GILDA SE APRESENTA PRA SURUBA

Um conto erótico de Nadja Cigana
Categoria: Gay
Contém 5967 palavras
Data: 30/09/2023 09:38:40

No domingo à noite Leia recebeu por e-mail a confirmação de Ivone de que a francesinha e a filha viada haviam chegado bem em Paris e na mesma mensagem a mãe de Sandrinha informava que Leia estava autorizada a mandar, para o marido de uma e pai da outra, a carta de separação.

Leia foi das primeiras pessoas de seu bairro a ter em casa um computador com acesso à Internet discada e a ter serviço de e-mail, tudo por conta do trabalho na agência de viagens de Madalena. Era a transição das mensagens em carta de papel e as mensagens eletrônicas imediatas. E ironicamente Leia recebia um e-mail que a autorizava a colocar nos correios uma carta de papel.

Naquela mesma noite Gilda recebeu uma outra mensagem, porém horrível. Mais horrível ainda porque via telefonema, meio que transmitiu à indiazinha gostosona o tom de voz da interlocutora, com toda a maldade, crueldade mesmo. Foi um telefonema da mãe de Marcelo, o namorado riquinhode Gilda.

Gilda estava furiosa com o namorado, que emendara uma viagem depois da outra na marinha mercante e não aparecia em Belém há mais de um mês. Essa raiva da indiazinha era sobretudo injusta, porque as intenções do rapaz eram as melhores possíveis. Mas ela não sabia disso.

Marcelo emendara duas viagens em seguida para depois ter um período de folga mais prolongado, no qual pretendia pedir a mão de Gilda em casamento e viajar com ela, comemorando o noivado. O marinheiro já havia até comprado um caríssimo e belo anel.

Ignorando tudo isso, Gilda tinha sido mantida no escuro e apenas recebera um telegrama do namorado, que mais uma vez pedia que ela “não fizesse nenhuma besteira” e o esperasse.

Gilda já aprendera que aquele “nenhuma besteira” era um pedido desesperado de fidelidade. Pedido que, vindo daquele macho grandalhão, atlético, rico, bonito e bem dotado, apenas revelava que Marcelo era inseguro perante ela e que ele morria de medo de ser corno.

Agora, com raiva pela ausência do rapaz, Gilda não só achava o pedido do namorado patético, como ficava inclinada a colocar mais um belo par de chifres na testa de Marcelo, por conta do telegrama.

Alimentada também pela falta de sexo em que a gostosona vivia, essa vontade de novamente trair Marcelo já existia na alma de Gilda, mas se tornou uma resolução, depois do fatídico telefonema. E, numa rede de causa e efeitos, o telefonema irado e venenoso da mãe de Marcelo fora causado pelo próprio rapaz.

É que outra coisa que Gilda ignorava é que Marcelo, sempre muito atrelado aos pais, havia telefonado para eles avisando que no próximo retorno do navio ao Rio de Janeiro ele iria direto do Rio a Belém, sem passar pela casa da família em Salvador. Até aí seria só mais um incômodo para a mãe megera. Mas Marcelo também contou que faria isso para pedir a mão de Gilda em casamento.

A mãe de Marcelo surtou. Socialite fútil e vulgar, mas que se achava refinadíssima, a loura cinquentona vociferou pela casa que o filho boboca havia caído na armadilha de uma piranha de Belém, de uma índia com buceta de alicate, de uma aventureira que só queria dinheiro. E foi com esse espírito que a monstra ligou para a casa de Gilda.

A socialite foi primeiro atendida por dona Mara e as duas mães se apresentaram e trocaram cordialidades. A mãe de Gilda, sempre deslumbrada com o namorado riquinho da filha, elogiou muito Marcelo e a baiana agradeceu como boa hipócrita que era. Ela só queria fustigar a filha e achava que fazer agrados na mãe isolaria Gilda, dentro de casa.

Depois, falando para Gilda, a mãe de Marcelo a chamou de puta para baixo, usando todas as monstruosidades que pudesse imaginar. Além do “puta”, ficou muito gravado no ouvido de Gilda o “você não é do nível da minha família”.

Gilda desligou assustada. A indiazinha nunca conhecera alguém tão intencionalmente má, assim. Seu primeiro instinto foi correr para a casa de Leia em busca de acolhida, mas era tarde da noite.

Não podendo ir pessoalmente, Gilda resolveu ligar imediatamente para Leia e pegando o fone se assustou mais ainda: o monstro de mulher continuava na linha, esbravejando e xingando como se a indiazinha não houvesse desligado!

Gilda se trancou no quarto e chorou. Não porque fosse ou não ficar com Marcelo. Àquela altura lhe era indiferente. Ela chorou pela agressão, pura e simplesmente.

