Verdades Sobre Sara. Nem Tudo que Reluz é Ouro

Um conto erótico de Morgana
Categoria: Heterossexual
Contém 2802 palavras
Data: 02/04/2024 12:09:19

Demorei um pouco, não foi?

Desculpem, mas a culpa foi do feriadão. Fizemos, o Leonardo, eu e mais alguém, uma viagenzinha bem proveitosa. Mas isso é um assunto para o futuro.

Apesar de ter demorado mais tempo, não tenho nada para falar sobre os comentários. Só dois esforçados companheiros se deram a esse trabalho e eu agradeço pelo incentivo deles.

Então vamos ao que interessa.

A expressão de Sara deixava visível o tamanho da ansiedade dela. Ela estava me aguardando na entrada da faculdade e praticamente me puxou para fora do bloqueio quando passei por ele, me conduzindo para um local mais isolado, porém, antes mesmo de estarmos seguras com relação aos ouvidos alheios, ela pediu:

– Pode começar a contar tudo. Não deixe nem um detalhe de fora.

– Não tem muito mais para contar não Sara. Aquele conto deixou pouca coisa de fora. Foi exatamente do jeito que está relatado lá.

– Oh! Jesus Cristinho! Que loucura!

– Nossa! Nem e fale.

Não sei se por querer manter o assunto por se sentir excitada por ele ou por qualquer outro motivo, Sara fazia questão de manter o assunto do exibicionismo praticado por meu marido e eu, o que fez com que ela perguntasse:

– Eu achei que a descrição da roupa que você usava foi muito curta. Não entendi direito que roupa era aquela.

Lembrei-me de que havia tirado fotos quando experimentei aquela roupa, se é que aquela peça transparente podia ser chamada de roupa. Não foram muitas. Apenas três fotos sendo duas em frente ao espelho, com uma de frente e outra de costas, o que já era suficiente para satisfazer a curiosidade da minha amiga, porém, fiz questão de mostrar a terceira que era um close da minha xoxota. Era tão de perto que dava para ver todos os detalhes através da fina transparência da roupa. O grelinho inchado, os grandes lábios voltados para dentro e os pequenos aparecendo levemente como se minha buceta estivesse com a ponta da língua repousando no lábio inferior e até o brilho da humidade do tesão que sentia naquela hora era visível. Sara deu um suspiro e falou:

– Que delícia que você é Morg. Sabia que até eu te pegava?

– Sai pra lá sua safada! Está querendo dar uma de sapatona agora?

– Sapatona nunca. Nem lésbica. Só que você tem que concordar comigo que você é um tesão e que não tem nada de mais uma brincadeirinha de vez em quando.

– Sai pra lá Sara. Eu não sou como você que não perdoa nem mulheres.

Ao ouvir isso, minha amiga ficou me olhando com um olhar distante e eu, achando que ela estava constrangida ou alguma coisa assim, tentei consertar e brinquei com ela:

– Deve ser muito bom ser igual você Sara. Você não deixa nada impedir de realizar os seus desejos. Já deve ter “brincado” com muitas mulheres.

Ao dizer isso, fiz as aspas com os dedos. Qual não foi minha surpresa quando ouvi o comentário dela:

– Bem que eu queria ser assim. Sempre livre leve e solta. – Ao ver que eu olhava para ela com uma expressão de incredulidade ela continuou falando e aí sim pude notar que agora ela estava realmente constrangida: – Uma coisa é fantasiar as coisas Morg. Outra muito diferente é realizar essas fantasias. Feliz é você e seu marido que tiveram coragem de fazer isso.

Naquele momento fiquei sem chão. Não por medo, susto ou qualquer outro sentimento, mas apenas por estar sendo confrontada com uma informação que eu sozinha jamais iria sequer imaginar. Nem em mil anos eu poderia pensar que a sempre safada Sara, que sempre se referia a algum cara que a interessasse como sua futura vítima, que falava como se todas as sacanagens do mundo fossem normais estava ali, pudesse confessar sem nenhuma margem de dúvida que não era bem isso. Ela estava confessando que vivia em um mundo de fantasia e que, no mundo real, era travada e tímida assim como eu sou.

