As três noites do Samhain

Um conto erótico de O Bem Amado
Categoria: Heterossexual
Contém 4528 palavras
Data: 17/10/2022 00:47:48

Se havia algo que Honório, o coveiro, detestava era a noite das bruxas, que muitos chamava de Halloween sem saber seu real significado. Aquela maldição de “doces ou travessuras”, além de irritante era quase sacrílega ante os olhos de Honório; ele bem sabia o real significado da data, o “Samhain”, que para os Celtas representava o dia em que os mortos podiam caminhar entre os vivos achando-se no direito de requisitar aquilo que julgavam lhes pertencer, enquanto que os vivos exultavam o momento em que poderiam desfrutar, mesmo que apenas por uma noite, da companhia dos entes queridos que já haviam partido. Apenas Honório sabia quanta verdade havia no “Samhain”, pois como coveiro já testemunhara fatos que comprovavam o significado e a solenidade daquele evento anual, gargalhando quando os idiotas de plantão supunham que era apenas por uma noite! O Samhain durava três noites consecutivas …, sim, ele sabia muito bem disso.

Assim que o manto da noite cobriu o firmamento escondendo o sol, Honório olhou para seu relógio de bolso, presente de seu avô e conferiu o horário; guardou suas ferramentas no pequeno depósito sempre atulhado e rumou para sua casa que nada mais era que uma habitação feita de pedras entalhadas e ajustadas que segundo constava remontavam à época do Muro de Adriano e que já servira de residência de um conhecido Druida amigo de Merlin. Depois de vestir algo mais confortável pegou os legumes que cortara no dia anterior e jogou-os dentro do caldeirão de ferro fundido preenchido com água atiçando as minúsculas brasas que crepitavam discretamente antes de colocar mais lenha para que delas nascessem pequenas chamas encarregadas de aquecer a futura refeição do coveiro.

Assim que o guisado ficou pronto ele o levou à mesa e sentou-se arregaçando as mangas; com o ambiente aquecido ele degustou a fausta refeição acompanhada de um pouco de vinho que ainda lhe restava; podia-se ouvir o silvo sibilante do vento gelado correndo entre as frestas derrotado pelo calor que o mitigava impiedosamente. Após saciar sua fome, Honório tornou a olhar para o relógio e mesmo extenuado após um dia estafante ele sabia que não podia dormir …, afinal, era a primeira noite do Samhain! O primeiro sinal veio pelo uivo distante de uma loba e por meio de um luar prateado que ele vislumbrou ao abrir a porta de sua morada, cobrindo-se com pesado casaco de lã. Repentinamente, uma ave noturna passou por ele pousando sobre uma lápide onde havia um anjo insculpido em alto-relevo.

Homem e ave entreolharam-se por alguns minutos até que a lápide começou a emitir um brilho fantasmagórico; Honório não demonstrava receio já que era um espetáculo que se repetia no início do Samhain; e o brilho foi ganhando tal magnitude que podia ofuscar que ousasse mirá-lo diretamente; e em meio àquele brilho intrigante surgiu uma esguia figura feminina; aos poucos materializou-se sob a forma de uma linda jovem desnuda de pele alva, cabelos platinados e olhos azuis cristalinos; ela agia como se estivesse alheia ante a presença do coveiro destinando toda sua atenção para a ave de penas tão negras que quase a faziam desaparecer na escuridão.

A jovem inclinou-se acariciando a ave que encolhia-se como deliciando-se com a sensação do toque feminino; sem aviso ela deu um rápido sobrevoo e antes de pousar contorceu-se sofrendo uma espécie de transmutação; a da ave nada mais restou, surgindo em seu lugar um rapaz também desnudo de tez alva e cabeleira negra como a noite; os dois abraçaram-se e passaram a trocar beijos cheios de lascívia enquanto suas mãos ávidas exploravam cada detalhe de seus corpos; aos beijos deitaram-se sobre a relva fria que lhes servia de leito e o rapaz não perdeu tempo em esgueirar-se até que pudesse mergulhar seu rosto entre as pernas de sua amada deliciando-se em saboreá-la como merecia.

