Envolvido num triângulo amoroso - Parte Final

Envolvido num triângulo amoroso – Parte Final

Chegar a Sylt não foi tão fácil quanto havíamos imaginado. Ficamos meses retidos em Berlim por conta dos documentos do Kurt. A Wehrmacht queria reengajá-lo quando descobriram que havia sobrevivido ao atentado em Dieppe, e o estavam forçando sob a alegação de haver desertado ao não se apresentar quando se recuperou dos ferimentos. Eu casualmente reconheci um major numa das vezes em que acompanhei o Kurt no quartel-general da Wehrmacht, ele foi meu colega de escola no ensino básico e não morava muito distante da minha casa em Freiburg. Apesar do uniforme, ele logo me fez saber que não compactuava com os crimes que o regime praticava, durante uma saída rápida para uma cafeteria nos arredores do quartel-general. Falamos da infância, das nossas famílias, dos colegas de turma e tantas outras amenidades. Tive até coragem de lhe confessar porque estava fugindo, e de ter dado fim a vida de um filho de um agente da SS. Quando lhe expliquei porque estávamos em retidos em Berlim por tanto tempo, ele se prontificou a arranjar os documentos que o Kurt precisava para termos livre trânsito pelo território alemão. Demoraria umas semanas, disse ele, mas teríamos os documentos, garantiu. O Kurt ainda duvidou da palavra dele, vi em seu olhar aquele mesmo receio de sermos denunciados e capturados. Ninguém confiava em mais ninguém. Era como se as pessoas tivessem deixado de ter uma alma, de se sentirem solidárias umas com as outras, a guerra havia mudado a índole das pessoas.

Quase final de novembro de 1944, haviam-se passado duas semanas do prazo que o major nos deu para a entrega dos documentos. Como ninguém nos procurou, ficou claro que ele não nos delatou. Ainda havia criaturas de boa alma e coração que colocavam uma amizade antiga acima de qualquer outra questão. Ele me ligou numa manhã de sábado chuvosa, informando que estava de posse dos documentos do Kurt e combinou um lugar para a entrega. Fiquei um pouco apreensivo quando chegamos ao local combinado, nas proximidades de um entroncamento ferroviário para a cidade de Postdam na periferia da cidade. Ele já nos aguardava quando chegamos a cafeteria que já vira dias melhores no passado. Alegou ter marcado o encontro para aquele local porque a casa da pessoa que forjou os documentos não ficava longe dali. Mais descontraídos, tivemos uma conversa amigável, ele e o Kurt haviam ingressado na mesma academia de formação de oficiais da Wehrmacht e logo se reconheceram. Subitamente, surgiu um pelotão com cerca de duzentos homens obrigando um trem que estava de passagem a parar e os ocupantes a descerem do comboio. Estavam à caça de judeus fugitivos. As pessoas iam sendo perfiladas ao longo dos trilhos, famílias inteiras. Sabíamos para onde seriam ser levadas aquelas que fossem sendo identificadas como judias, e senti um nó me sufocando a garganta diante de tanta impotência. Não havia o que fazer, qualquer besteira, qualquer frase mal colocada e seria fuzilado ali mesmo. A cafeteria não distava nem cem metros dos trilhos e foi fácil reconhecer a Sabine entre as pessoas que estavam sendo revistadas. Havia outra mulher com ela, lembrei-me vagamente das feições dela no dia em que a Sabine me apresentou ao grupo naquele bar de Saint-Diés-des-Vosges. Também era uma militante da Resistência de outro grupo e também era uma judia franco-germânica. A Sabine também me reconheceu quando estava prestes a ser revistada. Acenou na minha direção, mas não respondi. Quando o sargento que fazia as revistas tomou os documentos dela nas mãos, ela falou alguma coisa para ele que o fez se virar na nossa direção. Ele hesitou a princípio quando identificou o major sentado conosco, mas depois caminhou em nossa direção escoltando-a com a ajuda de dois soldados.

- Boa tarde major! Desculpe interromper sua conversa com esses senhores, mas esta moça alega ser amiga desse senhor que o acompanha. – disse o sargento. – Conhece esta moça? Ela nos informou que estudou com o senhor na universidade de Freiburg, isso confere? Temos fortes suspeitas de tratar-se de uma judia que se aliou a grupos da Resistência francesa cujo nome verdadeiro é Sabine Benoit Weissmann, e não Erika von Paulussen como consta nesses documentos que ela apresentou.

- Você a conhece? - perguntou-me meu amigo major, reiterando a pergunta do sargento.

- Não, não conheço! – respondi com firmeza, encarando a Sabine como se nunca a tivesse visto.

- É mentira! É mentira, ele me conhece! Diga a eles quem eu sou! – exigiu ela, embora não mencionasse meu nome e nem como nos conhecemos, pois isso só confirmaria as suspeitas do sargento da Gestapo.

- Lamento, mas nunca vi essa mulher antes! – reafirmei, no exato momento em que um cabo do pelotão veio correndo com algumas folhas de papel nas mãos, cópias de dossiês que a Gestapo mantinha para identificar potenciais inimigos do estado nazista, a que ele estendia em direção ao sargento tinha uma fotografia borrada da Sabine, mas que não deixava dúvidas de que aquela moça agora com o cabelo tingido de castanho era a mesma da fotografia, Sabine Benoit Weissmann.

Eles a embarcaram num vagão ripado já atulhado de gente, muitos exibindo presas às vestes a estrela de Davi amarela com a inscrição – JUDE – foi a última vez que a vi. A porta do vagão foi trancada com um cadeado e a composição, após um longo apito que soou fúnebre, começou a se deslocar sobre os trilhos que seguiam em direção a Varsóvia na Polônia, para cujo campo de concentração estavam sendo levados os últimos contingentes de judeus antes da desativação do campo.

Eu olhei para o Kurt, as lágrimas desciam pelo meu rosto, ele posou a mão dele sobre a minha. No que eu me transformei, perguntava a mim mesmo.

- Não se culpe! Essa mulher cavou seu próprio destino, não se sinta responsável por ele. – consolou-me ele, logo após nos termos despedido do major e, por sorte, não termos que dar mais explicações sobre quem, de fato, era aquela mulher.

Quatro dias depois, estávamos em Sylt, na casa da tia do Kurt, em Westerland, que não cabia em si de felicidade por voltar a ter companhia naquele lugar desolado e fustigado pelos ventos frios do Oeste que sopravam do Báltico. Apesar do forte engajamento populacional no nacional-socialismo e dos inúmeros bunkers construídos ao longo da costa, a guerra se fez pouco presente na vida cotidiana da ilha. O Kurt e eu fazíamos longas caminhadas pela costa dominada pelas dunas, geralmente passando pelos cinco faróis construídos na ilha. Conseguimos nos empregar por meio período no comércio de Westerland, ele numa mercearia e eu numa farmácia, o que nos possibilitava ajudar a tia dele nas despesas da casa. Como os horários de trabalho de ambos coincidiam, aproveitávamos o tempo livre das manhãs nessas caminhadas ou assumindo os cuidados e manutenção da casa.

