O preço da vingança (Capítulo XXI)

Um conto erótico de Leandro Gomes
Categoria: Homossexual
Contém 3945 palavras
Data: 27/10/2023 20:51:01

Marcel ergueu a adaga com ambas as mãos, pronto para desferir um golpe no peito de seu irmão. Nessa hora, atrás dele, Pièrre Montagne se aproximou, com um crucifixo de metal na mão, recitando em alta voz: “Exorcizamus te, omnis immundus spiritus, omnis satanica potestas, omnis incursio infernalis adversarii, omnis legio, omnis congregatio et secta diabolica”.

Imediatamente, os braços de Marcel ficaram enrijecidos no alto. Ele tentava abaixa-los, mas não conseguia.

- Maldito! O que está fazendo???

Pièrre continuava a recitar o ritual até que a adaga caiu das mãos de Marcel e este começou a sotlar grunhidos tenebrosos. Então, várias vozes saíam de sua boca. Eram os nove espíritos que estavam sendo exorcizados. Eles, em forma de serpentes negras, começaram a sair pela boca de Marcel, contorcendo-se como se estivessem sendo queimadas. Uma a uma, as serpentes caíram no chão. Pièrre se aproximou e pisou em suas cabeças, e elas desapareciam como fumaça. Nessa hora, Paul e Lyana foram libertos. Marcel, vendo que não tinha mais o auxílio dos espíritos, tentou fugir, mas estava fraco demais.

- Acabe com ele! - Pièrre gritou.

- Será um prazer.

Paul pegou a adaga do chão e, com um salto, se colocou à frente de Marcel e o feriu no coração.

- Nãaaao! Seu desgraçado! Malditooo!

Paul então lhe cortou a cabeça. Enquanto o corpo de Marcel definhava, Pièrre se aproximou e, fazendo um corte em seu pulso, deixou o sangue escorrer sobre o corpo de Marcel, que pegou fogo no mesmo instante.

- Adeus, Marcel! Te vejo no inferno, mas não me espere tão cedo.

Nessa hora, os vampiros que Marcel transformou caíram no chão agonizando, enquanto seus corpos ficavam cinzentos e ressequidos.

Ao ver Pièrre, Jean correu ao seu encontro com lágrimas nos olhos. Eles deram um abraço longo e apertado.

- Pièrre… Anthony não resis…

- Eu sei. - Pièrre o interrompeu.

- Você pode fazer alguma coisa por ele?

- Não posso.

Jean ficou confuso com essa resposta. Será que realmente não havia nada mais a ser feito pelo seu amigo?

- Ele pediu para te dizer que você foi o melhor amigo que ele teve e que te amava muito.

Pièrre ficou em silêncio. Seus olhos mareados olhavam para o nada, e seu coração doía como se uma flecha o tivesse atingido. Sua mente lembrava dos momentos que compartilhou com seu amigo, das risadas, das cantadas que ele investia na esperança de leva-lo para a cama - ou para um beco ou qualquer lugar em que pudesse transar com ele.

O jovem Montagne se soltou do abraço de Jean e começou a caminhar sem rumo. Todos olharam para ele sem entender sua reação. Eles o chamavam, mas ele continuava seu caminho. Paul foi até ele e quis abraçá-lo, mas ele tentava se desvencilhar.

- Paul Cartier, você teve o que sempre quis, agora me deixe em paz.

- Você sabe que não posso. Eu sempre estive com você e sempre estaremos ligados.

- Mas que proveito eu tive com isso? Veja o que você fez na vida das pessoas à minha volta. Perdi pessoas que eu amava e a cidade está um caos.

Paul Cartier olhou fundo nos olhos de Pièrre, que desabou em lágrimas. Paul o segurou no rosto e, olhando em seus olhos, lhe disse.

- Estamos ligados por um feitiço de sangue. Somos um agora. Você é meu e eu sou seu.

Paul terminou a frase e deu um beijo ardente em Pièrre, que correspondeu, totalmente entregue nas mãos do vampiro.

Jean observou a cena e se encheu de ciúmes. Enquanto esteve na mansão de Paul, sendo treinado por ele e por Lyana, o jovem foi convencido de que Pièrre e Paul estavam destinados a ficarem juntos, e que ele deveria aceitar isso. Porém, o amor reside no coração, não na mente, e o amor que Jean sentia não morreria jamais. No entanto, ele permaneceu em silêncio.

