Cap 54 - Jéssica Albuquerque

Um conto erótico de R Pitta
Categoria: Homossexual
Contém 1714 palavras
Data: 25/11/2019 08:56:51

O porteiro me conduziu até a porta do meu apartamento. Tentei ligar para ela mas deva sinal de desligado. Sentei no sofá e fiquei olhando o celular na espera de uma ligação que não vinha, e fiquei lá por um bom tempo. Mais uma ligação. Nada. – Ela deve ter chego em casa. – Pensei e resolvi agir. A chave do carro ainda estava no meu bolso, corri para o estacionamento, peguei o carro e fui para casa da Melissa na esperança de encontrar com ela. Tentei deduzir o caminho que Mel poderia ter traçado. Chegando em frente ao portão percebi que a luz da varanda estava acessa. Joguei o carro na calçada, desci e comecei a bater no portão. Alguém gritou perguntando que era. Meu coração se encheu de esperança.

- Melissa!

- Jéssica? – Uma voz me respondeu.

- Mel, é você? – Perguntei.

- Não, sou a Larissa. Você não deveria estar com ela?

Antes que eu respondesse ouvi a voz de um homem. Supus ser o pai delas. Eles trocaram algumas palavras e o portão foi aberto.

- Entra, minha filha. A rua é muito deserta essa hora.

- Obrigada, Seu Rubens. Melissa já chegou?

- Pelo que me informaram, ela deveria estar contigo. – Naquele momento não consegui mais manter a calma. Senti meu corpo amolecer e ficar gelada. – Me explica o que aconteceu.

Aquela frase foi o gatilho para meu choro. Comecei a TENTAR explicar a situação para Rubens sem atropelar as palavras que saiam desenfreadamente da minha boca. O rosto dos dois estavam com a expressão confusa, o que mudou num estalar de dedos para desespero quando ouviram a palavra “atirando”. O homem em minha frente resolveu procurar de carro a filha e me impediu de ir com ele. Mandou que ficássemos lá e informássemos qualquer coisa, caso tivéssemos notícias. Larissa segurou minha mão e puxou-me para dentro da casa até a cozinha. Recebi um copo com água. Foi ali que percebi o quanto estava tremendo. Única coisa que conseguia fazer era chorar e chorar. Se algo acontecesse com Melissa eu nunca iria me perdoar. Debrucei sobre o balcão da cozinha, Lari ficou sentada ao meu lado com uma mão em meus cabelos e a outra no celular. De repente escutamos o barulho de metal do portão. Alguém batia. Não sei como não cai sobre Larissa ao passar pela porta. Eu só queira ver minha ruiva, mas, infelizmente, não era ela.

- Melissa chegou? – Era o amigo de Melissa.

Voltei sem ânimo para o interior da casa seguida por eles. Minha cunhada entrou falando ao telefone com o pai. Fiquei atenta na conversa deles para saber alguma novidade, porém sem êxito. Sentei no sofá e eles foram preparar algo para comer. Phelipe chegou da rua com um saco de pão e preparou uma para mim. Agradeci meio sem jeito e forcei comer pelo menos metade. Após Lari deitar no sofá de frente ao que eu estava, Amanda ligou a televisão. Estava passando aquela chata programação de início de ano até entrar no noticiário. Aquela barra azul na tela com letras vermelhas me chamou atenção: “Tiroteio na madrugada da Zona Norte”. O reporte foi explicando passo a passo do ocorrido e informou a rua. Sim, era a rua acima da minha. O repórter informou sobre o roubo, os tiros, a fuga e do encontro do carro que foi achado, abandonado, abaixo de uma ponte numa área de matagal. Não havia ninguém dentro do carro, mas possuía marcas de sangue. A reportagem acabou com a frase “voltaremos com mais informações. ”. Como não entrar em crise nesta situação?

- A culpa era minha! – Gritei.

- Jéssica, não tem como. – Phill me abraçou. Deixei sua camisa molhada de lagrimas. – Você não tem culpa de nada.

- Jessica. – Larissa tinha acordado. Talvez por conta do meu choro. Seus olhos estavam vermelhos como o de alguém que prendi a o choro. E era o que acontecia. – Sei que ela está bem. – Senti o som arranhado sair de sua garganta. Ela fazia esforço para falar e segurar as lagrimas.

- Senta aqui – Disse Phelipe.

Sentei no sofá tentando acalmar meus nervos. Porem recebi uma ligação. Meu pai me ligava. O que faço agora? Atendo? Desligo? Respirei fundo e atendi.

- Oi... – Disse baixo.

- Já estou avisando que em uma hora estarei no apartamento.

- Para que?

- Vamos conversar. Preciso desligar. Tchau.

A ligação foi encerrada antes que eu pudesse me despedir.

- Eu preciso ir para casa.

- Você não está em condições de dirigir. – Comentou Amanda.

- Mas preciso.

- Avise quando chegar ou se souber de algo.

- Aviso sim, Larissa. Abre o portão para mim?

Segurando em minhas mãos, a irmã de Mel foi comigo até meu carro. Ganhei um abraço e segui meu caminho. Chegando no condomínio, subi para meu apartamento e fiquei à espera de alguma ligação dela. O tempo passava lentamente. O silencio naquele lugar chegava a ser enlouquecedor. O único som que ecoava no ambiente era o “tic-tac” do meu relógio de pulso. Meus pés estavam pesados e minha mente um caos. Apoiei no braço do sofá e o filme daquela noite começou a rodar em minha mente. Meu pai nos vendo. A briga com ele. A briga com ela. A briga na portaria do prédio, que tinha até plateia. Ela me deixando. Ou eu a deixando ir? Os tiros.... Muito caos dentro de uma mente. E para completar o caos, a campainha foi tocada. Seguei perto da porta com sacrifício.

