Eu estava distraído, quando o amor me achou - CAPÍTULO 4

Um conto erótico de Lissan
Categoria: Homossexual
Contém 2368 palavras
Data: 17/05/2019 18:25:17
Assuntos: Gay, Homossexual

OLÁ! Tudo bem com vocês?

Obrigado pelas leituras!

Mas gostaria de pedir que votassem na história se curtirem, e deixassem comentários também. No último capítulo que postei aqui ontem, só um fofo #Vitinho165 comentou e eu agradeço imensamente, por que dá um gás legal para levar a história adiante.

PS:. Espero que gostem do capítulo <3

Dito isto!

BOA LEITURA!!!

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O cara tinha o dobro da minha altura, e no momento em que ia falar comigo um carro passou bem ao nosso lado fazendo barulho, não pude ouvir direito. Nós paramos antes do ponto de ônibus, onde a mesma coisa de sempre se repetia todos os dias outros funcionários do canteiro estavam. Para a minha surpresa, o rapaz dessa vez sem ser interrompido, me apontou um carro:

- Eu te deixo em casa – disse e eu desligado, ainda com a voz de Atila na cabeça demorei a me mover – então você vem?

- Desculpe, - consegui dizer por fim, saímos do ponto em direção ao veiculo – você disse alguma coisa antes, mas eu não ouvi. O carro passou bem na hora...

Ele abriu a porta do carro, olhou para algum lugar depois do ponto de ônibus, e se sentou no banco do motorista, abrindo a porta para mim. Eu nem sabia se ele ia para o mesmo lugar que eu, era seguro confiar em uma pessoa recém-conhecida? Dei de ombros para minha desconfiança e entrei. O carro era simples, mas com aquele cheirinho de limpeza:

- Eu tinha dito... – ele parou, sorriu – acho que Atila estava vigiando a gente, trabalhei com ele algumas vezes então, deve ser contigo, porque nós não nos falamos direito.

Onde? Eu não perguntei, mas fiquei ali do carro mesmo olhando para ver se conseguia observar também. Não fazia sentido nenhum isso, olhei bem para onde o cara estava olhando, mas nem sinal. Ele deveria ter se enganado, passamos pelo ponto de ônibus e depois pelo canteiro seguindo o lado oposto ao meu.

- Não consegui ver, comigo não, ele não vai com a minha cara também – disse.

- Normal, Atila é assim mesmo, na dele. Fala mais com o Zara – outro apelido para Zé do Bloco – você não me ouviu antes não foi? Eu disse que sou amigo de um colega seu da faculdade, o Robson.

Meus olhos se iluminaram, ele tinha me dito alguma coisa mesmo sobre conhecer pessoas no canteiro. Inclusive a ideia de baile ainda me animava, seria difícil driblar meu tio, mas não impossível. Fábio era o nome dele, e me disse durante o trajeto que conhecia Robson desde a infância, eram muito amigo. Ao fechar a porta do carro a uns dois quarteirões da casa do meu tio, e agradecer a Fábio pela carona. Fiquei com outra impressão da amizade deles.

Fábio e Robson, meneei a cabeça para minhas neuroses, mas ele falava de uma forma tão carinhosa sobre Robson. O camburão estava na porta da casa do meu tio, sorri para mais uma chance de carona, sem buzão!

Passei em volta do carro, não tinha ninguém lá dentro do jeito que meu tio era reservado, aquele carro estacionado ali na frente? Abri o portão de casa, e as luzes estavam acessas como de costume. Só o que não estava de acordo com a casa eram as manchas de sangue no chão. E um homem, deliciosamente descamisado vestindo short tactel com um rodo nas mãos. Parei no batente da porta esperando ele escoar a água, reconhecendo alguns traços do rosto dele. Parecia o mesmo cara de fuzil da noite passada.

- O que aconteceu aqui? – o homem se virou para mim.

- Sua tia surtou e deu um tiro em si própria, – direto e reto – agora se for possível, seria bom você dar a volta enquanto termino de limpar aqui.

Obedeci sem maiores questionamentos minha cabeça estava em parafuso, liguei para o celular do meu tio e nada, caixa postal. O homem voltou com o rodo ainda em mãos e sem expressão, abriu a geladeira na maior intimidade, não resisti:

- E como foi isso? Ela sempre dá esses surtos, e nunca tinha tentado... Agora...

- Dessa vez parece que foi pior – ele encheu um copo com água – o sargento vai ter de passar a noite com ela no hospital, e lá em cima está tudo meio melecado de sangue, eu ia limpar lá agora, mas como você chegou...

Sobrou para mim, esfregão, balde e rodo, me despi das roupas da rua e fui para cima seguindo o rastro do sangue. Não ia ficar pensando demais em nada, policiais depois de um tempo começam a odiar perguntas. O cabo Adelmo, se prontificou a me ajudar na arrumação da casa, apesar de ele mesmo já ter conseguido dar um jeito na maior parte da bagunça. Aquilo tudo me fez pensar no meu primeiro dia de aula perdida, para um bolsista nada bom... Ouvi vozes de outras pessoas lá embaixo, mas não fui averiguar.

