Meu Judoca (Capítulo 13)

Um conto erótico de R. Valentim
Categoria: Gay
Contém 1829 palavras
Data: 24/10/2023 15:50:27
Assuntos: Amigo, Gay, Judô, segredo

Estou observando Iuri, ele está segurando o telefone esperando até a mãe dele atender, quando ela atende ele levanta e se afasta um pouco, entendo ele, é difícil ter essa conversa ainda mais na frente de outra pessoa, então faço o que acho melhor que é apenas continuar sentado esperando até que a ligação se encerre e aí vejo como posso ajudar-lo.

Mateus me manda uma mensagem perguntando o que estou fazendo e fico na duvida se devo falar ou não, afinal é uma situação muito pessoal, não acho que Iuri goste de ser exposto mais do que já está, mas por outro lado mentir para o Mateus faria me sentir mal, afinal não estou fazendo nada de errado, então digo que estou ajudando Iuri, porém sem dar muitos detalhes, para minha sorte meu namorado é muito compreensivo e não faz perguntas que não vou poder responder, ele só me pede para ligar para ela quando estiver livre, ele conseguiu que a Bel fique com a Mel hoje para gente ter nosso primeiro encontro, achei fofo da parte dele, vamos sair depois do treino, até sugeri que ele se arruma na minha casa, já que ele não conhece meu quarto ainda.

Ainda falo com Téo, ele quer detalhes sobre o que rolou ontem, sério meu amigo é muito fofoqueiro então ligo para ele, tendo em vista que a ligação do Iuri ainda vai demorar um bocado.

— Não devia está na aula moleque? — Téo chama minha atenção.

— Tô com o Iuri.

— Mal arrumou um namorado e já está chifrando o cara? — Ele pergunta.

— Deixa de ser babaca, seu escroto, to ajudando o Iuri com o lance dele, e você como sabe que estou namorado o Mateus? — Ainda não tinha contado.

— Bel me contou.

— Não sabia que vocês eram amigos. — Falo já desconfiando.

— A gente meio que ficou, ou está ficando, mas o foco aqui é você não eu. — O safado joga uma bomba dessas e quer que eu fique quieto.

— Téo que história é essa, desde quando você não está comendo sua sogra? — Sério, não consigo acompanhar a vida sexual do Téo.

— Ex sogra, e o lance com a Bel é só sexo, em minha defesa já comia ela antes de conhecer o Mateus.

— Tem alguém nessa cidade que você não comeu? — Perguntei cético.

— Sou rodado e dai, não me julgue, não tenho culpa de ter um pau gostoso.

— Você é muito boy lixo.

— Por isso as minas amam sentar pro pai. — Se o Téo não fosse um irmão para mim certamente não seria amigo dele.

— Téo desisto de ti, mas em fim eu aceitei, só que a pior parte é que eu meio que dei um chega para lá na Amanda ontem.

— Puta que pariu, já tá bancando o possessivo. — Ele fala rindo de mim.

— Mateus disse que gostou desse meu lado. — Agora estou rindo também.

— Já falou com seu outro P.A. sobre isso. (Pau amigo)

— Cara ainda não, com isso da mãe dele ainda não tive chance, mas vou falar, meio que devo isso a ele, eu acho.

— Na real só quero que você fale porque ele é meu amigo também, não acho que ninguém deve satisfação para ficante.

— Téo você às vezes até parece um ser humano com sentimentos, sabia?

— Eu sou perfeito, apenas aceite meu brilho. — Ele fala rindo. — Tenho que ir a professora gostosa já chegou aqui.

— Vai comer a professora também?

— Foi só aquela vez porque ela estava me dando mole, mas aqui na facul rola não, ela é casada com outro professor e ele é maior limpeza comigo.

— Que bom que você ainda segue um código de ética e moral. — Falo tirando onda com ele. — Tenho que desligar o Iuri tá vindo, até mais.

— Manda um xero para ele e diz que se precisar largo tudo aqui e chego ai em segundo.