A jovem retorcia-se em êxtase e seus gemidos suaves, de uma sonoridade divinal ecoavam pela noite fria como doce música orquestrada pelo gozo fluente que vertia copioso ante a dedicação conspícua do seu par que não se cansava de conceder a ela todo o prazer que merecia. Eles perseguiam o prazer que duraria apenas por algumas horas durante aquela noite se Samhain, alheios à presença do coveiro que sentou-se em um pequeno monte elevado decidido desfrutar do privilégio de vê-los entregando-se à uma satisfação colossal; a certa altura o rapaz-corvo cobriu sua parceira e enquanto beijavam-se torridamente ele movimentou sua pélvis com a ajuda da renascida-platinada até conseguir penetrá-la.

Sentindo-se preenchida pela virilidade do rapaz-corvo a renascida-platinada soltou um longo gemido que tinha a pureza cristalina de uma nota musical entregando-se à volúpia do parceiro que arremetia sua pélvis e cintura provocando uma cópula alucinante que possuía um ritmo próprio com seus corpos movimentando-se em insólita harmonia; sempre golpeando com veemência o rapaz não denunciava esmorecimento de um mortal exibindo uma performance somente aceitável em uma noite como aquela; apreciando o casal que ainda copulava freneticamente, a mente do coveiro era tomada por doces lembranças de sua juventude e do prazer usufruído ao lado de sua Eneida mulher única e especial que ele perdeu por sua própria displicência …, o uivo de uma loba e um estranho lampejo do luar chamaram sua atenção, pois foi naquele momento em que o rapaz-corvo intensificou seus movimentos até contorcer-se tomado por fortes espasmos que redundaram sem seu gozo profuso impactando a renascida-platinada cujos gritos não perdiam a sonoridade arrebatadora que parecia fazer coro com os uivos da loba.

O casal permaneceu unido envolvidos por beijos e carícias sem exibir qualquer sinal de exaustão física e somente desvencilharam-se quando, de súbito, nuvens escuras ocultaram a lua. Já de pé o casal ainda entregou-se a mais alguns beijos; ao se separarem a renascida-platinada olhou para o coveiro ostentando um dócil sorriso antes de estalar os dedos fazendo surgir em sua mão uma rosa também platinada que ela gentilmente depositou sobre a lápide; em seguida ela beijou o rapaz-corvo um última vez antes de desaparecer em um halo de cegante luminescência.

O jovem caiu de joelhos sobre o túmulo e chorou copiosamente fazendo estremecer o coração antes empedernido de Honório e marejando seus olhos; ao levantar-se o rapaz-corvo olhou para o coveiro com uma expressão ansiosa; Honório pôs-se em pé e tirou do bolso do casado uma moeda de prata e atirou-a no ar; o jovem sorriu e deu um salto no ar retornando à sua forma de ave e agarrando a moeda em seu bico; pousou sobre a lápide e mirou o coveiro uma última vez antes de partir desaparecendo nas brumas da noite. Honório olhou para o firmamento e teve a atenção clamada pela loba que do alto de um monte fitou-o uivando entristecida para logo depois também desaparecer na noite.

Uma gargalhada eufórica prendeu a atenção do coveiro que olhando na direção do portão de ferro viu alguns rapazes tentando saltar por ele; com uma picareta nas mãos ele avançou na direção dos baderneiros que ao vê-lo correram assustados temendo pelo que poderia lhes acontecer. Honório pacificou-se e antes de voltar para dentro de sua casa pegou a rosa platinada levando-a consigo. Deitou-se supondo que a primeira noite do Samhain chegara ao seu término, mas logo teve sua atenção atraída por uma lamúria chorosa que vinha de cemitério. Tornou a cobrir-se com o casaco de lã e ao sair defrontou-se com um gnomo nu que com expressão atormentada exibia sua vara rija de dimensões extraordinárias lamentando não ter ninguém que pudesse aliviá-lo do desejo que ardia em suas entranhas.