- Lyana, Jean, chamem os outros. Certifiquem-se de manter o lugar em ordem antes do dia nascer.

- Sim, senhor.

- Lyana… Eu sou grato pela sua lealdade e bravura em lutar pelo nosso clã.

- Claro, senhor. Eu morreria por você se fosse preciso.

Paul deu um sorriso de alegria, o que era estranho para ele, já que até então ele estava desprovido desse tipo de emoção. Em seguida, ele e os demais tiraram os corpos dos vampiros e dos humanos mortos do local rapidamente e os levaram para uma parte da mina que estava interditada, enterrando-os ali. Porém, Pièrre pediu que o corpo de Anthony fosse levado enterrado na casa onde ele morava.

______________

O dia amanheceu nublado, e o clima de mistério pairava sobre a capital francesa. Muitas pessoas foram mortas no confronto e outras estavam “desaparecidas”. A polícia precisou se empenhar para dar uma explicação a todos. Mesmo insatisfeita, a população não tinha o que fazer. Muitos procuraram seus entes queridos, mas sem sucesso. Os corpos seriam encontrados muitos anos mais tarde.

Três meses depois, Paul Cartier ocupou o lugar de Marcel em Paris e trouxe seus vampiros para a capital. Ele se estabeleceu de vez como o vampiro mais poderoso, e sua ligação com Pièrre permitia a ambos desfrutarem de um poder que jamais imaginavam.

O ciúme de Jean aumentava a cada dia, mas ele mantinha uma esperança de ter seu amado de volta, ainda que isso parecesse praticamente impossível. Nos momentos de dúvida, ele pensava em abrir mão de Pièrre para seguir sua vida, mas ele tinha lutado e esperado tempo demais para desistir agora.

Vez ou outra, vampiros de outras partes da Europa vinham para a França. Com seu poder potencializado, Pièrre podia senti-los quando chegavam na capital, e então Paul os abordava, dando-lhes a chance de se juntarem a ele. Os que não aceitavam, podiam ir embora em paz, ou eram destruídos sem misericórdia caso resistissem. A intenção do ruivo era manter seu domínio por todo o país e para isso, ele começou a enviar seus vampiros mais fortes para pontos estratégicos espalhados pelo país. Assim, ele conquistou muitos aliados, que se submetiam a ele por completo.

__________________

Cinco anos se passaram, e Jean Roche estava perdendo as esperanças de ter seu amado só para ele. O fato é que Pièrre já não era o mesmo desde que se entregou a Paul. Ele foi ficando cada vez mais frio e distante; seu olhar foi se tornando vazio e suas feições eram apáticas, para dizer o mínimo. Isso fez com que o sofrimento de Jean aumentasse ainda mais. Durante esse tempo, Jean Roche teve vários parceiros, humanos e vampiros, mas nenhum deles o interessava para um relacionamento.

Uma noite, enquanto vagava pela mata ao sul de Paris, Jean começou a chorar. Há tempos ele não fazia isso. Suas lágrimas de sangue sujaram seu rosto e sua camisa preta. Aos poucos ele foi se enchendo de sentimentos de desespero, solidão e depressão tão fortes que ele resolveu se entregar. Aquele era seu limite e ele estava decidido a encerrar aquela “vida” miserável ali mesmo. Jean então quebrou uma pequena árvore, deixando seu tronco pontiagudo. Ele voou para cima e se preparou para se lançar sobre a estaca que fizera com a árvore. No alto, ele sentiu o vento frio em seu rosto, enquanto as lágrimas de sangue continuavam a rolar. Então, ele voou para baixo de peito aberto de encontro à estaca.

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Minutos antes, na mansão, Paul e Pièrre se entregavam ao prazer. Eles se beijavam ardentemente, completamente despidos e excitados. O ruivo se abaixou, tocando o nariz levemente na pele de Pièrre, sentindo seu cheiro, mordiscando e beijando Pièrre em toda parte, fazendo-o arrepiar-se de tanto tesão. Paul se levantou novamente, e eles se beijaram com voracidade e com uma paixão avassaladora.