Acalmando-se um pouco, a ira de Gilda contra a mãe do namorado foi também dirigida contra o próprio Marcelo. Se ela não o tivesse conhecido, nunca teria passado por aquilo. Daí para Gilda reagir buscando o prazer sexual foi um pulo. Era a maneira de a indiazinha responder às crises.

Se masturbando em sua cama, Gilda lembrou do convite para suruba feito pela amiga travesti e fantasiou que ela e Leia recebiam os três machos pirocudos descritos pela amiga no relato da orgia. E pensando na bacanal que estava a seu alcance, Gilda gozou loucamente no escuro de seu quarto e depois do gozo tomou uma resolução: a mãe de Marcelo não dissera que ela era puta? Então ele ia mostrar para si mesma o quanto ela era puta!

No dia seguinte, segunda feira, Gilda ligou para Leia e disse que topava a suruba proposta para o próximo sábado. E como era folga de Leia no trabalho, as duas se encontraram para cuidar dos uniformes de puta que usariam.

Leia tinha ainda bem guardados os espartilhos pretos que ambas tinham usado na foto de quase quatro anos atrás. Tiveram apenas que afrouxar um pouco mais os cordões, porque a travesti e Gilda haviam ganhado peso. Em compensação, o efeito dos espartilhos nos seios de Gilda foi fenomenal, com as grandes mamas prensadas pra cima. E mesmo as tetas de Leia ficaram deliciosas.

As duas amigas tinham escarpins pretos, embora bem diferentes. Restou comprarem meias arrastão (Gilda vetou usarem cinta-liga), luvas arrastão que deixavam os dedos e metade das mãos à mostra e máscaras tipo mulher-gato, porque Gilda não queria mostrar o rosto aos desconhecidos. E Leia já sabia onde encontrar tudo isso.

Para as calcinhas, Leia convenceu a amiga a comprarem do modelo asa delta de vinil, que esticava bastante e a peça ficou maravilhosa no quadrilzão largo de Gilda.

Tudo pronto e combinado para sábado, Leia lembrou a Gilda que a anunciara a Davi e Rogério como “travesti pós-operada” e elas debateram o nome que a indiazinha usaria, chegando a “Lara”. Gilda adorava a heroína de “Doutor Jivago” e anos mais tarde batizaria sua primogênita, irmã de Bruninho, com aquele nome. E além disso, “Lara” combinava com “Leia”.

As cunhadas se despediram com Gilda se perguntando silenciosamente se realmente teria coragem de participar da orgia e da mesma forma com Leia se perguntando silenciosamente se a amiga não desistiria.

Mas antes do sábado, chegou na casa do bandidão Ademir a carta de Ivone!

Além de emitir as falsas passagens para que Ademir acreditasse que a viagem de Ivone e do filho era de ida e volta, Leia desincumbiu-se a missão de postar para Ademir, de um falso endereço num subúrbio de Belém, a carta de abandono de Ivone para o marido. Isso exatamente dois dias depois da partida da mulher e filho para a França.

A carta era bastante simples. Começava dizendo que Ivone já odiara muito o marido, mas agora ela e o filho apenas o desprezavam e não o queriam ver nunca mais. Ivone confessava que em todos os momentos de amor e sexo dos últimos anos ela fingira gozar e gostar de transar com Ademir, apenas para que ele não desconfiasse da fuga. Mas o pior para o ego do canalha vinha em seguida.

A francesinha escreveu que Ademir era um ególatra, um narcisista doentio incapaz de satisfazer uma mulher, forçando-a a buscar satisfação em outros machos, muito mais machos do que Ademir. E que ele não a procurasse, nem ao filho, jamais, porque Ivone tinha provas de todos os crimes dele ao longo de anos.

Ademir amassou a carta com raiva, mas depois a colocou num grande cinzeiro e queimou, tentando dizer para si mesmo que recomeçaria a vida muito melhor sem aquela puta e aquele filho chorão e frouxo. Ele tinha um curumim bastardo, de uma indiazinha na fazenda, que ia reconhecer como filho e criar como sucessor.

Na cabeça do canalha tudo era fácil. Pronto! Ivone fugira? Ele tinha uma índia muito mais gostosa pra colocar no lugar dela. E um indiozinho lindinho que ele criaria como macho de verdade!

Mas naquela noite de quinta para sexta, mesmo bebendo muito, Ademir não conseguiu dormir. Como que Ivone teria provas de seus crimes? Seus únicos crimes que podiam ser provados por documentos eram ligados ao negócio de carros roubados e Ivone não sabia de nada daquilo. A não ser... Djalma!

