Eu estava distraído, quando o amor me achou - CAPÍTULO 24

Um conto erótico de Lissan
Categoria: Homossexual
Contém 2044 palavras
Data: 06/06/2019 20:44:10
Assuntos: Gay, Homossexual

Olá a todos!

Desculpem o atraso! Hoje não deu para fazer isso, mas amanhã vou tentar responder alguns comentários do capítulo anterior. De qualquer forma muito obrigado a todos, e até amanhã!

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UMA ÓTIMA LEITURA A TODOS

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-...disse tudo Inácio! Definiu a aula em uma palavra! – alguém gritou de volta e vi a ira do professor crescer em sua face ficando quase roxo. Coitado! Com a mão ainda tapando a boca, me voltei para Robson.

Não vi Heitor em parte alguma da sala. Mas nessa procura meus olhos esbarraram bem no professor me fitando agressivamente. Teria que ficar sentando no fundo em todas as aulas dele depois de gritar “Caralho!” nessa. Justo! Levantei para sair da sala. E no mesmo instante vi Robson arregalar os olhos para mim, desesperado por Heitor se sentar bem na minha cadeira. Dei uma última olhada nos dois, agora um ao lado do outro e só consegui achar graça em tudo aquilo. E eu que pensei que ele fosse um completo idiota, é só a metade, pensei comigo mesmo.

Mesmo assim consegui me preocupar com Robson, depois de Fábio, encontrar um cara assim... Brutamontes. Não seria nada legal para a autoestima dele. Pressionei meus olhos sentindo um pouco de sono e cansaço, entrei no banheiro e entrei em uma das cabines. Saí e lavei as mãos duas vezes, joguei um pouco de agua no rosto e reconheci a voz de Atila do lado de fora, à porta. Quase para entrar no banheiro.

-...amanhã eu não posso – o ouvi dizer e empurrar a porta. Ninguém entrou com ele, mas imaginei ser a garota. Atila sorriu para mim. – Se a gente tivesse marcado não teria dado tão certo... – brincou.

Sorrio para ele também, e jogo para ele a dúvida que me corrói já tem um tempo sobre a tal garota que está sempre no seu calcanhar.

- Sua irmã estuda aqui? – pergunto sério. Ele gargalha e vira o rosto de forma debochada.

- Não ela... – nos viramos para a porta e ouvimos o que parecem ser sapatos correndo no piso do corredor. Sigo para a porta antes dele, e o pessoal todo das salas estão no corredor uma multidão de gente.

Entro pelo meio delas sem me preocupar com Atila ainda no banheiro, ou onde quer que esteja só sinto aquele aperto no peito que senti mais cedo e sigo esse aperto por entre o mundo de gente a minha frente. Ouço algumas pessoas comentando algumas coisas e nem me atenho a perguntar a simplesmente parar e perguntar “O que está acontecendo” eu avanço entre as pessoas, e descubro por mim mesmo. Heitor e mais alguns caras estão no chão iguais lutadores de jiu-jitsu em treino, mas vejo um olho roxo.

Eles brigam pra valer, fico imóvel por um tempo até ver Robson do outro lado com a blusa rasgada. Ele olha para mim e aponta, como se eu tivesse perdido algum detalhe e realmente no bolo de caras está mais um conhecido nosso, Fábio!

- Alguém faz alguma coisa – finalmente reajo e tento tirar eles dessa situação. Fico completamente chocado com a força que ambos imprimem. Ainda mais Fábio depois de ter levado uma surra, ele não parece no seu estado perfeito de consciência. – Vocês vão ser presos por isso! – tento alertar, outros dois meninos se juntam a mim e conseguimos desvencilhar os dois, ao custo de uma das mangas da minha camisa. Fábio parece sobre efeito de alguma droga pesada, seus olhos, tremores na boca e força descomunal acusam para isso.

Atila se aproxima do amigo e o arrasta para o canto os dois finalmente começam a se aquietar, até Fábio perceber que sou eu e arreganhar os dentes como um cachorro para me morder. Ouço o choro copioso de Robson, e uma raiva intensa sobe por meu peito avanço para cima de Fábio tambéma briga das bicha – ouço alguém por perto comentar.