Pièrre se debruçou sobre a enorme mesa de madeira, mantendo um pé no chão e a outra perna dobrada sobre a mesa, convidando o vampiro para explorar seu orifício. Paul enfiou a cara entre as nádegas fartas dele e sua língua ora lambia ao redor do orifício, ora forçava a entrada, fazendo Pièrre gemer intensamente. Ao mesmo tempo em que sua língua explorava aquele cu apertado, Paul masturbava o pau de Pièrre. Em seguida, o vampiro ruivo virou seu amante de frente e engoliu a tora envergada até senti-la invadir sua garganta. Não demorou muito e a rola se inchou em sua boca, e Pièrre gozou algumas gotas de esperma.

Paul se levantou e colocou Pierre deitado de barriga para cima, cuspiu na cabeça do próprio pau e o penetrou de uma vez. Assim que a rola se acomodou, o ruivo segurou as pernas de Pièrre para cima e começou um vai-e-vem intenso. Nesse momento, uma energia muito forte os envolveu, fazendo com que ambos ficassem em transe, sentindo apenas o prazer em seus corpos, sobretudo nos órgãos genitais.

Durante o transe, Pièrre conseguiu fazer com que seu espírito saísse do corpo e ele se viu em uma mata. Ele caminhou pelo lugar, e ao chegar em uma clareira, olhou para cima e viu Jean mergulhando de encontro a uma enorme estaca.

- Jean! Pare o que está fazendo!!! - Ele gritou.

Como não conseguiria parar a tempo, Jean se jogou para o lado e caiu rolando pelo chão. Ele ficou com arranhões e cortes pelo corpo, mas estes se cicatrizaram segundos depois.

- O que estava fazendo?

- Pièrre?

- Não tenho tempo para explicar. Só peço que volte para a mansão agora mesmo.

- Para quê?

- Não posso explicar agora. Confie em mim.

Pièrre sumiu diante de seus olhos, e Jean ficou confuso, pensando ser uma ilusão criada por Paul Cartier para o enganar ou que talvez ele mesmo estivesse delirando. Porém, ele voltou para a mansão.

Chegando lá, Jean procurou Raul, o mordomo - o qual sobreviveu ao ataque de Anthony no dia do confronto.

- Sr. Roche! Posso te ajudar?

- Raul, Pièrre está aqui?

- Sim. Ele está com o sr. Cartier na sala de reuniões em seu momento íntimo.

“De novo? Hoje já é a quinta vez!” - Jean pensou.

- Precisa falar com ele?

- Não. Só curiosidade. Vou para o meu quarto.

Raul abriu os botões da camisa e disse:

- Ou pode ir para o meu, se quiser.

Jean olhou nos olhos de Raul e viu como ele o desejava naquela hora.

Ali mesmo, Raul começou a beijá-lo. Há mais de um mês ele não transava, nem ao menos se masturbava. Já estava subindo pelas paredes de tanto tesão acumulado. Os dois foram se despindo ao longo do corredor, deixando suas roupas espalhadas por toda parte. Assim que entraram no quarto, Raul empurrou Jean na cama e caiu de boca em sua pica, que estava extremamente dura. O mordomo dedicou vários minutos em um maravilhoso boquete, fazendo o sr. Roche contorcer-se de prazer. Em seguida, Jean quis retribuir.

- Não. Eu estou a ponto de gozar, e quero fazer isso dentro de você.

- Então vem!

Jean se pôs de quatro sobre a cama e, como um animal, Raul montou sobre ele, enterrando seu pau pouco a pouco.

- Enfia tudo logo, por favor. - Jean implorou.

Raul o atendeu e meteu tudo de vez, já o fodendo com força. Mas ele não iria aguentar muito e então tirava o pau a cada vez que sentia o gozo chegar. Jean, então, se deitou de bruços e Raul se deitou sobre ele, colando seus corpos suados. Raul acelerou as estocadas e não resistiu - gozou muito dentro do vampiro. Jean gozou também com a fricção de seu pau com a cama.

Jean ficou olhando para Raul enquanto este recuperava o fôlego. As artérias no pescoço do mordomo lhe chamavam a atenção, e seus dentes logo se armaram.

- Pode beber, sr. Roche. - Disse ele oferecendo o pescoço.

Jean abriu a boca e mordeu o pescoço do mordomo, sugando seu sangue até que se sentiu saciado. Raul sentiu-se fraco e tonto, mas já estava acostumado com isso.