Djalma tinha acesso aos documentos. E, no dia da partida de Ivone e Sandro, o mecânico inventara a mentira do leilão da piranha Ritinha, fazendo Ademir sair correndo à toa do aeroporto para o puteiro, para depois, quando Ademir o procurara para tirar satisfações sobre a mentira, descobrir que Djalma desaparecera. Ninguém sabia do mecânico desde a noite do aeroporto e a velha picape de Djalma não estava na garagem.

Ademir acordou na sexta, depois de uma noite infernal na qual só cochilara entre um copão de uísque e outro. Ainda bêbado, ele mandou as empregadas domésticas embora, quando apareceram pra trabalhar e, no momento em que gritava para sumirem da sua frente, o monstro viu um pacote destinado a ele e assinado por Djalma, num canto do chão da varanda.

Antes mesmo de abrir Ademir sabia que ia achar dentro do pacote a confirmação de que Djalma estava mancomunado com a puta da francesa Ivone! Mas nem de longe Ademir imaginava o que veria, quando colocou o cartucho de fita VHS para assistir.

Vendo no filme a mensagem inicial de Djalma, que o chamava de corninho e dizia que comia Ivone há anos, Ademir resolveu que mataria o mecânico, mas muito aos poucos. Ia matar como o pai contava ter matado um caboclo metido a comunista, uma vez, em Marabá.

Já na segunda garrafa de uísque desde a noite anterior, Ademir entrou na “fase do Leão” da cavalar bebedeira. Nutria tanta raiva que nem passou pela “fase do Macaco”. E muito bêbado ele deu pause na exibição no meio da fala de Djalma e foi pegar da despensa mais duas garrafas de uísque para deixar perto, fazendo isso imaginando que ia pendurar Djalma numa árvore, pelos pés e com uma faca coureira tirar a pele das pernas, das costas e dos peitos do mecânico. Depois passaria mel na carne viva do caboclo e deixaria os insetos comerem ele. Se depois de uns dois dias Djalma ainda estivesse vivo e implorasse muito por seu perdão, então misericordiosamente Ademir cortaria a garganta do traidor.

Mas isso foi só um delírio inicial. Num lapso de sobriedade, Ademir continuou a assistir ao vídeo e entendeu que Djalma daria o endereço de Ivone e Sandrinho na França e tentou se controlar, chegando a pegar papel e caneta para anotar. Afinal, depois de matar Djalma, o mais certo a fazer era ele ir pra França e matar Ivone e o próprio filho.

Mas assim que Ademir viu na TV da sala o próprio filho vestido de puta, todo aviadado e logo pegando na pirocona de Djalma, o macho teve um acesso de fúria e lançou contra a tela da TV um pesado cinzeiro de cristal, estilhaçando o aparelho.

Ademir chorou e bebeu, bebeu e chorou e passou da segunda para a terceira garrafa de uísque. E ainda no finzinho da “fase do Leão”, ele tirou o cartucho VHS do aparelho da sala e subiu com a fita para seu escritório, abraçando a terceira garrafa de uísque e mais a quarta, ainda fechada. E no escritório, o mesmo local onde seu filhinho viado inaugurara a rosca dando o cuzinho para o primo Mario, Ademir se muniu de mais coragem líquida, para assistir ao resto do filme.

Ficando de novo furioso com as cenas em que seu querido filho se revelava uma fêmea muito puta, Ademir lutou bêbado contra a chave de seu armário de armas vertical e dali tirou sua espingarda calibre 12 de carregador pump e uma caixa de munições e conseguiu carregar a arma.

Agora, tudo o que Ademir pensava era sair à caça de cada participante da orgia. Reconheceu fácil o menino Rogério por causa do cabelo black power, porém sem lembrar o nome do empregado. Porém, era o único participante que ele conhecia, além de Djalma. Mas isso não importava. Ele ia catar cada um e matar. E ainda precisava descobrir o endereço na França de sua mulher puta e seu filho puta. E pra isso ele tinha que assistir ao filme.

Tentando se concentrar no filme, Ademir, estava sentado no mesmo sofá cama onde seu filho virara fêmea e com tudo espalhado à sua volta, arma, cartuchos e uísque. E já trêbado ele derramou uma boa quantidade da bebida no sofá. Mas ainda conseguiu se concentrar em assistir à suruba, o bastante para pela primeira vez na vida sentir tesão por um viado. E não um tesão qualquer! Nem por um viado qualquer!

Ademir sentiu um tesão enorme na bonita e gostosa travesti que aparecia, sem saber que o nome da piranha era Leia. As pernas do viado, a bunda, os peitos, a cabeleira, o lindo rostinho de puta... O viado era um pedaço de mau caminho e Ademir tinha que comer aquele pedaço!

