Aqueles Olhos Azuis - Cap. 9

Um conto erótico de GuiiDuque
Categoria: Homossexual
Contém 3392 palavras
Data: 30/04/2021 18:29:35
Última revisão: 30/04/2021 19:19:41

~ continuando ~

#Temporal#

ㅤAquela semana que veio passou rapidamente. Eu e Philip já estávamos bem, bem até demais. Também, depois daquela noite de reconciliação não tinha como. Lembro-me que no outro dia o pessoal me ligou para saber o que havia acontecido conosco que havíamos sumido. Tive que explicar para a Manu, mas por sorte minha e do Phil, ela pareceu super interessada em saber como havia sido a noite.

ㅤNa quinta-feira Philip foi me buscar no estacionamento da faculdade para que almoçássemos juntos. No restaurante, quando sentamos, eu não me segurei e perguntei, uma vez que ficamos em silêncio quase durante o caminho inteiro.

- Aconteceu algo? – Perguntei com medo da resposta.

- Contei aos meus pais! – Disse ele.

- O que? – Perguntei sem acreditar.

- Sobre nós!

- E eles? – Perguntei nervoso.

- Pediram um tempo para pensar e processar isso tudo.

- Bom, menos mal! – Suspirei aliviado.

- Você acha? – Perguntou abrindo um sorriso.

- Mas é claro, se eles pediram um tempo é porque acho que vão aceitar, para qualquer pai é difícil aceitar que seu filho se relacione com alguém do mesmo sexo como nós, mas, sei lá, acho que sim!

- Então, não vou me preocupar muito, após isso o levo lá em casa para conversarem e até mesmo oficializarmos mesmo o nosso namoro, não quero apressá-lo!

- Isso, deixe eles pensarem com calma! – Disse mal contendo a minha alegria de que Philip havia me assumido para seus pais.

ㅤEu contei a novidade para todos que sabiam de nós e eles estavam super contentes conosco e se precisássemos de algo, como apoio moral lá na hora, no grande dia de eu ir falar com os pais de Philip, eles estariam lá. É claro que foi uma brincadeira, pois se estivessem todos lá, eu não saberia como seria.

ㅤOs dias foram passando rapidamente e eu ficava cada vez mais aflito para saber o que os pais do Philip haviam dito a ele, se é que haviam dito alguma coisa. Será que eles iriam aceitar o nosso namoro ou seriam como os meus pais? Sempre que eu via Phil, meu coração ficava ansioso, mas ele nunca tinha nenhuma novidade. Certa vez até brigamos por causa disso, pois eu sempre tocava no assunto, mas ele nunca falava nada. Isso já estava começando a irritá-lo, mas eu não podia fazer nada, estava ansioso, nervoso, aflito, e por um lado, eu o entendia.

ㅤOs trabalhos e exames de fim de ano estavam me deixando em parafusos. Era trabalho disso, apresentação daquilo, exames e mais exames. Era interessante como os professores gostavam de deixar tudo para as últimas semanas e quem se explodia era nós. Até hoje ainda é assim. Hoje os entendo, eles faziam a parte deles e nós que fizéssemos a nossa, estávamos na faculdade porque queríamos ter uma carreira.

ㅤNovembro havia passado rapidamente, estávamos quase em Dezembro. Philip estava trabalhando como nunca e quando nos víamos ele estava sempre cansado, até negar sexo ele negava às vezes, coisa que ele nunca fez. Talvez fosse porque estava trabalhando demais mesmo, como eu não havia conhecido ele no ano anterior, eu não saberia dizer.

ㅤNa metade de Novembro ele havia me dito que iria para um fórum ou congresso de Odontologia no Rio de Janeiro e é claro, eu aceitei numa boa, não tinha porquê não aceitar. Era a vida profissional dele, em poucos anos seria a minha. Que pensamento, eu já pensava em nós, em mim, nele, fora da faculdade. Juntos, morando em nossa própria casa.

