BONECA LEIA E O CLIENTE-NAMORADO

Um conto erótico de Nadja Cigana
Categoria: Gay
Contém 4979 palavras
Data: 19/09/2020 17:28:34

Sexta-feira, quase fim de ano, na Belém de 1994. Leia tinha ido à escola, na hora da saída, só pra se encontrar com Vadão, que a levaria para o novo cliente.

A jovem travesti precisava de dinheiro com urgência. Sua matrícula na escola técnica de turismo tava garantida, mas ela tinha que pagar 3 mensalidades na segunda-feira, por causa das datas de provas. Senão Leia teria que repetir o 2° ano do ensino médio na nova escola.

E como ia encontrar Vadão ali, a viadinha aproveitou para se oferecer para seu cliente de terça-feira, Daniel, que conversava num grupinho de uns seis alunos, do lado de fora da escola. Quem sabe, assim, arranjaria mais um dinheirinho? Afinal, Gilda lhe tinha contado que a fama de bicha prostituta de Leia já tinha corrido a escola, e os garotos eram todos de famílias com grana.

Leia já chegou no grupo declarando que tava com saudade de Daniel. E depois, quando um dos rapazes soltou um “também quero” jocoso, a bichinha respondeu dizendo que quem quisesse podia ligar pra ela. E os meninos ficaram logo ouriçados. Especialmente os dois que tinham assistido o boquete de Leia em Daniel, no banheiro da escola, o Mário e o Cláudio.

A travesti ia falar mais alguma insinuação, mas um táxi buzinou chamando sua atenção. Era Vadão. Os meninos fizeram gozação também sobre isso, e Leia, toda alegre, respondeu que era seu motorista, e que ela tinha um compromisso na igreja, com sua mãezinha. A boiolinha saiu rebolando em direção ao carro de seu empresário, mas ainda ouviu um dos rapazes falar alto:

- Tu vai é pra igreja da santa rola, né?

Em lugar de brigar, Leia se virou, e com sua melhor cara de piranha jogou um beijinho sensual pro autor do comentário, fazendo com que os outros passassem a sacanear o brincalhão.

Assim que Leia entrou no táxi, e o carro partiu, um dos rapazes perguntou pra Daniel se ele ia telefonar pra viada à noite, como ela havia pedido.

- Eu, hein? Égua. A essa hora vou é tá com minha namorada, que é mulher!

- É mulher, nada! É virgrm! Tu nem comeu a garota ainda. Mas o Lélio tu comeu, né?

- Não falei pra vocês que o fresco ficou gamado na minha rola? Taí. Veio aqui só pra me pedir pra ligar pra ele.

Cláudio, um dos que viu o oral de Leia em Daniel, comentou que parecia que o viado chupava bem, e que gostava mesmo de pica. E Daniel respondeu que sim, mentindo que comer o cu de Leia não era nada demais, mas confessando que o boiola chupava uma rola muito bem. E de novo contou que depois de gozar no cuzinho do viado, ele tinha gozado de novo na boca do fresquinho.

Tavam todos já de pau duro quando Mário, o outro que tinha visto o boquete, deu ideia:

- Aí! E se a gente marcasse de comer o Lélio juntos? Uma festinha de despedida pro boiola? Ele saiu da escola mesmo! Não vai zoar com ninguém depois.

Mário, na verdade, queria comer Leia desde que tinha assistido o boquete, mas tinha medo de fazer isso sozinho. Ele era do mesmo tamanho do viadinho, usava óculos e era ligeiramente gordinho. Não gostava de brigas e sabia que “Lélio” era bom de capoeira. Sozinho, tinha medo de ser forçado a dar o cu também, e por isso teve a ideia da suruba.

