O ajudante de ferreiro e o aprendiz de feiticeiro - Capítulo 06

Um conto erótico de TitanKronous
Categoria: Gay
Contém 2431 palavras
Data: 09/02/2023 10:27:39
Última revisão: 09/02/2023 10:32:35
Assuntos: Fantasia, Gay, Homossexual

*Valeu pelos comentários galera, é muito bom ver que vocês estão curtindo. Sant14 a resposta a sua pergunta está neste capítulo!!!*

Assustado e ofegante, Bran pegou um sarrafo que havia ali ao seu lado, sem nem saber o motivo para isso, mas preferia estar preparado com algo em suas mãos do que sem. Antes que qualquer um pudesse fazer qualquer coisa, os três viram um clarão azulado vindo de dentro de uma das janelas que dava para o beco. Sem sombra de dúvida, aquilo era alguma magia sendo conjurada.

Estáticos, os 3 ouviram barulhos de dentro da casa, e se aproximaram para ver o que estava acontecendo. Até mesmo a gnoma, cujo instinto dizia pra fugir, acabou ficando e assistindo. De dentro do recinto, parcialmente iluminado por algumas velas, um homem tentou se erguer do chão, porém estava muito machucado e ensanguentado, e acabou ficando deitado. Ele parecia ser nobre, pois estava vestindo roupas muito bonitas, que agora estavam rasgadas e chamuscadas. Da escadaria apareceu outra figura, com um manto negro e um capuz cobrindo a cabeça e escondendo o rosto. Com voz amedrontada, o que estava no chão suplicou:

- Por favor.... não me mate. Mesmo que eu morra, você não tomará minhas terras.

- Oras, senhor conde. Não preciso delas, só preciso que você saia do caminho. Assim terei acesso àquilo que almejo. – Esta segunda voz, era fria e sem emoção. Delvin pensou ter reconhecido a voz, mas estava meio abafado pelas janelas fechadas. Podia ser apenas impressão.

- Mas... mas por que eu? O que foi que eu fiz?

- Nada, infelizmente, você estava na posição errada. Por isso estou removendo-o. Queria prometer uma morte rápida e indolor, mas sei que não posso cumprir. – Dizendo isso, a segunda figura, lançou uma magia, e um pequeno ponto de luz alaranjada saltou de suas mãos, explodindo bem em cima da vítima e pondo fogo em tapetes e outros tecidos e papéis que ali haviam. Assim que o fogo começou a se alastrar e o tal conde não estava mais se movendo, o homem de manto escuro olhou ao redor da sala, não percebendo nada de diferente, usou outra magia e desapareceu.

Abismados com o que acabaram de presenciar, os dois rapazes se assustaram quando a gnoma começou a murmurar:

- Não, não, não, não...

Voltando a realidade, Bran segurou a gnoma, olhou bem fundo nos olhos dela, e pediu:

- Que porra foi essa? Você nos trouxe pra cá de propósito? - Embora ela parecesse tão abismada quanto eles pelo que acabaram de ver.

- Eu não acredito, no que acabei de ver. Não pode ser.

- Explique-se. – Exigiu Bran, que estava começando a se preocupar com Delvin, pois ele permaneceu estático desde que viram a cena.

- Aqui não, vamos sair daqui, logo o fogo vai se espalhar e nós estamos numa cena de crime. Me sigam. – disse a gnoma, e sem esperar resposta começou a sair do beco, se esgueirando pelas sombras.

Bran foi até Delvin e deu uma sacudidela no meio-elfo, que o trouxe de volta a si.

- Você está bem?

-Si… Sim. - respondeu Delvin, com pouca segurança na voz, mas logo continuou. - Vamos, ela está sumindo.