Vivendo os últimos delírios da “fase do Leão” e imaginando que aquele viado gostoso é que devia ter desencaminhado seu filho, o macho sonhou acordado em prender aquela piranha-viado num porão lá da fazenda e comer a puta por dias, até enjoar dela. E depois então que ele enjoasse do viado, o mataria. Talvez até sem torturar.

De pau duro ao máximo, Ademir tirou a roupa já toda babada de uísque e começou a bater punheta assistindo às façanhas sexuais de Leia. Ele entrava na “fase do Porco”.

E entre uísque e punheta, punheta e uísque, Ademir se empolgou também com as cenas do próprio filho feito de piranha. Agora ele via aquela boquinha do filho Sandro, a mesma boquinha que ele vira mamar mamadeiras, mamando as picas de vários machos e declarando para ele, o pai, que adorava ser a puta de Djalma e que queria ser travesti. E a essa altura da “fase do Porco”, Ademir nem teve impulso de matar o filho. Ele queria era foder a boca e o cu do filho e da gostosa travesti que o acompanhara na putaria filmada.

Ademir quase gozou com a cena da dupla penetração no cuzinho do filho e experimentou um humilhante senso de inferioridade ante os detalhes do pirocão de Djalma e da longa e fina linguiça do jovem Rogério. A inveja dos pirocudos aumentou quando ele viu a cena da dupla penetração na gostosa travesti. Mas o gozo de Ademir veio depois.

Quando Ademir viu a travesti gritar que se chamava Leia e viu ela gozar cavalgando a pica de Djalma, com as mãos pra cima e sem nem encostar no próprio piruzinho, ele gozou. Ademir gozou muito, urrando alto e forte!

Se não estivesse à beira de um colapso causado por tanto uísque, Ademir reconheceria pra si mesmo que aquela tinha sido a punheta mais gostosa e intensa de sua vida. Mas com o juízo coberto por muito álcool, ele apenas ficou enojado de si próprio, porque seu corpo reagiu ao relaxamento pós-gozo querendo expulsar o que lhe afligia e Ademir vomitou violentamente e se cagou todo.

Todo imundo, Ademir já chorava de soluçar alto quando viu a cena de seu filhinho viado mamando apaixonadamente o piruzão de Djalma até o mecânico traidor gozar na boca do menino. E viu Sandrinho, feliz da vida, cuspir o esperma do macho na própria mão, mostrar para a câmera e depois lamber tudo de volta e engolir.

Entre soluços e engasgos, Ademir tomou quase metade da quarta garrafa de uísque sem tirar da boca e ouviu o raivoso discurso final de Djalma. E foi só então que ele entendeu que Djalma sabia que ele estuprara e levara ao suicídio a esposinha novinha e gostosinha do mecânico. Tudo aquilo que Djalma fizera, toda aquela vingança, toda aquela humilhação a seu ego machista, misógino, homofóbico e fascista, era culpa dele mesmo, Ademir!

Já sem enxergar direito e nem conseguir se colocar de pé, Ademir teve um impulso forte de “limpar tudo”. Não ia dar a seus inimigos o prazer de saberem que ele tinha vomitado e se cagado no sofá. Ia tacar fogo no sofá! E não ia deixar nunca ninguém assistir àquela fita. Ia queimar o cartucho!

Ademir engatinhou bêbado até o aparelho de VHS e quebrou toda a frente do dispositivo pra conseguir tirar a fita, porque não achava o botão de ejeção. Depois se arrastou até a escrivaninha e arrancou de um golpe a gaveta onde guardava a caixa de charutos e o isqueiro maçarico importado. Gostava daquele maçarico, porque tinha trava e podia ficar aceso direto.

Com o fiapo de consciência que tinha, o bandido fez no sofá uma pilha com o cartuxo VHS e suas próprias roupas e mais uns papéis, jogou bastante uísque encima e tacou fogo, sem sequer perceber que ao lado estava a caixa de munições calibre 12.

A última coisa que Ademir ouviu foi sua própria gargalhada vendo as chamas se alastrarem pelo sofá. As labaredas eram bonitas! Muito bonitas! Elas iam queimar tudo de ruim que Djalma e aqueles dois caboclos tinham feito. Tudo de errado que seu filho viado e aquela travesti tinham feito. Tudo de mal que sua mulher puta tinha feito. O fogo ia queimar tudo o que seus inimigos tinham feito contra ele. Ele vencera!

Fascinado pelo fogo, Ademir ficou de pé se escorando na parede e abraçou a espingarda calibre 12. Assim que o fogo apagasse, ele iria pro carro e sair pra caçar um por um e mataria todo mundo!

E então Ademir desmaiou.