Ocupávamos o quarto do sótão, uma vez que a Tante Liselotte padecia de reumatismo crônico que lhe comprometia as articulações. O espaço era amplo e confortável, além de nos garantir muita privacidade. Era bastante cedo naquela manhã, pelas janelas mal se via alguns metros além, pois um nevoeiro denso típico dos invernos na ilha cobria a paisagem. O Kurt e eu costumávamos acordar cedo, fazíamos o café e partíamos para as caminhadas sem um rumo definido. Eu estava me vestindo quando ele se aproximou por trás, cingiu minha cintura com seus braços musculosos e encostou seu peito nas minhas costas me fazendo sentir um arrepio que percorreu toda minha coluna, ao mesmo tempo em que comprimia sua virilha nas minhas nádegas. Ele nunca tinha feito isso antes. Não me esquivei, uma vez que ele beijou meu ombro ao mesmo tempo em que aspirava o perfume da minha pele recém banhada; ao contrário, ao sentir sua ereção, ainda empinei a bunda.

- Você é tão gostoso, Niklas! É difícil resistir às curvas dessa bunda carnuda! – sussurrou ele.

- Acho que você precisa urgentemente arranjar uma namorada! – exclamei jocoso, embora estivesse gostando de sentir o tesão dele vibrando por todo o corpo.

- Mas acho que isso não será tão fácil assim! Além de levar um tempo até que possamos ter a mesma intimidade que tenho com você. – disse ele, enquanto baixava minha cueca e esfregava seu pauzão no meu rego.

- Se eu não gostasse tanto de você, dava-lhe uma joelhada nesse troço enorme que está esfregando em mim, seu abusado! – retruquei zoando, pois jamais faria algo que o machucasse ou magoasse.

- A questão é que você gosta e não faria uma barbaridade dessas com o meu pau que só está procurando um lugar para se aninhar. – murmurou libidinoso, enquanto procurava minha rosquinha pregueada pincelando a cabeçorra ao longo do meu rego.

- Safado! – gemi, quando senti a chapeleta fazendo pressão no meu cuzinho.

- É você quem me deixa safado! Esse bundão está me tentando há meses, não sou de ferro!

- Esse pauzão deve ser, de tão duro que está! – devolvi. Ele riu, beijou meu pescoço e sussurrou.

- Posso? – eu respondi rebolando a bunda.

Ele se empurrou lentamente para dentro de mim, agarrando-me com mais força para que não lhe escapasse e eu gani sentindo aquele colosso distendendo meu cuzinho e rasgando minhas pregas, ao mesmo tempo em que um espasmo abrupto e vigoroso contraía meus esfíncteres encapando firmemente o mastro grosso e pulsátil dele. Virei meu rosto na direção dele e nos beijamos, o caralhão escorregava renitente entranhas adentro como se estivesse cavando um túnel nelas. Eu gemia num misto de dor e prazer, a dupla que me acometia invariavelmente toda vez que um cacete era enfiado no meu orifício diminuto. O Kurt sabia que eu estava sentindo dor, não ignorava o tamanho de seu membro e o poder detonador que tinha, por isso o empurrava gentil e devagar para dentro do meu ninho macio e úmido.

- Tesão da porra, Niklas! Agora compreendo por que aqueles caras estavam tão tarados pelo seu cuzinho. – ronronou ele, consumando a posse, enquanto eu me entregava por inteiro a sua sanha desmedida.

Eu havia afastado ligeiramente as pernas e arrebitado a bunda permitindo que as estocadas me penetrassem cada vez mais fundo. Ele se grudava mais ao meu corpo, apertava meus mamilos entre os dedos e os tracionava, chupões na minha nuca e ombros deixavam marcas de sua volúpia na pele lisa e clara. Ele começou a bombar meu cuzinho com mais força, meu pinto sacolejava solto e à meia-bomba quando senti as contrações no baixo ventre aumentando, meus gemidos impudicos ecoavam pelo quarto quando gozei lançando os jatos de porra para todos lados até me sentir extenuado. O vaivém no meu cuzinho não parava, a mucosa esfolada ardia feito fogo, os ganidos se tornavam mais longos, e o Kurt socava freneticamente o caralhão no meu rabo arregaçado, grunhindo e arfando envolto em um prazer único. De um momento para o outro, as estocadas ficaram truncadas, mais lentas, atolando o cacetão até o talo no meu casulo, um estremecimento percorreu todo o corpo dele fazendo-o urrar e se despejar todo no meu cuzinho. Agarrado firmemente a mim, ele mordia minha nuca e rosnava em êxtase.

- Vou te inseminar todo, tesudo do caralho! Está sentindo a minha porra molhando seu rabão, Niklas? Sente o que é um macho satisfeito, Niklas, sente!

- Estou sentindo, Kurt, estou sentindo o macho maravilhoso que você é! – gemi tomado pelo tesão e pelo prazer.

Foi apenas depois desse coito maravilhoso que eu reparei mais nos atributos físicos do Kurt e na magnificência de seu caráter. Ele era um rapagão grande e forte, tinha um torso vigoroso e sensual com uma trilha de pelos loiros ligeiramente dourados começando pouco acima do umbigo e adentrando até a virilha onde se adensavam e se tornavam um pouco mais escuros. Braços e pernas eram igualmente musculosos e peludos ganhando também um tom dourado quando o sol os iluminava. O rosto másculo era contornado por uma barba cerrada que ele barbeava a cada dois dias, sempre resmungando e reclamando, uma vez que a pele ficava irritada depois de escanhoada. Dava para se perder naqueles olhos enormes e vivazes azul-turquesa que não perdiam um lance do que acontecia a volta dele. O sorriso era um pouco econômico o que acentuava sua virilidade, mas era generoso e espontâneo quando preciso. Ele parou de se preocupar em camuflar o caralhão grosso e o sacão globoso, como fazia antes, depois da nossa primeira transa. Me dava tesão vê-lo balançar pesado entre as coxas dele quando caminhava nu pelo quarto ou sob a ducha e, quando esse tesão se apossava de mim, eu brincava com ele entre os meus dedos, acariciava a chapeleta até ela começar a verter pré-gozo, colocava-a na boca e mamava diligentemente a verga que ia endurecendo na minha mão até quase não se mover mais de tão distendida e rija. Era nesses momentos que ele ou leitava na minha boca e ficava me apreciando engolir seu sêmen farto e cremoso, ou vorazmente se acoplava na minha fendinha anal e a fodia até ambos nos perdermos no delírio do gozo.

- Você me faz pensar muito no meu irmão! Desde que nossa casa em Dresden foi destruída num bombardeio britânico não tenho mais notícias dele e dos meus pais. A última correspondência que recebi do meu pai dizia que ele e minha mãe estavam de mudança para os arredores de Munique, onde vive um irmão dele. Mas, do meu irmão ele não mencionou nada, o que me deixou preocupado. Como te contei, meu irmão também é homossexual e foi obrigado a se alistar na Juventude Hitlerista quando estava prestes a completar dezoito anos contra sua vontade. Eu já estava na academia de formação de oficiais da Wehrmacht nessa época, também por recrutamento compulsório, e não soube para onde o transferiram. Temo que tenham descoberto que ele é homossexual e o matado nalgum desses quarteis da Wehrmacht. Ele sempre foi muito sensível e carinhoso como você, e isso não passa despercebido por esses fanáticos pelo regime. Eu gostaria muito que alguém se apaixonasse por ele e cuidasse dele como merece. – desabafou tristonho.

- Vamos pensar no melhor! Apesar da crueldade ser a tônica do momento, há pessoas que ainda se preocupam e cuidam das outras. A bondade e sensibilidade do seu irmão devem ter tocado o coração de alguém e essa pessoa está cuidando dele. E, quando a guerra acabar, vamos procurar por ele, eu te prometo estar ao seu lado quando vocês se reencontrarem. – ele deitou a cabeça no meu colo, seus olhos estavam úmidos, e no meu íntimo eu rezava para que minhas palavras refletissem a realidade.