A diferença nessa timidez era que, para atender às fantasias de meu marido eu havia me soltado e olha que, consegui fazer isso sem que ele mesmo percebesse que eu estava sabendo desses seus desejos impróprios.

Sinceramente, fiquei com pena de Sara. Afinal, eu havia passado diretamente da fase de recatada para a realização de uma fantasia que nem era minha e, adorando os resultados desse meu ato, dei um jeito de elevar o nível das brincadeiras. Enquanto isso, ela tinha suas próprias fantasias e o mais perto que ela havia chegado de realizar algumas dela não tinha sido por ação dela, mas sim através das minhas ações.

Sem querer, eu tinha mexido com dois vulcões. O meu que estava adormecido e entrou em erupção de uma hora para outro e o de Sara que, não estando adormecido, ficava apenas emitindo sinais que estavas pronto para entrar em erupção sem nunca fazer isso.

Sem saber direito o que dizer, fiz algo que não era o meu costume, pois nunca fui muito efusiva em minhas amizades e evitava ao máximo algum contato íntimo, fui até ela e a abracei. Sara, com um suspiro diferente que eu não entendi na hora, aceitou o abraço e correspondeu apertando meu corpo de encontro ao seu. Então ela deu um beijo em meu rosto, só que, de propósito ou não, o beijo foi muito perto da minha boca.

Senti um arrepio no meu corpo e em seguida fiquei muito assustada com isso. Tão assustada que empurrei Sara com força excessiva e dei dois passos para trás. Ela, sem entender nada, disse em voz baixa:

– Desculpe Morgana. Eu só quis te dar um beijinho no rosto. Não me entenda mal.

Aquilo me atingiu mais do que eu esperava. Sara só pronunciava meu nome inteiro quando estava falando algo muito sério. Normalmente se dirigia a mim com a abreviação que ela mesma criou. Mas esse não era o problema. O problema era a expressão dela, com seus olhos arregalados com a pupila parecendo bem maior que o normal para a claridade que nos envolvia, as narinas mais abertas e com um tremor visível e os lábios entreabertos mostrando seus dentes cerrados, Mesmo sem ser nenhuma expert no assunto, entendi na hora o que é uma visão clara do desejo. Os seios grandes de minha amiga subindo e descendo sob a blusa que usava fazendo com que os botões da mesma ficassem tão tensionados que o tecido de um lado e do outro se separavam e, mesmo com o uso do sutiã, aqueles dois motinhos de tecido branco estufados dando a entender a situação que se encontrava seus mamilos.

Tive vontade de sair correndo dali. Fugir daquela imagem profana que era uma mulher, e não uma mulher qualquer, mas a minha melhor amiga, olhando para mim sendo dominada pelo desejo, Mas sabia que fazer isso seria algo muito ruim, Principalmente para Sara que acabara de me confessar que a sua safadeza era apenas da boca pra fora, ou seja, sendo tão tímida como eu, ela poderia entender o meu afastamento repentino como uma rejeição e eu sei o quanto isso a afetaria.

Então escolhi um meio termo. Olhando em volta vi que havia um banco próximo a nós. Fui até ele, sentei com as mãos repousadas sobre minhas coxas, com as palmas voltadas para cima e os dedos levemente curvados, abaixei a cabeça e fiquei com o olhar perdido. Então ouvi a voz baixa de Sara:

– Desculpe Morg. Eu não quis te deixar envergonhada. Eu não faria isso, você sabe.

Minha única reação foi levar o dedo indicador de minha mão direita até os lábios dela em um sinal de que era para ela ficar quieta, enquanto com a outra eu batia no banco ao meu lado dando a entender que era para ela se sentar:

– Olha Morgana, eu...

– Cale a boca Sara. Por favor, fiquei quieta por um tempinho, sim?

Ela obedeceu, porém, não resistiu sequer um minuto e começou de novo:

– É que eu...

Não resisti e, sem nenhuma explicação, comecei a rir. O riso foi se intensificando até se transformar em uma gargalhada provocando uma situação insólita. Eu ali gargalhando e a Sara me olhando com uma cara de assustada e sem saber o que fazer. Então o meu riso foi diminuindo até se transformar em um sorriso e então eu tive uma reação que jamais eu imaginaria ser capaz de fazer.

