Na Calmaria do Controle - CAP 01

Um conto erótico de LAW
Categoria: Gay
Contém 1275 palavras
Data: 29/08/2025 11:57:18
Assuntos: Gay

Meu nome é Marcos. Sempre fui do tipo mais retraído e tímido, daqueles que preferem a companhia dos livros ao barulho das conversas vazias. Desde cedo, aprendi que o silêncio podia ser um refúgio e, talvez por isso, sempre me dediquei aos estudos. Na escola, era visto como um aluno exemplar — notas altas, comportamento impecável.

Sou filho único e cresci apenas com minha mãe. Ela sempre foi meu porto seguro, a mulher que sustentou nossa pequena família com muito esforço e dedicação. Meus pais se divorciaram quando eu ainda era um bebê. Meu pai? Nunca esteve presente, nunca tentou me procurar, nunca assumiu o que chamam de “papel de pai”. Mas, para ser sincero, isso nunca me fez falta.

Meus dias costumavam ser bem tranquilos: escola de manhã, videogame à tarde. Essa era minha rotina, e eu me sentia confortável com ela. Minha relação com a minha mãe sempre foi muito madura. Nunca criei caso com as escolhas dela, muito menos com a decisão de seguir em frente depois do divórcio.

Luiz apareceu assim, de repente, mas me surpreendeu de um jeito bom. Ele é médico, mora numa cidade vizinha e sempre me tratou com respeito. Sabe aquele tipo de pessoa que chega sem tentar ocupar um espaço que não é dele? Era assim que ele agia comigo. Eu via que ele fazia bem para minha mãe, e isso era o que importava.

Às vezes, ele falava de um filho que tinha, Raul. Parecia orgulhoso quando o mencionava, mas, por algum motivo, ele ainda não tinha conseguido o trazer aqui em casa. Eu confesso que ficava curioso, mas nunca fui de insistir muito nessas coisas.

Os seguiam tranquilos, aquela mesma rotina de sempre: escola, videogame e um pouco de silêncio em casa. Eu não reclamava, estava acostumado.

Até que, numa noite, minha mãe me chamou para conversar depois do jantar. Ela parecia animada, mas com aquele ar de quem tem algo importante para dizer. Foi direta: ela e Luiz tinham decidido morar juntos. Mas, dessa vez, havia um detalhe a mais. Como Luiz estava trabalhando na nossa cidade, acharam que seria melhor ele e o filho dele, Raul, virem morar com a gente. Seria mais prático, mais econômico, e facilitaria a rotina de todos.

Eu fiquei ali, ouvindo tudo. Pensei um pouco, mas a verdade é que não vi motivo para complicar. Minha mãe estava feliz — e isso sempre foi o que mais importou para mim. Então, sorri e concordei. Eu sabia que mudanças viriam, mas estava disposto a encará-las.

Alguns dias depois da notícia, o dia da mudança finalmente chegou. Eu estava um pouco inquieto, tentando disfarçar mexendo no celular, enquanto minha mãe andava pela casa de um lado para o outro, visivelmente ansiosa.

No fim da manhã, um caminhão parou em frente à nossa casa. Logo depois, o carro de Luiz estacionou atrás dele. Ele desceu com algumas malas na mão e não estava sozinho.

Foi então que o vi pela primeira vez: o filho de Luiz. Um garoto magro, loiro, mais ou menos da minha altura. Tinha um jeito despojado, roupas folgadas, um fone grande cobrindo as orelhas. Parecia saído de um clipe de skate, desses que eu só via de vez em quando na internet. Esse era Raul.

Naquele momento, apenas nos olhamos rapidamente. Eu, tentando imaginar como seria dividir o mesmo teto com ele; ele, provavelmente tentando decifrar quem eu era.

Luiz entrou em casa primeiro, carregando algumas malas, e logo chamou o filho para se aproximar. Minha mãe já o conhecia, então aquela apresentação era mais para mim mesmo.

— Marcos, esse é o Raul — disse Luiz, sorrindo.

Raul tirou os fones, pendurando-os no pescoço, e estendeu a mão. O gesto foi simples, mas educado.

— Prazer — disse ele, de forma tranquila.

— Prazer — respondi, apertando a mão dele.

