físico, fazer trilha? — falei, ainda tentando resistir.
— Ai, tonto… larga de ser bobo. Eu também sou gordinha e consigo. — respondeu Karina, cruzando os braços com firmeza.
Aos poucos, todos começaram a pegar as mochilas, arrumando as coisas. Eu ainda tentava achar desculpas, mas as duas ficaram me cercando, rindo, provocando, até que não teve mais jeito. Suspirei, derrotado, e me rendi: — Tá bom… eu vou.
Levantei um pouco emburrado e fui atrás delas. As duas seguiam na frente, rindo e conversando animadas, enquanto eu vinha um pouco mais atrás, arrastando os pés. Até que chegamos ao pé de um morro. O resto da galera já estava bem mais à frente, quando ouvimos a voz de Caio ecoando lá de cima:
— Ei, vocês três aí! Sobe logo, senão vão ficar para trás e se perder!
Letícia ergueu o rosto e respondeu gritando de baixo, num tom debochado:
— De boa, Caio! Pode ir na frente, essa trilha eu conheço… não vamos nos perder.
Ela revirou os olhos, cruzando os braços, e soltou, num olhar de desprezo brincalhão — não pesado, mas daqueles que misturam graça e impaciência:
— Nossa, esse Caio é muito chato. Não sei como você fica com ele, Karina.
— Ah, você fica com ele? — falei surpreso, erguendo as sobrancelhas. — Então foi por isso que ele me olhou torto quando saímos da barraca.
Karina riu de leve, coçando a nuca:
— Ai, fiquei com ele umas vezes… mas ele é muito grudento.
— Fora que as meninas dizem que ele é ruim de cama — completou Letícia, soltando uma risadinha sarrista, daquele jeito maldoso mas divertido. — Agora vamos, pra não ficarmos muito para trás. Ele é chato, mas dessa vez tem razão.
Respirei fundo, preparando o corpo para começar a subida. O início do morro ainda era tranquilo, mais reto, mas logo foi ficando íngreme. Quando demos uns trinta passos, minhas pernas já ardiam. Parei ofegante, encostando as mãos nos joelhos. Karina olhou para trás e riu baixinho. Letícia, então, se aproximou, me encarou de leve e, sem falar nada, pegou na minha mão.
No instante em que sua pele encostou na minha, um arrepio subiu pelo meu braço. Não era romantismo, não tinha nada de clima apaixonado… era pura reação de pele, choque de energia, um contato que fez meu corpo despertar de repente. Pelo jeito que ela também me olhou de canto — rápido, mas intenso — percebi que ela tinha sentido o mesmo. O olhar dela carregava uma faísca de algo indefinido, meio provocação, meio surpresa.
Ela apertou minha mão suavemente e falou num tom baixo, firme, com um olhar que transmitia cuidado, mas não do tipo meloso — era atenção, uma ternura prática, quase maternal:
— Quando cansar, me avisa. A gente para um pouco.
— Cansado eu já tô — respondi, ainda arfando, mas deixando escapar um sorriso de canto.
Ela retribuiu o sorriso rápido, e seguimos devagar. O chão foi mudando; chegamos a uma parte onde a terra estava úmida, coberta pelo orvalho da noite. O barro grudava na sola do tênis, e a cada passo meus pés afundavam levemente, deixando marcas. O ar estava mais pesado, fresco, e minhas pernas já pareciam de chumbo.
Depois de alguns passos arrastados, não aguentei mais. Encostei numa árvore grossa, respirando fundo, o peito subindo e descendo em ritmo acelerado.
Letícia parou do meu lado, enquanto Karina ficou um pouco mais acima, rindo da situação.
— Porra… desisto — falei, tentando recuperar o fôlego. — Pode ir, senão vou atrasar vocês. Não quero atrapalhar.
Letícia balançou a cabeça, firme:
— Não, de boa. Você não tá atrapalhando nada. Não vou deixar ninguém para trás. Quando chegar lá em cima vai valer a pena, você vai ver.