ㅤEra noite. Terminei de jantar e fui para meu quarto ver quem estava online no meu ICQ. Nessa época o ICQ havia recém surgido, febre em tudo quanto é lugar. A Flávia, irmã do Phil, ele, a Manu e a Rafa estavam online.

Vini: Oi, amor, como está? Pensei que ia me ligar ontem, mas eu ligo para teu cel e dá fora da área.

Phil: Estou bem e você? Pois é, eu tentei te ligar mas também não consigo, mas estou vivo.

Vini: E como está sendo ai as palestras?

Phil: Boas!

Vini: Nossa, quanta animação...

Phil: É que na verdade é um saco, então, fazer o que né?! Bom, vou sair, tenho que resolver umas coisas aqui! Tchau!

ㅤEle nem me deu tempo para me despedir. Estranhei. Logo fui puxar conversa com a Flávia.

Vini: Oi, Flávia, como está?

Flávia: E ai, faz tempo que não o vejo, estou estudando que nem uma louca!

Vini: Bah, nem me fala, final de ano é só correria! Aconteceu algo com o Phil? Ele está estranho.

Flávia: Não, vai ver o pai ou a mãe estavam apressando ele para jantar!

Vini: Seus pais foram com ele para o congresso no Rio?

Flávia: Que congresso?

Vini: De Odontologia que seu irmão foi!

Flávia: Não estou sabendo de nada, até onde eu sei eles foram para Curitiba!

Vini: Hum...

Flávia: Ele andou mentindo, né?!

Vini: Pois é, não entendi essa agora. Faz um favor, não comenta nada com ele.

Flávia: Ok. Bom, eu vou sair porquê tenho que acordar cedo. JUÍZO!

Vini: Você também, beijão!

Flávia: Beijão, querido!

ㅤDesliguei o computar e fiquei algum tempo sentado pensando no motivo que o Phil teria para me mentir. Então, resolvi ligar o computar e pesquisar na internet algum congresso ou fórum de Odontologia no Rio de Janeiro que estava acontecendo, mas nada. Não onde eu procurei. Aquela noite eu mal dormi, pensando nas coisas mais absurdas que a mente humana seria capaz. Revirava-me na cama de um lado para o outro, tanto que pela madrugada me levantei e fui à cozinha comer algo, mas não consegui. Algo estava acontecendo, algo de muito errado.

ㅤLogo comecei a repassar todo o mês de Novembro em minha cabeça. Tudo vinha como um filme. Primeiro Philip começou a ficar distante de mim, estava estranho, mal nos víamos. Depois foram as diversas noites que tentei fazer amor com ele, mas ele dizia estar cansado. Outras ele inventava algo e ia embora.

ㅤComecei a sentir um aperto no coração. Lembrei-me daquele maldito sonho e isso só me fez sentir cada vez pior. Eu não conseguiria sobreviver se isto acontecesse. Senti lágrimas escorrerem dos meus olhos. Eu estava sendo tão idiota pensando estas besteiras, mas queria entender o motivo da mentira.

ㅤFui me deitar, mas as tentativas de dormir foram em vão. Eu apenas cochilava, mas acordava logo depois. E assim passei a noite. Pela manhã pensei em ligar para Philip, mas desisti. Não iria tocar no assunto, esperava que ele ao menos fosse homem e viesse me falar alguma coisa.

ㅤQuando voltou de viagem, eu estava decidido a falar com ele, mas achei melhor adiar para depois da semana dos exames. Não tinha nada a perder mesmo, apenas que minha desconfiança a cada dia se tornava maior pelo motivo dele não vir me falar nada. Nossa relação estava se esfriando cada vez mais. Durante as duas semanas que restavam para acabar o mês de Novembro, nos vimos apenas três vezes. Eu ligava para ele, mas falávamos pouco, ele sempre tinha algo para fazer. Raras foram às vezes que ele me ligou.

ㅤEu já não aguentava mais. Quando foi o último dia dos exames da faculdade, ele me ligou no intervalo. Naquele dia só faltava o mundo acabar. Estava tendo temporal e alguns alunos haviam faltado por causa disso. Parecia noite lá fora e a cada trovoada, as janelas da sala tremiam como se fossem quebrar a qualquer momento.