Honório apiedou-se da pequena entidade, porém não tinha a menor intenção de ajudá-lo com seu problema; estava para recolher-se quando um estalo acompanhado de uma minúscula explosão luminosa fez surgir uma criatura elemental cujas diminutas e delicadas formas indicavam tratar-se de uma transmorfa que habita nas águas; nua e de uma beleza cativante ela se aproximou do gnomo que abriu enorme sorriso ao vê-la; ambos sentaram-se sobre a escadaria de uma mausoléu e ela segurou seu rosto colando seus lábios aos deles encerrando um prolongado beijo. Com gestos carinhosos e afáveis ela cingiu o membro colossal do gnomo conferindo-lhe uma masturbação cadenciada enquanto trocava mais beijos com ele que não cabia de tanta felicidade.

O coveiro, mais uma vez, quedou-se apreciando a cena que apenas poderia acontecer numa noite de Samhain e divertindo-se com as expressões arredias do gnomo e do gestual entusiasmado da elemental que prosseguiu no ato de proporcionar um pouco de prazer ao elemental da terra que em dado momento contraiu os músculos contorcendo-se até eclodir em um gozo volumoso cujos jatos projetavam-se no ar desaparecendo pouco antes de atingir o solo; ofegante ele mirou o rosto de sua gentil parceira abrindo um largo sorriso. A transmorfa lhe deu um derradeiro beijo antes de saltar em pleno ar desaparecendo em meio a uma pequena explosão multicolorida; o gnomo fitou o coveiro, sorriu e depois partiu sumindo das vistas de Honório que pensou na possibilidade de, finalmente, conseguir dormir um pouco naquela noite.

Em seu sono inquieto, Honório teve um sonho …, sonhou com Eneida; ela vinha até ele com sua nudez sempre deslumbrante deitando-se ao seu lado; sua pele arrepiou ao sentir o contato levemente frio do corpo da fêmea que não perdeu tempo em beijá-lo com a mesma impetuosidade de outrora; o sabor inebriante de sua boca e a lascívia com que as línguas se digladiavam alucinadamente pareciam tão reais que Honório podia senti-los com toda a sua veemência e muito mais quando Eneida abandonou sua boca saindo em busca de seu membro que foi vorazmente abocanhado e sugado. As sensações oníricas ganhavam mais textura a medida em que ela veio sobre ele esfregando sua vulva quente sobre o mastro robusto que logo foi enluvado no interior da gruta ardente encaixando-se com absoluta perfeição.

Eneida mostrou-se uma hábil amazona cavalgando seu macho cuja retribuição dava-se com a boca desfrutando de seus mamilos intumescidos arrancando gemidos insanos da fêmea que não sabia se dominava ou era dominada; subindo e descendo sobre a vara pungente do coveiro Eneida deleitava-se experimentando uma sucessão de gozos cuja profusão a deixava alucinada assim como também alucinava seu parceiro. E no momento em que Honório pressentiu a chegada de seu clímax segurou Eneida pela cintura fazendo com que os movimentos se tornassem ainda mais céleres e profundos o que culminou com um gozo tão esplêndido que ele viu-se tomado por um estremecimento atroz aliado a uma sensação de êxtase que infelizmente não se concretizou interrompida pela cessação do sono fazendo-o acordar suado e ofegante. Mais uma vez ele se viu só em sua cama, destituído de prazer e ainda agrilhoado ao passado …, um passado que jamais saíra de sua mente e também de seu corpo …, era a primeira noite do Samhain e ele já estava atônito e entristecido. Remexeu-se sobre a cama até que o sono sobreviesse novamente, ansiando para que novas visitas não acontecessem, já que a rudeza da realidade feria muito mais que a lâmina mais afiada do algoz mais abominável que pudesse existir no universo.

Quando a manhã apontou com o sol nascendo no horizonte, Honório acordou preparando-se para mais um dia …, ou melhor para mais uma noite; ao longo de sua labuta Honório relembrava dos acontecimentos da noite anterior e mesmo quando mais um defunto aportou trazido por uma família chorosa ele ainda pensava em tudo que vira e sentira, e seu sorriso mesmo disfarçado incomodava os familiares do morto que foi enterrado sem grandes pompas permitindo que o coveiro pudesse saborear a refeição que estava a sua espera na casa de pedra trazida pela esposa do Alcaide que sempre lhe fora muito atenciosa e educada. Para a noite, Rubináceo, o açougueiro lhe trouxera um corte de carneiro fresco que Honório tratou logo de temperar e pô-lo para assar já que a tarde esvaía-se preguiçosamente.

