Fim de noite

Um conto erótico de Novatinho
Categoria: Gay
Contém 2756 palavras
Data: 09/07/2024 21:03:12
Última revisão: 10/07/2024 03:17:05

O que Léo me narrou nos dois últimos capítulos foi bem menos detalhado. Ele não entrava em tantos detalhes sobre o que ocorreu. Apenas pontuava o que achava que que era necessario. Era bem direto na conversa, porem falava lentamente e as vezes ele parava quando o pó o travava. Os detalhes sobre os fatos e sobre as perspectivas de Caio (que confidenciou ao amigo, tempos depois) eu soube há pouco tempo, como havia comentado anteriormente. O que faz vocês, certamente entenderem que ainda hoje mantemos contato próximo. Mas como esse contato se manteve é coisa pra mais a frente. Voltando a noite de sábado, com Léo em pé na janela de seu quarto e eu sentado como a inocência sendo perdida a cada segundo que permanecia naquele andar:

-André... isso foi tudo que precisa saber – Léo falou depois de um gole de cerveja.

- Certo. – Respondi baixando a cabeça. – Então vocês são... tipo... namorados?

Léo cuspiu a cerveja nesse momento e deu uma gargalhada alta.

- Esse home... não mano. A gente tá longe disso. No outro dia não rolou nada mais do que... – e fechou a mão no ar fazendo movimento de punheta. – Só rolou coisa daquele tipo mais umas duas vezes ai a gente deixou quieto pra não acabar virando um hábito. - Léo falava como se não entendesse que estava viciado no pó.

-Tô ligado... ai depois vocês continuaram saindo com o Luiz? - perguntei querendo, por fim, matar minha curiosidade.

Ele respondeu subindo os ombros e abrindo as mãos em sinal de resposta positiva. Mas depois de acender um cigarro olhou pra mim e complementou:

- Saímos com ele muito dificilmente e ele não paga a gente como daquela vez. O cara aprontou uma comigo e o Caio. Que meio que ficamos presos a ele. Não tem o que fazer.

- E de onde vem a grana que Caio falou que vocês faziam?

- São vídeos que gravamos solo ou em grupo. Mandamos pra Luiz e ele nos paga um bom dinheiro.

- Ele deve dar muito valor a essas paradas aí né? Sem falar que o cara deve ganhar bem.

Léo deu um sorriso de canto de boca e respondeu:

- Gosta mais do dinheiro que ele faz, vendendo esses vídeos pra um amigo na Europa. O cara tem um site estrangeiro ou um grupo que lucra de algum jeito com os vídeos. Tipo Onlyfans ta ligado?

- E você não se importa de algum conhecido achar esses vídeos?

- Não mano. Usamos mascaras ou balaclavas. Pra variar as vezes usamos camisas na cabeça. Não dá pra perceber não.

-E essa tatuagem aí perto do pau desse home? – ri – isso daí não é todo mundo que tem não.

Leo mudou a expressão um pouco como um sinal de desânimo. Achei que tinha mexido na ferida. Será que ele não tinha se ligado em sua tatuagem que era uma marca pra quem assistisse o vídeo?

- Nada home. Isso aqui eu fiz ta com uns dois meses no máximo. De lá pra cá so gravei uns 4 vídeos.

- Eita PORRA! Isso tudo? – falei dando um gole na cerveja. Percebi que quanto mais bebia mais vontade tinha de usar o pó.

- Tem uns truques que aprendi no youtube. Com maquiagem. Só pra cobrir o suficiente. Por que a maioria dos vídeos são no escuro. - Falava enquanto destravava o celular e se movia pra sentar-se ao meu lado. - Deixa eu te mostrar.

Léo me mostrou uma galeria de videos deles. Não abriu nenhum. Notei que em alguns videos aparecia outra pessoa, mas nao conseguia ver rostos. Parecia bem amador. Acredito que esse seja a qualidade buscada pelo site. finalmente depois, falei:

-Estão acho que Caio pensou que eu poderia querer gravar vídeos assim também, né não? - ele acenou a cabeça positivamente.

-Você não teve a "oportunidade"(frisou as aspas com os pares de dedos) de conhecer Caio como eu tive. O que a gente já passou junto, deu pra perceber que ele se tornou uma pessoa diferente. Por mais que ele tente disfarçar eu vejo que o jeito dele mudou.