- Vinícius, você está ocupado? – Perguntou ele.

- Não, aconteceu alguma coisa? – Fiquei preocupado, principalmente por ele ter me chamado pelo nome completo.

- É, acho que sim, você foi de carro para a faculdade? – Perguntou.

ㅤQuando ele disse que achava que sim, meu coração faltou saltar pela boca.

- Não, meu avô me trouxe, o carro dele está na oficina e então está usando o da vó!

- Ok, eu passo ai e nós conversamos! – Sem dizer mais nada ele desligou o telefone.

ㅤEu mal fiz a prova. Nem sei como eu consegui fazer. Eu tremia e estava com uma louca vontade de chorar. Eu não sabia por que, mas sabia que aconteceria algo e eu definitivamente não estava preparado para isso.

ㅤQuando deu meio-dia, sai correndo em direção ao estacionamento com o guarda-chuva aberto. Lá estava o carro dele. Quando me viu, destravou as portas e eu entrei. Tentei beijá-lo, mas ele não fez nada, se quer virou o rosto para retribuir.

ㅤEle ligou o carro e seguimos para fora da faculdade. Dirigiu alguns minutos sem dizer nada até que estacionou na avenida. A chuva caia forte lá fora.

- Vinícius... – Começou ele.

ㅤSenti-me como se tivesse levado uma facada com tamanha frieza.

- Eu... Eu não o amo mais, na verdade nunca amei. – Disse pondo as mãos no volante e os apertando com força.

- Como assim? – Perguntei sem acreditar. – Como assim nunca me amou? Você está brincando comigo, isso é algum tipo...

- Por favor, deixa-me terminar de falar! – Pediu ele.

ㅤCalei-me. Minhas lágrimas escorriam mais do que nunca pelo meu rosto.

- Eu estou indo em janeiro morar em Londres, pois vou fazer meu mestrado lá e talvez, se eu conseguir um bom emprego, eu fique por lá!

- Você não está falando sério, para com isso, por favor! – Implorei chorando.

- Essa não é a vida que eu quero para mim, eu quero ter uma família, filhos, eu fui criado para isso e você não pode me proporcionar isso.

- Por que você está fazendo isso comigo? – Perguntei olhando para ele, segurando sua mão, que ele fez questão de afastar.

- Eu já disse, eu não o amo, nunca amei, foi errado o que eu fiz de ter ficado com você.

- Eu fui erro?! – Perguntei desesperado.

- Não foi isso que eu disse!

- Você disse que foi errado ter ficado comigo...

ㅤEle respirou fundo.

- Eu fui o errado de tê-lo enganado todo esse tempo! – Disse ele.

- Philip, eu optei por você, eu larguei minha família por você, minha vida.

- Eu sei, eu não merecia e nem mereço isso!

- VOCÊ MENTIU PARA MIM ESSE TEMPO TODO! – Gritei chorando mais ainda. - VOCÊ MENTIU QUE IA PARA UM CONGRESSO DE ODONTOLOGIA NO RIO DE JANEIRO ENQUANTO ESTAVA EM CURITIBA!

- Eu sei que errei, mas precisava decidir que rumo tomar e do seu lado eu não vou conseguir ser nem a metade do que um dia almejei!

ㅤSuas palavras haviam saído como um soco direto no meu estômago. Eu era um estorvo para ele.

- Já tinha um tempo que eu queria lhe falar, mas não tive coragem... – Durante todo o tempo que ele falou, em nenhum momento ele olhou para mim, apenas para frente, observando os carros passarem e a chuva cair.

ㅤEle destravou a porta do carro.

- Adeus, Vinícius.

- Philip... Por favor! Não faz isso comigo!

- Adeus, Vinícius!