- Que confusão é essa aqui! – diz alguém de forma autoritária. Sinto os braços de Atila me cercar e agradeço por ser ele a me tirar de perto do Fábio. Sinto ódio um ódio tão grande, mas quando vejo meu amigo que antes havia entrado feliz e arrumado, contente com sua nova vida livre do castrador, chorando, o ódio perde espaço. – Todos vocês voltem para suas salas, ou se já encerraram as aulas, por favor...

Olho para Robson ali a minha frente, e ele me abraça bem apertado. Heitor elétrico anda de um lado para o outro e Atila tenta conversar com ele. O homem de voz autoritária nos observa sem dizer nada por um tempo. Não sei para onde levaram Fábio. Nem se ele ainda está ali. Só tento acalmar Robson, sem entender como Fábio teve a coragem de fazer isso e se teve a coragem poderia fazer coisa bem pior... Pensar nisso faz minha espinha esfriar completamente e faz com que a mão de Atila no meu ombro signifique como nunca.

Ele a pressiona firme, e olho para ele, negando. Não posso acreditar em todo esse desastre agora.

- Como? – pergunto, Robson está em choque nos meus braços. Franzo o cenho obrigado a acreditar naquela brutalidade toda. Em um ambiente universitário? – Escuta... – falo para Robson – essa camisa nem era tão bonita assim... Ele fez um favor para nos dois, rasgou a minha e a sua...

Robson olha para mim, limpa os olhos e respira fundo soltando o ar em seguida.

- Vou ver como as coisas estão – diz Atila e se afasta eu assinto para ele. – Eu... Volto logo...

- Fuja enquanto a tempo – diz Robson do nada – e você tem razão, essas blusas são horríveis. Foi culpa delas – ele diz parecendo um pouco mais animado. – Sou chorão não sou?

- Não mais que ninguém que passe por um trauma desses – sorrio de leve para ele. O diretor da unidade de voz autoritária olha para nós com cara de poucos amigos. Fala sobre a moral no campus, o renome da universidade em ricos por causa de atitudes destemperadas como aquelas.... – Vamos ser suspensos? – o interrompo.

- ...bem eu ia chagar aí... Jovens! Não, dessa vez não. Olhei as imagens das câmeras e vi que o jovem perturbado invadiu a sala e atacou você – apontou para Robson – vocês só tentaram se defender. Entretanto, isso com certeza é resultado de problemas pessoas inacabado e trazidos para cá...

Levamos uma advertência, ainda com as roupas todas esfarrapadas. Diante do homem todo alinhado. Assinamos os papeis e com os canudinhos das cópias em mãos fomos em direção à saída. Eu pelo menos, Robson ainda se demorou um pouco para voltar. Caminhamos até a saída da faculdade, bem diferentes de como entramos. Eu sem uma das mangas da camisa, e a sensação de que algum resquício de saliva do Fábio ainda se impregnava em mim. Robson com a sua rasgada de cima a baixo e uma mancha vermelha enorme que eu ainda não tinha notado.

Toquei o local e ele me acertou minha mão afastando.

- Estamos iguais aos moradores de rua – disse com os braços cruzados para evitar as partes da camisa de voar.

- Não se preocupe, - digo abraçando seus ombros – daqui a pouco a gente vai tá rindo disso tudo... Já pensou se Fefito está aqui na hora?

Aí ele abriu um sorriso enorme concordando comigo que a briga seria ainda pior, e dessa vez para o lado do Fábio. Seguimos assim debaixo dos olhares de várias pessoas que estavam na hora, e provavelmente alguém devia ter as filmagens. De pelo menos parte da confusão. Senti um pouco de vergonha de me saber tão observado, mas relevei, se fosse eu no lugar deles também estaria bisbilhotando.

Não o encontrei em lugar nenhum no caminho para a saída, Atila. Até suspirei imaginando que ele fosse como disse, voltar depois.

- Amigo, agora eu entendo o que você fez com Atila – semicerrei os olhos para Robson – era seu subconsciente te avisando do perigo. Sério. Um dia eu estava... Bem, não vou dizer feliz, mas bem, com minha vidinha e o homem que amei... No outro ele estava sendo um escroto ignorante... Você fugiu, e é o que devíamos fazer agora.

O carro de Atila do qual eu fugi pela manhã tá logo ali piscando os faróis. Eu só consigo sorrir de contentamento. Não vou fugir coisíssima nenhuma, aceno para ele e puxo meu amigo com a outra mão.

