O filho do Pastor (S02-Capítulo 09-Iuri)

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 2810 palavras
Data: 09/02/2024 19:11:40

Voltei em casa para poder tomar um banho e vestir algo mais folgado, estou tão ansioso para encontrar com Jonas que troquei de camisa três vezes, optei por uma bermuda jeans, uma camiseta branca e um tênis, estou bem casual para jantar na casa do meu irmão, nosso minha ficha não caiu ainda, quando estou decidindo se uso um relógio esportivo ou um clássico de pulseira de ferro meu pai liga. “Filho, me dê notícias suas, você está sumido desde ontem.” Ele me questiona. “Pai para o senhor posso falar, eu encontrei ele, encontrei meu irmão pai!” Estou tão feliz que quase deixo passar a cara que ele fez. “Não foi por ela, foi tipo uma coincidência, ele é dono de um sushi que adoro aqui perto de casa, a gente meio que se encontrou e ele também meio que achou que eu pudesse ser irmão dele.” É tão bom poder chamar o Jonas de irmão em voz alta. “Filho tome cuidado, ela pode tentar se aproximar usando o Jonas.” Meu pai sempre super protetor, só acho estranho porque não lembro de ter comentado com ele sobre o Jonas, mas nada pode estragar minha noite, então resolvi pensar nisso outra hora, estou para me despedir do meu pai quando ele respira fundo e me solta uma bomba que não estava esperando. “Téo esteve aqui em casa.” Meu corpo entrou em alerta, ele foi uma vez logo quando entrei na faculdade. “O que ele queria?” Meu pai nunca foi a favor da minha mentira, mas vem respeitando minha decisão embora isso nos deixa distantes um do outro, já que só ele pode vir e por causa do trabalho só tem tempo nas férias do final do ano. “O de sempre, ele quer saber de você.” Reflito o que meu pai falou e o questiono. “Como assim o de sempre?”

Meu pai acaba de se dar conta de seu erro e vendo que já percebi ele fala a verdade “Téo me procurou muitas vezes para ter notícias tua filho.” Estou sem acreditar, consigo entender o porquê dele não ter me dito antes, Téo e os outros foram motivos para muitos gatilhos que tive, não culpo meu pai por ter escondido isso, mas meu corpo reage ao mero pensamento de que Téo tenta saber de mim. “O que o senhor disse? Não deu meu número para ele não né?” Ele rir, uma risada cansada e sei que lá vem sermão. “Não Iuri, mas Téo e Mateus se preocupam com você, eles sempre me procuram para saber de você e digo que está bem, que está na faculdade e que está pensando em vir nos visitar.” Senti que meu pai quer acreditar nessa última parte, mas não consigo voltar, mas algo em mim me pegou forte, meu pai disse que Mateus também o procura, então não é só o Téo, a preocupação deles é de amigo, não sei por que, mas isso mexe comigo me tirando um pouco da minha animação de mais cedo. “Iuri, já tem tanto tempo, eu estou aqui com você meu filho, faço qualquer coisa por você, sabe disso né, sabe que o pai ama você né?” Mesmo depois de tanto tempo ainda me sinto com o mesmo calor no peito da primeira vez em que ele me disse que me ama e que realmente acreditei. “Também te amo meu velho, olha não vou te prometer nada tá bom, mas vou pensar sobre ir nas férias.” O rosto dele se ilumina de uma forma que não via a muito tempo, ele se esforça tanto por mim, acho que está na hora de retribuir de alguma forma a parceria que ele tem comigo.

Jonas insistiu para me buscar, mas o convenci que podia ir de uber, esse mês estou sendo o filho herdeiro que meu pai sonha que eu seja desde que me mandou para cá, ele diz que o dinheiro dele é para ser gasto comigo, pois ele já tem tudo de que precisa, enfim peguei um uber, como não é longe nem foi tão caro assim então foi bem tranquilo, cheguei na hora em que marcamos, fui direto para o andar de cima por uma escada na lateral do sushi, bati na porta e Jonas me atendeu com um sorriso largo no rosto. “Pontual.” Ele fala. “Acredite quase cheguei antes pela minha ansiedade.” Jonas sorri aliviado, ele diz que por ele teria marcada um almoço para não ter que esperar o dia inteiro.

