Clube da Brotheragem - Cap 41 - O jornal (Disponível até dia 28/02!)

Continuação do Capítulo 4.1. Ricardo reage

— Só me diga quem foi, André, que eu vou encher a cara desse vagabundo de porrada! Espero que seja homem! — disse a ele, já sentindo meu sangue ferver.

— Foi aquele cara que costumava andar muito contigo e com o Túlio no ano retrasado e no começo do ano passado — ele tentava recordar o nome enquanto eu ficava cada vez mais ansioso — Ele estava sempre junto de vocês.

— Pablo? Maycon? Diego?

— Esse aí, o Diego!

— Ué, será que alguém do time vazou a foto do dia em Ouro Preto? — eu estava nervoso e ao mesmo tempo tentando melhor entender toda a conexão da situação.

— Mano — André respirou fundo, seu olhar mais sério do que nunca — Um cara do nosso time enviou a foto para ele.

— Quem, André? Me fala logo, por favor! — minhas mãos apertavam as alças da mochila com tanta força que pareciam prestes a se romper.

— O Jean! — ele disse, quase como se estivesse com medo — Mas não espalha que fui eu quem te contou. Eu ouvi o Jean falando com o Vinícius no vestiário hoje mais cedo sobre isso. A gente foi bater uma bola na hora do almoço e eu estava lá dentro quando os dois estavam cochichando sem imaginar que eu estava no outro lado dos armários.

— Hoje tem treino, né? Eu saí do grupo depois daquilo tudo, mas sei que tem treino hoje.

— Tem sim.

— Eu sei que estou suspenso, mas vou aparecer lá hoje. Pode apostar!

— Ricardo, pelo amor de Deus! — André parecia desesperado — Eu te contei porque confio em você e não concordo com as atitudes do Jean. Por favor, não diga a ninguém que fui eu quem te falou.

Senti o ódio borbulhando dentro de mim enquanto respirava fundo, tentando controlar a fúria.

— Pode deixar, André. Você é meu aliado e não vou trair sua confiança — prometi, apertando sua mão em agradecimento.

Ele balançou a cabeça, visivelmente aliviado.

Agradeci-lhe novamente pela informação e segui em frente, com a mente tomada por pensamentos turbulentos.

Subi as escadas rumo ao alojamento, sentindo o peso da mochila sobre os ombros. Ao entrar, esperava encontrar Caio ou Túlio, mas o silêncio que recebi em resposta indicava que ainda não haviam retornado das aulas do primeiro dia do ano letivo. Caio, com sua rotina regrada, provavelmente iria direto das aulas para o treino, como de costume, visando economizar tempo e energia.

Lá fora, o sol começava a cair lentamente, tingindo o céu de tons alaranjados. Ao abrir a geladeira, deparei-me com uma desagradável surpresa: nem água tinha. Era hora de fazer as primeiras compras do ano. Fiz uma careta de desânimo e optei por saciar minha sede direto do filtro. A água não estava gelada como eu gostaria, mas ao menos aplacou minha sede momentaneamente. Enquanto enchia as garrafas para colocá-las no congelador, minha mente estava mergulhada nos relatos de André.

As peças do quebra-cabeça pareciam se encaixar perfeitamente. Era plausível que Diego estivesse por trás da divulgação das fotos no telão. Afinal, entre os rapazes da faculdade, apenas Túlio e Diego conheciam meu endereço, com Caio tendo conhecido posteriormente, mas era óbvio que ele não nos exporia. Alícia, a única garota que sabia onde eu morava, estava fora de cogitação, pois eu confiava plenamente nela.

Após completar a tarefa de encher as garrafas e dar algumas voltas pensando muito pelo alojamento, o horário do treino se aproximava. Desci as escadas do alojamento e segui em direção ao campo de futebol, com a mente ainda repleta de pensamentos sobre a situação delicada em que me encontrava.

Ao chegar lá, deparei-me com a cena habitual: a equipe espalhada pelo gramado, cada jogador empenhado em sua jogada. Avistei Caio, concentrado no jogo, sua presença marcante sempre capturando minha atenção, mas nem mesmo sua bela figura me trouxe tranquilidade naquele momento. Olhei ao redor e lá estava Isaque, observando atentamente a partida à distância. Não avistei Leôncio, provavelmente tinha dado início ao treino e depois se afastou para seu canto habitual, onde costumava desfrutar de um cigarro.

André, sempre correndo e batalhando pela posse de bola, notou minha chegada e, ao me avistar, seus olhos arregalaram-se em alerta. Procurei por Jean e logo o encontrei, envolvido em uma discussão acalorada com outro jogador.

Decidi entrar em campo sem rodeios. Chamei a atenção de alguns dos jogadores, que pareceram surpresos com minha presença ali, especialmente vestindo bermuda jeans e chinelos. Jean, ao me ver, não perdeu a oportunidade de soltar uma provocação:

— O que você está fazendo aqui, Ricardo? Não está suspenso do time por deserção?