Mas a homofobia era forte e três garotos ali na roda pularam fora do projeto, dizendo que não comiam viado de jeito nenhum. Daniel, Cláudio e Mário se despediram dos três, e saíram combinando a suruba. Apesar das fanfarronices, nenhum tinha experiência de motel, e Cláudio e Mário até achavam que podiam ser presos se fossem juntos, os três e mais Lélio, pra um motel. Então o primeiro problema era arranjar o lugar pra suruba.

Em silêncio, Daniel se controlou pra não sugerir a casa do próprio Lélio. Respeitando o pedido do boiolinha, não tinha dito a verdade sobre o local em que tinha comido Lélio há dois dias. Apesar de todo o desprezo que fazia questão de exibir, quanto ao viado, seu pau duro dentro da calça lhe dizia que ele ia querer voltar na casa da bichinha. E ter aquilo em segredo, só pra ele, o tornava um comedor especial, em sua cabeça de machinho de 16 anos.

Pensaram um pouco e nem Daniel nem Cláudio tinham solução. Então Mário sugeriu o que tinha em mente desde o início, e que de fato era o lugar ideal para a fudelança:

- Tem a casa do Sandrinho. Acho que meus tios vão viajar nesse fim de semana, e a casa vai tá livre, só com ele. A gente só tem que colocar mais o Sandrinho na danação.

Daniel e Cláudio conheciam a casa do primo de Mário. Ficava no Urimazal, bairro nobre, e era uma casa boa, de dois andares, não muito grande mas muito bem decorada. E tinha uma pequena piscina, de uns 5 metros por 3, cercada por muros altos de um lado e dos fundos, e pela própria casa, do lado e da frente. Da rua só se via, atrás da cerca de metal que protegia um jardinzinho e a vaga de carro, uma porta de entrada, a janela da sala, e a janela de um quarto, no andar de cima.

Eles já tinham ido lá várias vezes, pra jogar vídeo game e brincar na piscina. E os três achavam Sandrinho meio “delicado” demais, mas Mário não admitia. Daniel e Cláudio falaram em sequência, sobre a ideia:

- Será que Sandrinho vai topar? Ó, tem que avisar que a gente vai ter que pagar. O boiola é caro. Me cobrou quase a mesada toda, pra comer ele.

- Se bobear Sandrinho vai é pagar pra dar o toba também, né não, Mário?

- Pára com isso! Meu primo é macho. Só é meio nerd. E vai topar, sim. Vai ser bom pra ele comer um cu. Ele é virgem, ainda.

Mário também era virgem, mas assim como fazia com as dúvidas sobre a sexualidade do primo, ele não admitia. Terminaram a conversa combinando de Daniel ligar pra Lélio, pra acertar tudo e ver o preço, e de Mário ligar pro primo, pra garantir o lugar.

Enquanto isso, Gilda e Sara conversavam animadamente na mesma lanchonete que a indiazinha costumava ir com Leia. A amiga loura, empolgada, falava sem parar sobre o rapaz que ela queria namorar. Sara contou que o moço era alto, atlético, bronzeado, e que tinha lindos olhos verdes. Tinha conhecido numa festa do pai dela, em que foram dois alunos da escola de oficiais da marinha mercante, e depois tinha encontrado ele por acaso, de uniforme branco.

- Gilda, tu tem que ver! Marcelo é lindo de morrer! Só dele me olhar eu fico doidinha. E aquele sotaque baiano dele... acho o máximo!

- E tu num tem medo, não? Esses caboclos da escola da marinha só querem pegar a gente, e depois que se formam, somem. Se ele é de Salvador, nunca mais vai aparecer aqui.

- Ah! Ele tá no segundo ano. Ainda tem o ano que vem todinho pra gente curtir. Se eu namoro ele desde agora, ou é sério, e a gente continua, ou não é, e pelo menos a gente aproveitou um ano inteirinho.

- Isso se ele lembrar de tu depois das férias, né, amiga? Cuidado!