“Então, pedi uma pizza para a gente e comprei umas cervejas, Isaac está lá embaixo trabalhando então preferi marcar aqui em cima para que pudéssemos conversar com mais privacidade.” Ele fala e agradeço por isso, não sei se me sentiria à vontade com Isaac aqui. “Pensei em cada um fazer uma pergunta de cada vez para que possamos nos conhecer melhor o que acha?” Jonas propôs e faço que sim com a cabeça, ele me pede para começar. “Isso é difícil, mas beleza, como foi para você o tempo em que ela não estava com você e seu pai?” Queria começar com algo mais leve, mas essa era uma das maiores curiosidades que tinha. “Eu era bem novo, mas lembro um pouco do dia em que ela foi embora, tipo foi bom morar com o nosso Avó, mas quando tive que morar com meu pai foi o momento em que mais senti falta dela, foi logo quando comecei a me entender como um cara gay e tive que pausar toda a minha descoberto por medo do que o meu, do que o pastor poderia fazer.” Escuto cada palavra dele sentindo que entendo a dor dele. “Quando soube sobre mim?” Ele quis saber. “Quando minha, quer dizer, nossa mãe viajou para lhe ver, meu pai e ela começaram a me contar toda a verdade sobre você e o caso deles.” Falei com minha mão tremendo só de começar a lembrar daqueles dias tenebrosos.

“Nossa ela mentiu para você por tanto tempo assim?” Jonas ficou surpreso. “Bem, minha vez, como você começou a namorar com o Davi se seu pai era tão complicado?” Ele me olha com espanto. “Davi? Eu nunca namorei com o Davi.” Ele diz e sinto uma pontada na espinha. “Ele disse que vocês namoraram na escola e que o Isaac havia traído ele dando em cima de você e meio que lhe roubando dele.” Falei tentando me explicar, ele deu um bom gole em sua cerveja e me olhou de novo incrédulo e até um pouco irritado. “Nunca namorei com Davi e nem cheguei perto disso, mas aconteceu que durante a visita da nossa mãe aqui tudo ficou complicado e o Isaac também estava com problemas então num momento de fraqueza fiquei com Davi, mas foi só uma vez e me arrependi no momento em que acabou, me senti horrível por ter traído o Isaac, mesmo que a gente não tivesse muito bem na época e isso quase me custou o amor da minha vida, porque por causa disso passei cinco anos sem o Isaac na minha vida, não acredito que Davi até hoje continua o mesmo.” Jonas é meu irmão, ele não mentiria para mim, e nem teria porque mentir, o que quer dizer que Davi mentiu, mais uma vez me deixei confiar em alguém e essa pessoa me usou, me enganou, deve ser o cara mais imbessil do mundo, minha ansiedade começa a aparecer, mas Jonas percebe larga sua cerveja na mesa e me puxa para um abraço, um abraço quente e carinhoso, meu irmão está me consolando pela primeira vez e é bom, é realmente bom.