Karina olhou para nós, com as mãos apoiadas no quadril e o rosto iluminado pelo esforço. Gritou de cima, com um sorriso safado e divertido estampado no rosto:
— Bora, tonto! Você vai se arrepender se não for… lá em cima é muito lindoooo. — Ela me olhou com olhar safado e continuou — para fazer outras coisinhas: você não cansa, né?
— Claro que não — respondi, sem pensar muito, mas ainda arfando.
Quando olhei para o lado, Letícia me encarava. O olhar dela não era só normal… havia algo curioso ali, como se estivesse tentando descobrir segredos escondidos, como se lesse por trás das minhas respostas. Um brilho de interesse, quase investigativo, mas acompanhado de um sorriso leve nos cantos da boca. O tipo de olhar que mexe, que atravessa e cutuca fundo.
Percebi esse olhar dela e encarei de volta. Ficamos assim, num silêncio pesado de sentidos, trocando um jogo mudo de intenções, até que a voz de Karina cortou o ar mais uma vez:
— Bora, tonto! Se você subir, à noite eu te dou uma recompensa!
Ela falou com aquela cara safada que sabia muito bem como me deixar maluco. Suspirei fundo, revirei os olhos e, sorrindo, respondi:
— Boraaaaa!
Dei uma piscadinha para Karina, mas logo voltei a encarar Letícia. Ela não desviou. Continuava com aquele mesmo olhar curioso, provocador, meio brincando, meio me investigando.
— Agora você vai, né? — disse, arqueando uma sobrancelha.
Voltamos a subir, devagar, como antes. Às vezes, quando meu cansaço ficava visível, Letícia vinha silenciosa e pegava de novo na minha mão. O arrepio voltava, instantâneo, como se a pele lembrasse do choque da primeira vez. Não tinha nada de romântico, mas era intenso, físico, inevitável. E percebi, pelo jeito como ela apertava e pela rápida troca de olhares, que ela também sentia o mesmo.
Não conversávamos, mas os olhares falavam. Havia desejo, claro, estampado nos olhos de ambos, mas não era um peso. Era leve, divertido, quase cúmplice — como se estivéssemos dividindo um segredo só nosso no meio daquela subida.
Depois de mais algumas paradas, chegamos ao topo, ainda antes do nascer completo do sol, aproximadamente por volta das 6h10 da manhã. E ali, ofegante, pernas tremendo, eu sentei numa pedra e fiquei simplesmente paralisado pelo que vi. O horizonte ainda carregava os restos da madrugada, mas o céu começava a se abrir em tons que iam do laranja profundo ao dourado suave. O sol rasgava o limite das montanhas, primeiro tímido, depois se expandindo, espalhando luz pelo vale e pintando as copas das árvores com um brilho dourado. O vento soprava fresco, carregando o cheiro úmido da mata, e o calor suave dos primeiros raios me tocava o rosto.
Eu não disse nada. Nem para Letícia, nem para Karina. Mas dentro de mim, silencioso, reconheci: elas tinham razão. Só aquilo já valia a pena.
Letícia se aproximou, encostando de leve o cotovelo no meu ombro, e me fitou com aquele sorriso cúmplice, meio provocador.
— Viu? Não falei que ia valer a pena.
— Tá… confesso, é bonito… mas não vou dizer que valeu cada passo — falei, tentando soar indiferente, cruzando os braços e desviando o olhar. Por fora, mantinha a pose, mas por dentro, cada esforço na subida, cada curva da trilha, realmente tinha valido a pena.
O sol nascia devagar, espalhando raios dourados que atravessavam os galhos e se infiltravam pelas frestas das pedras, tingindo o chão de tons quentes e suaves. Estendemos o pano no chão, e todos se acomodaram para o café da manhã. Cada gole de café queimava levemente a língua, despertando os sentidos, e o aroma da terra úmida se misturava com o perfume fresco do mato e da brisa leve que soprava do vale. Cada fatia de pão parecia mais saborosa, cada pedaço de fruta mais doce e refrescante.