Gilda deveria ter falado era “cuidado comigo”, mas a indiazinha gostosona não tinha como saber o que ia acontecer. Naquela noite, porém, ao se masturbar pra dormir, como fazia todo dia, Gilda instintivamente imaginaria que o tal Marcelo descrito pela amiga tirava sua virgindade, numa deliciosa foda em papai com mamãe.

Mais cedo, depois de saírem da frente da escola,

Leia e Vadão entraram no estacionamento onde o motorista guardava seus três táxis, e onde já tinham transado várias vezes. A viada se trocou, ficando de blusa preta e short branco sobre o biquini preto, se maquiou de leve, colocou os brincos, gargantilha e pulseiras, e calçou as sandálias de salto alto. Teve que retocar o baton, porque Vadão não resistiu ao tesão de ver a sua bonequinha se produzindo e ficou de pé, do lado de fora do carro, dando a pirocona pra uma mamada rápida pela janela.

Leia chupou com gosto aquela jeba que a tinha ajudado a definir seu rumo na vida, se excitando com o gosto, cheiro e textura do macho. A situação a fez lembrar de quando tinha feito aquilo com um cliente desconhecido, que a viu caminhando na madrugada, toda provocativa, na noite em que ela finalmente tinha ido dar o cu pro seu primeiro pau, Luiz Cláudio.

Mas Leia não deixou Vadão esporrar em sua boquinha. Os dois concordaram que era melhor deixar para “depois do trabalho”.

Meia hora depois, eles chegavam num hotel três estrelas do centro, muito usado por viajantes a trabalho. O gerente era parceiro de Vadão, e contou em qual quarto o tal engenheiro estava, e que o cliente de Leia tinha chegado com uma mala de viagem grande, como se fosse ficar mais de uma semana, mas que iria embora já no dia seguinte.

Apreensivo, Vadão subiu com sua boneca, e tocou a campainha do quarto indicado. Abriu a porta um homem de uns 40 anos, mais ou menos da altura de Leia ou um pouco mais baixo. Era sorridente, simpático, cabelos cortados à escovinha quase brancos de tão louros, óculos de armação cobrindo olhos quase negros. A pele do rosto era bronzeada, acentuando a palidez dos cabelos. Vestia roupa social, e beijou a mão de Leia cavalheirescamente, se apresentando como Nilson, enquanto Vadão lhe apresentou a bonequinha como “Laila”.

Vadão olhou ao redor e não tinha nada demais no quarto à meia luz. Viu um CD player portátil que tocava música romântica, um balde de gelo com espumante e taças, e uma bandeja com queijos e presuntos. Não eram do serviço de quarto. O cliente havia trazido.

O motorista achou que aquilo tudo explicava a mala grande da qual o gerente havia falado, e relaxou. Confirmou com o engenheiro que pegaria a boneca de volta às sete da noite, e se despediu.

Leia em nenhum momento se sentiu apreensiva com o novo cliente. Ele sorria para ela de modo tranquilo, e antes mesmo de sentarem na cama declarou suas intenções:

- Olha, Laila. Eu não quero que você faça nada sem vontade. E pra provar isso, toma aqui uma mesada pra você.

Leia recebeu da mão do cliente um maço de notas novinhas. Só de olhar o bolo de dinheiro a bonequinha percebeu que devia ser mais ou menos o valor de um dos três boletos que ela deveria pagar segunda-feira. Sem jeito com o gesto do engenheiro, a travesti teve que tentar recusar.

- Mas, Moço...

- “Moço”, não. Nem sou mais tão novo, assim. Meu nome é Nilson.

- Seu Nilson...

- “Seu”, também não. Se não tô te chamando de “Senhorita” Laila, você também não vai me chamar de “seu”. Tá bom?

- Tá. Mas... é muito dinheiro. E o Senhor já pagou a Seu Vadão. Eu não posso...

- Você só me devolve se quiser ir embora agora, tá bom? Se você não gostou de mim, e não quiser mais me ver, você pode me devolver o dinheiro.

- Não. Não é isso. É que...