Após empanturrar-se com carne, legumes e leite, Honório sentiu uma sonolência clássica, porém preparou um café forte, pois não perderia a segunda noite do Samhain por nada no mundo; ele bem que deu um cochilo e acordou de sobressalto ao som das badaladas provindas da capela situada dentro do cemitério e que certamente não foram resultado de ação humana; com uma caneca de café fumegante ele se sentou na velha cadeira de balanço que incumbira-se de trazer para fora e esperou pelos eventos daquela noite que começou com um séquito de jovens feiticeiras adentrando ao campo santo após abrirem o pesado cadeado do portão com um passe de mágica.

Carregando cestas de cânhamo, bolsa de couro e entoando cânticos tão antigo quanto a própria Mãe Terra elas se dividiram em pequenos grupos ao redor de túmulos dançando uma estranha ciranda repleta de gestos medidos e paradas pensadas; não demorou para que sua dedicação resultasse no resultado almejado com os mortos ressurgindo de suas tumbas; o que impressionava era o fato de que não se tratavam de meros zumbis cambaleantes, mas sim pessoas em sua forma original quando viveram sobre a terra. Honório impressionava-se com a visão que se descortinava à sua frente onde se viam pais reencontrando filhos, maridos revendo suas amadas esposas e amigos confraternizando-se entre abraços e gestos de carinho.

Espalhavam-se entre eles diabretes com suas troças espalhafatosas rindo e correndo de um lado para o outro ao mesmo tempo em que se viam alguns gnomos sapecas divertindo-se em levantar as túnicas das feiticeiras confirmando que por baixo estavam inteiramente nuas, sendo que os mais abusados enfiavam-se entre as pernas das jovens saboreando suas grutas quentes e molhadas causando tanto alvoroço que vez por outra ouvia-se longos gemidos e profundos suspiros entremeados nos cânticos entoados. Honório estava tão entretido com o espetáculo particular que não percebeu a aproximação de uma mulher de certa idade que o fitava com uma expressão ansiosa.

-Fui uma rameira em minha juventude …, porém envelheci na solidão – explicou ela quando o coveiro lhe perguntou o que ela desejava – Desfrutei do melhor sexo que a vida me ofereceu e quando a idade chegou ninguém mais me desejou …, será que eu poderia realizar um anseio que levei para o túmulo com a sua ajuda?

Assim que Honório aquiesceu ao pedido ela veio até ele pedindo que abrisse suas pernas para que pudesse pôr-se de joelhos entre elas; sem cerimônia ela abriu a calça do coveiro expondo seu membro em estado de repouso …, imediatamente a morta abocanhou a vara sugando-a com desmedida voracidade; no início Honório bem que esboçou uma resistência, todavia a maestria oral de sua nova parceira mostrou-se dotada de indômita eficiência provocando estrondosa ereção que levou o coveiro a um estado de absoluto êxtase. O ato desenrolou-se com certa atenção de ambos para que conseguissem prolongá-lo ao máximo e Honório flagrou o instante em que aquele mesmo gnomo de virilidade avantajada veio por trás da morta levantando seu vestido dedilhando a vulva e também o selo anal gestos que foram bem recebidos por ela que gemia entre sugadas e lambidas.

Tomado por sua luxúria característica, a entidade tomou posição e enrabou a morta socando seu mastro colossal com golpes eloquentes que não demoraram a surtir o efeito desejado com ela abafando os gemidos mas rebolando de modo a comprovar o gozo que desfrutava naquele momento. Honório viu-se enredado pela volúpia do momento dedicando-se a manter sua resistência até quando fosse possível permitindo que o trio desfrutasse de todo prazer que tinham direito. E algum tempo depois tanto ele como o gnomo atingiram seus ápices redundando em gozos profusos que inundavam a boa e o selo da morta cujo regozijo era sonoro e visivelmente demonstrado.