Sem hesitar, respondi, deixando transparecer todo o meu rancor:

— Vim para acertar as contas contigo, seu filho da puta!

Jean ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa:

— Eu? O que eu fiz? Tá maluco?

— Vai dizer que não foi você quem vazou a foto daquela noite em Ouro Preto para o Diego?

Caio me lançou um olhar surpreso, claramente começando a entender o que estava acontecendo.

— Está maluco? — questionou ele, visivelmente preocupado.

Agarrei Jean com firmeza pelo colarinho de sua camisa, meu sangue fervendo de raiva enquanto ignorava os apelos por calma ao meu redor.

— Confessa, seu filho da puta! Igual você confessou hoje mais cedo para o Vinícius! — acusei, lançando um olhar feroz na direção de Vinícius.

Jean, encurralado, acabou admitindo seu delito:

— Você falou alguma coisa para ele, Vinícius? — indagou, quase num suspiro de resignação.

Vinícius, por sua vez, se defendeu, visivelmente desconfortável:

— Tá louco, irmão! Eu não abri a boca, não!

Isaque já havia se aproximado da confusão, observando a cena com preocupação.

— Vinícius, você poderia ter sido honesto comigo desde o início — repreendi, frustrado com sua falta de transparência — Você é outro filho da puta que poderia ter me contado toda a verdade, mas preferiu ficar na sua.

— Eu não sou fofoqueiro, mano! — protestou ele, levantando as mãos em sinal de inocência.

Um dos colegas do time interveio, apoiando minha posição:

— Não se trata de fofoca, cara! O Ricardo é filho de um deputado famoso. A divulgação daquela foto afetou a vida dele. Ele tinha o direito de saber a verdade desde o começo.

Nesse momento, notei André concordando com um aceno de cabeça, exibindo um sorriso solidário.

— Exatamente! Você foi traíra, e vou fazer você pagar por isso! — declarei, já desferindo um soco em direção a Jean.

O golpe foi retribuído e Jean acertou meu braço direito. Logo estávamos nos embolando no chão, enquanto nossos colegas se aproximavam para nos separar.

— Parem com isso, vocês dois, estão malucos? — repreendeu Isaque, visivelmente indignado com a situação.

Após a confusão atingir o ápice, Leôncio surgiu de repente, como um sábio mestre dos magos pronto a restaurar a ordem no caos.

— Que diabos está acontecendo aqui? — indagou Leôncio, com uma expressão de surpresa e preocupação.

Nesse ponto, Jean e eu já estávamos contidos, e aproveitei para explicar toda a situação para Leôncio, desabafando minha indignação.

— Mas eu apenas enviei sua foto para o Diego, assim como muitos outros aqui podem ter compartilhado a foto de vocês com outros colegas no campus — admitiu Jean, na presença do treinador — Eu não fui responsável por expor sua imagem no telão. O verdadeiro culpado foi o Diego! Ele me contou depois que planejava fazer um dos funcionários do seu pai divulgar a foto. Segundo ele, conhece alguns dos funcionários do seu pai e sabe que nem todos ali são de confiança. Há um infiltrado entre eles, e foi esse quem aceitou a tarefa. Diego disse que odeia os discursos de seu pai e que também estava bolado contigo por alguma coisa que eu não sei.

— E você só resolveu me contar isso agora? — gritei, indignado — Depois que minha reputação e a de Caio foram arruinadas? Só abriu o jogo porque eu estava prestes a arrebentar sua cara, seu desgraçado!

Tentei me soltar dos braços que me seguravam, mas eram muitos contra mim.

— Okay, pessoal, já chega! — interveio Leôncio, impondo autoridade na situação — Ricardo, se você quer resolver algo com o Jean, faça isso fora da minha aula. Aqui dentro, considerarei como uma falta de respeito. Quanto a você, Jean, está afastado do time por um mês. Lealdade é fundamental dentro da equipe — sentenciou Leôncio, firme em sua decisão.

— Mas, Leôncio, o Ricardo mesmo já disse que saiu do time. Como devo lealdade a ele se não faz parte da equipe? — argumentou Jean, tentando justificar-se.

— Ricardo ainda faz parte do time, sim! — retrucou Leôncio, olhando firmemente para mim — Ele está apenas cumprindo sua suspensão. Mesmo que diga ter saído, eu o quero de volta no time.

Com essa determinação, Leôncio dissipou a confusão. Como era o primeiro treino do ano, ele optou por encerrar a noite mais cedo. Dispensou todos e garantiu que André e Caio me acompanhariam até o alojamento para evitar mais confusões.

É claro que, no trajeto, não pude deixar de fazer algumas brincadeiras com os dois.

— Sério que Leôncio mandou vocês me escoltarem? Se eu quiser, consigo dar um jeito de fugir dos dois numa boa!

— Para de caô, Ricardo — retrucou André — O Caio sozinho consegue sustentar uma briga contigo, imagina eu e ele juntos. Você estaria muito fodido!

— É deixa ele, André, coitadinho! — acrescentou Caio.