- Nem todos são iguais – digo – a gente tem que tentar acreditar nisso não é? - Antes de chegarmos perto do carro ele me para ali ainda a passos da rua e sopra no meu ouvido “pois eu agora só vou querer sexo” olho de esgueira para ele. Ainda bem que já está bem, penso. – Eu tinha razão você está só no pecado...

De dentro do carro com a janela de vidro abaixada, Atila sorri para nos dois. Abre a porta e coloca metade do corpo para fora.

- Tive que levar Heitor em casa – sorriu mais uma vez – e vim buscar vocês, vamos? – ele abre a porta dos fundos e Robson entra sem dizer nada, nem um obrigado. – Ele está até bem... – diz Atila.

Assinto para ele, mas pensando em como essa atitude simples de Robson soou mal agradecida.

- É verdade – digo – ele encarou tudo... Estou muito orgulhoso dele. Pensei que você não viesse mais...

- Ah Inácio, você não me conhece mesmo hein? – a correntinha de São Jorge está bem a vista gosto de ver como o tom da pele dele contrasta com a prata da correntinha.

Ergo o queixo em sinal de superioridade, com uma das sobrancelhas arqueadas também. E com uma voz muito empoada digo:

- Você também não – digo me sentindo um idiota – eu sou cheio de mistérios...

- Ai meu deus não vou ficar ouvindo isso! – grita Robson de dentro do veículo – se peguem logo pelo amor!

Ele diz abaixando o vidro e deixando aparecer apenas parte do seu rosto. Olhamos para ele ali e sorrimos, é automático, não penso muito ao abrir a porta do carro ao lado de Atila e me sentar ao lado dele, e o vejo sorri percebendo antes de mim isso. Uma coisa tão simples, a bolha. É como se ela tivesse voltado, e meu amigo não estivesse mais sentado no banco do passageiro no fundo. Fico inquieto, porque só agora me dou conta de quantas perguntas quero fazer a Atila. Sobre a garota que só anda com ele... Porque se não é sua namorada... Nem a irmã... Quem então?

Eu e Atila sorrimos contidos, e penso em como Robson está se sentindo com isso sentado no fundo. Olho para ele, mas seu rosto não está visível, Atila dirige sem pressa e nessa velocidade consigo ver meu futuro ponto. Ainda sem inquilinos, dou uma leve virada no pescoço para olha-lo melhor.

Atila também olha, mas por alguns segundos, sua atenção é toda para os outros carros a sua frente e pelos lados.

- Obrigado pela força Atila – diz Robson – agora chega de segurar vela... – ele abre a porta do carro e sai.

E cá estamos mais uma vez. Sozinhos no carro. Sinto que estamos tranquilos, como mais cedo e sinto que as palavras que dissemos também ajudaram. Eu o encaro e agora sem toda a confusão do dia. Parece que foi tudo há muito tempo e na verdade só tem algumas horas que acabou. Ele também olha para mim com leveza, apesar de eu ver pairando dúvidas nele, talvez até mais que as minhas, percebo. Atila acaricia minha sobrancelha, e dá um leve sorrisinho de canto. Não entendo o motivo do riso, mas gosto de vê-lo assim. E apesar do meu coração estar aos pulos, eu não quero fugir.

Ele se aproxima mais de mim, e sinto a palma da mão dele quente no meu rosto. Cobrindo quase toda aquela parte, sinto esse calorzinho se espalhar por meu pescoço e peito.

- Acho que estou querendo adiantar nosso encontro de amanhã – o ouço dizer pertinho de mim. Mas os meus olhos estão semicerrados demais para enxerga-lo agora, a onda passou. – Mas só porque me abandonou aqui sozinho, não vou fazer isso então fique na curiosidade.

Abro os olhos acordando para a infantilidade do castigo dele, e encontro seu sorriso. Mas não avanço em seus lábios como da última vez, eu me controlo. O deixo a vontade, por mais que eu esteja morrendo de vontade de agarra-lo agora mesmo.

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Comentários

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Cada capítulo é uma enxurrada de acontecimentos! Parabéns!

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Maravilhoso até reativei minha conta só para poder comentar aqui kkkkkk

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Esse Fábio é mesmo um escroto! Que raiva dele, hehe. Robson e Inácio estarão sempre em perigo. Mas, o que realmente importa é que Átila e Inácio vão conversar. Vão dar lugar ao amor, que lindo.

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Que conto maravilhoso já quero o próximo capítulo

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