- Pode ficar à vontade. Olha, o que eu já paguei ao seu... “agente”, não vou querer de volta. Sei que ele não vai te passar nem metade. Todo cafetão é assim. Sou vivido. Por isso mesmo esse dinheiro é pra você. Sem ele saber.

- Mas...

- Só aceito de volta se você disser que não gostou de mim, agora mesmo, e que não quer me ver mais. E fica tranquila pra fazer isso que de jeito nenhum vou me queixar com seu “agente”. Jamais faria isso com você.

Leia nunca havia sido tratada assim por um cliente. Nilson fazia questão de valorizar a vontade dela, e falava com ela de um jeito sedutor e carinhoso. Ainda assim ela achava injusto receber aquilo tudo do engenheiro. Balbuciou mais uma vez:

- Ma-mas... é muito...

Nilson colocou a mão no rostinho da boneca, fazendo um carinho delicado.

- Olha, Laila, não quero comprar você. Esse dinheiro é uma mesada. Quero que você pense em mim como um tio. Um tio que você não conhecia, e que chegou de longe pra te ajudar. E a gente ainda precisa se conhecer. Enquanto a gente se conhece, eu posso te dar mesada, e você precisa dessa ajuda. Senão, não estaria aqui. Então, eu te dou uma mesada. Mas eu só quero você aqui, se você quiser estar aqui comigo.

- Mesada... é por mês.

- É! Por isso parece muito. Porque é pro mês todo. Quero te ver aqui, toda sexta-feira, nessa hora. Pra gente ir se conhecendo. Vou pagar o Osvaldo por cada vez, mas todo mês te pagarei, também, essa mesada. Por fora. Sem ele saber.

- Mas... Seu Nilson...

- Sem o “Seu”, por favor!

Pela primeira vez Leia sorriu pro cliente, no diálogo. O tom do engenheiro não mudava. Era carinhoso, envolvente, paciente. A viadinha já quase o beijava, de pura gratidão pelo tratamento, sem nem pensar no dinheiro. A travesti sentiu-se à vontade para uma pergunta delicada e continuou.

- O “Seu” é respeito. Fui educada assim. Mas vou tentar... NILSON! Pronto! Falei! – os dois riram de leve, da “ruptura” de Leia com o formalismo - Se a mesada é pro mês, pra toda sexta-feira a gente se encontrar, e tu diz que só me quer aqui se eu quiser... e se eu não quiser voltar depois de hoje?

- Daí você fica com essa mesada que te dei agora. Só por estar aqui com você, hoje, tenho certeza de que já vai ter valido a pena.

Leia e o cliente ficaram sentados na cama, não muito próximos, e começaram a conversar. Nilson levou o assunto para músicas, dizendo que daquele jeito as pessoas se entendiam, porque era a linguagem universal. O engenheiro ficou trocando os CDs no aparelho até chegar em alguma que estimulasse a bichinha a falar sobre. E para surpresa do cliente isto aconteceu com música clássica.

Ouvindo Nilson anunciar o compositor, Leia começou a falar sobre Beethoven e seu tempo, a revolução francesa, e contou curiosidades do compositor, e de Napoleão Bonaparte, que Nilson não conhecia. O engenheiro ficou encantado com a cultura da boneca, e a conversa entre os dois fluiu.

Só depois que conseguiram conversar bastante, o cliente falou pra Leia o que ele queria de verdade. O engenheiro disse que eles passariam por três fases, pois antes de qualquer coisa queria que “Laila” fosse sua amiga, e que só depois que fossem amigos eles poderiam ser namorados. E que só depois que fossem namorados poderiam ser amantes.

Definitivamente aquilo era diferente de qualquer coisa que Leia podia esperar de um cliente de prostituição. E a conversa era agradável, e Nilson muito simpático. Conversaram umas duas horas sobre música, história, artes, e até sobre a vida profissional do engenheiro.

