Meu Judoca (Capítulo 19.1)

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 1426 palavras
Data: 12/11/2023 22:40:18
Assuntos: Amigo, Gay, Judô, segredo

Estou olhando para Mateus, a pergunta dele me faz pensar, estou a mil, pensando do que Iuri me falou e agora essa pergunta, Mateus me encara esperando uma resposta, respiro fundo, sei dentro de mim que não tenho mais como fugir do que sinto, preciso por para fora tudo que estou pensando ou vou ficar doido.

— Conheci Iuri a um tempo, nunca fui de me interessar por ninguém, até que um dia percebi que está perto dele me deixa animado, comecei a ver ele com outros olhos e depois de um tempo entendi que queria ele, o desejava. — Me sento na cama e Mateus senta ao meu lado ouvindo o que tenho a dizer, então continuo. — Iuri era gentil, mas parecia um sonho impossível de se realizar, então fui me conformando a só fantasiar algum tipo de relação com ele. — Mateus não me julga, apenas me olha esperando que eu termine de falar.

Respiro fundo de novo a cada palavra que sai da minha boca, me sinto mais leve, menos pressionado, minha cabeça vai organizando as frases e minha boca às fala, quase no automático, não sei o que acontecerá no fim, mas agora que abrir essa caixa vou até o final.

— Quando comecei o Judô eu conheci você, a princípio te achei bonito, mas por pensar que você era um sonho ainda mais distante do que o Iuri nem me permiti olhar para você com outros olhos, até que veio a festa de aniversário da Mel e a gente ficou junto, aquela noite mudou meu mundo inteiro de cabeça para baixo, parecia que não sabia mais de nada, estava totalmente perdido. — Ele continua me observando sem desviar o olhar, seus pensamentos são uma incógnita para mim.

— Só que aconteceu que o que antes era impossível aconteceu, Iuri me procurou e rolou algo com ele também, achava que isso nunca me aconteceria, só que de repente tenho meus dois sonhos impossíveis comigo, porém a vida deu outra volta e você me pediu em namoro.

— Quando vou me pediu em namoro Mateus meu mundo explodiu, foi como me jogar de cabeça em mar aberto, de repente estava em uma situação completamente nova e totalmente fora do meu controle, eu queria aquilo mas que tudo, mas não sabia como me comportar ou como agir, em contra partida Iuri precisava de mim e eu queria está lá por ele, foi ai que me perdi, ao invés de tentar me entender eu quis manter os dois na minha vida, não da forma que você está pensando, foi tipo queria ser amigo do Iuri e está com você, porque você fez meus sonhos se tornarem realidade, mas tive tanto medo, da Amanda roubar você de mim, ou da Sofia, ou simplesmente de um dia você acordar e perceber que eu não sou o que você queria que isso me fez pirar, por isso me segurei no Iuri, como se isso pudesse ser alguma forma de garantia para mim.

Ao mesmo tempo em que falo isso para ele começo a entender a mim mesmo, é louco isso, como por tudo isso para fora está me permitindo enxergar coisas que antes não via, simplesmente por ter mil coisas na cabeça, não consegue filtrar o que era importante.

— Quando Iuri se afastou e vi que ele estava conhecendo outras pessoas foi como se tudo que tinha havia virado areia, eu afastei você por não saber lidar com meus medos e pedi Iuri, mesmo ele nunca ter sido meu, estraguei tudo Mateus, sinto muito, me sinto como o Icaro que voou muito perto do Sol e minhas asas se queimaram, então respondendo sua pergunta, não tenho ciúmes do Iuri, ele nunca me ofereceu nada e nem me prometeu nada, e parando para pensar agora não preciso que ele seja nada além de um amigo, porque eu tenho, quer dizer tinha você e você sempre foi mais do que um sonho para mim, eu tenho ciúmes de você, porque é você, sempre foi você, que me deu tudo.

As lágrimas tomam meu rosto, mas não é só tristeza, e alívio também, finalmente consegui falar tudo que estava instalado, fui inexperiente e infantil e a vida me cobrou o preso, agora tenho que aprender a lidar com meus erros, tenho que aprender a me perdoar, levei muito tempo para perceber que estava errado e que estava enterrando a melhor coisa que já me aconteceu.

— Fala alguma coisa por favor. — Digo olhando para ele, que permanece em silêncio e pensativo.

Tive todas as chances do mundo, mas as perdi, me levanto agradeço a ele e saiu do quarto, limpo as lágrimas no meu rosto e sigo de volta a festa, estou procurando o Téo para me despedir, ergo a cabeça, tenho que ser forte, não posso desmoronar, não de novo, quando finalmente o encontro ele está voltando da entrada da casa, sua cara parece péssima, então me aproximo dele.