- Raul, vou me banhar.

- Quer que eu prepare seu banho?

- Não. Você tem que descansar.

Jean saiu do quarto, catando suas roupas que estavam no chão e subiu para seu quarto. Do alto da escada, viu quando Paul e Pièrre saíram da sala de reuniões, completamente nus. Jean se virou, triste, e seguiu para o quarto.

- Pièrre, vou a Versalhes me encontrar com Lyana. Temos que cuidar de um certo vampirinho rebelde. Fique atento caso eu precise de você.

- Claro.

Paul se vestiu e desapareceu em uma névoa negra. Pièrre aguardou alguns minutos e foi até o quarto de Jean.

- Jean, sou eu Pièrre.

Jean abriu a porta e ficou surpreso ao vê-lo.

- Pièrre? O que…?

- Precisamos conversar urgentemente. Vamos até o porão. Paul saiu e não temos muito tempo.

Chegando no porão, Pièrre abriu a porta da câmara secreta e entraram.

- Você tem acesso a essa câmara? Achei que fosse somente Paul.

- Eu imaginei que, se ele eu eu compartilhamos certos poderes, então talvez eu tivesse acesso a esse lugar também.

- Bem pensado. Mas espere. Você está diferente… aliás, está como era antes.

- Sim, sou eu mesmo de novo, e tenho sido há algum tempo, mas por razões óbvias, eu precisei ser discreto.

- Entendo. E o que que estamos fazendo aqui?

- Quero te mostrar isso.

Pièrre abriu o caixão de Paul, e por baixo do forro, tirou um livro grande e velho de capa vermelha e mostrou a Jean. Era o livro do bruxo que fez o feitiço com o sangue de Paul contra vampiros, mas acabou ligando-o a Pièrre. Então Pièrre explicou que, há dois meses, enquanto faz sexo com Paul e ambos ficam em transe, ele tem tido visões, e começou a relata-las a Jean.

Na primeira visão, tinha um homem sentado no chão em um lugar escuro, tentando fazer um ritual, mas sem sucesso. Então, ele se levantou muito decepcionado e irritado. Ele começou a gritar: “Paul, me tira daqui por favor!” Em seguida, Paul Cartier entrou no lugar e, assim que a porta foi aberta e a pouca luz de fora entrou, Pièrre conseguiu ver que aquele lugar era a câmara secreta. “Erasto, eu já te disse que você só sairá daqui quando você me tornar o vampiro mais poderoso.” “Mas se eu fizer isso, serei castigado pelos espíritos.” “Isso é problema seu! E é bom ser rápido, porque sua filha já está sentindo sua falta”. “Por favor, não a machuque!” - Erasto implorou. Paul se aproximou de Erasto e o beijou. “Erasto, eu te amo, e não quero fazer mal a você, nem à sua garota, que aliás, gostou muito de mim.” Ao ouvir isso, Erasto temeu pela vida de sua filha e então pegou um livro de capa vermelha e o abriu. As páginas estavam em branco, mas ele disse alguma coisa em língua desconhecida e soprou sobre o livro. Ao abri-lo novamente, as páginas estavam escritas e com desenhos e símbolos.

Pièrre voltou do transe e entendeu que, na verdade, ele estava acessando uma memória de Paul. Então, aproveitando-se dos momentos de transe durante as várias vezes em que eles passaram a fazer sexo, Pièrre acessou outras lembranças.

Ele viu Paul e Erasto à noite em uma floresta. Ambos estavam nus e estavam no meio de um ritual. Paul, que estava deitado sobre um tapete no chão e havia duas taças com sangue perto dele. Erasto pegou uma das taças e derramou o sangue sobre o corpo de Paul. Em seguida, ele se aproximou e penetrou o vampiro, fodendo-o com força enquanto conjurava um feitiço. Paul ficou inconsciente, mas Erasto não parou de o foder até sentir que ia gozar. O bruxo pegou a outra taça de sangue e então gozou nela, misturando os fluidos, enquanto conjurava o feitiço em forma de canto. Paul despertou e, mesmo tonto, bebeu o conteúdo da taça. Uma névoa negra o envolveu e ele foi fortalecido.

