No ano 2000, eu trabalhava com telemarketing ativo. Em uma das ligações, caí no número errado, mas a voz do outro lado era tão macia e gostosa de ouvir que decidi dar corda. Eu sempre ouvia que tinha uma voz bonita, e com ela não foi diferente. Trocamos números e passamos os dias seguintes mergulhados em conversas por telefone.
Não lembro o nome real dela, então vamos chamá-la de Joana. Ela se descreveu como uma mulher negra, gordinha e muito simpática. Eu, o Marcos — também negro, alto e, na época, bem acima do peso — estava adorando a fluidez do papo. Decidimos marcar o primeiro encontro físico em um bar famoso da época, o Gata de Irajá, no subúrbio do Rio. Ela sugeriu que eu levasse um amigo, pois levaria uma acompanhante.
Convidei o Silvanei, motorista da empresa. O cara era um "gente boa" nato: atlético, comunicativo e parceiro para todas as horas. Chegamos cedo, estacionamos e começamos os trabalhos. Uma, duas, três cervejas de 600ml e nada das moças. Eu já estava impaciente, pronto para bater em retirada, quando avistei duas figuras atravessando a passarela em frente ao bar.
— "Acho que são elas, Silvanei" — avisei.
Elas entraram no bar com as roupas combinadas. Meus olhos foram direto na morena clara, alta, com corpo de princesa. Ignorei todas as descrições que a Joana havia me dado e fui na que mais me atraiu.
— "Olá, tudo bem, Joana? Eu sou o Marcos."
A menor, ao lado dela, respondeu prontamente:
— "A Joana sou eu!"
Se o rosto humano fosse portátil, o meu teria caído no chão naquele exato momento. O constrangimento foi total, mas mantive a pose. Beijei-a no rosto, apresentei o Silvanei e nos sentamos. O Silvanei, sortudo de nascimento, já começou um "quais-quais-quais" sem fim com a amiga, a Carla. Enquanto isso, eu olhava para o teto. A conversa com a Joana era tipo antibiótico: só rolava de 8 em 8 horas.
Eu já planejava a fuga, olhando para o relógio e lembrando do expediente, mas o Silvanei estava em êxtase. Ele sabia que eu queria fugir, mas a Carla só ficaria se a Joana ficasse. Entendi meu papel ali: eu teria que ser o escudeiro para que meu amigo se desse bem. Como dizem por aí, alguém tem que entrar com a bunda na festa.
Silvanei pagou a conta e nos intimou:
— "Vamos, negão! Conheço uma pizzaria em Campo Grande, vamos comer algo."
Fomos para a Zona Oeste. No banco de trás do carro, a Joana, percebendo meu desânimo, soltou que eu não tinha gostado dela.
— "Que isso, Jô... você é linda. Eu só sou tímido."
Mandei um beijo caprichado, deixei a mão boba explorar os seios e o que havia por baixo da saia. O Silvanei e a Carla já estavam em clima de romance total. Resumindo o que vocês já imaginam: aceitei o destino. Paguei minha dívida de amizade ficando com a Joana naquela noite para que o Silvanei pudesse brilhar com a Carla.
Saí com a Joana mais uma vez, sozinhos. Fomos ao motel e, confesso, a experiência superou as expectativas. Ela tinha uma pegada forte, uma felação de tirar o fôlego e, como eu não perco a oportunidade de explorar um caminho proibido, descobri que ela adorava um sexo anal. Aguentava a "paulada" sem pedir arrego, com uma entrega que me surpreendeu.
No fim das contas, quem nunca se sacrificou para ajudar um irmão de guerra? O Silvanei merecia. Até hoje somos grandes amigos, e ele ainda me deve essa. Mas a história daquela acompanhante na Avenida Atlântica, em Copacabana... bem, essa fica para o meu próximo relato de aniversário.