O vento acariciava o rosto e os braços expostos, provocando pequenos arrepios, enquanto o calor do sol equilibrava aquela sensação com suavidade. Eu me sentia completamente presente naquele instante, absorvendo cada detalhe: o brilho do sol sobre o cabelo de Letícia, a textura áspera do pano sob minhas mãos, o gosto reconfortante do café, a sensação de calma que se espalhava pelo corpo.
Por dentro, meu peito se aquecia. Eu não queria admitir, mas aquela vista, aquele cheiro, aquele silêncio quase absoluto e aquela luz dourada realmente me faziam sentir que cada esforço até ali tinha valido a pena. Por fora, continuava mantendo a pose, mas meu coração não mentia.
Após o café, seguimos pela trilha. Karina e o grupo estavam alguns metros à frente, deixando eu e Letícia atrás, mergulhados em um silêncio quase ritual. A trilha serpenteava entre árvores e pedras, e o chão de terra úmida rangia suavemente a cada passo. O cheiro do mato fresco se misturava à brisa leve, provocando pequenos arrepios nos braços e no pescoço.
Letícia segurou minha mão por um instante, apenas o suficiente para que nossos dedos se entrelaçassem brevemente. Depois soltou, sorrindo de leve. Cada toque, mesmo pequeno, enviava calor pelo corpo. Nossos olhares se encontravam com frequência, carregados de curiosidade e cumplicidade, e havia uma tensão crescente, lenta e silenciosa, que parecia se espalhar no ar ao redor.
O sol filtrava seus raios por entre as copas das árvores, formando mosaicos de luz que dançavam sobre o chão, iluminando nossas roupas e pele com tons dourados. À medida que subíamos, o esforço da caminhada aumentava, mas também intensificava a sensação de proximidade. Cada sopro de vento que movia os cabelos de Letícia, cada leve encostar de seu braço no meu, cada ajuste de mochila que fazia nossas mãos se roçarem, tudo contribuía para uma tensão íntima crescente, sem pressa.
O silêncio da trilha, quebrado apenas pelo ranger sutil do solo e pelo canto distante de pássaros, nos envolvia. Era como se o mundo inteiro tivesse se resumido àqueles metros de terra e pedra, à nossa respiração compartilhada, ao calor contido dos toques e à presença silenciosa um do outro. Cada curva aumentava a expectativa pelo que viria, mas nada acontecia além de olhares e gestos discretos.
Enquanto caminhávamos lado a lado, aquela tensão permanecia pulsando entre nós. A proximidade, o toque leve das mãos, o calor de nossos corpos sugeria algo, sem que nada se concretizasse, e naquele silêncio compartilhado havia uma sensação que parecia suspensa no ar, prestes a se transformar a qualquer momento, mas ainda assim permanecia contida.O caminho se estreitou até que, por fim, a vegetação se abriu diante de uma entrada de pedra úmida e coberta por musgos. O ar ali já vinha mais frio, carregado de umidade. Ficamos parados por um instante, observando o vão da gruta, como se fosse a boca de um segredo guardado há séculos.
— Nossa… — murmurei, olhando ao redor. — É tão lindo, mas estranho não ter ninguém aqui. Um lugar desses devia estar cheio de gente.
Letícia aproximou-se, sorrindo de canto.
— Não está cheio porque é particular. Essa gruta fica dentro de uma fazenda, e quase ninguém sabe dela. O Caio só conhece porque o pai dele trabalha pro dono daqui.
Antes que eu pudesse responder, Caio levantou a mão, pedindo atenção.
— Pessoal, só um aviso. Aqui dentro não falem alto. O som ecoa muito, e até pode soltar uns pedacinhos de pedra. E nada de entrar na água. Além de ser bem fria e funda, meu pai sempre falou que mexer nela estraga a transparência. Vamos só olhar, beleza?