A travesti ouvia atenta, e se excedia para agradar. Tinha gostado do cliente, e por isso ria das piadas sem graça dele, e até concordava com o que ele falava sobre cantores e músicos americanos antigos, a maioria dos quais ela sabia quem era, mas nunca tinha ouvido. Mas só dela saber quem eram, Nilson já ficava muito feliz, e não parava de falar sobre as gravações e músicas.

Depois que já haviam bebido a segunda taça de espumante, Leia já estava alegrinha e pediu licença ao engenheiro pra fazer uma pergunta pessoal.

- Nilson, tu é um homem muito interessante. Eu... sabe?... Por que tu quis pagar... pagar, não... conhecer! Por que tu quis conhecer alguém assim... como eu?

- E você acha que você não tem direito a ter um amigo... ou namorado... ou amante... assim como eu?

- Não... é que... eu queria saber. Tu não deve ter dificuldade de arranjar uma namorada.

Nilson mudou de posição na cama, sentando mais perto da viadinha, e começou a contar sua história. Sem nenhuma referência explícita à sexualidade, contou que desde novo era fascinado por “garotas como Léia”, e que comprava revistas como “Fatos e Fotos” e “Manchete”, para as admirar, sobretudo nas edições de carnaval. Narrou que na adolescência era apaixonado platonicamente pela famosa Rogéria.

Mas o engenheiro era fortemente reprimido, sem nem saber. Era do Rio de Janeiro, mas nunca teve qualquer vivência, convívio, ou chance de conhecer uma “garota como Leia”. Casou, não teve filhos, separou, fez terapia, mas só depois que mudou para Carajás, no sul do Pará, e depois que seu pai morreu, é que se sentiu livre para tentar namorar alguém assim. E arrematou com uma fala misógina que incomodou à travesti:

- Além disso tudo, mulher só quer saber de dinheiro! Não são assim como vocês, que gostam da gente de verdade.

- Mas... você me contratou com dinheiro. Foi o dinheiro que me colocou aqui.

- Sim. Mas isso foi só pra te achar e te atrair. Você tá aqui, comigo, porque quer, não é?

- É, mas...

- Se é só por dinheiro, você já pode pegar a mesada que te dei e ir embora. Conversamos, foi bom... já valeu a pena, pra mim. Você já pode fazer isso.

- Tá... você tinha falado... mas... eu não vou.

- Por que você não vai?

- Não sei... parece errado. E tu...

- Eu...

- Tu é um homem legal. Acho bom que a gente se conheça mais.

- Então você gostou de mim?

- Sim. Gostei.

Em lugar de se aproximar mais, e beijar a viadinha como ela esperava, o cliente voltou a falar dele mesmo, com mais entusiasmo ainda. Leia achava estranho o jeito como ele fazia isso, meio egocêntrico demais, e achou que ele poderia ficar horas contando a história da própria vida. Aproveitou uma brecha na fala do homem para perguntar se ele, por seu lado, tava satisfeito com “ela”, ou se achava que devia continuar procurando uma “mulher como ela”. E o cliente emudeceu.

Como Nilson não respondesse, a bonequinha pousou uma mão na coxa do engenheiro e perguntou:

- Você me acha atraente?

O cliente respondeu colocando sua taça de espumante de volta na bandeja, e levando a mão carinhosamente ao rostinho de Leia. A mão dela na coxa dele, e a dele de volta ao rosto dela, eram os primeiros toques mais erotizados entre os dois, em mais de duas horas de conversa. O homem falou olhando Leia nos olhos, e com uma voz suave e calma:

- Você é linda! Acho que a mais linda garota “especial” que já conheci. Parece uma jovem indiazinha. A indiazinha mais linda da tribo. A cunhã poranga. E é inteligente. Conhece muita coisa pra sua idade. Aliás, quantos anos você tem?

Antes de responder, a bonequinha pensou que se para Nilson ela parecia uma índia bonita, então o engenheiro teria um infarte se conhecesse Gilda. Mas não. Pensando melhor, Gilda não tinha um “bigulinho” entre as pernas. Não era uma “garota como ela”.