Sem olhar para Caio, soltei um sorriso por conta de sua provocação. Afinal era o Caio provocador que eu gostava. Continuamos nosso caminho.

Chegamos no alojamento e André optou por seguir seu caminho até o seu. Ao adentrarmos, deparamos com a cena hilária de Túlio, sentado no sofá apenas de short, todo relaxado, devorando iogurte de morango, daqueles que as crianças adoram, enquanto assistia atentamente a um comercial na TV. A mesa de centro estava repleta de potinhos de iogurte já consumidos por ele. Quando percebeu nossa presença, ele nos brindou com um sorriso charmoso.

— Minha nossa! Olha só a situação dessa criança! — comentei, olhando para Caio.

Caio não aguentou e soltou uma risada, pois a cena era realmente cômica.

— E aí, finalmente chegaram! Como estão, meus amigos? — exclamou Túlio, levantando-se do sofá de um salto, como se estivesse executando um golpe de jiu-jitsu.

Ele nos abraçou calorosamente, sem se importar com o fato de estarmos suados. Trocamos breves palavras sobre como foram as férias e tal, nada muito profundo. Naquele momento, porém, uma sensação de desânimo se apossou de mim. Lembrei-me da confusão no campo e decidi ir à cozinha pegar água, já que tinha gastado bastante saliva na discussão, deixando Caio e Túlio a sós. Percebi os olhares curiosos de Túlio me acompanhando.

— O que aconteceu, Bruno? — indagou ele.

Depois de finalizar meu copo de água, tomei uma respiração profunda e respondi a Túlio:

— Cara, você acredita que foi o Diego que fez a foto vazar no telão?

Túlio arregalou os olhos, surpreso.

— Caralho, mano! Que filho da puta!

— Exatamente. Ele se aproveitou do fato de conhecer alguns funcionários do meu pai e convenceu um deles a expor a foto no telão.

Túlio balançou a cabeça em indignação.

— Esse cara mudou completamente! Da água para o vinho. Ele parecia ser tão da parceiragem quando estava aqui com a gente — lamentou-se Túlio, visivelmente perturbado — Eu nem vou mais cumprimentá-lo se cruzar com ele pelo campus. Se ele mexeu com meus amigos, mexeu comigo também.

— Eu vou quebrar a cara desse sujeito quando ele passar por mim! — disse eu, sentindo o sangue ferver — Deixa só eu sentir a sombra dele perto de mim!

— Vamos deixar isso pra lá, Ricardo — interveio Caio, tentando acalmar os ânimos.

— Cara, sem contar que ele não fodeu apenas com vocês — acrescentou Túlio — Ele fez para foder com a campanha de seu pai. Ele meio que sabia que isso iria atrapalhar a campanha de Emanuel Lopes. Ou seja, tem alguém dentro do esquema de seu pai trabalhando contra ele.

— Honestamente, estou tão irritado com meu pai que nem sei se devo mencionar isso para ele. Ele poderia até colocar toda a culpa em mim por ter levado o Diego algumas vezes lá em casa.

— Vish, mano! Deixa isso quieto, então! — disse Túlio, cerrando os olhos enquanto refletia sobre a confusão que isso poderia causar para mim.

— Mas uma coisa é certa! Eu vou quebrar os dois na porrada. O Diego e também o Jean, por ter passado o vídeo para ele — declarei, cerrando os punhos com força — Vou pegar um por um, separadamente. E vou desfigurar o rostinho bonitinho do Diego de tanto soco que ele vai levar.

Nesse momento, Túlio pegou mais uma potinho de seu iogurte e me olhou sério enquanto lambia a tampinha.

— Não, você não vai agredir o garoto, mesmo que ele tenha sido um merda — disse Caio, que parecia querer testar meus limites naquele momento.

— Não vou? — meu sangue parecia ferver ainda mais — Só vou parar quando ele estiver chorando no chão, com a cara toda amassada.

— Mas, Ricardo, você acha que vale a pena? — questionou Caio.

— Caio, meu ódio por esses dois é tão grande que você não está entendendo! Eu vou esperar ele estar sozinho e vou chegar perto dele para conversar como se não quisesse nada. Ele vai cair no meu papo e eu vou esmurrar a cara dele sem dó.

— Mas é aí que está, cara — continuou Caio — Se fosse numa situação de raiva iminente, e você agisse impulsivamente, tudo bem, seria mais compreensível toda a emoção do momento. Mas, planejar uma vingança, saber como vai abordá-lo e planejar machucá-lo de verdade, aí já acho demais. Só o fato de você planejar algo assim mostra que é vingativo e guarda muito rancor.

— E você queria o que, Caio? Que eu desse flores para ele? — perguntei, elevando ainda mais o tom de minha voz, sentindo a irritação pulsar em minhas veias.

Enquanto isso, Túlio observava silenciosamente, passando o dedo no potinho do iogurte como se estivesse em um estado de nirvana gastronômico, parecendo alheio à tensão que permeava o ambiente.