- Quem é?

Poderia ter olhado pelo olho magico, mas os olhos ardiam tanto que preferi mantê-los fechados.

- Sou eu.

“Sou eu”. Ah sim, ajudou muito. Mas eu havia reconhecido a voz.

- Por que não abriu a porta como antes?

- Da última vez vi o que não precisava.

Me calei. Meu pai pediu licença e entrou com duas malas de viagem.

- Para que as malas.

- É sobre isso que precisamos conversar.

- Vai me expulsar de casa?

- Diferente. Eu fui expulso de casa.

- Como assim?

- Admito que vi o que não esperava. Fiquei confuso e fui para casa digerir a imagem em minha cabeça. – Deu um longo suspiro. – Acabei desabafando com a pessoa errada: sua mãe. Pior coisa eu poderia ter feito. Queria vir aqui bater em vocês duas. – Mal sabia minha mãe que era mais fácil ela e meu pai apanharem da Melissa. – Tentei impedir que viesse e recebi com o arranjo de flores no meio da canela.

Meu pai apontou para sua perna que tinha um rasgo de uns 5 centímetros abaixo do joelho. Olhava incrédula o machucado e não conseguia cogitar que a “sensata” pudesse fazer aquilo.

- Continuo sem entender as malas.

- Eu vou precisar ficar aqui um tempo.

- Eu pensei... que ia... que ia me tirar daqui.

- Você é minha filha. Nunca iria fazer isso.

- Pai, você sempre se mostrou tão preconceituoso que não achei impossível isso acontecer.

- Perdão.

Travei.

- Jéssica, entenda uma coisa. Eu possuía um grupo social que precisava zelar para continuar onde estou. Fui quem não era, criei um personagem que acabei não diferenciando mais de mim mesmo. No fundo nunca tive problemas com a opção dos outros, mas no convívio, até com sua mãe, acarretou na perda da minha própria personalidade. Sua mãe queria vir e impor a você a ser quem você não é. Sei que é nova e tem muito chão pela frente. Isso pode mudar? Tanto pode mudar, como pode não mudar, pois isso é você. Meu sonho sempre foi ser biólogo, mas seus avos colocaram tanto na minha cabeça que não daria certo, que precisava ter ambições. Até meu casamento. Poderia ter terminado com sua mãe a anos, mais uma vez, pessoas se meteram na minha vida e me fizeram desistir. Fizeram eu colocar a vida dos outros, as decisões dos outros à frente da minha. Não vou fazer isso com você.

Cara, eu fiquei perplexa com as palavras. Pensei que ele ia grita, brigar, me expulsar, até me bater eu imaginei, mas nunca que iria receber “apoio” dele.

- Pai, você é gay?

- De onde tirou essa ideia, garota?

- Pelo que falou.

- Ah, sim, por eu querer respeitar eu vou ser gay. Entendi. Espera aí que vou buscar minha licença para “caçar viado”. Preciso mostrar minha masculinidade.

- Tá, desculpa. Não falei por mal. Só estou com a cabeça cheia.

- Por que?

Respirei fundo e comecei a contar todo o ocorrido. Meu pai pegou o telefone e começou a fazer algumas ligações. Pediu até uma foto da Melissa. Falou que se alguém tivesse qualquer informação iriam entrar em contato com ele na mesma hora. Certos momentos conhecer miliciano ajuda em algo. Meu pai ajeitou as coisas dele no canto da sala e foi preparar café. Foi tanta coisa para pouco tempo que fiquei sentada no sofá olhando o teto a espera de alguma notícia. Com o cansaço, acabei dormindo ali mesmo e fui acordada pelo meu pai que perguntou onde Mel morava e se eu poderia leva-lo lá. Concordei com a cabeça e fomos para seu carro. No painel do carro, as horas piscavam me deixando incrédula que já estávamos na hora do almoço. Liguei para Larissa avisando que estamos indo para sua casa, ela disse que tudo bem e ainda não haviam recebido nenhuma informação minha.

Chegando na casa de muro alto, desci do carro e bati no portão. Prontamente fui atendida pela madrasta das meninas.

- Oi, Jessica.

Me abraçou forte. Seu rosto estava visivelmente inchando de segurar o choro.

- Oi, Patrícia. Esse é eu pai. Pai, essa é a madrasta de Mel.

Os dois se cumprimentaram e entramos. Sansão estava solto e veio em minha direção. Agachei próximo ao portão para brincar com o labrador e fiquei ouvindo meu pai e Seu Rubens conversarem. Nesta hora, alguém bateu no portão.

- Jessica, abra para mim, por favor?

- Claro, Patrícia.

Empurrei o cachorro para trás na tentativa de impedi-lo de correr para rua e abri o portão. Fiquei sem acreditar no que via.

- Ué, o que você está fazendo aqui?

Minha reação foi disferir um soco em sua cara que fez dois dedos meus estalarem com o empaqueto do soco em seu nariz, deixando minha mão suja de sangue e a pessoa caída no chão com as mãos no nariz.

- Você tem algum tipo de demência?

Disse aos berros. Minha vontade era continuar socando sua cara. E por que não? Pulei em seu colo e comecei a bater.

“Ah que ódio! ”

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Comentários

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Muito bom li todos os contos desde ontem há noite até agora e adorei,desculpa não dar nota nos outros mas ainda vou dar,para a incentivar a voltar logo para matar a curiosidade dos seus leitores

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Continua logo

Tô ansiosa pra saber que foi a coitada q apanhou e espero q a mel apareça logo

Dez como sempre

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A pessoa que chegou é a mel? A menina ainda apanhou? Eu sei que ela merece umas bofetadas por não dar notícias (se for ela), mas achei muito violento, hein!? rrsrs

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