Aquele momento foi o segundo estágio de uma mudança em minha vida que tinha se iniciado quando descobri que era personagem de contos eróticos que revelavam as fantasias o meu marido. Não há uma explicação plausível pelo que fiz. Apenas aconteceu.

Sem parar de sorrir, fui aproximando meu rosto do de Sara e quando cheguei bem pertinho ela começou a afastar o dela. Minha reação foi segurar sua nuca com uma de minhas mãos impedindo que ela continuasse o seu recuo e com isso nossos lábios se tocaram.

Durante a primeira eternidade, eles ficaram ali, se tocando imóveis uns nos outros. Já, na segunda eternidade, os lábios dela começaram a se mover e senti sua língua forçando a passagem pelos meus que ofereceram resistência o que fez que aquela língua macia recuasse sem sua tentativa de invasão e começasse a deslizar de um lado para o outro em minha boca. Ia para um lado tocando o lábio inferior e voltava pelo posterior. A segunda eternidade acabou quando a língua dela recuou e seus dois lábios se fecharam em torno do meu lábio de baixo que em seguida foi sugado para dentro da boca dela e preso entre seus dentes em uma mordida leve que e causou estremecimento.

A terceira eternidade começou quando eu me lembrei de que tinha que respirar e, ao abrir a boca para fazer isso, minha boca foi invadida pela língua macia de Sara e, sem que eu fizesse qualquer ato planejado, de forma totalmente espontânea como se tivesse vida própria, minha língua reagiu àquela invasão e foi à luta, tentando conquistar espaço equivalente ao que tinha cedido na boca de minha amiga.

Não sei se o tempo que se passou foi de alguns segundos ou vários séculos. Naquele momento aprendi que esses atos não são medidos em minutos, segundos ou horas e sim na intensidade do prazer que se sente.

[---]

Alguns leitores vão achar que a revelação desse ato foi muito melosa. A eles já aviso de antemão que não há outro jeito. Primeiro porque foi assim que me senti e segundo, porque essa sou eu. Recatada e tímida quase sempre, ousada e maluca em outros, mas em qualquer situação, sempre romântica demais.

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Quando nos separamos, nossas expressões eram diferentes. Não que não fossem de felicidade, mas enquanto eu demonstrava não estar acreditando no que acabara de acontecer, Sara me fitava com seus lindos olhos violetas arregalados e um risco formado por sua maquiagem que estava se desmanchando pelas lágrimas que dela escorriam. Então ela me falou:

– Não ligue para mim. Estou chorando porque sou uma boba mesmo. Desculpe por ter te obrigado a fazer isso.

– Você não me obrigou a fazer nada Sara. Eu fiz porque quis.

Ela arregalou ainda mais seus olhos e perguntou:

– Então você gostou?

Consenti com um aceno de cabeça. A timidez não permitia que eu falasse. Mas Sara, quis ir além e, de uma forma também muito tímida, falou baixinho:

– O que você acha da gente procurar um lugar mais calmo.

Aquilo para mim significava que eu estava sendo convidada para uma transa. Fechei os olhos e respondi:

– Não Sara. Acho que ainda não estou pronta para isso.

– Oh! Desculpe Morg. Eu não quis... Quer dizer, eu devia saber que você não ia gostar disso,

– Não sei se é isso Sara. Não posso dizer que não esteja agora querendo a mesma coisa que você. O que eu quis dizer é que não estou pronta para trair o Leonardo.

Mais tarde, pensando no que falei, fiquei pensando: “É sério isso? Eu disse mesmo aquilo? Eu dei a entender para a minha amiga que estava pronta para ir para a cama com ela. O que ela vai pensar de mim agora"?

Em minha timidez eu formulara uma imagem de que eu é que fora a causadora de tudo e a única culpada. Não que eu não tivesse tido uma participação bastante ativa para acreditar que naquele momento nenhuma de nós foi ativa ou passiva, mas apenas duas mulheres deixando o desejo ditar as regras de comportamento. Mas com relação à culpa eu não conseguia encontrar uma explicação e isso, tempos depois, ia provocar uma crise de riso tão intensa em Sara que eu fiquei inclinada a lhe dar um soco na cara. E olha que eu nunca fui agressiva em minha vida.