* * *

Naquele mesmo momento do fim da manhã de sexta, Gilda saía de um salão especializado em depilação pela primeira vez na vida.

Com sua forte herança genética indígena, Gilda nunca precisara depilar buço e axilas. Ela tinha só os pelos pubianos formando um delta na carnuda almofada acima da buceta. Pelos que mantinha aparados bem baixinhos, a tesourinha.

Mas Gilda estava empolgada com a história de se passar por travesti recém operada, na bacanal do dia seguinte. A farsa lembrava à gostosona de quando ela fingira ser Leia (então o viadinho Lelio) em brincadeirinha com o irmão, quando dera o cuzinho pra Gil pela primeira vez, há anos.

Com a indiazinha entusiasmada pela proximidade da suruba, Leia convenceu facilmente a amiga a depilar os pelos pubianos. E Gilda adorou o resultado. Os tecidos ao redor dos grandes lábios ficaram inchadinhos e levemente irritados e o visual até ajudava a dar a impressão de que a vulva natural da gostosona parecia ter saído de uma construção cirúrgica.

Até então Gilda estava na dúvida do que usar em sua xana, durante a bacanal. Uma opção era tapar a buceta com um falso curativo ou emplastro. E a outra opção era usar só um OB. Mas ela ficou tão contente com o resultado de sua perseguida lisinha que sem hesitação escolheu usar um OB tamanho “super” e resolveu que levaria vários em reserva, na mochila. Afinal, Gilda se conhecia e sabia o quanto encharcava a buceta, durante uma boa sacanagem.

Além das lingeries e das máscaras de mulher gato, Gilda e Leia haviam comprado brincos, anéis e braceletes iguais, em acabamentos de aço e preto. Faltava só um detalhe para as duas ficarem iguaizinhas: a gargantilha.

Leia gostava de disfarçar seu pequeno pomo-de-adão com gargantilhas e no caso de Gilda ela teria que usar pelo exato oposto: para esconder que não tinha um pomo-de-adão. A própria Leia fizera a sua, com continhas pretas costuradas sobre uma larga faixa de tecido elástico preto fechado em ganchos e agora tinha feito uma igual para a cunhada.

O ajuste da gargantilha, na casa de Leia, foi também a oportunidade para a travesti contar pra amiga a grande novidade sobre o cenário da suruba do dia seguinte.

- Cu-nha-da! A festinha de amanhã vai ser num lugar muito maneiro!

- Tu disse que era num hotel, né?

- Arrumei um lugar muito melhor! Sobretudo pra tu. Pra tu não se preocupar com nenhum bisbilhoteiro!

Leia então falou da casa que seu antigo cafetão, o taxista cafajeste Vadão, mantinha com amigos no Mosqueiro, perto da praia de S. Francisco.

- Mas tu ainda vê o tal do Vadão?

- Não, meu amor. Mas minha chefa, Marlene, é uma das donas da casa e quando eu disse que queria passar um sábado contigo num hotel, pra tu descansar, ela sugeriu ir pra lá. Esse seria o fim de semana dela e ela não vai usar. Espia a chave aqui!

- E comé que nós vamos?

- Nós duas temos que chegar antes, pra gente se arrumar. Antão já contratei um táxi. Na volta, o Davi dá carona pra gente.

- E eles? Confirmaram?

- Lamento te informar que tu num vai conhecer o pirocão de Djalma, o mecânico que eu montei até gozar gostoso. Parece que viajou, ninguém sabe direito. Mas vão o Davi, de que te falei e o Rogério, com aquele piruzão de 30 centímetros.

- Ái, Leia! Deixa de ser exagerada! Num acredito que tem isso tudo, não!

Leia mexia na caixa de costura herdada de dona Verônica, que cedo reconhecera o jeito da filha travesti para essas coisas e lhe presenteara com tudo. E a travesti respondeu mostrando à amiga um rolinho de fita métrica:

- Pois amanhã a gente mede, tá bom?

As duas riram e pouco depois, com a gargantilha de Gilda já pronta e ajustada, se despediram.

Naquela noite, Leia foi dormir ainda se perguntando se Gilda não iria furar, no dia seguinte, presa de culpas e preconceitos. Mas a dúvida que afligia a indiazinha não era essa. No escuro do seu quarto, Gilda se perguntava é se teria mesmo força de vontade o bastante para, na hora da suruba, resistir à tentação de fazer dupla penetração no cuzinho e na buceta, com as rolas de Davi e de Rogério.