ㅤEu abri a porta do carro e sai. Logo depois ele fechou e partiu. Eu não fiz questão de abrir o guarda-chuva. A razão do meu viver não me amava mais, nunca havia me amado. Eu chorava ali, sozinho no meio da calçada. Naquele momento, desejei que aquela chuva fosse como espadas que me cortassem e me fizessem sangrar até a morte, que me fizessem sentir uma dor maior do que a que eu estava sentindo. Eu larguei meus materiais ao chão e me sentei no fio da calçada com a cabeça entre as mãos. O meu mundo ali se acabava, eu perdia o meu chão. Eu estava sem forças, eu não teria forças para continuar. Eu estava encolhido na chuva, abraçando meu próprio corpo, enganado, humilhado, ultrajado... Eu não tinha mais nenhum motivo para viver.

(Fim da Parte 20)

-

#Meus Amigos#

ㅤA chuva parecia que aumentava cada vez mais. Eu ainda continuava ali, parado, sentado no fio da calçada. Não me importei quando um carro passou a toda velocidade criando uma onda de água para cima de mim. Não me importava com mais nada, não tinha razões para isso. Eu havia perdido tudo, família, que não me aceitava, e a pessoa que eu mais amava nesse mundo, Philip.

ㅤMinhas lágrimas se confundiam com a chuva e eu nem sabia mais se chorava ou não. A única coisa que sentia era uma forte dor em meu peito, um buraco que de repente se abrira, uma ferida que nunca mais se fecharia. Eu ouvi meu celular tocar, mas ignorei. O simples fato de pensar em movimentar meu braço até a mochila e trazê-la junto de mim era o suficiente para me cansar.

ㅤNunca sentira algo, essa sensação de estar desabando no infinito. De ver agora em preto e branco o que antes era colorido. Novamente me desesperei. Toda a conversa havia vindo à tona. Eu estava desesperado. Até mesmo o ato de respirar era difícil. Como ele podia ter sido tão cruel? O que eu fiz para merecer isso?

ㅤMeu celular tocou novamente. Dessa vez atendi.

- Vini, onde você está? Eu sai correndo atrás de você na hora da saída e não o achei mais! – Disse a Manu.

- Ele foi... Ele foi embora, Manu. Ele não me ama mais! – Eu disse chorando.

- Ele quem? Não, Vini, não é possível, onde você está? – Disse ela quase que gritando.

ㅤEntão expliquei onde estava. Pouco mais de 15 minutos depois apareceu ela correndo debaixo da chuva em minha direção.

ㅤQuando ela me viu, se agachou ao meu lado me fazendo olhar para ela, ai ela pôde entender sobre o que eu estava falando.

- Vini? Por favor, me conta o que aconteceu? – Disse ela me balançando enquanto eu voltava a observar a avenida com o olhar vago. - Vini, olha para mim! Por favor!

- Ele disse que não me ama mais... – Repeti tremendo.

ㅤEla pegou meu celular e então ligou para o Marcelo e pediu para ele parar de fazer o que estava fazendo, largar o trabalho e viesse rapidamente nos encontrar, pois não sabia o que estava acontecendo comigo.

ㅤEla depois me abraçou e me fez deitar no seu colo, ali na chuva mesmo, enquanto aguardava ansiosamente pela chegada do Marcelo.

ㅤAlgum tempo depois um carro parou a nossa frente e alguém pôs uma capa sobre mim e me segurou no colo, me pondo no banco traseiro. Manu sentou ao meu lado, me observando apavorada.

- O que aconteceu? – Ouvi a voz do Marcelo.

- Eu não sei, ele não parava de repetir que o Philip não o amava mais, que havia ido embora.

ㅤEntão vi Celo pegar seu celular e ligar para alguém. Ele tentou algumas vezes, mas nada.

- Ele não atende, Manu! – Disse enquanto me observava.

- Vamos levar ele para sua casa, está queimando em febre. – Disse ela. – Celo, ele não pode ter feito isso com o Vini.

- Se for o que estou pensando, Manu, não sei nem o que dizer.

ㅤEles conversavam como se eu não estivesse ali. Como se eu fosse invisível para eles. Falavam de Philip e isso só se fazia aumentar a dor que eu estava sentindo.