Léo falava em velocidade lenta e pausadamennte, sem tentar disfarçar, mostrava uma tristeza na sua voz. Todas aquelas horas usando pó foram cauterizados com a cerveja. O ambiente já não era mais como no início: de sacanagem. Ali a gente tava em um momento de amizade, de conversa. Eu tentava entender se as coisas que fiz ali, com ele, era algum desejo reprimido dentro de mim. Será que realmente existia isso de apenas coisa de homem com homem? Será que aquilo não era um estado de negação pela sexualidade? Que tanto ele como Caio se deixavam enganar com tudo aquilo? Eu tinha tantas perguntas. Tinha medo de meu pai descobrir o que fiz, de Marcelo saber e contar a ele, ou até mesmo de Léo ou Caio deixarem esse assunto chegar aos ouvidos de alguém. Eu não sabia se poderia confiar nele e não sabia se podia confiar em mim mesmo. Minha mente alternava entre o ouvir e o pensar, porém não deixei de entender tudo que Léo falava.

-André, você precisa saber que Caio não é uma pessoa de confiança. Ele é de muito papo com Luiz de um tempo pra cá.

-Por que você desconfia disso?

Leo ficou pensativo por um bom tempo e o quarto em silêncio.

-Home vou dizer essa porra logo - respondeu.

-Diga, pode confiar em mim. Eu ia dizer isso pra quem? Pra meu pai? – eu falava tentando passar confiança, enquanto ele se levantava novamente. iniciou:

"Teve um dia que nós saímos pra farrear com umas meninas e tals. Isso foi em um sitio de Luiz. Foi um dia com muita droga e bebida. Sexo? tinha a vontade".

"Quando foi de manhã cedo Luiz disse que estava cansado e perguntou se não tinha como um de nós dois deixar a namorada dele em casa. Caio se ofereceu, mas Luiz nesse momento já sabia que era mais seguro deixar que eu a levasse, já que caio era muito mulherengo".

Eu prestava atenção a cada palavra. Sabia que ia sair uma bomba dali.

"Quando cheguei. Já estavam todos deitados. Fui ao quarto que eu estava com o Caio. Quando abri a porta ele ainda estava cheirando pó com um restante de cerveja no isopor. Acompanhei ele. Tava afinzazo de ficar tekado. Ficamos nessa até a cerveja acabar. Só conversando bobagem. Mas aí quando a gente terminou acabamos a farra fazendo aquilo que a gente fez hoje sabe? Só que num nível de loucura bem parecido como daquele dia que descabacei o Caio no quarto do quintal dele."

-Mas o que teve demais? nesse tempo aí vocês já gravavam vídeo. E Luiz também não ia ligar pra isso ne?

Léo hesitou por um momento, mas falou:

-O problema é que nesse dia... Eu que fui descabaçado, mano. Primeira vez e última vez que dei minha bunda. - Léo falava me encarando, como se esperasse algum julgamento de minha parte. Só que nessa hora eu ja estava calejado. Ele até hoje nunca entrou em detalhes e nem perguntei. Sei que é um assunto dificil pra ele. No momento nao sabia o que dizer, mas soltei:

-Então qual foi o problema, mesmo? Caio deu a bunda pra voce primeiro, ué.

-O problema é que no quarto tinha câmera. Luiz filmou tudo! E ja te disse que Caio não liga pra ser filmado, né? pra ele tanto faz! Principalmente estando na posição de ativo.

Eu nao entendi o que ele quis dizer com ativo no mesmo instante, mas coloquei minha duvida e Léo esclareceu alguns termos antes de continuar.

-Luiz nunca ameaçou descaradamente, mas uma vez sugeriu que, se um dia a gente quisesse cair fora do esquema, ele iria viralizar esse vídeo - falava sem jeito.- na verdade foi um amaeaça né?

- Esse cara étentei achar palavra mas antes disso reparei que Léo começou a chorar desesperado. Ele começou a se drogar de uma forma autodestrutiva e falava como se aquilo fosse o fim de tudo pra ele. Repetia diversas vezes como ele não suportaria ver seus pais verem aquilo tudo. Não pelo sexo e sim pelo uso de droga. Eu não sabia o que dizer por um tempo. Então tentei abraça-lo. Pra minha surpresa ele retribui o abraço e ficamos assim por alguns minutos. Quando ele já parecia mais calmo, vi no celular que já estava próximo das 5:00 da manhã. Dava pra ver de longe o sol no horizonte pela janela. Léo me disse uma frase que nunca vou esquecer:

“Chega uma hora que a farra perde o sentido”.