No dia seguinte, por volta das dez da manhã, Davi chegava de fusquinha na casa do Mosqueiro, levando consigo Rogério e vários packs de cerveja Cerpa long neck. Os dois estavam meio preocupados porque ninguém achava Djalma. Não havia sinal nenhum dele, nem da velha picape dele, em qualquer lugar. Mas o tesão de reverem a gostosa travesti Leia e a curiosidade de conhecerem a trans amiga de Leia, recém operada, atiçava os dois machos.

E Davi, pelo sim, pelo não, levou junto sua Olympus Trip, porque, se a trans desconhecida autorizasse, ele queria fotografar a bucetinha construída a partir de uma rola.

Os dois chegaram, estacionaram do lado de fora do muro alto que impedia ver qualquer coisa da casa e tocaram o interfone. Leia atendeu com um ansioso “alô?” e Davi, sempre safado, respondeu brincando:

- É entrega! Foi daqui que pediram dois pirus?

A travesti respondeu rindo e confirmando que “foi sim” e abriu o portão à distância, falando pros dois entrarem na grande sala da casa.

Davi e Rogério viram que a casa era muito bem decorada e que na parede ao lado de um bar de canto, com balcão em frente, havia um espelho enorme. E num “L” da sala, formado por duas outras paredes, ficavam de um lado um enorme sofá de três lugares e do outro dois sofás solitários, lado a lado. Era um jogo de móveis de sentar bonito, grande, com encosto baixo e braços arredondados e bem largos.

Os dois machos já iam procurar pelas duas fêmeas que para eles eram travestis, quando a porta de um quarto se entreabriu e Leia botou à vista só seu rostinho redondo e maquiado, com o cabelo preso em rabo de cavalo, para pedir que esperassem.

Dentro do quarto, Gilda tomava sua terceira dose de Amarula, para se acalmar e mergulhar de cabeça na suruba. Há anos a indiazinha tinha plena confiança no efeito que seu corpão violão causava nos homens e não era qualquer insegurança nesse departamento o que a deixava nervosa.

É que Gilda nunca havia feito sexo aleatório. Da iniciação com as amigas de escola e o irmão, até a traição a Marcelo com o colega de faculdade, todas as experiências de Gilda tinham sido com pessoas que já conhecia e pelas quais sentia algum desejo ou pelo menos se excitava por se saber desejada há tempos.

Mas, é claro, Gilda sempre viajava nas experiências sexuais que Leia contava e invejava a coragem da amiga travesti, que era capaz de trazer a fantasia para a realidade. Agora era a vez de Gilda dar esse passo e a fantasia estava ali, logo atrás da porta.

Lembrando da mãe riquinha de seu namorado a chamando de puta pelo telefone, Gilda virou o copinho de Amarula de uma vez só e disse a si mesma que naquele dia ela seria a puta que sempre fantasiou ser.

Leia tirou a amiga de seus pensamentos solitários e segurando as mãos de Gilda falou muito de pertinho, animada:

- Tamo pronta, né, tesão?

- Tamo!

- Antão vou sair primeiro e faço o que combinamos. Depois que eles tiverem pelados, te chamo.

- Uau! Tá!

- Não esquece que teu nome é Lara, hein?

- Esqueço, não! Anda logo!

Gilda quase empurrou Leia pra fora do quarto, mas quando a porta se abriu ficou escondida atrás da parede, para não ser vista e depois causar surpresa.

Na sala, Davi pulou pra ficar de pé assim que viu Leia e Rogério também se levantou. A diferença é que Davi, sempre sacana, já estava nu, enquanto Rogério vestia só uma bermuda surrada. E Leia adorou o fato do fotógrafo estar pelado, por que ela viu no pau do macho o efeito que seu visual causava.

Leia desfilou rebolando até o meio da sala, um pé na frente do outro, com as coxas grossas se esfregando e com os braços abertos como uma cantora que pedisse aplausos ao final do show. E era um show o que a linda e gostosa travesti de 18 aninhos oferecia aos olhos dos dois machos.

Leia calçava um escarpin preto envernizado e brilhoso e meias sete oitavos arrastão que acentuavam o quanto as pernas e coxas eram grossas. Sem ligas entre o espartilho e as meias, destacava-se ali a parte debaixo da calcinha asa delta de vinil, cujas laterais se prendiam na cintura da viada já acima da borda do corpete.

E o corpete empurrava para cima os lindos seios da travesti, fazendo parecerem mais volumosos do que eram e exibindo insinuantemente a parte alta das grandes auréolas roxas, mas ocultando estudadamente os mamilos.

Acima do decote, a larga gargantilha preta ajudava a emoldurar o que dava pra ver do rostinho feminino e redondo da travesti, escondido desde a franjinha até o nariz pela máscara de mulher gato. A máscara era puxada para os lados, terminando em pontas tipo “gatinho” e não se viam os elásticos, disfarçados nos cabelos lisos e negros, presos atrás num alto rabo de cavalo.