“Não se culpe Iuri, não tinha como você saber, não vamos deixar o Davi estragar isso tá bem.” ele fala se referindo ao nosso momento e concordo com a cabeça um pouco mais calmo, “Sua vez.” Digo a ele. “Como é sua relação com o tio Paulo?” Ele pergunta e sorriu só de lembrar do meu pai, conto a ele tudo sobre nossa relação e o quanto melhorou depois que ela foi embora, do quanto ele me apoiou e percebo uma tristeza em seus olhos. “Você não se dá bem com o tio Sérgio?” Pergunto. “Não nos falamos desde que ele descobriu que sou gay e até já me agrediu.” Falo para ele que conheci seu pai e que na ocasião ele também chegou a me agredir. “Sinto muito por isso.” Ele fala, mas digo que está tudo bem. Jonas me conta também de como foi na faculdade, algumas coisas ele já tinha me contado quando falamos sobre isso na outra noite, falo para ele sobre o Judô que é minha paixão e sobre os amigos que deixei para trás e ai sem perceber Jonas é a primeira pessoa com quem consigo me abrir e contar tudo que aconteceu naquele dia em que ela foi embora, o mais incrivel é que agora não me sinto só, não me sinto fraco, consigo falar disso sem que meu corpo se descontrole, sem que lágrimas escorram de forma desordenada no meu rosto, consigo manter minha calma durante toda a conversa, estou acolhido de uma forma que nem com meu pai consigo está. “Ela não podia ter feito isso com você Iuri, nem o pastor, mas olha sei que não é que você quer ouvir, mas acredite ficar longe do Pastor e dela foi a melhor coisa que lhe aconteceu, fui expulso de casa só de cueca por eles, se não fosse pelo Isaac teria saído mais machucado ainda, ele me acertou um soco naquele dia e foi o Isaac que me defendeu como um leão indo para cima dele e quebrando o nariz do desgraçado.” Parece que me enganei feio sobre meu cunhado. “Iuri, ela é a vilão, ela foi embora, não deixe que ela tome sua felicidade como fez comigo durante tanto tempo, você tem seu pai e sei que pode parecer cedo, mas já amava você desde o dia em que soube que tinha você, meu irmão mas novo, vou fazer tudo que eu puder para te curar, para te ajudar a conviver com este peso, vou dividir ele com você a partir de hoje até que você aprenda a soltá-lo como eu fiz.” Cada palavra dele me toca quente no peito e agora não tem como estou chorando.

Falo com ele sobre minha primeira experiência com outro cara e como descobri que era bi, assim como ele me conta como se descobriu gay, falei sobre minha dificuldade de confiar e de me relacionar, Jonas escutou sem me julgar. “Iuri, Felipe parece um cara legal, porque não dá uma chance para ele?” Penso nisso por um tempo, mas não posso. “Não posso Jonas, não consigo deixar ninguém entrar assim.” Falo sendo honesto. “Mais você me deixou entrar.” nego com a cabeça e falo. “Você é meu irmão, meio que já faz parte dessa minha bagunça, é facil me abrir com você, mas com os outros não é tão simples.” Falo, digo que na terapia já avancei muito, mas que ainda não estou pronto para confrontar meu passado, já está sendo passo gigantesco me permitir ter um irmão, foi algo que sempre quis, mas que passei a me questionar se merecia mesmo ou não, porém Jonas é mais do que eu poderia pedir, ele não é só um irmão que entendi tudo que se passa na minha vida e na minha cabeça, justamente por ter tido uma vida parecida com a minha, como é o advogado que quero ser, um cara inteligente e justo e agora esse cara que admiro tanto vai ser meu mentor, meu mano. “Posso te chamar de irmão?” Falo com muita vergonha. “Claro que sim, não é isso que somos, vem aqui mano deixa seu irmãozão cuidar desse coração machucado.” Ele me dá outro abraço e me sinto bem da forma que não me sentia a muito tempo.

Perdemos a hora conversando sobre nossa infância e adolescência, deixo ele meio chocado com minhas história, contei sobre o ménage que fiz com um casal, concluímos que tive uma adolescência bem mais safada que a dele, Isaac sobre trazendo sushis para gente quando fecha o sushibar, ele parece muito feliz, de fato deve amar mesmo meu irmão, para ficar tão feliz assim só de ver o marido radiante, “Isaac é chato e sabe tudo, ele sempre esquece de fechar a pasta de dente no banheiro, mas não consigo imaginar minha vida sem ele Iuri, Isaac foi minha luz no momento mais sombrio da minha vida e o tempo que passei sem ele foi como se um vazio tivesse aperto no meu peito e nada era suficiente para fechar e quando achei que nunca teria minha luz de novo, ele veio e me salvou, me tirou do inferno em que eu vivia, me deu uma casa, um vida ao lado dele, sou grato e com certeza o homem mais apaixonado desta terra.” Ele fala e me emociono muito com sua declaração, Isaac todo sem jeito beija o marido levemente nos lábios. “Parra mozão, assim vou ficar sem jeito na frente do cunhado.” Nunca pensei que ouviria essa palavra, cunhado, sou cunhado de alguém. “Como sou cunhado vou ter desconto no sushi de agora em diante?” Perguntar não ofende né. “Meu cunhado enquanto eu tiver duas mãos para preparar sushi você não precisa pagar um centavo.” Ele fala todo animado. “Estava brincando, jamais vou aceitar ficar comendo de graça, sempre é o negócio de vocês, preciso valorizar mais do que qualquer um.” Foi essa a educação que meu pai me deu, de sempre valorizar meu trabalho e dos outros.