O primeiro a desaparecer com rapidez foi o gnomo, não sem antes dar uma piscadela marota para o coveiro que sorriu de volta; em seguida a morta empertigou-se, fez um gesto de reverência e deu de costas caminhando em direção ao seu túmulo. Honório se recompôs e continuou a apreciar o acontecimento da noite do Samhain com as feiticeiras preparando pequenas refeições que haviam trazido em suas cestas e bolsas que buscavam compartilhar com os mortos como uma forma de reverenciá-los como mereciam; Honório ficou enternecido com a refeição repartida entre os presentes e não conteve que uma lágrima, vencendo sua resistência ferrenha rolasse por seu rosto o que também cativou uma jovem feiticeira de longos cabelos ruivos que observou o acontecimento e depois de sorrir enviou-lhe um beijo com a ponta dos dedos …, e assim findou-se a segunda noite do Samhain.

Honório foi acordado pelos raios de sol ferindo seus olhos assim que ele os abriu; meio zonzo e um pouco sonolento ele demorou a perceber que dormira na cadeira de balanço, mas as dores musculares e a rigidez nas pernas confirmaram que esse fora o pior esforço que já fizera em toda a sua vida; recolheu-se na casa de pedra e banhou-se trocando de roupas e preparando um novo bule de café. Estava encostado na coluna lateral do projeto de varanda que jamais se concretizou quando viu uma pequena revoada de pássaros; na verdade eram três espécimes: um pintassilgo, um cardeal e um bem-te-vi que após algumas piruetas aéreas pousaram aos pés do coveiro que os mirou intrigado. O pintassilgo entre pulinhos e pequenos voos acabou pousando sobre o braço de Honório gorjeando enfaticamente.

O coveiro mirou aquela pequena ave e lembrou-se de como Eneida adorava os pintassilgos; ele não entendia se aquele gorjeio era uma espécie de mensagem, mas em seu âmago desejou que fosse sim uma mensagem de sua amada. Repentinamente o pássaro cessou seu gorjeio e alçou voo acompanhado de seus pequenos amigos deixando para trás um homem alegre, mas também intrigado. Enquanto a manhã correu tranquila não se pôde dizer o mesmo sobre a tarde com a chegada de novos ocupantes ao cemitério; pela primeira vez Honório declinou das informações relativas aos féretros surpreendendo até mesmo o Alcaide que conhecia bem sua insofismável curiosidade.

Graças à bondade da irmã de Rubináceo, Honório recebeu uma refeição pronta por ela preparada e que salvou seu dia mesmo alimentando-se bem mais tarde que o costumeiro; O som das sirenes disparadas nas minas de carvão situada nos proximidades, o coveiro deu por encerrado seu expediente recolhendo-se ao lar para um merecido descanso. Vencido pelo cansaço acabou adormecendo mesmo sabendo que aquela era a última noite do Samhain e que tudo poderia acontecer; mas, novamente as badaladas do sino da capela aguçaram sua atenção retirando-o da sonolência trazendo de volta para aquela noite. E esta iniciou-se com enorme pompa e circunstância com a chegada de um grupo seleto de cinco Bruxas que ele conhecia muito bem; sua líder era Agripa, uma respeitada descendente do povo Celta do continente, cujo avô fora uma notório Druida que viveu na região e cuja beleza ruiva era estonteante.

Vestindo suas túnicas roxas ele cobriram suas cabeças com os capuzes e passaram em frente a morada do coveiro como se ele simplesmente não estivesse ali; tomando posição em um monte pouco elevado deram início aos seus trabalhos; munida de um grimório nas mãos, Agripa começou proferindo um encantamento, enquanto Petronilla incumbia-se de usar um feitiço para que uma chama azulada desenhasse um pentagrama sobre o solo e em seu centro uma tríquetra; feito o traçado cada uma das feiticeiras tomou posição numa das pontas do pentagrama passando a entoar um cântico em uma língua desconhecida dos mortais. A certa altura, parecendo que haviam entrado em um transe, elas iniciaram uma dança cujos movimentos luxuriosos eram por demais excitantes.