De fato, aquilo já não tinha mais sentido pra mim. Já sabia o que procurava saber. Já tinha matado a curiosidade e ja estava na hora de descer.

- Vá deitar. Tente dormir. Seu pai não pode saber o que houve. Desça, Pedro! Essa vida não é pra você. Leve isso como se fosse uma aventura. Amanha vamos embora. Ai tudo isso vai ficar para trás.

Eu sabia que tudo que tinha acontecido naquela noite comigo era uma imensa de uma putaria, mas parte de mim sabia que iria se tornar um momento nostálgico. Por algum motivo tudo aquilo era bom demais. Não sabiá no momento se pelo experiência sexual ou pela droga ou até mesmo a combinação dos dois. Fiquei preso a esses pensamentos e imaginando o que Léo estaria sentindo naquele momento ate que a gente escuta a porta da suíte se abrindo. Léo me pegou rapidamente pelo peito e me escorou contra a parede que ficava em um ponto cego pra quem estivesse no rol do andar. Com a maior destreza levou um cigarro a boca acendeu e tentou aparentar naturalidade. Ouvi a voz de uma mulher cumprimentando Léo e chamando Caio pra acompanha-la ate o térreo. Talvez fosse uma prostituta ou similar pra ter que sair na calada da noite. Quando ouvi o som dos passos deles descendo as escadas tentei gesticular pra Léo o porquê de eu ter que ficar escondido. Léo chegou bem perto de mim. Perto o suficiente pra sentir que sua respiração estava ofegante bem como a minha. Seu suor se confundia ao meu quando peito com peito se encostava. Ele não se apressou em falar o que tinha pra dizer ao meu ouvido. E eu gostei da demora: confesso. Estava de certa forma excitado. Não estava tão curioso pra saber o que ele tinha pra contar, só estava curtindo o momento. Então ouvi o sussurro: "Não quero que ela possa te reconhecer, seu pai deve ser conhecido na cidade”.

Ele estava certo. A cidade é pequena. Se me vissem com eles de alguma forma iriam me associar as drogas e de alguma forma meu pai poderia saber. Ouvi a porta da escada fechar novamente e os passos de Caio subindo. Léo se aproximou de mim e dessa vez deixou sua cintura bem próxima da minha a ponto de sentirmos o pau um do outro, mas ali ele não aparentava maldade em sua forma de agir. Era algo natural, espontâneo. Estávamos de frente um ao outro. Nossos rostos estavam tao próximos que conseguia ver suas pupilas dilatadas, seu rosto com traços fortes através da luz fraca que irradiava no quarto, tanto pela janela quanto pela luz do quarto de Marcelo. Ele segurou meu ombro e falou:

-Só diga “não”, pra o que ele pedir. Seja lá o que for!- ele falou com tanta segurança que me deixou curioso. É foda quando somos jovens demais...

E saiu de perto de mim. Foi quando Caio atravessou pela porta do quarto já olhando pra o canto onde eu estava. Parecia que ele tinha um sexto sentido, ou as atitudes de Léo pareciam previsíveis.

- Pra que esse esconderijo, mané? – falou com tom de brincadeira, olhando pra mim. Léo respondeu:

- Eu que escondi ele ai. Essas putas vão la guardar segredo de nada.

- Segredo? – e começou a rir alto – você acha que o playboy vai parar por aqui? Ta lembrado da gente, não é?