O início de 1945 já mostrava o desmantelamento de todo aquele aparato militar que ia perdendo territórios dominados. Após aquela terça-feira, 6 de junho do ano anterior, o desembarque maciço de tropas Aliadas na Normandia havia mudado o equilíbrio da balança a favor dos Aliados. Os combates não passavam de ações desesperadas para tentar manter os territórios ocupados a noroeste da Europa. Porém, os alicerces para a vitória Aliada na frente ocidental já haviam sido fincados. A todo momento se esperava que bombardeios e o avanço de tropas britânicas se desse pelo Mar Báltico o que levou Hitler a ordenar o reforço das defesas ao longo da costa incluindo as ilhas Frísias e Sylt. Mas, essa invasão nunca aconteceu nesse local até o dia 8 de maio quando o tratado de rendição da Alemanha foi ratificado em Berlim, pondo fim ao conflito na Europa. O centro de Westerland foi tomado pelos moradores naquela noite comemorando e dançando madrugada adentro, o Kurt e eu entre eles. Quando chegamos em casa, um pouco bêbados, transamos até sermos vencidos pelo sono.

O segundo semestre de 1945 ainda foi bastante conturbado na Alemanha. Na maioria das pessoas não havia um sentimento de derrota pelo país ter perdido a guerra, mas um sentimento de alívio pelo fim dela. Podia-se pensar em voltar a ter uma vida normal, a poder andar pelas ruas sem temer que um bombardeio pusesse fim a sua vida, podia-se pensar em reencontrar familiares, parentes e amigos que o conflito impediu de serem visitados. E, foi exatamente nisso que o Kurt e eu nos empenhamos. Eu sabia que meus pais estavam seguros na Suíça, uma vez que haviam se mudado para a Basiléia pouco antes da guerra começar. Foi a primeira coisa que fiz ao sair de Sylt levando o Kurt comigo, visitá-los para que soubessem que eu estava bem já que ficaram mais de três anos sem notícias do meu paradeiro, e para apresentá-lo a eles. Passamos umas semanas na Basiléia, antes de nos empenharmos na busca pela família do Kurt.

O tio do Kurt morava em Starnberg, uma cidadezinha na margem norte do lago de mesmo nome, e lá encontramos os pais dele, ao contrário do que o haviam informado, eles não sucumbiram quando a casa foi bombardeada. O reencontro foi emocionante, vê-lo vivo e saudável foi um alívio para as apreensões deles, uma vez que muitos militares alemães jamais voltaram para suas famílias. A família do Kurt perdeu praticamente tudo quando a casa onde moravam em Dresden foi destruída pelo bombardeio britânico, teriam que recomeçar com pouco e o Kurt se empenhou nesse recomeço quando os pais lhe disseram que permaneceriam na cidade, uma vez que Dresden havia ficado em território sob domínio soviético após a divisão da Alemanha em quatro zonas distintas dominadas pelos Aliados vencedores. Porém, antes ele iria procurar pelo irmão de quem ninguém mais teve notícias desde que foi recrutado pela Juventude Hitlerista, e eu, conforme tinha lhe prometido, o acompanhei nessa busca.

- Você não precisa fazer isso! Pode recomeçar a sua vida, retomar os seus estudos para concluir a faculdade de medicina, não precisa desperdiçar seu tempo me ajudando. – disse ele quando informei que iria com ele para onde quer que fosse até encontrarmos o irmão dele.

- As aulas só recomeçarão em Setembro, até lá temos tempo para descobrir o paradeiro do seu irmão, e eu não vou deixar você fazer isso sozinho. – devolvi num argumento que ele relutava em aceitar.

- Você é o sujeitinho mais teimoso que eu já conheci, Niklas tesudão! É mais fácil argumentar com uma parede do que com você! – retrucou ele quando viu que não me faria mudar de ideia.

- Mas aposto que é bem mais gostoso transar comigo do que com uma parede! – exclamei jocoso.

- Bem, isso não dá para contestar!

- Viu como sempre tenho razão! Ademais, quem ia chupar essa sua rola deliciosa durante todo esse tempo?

- Acha que a minha pica é deliciosa? – perguntou com um risinho malicioso

- Você sabe a resposta! Não seja convencido! – exclamei. Ele riu satisfeito.

As informações que recebemos eram desencontradas, o desmantelamento das forças armadas alemães e todos os arquivos que pudessem vir a incriminar comandantes em todos os escalões foram sendo destruídos à medida que as tropas Aliadas ganhavam território. Afora isso, ninguém estava disposto a dar informações, receando serem julgados por seus atos cometidos no furor da guerra. Contudo, uma primeira pista surgiu, e dava conta de que o irmão dele, Klaus, fora engajado na Kriegsmarine, a Marinha de Guerra, ao completar dezoito anos ao deixar a Juventude Hitlerista. Correndo atrás das pistas, soubemos que ele foi embarcado num submarino como operador de rádio, o U-Boat 11, cujos alvos eram navios que transportavam suprimentos e material bélico da América do Norte para a Europa através do Atlântico. O grande choque veio quando descobrimos que o U-11 havia enviado um pedido de SOS às 23h e 16m do dia 29 de novembro de 1944 próximo a Corunha na costa da Espanha no Golfo de Biscaia após ser atingido por uma carga de profundidade, e que nenhum outro contato do submarino foi feito depois disso.

- Ele está morto! O Klaus está morto! – afirmou desalentado o Kurt quando regressamos ao hotelzinho onde havíamos nos hospedado nos arredores do porto da cidade de Bremen próximo do Bunker Valetin onde o US-11 foram construído e estava fundeado.

- Não temos certeza! Ele pode ter sobrevivido! – tentei encorajá-lo

- Como? Impossível! Um pedido de SOS às 23h, em novembro quando as águas do Atlântico estão bastante frias, em um submarino submerso a sabe-se lá quantos metros de profundidade, não há sobreviventes, não há! – retrucou ele, procurando consolo em meus braços. – Se estivesse vivo, ele teria feito contato, e isso nunca aconteceu.

- Sabe onde vamos continuar procurando? Em Corunha, Espanha! Milagres acontecem, e só vamos desistir se tivermos provas de que seu irmão não está mais vivo. – afirmei

- Ir até a Espanha? Você ficou maluco? Como vamos descobrir se ele, por um milagre, sobreviveu? – questionou ele

- Isso eu ainda não sei! O que eu sei é que amanhã pela manhã vamos para a Espanha. – respondi.

- Além de teimoso, é maluco! Só pode ser! – exclamou, desesperançado.

O regime ditatorial Franquista deixara as pessoas das pequenas comunidades desconfiadas. Pouco avançávamos com nossas perguntas tentando encontrar pistas do paradeiro do Klaus em Corunha. Além da questão linguística, uma vez que tanto o Kurt quanto eu mal conseguíamos gaguejar em galego, dois alemães loiros de olhos azuis após o fim da guerra não pareciam as pessoas mais confiáveis a se dar informações. Rodamos pelas vilas de pescadores e por toda a orla da cidade e comunidades vizinhas por quase um mês, e o Kurt já falava em desistir quando numa manhã em uma praia de Oleiros, durante a volta dos pescadores do mar, um deles soube do motivo de nossa presença ali. Dois loiros não surgiriam do nada, vindos de tão longe, se não estivessem à procura de algo ou de alguém, e esse alguém ele sabia muito bem onde estava. Ele se aproximou de nós desconfiado, inicialmente se fez de desentendido, de não entender uma palavra do espanhol rudimentar que falávamos, mas cada vez que encarava o Kurt ia tendo a convicção de que não estávamos ali à caça de militares alemães desertados.