Em uma das últimas memórias que Pièrre acessou, Erasto estava em uma caverna chorando muito enquanto segurava no colo o corpo de uma mulher, sua esposa. Paul se aproximou e eles começaram a discutir. Erasto acusava o vampiro de ter matado sua esposa, mas Paul negava com veemência. Furioso, o bruxo começou a conjurar feitiços contra Paul, mas ele conseguiu se esquivar. Erasto, então, se levantou e tirou uma estaca do bolso e tentou matar Paul, mas este segurou seu braço. “Bruxo infame, eu juro que não fui eu que a matei. Acredite em mim.” “E o que fez com minha filha?” “Ela ainda está segura. Termine o que começou comigo e eu a trarei de volta”.

A próxima memória que Pièrre teve acesso aconteceu dias depois da anterior. Erasto estava conjurando um feitiço enquanto Paul estava deitado de braços e pernas abertas sobre um símbolo feito com sangue no chão. O bruxo estava exausto, afinal, era a quinta vez que tentava fazer aquilo. O ritual era forte demais e ele estava cansado demais para lidar com energias tão poderosas. Paul o obrigou e, finalmente, ele conseguiu completar o ritual, o que fez Paul ser cheio de grande poder. Ao se levantar, Paul foi até ele e o beijou, e então chamou Lyana Richards, que veio trazendo a garota Kieza, que tinha por volta dos 12 anos. “Como prometido, aqui está a sua filha”. Erasto se ajoelhou e abraçou a garota, derramando-se em lágrimas de alegria. De repente, ele começou a sangrar pela boca e caiu no chão. “Por que fez isso, Paul?” “Sinto muito, meu amor. Mas você me tornou forte e pode me enfraquecer também. Por isso é melhor que esse feitiço morra com você!” Paul o beijou na testa, e então saiu com Lyana, deixando a jovem Kieza chorando e gritando pelo pai.

- E o que pretende fazer agora que sabe toda a verdade, sr. Montagne? - Paul perguntou, entrando na câmara.

- Paul? - Jean e Pièrre se assustaram com a chegada do vampiro ruivo.

- Você acha que eu não descobriria que você usou um feitiço para me impedir de acessar sua mente? Esqueceu que eu me tornei o vampiro mais poderoso da Europa?

- Então como soube que eu estaria aqui?

- Eu tenho olhos e ouvidos nesta casa, meu jovem.

Pièrre entendeu que ele falava do mordomo Raul.

- Felizmente, você e eu estamos destinados a ficarmos juntos para sempre. Então não precisará desse livro.

Paul levantou a mão e o livro voou com violência das mãos de Jean. Em seguida, ele fez o livro desaparecer.

- Agora vou dar um jeito em você, Jean Roche! Achei que tivesse se livrado dessa sua carência pelo sr. Montagne.

- Não é carência, eu o amo!

- Ah, o amor! O sentimento que corrompe os corações dos tolos e fracos, deixando-os ainda mais tolos e fracos. Quero ver se o amor vai te livrar das minhas mãos, seu rato maldito!

Paul levantou a mão e, com poder, começou a torturar Jean Roche, o qual gritava e agonizava caído ao chão. Pièrre pedia insistentemente que Paul o deixasse em paz, mas o ruivo levantou a outra mão e o lançou contra a parede. Paul se aproximou de Jean e com muito ódio, lhe deu uma bofetada, fazendo-o sangrar pelo nariz e boca. Em seguida, ele o mordeu no pescoço e começou a sugar sua energia vital. Jean urrava enquanto seu corpo ficava cinzento e definhava.

Pièrre abriu os olhos e viu seu amado sendo morto. Mesmo tonto, ele cortou seu pulso e passou o sangue na testa e no peito.

- O que está fazendo? Pare com isso!

Pièrre, mesmo tonto, lançou um feitiço contra Lyana, o qual a impedia de se aproximar dele, mas o feitiço não duraria muito tempo, pois ela era muito forte. Em seguida, Pièrre se levantou e começou fazer conjurar o feitiço para se desligar de Paul.

- Paul! Faça alguma coisa! - Lyana gritou.