Seu aperto de mão era firme, usava mais força que um aperto de mão normal, li uma vez que esse gesto demonstra que a pessoa é verdadeira. Nosso diálogo não passou muito disso. Nada profundo, só um cumprimento rápido, mas ainda assim deu para sentir que ele era um cara educado.

Logo depois, sem muita enrolação, começamos todos a carregar caixas, bolsas e sacolas para dentro de casa. Cada um ia para um lado, ajeitando as coisas, tentando encaixar aquela nova vida no mesmo espaço.

Os primeiros dias foram tranquilos. Minha mãe resolveu a papelada de transferência do Raul para a escola onde eu estudava, Luiz continuou seus atendimentos em nossa cidade agora com mais tranquilidade por morar perto do trabalho, as coisas começavam a se ajustar. Raul ficou no quarto de hóspedes, que ficava ao lado do meu. Era estranho, no começo, ouvir passos diferentes pela casa, vozes novas na rotina que antes era só minha e da minha mãe.

A gente se cruzava nos corredores, na cozinha, às vezes no sofá quando ninguém tinha nada para fazer. Não havia muita conversa no início — apenas cumprimentos, algumas frases soltas sobre escola, música, videogame. até que a presença dele deixou de parecer a de um visitante e começou a se tornar parte da casa.

Com o tempo, a casa entrou em um ritmo próprio. Luiz e minha mãe passavam o dia inteiro fora por causa do trabalho. Eu e Raul estudávamos de manhã, eu terminando o último ano do ensino médio, enquanto Raul estava no segundo ano, ele era um ano mais novo que eu.

Por causa desses horários a casa ficava praticamente vazia, eu chegava na hora do almoço junto com Raul, esquentávamos alguma coisa para comer e, depois, me jogava no sofá para jogar videogame, já Raul saia para rua para andar de skate e só voltava no fim da tarde. Essa era nossa rotina até o final da tarde.

A gente só se encontrava mesmo à noite, geralmente para jantar juntos e trocar algumas palavras. Nada muito longo, mas o suficiente para ir conhecendo um pouco mais um ao outro, mesmo que aos poucos.

Uma coisa que eu não podia deixar de notar no Raul era o estilo. Ele tinha aquela presença que chamava atenção sem esforço: tinha um corpo legal com alguns músculos aparentes, roupas largas, tênis estilosos, cabelo sempre no ponto. Tinha um jeito despreocupado que parecia natural, mas que, ao mesmo tempo, passava uma confiança que eu nunca tive.

Sem contar que na escola ele fazia o maior sucesso. Sempre cercado de gente, cheio de histórias para contar.

Eu, por outro lado, era completamente o oposto. Meu estilo era básico, nada que chamasse atenção. Camisetas simples, jeans comuns, cabelo escuro com corte tradicional — do tipo que você vê em qualquer esquina e esquece logo depois. Eu passava despercebido, e, de certa forma, sempre achei que isso combinava comigo.

Com o passar dos dias, eu e Raul fomos nos aproximando, as noites já não eram tão silenciosas quanto antes.

Nossas conversas começaram a fluir naturalmente. Falávamos sobre tudo, às vezes coisas aleatórias que vinham à mente.

Os fins de semana também mudaram. Antes, eu estranhava a presença dele na casa; agora, ela parecia fazer parte da rotina. Sua companhia não incomodava mais — na verdade, era bem-vinda. Era estranho pensar que, há pouco tempo, ele era praticamente um estranho.

Em pouco menos de dois meses, Raul já estava totalmente à vontade em casa. Era impressionante como ele se adaptava rápido às coisas — parecia que sempre tinha morado ali.

Raul tinha essa facilidade de se acomodar aos lugares e às situações. Como se encontrasse um jeito de se encaixar sem esforço, sem perder aquele jeito.

Essa naturalidade me chamava a atenção. Talvez porque, para mim, as mudanças sempre vinham acompanhadas de um tempo de adaptação. Para ele, parecia tudo simples.

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Comentários

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HUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM, POR ENQUANTO AQUI SÓ NA EXPECTATIVA, SEM MUITA COISA QUE ME CHAMASSE A ATENÇÃO.

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Atento e curioso pelo próximo capítulo

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