— Mas, Ricardo, você pode errar a mão, sei lá — ponderou Caio, preocupado — Você sabe que o Diego não tem a mesma estrutura física que você. Você pode acabar errando a dosagem e machucando-o de verdade. Pode se tornar algo sério, e isso acabar se tornando assunto de polícia!

— Que seja! É bom que eu vá logo preso! — desabafei, com nervosismo transparecendo em cada palavra — Se bem que seria melhor eu matar logo aquele desgraçado por ter feito o que fez, assim eu seria preso por justa causa. Faria o trabalho por completo!

A expressão de Caio refletia sua preocupação crescente, seu olhar estava fixo em mim, repleto de alarme.

— Agora você foi longe demais — repreendeu ele, fitando-me intensamente — Espero sinceramente que isso tenha sido apenas uma fala impulsiva.

— O que foi? O Diego te odeia, cara, por que está defendendo ele? — retruquei, ainda exaltado.

— Não é isso — explicou Caio — Você não percebe? Você está falando exatamente como seu pai nos discursos dele. Para ele, tudo se resolve com violência, é sempre um "fulano merece morrer" ou um "tem que matar para servir de exemplo para a sociedade". Você está agindo igual ao seu pai. Está parecido com ele.

Aquelas palavras me atingiram profundamente, deixando-me em silêncio, imerso em reflexão.

— Mas eu não sou igual ao meu pai. Claro que não sou! — rebati, sentindo-me incomodado com a comparação.

Caio permanecia sério, sua expressão revelando uma mistura de preocupação e desapontamento.

— Então pare com esse ódio todo, cara! Pare de planejar a vingança. Pare de argumentar como se fosse o seu pai falando nas entrevistas que ele dá na tevê. Isso me deixa assustado — insistiu Caio, com um tom de voz mais contido, quase gélido.

Aquelas palavras ecoaram em minha mente, trazendo à tona uma preocupação genuína. Eu não queria que Caio me visse como uma extensão de meu pai, carregando consigo o mesmo peso de seus métodos implacáveis. Ele tinha razão. Não queria que ele temesse minha presença ou se afastasse por medo de me tornar igual ao meu pai.

— Eu sei que você é inteligente e sabe argumentar muito bem, como já o vi várias vezes. Aquele dia no clube do debate foi incrível, ver você falar com tanta eloquência e perspicácia. Mas esse discurso de hoje não parece aquele Ricardo que me deixou impressionado naquele dia. Eu sei que você é inteligente e capaz de encontrar uma forma mais elevada de lidar com essa situação do Diego e do Jean. — Caio expressou suas palavras com seriedade, buscando me fazer refletir.

Um silêncio pesado pairou no ar, rompido apenas pelo som distante da respiração. As palavras de Caio ressoavam em meus pensamentos, obrigando-me a confrontar a verdade que ele apontava. Criado em um ambiente marcado pelo ódio e pela hostilidade, eu havia absorvido mais do que gostaria dos métodos de meu pai. Era hora de reconhecer isso e começar a buscar uma mudança.

— Gente eu esqueci — disse Túlio, quebrando o silêncio constrangedor que pairava no ar — Eu nem ofereci iogurte para vocês. Algum de vocês quer?

Caio soltou uma gargalhada gostosa com a pergunta inusitada de Túlio, enquanto eu, mesmo tentando manter uma expressão séria, não consegui conter o riso que escapou de meus lábios.

— Mas eu concordo com o Caio — acrescentou Túlio, tentando descontrair o clima tenso que se instalara.

Olhei para Túlio com seriedade, ponderando minhas próprias ações diante da situação.

— Túlio, o que deu em você para comer tanto iogurte assim? — perguntou Caio, demonstrando genuíno interesse.

— Mano, cheguei do treino de jiu-jitsu varado de fome. Como eu tinha trazido de casa iogurte, acabei amassando tudo porque era a única coisa que tinha para comer aqui — explicou Túlio, dando de ombros.

— A gente precisa fazer a primeira compra do ano para o nosso alojamento — disse Caio olhando para mim, pois era no meu carro que a gente transportava as compras.

Assenti com a cabeça, ainda sério e pensativo, absorvendo as palavras que ecoavam em minha mente.

Traumatizado pela comparação com meu pai, sentia uma urgência interna em me distanciar de seus métodos e comportamentos. Não queria herdar sua personalidade ou seguir seus passos. Estava determinado a trilhar meu próprio caminho, mesmo que isso significasse enfrentar desafios e dilemas pessoais.

Poucos dias se passaram e nossa rotina estava de volta ao normal. A geladeira e a despensa estavam repletas de mantimentos. Caio assumia a cozinha nos dias em que se sentia inspirado e não tão exausto da rotina. Às vezes, cogitávamos pedir comida delivery, mas ele sempre insistia em cozinhar. As tarefas domésticas, como lavar a louça, acabavam ficando para mim ou para Túlio.

Com minha suspensão do time em vigor e a séria consideração de não retornar, as noites livres do treino se tornaram uma espécie de tédio solitário no alojamento. Enquanto Túlio se dedicava ao jiu-jitsu ou estava na casa do Vernan, Caio estava mais comprometido com o time do que nunca.