Meu celular tocou e muito sucintamente fui informado pelo meu amoroso tio da confusão toda.

- Tô sem tempo de explicar melhor agora – ele resfolegou arquejante – arruma tudo ai, um dia que você faltar na faculdade não vai te matar, o cabo Adelmo vai dormir ai, por precaução.... – e desligou.

Precaução de quê? Não fazia ideia e não ia perguntar nada. Ao terminar o serviço no quarto dos meus tios onde a coisa parecia ter começado pela quantidade de sangue, desci com os braços moídos e pernas cansadas. O camburão não estava mais estacionado na porta, e uma embalagem de pizza descansava em cima da mesa na cozinha. Se eu não chego a tempo não teria encontrado nada, policiais são sempre iguais é impressionante, pensei dramático.

- Meu tio acabou de me ligar. Você não precisa dormir aqui, eu sou grande o suficiente – sorri pegando uma das fatias da pizza.

- É, preciso sim, foi uma ordem dele, sinto muito – disse de boca cheia sem expressar um sorriso sequer.

Deitei no sofá da sala depois de comer a pizza, liguei a tevê sem interesse algum no que passava. Cabo Adelmo sentou-se perto, vestia uma camiseta sem mangas. Olhei para ele, seus braços torneados sem excesso, rosto sério. Senti um arrepio correr meu estomago, voltei a olhar para a televisão e ele no celular. Na tevê não passava nada de interessante, minha mente vagou um pouco pensando em Atila, no elogio dele, se tinha sido para mim... Porque isso importava?... E o comentário de Fábio sobre Atila estar nos vigiando também não fazia sentido nenhum...

Os olhos de cabo Adelmo estendidos para mim também não fazia sentido, mas estavam. Não seria a primeira vez que eu fantasiava, já tinha feito isso uma vez com um amigo do meu pai, e por pouco não me ferrava.

- Porque está me olhando assim cabo Adelmo? – quis saber, com a voz calma.

- Os caras comentam que o sobrinho do sargento é... – ele engoliu em seco, se apoiando nos joelhos – que você é bicha.

Não tem erro, policiais militares geralmente são iguais, mas o interesse dele me deixou também interessado. Fazia tempos eu não beijava outro cara, sexo então, aquele cabo estava curioso demais. Mordi o lábio inferior, “bicha”, existe palavra mais idiota para especificar alguém? Talvez só mesmo “puta” seja mais imbecil.

- E qual é o seu interesse nisso cabo? – questionei olhando nos olhos negros dele.

Todo desconcertado vejo o alto de suas bochechas ficarem vermelhas. Seus lábios são até carnudos. Mas não vou, penso comigo mesmo, não vou transar com um cara que me chama de bicha.

- Nenhum interesse nenhum ué – ele coça a nuca erguendo um dos braços e definitivamente quero beija-lo. Mas continuo firme, beijo é uma coisa, sexo outra.

- Você já ficou com alguma “bicha”? – digo falando essa última palavra com desdém. – Melhor já se deixou chupar por alguma? –minha pergunta parece surtir efeito nele, percebo seu corpo, rosto, tudo relaxar como se lembrasse do momento exato da chupada.

Ele nega com a cabeça, mas eu sei, está tentando negar alguma atração por mim. Está nos seus olhos, eu me ajoelho também igual a ele, me aproximo, toco em seus ombros e ele não recua. Aproximo meu rosto da sua orelha, e sei, mesmo sem olhar para baixo que há um volume no short dele.

- É melhor parar com isso... – ouço-o dizer, mas o interrompo.

Ergo minhas mãos por seus ombros, e entrelaço meus dedos atrás da nuca dele, cabo Adelmo permanece imóvel, me olhando. Aproximo meus lábios dos seus e só então ele recua, arfa se erguendo e tomando distancia, mas pouca. Bem se ele não rechaçou meus toques é porque quer, penso ao me aproximar mais.

- Não vou insistir em nada, - digo voltando ficar cara a cara com ele. É gozado como em sua testa percebo uma leve camada de suor, está nervoso.

Volto a segurar em sua nuca, dessa vez não estamos mais na mesma altura de pé ele é só um pouco mais alto e mesmo assim tenho de tencionar a palma dos pés. Olho nos olhos dele, e ele inclina a cabeça, também segura minha nuca. Nossas bocas se encontram, acaricio seu rosto com a outra mão, sinto na minha boca seus lábios moverem-se confusos. Sua língua procura a minha, ele está tão afoito que até fecha os olhos. Os meus ainda estão observando-o.

Sinto seus braços me envolverem e é rápido ao me empurrar, resisto, beijo seus lábios carinhosamente, ele sôfrego. Parece até um adolescente com medo de ser pego pelos pais, fazendo sacanagem. Sinto sua ereção me pressionando, é a melhor hora para barrar ele, calculo comigo mesmo.