— Beleza. — Téo podia ser um boy lixo, mas era um amigo de milhões quando precisávamos dele.

Iuri está muito abatido, ele se senta ao meu lado e percebo as lágrimas em seus olhos, com pouco tempo ele se desmancha do meu lado e abraço ele com toda a força, nunca vi ninguém tão vulnerável e quebrado assim antes, ainda não sei o que ela disse, mas acho que eles finalmente tiveram a conversa franca que ele buscava, mas isso não parece ter feito bem a ele, imagino que não era por telefone que isso deveria acontecer, mas deus sabe quando ela vai voltar e as dúvidas estavam acabando com ele.

Ficamos em silêncio, ele chorou por um bom tempo e permanecei ali abraçando ele, um vento frio passando arrastando algumas folhas secas pelo chão, o tempo meio nublado e só a gente ali, por um segundo parecia que ambiente estava respeitando a tristeza do Iuri, eu sei que parece viagem, mas é a sensação que tenho.

— Ela disse que não era para mim ficar sabendo assim e que fez isso para me proteger. — Ele fala com sua voz ainda falhando. — Ela mentiu para mim esse tempo todo.

— O que ela falou? — Pergunto.

— Ela disse que meu pai e ela tinham um caso e que ela era casada com irmão do meu pai. — Ele respira fundo, as lágrimas ainda escorrendo pelo seu rosto. — Ela disse que sou fruto dessa traição, quando ela descobriu que estava grávida ela já tinha o meu irmão, ela disse que quando a barriga começou a crescer ela inventou que a mãe dela que morava em um interior estava muito doente que ela tinha que ir cuidar dela, parece que eles tiveram uma briga e até chegaram a se separar por um tempo, porque ela estava muito tempo longe de casa, e ele não podia ir ve-la.

— Como ela conseguiu enganar ele?

— Ela dizia que minha avó estava muito doente e que ela odiava ele, no fim eles brigaram e passaram os três últimos meses da gravides separados, para piorar meu irmão ficou com nossa avó paterna, acho que ela teve medo dele falar algo pra pai dele, criança a gente não pode controlar.

— Nossa, e ela ficou com seu pai durante esse tempo separada?

— Não, ela disse que meu pai queria que ela me tirasse, Beto meu pai pediu para ela me abortar. — Senti o peso daquelas palavras.

— Sinto muito. — Foi só o que consegui dizer.

— Ela contou que depois que nasci ela me deixou com minha vó e voltou para falar com o marido e ele a aceitou de volta, a ideia era que ela iria contar sobre mim, mas isso nunca aconteceu, contou que ele era violento e que ela tinha medo do que ele pudesse fazer se soubesse.

— Ela não pensou em dizer que você era filho dele?

— Não, parece que ele tinha muita dificuldade para ter filhos, meu irmão foi um milagre segundo ela, até me pergunto agora se meu irmão é mesmo filho dele e não do meu pai, de qualquer forma ela disse que com o tempo meu pai aceitou e começou a me bancar e que de vez em quando ia visitar a mãe dela, eu no caso, lembro de algumas dessas visitas até, depois que ela falou foi como se um filme passasse na minha mente.

— Iuri. — Abraço ele ainda mais forte.

— Ela contou que um dia o marido dela voltou de uma viagem antes do previsto e pegou meu pai e ela na cama, ele quase matou meu pai de porrada, segundo ela ele chegou a bater nela também, ele foi preso, disse que iria matar minha mãe, então ela fugiu.

— E seu irmão? — Estou chocado como essa mulher larga os filhos como se fossem bagagens de mão.