No momento em que as nuvens afastaram-se permitindo que a lua projetasse sua luz prateada sobre a terra as feiticeiras despiram-se de suas túnicas exibindo uma nudez de sensualidade alucinante sem perder o ritmo da dança que enaltecia a beleza de seus corpos desnudos; afastando-se discretamente das demais e tendo nas mãos uma pequena adaga, Agripa aproximou-se do coveiro e depois de um olhar enigmático inclinou-se permitindo que ele sentisse o doce aroma de seu perfume de sândalo. “Dê-me uma gota de teu sangue, Honório que serás regiamente pago no momento oportuno!”, exigiu ela com tom de voz firme e carismático. Embora fosse a primeira vez que a feiticeira lhe concedera o privilégio de estar tão próxima e também ante a surpresa do pedido, o coveiro não hesitou em estender o braço permitindo que ela cumprisse seu intento.

Com um pequeno golpe Agripa obteve o que almejava e depois de sorrir para o coveiro retornou ao grupo atirando a adaga no centro da tríquetra que imediatamente ganhou um brilho avermelhado ao mesmo tempo em que o pentagrama fulgia uma luz azulada. A dança tornou-se então mais enfática e insinuante até o momento em que as mulheres deitaram-se no solo frio em posição de quem aguarda por um macho para cobri-las. Do centro da tríquetra surgiu um ser de formas masculinas bem delineadas cujo rosto imberbe dotado de imensa beleza era realçado pelo par de chifres orgulhosos encimando sua em sua cabeça e pelo olhar faiscante que ele dirigia àquelas mulheres nuas prontas para servi-lo. Honório o conhecia muito bem; era Cernunnus entidade celta cuja função era fazer proliferar sua semente gerando novas fêmeas que se tornarão autênticas bruxas sob sua proteção.

Dotado da avidez de um fauno enlouquecido de desejo ele saltou sobre Agripa penetrando-a com seu membro de robustas dimensões golpeando com movimentos céleres e enérgicos, não demorando em fazê-la atingir o primeiro de uma sucessão de gozos que sacudiam seu corpo e provocavam gritos, gemidos e suspiros insanos e incessantes. A entidade copulava com avidez desmedida e somente deu-se por satisfeito quando a feiticeira mal conseguia reagir aos seus movimentos exibindo uma deliciosa prostração; imediatamente ele saltou na direção de Petronilla que abriu-se pronta para recebê-lo em sua gruta que logo foi preenchida pelo falo viril que também passou a golpear intensamente; sempre com seu olhar aguerrido, Cernunnus fornicava com a feiticeira aproveitando para saborear-lhe os mamilos intumescido e regozijando-se com os gritos e gemidos que comprovavam que também ela estava em êxtase orgásmico.

Após ela, Cernunnus foi ao encontro de Morgan, que tomou uma posição diferente, pondo-se de quatro exibindo seu traseiro exuberante para a entidade insaciável que tomando posição partiu para o luxurioso embate recheando-a com seu membro sempre dotado de inacreditável rigidez; em meio a um furor indômito, Cernunnus divertia-se com os gritos e gemidos proferidos pela feiticeira cujo gozo profuso vertia tal pequeno riacho esvaindo-se para fora de seu corpo. Cumprida sua missão, a entidade mirou Agnes cuja expressão ansiosa denunciava sua expectativa em entregar-se a ele. Permanecendo de pé, Cernunnus a levantou no ar engatando-a em seu mastro enquanto a mantinha segura por suas mãos poderosas incumbindo-se ele próprio de fazê-la subir e descer sobre o membro não tardando em produzir o resultado almejado com a feiticeira gozando ao som de seus gritos histéricos e que ecoavam pelos arredores embora Cernunnus soubesse que somente alguns seriam capazes de ouvi-los.

Finalmente, Cernunnus dirigiu-se para Sibila que também o aguardava tomada por um açodamento exaltado que logo foi suprimido pela forma rude com que ele a penetrou impiedosamente sabedor de que aquela feiticeira encantava-se em uma entrega submissa e servil; ora mordiscando os mamilos antes de sugá-los, ora apertando fortemente suas nádegas, Cernunnus concedia a ela tudo que era esperado e ansiado ao longo de um ano e não inquietou-se mesmo quando ela implorou para ser a primeira a receber seu sêmen fértil dentro de si.