Quando percebeu o que estava acontecendo, Jean cravou suas unhas no abdômen de Paul e o fez sangrar. Em seguida, Jean desmaiou e já estava à beira da morte. Paul o soltou e se virou para tentar impedir Pièrre de prosseguir, mas a cada palavra pronunciada, ele era golpeado por uma energia que o empurrava para trás. O vampiro ruivo então reuniu suas forças e à distância tentou estrangular Pièrre, o qual teve dificuldade de continuar a conjuração.

Raul observava a cena apavorado e, em um ato de bravura inesperado, correu até Jean e ofereceu seu pulso para ele morder. Lyana tentou impedi-lo, mas já era tarde. Jean sugou a força vital de Raul, o qual conseguiu apenas dizer: “Acabe com ele!”

Com fúria, Jean se levantou e lançou seu poder contra Lyana, que foi arremessada contra Paul, e ambos caíram próximo da escada. Foi o tempo suficiente para Pièrre recuperar o fôlego e bradar o final do feitiço: “Liberatus est!”.

- Nãaaaao! - Gritou Paul Cartier.

No mesmo instante, Paul começou a definhar enquanto seus olhos sangravam por ter perdido grande poder de forma brusca. Pièrre sentiu uma forte dor de cabeça e começou a convulsionar violentamente. Jean correu ao seu encontro para tentar socorrê-lo.

- Lyana, me coloque no caixão! - Disse o vampiro ruivo com voz rouca, quase inaudível.

Ela o pegou no colo e o colocou no caixão para que se recuperasse.

Jean, aproveitando-se do momento, se teletransportou com Pièrre para longe dali. Aos poucos Pièrre recuperou-se e já estava consciente. Ao vê-lo abrir os olhos, Jean o beijou com muita paixão.

- Piè, precisamos fugir antes do sol nascer. Paul virá atrás de nós.

- Não. Ele será destruído.

- Isso significa que eu e os outros vampiros que ele fez, também irão com ele?

- Provavelmente. Mas temos uma solução e precisamos agir rápido.

Jean levou Pièrre à casa de Anthony, a qual, depois desse tempo, estava em ruínas. Lá, ele achou, em um buraco na parede, o frasco do antídoto que Kieza deu a Anthony quando fugiam de Marcel pela primeira vez.

- Espero que ainda funcione. Beba.

Jean tomou o antídoto de uma vez, mas nada aconteceu. Ele começou a chorar desesperado. Pièrre lhe deu um abraço e os dois ficaram assim por alguns minutos. Els subiram para o sótao e aguardaram a morte de Jean. Pièrre acabou pegando no sono.

Enquanto isso, na mansão, Paul continuava a se definhar. Lyana Richards sequestrou capturou um homem na rua e o feriu no braço para derramar seu sangue na boca do seu mestre. Mesmo assim, a situação não mudou. O choque da perda do poder aliado ao fato de que outrora o sangue de Pièrre era letal para vampiros, o levou à morte. Em poucos minutos, o corpo de Paul Cartier se secou completamente, tornando-se um cadáver. Todos os vampiros que ele transformou, incluindo Lyana Richards, se definharam em seguida.

____________

Um raio de sol, que entrava por um buraco no telhado, atingiu o rosto de Pièrre e fez despertar. Quando abriu os olhos e olhou em volta, Jean não estava ali, e então se desesperou, gritando seu nome. De repente, Jean entrou na casa e o chamou.

- Ei, calma. Estou aqui.

- Jean!! - Ele desceu do sótão para abraçá-lo. - Eu achei que…

- Parece que o antídoto deu certo. Fui lá fora tomar um pouco de sol. Como eu senti falta disso!

Pièrre o abraçou ainda com mais força e lhe deu um beijo longo e apaixonado. Eles saíram da casa e contemplaram a paisagem em um suspiro de alívio. Tudo parecia mais belo, as cores, a luz do sol, as árvores pareciam mais verdes e os pássaros ainda mais coloridos. Em seguida, foram ao quintal, onde o corpo de Anthony foi enterrado e ali despediram-se do amigo.

Para certificarem-se de que estariam livres de Paul, eles voltaram à sua mansão e colocaram fogo no caixão onde estava o corpo dele e fecharam a câmara secreta. Ao saírem de lá, Pièrre colocou o braço em volta do pescoço de Jean e os dois andaram pela rua, rumo a um novo capítulo em suas vidas, longe de Paris, longe da França talvez.

Fim.

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