— Ela disse que deixou ele com a minha vó, mãe do meu pai porque meu pai não queria criar o filho do irmão dele, esse cara não queria criar nem o próprio filho imagina se ele iria querer o sobrinho. — Iuri estava puto e com razão. — Ela então convenceu ele depois de um tempo a me assumir de vez e foi o que eles fizeram só que em outra cidade e longe da família, sem dar noticias e nem nada disso, só que minha mãe nunca foi visitar meu irmão, por isso não fazia ideia que ele existia. — Ele ficou pensativo e depois continou. — Ela descobriu que ele se casou de novo e que saiu da cadeia, parece que virou pastor de uma igreja evangélica e pegou meu irmão para criar com a nova mulher, ele pelo menos cuidou do filho porque quis diferente do meu pai.

— Não sei nem o que te dizer, sinto muito por tudo isso.

— Obrigado, não quero ir para casa Beto. — Parecia uma súplica.

— Claro, vamos lá para casa.

Esperamos até ele se recompor um pouco, ele vai no banheiro perto da quadra para lavar o rosto e depois damos um jeito de fugir da escola e seguimos para minha casa, minha mãe não está em casa então vai ser tranquilo para gente, Iuri está arrasado e quero poder ajudar, mas não faço ideia de como animá-lo, quando chegamos em casa preparo um lanche para gente, falo com Téo dizendo que estamos em casa.

Iuri já estava um pouco melhor, liguei o video game para tentar distrair ele e por um tempo até deu certo, só que Iuri foi se chegando perto de mim, ambos estamos sentados no chão escorados na cama, posso sentir o cheiro do seu perfume que tanto gosto, vou está mentindo se dizer que não sinto nada por ele, mas já tomei me decisão e tenho que ser forte, por mais difícil que seja, a partida acaba com ele vencendo, quando olho para ele Iuri vem em minha direção para me dar um beijo, porém eu recuo e ficamos uns segundo apenas nos olhando.

— Desculpa. — Ele fala se afastando.

— Não, é que não estou mais solteiro, desculpa eu queria te contar mais. — Tento me explicar, mas seu rosto parece meio perdido.

— Quando você começou a namorar, não sabia que você estava saindo com alguém. — Ele não me olha mais nos olhos.

— Ele me pediu ontem e aceitei. — Falo com cuidado, tento escolher as palavras.

— Ele, você está namorando um cara? — Iuri parece surpreso.

— Sim, é o Mateus. — Falo e fico esperando sua resposta.

— O Mateus, espera, era sobre você que ele estava falando? — Ele começa a ligar os pontos. — Então você ficava comigo e com ele ao mesmo tempo?

— Sim, eu queria te contar, mas não sabia como falar sobre isso, me desculpa por favor.

— Ele sabe, que gente?

— Não, nunca iria expor você dessa forma. — Falo para tentar tranquilizá-lo.

— A gente não tem nada sério, você é livre para namorar quem quiser, de boas. — Iuri está estranho.

— Iuri eu. — Ele me interrompe ficando de pé.

— Beto, preciso ir.

— Você disse que não queria ir para casa agora.

— É só preciso ficar sozinho, foi mal, obrigado por me ajudar e boa sorte com seu namoro. — Iuri pareceu meio nervoso, mas foi embora, nem quis que o acompanhasse até a porta.

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Comentários

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Beto fez certo em contar tudo pra Iuri.

Iuri é irmão de Jonas. Não sabe que Jonas também é gay. E que no futuro vai estar casado com Isaac e que vai conhecê-lo quando tiver ficando com Davi. Muita história!

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Tcha, tcha, tchaz tcha começo do ANTICLIMAX

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Só falta o Yuri está apaixonado por ti ou pelo Theus!

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Cérebro do Beto derretendo de tanto pensar em 3, 2, 1...

Hehehe adoro seus personagens! Ainda mais quando o conto encaixa certinho num entre-reuniões que tava demoraaando a passar...

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KKK pelo visto com tudo que rolou, sobre a conversa com a mãe do Iuri, tô achando que agora ele vai afastar de todos, ou se tornar um cara possessivo ou incoveniente, agora ler os próximos capítulos.

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Que venha o próximo capítulo porém o medo já

está afligindo o coração.

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