Bran apenas concordou com a cabeça e passou a correr atrás da ladina. Ele notou, que estava na exata cena de seu sonho, pois a gnoma se esgueirava por entre as sombras e ele a seguia, sendo seguido bem de perto por Delvin, que ainda parecia muito abalado pelo que viu. A cada minuto que passava, Bran se dava conta de que o sonho que tivera, talvez não fosse somente um sonho, mas não podia pensar nisso agora. A gnoma os levou por ruelas escuras e secretas, sempre de olho para ver se os dois continuavam atrás dela e eles não estivessem sendo seguidos por outras pessoas. Assim que chegou num dos seus esconderijos, ela parou e os aguardou. Bran entrou logo depois e ajudou Delvin, que já parecia ter se recuperado do susto.

- Ok, por que estamos aqui, o que está acontecendo e quem é você? - Pediu o meio-elfo

- Me chamem de Lanna, eu vivo nas ruas daqui da cidade e sobrevivo fazendo alguns trabalhos aqui e ali. Quando a grana está curta, eu afano algumas moedas dos desavisados nas tavernas. Desculpem por aquilo, eu normalmente procuro por alvos mais ricos, que não vão sentir tanta falta, mas a sua bolsinha parecia que estava me chamando. – Falou a gnoma, devolvendo a bolsa de dinheiro para Bran.

- O..Obrigado. – Falou Bran, que já quase tinha esquecido de seu dinheiro roubado. - Mas porque você pediu para te seguir?

- Eu conheço o cara que morreu. Era o Conde Brandwick, das terras do sul. Ele é vassalo do duque daqui. A uns anos atrás, eu abri um cofre que ele tinha perdido a chave e ele me deu um pagamento bem generoso. Sempre ouvi dizer que as terras dele são seguras e quem vive lá gosta do lugar. Pena que não há nenhuma cidade grande, é tudo vila pequena e espalhada em meio às fazendas.

- Ok, mas por que você nos chamou aqui? O que você, ou nós, temos a ver com o que acabou de acontecer? – Insistiu Bran.

- Primeiro, eu fiz o favor de tirar vocês de lá sem serem vistos, obrigada. Vocês poderiam ser acusados de serem os assassinos, eu posso até cometer uns crimes aqui e ali, mas deixar pessoas inocentes serem presas por algo que não fizeram, não é algo que eu deixaria acontecer. Segundo, o seu amigo meio-elfo tá com cara de que sabe de algo também e eu sou curiosa por natureza, quero saber tudo que vocês sabem, a começar pelos nomes.

- Ah, verdade, eu sou Bran e esse é... – Antes de completar a frase, Bran foi interrompido pelo meio-elfo.

- Delvin, muito prazer. Sim, eu notei algo naquela cena. A voz do criminoso se parece com a de alguém que conheço.

- Pois então diga de quem é! – exigiu Lanna

- O que você fará com essa informação?

- Ainda não sei, mas eu falei o que sei e os ajudei, por que esse segredo todo?

Bran, olhando de um para outro, percebeu a preocupação nos olhos de Delvin. Eles se conheciam a tão pouco tempo, mas parecia que um entendia tanto sobre o outro. Bran foi até o jovem mais baixo, pegou nas suas mãos, olhou fundo nos olhos dele e falou:

- Delvin, não sei explicar o motivo, mas eu sinto que ela é uma boa pessoa, seja o que for, pode dizer.

O toque de Bran em suas mãos foi inesperado. Aquelas mãos grandes e calejadas traziam uma sensação tão gostosa para Delvin, que ele não sabia como isso era possível. Aquele jovem humano tinha algo de especial, pois parecia tão sereno e tranquilo, mesmo em meio aquela situação. Delvin então falou:

- Acredito que era o feiticeiro Salazar.

Assustado com a informação, Bran olhou fundo nos olhos de Delvin, e, além de um forte desejo de beijá-lo, sentiu também que não havia intenção de mentir no que fora dito.

- Minha nossa! Nunca fui com a cara daquele sujeitinho. Sempre nariz empinado como se fosse o dono do mundo. Mas assassino? Não consigo pensar nele dessa forma. – falou a gnoma, notando que o olhar dos dois ainda não tinha sido desfeito. – Ah-ham, vocês dois vão ficar se olhando muito tempo ainda?