Léo sentou-se a beira da cama e fez algumas carreiras. Na verdade, incontáveis no prato. Enquanto Caio veio onde eu estava e pegou no meu pau com um sorriso ( após perceber que estava meia bomba). Tirou uma saquinho do bolso e com um canudo levou até o nariz três vezes quando subiu o canudo pela quarta vez foi a mim. Não neguei. Ele coletou novamente e colocou na minha outra narina. Começou a apalpar o meu pau e o dele aos poucos. Notei que Léo não olhava. Ele parecia querer fingir que não estava acontecendo alguma coisa ali. Eu não me movia. Estava gostando. Caio foi descendo com sua boca ao meu peito e logo desceu minha bermuda e sem enrolação engoliu meu pau. Eu estava anestesiado ali com a forma ligeira de Caio. Ele era definitivamente muito ardiloso. Eu fiquei em transe com o que tava acontecendo. Caio era um profissional na mamada. Ele lambia meu saco arregaçava minha pica na punheta, lambia a cabeça e ainda me chamava de macho gostoso. Dizia que minha pica era massa. Que queria tomar meu leite pra ir dormir. Eu estava em tanto tesão ali com aquilo tudo que nem percebi que minhas mãos que estavam conduzindo ele pelas mechas de seu cabelo. Não demorou muito e eu gozei. Caio gozou logo em seguida melando meu pé. Foi uma gozada incrivel. Nunca tinha recebido uma chupada na vida. Aquilo me deixou sem força e totalmente sem reação. Quando abri os olhos notei que Léo não estava mais no quarto.

Caio se levantou como se não tivesse acontecido nada. O cara era maluco, tinha engolido minha porra e foi direto ao prato. Tudo aquilo se passou em 5 minutos, no máximo. Caio saiu e pegou uma cerveja na geladeira. Quando voltou pra o quarto soltou um grito baixo como que pra debochar:

-Pronto, Leeeeo!

-Eu vou descer... – falei olhando pra ele sem jeito.

-Quer dar mais um tiro? Seu namorado já ta vindo. Espera ele. Relaxa, Léo vez ou outra fica com essas viadagens.

- Qual é, cara. Tenho nada com Léo não.

Não sei o que tinha em Caio que me deixava tão nervoso. Ele não parecia aquela pessoa que Léo me descrevera. Algo não batia com a descrição. É como se ele fosse mais hostil. Lembrei que ele havia me dito que Caio nao era mais o mesmo. Eu ficava dando voltas no quarto. Parecia que a ausência de Léo me deixava ansioso. Não queria descer sem falar com ele. Não via a luz do banheiro ligada e no quarto do Marcelo ele não estava. Caio mexia no celular e bebia. Não se importava com o que eu estava fazendo. Só ria de vez em quando pra mim. Aquilo me dava arrepio. Quando resolvi ir pra suíte ele só falou:

-aeeê – e aplaudiu. O Deboche na voz dele era clara.

Não bati na porta, só entrei Léo estava deitado. Parecia tentar dormir. Chamei batendo em seus pés. Ele abriu os olhos.

- Você não conseguiu né? - Léo falou me encarando ainda deitado.

-O que?

-Dizer não.

-Ele não me pediu nada – Leo sorriu e se levantou.

-O dia já ta nascendo. Era pra você ter descido aquela hora. Mas sei como é a primeira vez quando se usa isso aí.

-Eu não vou mais usar. Só vim aqui pra me despedir. Talvez a gente não se veja mais. Venha próximo ano. - sugeri inocentemente.

-Não mesmo – disse Léo com tom de arrogância. – Melhor pra você.

Sai do quarto depois de encarar ele por um breve momento. Desci as escadas sem falar com Caio que quando me viu só disse: “até amanhã, boyzin”.

Eu descia com vergonha de mim, de vergonha de tudo aquilo. Sabia que eles iriam embora na segunda pela manhã. Não pretendia subir mais ao andar hoje. Provavelmente iria passar o dia dormindo. Nem o número de Léo eu tinha pego pra poder um dia saber como ele estava, mas me confortei ao lembrar que poderia conseguir com Marcelo.

Antes de me deitar tomei bastante liquido e alguns comprimidos que meu pai tomava antes de deitar quando estava bebendo. Eu ja tinha aprendido com o coroa certas coisas. Fui tomar um banho e logo depois me deitei, mas minha mente era insistente ao tentar lembrar do que tinha feito. A ultima vez que olhei o relógio já estava perto das 7:00. Estava já bocejando. Antes de dormir, pedi ao universo uma nova chance de conversar com Léo. Mal sabia eu, antes de ferrar no sono, que essa oportunidade estava somente há horas de mim.

Continua...

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Comentários

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Você escreve tão bem, estou aqui todo curioso com o rumo da história! Curioso e cheio de tesão 😈

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Opa! Confesso que poderia ser melhor se meu tempo não estivesse tão curto. Muito obrigado.

Próximo é o "final".

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