Respondendo ao homem, claro que Leia mentiu e disse que tinha 18 anos. E com seu corpinho andrógino, de coxas grossas acentuadas pela posição, com ela sentada na beirada da cama e de pernas cruzadas, e com aqueles peitinhos pontudos e já volumosos, a viada podia passar por ter 18 anos sem suspeitas. O cliente continuou:

- 18 aninhos... Mas fala de você. Por que uma garota bonita e inteligente como você faz... faz programa?

- Ah, Seu Nilson...

- Nilson!

- Nilson... é uma história longa. O senhor não vai querer ouvir.

- Claro, que quero! – o engenheiro respondeu acariciando os cabelos alisados de Leia – quero saber tudo sobre você!

Não rolava nem um beijinho! Leia já estava ansiosa por pelo menos um beijo, pra mudarem da fase “amigos” para a do namoro. Querendo contato físico com o cliente, começou a contar sua vida, com cuidado, se insinuando. Leia sabia que não podia falar explicitamente de sua vida sexual, confessando paixão por pênis. Tinha que romancear, pra não quebrar o clima.

- Ah... eu nem sei por onde começar...

- Fala de quando você começou a se sentir “especial”.

- Ah... eu era bem novinha. Devia ter uns 7 ou 8 anos... eu gostava de brincar de boneca com as meninas da minha rua, e amiguinhas da escola. Minha mãezinha, que amo de paixão, não sabia o que fazer comigo, naquela época. Eu já era assim, eu acho.

- E teu pai?

- Meu pai morreu por essa época. Teve um AVC. Tinha 33 anos, e...

- Desculpa. Mil perdões!

Nilson pegou a mãozinha de Leia que estava sobre a coxa dele, e beijou repetidamente, com beijinhos secos e curtos. Não era um gesto de namoro. Era um pedido de desculpas por ter tocado na memória do pai falecido da jovem travesti. Leia percebeu que o homem tinha ficado vermelho como um pimentão, e achou fofo demais.

- Tudo bem... não tinha como tu saber.

- Obrigado. Mas... continua, por favor.

- Antão... daí... com 11 aninhos... eu me apaixonei.

- Nossa! Tão novinha!

- Foi. Eu nunca que vou esquecer como foi. Eu tinha 11 aninhos mesmo.

- E quem era o felizardo?

Leia fantasiou a história dela com seu primeiro macho, contribuindo para o clima de romance.

- Ah, era um amiguinho da escola. O nome dele era Luiz Cláudio, e ele era dois anos mais velho. Mas não era repetente, não. Era de outra turma, mais adiantada. Eu olhava pra ele toda apaixonadinha, na entrada, na saída, no recreio... os meninos riam de mim, mas eu nem ligava!

- Sempre tem um babaca por perto!

- É sempre tem.

- Desculpa. Não quis te interromper. Continua.

- Antão... daí uma amiga minha um dia falou de mim pra ele... e depois, noutro dia, na saída, ele me chamou pra gente ir numa casa abandonada perto da escola. E... nossa! Foi mágico! Foi meu primeiro beijo! Não importava o lugar feio e sujo, os meninos me avacalhando na escola, o preconceito... não importava mais nada! Eu lembro que naquele dia fui pra casa e o azul do céu, o verde das árvores, tudo parecia diferente!

- Foi com ele a sua primeira vez?

- Hã... não... quase. Mas foi por isso que depois de dois anos a gente terminou.

- Como assim? O que aconteceu?

- No início a gente ia pra casa abandonada, e se beijava e se agarrava muito. Ele me agarrava por trás e eu sentia “ele”, sabe? Era muito gostoso. Depois, ainda bem no comecinho, primeiras vezes mesmo... ele me fez pegar “nele”. E... eu gostei muito! Principalmente por causa da reação do Luiz Cláudio... parecia que ele se desmanchava todo com o meu carinho ali.