Os dois desviaram os olhos, mas ambos sentiam o resultado daquele olhar e daquela proximidade. Ambos ajeitaram as calças, pois um certo volume tinha aumento ali no meio, e, no momento, era melhor disfarçar.

- Bem, enfim, não podemos avisar as autoridades. Ninguém iria acreditar, e isso só serviria para o assassino, se for realmente o feiticeiro, saber que foi descoberto e vir atrás de nós. -Completou Lanna.

- Tem razão, mas não podemos deixar isso assim, precisamos descobrir pistas que o incriminam, e se descobrirmos, aí sim, poderíamos ir às autoridades e denunciá-lo. – Falou Delvin, já imaginando o que fazer, quando voltasse à torre.

- Mas como faremos isso? Precisaríamos de acesso à torre dele, e, mesmo eu tendo confiança na minha capacidade de me esconder, ele deve possuir armadilhas mágicas e sentinelas que possam detectar o menor dos invasores.

- Quanto a isso, deixa comigo, sou aprendiz dele e tenho acesso a boa parte da torre. Eu posso fazer essa investigação, mas acho melhor estar sozinho, pra não levantar suspeitas e…

- Calma, calma, esperem - interrompeu Bran, que olhava de um para o outro, assustado com a rapidez de pensamento e tomada de decisão de ambos, que pareciam já estar prontos para desafiar o tal assassino. - Vocês tem noção do que estão falando? Acabamos de ver um homem ser morto com uma explosão de fogo! Isso não é pouca coisa!

- Bola de fogo. - falou Delvin.

- O que?

- Você disse “explosão de fogo”, mas o termo correto é bola de fogo. Desculpa, mas é o nome da magia.

- Ah tá, mas enfim, o que quero dizer é que vocês estão se precipitando. Nós vimos o que aconteceu e temos uma suspeita, mas não seria melhor deixar as autoridades resolverem o caso?

- Que autoridades? - falou Lanna. - Os guardas da cidade devem estar lá tentando apagar o fogo. Quando conseguirem, o que vai demorar muito tempo, vão encontrar um corpo carbonizado. Não sei que casa era aquela, mas não era do Conde, ele tem uma mansão na parte rica da cidade, mas na verdade mora nas suas terras. Até descobrirem quem era a vítima vão levar alguns dias, semanas talvez. Não sei o que o assassino planeja, mas ele falou em removê-lo do caminho, o que quer que isso signifique, mas definitivamente, o plano do assassino não terminou ali. Parecia ser um passo para algo maior.

- Tudo bem, mas nós somos pessoas normais, o que podemos fazer contra alguém que solta “bolas de fogo”?

- Se for realmente o feiticeiro, bolas de fogo são apenas um dos seus poderes. - Avisou Delvin.

- Viu só? - falou Bran, apontando para Delvin. - Não sei quem é você, Lanna, mas não parece ser uma justiceira, e eu muito menos. Por que deveríamos nos envolver com isso?

Lanna suspirou fundo, puxou um caixote e se sentou.

- Eu nasci em uma terra controlada por um bruxo poderoso. Era o tipo de pessoa que matava indiscriminadamente qualquer um que desejasse, seja por estar em seu caminho, seja por puro sadismo. Um dia, um jovem se rebelou contra ele e outros se juntaram, eu ainda era criança e não entendi o que estava acontecendo. Meus pais se juntaram à revolta e o bruxo os destruiu com magias. Naquele dia, muitas crianças se tornaram órfãs e foram obrigadas a trabalhar no lugar de seus pais. Passaram-se vários anos até surgirem pessoas fortes o suficiente para derrotar o bruxo e nos libertar do tirano. Eu saí de lá pouco depois, pois o lugar só me trazia péssimas recordações. Anos mais tarde, pesquisando sobre o que aconteceu por lá, descobri que o tal bruxo fizera diversos rituais para atingir o posto no qual estava. Isso que vimos hoje parece ser parte de um ritual, a frase "tirá-lo do caminho” me soa como algo assim. Não quero que alguém com um poder como aquele chegue ao topo e se torne um tirano.