Observava Caio chegar em casa exausto após os treinos, sem camiseta e com a mochila pendurada em apenas um dos ombros. Sua aparência, com o rosto coberto de suor, só ressaltava sua beleza natural.

Numa dessas noites, enquanto eu lia um livro do curso no sofá, Caio adentrou o alojamento com semblante cansado.

— E aí! — disse ele, com a voz carregada de fadiga.

— Fala tu, Caião! — respondi, erguendo o olhar do livro.

Caio, ainda parado na porta, tirou as chuteiras dos pés e jogou a mochila num canto qualquer, indo direto para a geladeira em busca de água gelada. Ao retornar para a sala, posicionou-se diante de mim.

— André tá querendo falar contigo — anunciou, enquanto abria a tampinha da garrafa de água.

Olhei para Caio e observei enquanto ele tomava um enorme gole de água, deixando uma gota escapar de seus lábios. Meus olhos seguiram o trajeto dessa gota, descendo pelo seu peitoral, percorrendo o caminho até seu abdômen e finalmente desaparecendo no elástico da sua cueca preta, que aparecia acima do seu short azul marinho.

A simples visão de Caio despertava uma excitação em mim, fazendo meu pau pulsar dentro da cueca. Minha vontade era agarrá-lo do jeito que ele estava, todo suado, e juntos cairmos naquele chão da sala e só parar quando os dois tivessem gozado muito.

— Porra, Caio! — deixei escapar, expressando meu desejo.

Caio, após terminar a água, virou-se para mim com um olhar interrogativo.

— Que foi? — indagou ele. — Prestou atenção no que eu falei? O André quer falar contigo.

— Claro que sim, cara. Eu vi a mensagem dele, mas estava ocupado estudando. Deixei para responder depois.

— Ah, entendi. Desculpa aí. Não quis te atrapalhar, só queria repassar a mensagem mesmo.

Enquanto ele se afastava em direção à cozinha, fechei o livro e me levantei, indo atrás dele. Cheguei perto, encontrando-o encostado na pia.

— Na verdade, eu estava mesmo precisando de uma pausa. E que tal matarmos a saudade, hein? Já faz um tempo que não nos divertimos juntos.

Caio me encarou com um olhar carregado de desejo, um olhar que incendiava minha imaginação. Se ele tivesse me pedido para beijá-lo naquele momento, eu não hesitaria e não economizaria minha língua para dar-lhe o melhor beijo.

— Esse joguinho de brotheragem e fingir que é hétero? Sinceramente, Ricardo, já deu. Não quero mais isso — disse ele, desviando o olhar e afastando-se de mim. — Aliás, você já percebeu que eu me assumi para todo mundo, né? Então, não tem mais volta para mim, mesmo que eu quisesse.

Fiquei ali, parado, tentando processar suas palavras. Caio estava sendo direto, como sempre, e aquilo mexeu comigo. Eu o queria, isso era inegável, mas estava confuso sobre o que aquilo significava para nós.

— Tudo bem, Caio. Podemos continuar assim aqui dentro. Não me importo com o fato de você ter se assumido pra geral. A gente pode ficar aqui dentro de boa. Eu te desejo, cara. Você sabe disso — respondi, tentando manter a calma.

Ele me lançou um olhar profundo e sério.

— Mas e lá fora? Você vai querer estar comigo também? Porque se você me quiser apenas quando estivermos daquela porta para dentro — disse ele, apontando para a entrada do alojamento —, então eu prefiro não ter mais nada com você.

Aquelas palavras ecoaram em minha mente, deixando-me sem reação. Caio pegou sua chuteira e mochila e se dirigiu para o quarto, deixando-me ali, perdido em meus próprios pensamentos. Decidi então verificar as mensagens em meu celular e finalmente respondi as mensagens de André, mas ele parecia estar offline.

No dia seguinte, durante o intervalo do almoço, finalmente consegui retomar o contato com André e combinamos de nos encontrar em um dos quiosques do campus.

Quando cheguei ao local combinado, André já estava lá, concentrado em seu celular, provavelmente organizando mil coisas ao mesmo tempo. Nos cumprimentamos e nos sentamos para conversar.

— E aí, André! O que tá rolando, meu parceiro? — perguntei, pronto para ajudar no que fosse necessário.

— Preciso da sua ajuda para organizar a festa de boas-vindas dos calouros. Não manjo nada desse negócio de organização de evento — explicou ele, meio perdido.

— Ah, seu safado! — brinquei, fingindo estar ofendido. — Já tinha até esquecido que você tomou o meu lugar como presidente da Atlética!

— Tomei nada, você que decidiu abdicar de seu trono de glória! — rebateu ele, também no clima de descontração.

— Eu não te ajudar, seu usurpador!

— Vai sim! — disse ele entrando no jogo — Pois fui eu que descobri os mafiosos que armaram contra você e expuseram sua foto no telão.