Seguimos em silêncio, e logo que avançamos alguns metros, o ar gelado da gruta nos envolveu. Do alto, pequenas aberturas deixavam a luz entrar em feixes dourados, que atravessavam o vazio até tocar a superfície da água parada. O lago subterrâneo parecia feito de cristal líquido. Era tão transparente que revelava o fundo irregular, como se estivéssemos olhando através de vidro. Cada raio de sol refletia em mil brilhos, e as paredes úmidas ganhavam um tom azulado, mágico, quase irreal.
O silêncio ali dentro era pesado, mas acolhedor, envolvendo cada canto com uma calma quase sagrada, quebrado apenas pelo gotejar distante. Ficamos alguns minutos contemplando, respirando devagar, como se falar alto pudesse profanar aquela paz. Letícia, ao meu lado, entrelaçou os dedos nos meus por um instante — gesto rápido, quase imperceptível, mas que fez meu peito acelerar, misturando conforto e tensão de uma forma deliciosa.
Depois de algum tempo, Caio apontou para uma fenda estreita na parede da gruta.
— Tá vendo ali? É por onde essa água segue. Ela corre por dentro da montanha e sai lá embaixo, já do lado de fora.
E, de fato, quando descemos mais um pouco pela trilha lateral, encontramos a saída natural da nascente. A água brotava de dentro da pedra e se alargava até formar um lago aberto, banhado pelo sol. Ali o ambiente era outro: em vez do silêncio sagrado da gruta, havia o som de pássaros, o farfalhar do vento nas árvores e o brilho do céu refletindo na superfície.
A cor da água permanecia a mesma — cristalina, de um tom quase azul. Só que agora, com a luz plena do dia, era possível ver pequenos peixes atravessando em cardumes rápidos, desviando das sombras e voltando a se mostrar logo depois. De onde estávamos, dava para ver eles passando rente às margens, próximos às pedras lisas. O contraste era impressionante: do lado de dentro, um lago intocado e silencioso; do lado de fora, um lago vivo, aberto, que convidava à proximidade.
Ficamos alguns minutos observando, absorvendo a beleza daquilo, como se fosse um segredo que não deveria ser contado.
Caio se aproximou da beira do lago externo, jogou uma pedra pequena na água e observou os círculos se espalhando. Depois virou-se para a gente com um sorriso.
— Aqui não tem problema. Se quiserem entrar, podem. Essa parte já é aberta, a água segue corrente abaixo.
O grupo se animou de imediato, mas eu hesitei. Sempre tive certo receio com água funda e, como não sabia nadar direito, fiquei parado um pouco na margem. Foi então que Letícia voltou até mim, pegou na minha mão e disse baixinho:
— Vem, eu te ajudo.
Seu toque firme me deu coragem. Entramos juntos, passo a passo, sentindo o frio subir pelas pernas e arrepiar a pele até que o corpo todo mergulhou. Ela não soltou minha mão até eu me acostumar. A água era tão clara que, mesmo já dentro, conseguíamos ver os pés no fundo de pedrinhas lisas.
De vez em quando, pequenos peixes passavam rente à pele, rápidos, quase brincando de desviar da gente. Um deles chegou a roçar na minha perna, me arrancando uma risada nervosa. O sol refletia na superfície e fazia tudo cintilar, como se estivéssemos dentro de um espelho vivo.
Ficamos ali por horas, mergulhando, nadando de uma margem a outra, deixando o corpo boiar em silêncio. O tempo parecia parar. Não havia sinal de estrada, nem vozes estranhas, só a gente, o som dos pássaros e o brilho da água.
Quando nos cansávamos, deitávamos na grama aquecida do lado de fora, deixando o sol secar a pele, antes de voltar para a água de novo. Foi assim, entre mergulhos, risadas e momentos de silêncio, que o dia se desenrolou inteiro, como se aquele lago tivesse nos engolido em seu segredo.
No fim, ao olhar em volta, percebi que talvez nunca mais estivéssemos em um lugar tão escondido e perfeito como aquele. E foi com essa sensação que guardamos a lembrança, como quem leva no bolso um pedaço raro de tempo.
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