Leia reparou que o rosto de Nilson tinha uma expressão de tesão. Aquele homem devia estar ficando de pau duro, e ela tava doidinha pra conhecer a rola do cliente. Continuou a história, de vez em quanto tentando ver se o pau do engenheiro fazia volume na calça social que ele usava.

- Daí eu aprendi rápido a dar prazer pra ele, batendo uma, sabe? Ele gostava muito. A gente já ia pra lá quase todo dia... e depois... eu passei a usar a boca.

- Ele te forçou?

- Espia... não sei. Acho que talvez um pouco. Mas eu lembro que eu queria. Uma vez cheguei a sonhar com isso. Que ele se acabava em minha boca.

- E você não teve nojo?

- Um pouquinho... bem no início. Mas era tão... intenso! Isso! Era tão intenso! Ele gemia tanto! Gostava tanto! E eu me sentia muuuuito bem, comigo mesma, de dar esse prazer pra ele. Ia pra casa, depois, muito feliz.

- E ele te tocou também? Digo...no teu... você sabe...

- Não! Isso nunca. Naquela época eu não queria que ninguém me tocasse. Só usava a mão e a boca, mesmo. Ele nunca nem tirou minha roupa. E a gente ficou nisso um tempão. Uns dois anos. Quase todo dia.

- E você não quis perder a virgindade com ele?

- Ah, Nilson... eu queria tanto! Mas morria de medo. Uma amiga minha, menina mesmo, tinha feito. Atrás, sabe? Ela ficou traumatizada de dor, e me contou. Eu acho que a história dela me botou muito medo. Uma bobagem. Hoje eu me arrependo. Talvez, se tivesse acontecido, a gente não tivesse brigado.

- Vocês brigaram porque ele quis, e você não?

- Não. É pior... é assim... depois de dois anos, todo mundo na escola sabia da gente. Hoje eu sei disso. Mas na época eu era ingênua, apaixonadinha, e achava que ninguém percebia. Na escola a gente até fingia que nem se falava. Só que ele se aproveitou disso pra contar vantagem, e dizia pra todo mundo que ele fazia isso e aquilo comigo, que ele tinha me tirado o cabaço, e que eu era viciada pelo troço dele... essas coisas de menino que quer se mostrar.

- Horrível.

- A fofoca correu solta, na escola, minha mãe ficou sabendo, e a gente, eu e ele, a gente brigou feio. E eu mal terminei aquele ano, a oitava série, e saí da escola.

- Que horror! E você parou de estudar?

- Não. Eu fui pra uma nova escola, e fiz o ensino médio todo. E agora tô matriculada num curso de turismo.

- Turismo?

- É! Sabe, eu conheço uma dona de agência de viagens, e já ajudei ela a guiar turistas italianos e franceses pela cidade. E tenho muitas ideias sobre turismo ecológico na região.

- Bacana, mas... você é muito inteligente. Não quis fazer faculdade? Não tinha nenhuma faculdade que te interessasse?

- Eu sempre fui boa aluna em tudo, mas sou apaixonada mesmo é por história. Meu sonho era virar professora de história. Mas... depois que eu resolvi me assumir como mulher... eu sabia que ia fazer faculdade pra ficar desempregada... sabe? O preconceito...

- Triste... mas verdadeiro. Mas tua primeira vez... vamos falar de coisas boas. Como é que foi?

- Ah... foi com o Gil, irmão mais velho de uma amiguinha do ensino médio. Noooossa! Todas as garotas da escola queriam pegar ele. É fortão... não é assim bonitão, mas é muito másculo... e é um doce de pessoa.

- E como foi?

- Foi num prédio em construção. Antes ele me pegou namorando ele com os olhos umas duas vezes... depois a gente ficou de agarramento em uns lugares escondidos. Égua! Era bom demais! Daí um dia ele me levou nesse lugar que ele tinha aprendido a entrar. Era um prédio em construção, com um apartamento pronto, desses que eles levam o comprador pra ver. E tinha até cama!