Junto aos demais companheiros, ele nos relatou do surgimento à superfície de inúmeros corpos e pedaços do que deveria ser um submarinho, numa madrugada em que estavam puxando as redes em alto mar. À medida que nos contavam detalhes, o Kurt vertia lágrimas, enquanto segurava apertada sua mão entre as minhas. Isso foi dando ao pescador a certeza de que não faríamos mal ao rapaz que ele mantinha há meses escondido em sua casa. Quando os pescadores seguiram para a venda de sua pesca, e se afastaram de nós, ele nos pediu para o seguirmos. Num extremo da ponta da praia, já próximo a um rochedo íngreme, a pequena casa caiada de branco com janelas azuis e um telhado de duas águas foi surgindo após as dunas baixas forradas de uma hera de folhas largas que pareciam serpentes ziguezagueando sobre a areia. O meu coração estava para sair pela boca, e creio que o do Kurt também, a cada passo que dávamos em direção a casa. A menos de cinco metros do avarandado que precedia a porta de entrada, vimos surgir dois garotões; o primeiro no qual bati os olhos tinha os mesmos traços germânicos que o Kurt, e comecei a chorar descontrolado. O Klaus estava vivo. O Kurt correu na direção dele e eles se abraçaram deixando toda a emoção fluir em toques nos rostos, beijos, toques por todo o corpo como que para verificar se não estavam tendo uma miragem. O outro garotão, de pele bronzeada e cabelos escuros contemplava a cena também comovido como eu. Assim que o choque do reencontro com o irmão foi controlado, o Klaus o apresentou ao Kurt.

- Este é o Diego! – exclamou, fazendo surgir no olhar do rapaz um brilho que falava por si. Aquele loirão bonito e gostoso que cumprimentava o irmão recém-chegado, significava muito mais do que um mero militar alemão que ele ajudou a resgatar das águas do mar naquela madrugada na qual, ao invés de peixes, eles trouxeram pouco mais de meia dúzia de homens vivos para os barcos, e por quem ele se apaixonou enquanto se recuperava dos ferimentos ao lado de sua cama.

- O Kurt puxou o Diego para um abraço efusivo, daqueles que dois héteros trocam entre si dando tapas fortes um nos ombros do outro, repetindo sem cessar – Obrigado, obrigado, obrigado! – repetia ainda tomado pela comoção.

Quando voltamos para a Alemanha, o Klaus e o Diego vieram conosco, pois o Klaus, além de querer rever os pais, queria apresentar o Diego a eles, o homem que o salvou e por quem não sentia apenas uma gratidão enorme, mas um amor maior ainda. Depois, voltariam para Corunha, para aquela praia ensolarada nos verões, e amena nos invernos.

Conforme o Kurt havia previsto, o Klaus e eu nos demos muito bem. Não foi o fato de sermos homossexuais que estabeleceu rapidamente um vínculo entre nós, mas aquele mesmo desejo intrínseco de fazer felizes aqueles que nos cercam. Tínhamos muito em comum, desde os medos pela nossa condição, até o anseio de viver uma grande paixão. Ele parecia ter encontrado a dele no Diego que era mais do que protetor, era um cara que parecia ter encontrado um tesouro no dia em que tirou aquele militar alemão gravemente ferido das águas frias do Atlântico.

Despedi-me do Kurt e da família dele dois dias depois da nossa chegada a Starnberg, chegara a hora de cuidar da minha vida. Não foi uma despedida triste, meu convívio com ele só nos trouxe alegrias e felicidade enquanto estivemos juntos durante todos aqueles meses. Formou-se uma amizade que duraria para sempre, permaneceria o elo que se consumou em todas as vezes que transamos, permaneceriam lembranças de como as pessoas podem descobrir sentimentos verdadeiros apesar de uma guerra cruel. Quando o Kurt, juntamente com o irmão e o namorado me levaram à estação ferroviária datada de 1854 e construída às margens do lago Starnberg, meu cuzinho ainda estava empapado com o esperma leitoso que o Kurt ejaculou nele durante a noite insone que passamos engatados vivendo nosso último encontro sexual.

Recomecei as aulas na faculdade de medicina em Freiburg com duas semanas de atraso, devido a minha ida à Espanha. Tudo ainda estava bastante caótico e confuso devido aos edifícios que foram atingidos e parcialmente destruídos por bombardeios, o que nos obrigava a constantes mudanças de salas e laboratórios onde as aulas eram ministradas com escassez de equipamentos e materiais. O que funcionava a todo vapor era o hospital universitário que ainda estava às voltas com o atendimento, recuperação e reabilitação das sequelas dos pacientes vítimas da guerra. Para mim, que estava no último semestre antes da formatura, aquele foi um campo de vasto aprendizado e prática. Meus pais estavam presentes na formatura, orgulhosos e irradiando felicidade, primeiro por não terem me perdido durante a guerra, como muitos pais haviam perdido seus filhos e, segundo, porque fui um dos três estudantes que se formou com as maiores notas da turma.

Meus pais tentaram de tudo para me levar com eles para a Suíça, mas eu resolvi ficar na Alemanha. Havia muito o que fazer para reconstruir meu país que finalmente se viu livre de um regime político que só trouxe desgraça e infelicidade para seu povo. Quando lutei com os membros da Resistência Francesa não o fiz contra a minha pátria, mas contra os seus governantes inescrupulosos e assassinos. Agora eu tinha a chance de fazer algo pelo povo alemão, o pouco que fosse como médico, mas que podia significar muito para aqueles que dependiam de tratamentos de saúde. Prometi visitá-los toda vez que tivesse uma folguinha, pois meus pais resolveram permanecer em definitivo na Basiléia que não ficava tão longe assim.

O inverno de 1947 foi particularmente longo e muito gelado, início de abril e, de vez em quando, ainda éramos surpreendidos pela neve caindo e deixando tudo coberto por uma fina camada branca, como se alguém tivesse resolvido caiar ruas, parques e edifícios com uma brocha carregada de tinta. Meus plantões no hospital eram longos e cansativos, sobrando pouco tempo para qualquer outra coisa. À exceção das noites de quinta-feira, quando me reunia com um grupo de colegas médicos numa choperia próxima ao hospital para confraternizarmos, eu pouco saía de casa. Eu tinha alugado um apartamento no mesmo bairro do hospital num edifício que permaneceu relativamente intacto dos bombardeios que atingiram a cidade, mesmo assim não era o lugar mais convidativo para se morar. A fachada estava bem degradada, o último dos quatro andares estava inutilizado porque era inundado cada vez que chovia através do telhado cheio de remendos e a parede da escadaria ainda tinha trechos sem reboco que fora arrancado pela explosão de uma granada lançada por soldados americanos que certa noite passaram numa tropa motorizada pela rua e se divertiam lançando granadas e morteiros contra as construções onde sabiam residir apenas civis. No dia seguinte à diversão dos soldados, catorze pessoas haviam morrido dentro de casa, entre elas três crianças e dois idosos que não conseguiram deixar os edifícios queimando. Histórias de barbáries cometidas pelas tropas americanas circulavam por toda a Alemanha, e eu me perguntava se realmente tínhamos sido salvos de um regime nefasto ou se apenas tínhamos caído nas mãos de outro tão opressivo e cruel quanto, porém disfarçado de herói.