ㅤQuando chegamos em frente ao apartamento do Celo, ele saiu do carro e me ajudou a sair juntamente com a Manu. Em seu apartamento, eles me levaram direto para o banheiro e me despiram, colocando-me debaixo do chuveiro. Celo se despiu, ficando apenas de cueca e entrou também enquanto a Manu ficava nos observando.

- Vini? Vini, me responde! – Disse ele com sua mão em meu rosto e me olhando seriamente. – O que ele fez? O que ele te disse?

ㅤMeus lábios começaram a tremer e eu a chorar novamente. A Manu ao lado não sabia o que fazia, tanto que entrou em prantos.

- Eu vou ligar para o Philip! – Sem dizer mais nada ela saiu do banheiro.

ㅤPouco a pouco fui parando de tremer de frio, até que Celo desligou o chuveiro e me secou. Depois, ele, que ainda estava molhado, levou-me até seu quarto, pegou algumas peças de roupa e me vestiu.

- Ninguém atende, as meninas disseram que ele deve estar no trabalho! – Disse a Manu entrando no quarto.

- Certo, eu vou até lá e você fique aqui com o Vini, se ele precisar de algo, me liga! – Disse o Celo me deitando na cama e me tapando com umas cobertas que havia ali. Logo depois ele se retirou e a Manu veio se sentar na cama.

- Vini, descansa um pouco. – Disse ela. – Vai te fazer bem.

ㅤEu não disse nada. Mais lágrimas escorreram pelos meus olhos. Ela me olhou e me beijou na testa quase chorando.

- Amigo, não fica assim, por favor!

ㅤDepois Manu me abraçou e ficou comigo assim até eu dormir.

ㅤAlgumas horas mais tarde eu me acordei com um grito de raiva do Bruno.

- AQUELE FILHO DA PUTA! COMO ELE PÔDE FAZER ISSO?!

- Acalme-se Bruno, vai acordar o Vini! – Disse a Rafa.

- Como se acalmar, ele foi covarde, ele usou o Vini! – Disse a Manu.

ㅤQuando apareci no sala todos me olharam surpresos e eu também. Estavam ali o Marcelo, Bruno, Rafa, Manu, Carol, Eve e William.

- Vini? Você está bem? – Perguntou o Bruno.

ㅤNeste momento o Celo deu uma cotovelada nele. Era óbvio que eu não estava bem.

- Está com fome? Quer alguma coisa? – Bombardeou a Carol.

- Não. – Respondi. – Eu, eu só... Obrigado.

ㅤEntão passei os dedos debaixo dos meus olhos para secá-los quando senti novamente meus olhos se encherem de lágrimas.

ㅤO Marcelo se levantou e então veio até mim e me abraçou.

- Que isso, rapaz, sempre estaremos aqui para lhe ajudar no que for preciso.

(Fim da Parte 21)

-

#Mais Uma Vez, Adeus#

ㅤAquela noite, quando cheguei em casa, meus avós se assustaram ao ver meu estado. Por sorte todos haviam ido comigo e explicaram o que havia acontecido. Não querendo ouvir o nome de Philip, eu fui direto para meu quarto e lá me deitei.

ㅤOs dias passavam lentamente, eu me sentia cada vez pior. Eu não via mais sentido para nada, não entendia porque tudo isto estava acontecendo comigo. Será que eu deveria passar por alguma provação até que finalmente eu pudesse ser feliz?

ㅤNem em Deus que eu tanto acreditava, eu já começava a duvidar de sua existência. Tudo o que acontecia de ruim comigo ou com a humanidade eu o culpava. Naquele ano eu apenas comemorei o Natal e o Ano Novo em respeito aos meus avós, pois eu não via sentido em comemorar nenhuma data festiva.

ㅤQuando chegou em Janeiro, eu descobri o dia e o horário que Philip iria embarcar para Londres. Eu tinha que ter certeza que aquilo tudo era verdade e não um pesadelo.

- Aonde você vai? – Perguntou minha avó enquanto eu descia as escadas quase que correndo.