Leia inventava detalhes românticos de sua primeira vez com Gil, para impressionar seu cliente. E agora ela via um morrinho se formar na calça do engenheiro. Queria conhecer aquela rola!

- Gil foi super carinhoso comigo. Fez com muito cuidado e conseguiu me fazer acostumar fácil. Devo isso a ele.

- Vocês namoraram?

- Um pouco. A irmã dele já era minha amiga, e a mãe dele me aceitou bem. Mas o pai dele nunca soube, senão daria problema. Pena que durou pouco... Gil foi pro exército, e seguiu carreira. Foi pro sul...

Leia fez uma carinha triste, que chegou no resultado que ela queria. O cliente pegou de novo no seu rostinho redondo de menina, e começou a acariciar.

- Mas você tem namorado?

- Não... sou sozinha. Tenho minha mãezinha... mas a gente vive só da pensão do meu pai... do INSS... então... uma amiga cabeleireira me apresentou Seu Osvaldo... e ele me perguntou se eu queria... ganhar dinheiro assim... eu preciso... pra pagar minha escola...

- Ele te explora e só fica com o teu dinheiro, ou você também tem algo com ele?

Leia raciocinou rápido. Se Nilson fazia essa pergunta é porque Vadão só tinha mostrado pro engenheiro o book dela com poses, em biquinis e lingeries. Nilson não devia ter visto o outro, que tinha fotos pornográficas, com ela sendo enrabada pelo taxista, e Vadão gozando na boca da viadinha Leia, e da viadona Paulete. Vadão era esperto e devia ter percebido o nível do cliente.

- Nããão! Seu Osvaldo me respeita. Ele nunca... a esposa dele, sabe? É uma mulher feita. Ele a tirou da vida. Ela é minha amiga, e os dois me ensinaram muita coisa. Foram eles que me apresentaram o endocrinologista que me faz o tratamento com hormônio.

Leia fez uma pausa olhando a cara de desejo de Nilson. Fixou os olhos negros do engenheiro e aproximou o rostinho um pouco de nada do rosto do cliente, pra ver se ele faria o mesmo. Olhou fundo nos olhos do homem, pensando na pirocona de Vadão pra ficar com tesão, e disse lentamente:

- Nem sei o que seria de mim sem Seu Osvaldo e Dona Paulete... Seu Osvaldo é tão bom pra mim...

Deu certo! Nilson se deixou levar e beijou Leia. De início um beijo rápido e inseguro, que o engenheiro interrompeu pra olhar a travesti nos olhos e tentar descobrir se devia continuar. Mas o cliente logo viu a cara de tesão da boneca, e os dois se atracaram de novo num beijo alucinado, cheio de desejo.

Depois de ficar um pouco dedicada apenas ao beijo, Leia automaticamente pousou a mão sobre o pau do cliente, com cueca e calça impedindo o contato direto. A rola não parecia ser grande, mas o tesão já tava a mil e o pau do homem tava muito duro, e a boneca começou a esfregar ali. Os dois se entregavam ao beijo com paixão, e gemiam um na boca do outro. E ainda beijando a viada Nilson retribuiu os carinhos em sua pica, ordenhando bem de leve uma tetinha de Leia, por cima do biquini e camiseta que a bichinha usava.

A viadinha ficou beijando o homem e esfregando a pica dura, escondida na roupa do cliente. E recebia os apertos dele, por cima da roupa, em seu peitinho. Aquilo não chegou a durar dez minutos. Nilson gemeu forte, e Leia sentiu a rola do moço pinotear dentro da roupa, e em seguida um calor se espalhando sob a calça do cliente.

O engenheiro havia gozado.

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Comentários

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Acho que a virgindade da Gilda está com os dias contados rsrsrs

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