Passei a manhã daquela quinta-feira, 3 de abril, às vésperas do feriado da Páscoa, no centro cirúrgico operando três pacientes, e a tarde dando atendimento no ambulatório que estava lotado. A maioria dos casos era de doenças respiratórias e pneumonia em idosos e crianças, devido ao inverno que não queria dar lugar à primavera. Por volta das 18:00h terminei os atendimentos junto com um colega que tinha acabado de se despedir e me convidado a almoçar na casa dele no domingo de Páscoa. Embora cansado, estava sem ânimo para ir para casa. Lembrei-me que a geladeira estava vazia e que era a terceira vez naquela semana que havia me esquecido de fazer compras na mercearia. Pensei em passar em algum lugar e comer qualquer coisa para não ir para a cama de estômago vazio, mas até para isso estava com preguiça.

Ao sair do consultório e apagar as luzes, me deparei com um garoto sentado num banco no corredor onde os pacientes aguardavam para ser atendidos. Como ninguém me avisou que ainda havia pacientes para atender e saíram deixando o garoto sozinho ali?

- Oi!

- Oi!

- O que faz sentado sozinho aí? Onde está sua mãe? – perguntei

- Estou esperando um grande amigo do meu pai. Ele está nessa sala de onde o senhor saiu. – respondeu o garoto com um olhar vivo.

- Não há mais ninguém nessa sala. Como se chama esse amigo do seu pai?

- Eu não sei!

- Você está doente, sente alguma coisa?

- Não!

- Então é o seu pai quem está doente, onde ele está?

- Acho que meu pai não está doente. Ele foi só até o banheiro.

- Então por que vocês vieram para o hospital?

- Acho que para eu conhecer esse grande amigo do meu pai, foi isso que ele me disse quando viemos para cá.

- Posso me sentar aqui com você e esperar seu pai voltar? – por uns instantes temi que alguém tivesse abandonado o garoto ali, uma vez que muitas pessoas se viram obrigadas a ficar com crianças órfãs de parentes ou vizinhos durante a guerra, e as condições econômicas do país ainda pesavam sobre muitas famílias que não conseguiam mais sustentar essas crianças.

- Pode! – apesar de haver espaço suficiente no banco para eu me sentar, ele escorregou para o lado ampliando o espaço. – O senhor é médico? – perguntou-me ele, depois de um breve silêncio no qual ficou me observando de soslaio.

- Sim, sou médico!

- O grande amigo do meu pai também é! – esclareceu ele.

- Por que você sempre diz – o grande amigo do meu pai – quando se refere a essa pessoa que estão esperando?

- Porque eu acho que deve fazer parte do nome dele, pois sempre que meu pai fala dele, ele diz – meu grande amigo – e sorri.

- E você, como se chama?

- Harry! Harry Atkinson! Eu já sei escrever meu nome inteiro, foi meu pai quem me ensinou como se escrevem todas as letras quando ele veio me buscar para morar com ele. – respondeu animado.

- Você não morava com o seu pai?

- Quando eu era pequeno morava com meu pai e minha mãe, mas eu não me lembro direito. Depois eu morei no orfanato Durley, foi lá que meu pai foi me buscar para morar com ele. – esclareceu, me deixando cada vez mais intrigado. Que raios de Orfanato Durley era esse? Não havia nenhum orfanato na cidade com esse nome. E quem daria o nome Durley a alguma instituição na Alemanha?

- E como se chama seu pai?

- O nome dele é Neil ... – eu quase enfartei quando vi surgir no final do corredor aquele homem musculoso e viril cujo andar eu reconheceria mesmo no mais denso breu, e de cujo rosto jamais me esqueceria enquanto vivesse. Aquele era o homem que pulsou fogoso e vibrante dentro de mim e foi a minha primeira paixão, a única para dizer a verdade.

- Neil Burton MacKean! – pronunciei lentamente num sussurro interrompendo o garoto.

- Como o senhor sabe o nome do meu pai? – perguntou ele ligeiro.

- Por que seu pai é o meu melhor e grande amigo! – respondi com as lágrimas rolando pela face. O garoto me encarou sem entender nada, e ficou nos observando atentamente depois que me levantei e dei dois passos na direção do Neil que me apertou contra seu tronco maciço e não parava de repetir – Niklas, Niklas, meu Niklas! – enquanto eu balbuciava com um nó na garganta – Neil, Neil, meu Neil!

- Esse é o seu grande amigo, pai? – perguntou o Harry, um tanto quanto confuso com aquele abraço demorado e efusivo.

- Sim, meu filho! Esse é o meu grande e querido amigo, Niklas!

- Oi, tio Niklas! – o Harry se levantou e veio abraçar as nossas pernas. Eu procurava controlar o choro, o Neil enxugava as próprias lágrimas e as minhas, feito dois bobões sorriamos um para o outro, tocando suavemente nossos rostos para ter certeza de que não estávamos sonhando.

Jantamos num restaurante pelo caminho e eu os levei para a minha casa. Havia tanto a dizer, tanto a recordar, que parecia precisarmos de uma eternidade para expressar tudo o que ficou suspenso naquele dia em que o deixei sentado na escadaria do edifício do 12º Arrondissement em Paris quando deixei o grupo da Resistência. Depois de inspecionar todo o apartamento, me encher de perguntas e perguntar ao Neil se iam dormir ali naquela noite, o Harry se recostou nas costelas do Neil e adormeceu no sofá. O levamos para o segundo quarto embalado num sono profundo, soltou apenas alguns murmúrios quando o ajeitamos na cama. Ainda ao lado do leito, depois que coloquei o cobertor sobre o Harry, o Neil me abraçou e nos beijamos com toda a intensidade e furor que o momento exigia, com todo o saudosismo daqueles anos que passamos afastados. De volta ao sofá da sala, cada um narrou sua história.

- Eu sempre pensei que aqueles momentos alegres que tive ao seu lado enquanto membros do grupo da Resistência seriam o bastante, mas então você deixou o grupo e partiu, e eu percebi que não poderia continuar vivendo apenas da lembrança daqueles momentos. O grupo todo se desfez depois da sua partida, cada um seguiu seu caminho, você estava certo, não fazia mais sentido a existência daquele grupo quando perdemos a confiança um no outro e começamos a nos matar em nome de uma causa que não era nossa. Eu parti três dias depois de você, fui para a Inglaterra atrás do meu sobrinho, meu único parente vivo, minha única família. Não podia abandonar um garoto de cinco anos e continuar lutando numa guerra sem sentido. O Harry sabia da minha existência, mas não se recordava de mim, uma vez que era muito pequeno quando deixei o Canadá para me voluntariar na Guerra Civil Espanhola ao lado dos Nacionalistas pela Falange Espanhola Tradicionalista e das Juntas de Ofensiva Nacional Sindicalista. Como vê, ao que parece, sempre me posicionei em lados errados no final das contas. Eu consegui oficialmente a guarda do Harry e nos mudamos para uma casa em Coventry mesmo, onde também consegui trabalho. Contudo, os dias foram passando mas você não me saía da cabeça, eu não queria viver de lembranças felizes, eu quero e preciso ser feliz e isso só vai acontecer se você estiver comigo, todos os dias, todas as noites. – revelou o Neil.