Entramos fácil madrugada adentro, às três da manhã Jonas foi me deixar em casa, afinal ambos precisávamos trabalhar algumas horas, quando ele parou o carro em frente ao meu prédio percebeu que estava muito calado e me perguntou o que eu tinha. “Jonas, pensei muito e não é justo não te contar, isso pode custar minha carreira, mas antes a minha do que a sua.” Falei bem sério. “O que foi Iuri, algum problema?” Jonas ficou preocupado com a forma que eu estava falando, então abri o jogo e fui direto ao ponto. “O que mais quero nessa vida e me tornar um defensor público, nunca foi conseguir dormir sabendo que não fui capaz de defender meu próprio irmão, eu sei quem tentou te prejudicar vazando informações do seu caso Jonas, foi minha chefe a promotora, ela se aproveitou da parceria entre os escritórios e através dos contatos dela conseguiu os documentos que vazaram.” Jonas ficou em choque sem saber o que me dizer. “Não sei como ela conseguiu e nem quem teve que molhar a mão, mas imprimi tudo que acho que pode te ajudar a descobrir, e fique esperto porque esse pedido foi a por baixo dos panos e ela fez de novo, Davi foi pegar uns documentos que ela pediu, mas não deixei que ele mexesse em nada, fiquei com uma pulga atrás da orelha e verifiquei os documentos e encontrei mais dois casos seus que ela não precisa ter acesso, pois não tem nada haver com os casos em conjunto.” Jonas me acompanha até meu apartamento, quando entramos Felipe está na sala estudando na mesa e seus olhos vão direto para o Jonas, e noto uma certa aflição em seus olhos, afinal três da manhã ele me pega entrando em casa com um cara lindo — afinal a beleza é de família — Jonas lhe dá boa noite e vamos direto para o meu quarto, não quero que meu irmão que já se tocou que esse é o Felipe fala algo que me comprometa. “Ele é bonito.” Ele fala assim que entramos no meu quarto, pego os papéis para ele tentando não mostrar que fiquei envergonhado pelo comentário dele. “Esse caso não é nem famoso, porque ela está pedindo minhas peças sem meu consentimento?” Ele se questiona. “Não faço ideia irmão, aqui está tudo que consegui descobrir, só que tenho um contrato de confidencialidade muito pesado com ela, depois que você levar isso adiante minha carreira está acabada, ela vai processar até minhas próximas gerações.” Falo mais para mim do que para ele, já que tenho que começar a me conformar, pelo menos posso trabalhar no negócio do meu pai penso. “Iuri, não posso fazer isso com você.” Jonas fala querendo me devolver os papéis. “Que tipo de advogado eu seria se soubesse que algo sujo está sendo armado para cima do meu próprio irmão e ficasse calado, não é para isso que estou me formando, não sou como ela irmão, sou melhor do que ela, já abandonei pessoas importantes para mim por causa dela, não vou mais cometer esse erro de novo.” Devolvo os papéis para ele, saímos do quarto e Felipe não está mais na sala, ele deve está pensando que Jonas é um caso meu e melhor assim, ele vai se afastar sozinho.

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Comentários

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Que perfeito! Amei o capítulo! Jonas sempre entregando muito. Iuri deveria pegar logo o Felipe. Ele é tão fofinho! Shippo.

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Tudo que eu imaginava aconteceu aqui nesse capítulo, Jonas esclareceu tudo é mais um pouco, mostrou quem é o Davi de verdade, agora dá pra saber que tanto mãe e filho não valem o chão que pisam.

Jonas como sempre deu ótimos conselhos, para Iuri basta ele agora ouvir, e fazer as coisas certas, dando uma chance para o Felipe por exemplo, e voltar a rever os amigos.

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Que capítulo intenso! Finalmente os irmãos se abriram, Davi foi desmascarado...e, claro, o Iuri tomando decisões dramáticas sobre relacionamento haha

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