— Tá certo, tá certo, você venceu! Mas só aceito ajudar se você reconhecer que vai ser meu laranjinha nessa história toda — respondi, rindo da situação.

— Nada disso, meu amigo! Tudo precisa passar pela aprovação do grande chefe. E qual o nome do chefão? — provocou ele, com um sorriso maroto.

— Jorgina Boqueteira! — declarei.

— Nada disso! É André! — disse ele, com orgulho.

Nesse momento, percebemos alguém se aproximando de nossa mesa. Era uma garota muito estilosa, com uma bolsa elegante a tiracolo e traços asiáticos marcantes.

— Oi, boa tarde! Ricardo, certo? — perguntou ela com um sorriso simpático para mim.

— Sim, sou eu mesmo.

— Então, me chamo Gabi. Eu precisava falar com o presidente da Atlética.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, André se intrometeu na conversa com seu jeito brincalhão:

— Olha só, Gabi, o presidente mudou de endereço. Agora é comigo mesmo!

Eu olhei para André, que me lançou um olhar cúmplice e, concordando, confirmei com a cabeça. Gabi pareceu um tanto confusa e se dirigiu a André.

— Ah, me desculpe, André. Fui informada de que seria o Ricardo. Não sabia dessa mudança.

— Tudo bem, Gabi! — disse ele, dando uma piscadinha para mim como se estivesse se divertindo com a situação.

— Então, pessoal, vou direto ao ponto — continuou Gabi. — Sou estudante de Jornalismo e trabalho como repórter no canal de comunicação que engloba os cursos de Jornalismo, Comunicação Social, Audiovisual, Design Gráfico e Letras.

— Legal demais! Já ouvi falar do projeto e até acompanhei alguns dos vídeos de vocês. Estão mandando muito bem! — comentei, demonstrando interesse.

— Que bom que gostou! Obrigada! — respondeu ela, visivelmente animada. — A nossa equipe está planejando testar uma transmissão ao vivo durante a festa da chopada de boas-vindas. Queríamos saber se isso seria possível ou se há alguma restrição para fazer uma cobertura ao vivo do evento.

— Claro que pode! — respondeu André prontamente. — Não vejo problema algum. Aliás, qualquer atividade acadêmica que agregue conhecimento e não prejudique ninguém é mais do que bem-vinda.

— Ah, muito obrigada mesmo. A gente fica mega feliz com esse apoio! — Gabi expressou sua gratidão com um largo sorriso.

— De nada! Tenho certeza de que vai ser uma experiência superinteressante — respondi, tentando mostrar o quanto estava empolgado com a proposta.

Após as despedidas, Gabi se afastou e voltamos a nós dois, André e eu.

— Ai, como é cansativo ser presidente da Atlética, meu Deus! — comentou André, com um tom de brincadeira e deboche evidente em sua voz.

— Pois é, é uma jornada e tanto! Como dizia mesmo Maquiavel? "Dê o poder ao homem, e descobrirá..." — refleti, olhando para o céu.

— Ah, não vem citar Maquiavel pra cima de mim não, cara! — interrompeu-me André, entre risos. — Você sabe que estou só tirando sarro contigo, né? E pode ficar tranquilo, quando decidir voltar para a Atlética, eu te devolvo a coroa.

— Eu sei que é brincadeira, mas estou realmente em dúvida se quero voltar mesmo — admiti, olhando para o nada, perdido em meus pensamentos.

— Ah, mano, mas você é parte essencial do time! Não dá nem para imaginar a Atlética sem você.

— Mesmo assim, não sei... Mas, independentemente disso, vou te ajudar no que precisar para organizar essa chopada.

André assentiu, mas não pude deixar de notar que sua expressão ficou um pouco menos animada após minha confissão sobre não voltar para o time.

A semana passou voando, e confesso que, por um tempo, até esqueci dos rolos com Jean e Diego. Nem lembrava mais dos planos maquiavélicos que tinha traçado contra eles. Afinal, estar imerso na ajuda a André com a organização da chopada ocupava minha mente, especialmente porque no início do ano letivo não havia muita matéria na faculdade para me preocupar. Por um lado, era um alívio não ter toda a responsabilidade da organização nas minhas costas, mas, por outro, adorava ter uma participação ativa e poder opinar em algumas decisões. André era tranquilo demais, ouvia minhas sugestões e aceitava a maioria, mas também tinha suas próprias preferências.

Em nosso convívio no alojamento, notei que Caio estava um pouco mais distante de mim. Em uma daquelas noites em que ele chegava do treino, visivelmente cansado e suado, aproveitei para mencionar a chopada.

— E aí, Caio, vai aparecer na chopada de boas-vindas dos calouros no final de semana? — perguntei, sentado à mesa, com meu notebook aberto.

— Não sei. Vou pensar — respondeu ele, retirando as chuteiras dos pés.

Ele não tocou mais no assunto, mas mantive minhas esperanças de que ele aparecesse, considerando que, no ano anterior, ele foi categórico ao afirmar que não iria, mas acabou aparecendo de surpresa. Um "vou pensar" deste ano parecia mais promissor do que um "não vou" do ano anterior.