- Não houve um só dia depois que nos separamos que não pensei em você. Mesmo zangado por ter flagrado você com a Sabine, o que eu sentia e sinto por você nunca mudou. Eu tive que partir pois não aguentava mais aquela situação, temia que a qualquer momento tornaria a ver você e ela transando, quando as minhas chances de ficar com o único homem que amei eram infinitamente menores do que as de uma mulher como a Sabine, com muito mais a oferecer a um homem do que eu, um homossexual. – afirmei

- A Sabine nunca significou nada para mim, nem para nenhum dos outros, nem mesmo para o Henri por quem ela tinha um apresso especial. Todos nós só a tínhamos como uma foda fácil, uma vez que todas as circunstâncias nos impediam de estar com outras mulheres, exceto uma ou outra prostituta de vez em quando e, mesmo assim, correndo o risco de sermos descobertos e denunciados como membros da Resistência. Somos todos homens no auge de seu vigor, precisamos de sexo como precisamos do ar para respirar, e a Sabine sabia como usar isso a seu favor, nos seduzindo e nos provocando. Então, eis que você entra no grupo, não com os mesmos atributos de uma mulher, mas com toda a peculiaridade dos teus próprios, encantadores, sensuais, descerrando uma opção com a qual a maioria de nós nunca havia pensado, mas que seu corpo estruturado, seu rosto algo ingênuo e especialmente sua bunda fenomenal começaram a atiçar nossos brios de macho. Todos comentavam sobre você depois de terem visto sua nudez exposta, e todos o desejaram numa tara quase insana e foram se aproximando de você para obter os favores sexuais de que tanto precisávamos. Talvez eu tenha sido a única exceção, porque o que senti naquela noite no bar em Saint-Diés-des-Vosges quando a Sabine nos apresentou a você foi especial, tão especial que eu cheguei a questionar a minha masculinidade, pois ali comecei a sentir um tesão descontrolado por você, mesmo sem saber da sua sexualidade. Eu te queria para mim, foi tudo o que passou pela minha cabeça naquele instante. – confessou ele. – Por isso, quando te vi deitado nos braços do Henri eu tive vontade de esganar os dois. Vê-los deitados entrelaçados depois de ter ouvido seus gemidos, me fez concluir que você não me amava como eu o amava, que você era tão fácil quanto a Sabine, que ia trepar com todos nós como ela fazia.

- Eu transei com o Henri naquela noite porque estava com tanta raiva de você por tê-lo visto entre as pernas da Sabine que resolvi sufocar o amor que sinto por você desde o primeiro dia que nos conhecemos, deixando o Henri meter em mim. Se você estava me traindo, eu também podia te trair, pensei, e foi o que fiz, por mais tolo que isso soe agora. Eu nunca tinha sentido ciúmes de um homem antes, não sabia como lidar com esse sentimento novo e tão doloroso. Como você nunca mais me procurou e estava sempre zangado comigo, eu me comportei como a Sabine, uma vez que ela continuava sendo o centro das atenções e dos desejos de vocês. Ela era uma puta, eu me transformei numa puta, no meio de toda aquela desgraça que era obrigado a presenciar naquela maldita guerra. – confessei.

- E eu, estava gostando demais de você e ficava me perguntando se havia me transformado um homossexual, os sentimentos por você ficando cada mais intensos. Depois que transamos fiquei tão confuso que questionei minha sexualidade, pois estar com você, foder seu cuzinho tinha sido a coisa mais maravilhosa que já senti. Desde então, passei a me perguntar se era certo o que fizemos, se te amar como eu estava te amando não era apenas fruto das minhas necessidades de macho, da carência afetiva que estava vivendo. Mas quando você partiu, as dúvidas haviam desaparecido e ficou aquele imenso vazio da sua ausência. Também isso pesou ao anunciar que ia deixar o grupo para procurar pelo meu sobrinho. De repente, passei a enxergar o movimento da Resistência como a força de um ideal que arregimentou a todos nós, mas que acabou degringolando num turbilhão de sentimentos confusos, paixões sem amor e, por fim, numa vingança cruenta. A Sabine era a prova viva e irrefutável disso. Aquilo tudo já não se encaixava mais naquilo que eu esperava da vida; aliás, eu tinha posto a minha vida de lado para lutar por esse ideal que não me atendia mais. Só então compreendi suas razões por ter abandonado o grupo, você devia estar passando pelo mesmo conflito. – revelou ele.

- Exatamente! Era assim que eu me sentia também. A Sabine ter matado o Henri foi a gota d’água que faltava para eu desistir de tudo aquilo.

Até então, ele não sabia que a Sabine havia sido capturada pela Gestapo e levada a um campo de concentração. Contei como tinha acontecido, e como me sentia culpado por ser o responsável pelo destino infeliz dela, quando neguei conhecê-la.

- Você não deve se culpar, ela sempre procurou por isso, pois o que a movia não era o ideal da causa como ela apregoava, mas o ódio que sentia por todo e qualquer cidadão alemão, independente dele ser um nazista ou alguém que abominava tudo o que os nazistas faziam. Era um ódio que ela remoía dentro de si desde a infância, quando o pai alemão se separou d mãe dela. – afirmou ele

- O Kurt estava comigo naquele dia em que a prenderam, e ele também me disse para não me penitenciar pela prisão dela. Porém, eu não consigo. Fico tendo pesadelos imaginando-a definhando e morrendo num campo de concentração, por eu não a ter ajudado deixando que a Gestapo a levasse. – afirmei.

- Então vou te contar uma coisa que certamente vai fazer você não se culpar mais. Sabe aquele dia, após o massacre de Dieppe, quando você e ela discutiram porque você se recusou a abandonar o Kurt ferido e insistiu para que o levássemos conosco; pois bem, ela planejava atirar no Kurt e em você no trajeto de volta, mas o grupo não aceitou o argumento dela de que o Kurt nos denunciaria na primeira oportunidade e a impediu de matar vocês dois. Como o Henri foi o que se mostrou o mais indignado com a proposta dela, justo por quem ela nutria uma paixão não correspondida, ela se revoltou contra você, já que não suportava ver como o Henri te defendia e cuidava de você. Ela se deixou levar pelo ciúme, o que nos fez aumentar a vigilância sobre as atitudes dela, pois temíamos que ela te mataria na primeira chance que surgisse. E eu temi mais ainda depois que você a acusou de ter matado o Henri pela obstinação dela pela causa, pois também não acreditei na versão dela e achei que fosse fazer o mesmo com você quando ela já não duvidava mais que o carinho que o grupo tinha por você era maior do que por ela.

- Depois que ela matou o general Schröeder, eu percebi como aquela mulher era cruel. Ela atirou naquele homem com uma satisfação doentia, psicótica. A partir daí, fui perdendo a confiança nela e passei a ter certeza que ela era capaz de coisas bem piores. – ponderei. – Não percebi as horas passarem, você deve estar cansado, vou trazer cobertor e travesseiros para você se ajeitar aqui no sofá. – disse, ao ouvir o carrilhão da sala bater quatro da madrugada.

- Ok! Vou ver como o Harry está, dar uma mijada e descansar, estou realmente bastante cansado. – retrucou ele.

Eu estava pegando a roupa de cama para levar para ele quando ouvi o barulho do jato forte de urina dele caindo no vaso e tive um dèjávu da primeira vez em que o vi urinando segurando aquele cacetão enorme. Naquela vez não tínhamos transado ainda, mas eu já senti um frenesi revolvendo meu cuzinho como agora quando a lembrança do nosso coito se reavivou em minha mente.