Viam-se era os olhos da viada e a boca de lábios sensuais e suculentos pintados de roxo escuro, mesma cor da sombra nos olhos e do esmalte das unhas. E foi a boca pintada de roxo que sorrindo sacanamente falou enquanto a viada se exibia, dando uma lenta e sexy volta de 360 graus, cheia de rebolados e movimentos insinuantes:

- OLÁÁÁ, MEUS QUERIDOS!!! ESPIA SÓ QUEM TÁ AQUI PRA VOCÊS! EUZINHA!!!

Enquanto se mostrava, Leia viu nos olhos e nas picas dos dois convidados (a de Rogério ainda escondida mas já armando uma bela barraca na bermuda) o quanto ela agradava. E a viada se sentiu muito feliz!

- Sentiram minha falta, foi?

Leia tinha 18 anos e sabia que era bonita e gostosa. Fêmea, travesti e puta como sempre quisera ser, desde que era um menininho viado, mamador da rola de um coleguinha de escola. Ela morava sozinha, tinha emprego, era dona do próprio nariz e do próprio rabo e podia escolher com quem transava e quem ela esnobava. E escolhia a seu gosto pra quem dava o cu por dinheiro e pra quem dava de graça, por puro tesão, como aqueles dois machos, ali.

Faltava Gil na vida de Leia? Faltava. Mas não naqueles minutinhos em que ela se exibia toda puta para aqueles dois gostosos que já tinham gozado forte em sua boquinha levada e em seu rabinho guloso.

Vendo a rola do risonho Davi subir sozinha, sem que o fotógrafo nem encostasse no próprio pau, Leia se aproximou dele lentamente, rebolando e falando:

- Ééégua! Tudo isso é alegria de me ver, é?

Quando Davi respondeu, Leia já envolvia a piroca dele numa carinhosa e lenta punheta de sua mãozinha habilidosa.

- Porra, gostosa! Tu tá um tesão, assim! Mais do que da última vez que te vi!

Leia fingiu decepção e recuou a cabeça evitando o beijo na boca que Davi ameaçou dar, falando:

- Poooxa! Da última vez que tu me viu eu tava nuazinha em pelo e toda melada do teu leite... tu num gostou, não, é?

Davi apertou a mãozinha da travesti contra a própria rola e respondeu ainda rindo:

- Sente aqui, comé que gostei!

- Huuummm... é... parece que tu gostou...

Tomando cuidado pra não encostar os lábios em Davi, porque não queria borrar o batom antes de posar para os machos ao lado de Gilda, Leia deu uma lenta lambida na boca do fotógrafo, excitando ainda mais Davi e depois se afastou, falando:

- Tu é muito taradão... daqui a pouco cuido de tu! Agora...

Leia foi se aproximando devagarzinho de Rogério, sempre sorrindo maliciosamente e rebolando.

- Agora preciso dar as boas vindas ao meu querido Rogério!... Nooossa, Rogério! Que, que é isso dentro da tua bermuda???

- É aquilo que tu já conhece.

Sorrindo na frente de Rogério, Leia começou a desatar o cordão da bermuda do jovem enquanto falava:

- Conheço e gosto!

E já com a mão entre a bermuda e a cueca, apertando a linguiçona do rapaz, a travesti completou:

- Gosto é muito! Mas vamos soltar essa cobra? Deve tá sufocando aí dentro!

Leia se acocorou perante Rogério, ajudada pelos saltos do escarpin e o aprendiz de mecânico ficou na expectativa de mais boquete maravilhoso, vindo daquele viado-puta que ele conhecera há duas semanas. Mas a trans o frustrou, pelo menos naquele momento.

- Égua! Que mo-nu-men-to!

Já tendo arriado bermuda e cueca do macho, Leia apreciava a trozoba tesa, do tamanho de uma régua escolar. A viada sopesou com as mãozinhas o sacão e o tronco da piroca, comentando consigo mesmo:

- E pensar que isso tudo entrou neuzinha... na minha boquinha e no meu brioquinho...

- Porra, Viado! Chupa logo!

Leia segurou a vara de Rogério, arregaçou a cabeça e apontou para a própria boquinha, como se fosse abocanhar, mas deu só uma lenta lambida do freio até a uretra, de novo tomando cuidado pra não encostar os lábios em nada. E imediatamente a travesti levantou toda serelepe, gesticulando pro macho com um afetado sinal negativo de dedo indicador.

- Nã-na-ni-na-não! Ainda não é hora!

E pegando carinhosamente numa mão de Davi e em outra de Rogério, Leia falou pros dois:

- Eu tenho é muita sorte. Vocês dois são muito gostosos e são dois caras muuuito legais! Por isso chamei vocês aqui hoje!