Naquele dia, depois das aulas, nós duas fomos até um escritório de advocacia aonde ela marcara uma entrevista para que pudéssemos iniciar nossos estágios. Depois disso, fomos a um Shopping Center e, do nada, surgiu a ideia de lermos os contos do Leonardo. A eletricidade que dominava o ambiente a nossa volta era quase palpável. Mas nos limitamos a olhares e toques ficarmos de mãos dadas em alguns momentos.

Quando estávamos andando em direção à Estação do Metrô Paraíso, pois o Shopping é relativamente perto de lá, Sara me aparece com uma nova ideia:

– E se a gente escrevesse um conto sobre nós duas e postasse no site?

– Sei lá Sara? Será que alguém ia ler sobre duas mulheres que apenas se beijaram?

– Ah Morg! Como é um conto, a gente pode ir além e criar alguma coisa bastante erótica.

– Não. Isso eu não quero. Não vou ficar mentindo para ninguém dizendo que fiz algo que realmente não fiz.

– Estranho isso. O seu marido inventa histórias que não aconteceu e eu não vi você reclamar disso.

– Mas ele estava apenas falando de uma fantasia dele. Quando aconteceu algo excitante ele foi lá e contou do jeito que aconteceu, sem tirar nem por nada.

– Ah! Entendi! Fantasia não é?

Apenas assenti, porém, depois me dei conta que deveria ter explorado melhor aquilo que a Sara falou. Ela tinha acabado de ter ideias e não comentou nada disso comigo.

Foi assim que, naquela tarde, quando estava em casa, recebi uma mensagem de Sara contendo um link. Eu já sabia do que se tratava, porém, mesmo assim fiz questão de ir para o meu quarto e abri a página. Lá estava a nossa aventurina que, para efeitos de contos eróticos, era bastante chocha. Tão sem graça que os poucos comentários que apareceram tratava aquele conto como se fosse uma introdução a algum conto mais extenso e até elogiaram por isso.

Só que meu pensamento foi além e se estendeu para algo mais real. E se a introdução não fosse apenas a do conto, mas sim algo que poderia vir a acontecer de verdade e aquele beijo tivesse desdobramentos? Fiquei pasma ao perceber que, só de pensar no assunto, minha xoxotinha ficou toda babada.

Estava nessa luta interna entre os meus desejos e minha timidez quando meu celular recebeu mais uma mensagem. Mais uma vez era Sara e eu me apressei em ler e estava escrito:

– E aí? Gostou?

– Foi bom. Mas comparando com outros contos parece até o resumo de um livrinho de catecismo.

Fiquei preocupada porque, apesar da Sara ter lido a mensagem imediatamente, ela demorou em responder, me fazendo acreditar que ela podia ter se melindrado com a resposta ao entender o que eu disse como uma crítica. Porém, antes que eu pudesse perguntar isso a ela, ela mandou outro link e depois a mensagem:

– Se você pensa assim, então leia esse.

Cliquei e abriu um site de contos que não era aquele que eu já conhecia. Esse era totalmente diferente e qualquer participação do leitor estava condicionada a uma assinatura paga, ou seja, quem não fosse assinante poderia apenas ler o conto e nada mais.

O conto começara exatamente igual ao outro e permaneceu assim até o beijo. Porém, depois do beijo, a coisa começou a ficar mais excitante, com toques no joelho e carinhos nas pernas, mesmo sobre a roupa que usávamos. Na descrição de Sara, ela estava usando uma calça jeans e eu uma saia cujo comprimento era abaixo dos joelhos.

Não vou aqui, pelo menos por enquanto, contar o que ela descreveu naquele conto. O que eu posso dizer é que, na medida em que eu avançava na leitura, meu corpo foi esquentando até o ponto de me incomodar em face ao calor que me invadiu. Também não sei dizer qual o momento exato em que me livrei de minhas roupas e comecei a tocar minha xaninha para ter um dos orgasmos mais intensos da minha vida.

Não fiquem tristes por não entrar nos detalhes do conto da Sara. Isso tem um propósito que todos entenderão quando for a hora certa.

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