O Harry dormia como um anjo quando demos uma espiadela no quarto. O Neil me confessou que nunca imaginou sentir um amor tão forte por aquele garoto, e que não conteve a emoção no dia em que ele lhe perguntou se o podia chamar de pai.

- Você deve ser um ótimo pai! Dá para ver o quanto ele te admira e ama. Você merece, Neil! – afirmei, quando me aproximei dele e pousei um beijo suave sobre sua boca.

Ali mesmo ele me agarrou com força, intensificou aquele beijo comprimindo os lábios sobre os meus e metendo a língua na minha boca. Nossos corpos ardiam de desejo, os quase três anos afastados não conseguiram acabar com aquele amor que sentíamos um pelo outro, nem mesmo enfraquecê-lo.

Fui para meu quarto afogueado, o sabor da boca dele continuava na minha. Rolando de um lado para o outro o sono não vinha, eu só pensava nele dormindo ali na sala apenas com a cueca cobrindo seu sexo, cobrindo aquela coisa enorme que tinha me desvirginado e me feito sentir como era prazeroso ter um macho pulsando no meu cuzinho. Levantei e fui até a janela abrindo um lado para ver se o frio da noite amenizaria o calor que queimava minha pele. O céu estava limpo e o ar gelado parecia aumentar a sensação de que o mundo todo dormia, exceto eu. Voltei para cama, não me cobri por inteiro, o fogo continuava abrasando meu corpo, meu ânus estava tão inquieto quanto eu. A porta do quarto se abriu devagar, o Neil enfiou a cabeça pela abertura e, pé ante pé, se aproximou da cama. Sob a cueca uma ereção gigantesca se projetava entre suas coxas peludas.

- Precisa de alguma coisa? Não consegue dormir? O sofá está muito desconfortável? – perguntei, sem conseguir tirar os olhos daquele homem sedutor que me encarava cheio de desejo.

- Preciso de você! Preciso fazer amor com você! – respondeu ele, com sua voz que soava num tom mais grave quando ele sussurrava, ao mesmo tempo em que se enfiava sob os lençóis comigo.

- Neil! Por que você voltou, Neil? Sabe que não consigo resistir. – balbuciei, ao sentir ele tirando minha cueca e amassando minhas nádegas numa libertinagem impudica.

- Não resista, Niklas! Você me quer tanto quanto eu a você! Foi por isso que voltei, para ficarmos juntos. – disse ele, enquanto me beijava sabendo que isso entorpeceria meus pensamentos e qualquer eventual senão que eu ainda tivesse. – Quero que você, o Harry e eu formemos uma família, você aceita ser meu parceiro?

- Está me pedindo em casamento? Homossexuais não se casam! Eu te quero sim, como meu parceiro, como amante, como meu homem! – devolvi.

- Não me importa o nome, me importa você, me importa o amor que sente por mim e eu por você. Não podemos nos furtar desse amor e deixar de ser felizes. Diz que aceita, Niklas! – retrucou ele.

Assim que ele tirou a cueca, eu peguei o caralhão pesado dele, afaguei-o entre as palmas das mãos e, lentamente, fechei meus lábios ao redor da cabeçorra estufada. Ele gemeu. Afundei os dedos de uma mão nos pentelhos grossos e crespos dele, enquanto a outra mão segurava a jeba latejante que comecei a chupar, lamber e beijar por toda extensão. O pré-gozo espesso começou a minar eu o sorvi, lambendo os lábios melados. Ele me observava excitado, grunhia quando meus chupões sugavam a chapeleta para dentro da minha boca.

- Mama a caceta do teu macho, Niklas, mama! Chupa meu pau, querido, chupa! Ele é todo seu! – ronronava ele, enquanto minha boca trabalhava afoitamente na verga rija e acariciava as bolas ingurgitadas do sacão peludo. O cheiro de macho que entrava pelas minhas narinas e o sabor ligeiramente salgado do sumo que ele vertia estavam me enlouquecendo de tanto tesão.

Não demorou muito e o Neil gozou em meio a um bramido que brotou do fundo do peito. O primeiro jato leitoso se esparramou sobre o meu rosto, os demais eu fui engolindo após colocar toda a cabeçorra na boca e ele ainda a forçar na minha garganta. Quando ergui meu olhar na direção dele, havia um sorriso de satisfação iluminando seu rosto.

- Amo quando você faz isso, Niklas, engolindo minha porra com tamanha satisfação. – murmurou ele.

- Adoro seu esperma saboroso! – exclamei, sem tirar a boca da rola esporrando.

A porra que estava no meu rosto ele colheu com o polegar e o enfiou nos meus lábios entreabertos, e eu o lambi lançando um olhar devasso e prazeroso na direção dele. Ao terminar, me despi, abracei o tronco largo dele e mordiscando sua orelha sussurrei.

- Entra em mim, Neil! Entra em mim, quero você!

A caralhão nem chegou a ficar flácido quando ele o meteu com uma arremetida potente da minha fendinha anal, me fazendo ganir e morder o travesseiro. Lentamente, e com um cuidado gentil ele o empurrou progressivamente para o fundo do meu cuzinho, que se abria ao ter as pregas rompidas entre uma mescla de dor e prazer.

- Era assim que você queria? Senti tanta falta dessa sensação, Niklas, você não imagina o quanto. Só te fodi uma vez, mas ela foi inesquecível pela maneira carinhosa como você me acolheu nesse rabão tesudo e macio.

- Sim, querido! Era exatamente disso que eu precisava, de você vibrando rijo e impulsivo dentro da minha carne. Amo tanto você, Neil! – suspirei gemendo com o cacetão enfiado até o talo no meu rabo.

Ele iniciou um vaivém lento, a jeba deslizava suave sobre minha mucosa anal distendida me fazendo sentir o pulsar de suas veias calibrosas. Ambos gemíamos tomados pelo êxtase, como se fossemos um só corpo partilhando nossa essência, nossas almas. Beijos cada vez mais tórridos mantinham o tesão nas alturas e nós nos deixávamos embalar por ele. O vigor do Neil era assombroso, não fazia nem cinco minutos que encheu minha boca com seu sêmen delicioso e já estava outra vez grunhindo forte assomado pelo gozo iminente. Só de sentir a gana com a qual ele me abraçava e estocava meu cuzinho eu cheguei ao clímax, meu corpo estremeceu e gozei gemendo e liberando todo o tesão acumulado. Me agarrei aos braços musculosos dele, erguia a pelve como se isso me ajudasse a esporrar mais forte e prazerosamente. O Neil aproveitava minhas ancas suspensas, que abriam mais o meu cu, para meter fundo e forte, socando minha próstata. Enquanto meu corpo se revolvia debaixo dele, o dele se retesava aos poucos, seus grunhidos guturais afloravam mais intensos entredentes e, numa derradeira estocada, ele se despejou dentro do meu casulo anal, esvaziando as vesículas seminais abarrotadas e inundando meu cuzinho com sua porra tépida.

- Niklas, tesudo do caralho! Não tem nada melhor do que encher seu cuzinho apertado de porra! – balbuciou ele, enquanto os jatos de sêmen cremoso eclodiam em meio ao orgasmo.

- Eu pensei ter ouvido que você estava cansado quando foi se deitar, mas pelo visto está sobrando energia nesse corpão, não é? – devolvi, afagando e cobrindo o rosto dele com meus beijos carinhosos e úmidos.