O final de semana finalmente chegou. Era sábado, e eu tinha um plano em mente para lidar com toda aquela confusão das fotos. Alícia, gentilmente, concordou em ser minha namorada de mentirinha até que toda aquela poeira se dissipasse. Afinal, com a história da manipulação de imagens com Inteligência Artificial se espalhando cada vez mais, estava sendo mais fácil de lidar com a situação. No entanto, Alícia foi bem clara comigo:

— Bruno, eu não pretendo prolongar essa mentira por muito tempo. Estou fazendo isso apenas para te ajudar, porque você se tornou um amigo, mas logo vamos encerrar esse namoro de mentira.

— Eu entendo, e prometo não insistir quando você decidir que já deu! — assegurei a ela.

Chegamos juntos à festa da chopada, de mãos dadas, como parte do nosso plano arquitetado. Era uma encenação para que todos pudessem ver: o filho do deputado estava ali, apoiado por sua "namorada", mostrando que era um jovem "do bem" e digno de orgulho para a família tradicional brasileira, especialmente para seu próprio pai.

— Caralho, moleque! — exclamou Ronaldo, um colega que estudava Educação Física — Sempre soube que aquela história da foto era uma armação para prejudicar seu pai. Agora posso ver com meus próprios olhos!

Ronaldo observava atentamente minha postura ao lado de Alícia. E não foi só ele; vários colegas vieram me cumprimentar pela minha "masculinidade", inclusive alguns do time, que expressaram apoio e incentivo como se eu estivesse seguindo o caminho certo. Mesmo eles que testemunharam a cena queriam acreditar que aquela noite em Ouro preto fora apenas um episódio isolado, e que em breve voltaríamos à "normalidade", com o "Ricardo comedor de xoxotas" de sempre no campus.

De certa forma, eu estava incomodado com toda aquela farsa. Mesmo após anos tentando esconder minha verdadeira sexualidade, armar aquele circo para ocultá-la e planejar todos os gestos de carinho e demonstrações públicas de afeto com Alícia naquela noite, apenas para reforçar um estereótipo heterossexual, pesava sobre mim como uma grande mentira. Não era uma sensação feliz. Enquanto observava todos ao meu redor se divertindo, bebendo, conversando alto e dançando, eu estava ali, ao lado de Alícia, que parecia mais interessada em seu celular do que em mim. Era evidente que ela também estava entediada com toda aquela encenação.

Até aquele momento, Caio não havia aparecido na chopada, e sua ausência tornava a festa ainda mais monótona. Mesmo que eu não tivesse coragem de me aproximar dele, ficaria feliz apenas em poder contemplar aquele garoto que mexeu comigo psicologicamente durante todo o ano passado, e parecia que meu psicológico não estava disposto a me deixar em paz.

Pouco tempo depois, Vando, um colega aleatório, se aproximou de mim e de Alícia com o celular na mão.

— Mano, vou dar meu voto para o seu pai, com toda certeza! — exclamou ele — Ele não tem medo de falar o que pensa e expressa o que a gente quer falar. Você viu aquele vídeo da entrevista que ele deu hoje? Está bombando nas redes sociais.

— Cara, aqui tá muito barulho, nem vai dar para pegar o que ele está dizendo — comentei, mostrando pouquíssimo interesse em assistir ao vídeo. Alícia, por outro lado, parecia mais curiosa que eu.

— Mas tem legenda, e é rapidinho! — Vando insistiu, tentando chamar minha atenção.

Por insistência de Alícia, acabamos cedendo e assistindo ao vídeo. Vando apertou o play, e acompanhamos as legendas enquanto ouvíamos as palavras enfáticas do meu pai. Na tela, pude ler e ouvir baixinho as declarações de Emanuel Lopes durante uma entrevista:

"É evidente que aquilo foi uma montagem da oposição! Aquela gente são todos drogados e vagabundos. Meu filho é hétero e já traçou metade das garotas do campus universitário. Ele recebeu uma educação suficiente em casa para não se tornar gay".

— Caralho, mano! Seu pai é pica! — exclamou Vando, me dando um abraço de lado.

Não dei muita atenção a ele, e logo se afastou, provavelmente só queria mesmo me mostrar aquilo. Alícia me encarava com uma expressão séria e enigmática.

— Seu pai realmente tem aversão a gays — comentou ela.

Eu não sabia o que dizer. Ela estava certa.

— Já pensou nisso? Se ele odeia os gays, ele também odeia o próprio filho — acrescentou, com uma observação cortante.

Aquela verdade foi como um soco no estômago, e por um momento, fiquei sem palavras, refletindo sobre minha situação.

Ali, ao lado de Alícia, avistei Gabi segurando um microfone, acompanhada por um rapaz com uma câmera, cercada por outros estudantes da equipe de jornalismo que haviam montado. Estavam começando a fazer entrevistas ao redor, e naquele momento estavam abordando André, talvez por ser o presidente da Atlética e estar encarregado da organização do evento.