Incansável, Cernunnus voltou ao início e assim o fez por várias vezes, deixando as feiticeiras a beira da exaustão física implorando que ele as fertilizasse pondo fim ao périplo sexual que já prosseguia por horas; e somente após Agripa entoar uma espécie de oração sussurrada que a entidade viu-se obrigada a encerrar o ciclo de Samhain; e de uma forma espantosa ele fez jorrar sêmen no interior de cada uma delas ante o olhar sempre surpreso do coveiro que já presenciara aquela cena mais de uma vez, mas ainda assim surpreendia-se com tal desempenho, mesmo se tratando de um ser encantado. E sem demonstrar um resquício de cansaço Cernunnus caminhou e de volta para o centro da tríquetra fazendo o brilho avermelhado crepitar como uma chama com vida própria até fazê-lo desaparecer encerrando assim o ciclo do Samhain.

-Me diga, honorável coveiro …, o que queres em pagamento? – perguntou Agripa já recomposta e trajando sua túnica roxa – Hummm, creio que sei o que queres …, mas a pergunta é …, queres que ela venha até ti …, ou almejas juntar-se a ela?

-Como bem sei que minha jornada ainda não chegou ao fim, sabes o que desejo, nobre feiticeira! – respondeu ele com tom enfático.

-Muito sábio de tua parte, coveiro! – retrucou ela com tom firme enquanto lhe dava as costas – Então, que assim seja …, até o próximo Samhain, meu amigo!

Assim que o séquito retirou-se do campo santo, Honório ouviu uma doce e suave voz chamá-lo para dentro da sua morada; desnuda e deitada sobre a cama Eneida o esperava ansiosa; ele mirou aquela mulher que sempre foi a razão de todo o seu desejo e sorriu enquanto despia-se caminhando em sua direção; mergulhou entre suas pernas sequioso por sentir o sabor de sua gruta lisa, quente e úmida, apetecendo-se com seu sabor e lhe proporcionando uma enxurrada de orgasmos que a faziam contorcer-se sobre a cama enquanto acariciava os cabelos de seu amado. Honório desfrutou por algum tempo antes de cobri-la com seu corpo deixando que Eneida se incumbisse de guiar seu membro na direção da vulva ardente, que o recebeu entre gritinhos e gemidos cheios de expectativa.

Copularam como se fosse sua primeira vez e cada gozo que eclodia no corpo da amada era celebrado com beijos e carícias; Honório dedicou-se também a saborear os mamilos intumescidos cuja dureza lhes concedia um sabor especial. Sempre incansáveis, mudaram de posição várias e várias vezes, com o coveiro permitindo que sua amada o cavalgasse como ele bem sabia o quanto apreciava subir e descer sobre o membro rijo de seu amado. E assim deu-se pela madrugada até que os primeiros raios de sol se espraiassem pelo nascente encontrando o casal no ápice de um prazer que culminaria logo em uma explosão de êxtase completo e absoluto. Entre beijos e carícias, Eneida despediu-se dele agradecendo por mais um encontro sempre repleto de prazer e plenitude. “Enquanto eu viver, quero tê-la para mim …, em todo o Samhain que ainda está por vir eu te aguardarei para nos saciarmos inteiramente!”, respondeu ele enquanto a figura de Eneida transformava-se em uma imagem translúcida desfazendo-se em pleno ar.

Honório permaneceu na cama e mesmo experimentando a indescritível sensação de ter Eneida em seus braços um resquício de solidão ainda ecoava em sua alma. O Samhain chegara ao seu final e mais um ano se seguiria até que ele pudesse novamente ter Eneida em seus braços. Resistindo à prostração, o coveiro levantou-se e preparou-se para mais um dia de labuta, guardando bem fundo aquele vazio que teimava em gritar vindo à tona. E quando a nova noite chegou o encontrou sentado na velha cadeira de balanço saboreando seu café. “Tudo tem seu tempo, Honório …, o tempo de permaneceres ao lado de tua Eneida chegará!”, disse uma voz em sua mente enquanto uma estrela cadente cortava o firmamento e a lua apresentava-se pela última vez encerrando o Samhain.

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