- Não para isso, Niklas! Não para sentir meu cacete encapado pelo seu cuzinho. Só quero ficar aninhado aqui dentro, é isso que me deixa feliz. – retrucou ele, deitando-se sobre meu ombro enquanto eu o abraçava e beijava sua testa. Minutos depois, fomos dominados pelo sono.

Tomei um susto quando senti o Neil se sacudindo todo agarrado às minhas costas e com a ereção aprisionada entre os meus glúteos. Tanto ele quanto eu, esfregamos os olhos para ter certeza de que o que estava diante de nós não era uma miragem, o Harry parado ao lado da cama nos observando calado. O cobertor havia escorregado para o lado e nossos corpos completamente nus e entrelaçados comprovavam o que tinha acontecido entre nós.

- Bom dia! – exclamou o Harry sorrindo ao se enfiar conosco na cama.

- O que faz aqui, Harry? Você devia estar dormindo! – sentenciou o Neil, cobrindo-se às presas para que o garoto não flagrasse seu membro excitado.

- Eu já dormi bastante! Faz tempo que amanheceu! – respondeu o garoto com vivacidade. – Eu também quero entrar aí!

- Faz tempo que você acordou? – perguntou o Neil meio constrangido.

- Um pouco! Eu precisava fazer xixi e vim procurar vocês! – respondeu o Harry.

- E você já fez xixi? Está com fome? – perguntei, escorregando para o lado e fazendo espaço para ele entrar na cama.

- Já, já fiz! E lavei as mãos, viu papai! – respondeu, dirigindo-se em seguida ao Neil.

- Levantou a tampa do vaso?

- Sim, também fiz isso! – devolveu um pouco enfadado. – O que tem para comer, tio Niklas? Você sabe fazer torradas com queijo derretido?

- Sei, sei sim, Harry!

- Eu também gosto de leite com chocolate!

- Então vamos lá fazer leite com chocolate e torradas com queijo! - exclamei, tateando em vão para ver se encontrava a minha cueca debaixo do cobertor. Tive que correr até o armário e me cobrir com um robe, o que fez o Neil rir.

- Lembra do que o papai falou antes de viajarmos para a Alemanha, que eu ia procurar pelo meu grande amigo e que se ele quisesse nós íamos morar todos juntos? – perguntou o Neil, quando viu como o Harry encarava a minha nudez.

- Claro que lembro, faz poucos dias, eu não ia me esquecer tão rápido, pai! Você vai deixar o papai e eu morarmos aqui com você, tio Niklas?

- Você gostaria que nós morássemos todos juntos? – perguntei, vendo a resposta no rosto risonho dele antes mesmo de ele responder.

- Eu gostaria muito, muito, um tantão assim! – respondeu ele, abrindo os braços o mais que pode para dimensionar sua vontade.

- Eu também gostaria, Harry! Eu também gostaria, um tantão assim! – respondi, imitando-o, o que o fez dar um salto nos meus braços.

Não consegui evitar que as lágrimas aflorassem enquanto o abraçava, e encarava o sorriso de satisfação do Neil largadão sobre a cama e com aquele cacetão entre suas coxas musculosas nem pensando em amolecer.

Nos meses que se seguiram providenciamos um lugar mais amplo para morar, com uma escola próxima onde matriculamos o Harry e que também não distava muito do hospital. Fomos conversando com ele a respeito da peculiaridade da nossa família, dois pais e um filho com o qual o destino nos presenteou, pois sabíamos que ele teria que enfrentar muitos obstáculos que poderiam magoá-lo e deixar sequelas psicológicas permanentes com as quais ele talvez não conseguisse lidar senão o preparássemos para isso. Contudo, não demorou para percebermos que nossas preocupações eram até exageradas.

Ele era um garoto esperto, não apegado a padrões, fazia parte daquela juventude pós-guerra que começava a entender que o que unia as pessoas não eram cerimônias nem papéis, e sim o amor, uma vez que era isso que presenciava todos os dias no nosso convívio. Foi um dos primeiros a afirmar que tinha dois pais, que sua família não era aquela tradicional, e que se sentia orgulhoso e seguro na que era dele. Muito embora nem o Neil nem eu fossemos seus pais biológicos. O mundo começava a enxergar mudanças, ainda havia um longo e tenebroso caminho a percorrer, mas todos aqueles sobreviventes do pós-guerra tinham esperança num futuro melhor.

A Alemanha arrasada pela guerra ia se reconstruindo num ritmo acelerado. Nós também resolvemos construir uma casa com quintal onde o Harry pudesse brincar antes de ingressar na adolescência. Meus pais estavam radiantes com o ″neto″ aceitando-o como um presente do destino, assim como acolheram o Neil sem restrições. Eu não podia ter sonhado com uma vida mais plena e feliz, aquele homem e aquele garoto me fizeram esquecer paulatinamente todas mazelas da guerra, arquivando-as num escaninho profundo do meu cérebro. O Neil e eu também nos empenhamos em reencontrar os membros do grupo da Resistência que sobreviveram a tudo aquilo. Eles sempre fariam parte de nossa história e os reencontros só fortaleceram aquela amizade que começou insipiente enquanto lutávamos por um mundo melhor e mais justo. Muita coisa mudou desde então, mas cheguei à conclusão que esse mundo jamais seria justo e igualitário para todos. A ganância de alguns pelo poder, o preconceito de outros por tudo o que é diferente e os assusta, e a própria essência do homem serão sempre um empecilho para a harmonia e a felicidade de todos, não importa quais ideais abracemos ou pelos quais lutemos.

Siga a Casa dos Contos no Instagram!

Este conto recebeu 15 estrelas.
Incentive kherr a escrever mais dando estrelas.
Cadastre-se gratuitamente ou faça login para prestigiar e incentivar o autor dando estrelas.

Comentários

Foto de perfil genérica

Kherr amo suas histórias, mas confesso que preferia mil vezes o Niklas com o Klaus do que com o Neil que agiu como um belo de um babaca e voltou arrependido do nada. Enfim, você sabe que amo seus contos né, mesmo aqueles que me deixam indignado com o final, hahahahaha. Um grande abraço

0 0
Foto de perfil genérica

Oi Gilberto! Só o Niklas pode te responder porque o coração dele optou pelo Neil, apesar das desavenças que tiveram no início. Já fiz esse comentário aqui uma vez, o que une duas pessoas não é a parte racional delas, mas a emocional, daí muitas vezes não entendermos porque duas pessoas estão juntas. Abração, meu leitor indignado.....KKKKK

0 0
Foto de perfil de Jota_

Kherr, história deliciosa e envolvente como sempre! Estou adorando esses contos históricos seus rs

0 0
Foto de perfil genérica

Obrigado, meu querido! Valeu pelo comentário! Super abraço!

0 0
Foto de perfil genérica

Meu querido Kherr... Que tal contar a história do Diego e do Klaus?

Vou amar kkkkk

Linda história. Até o sentimento nacionalista e o patriotismo alemão foram bem retratados.

Amei!

0 0
Foto de perfil genérica

Oi JowSP! Não que o o Diego e o Klaus não mereçam ter sua história revelada, mas creio que teria muitos aspectos semelhantes aos dos protagonistas. A guerra não deve ter dado muitas opções. De qualquer forma, valeu! Abração!

0 0
Foto de perfil genérica

Que delícia. Como sempre, espetacular. Depois de fodas magistrais, o nosso tão desejado final feliz. Você é o máximo, obrigado, parabéns, beijos e um forte abraço.

0 0
Foto de perfil genérica

Obrigado mais uma vez Roberto! Forte abraço e outro beijão para vc!!

0 0