A multidão só crescia, e meus colegas não paravam de me cumprimentar. Um deles expressou orgulho por me ver ao lado de Alícia. No entanto, aquelas palavras me trouxeram um amargor interno. Por que todos se importavam tanto? Por que era tão crucial para eles que eu parecesse hétero?

Caio veio à minha mente mais uma vez, e suas palavras da semana anterior ecoaram em minha cabeça, deixando-me desconcertado: "Você está agindo igual ao seu pai. Está parecido com ele".

De repente, comecei a me sentir mal com todo o teatro que havia montado. Era como se todos os heterossexuais do campus estivessem me observando com orgulho por estar ao lado de uma garota, e não ao lado de Caio. Cada olhar parecia transformar-se no olhar orgulhoso de meu pai, Emanuel Lopes, aplaudindo-me por estar acompanhado de uma mulher. Eu via meu pai em todos os rostos. Foi como se uma crise de pânico tomasse conta de mim, uma enxurrada de imagens invadindo minha mente, e a voz de Caio ressoando em minha cabeça como um eco distante: "Você está agindo igual ao seu pai. Está parecido com ele", "Igual ao seu pai", "Parecido com ele".

— Mas nada desse evento teria ganahdo vida se meu parceiro de crime, Ricardo, não tivesse botado a mão na massa com toda sua experiência para me dar uma força na organização — disse André, ainda concedendo entrevista, enquanto surgia ao meu lado acompanhado pela equipe de reportagem.

Naquele instante, fui pego de surpresa, sendo arrancado de meu devaneio psicodélico, e percebi que a luz da câmera e todas as atenções haviam se voltado para mim.

— Conte-nos mais, Ricardo — Gabi perguntou, direcionando a entrevista para mim —, como é estar por trás da organização desse evento incrível que é a chopada de boas-vindas aos novos alunos?

Senti-me cansado e limitado em minhas palavras:

— É incrível! — respondi.

Gabi pareceu aguardar por uma resposta mais elaborada, mas como não saiu nada além do básico de minha boca, ela mesma tomou a frente:

— Isso mesmo, pessoal! É realmente incrível! — ela exclamou, animada, dirigindo-se à câmera — Às vezes, as ações falam mais alto do que as palavras, não é mesmo?

André e Alícia trocaram olhares desconfiados. Provavelmente, desconfiavam que algo não estava bem comigo.

Percebendo a atmosfera tensa, Gabi voltou sua atenção para mim, como se tivesse tido uma ideia súbita, e retomou a entrevista.

— Aproveitando que estamos aqui, e vejo que você está com sua namorada ao seu lado, que tal nos contar o que acha da armação dos grupos políticos de oposição ao seu pai que tentaram usar sua imagem junto com a Inteligência Artificial para arruinar a carreira de Emanuel Lopes? — Gabi perguntou, com a câmera apontada para nós.

Olhei para a câmera, um tanto desnorteado, a luz brilhante ofuscava um pouco minha visão. Me inclinei em direção ao ouvido de Alícia e cochichei meus planos com ela, pedindo sua confirmação, já que ela concordara em participar desse teatro comigo. Alícia fez um sinal de positivo imediato.

— Então, Ricardo, por que não quer aproveitar essa oportunidade já que estamos ao vivo para falar sobre isso e acabar com essa história de uma vez por todas? — Gabi repetiu, com o microfone estendido para mim.

Respirei fundo e preparei-me para responder.

— Quero — respondi, firmando minha decisão.

— Então nos conte-nos, Ricardo — Gabi disse, voltando o foco do microfone para mim.

— Bem, preciso dizer algo...

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Agora é sua vez. VOCÊ DECIDE!

Ricardo deverá aproveitar a transmissão ao vivo e revelar que ama Caio?

A) Sim;

B) Não.

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Enquanto o capítulo novo não sai, que tal ler um dos meus outros livros e assim apoiar minha escrita.

Meus outros títulos publicados:

- Meu amigo do Futebol;

- Café com Leite;

- De Alma Livre;

- Esqueça-me depois do carnaval;

- Vitor e Gustavo em: Uma aventura no cruzeiro.

E vem mais por aí...

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Comentários

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Conto incrível, está me despertando várias emoções: alegria, tristeza, raiva, angústia kkkkk

Parabéns pelo conteúdo maravilhoso, ansioso para os próximos capítulos!

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Ricardo, Ricardo... como este menino está no limite. O que lhe é imposto de como deveria ser e o que ele realmente o está levando ao limite físico, psíquico e espiritual.

Não é fácil ser o protagonista da própria vida.

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As conseqüências serão terríveis mas tomara que ele tenha coragem de assumir não só que é gay como Caio é seu grande amor. Uma cousa é certa ele vai ter um puta homem ao seu lado disposto a brigar com o mundo todo pela felicidade dos dois. Eu acho.

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Tô sentindo que as coisas tão andando pro desfecho...tá na hora do Ricardo assumir logo. E esses dois fazerem um puta sexo hehehe

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