— O que aconteceu?

— Nada, Iuri foi embora.

— Por que? Aconteceu algo. — Me sinto um pouco cupado, porque pelo que entendi o lance com ele foi grave.

— Ele ouviu sua conversa com Mateus. — Fico palido, não queria que ele tivesse ouvido, não daquela forma pelo menos.

— Ele ouviu tudo?

— Não, a gente só escutou até a parte em que Mateus te perguntou sobre seu ciúmes. — Então ele não ouviu toda a minha explicação, menos mau.

— Ele não tem culpa de nada, fui eu quem fiz merda. — Admito para o Téo.

— Finalmente está pensando racional de novo, mas fica bolado não os caras vão entender. — Meu amigo me consola.

Nesse momento a musica da esta para e escuto um som de violão, conheço essas musica é só o que consigo pensar, quando olho para trás vejo Mateus tocando violão e vindo na minha direção na frente de todo mundo.

Ainda tá de pé aquela proposta

Você faz aquilo só pra mim

Eu faço o que você gosta

Não me enrola

Não demora que hoje tô afim

Tô daquele jeitin'

Me dá logo essa resposta

Cê quer saber

Quero te ver

Fico a noite inteira

Pensando em você

É muito louco esse nosso lance

Vou te dizer foi de fuder

Ficou na minha mente

Não da pra esquecer

Nossos corpos querem mais uma chance

Eu vou me jogar nessa treta

Vou mergulhar de cabeça

Eu vou

Mas só se você quiser

Ser seu homem você ser meu

Quando eu te conheci foi diferente

Me deu trabalho

Você não botava muita fé na gente

Mas nossa pele bateu tão certin'

Deu certo o pedido que eu fiz na fita do Bonfim

Deixa eu te levar

Para conquistar o mundo amor

Sorrir, chorar

E misturar a nossa cor na vida que brotar de nós

Na vida que brotar de nós

Todos nos olhando e meu coração a mil por hora, nossa música, Mateus está cantando nossa música para mim, estou cantando com ele, as pessoas respeitam nosso momento e só as nossas vozes é que são ouvidas, adoro essa música porque é nossa, tem tudo haver com nossa história, no final Theus deixa o violão de lado se ajoelha na minha frente, estou passando mal de nervoso, meu coração parece que vai sair pela boca.

— Roberto, você aceita ser meu namorado? — Ele pergunta e fico sem chão.

— Aceito, claro que eu aceito.

— Eu te amo Beto. — Ele fala se levantando e me puxando para um beijo daqueles bem apaixonado,

— Eu te amo Theus.

Bel, reinicia a música na caixa de som que estava tocando antes do Theus parar, estou agarrado com ele, beijando ele freneticamente, senti tanta falta, do perfume dele, do calor do seu corpo, da sua boca, do seu abraço, nunca mais vou largar meu homem, nunca mais.

— Theus eu vou mudar, prometo. — Digo ainda nos braços dele.

— Não quero que você mude nada Beto, amo você do jeitinho que você é. — Meu coração vai explodir de tanto que amo esse homem.

— Amor o Iuri foi embora, acho que ele pensa que brigamos por causa dele. — Falo querendo repar mais um erro.

— Vamos atrás dele, a mãe dele trouxe o tio dele. — Essa parte eu não fazia ideia.

— Por isso ele ficou tão mal.

— Sim, o cara tentou bater nele, Beto. — Nossa, foi bem pior mesmo.

— Vamos temos que encontrar ele e falar que está tudo bem.

— Chega de dramas? — Ele me pergunta.

— Chega de dramas. — Confirmo, é um grande alívio ter me aberto com ele, se eu tivesse feito isso antes teríamos poupado um longo período separados. — Eu sei não me julgue. — Chamo o Téo e vamos os três atrás dele.

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Comentários

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Não segurei as lágrimas com o desabafo do Beto, sendo sincero e fazendo autocrítica e muito mais com a cena do Matheus cantando e se declarando publicamente para o Beto. Agora a preocupação é Iuri.

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Julgo sim, mas pelo menos agr ta melhor

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Haha "chega de dramas" definitivamente não é o modo de vida do Beto, mas ele aprende. Ansioso pelos capítulos finais!

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Não é o modo de vida do Beto nem do estilo do escritor, toda vez um aperto na garganta

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Chegando maravilhosamente no fim, esperando esses poucos capítulos com ansiedade e gratidão

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