Rogério, alvoroçado e com a pica tesa, deu um apertão numa nádega da viada e falou:

- Tu chamou a gente aqui foi pra te comer, né, não?

- Claro, meu querido! Mas não só eu! Tu já esqueceu, é?

- Isqueci nada! Cadê ela? Vai chegar ainda?

- Aaahhh, não, Querido... ela já tá aqui... eu quero que vocês sentem ali e prestem bastante atenção que ela vai entrar, tá?

A trans indicou aos dois machos pelados o sofá de três lugares, porque era o que ficava de frente para a porta do quarto e eles sentaram obedientemente.

- Acho que tá tudo prontinho... aaahhh, não, Rogério...

Rogério havia começado instintivamente a se punhetar de leve e Leia repreendeu o rapaz docemente, sentando ela própria no meio dos dois machos e segurando uma rola em cada mãozinha. Porém ela manteve as mãozinhas paradas, pois só queria impedir punhetas inconvenientes, o que ela logo explicou para o rapaz.

- Não, Querido. Não começa a se tocar agora, não!

- Ih eu, hein? Tu vai mandar nisso, também?

A travesti respondeu rindo lindamente e dando um apertão gostoso na linguiçona de Rogério, que reagiu com um gemido.

- Nããão... quem me dera mandar nessa coisa enorme que tu tem!

Davi comentou, também adorando a mãozinha de Leia em sua pica:

- É só pra tu não queimar a largada, parceiro!

E Leia emendou:

- Isso, Querido. É pra tu se guardar pra hora certa.

Enquanto isso, Gilda esperava junto à porta fechada, dentro do quarto. Se jogar naquela suruba ao lado de Leia, com dois machos desconhecidos, era um passo importante na vida da indiazinha. Ela ia viver, sentir, experimentar de verdade uma fantasia da vida de puta de sua melhor amiga, se liberar e jogar no lixo a ideia de “se guardar para Marcelo”.

Na verdade, o que movia Gilda muito mais do que a revolta contra a mãe do namorado, que telefonara para a agredir e chamar de puta, era uma necessidade de proteção. Gilda buscava na orgia, na devassidão, na liberação das fantasias, se proteger emocionalmente do abandono por Marcelo. Ela sabia que o namorado riquinho obedecia muito à família e depois do telefonema achava que era inevitável a mãe dele os separar.

Gilda era um vulcão de desejos e queria viver. E viver intensamente e sem as energias negativas que a mãe do namorado havia jogado pra cima dela. Era o que ela ia fazer naquela bacanal com Leia e desconhecidos. Se atirar na vida! Viver!

Pensando nisso, a indiazinha ouviu Leia a chamar:

- Lara, meu amor! É a tua hora! Tua entrada!

Resolvida e animada por todo o seu amor pela vida, a gostosona terminou o último gole de mais uma dose de Amarula, abriu a porta num único movimento e saiu.

A primeira coisa que Gilda viu foi Leia numa cena linda. A travesti estava sentada no grande sofá de três lugares, com as pernocas sensualmente cruzadas, ladeada pelos dois homens já pelados e com uma mão em cada pica.

O sorriso diabólico de Leia e o evidente tamanhão da longa piroca de Rogério tinham tudo para hipnotizar Gilda, mas ela não estava ali para seguir o tesão alheio. Gilda tinha entrado na sala para brilhar, para ser a protagonista!

A gostosona, vestida, maquiada e com bijuterias idênticas às de Leia, só se diferenciava da amiga no corpão, no tamanho e nos escarpins pretos com acabamento fosco de camurça, enquanto os da travesti brilhavam envernizados. E foi flutuando nos escarpins que Gilda desfilou sensualmente até o meio da sala.

As carnes cheias nos lugares certos, do corpão violão da indiazinha, magnetizavam os olhares com Gilda andando pé ante pé, rebolando sensualmente como se estivesse numa passarela de modas, com uma mão em pose de puta na cintura, o outro braço solto e com o cotovelo pra dentro, a cabeça orgulhosamente altiva e a boca de lábios finos entreaberta e com a língua ligeiramente à mostra.

Gilda parou à frente do sofá, ficou meio de lado para o trio sentado que a assistia abestalhado e bateu o rabo de cavalo para, num movimento teatral de cabeça, olhar para Leia de cima, falando numa voz ligeiramente engrossada:

- Tu me chamou aqui, foi pra que, a-mi-ga?

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Comentários

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Muito bom... saudade das aventuras do Gil

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Chocada que a Gilda foi mesmo pra suruba!!! Só Queria que o Gil tivesse participando também

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