- Certo, você teve uma infância bem sofrida, entendo o motivo de querer ir contra isso e eu até concordo. - Falou Bran. - Mas ele usou uma bola de fogo no cara, você não acha que uma dessas não seria capaz de nos matar?

- É por isso que vamos fazer as coisas na surdina. Não vamos encará-lo de frente, isso seria suicídio. Se seu amigo é mesmo aprendiz do feiticeiro e se for realmente ele o assassino, podemos tentar encontrar alguma pista por lá.

- Exato! - disse Delvin que adorou acompanhar a discussão. Em partes, ele torcia que o assassino fosse o feiticeiro, pois se imaginava descobrindo a pista que o colocaria atrás das grades e ele seria reconhecido como herói e não precisaria mais depender da “mesada” dos pais. - Eu vou lá procurar por uma pista, vocês podem esperar aqui!

- Você tem certeza disso? Você estará se colocando em perigo, e nós não estaremos lá pra ajudar, se fizer isso. – Falou Bran, que havia concordado mentalmente em ajudar, mas estava preocupado com Delvin.

- Não se preocupe, mesmo que ele me veja em algum lugar que eu não deveria estar na torre, o máximo que ele pode fazer é me expulsar! – Falou Delvin com confiança.

- Tem certeza? O cara acabou de matar um conde! Um nobre, dono de terras, de família abastada. Você é só um aprendiz, se ele for mesmo o assassino, ele com certeza dará um jeito de se livrar de você – Retrucou Lanna, quebrando o argumento de Delvin. – Olha garoto, sei que você tem boas intenções, mas acho melhor estarmos juntos nessa, se formos realmente fazer isso, precisamos fazer juntos.

- Odeio admitir, mas ela tem razão, é muito perigoso fazer isso sozinho. E outra coisa, acho que você não deveria voltar para dormir lá agora que tem desconfianças sobre seu mestre. Ele pode perceber algo.

Mesmo a contragosto, Delvin concordou, a lógica da gnoma era precisa e ele sabia que não se controlaria se fosse para torre dormir, ele com certeza tentaria entrar no escritório do mestre.

- Tudo bem, mas se formos fazer isso, precisa ser agora ou no máximo amanhã durante o dia, pois ele saiu hoje pela manhã e só volta amanhã à noite. – Falou Delvin, lembrando-se que apenas quando o mestre estava na torre é que ele era capaz de ver e ouvir tudo que acontecia lá, afinal numa dessas vezes ele destruiu, sem querer, um dos livros da biblioteca da torre e não fora repreendido, mas não sabia se haviam outros métodos de defesa da torre.

- Pois então vamos agora, se você tem certeza que ele não está. – Falou Lanna.

Delvin olhou para Bran, e este concordou com a cabeça. Lanna então os liderou para fora do esconderijo e os três andaram pelas ruas da cidade até uma saída escondida, pois à noite os portões da cidade permaneciam fechados. Em silêncio e apreensivos com o que pretendiam fazer, os três avistaram a torre à distância, estava escura, o que provavelmente significava que todos estavam dormindo. Delvin pôs a mão na maçaneta, torcendo para que suas suposições quanto aos poderes da torre estivessem corretas. Assim que abriu a porta, os 3 tomaram um susto, pois deitados no chão do salão principal, havia um elfo de longos cabelos dourados por baixo de um humano de porte mediano, os dois completamente nus. Delvin os reconheceu de imediato, eram Geldwin e Peter, os outros dois aprendizes de Salazar, que estavam transando no meio do salão principal.

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Comentários

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O assassino malvado, os três detetives, e o amor surgindo entre o eles, um tesão de ler a história maravilhosa.

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os mistérios envolvendo a morte do conde.

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por favor não pare no capítulo 10. essa história está cada vez mais interessante de acompanhar.

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