- No aeroporto. – Respondi.

- Vini, por favor, não vá, você vai sofrer mais ainda.

- Eu preciso ver com meus próprios olhos, vó. Eu preciso ver, sentir que tudo isso é verdade!

ㅤAntes que ela fosse chamar meu avô para me segurar ou contestar alguma coisa, eu já havia pego as chaves e ido para a garagem.

ㅤEu tremia mais do que nunca agora, eu estava com medo de vê-lo partir e principalmente sofrer algum acidente na ida ou na volta pelo que eu pudesse estar sentindo. Não hesitei. Parecia que eu estava lutando contra o tempo, os semáforos fechavam quando eu estava quase os atravessando, aquilo começava a me irritar. Meu celular não parava de tocar, hora era a Manu, hora era a Rafa.

ㅤQuando cheguei ao estacionamento, sai correndo em direção ao saguão de entrada. Lá comecei a procurar por todos os lados por algum sinal de Philip ou alguém de sua família como as irmãs ou seus pais, mas nada. Comecei a me desesperar. Ai perguntei onde seria o portão de embarque para Londres e sai correndo novamente. Quando estava chegando lá, os vi de longe.

ㅤEle abraçava seus pais e suas irmãs. Era a mais pura verdade. Ele estava partindo. Quando ele me viu, meus olhos já se encheram de lágrimas. Logo seus pais viraram também, bem como suas irmãs.

ㅤEu abaixei minha cabeça e sai dali chorando. Não me importava se as pessoas pensassem que eu era um louco. Agora, mais do que nunca, eu não me importava com mais nada. Como eu desejei que, aquele dia, ele tivesse vindo atrás de mim, me abraçado e dito que iria ficar por mim, que nada e nem ninguém iria nos separar...

(Fim da Parte 21.1)

~ momentos difíceis, meu povo!!! vim mais cedo para compensar os dias sem conto, hahah. talvez eu volte de madrugada! espero que gostem e que comentem (please!), tá muito parado isso aqui. até mais. beijão! <3 ~

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Comentários

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Nada justifica a traição do Phil em relação o que ele fez,erece ser corno, e viver no lixo

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Nossa eu fiquei já com tanta raiva dele por fazer isso com o Vini meu que raiva.

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O Vini enfrentou a família. Agora esse tal de Php não né.

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Que triste. Estou chorando com o Vini. Esse Philip me decepcionou

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BOM, VAMOS LÁ. REALMENTE DESDE O INÍCIO ACHEI QUE TUDO FOI RÁPIDO DEMAIS. DE REPENTE PHIL JÁ AMAVA VINI. DE FATO ME PARECE QUE PHIL É UM MERDA, UM COVARDE. QUEM SABE POR PRESSÃO DOS SEUS PAIS. QUEM SABE VAI VOLTAR COM A ANTIGA NAMORADA QUE O TRAIU. SE FOR ISSO PHIL MERECE SER CORNO A VIDA TODA. MAIS UMA COISA, SE POR ACASO UM DIA PHIL QUISER VOLTAR SE VC ACEITAR EU VOU QUERER QUE VOCÊ MORRA. VOU TE ODIAR SE ISSO ACONTECER. VC TEM QUE TER AMOR PRÓPRIO. NÃO SEI AS RAZÕES QUE LEVARAM PHIL A AGIR ASSIM, MAS SEJAM QUAIS FOREM ELE É UM BABACA, UM MERDA, UM COVARDE, PATIFE. NÃO É HOMEM E NÃO HONRA O QUE TEM NO MEIO DAS PERNAS. SE FOR VERDADE QUE ELE APENAS TE USOU, ELE DEVE MORRER DE MORTE BEM LENTA. PERCEBI QUE NESSE ÚLTIMO CAPÍTULO, PHIL JÁ NÃO CHAMAVA VC POR VINI E SIM POR VINÍCIUS. ESTRANHO ISSO. VEREMOS. AQUI MEGA ANSIOSO PELO PRÓXIMO CAPÍTULO.

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