Desgrudo nossos lábios, ele sorrir para mim e revela sem medo, como se já houvesse um vinculo nos ligando:

- É a primeira vez que deixo outro homem me beijar – ele está com o rosto vermelho – antes eu só comia as bichas.

E percebo ao final da fala do cabo, que só o que nos liga é a saliva dele na minha boca e a minha na dele. Sorrio para sua confissão, imaginando quem agora mesmo está pensando nele. Suspirando pelos cantos, desejando esse homem. Sempre existe alguém, eu já fui um alguém assim, e por isso apesar do beijo digo:

- Sei. Vou tomar um banho, trabalhei o dia todo hoje – os ombros dele caem – logo eu desço tá?

Cabo Adelmo beija meus lábios mais uma vez, e eu deixo. Ele confirma com a cabeça, saio da sala com a sensação de lábios formigando. Entro no banheiro, tranco a porta e evito demorar no banho e já passo para meu quarto. Se eu descer, ele vai investir. A porta do meu quarto não tem chave, mas um trinco. Fecho-o. Estendo a toalha em uma cadeira, deito na cama esticando as pernas e fecho os olhos com o gosto do beijo ainda nos lábios. Beijar homem é tão bom, penso antes de tentar dormir.

Não dizer, ao raiar do dia, se o cabo Adelmo ficou me esperando. Mas me bato com ele tão logo abro a porta do meu quarto, com a cara toda amassada. Seu rosto está sério, desapontado eu diria se o sono ainda não estivesse me dominando um pouco.

- Você não desceu. – Diz como esperando por uma explicação. Está vestido com a calça do uniforme, e os coturnos, mas sem o colete.

Tampo a boca para falar com ele, meu hálito matutino é horrível. Mas eu sei, não devo nenhuma explicação, apenas digo:

- É eu acabei adormecendo, o cansaço sabe – passo pelo lado sentindo o cheiro do seu perfume. – Ham... Desculpe cabo Adelmo.

Ele ergue as sobrancelhas. E por um minuto uma fração deles sinto meu peito apertar um pouquinho de compaixão. Ele morde o lábio inferior, e diz:

- Só Adelmo, pode me chamar só de Adelmo. – Eu assinto sentindo minhas bochechas corarem. Esse cara me chamou de bicha, repito para mim mesmo, esse cara me chamou de bicha.

Saio do banheiro e ele já não está mais no corredor, me visto rápido e desço para a rua. Sentado em uma moto, Adelmo parece esperar, não tem como eu fingir não vê-lo, pois ele está bem no caminho. Só me oferece um capacete. Eu engulo em seco, foi só um beijo e ele me chamou de bicha, fico dizendo para mim mesmo. Sem compaixão por escroto, sem compaixão.

Fico na dúvida se aceito, ele liga a moto, eu coloco o capacete e sento na garupa. Falo onde é mais ou menos o canteiro, ele olha para trás e assente. Sinto-me mal por alguma coisa, será que agir errado com ele? Ao descer da moto, na esquina onde fica o canteiro, consigo apenas agradecer. Por que para mim só foi um beijoeu desculpe se...

- Eu gostei de ter te beijado, e... – disse rápido ligando a moto – me perdoe se te ofendi.

Saiu em disparado depois disso. Só consegui pensar no quanto ele parece um adolescente morrendo de vergonha. Mesmo assim me questiono, só para ter certeza comigo mesmo me aproximando dos outros peões “foi só um beijo?”, Atila está a alguns passos de mim com a cara de poucos amigos. Tomou banho de perfume e cortou o cabelo a maquina, sorrio por perceber isso.

Atila fica em um canto afastado dos demais, alguns falam com ele ao passar perto, mas a maioria faz igual a mim, não liga. Fábio se aproxima sem que eu perceba e quando dou por mim já estamos dentro do canteiro.

- Quero conversar contigo Inácio – me chamou o seu Zé. Será que ia me dispensar por causa do brucutu? Não era justo. Segui seu Zé até uma espécie de escritório montado ali pelos arquitetos. Se fosse isso eu ia me defender, diria o quanto me esforcei e o quanto precisava daquele trabalho. – Ontem tive uma conversa com Atila e ele elogiou muito seu desempenho, sendo assim resolvi ceder você de vez para essa parte elétrica dos serviços e alguns acabamentos como já vinha fazendo, mas longe do trabalho braçal. – Fui para dizer, ele me cortou. – Não precisa agradecer.

Seu Zé foi atender alguns peões e eu fiquei com essa bomba remoendo dentro de mim, ao meu redor apenas alguns colegas passavam para dar acabamentos também a essa parte do serviço. Semana que vem a obra já vai tá concluída. Respirei fundo, soltei o ar dos pulmões e vesti meu macacão.

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Comentários

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Estou viciado nesse conto.

Eu quero mais e mais. E claro muito hot

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Estou viciado nesse conto.

Eu quero mais e mais. E claro muito hot

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Interessante. Parece ingênuo o Inácio, mas está longe disso. Me pergunto, quanto vai demorar pra ele perceber que o "irritadinho" está a fim dele?

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